quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

TOBIAS BREITSCHÄDEL: "FAÇO MELHOR AS COISAS QUANDO AS FAÇO DEPRESSA"




Adepto incondicional da Orientação Pedestre, uma dupla vitória nos Mundiais de Desporto Escolar ISF 1993, na Bélgica, parecia abrir-lhe as portas duma carreira de sucesso. Mas as lesões começaram a aparecer uma após outra e, quatro operações aos joelho mais tarde, as suas ambições tinham caído literalmente por terra. Depois, em 2006, virou-se para a Orientação em BTT e os grande objetivos voltaram a surgir. Venha conhecer Tobias Brietschädel, o novo Campeão do Mundo de Sprint.


Todos sabemos que “tempo é dinheiro”. No caso de Tobias Breitschädel, dois simples segundos foram o suficiente para lhe valerem o ouro. Um “sufoco” no final, enquanto o vencedor não era anunciado, disso podemos ter todos a certeza!

Tobias Breitschädel – Sem duvida! Esperar no final na condição de primeiro classificado dum Campeonato do Mundo não é propriamente a melhor situação, especialmente quando são muitos os competidores com idênticas possibilidades ainda em prova e estamos a acompanhá-los no “live tracking”. O Sprint final absolutamente brutal do Marek Pospisek quase fez com que o meu coração parasse, mas a verdade é que eu fui mais rápido do que ele a controlar o finish. Todavia, em comparação com o ano passado, em que tive de esperar mais de duas horas para ter a certeza que a medalha de bronze era minha, esta espera pelo ouro quase foi “agradável”.

Para alguém que esperava tudo menos ganhar uma prova nos Mundiais, este foi realmente um “objetivo dourado”. Assim, depois de finalizar a sua prova, quase podíamos vê-lo beliscar-se, duvidando ainda que o sonho se tinha tornado realidade. A verdade é que “a vida continua”...

Tobias Breitschädel – Realmente, o dia seguinte era dia de nova prova. Acabei por me ver totalmente dividido entre celebrar e gozar a minha vitória ou preparar-me convenientemente para a prova de Distância Média a qual, na realidade, era suposto ser a minha “grande aposta”, aquela onde eu acreditava que poderia ter mais possibilidades de alcançar um bom resultado. A neccessidade de me preparar convenientemente acabou por me deixar de fora dessa hipótese de celebrar a medalha de ouro no tempo certo. Da mesma forma, a celebração da nossa primeira medalha de sempre numa prova de Estafeta acabou por ficar “tapada” pela preparação para a prova de Distância Longa do dia seguinte. Pode parecer estranho - “sofrer ao mais alto nível”, é o que chamamos a isto na Áustria -, mas quando levamos as questões a sério e fazemos tudo para alcançar o melhor resultado possível, não há a mínima hipótese de celebrarmos o que quer que seja no decurso da semana dos Campeonatos do Mundo.

O primeiro Campeonato do Mundo de Tobias Breitschädel foi há cinco anos atrás, em Nove Mesto Na Morave (República Checa). Desde então, a preparação do “grande momento” foi uma preocupação constante: provas duras a tempo inteiro, um tempo repleto de pequenos prazeres e, claro, alguma frustração à mistura. No final, a questão que se coloca é esta: Como se faz um Campeão do Mundo?

Tobias Breitschädel – Na minha opinião, não há receitas no tocante a esta matéria. Talvez aquilo que qualquer campeão do mundo seja capaz de dizer é que é necessário estar preparado quando as coisas são a sério e não ter medo de arriscar e perder. Estar preparado significa estar na melhor forma física e psicológica naquele preciso dia ou momento. É algo que aprendemos com o tempo: De que forma o nosso organismo reage aos diferentes tipos de treino e como devem ser os meses, as semanas, os dias antes duma prova importante. No meu caso particular, a minha oportunidade surgiu no preciso momento em que me dei conta que sou melhor ciclista que corredor, do ponto de vista das minhas potencialidades físicas. Faço melhor as coisas quando as faço depressa, embora a minha grande vantagem esteja nos conhecimentos que adquiri na Orientação Pedestre e que me têm ajudado imenso. Isto foi crucial no tocante à minha medalha de ouro, numa prova que nem achei particularmente difícil. Mas se me perguntar quais os aspetos mais importantes na preparação dum Campeão do Mundo, diria apenas duas coisas: “Nunca baixe os braços” e “faça-o a 100%”.

Olhando para esta temporada, absolutamente nada faria pensar numa medalha. Um problema dentário e que culminou numa operação e numa paragem absoluta de três semanas mostrou um Tobias Breitschädel completamente frustrado, vendo a sua forma física ir por água abaixo. E não havia nada a fazer.

Tobias Breitschädel – Falhei as provas da Taça do Mundo na República Checa e não foi fácil recuperar a forma física porque as coisas não “encaixavam”. Depois da Taça do Mundo na Polónia, caí numa profunda crise de motivação. O trabalho, a família e os treinos tornaram-se muito difíceis de conciliar e isso gerou em mim uma enorme ansiedade. Sinceramente, desejei mesmo colocar ali um ponto final na minha carreira. Durante um treino ao longo do Danúbio, vi-me incapaz de definir objetivos para 2012. Campeão do Mundo? Era a coisa mais irrealista em que pensar. Acreditei que a medalha de bronze em 2011 fora o ponto alto da minha carreira. Agora estava sem objetivos para os quais lutar. Parei a bicicleta e estava a ponto de voltar para trás quando, de repente, a ideia instalou-se, como que surgida do nada: quatro pódios nos Mundiais da Hungria. É isso! Parecia-me ser possível e uma nova motivação surgiu, algo que me fez erguer de novo os braços, subordinando toda a minha atitude a esse objetivo, a lutar por isso.

Este foi um título histórico para a Áustria. Para os orientistas em geral mas, sobretudo, para os adeptos da Orientação em BTT, é impossível não falar em Michaela Gigon e nas suas sete medalhas de ouro em Campeonatos do Mundo. E Tobias, com certeza, não coloca de parte a possibilidade deste ser, também, o primeiro de muitos títulos.

Tobias Breitschädel – Espero que si, vou dar o meu melhor. Sei que os altos e baixos irão surgir mas no final, pelo menos, quero poder afirmar que tudo fiz para alcançar mais medalhas e mais títulos. Mas não é apenas o meu título que é especial. Também a medalha de bronze alcançada na Estafeta, a par com o Kevin Haselsberger e o Bernhard Schachinger foi uma classificação histórica para nós, a primeira ao nível da Orientação em BTT austríaca masculina em Campeonatos do Mundo. O nosso objetico, agora, é chegar ao ouro na Estafeta. Penso que temos as condições e o querer para lá chegar!

[Foto gentilmente cedida por Tobias Breitschädel]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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