segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

TAÇA DO MUNDO 2013: TOVE ALEXANDERSSON BRILHA NA NOVA ZELÂNDIA




A Taça do Mundo de Orientação Pedestre 2013 teve o seu início na Nova Zelândia. O poderio sueco e suiço veio ao de cima nas três etapas da ronda inaugural. Entre os feitos maiores da competição, há um nome que se destaca acima de todos os outros: Tove Alexandersson!


O termo antípoda designa, tradicionalmente, as regiões situadas do outro lado da Terra e vem de uma expressão grega significando literalmente "pés opostos" (as pessoas que habitariam nos antípodas caminhariam "ao contrário"). Ora, foi precisamente para os antípodas, neste caso para a Nova Zelândia, que rumaram neste início de ano muitos dos melhores especialistas mundiais de Orientação, apostados em não perder a ronda inaugural da Taça do Mundo 2013.

A compensação duma viagem longa e particularmente cansativa viria sob a forma de dez dias de competição, três deles ao mais alto nível, com a disputa das três primeiras etapas da Taça do Mundo; os restantes dias seriam de «Carnaval», com sol, praia e paisagens deslumbrantes de permeio, num programa com tudo para agradar a todos.


Simone Niggli de fora

Necessário será recuar ao ano de 2000 para vermos a ronda inaugural da Taça do Mundo surgir no calendário fora dos tradicionais meses de Maio e Junho. Com efeito, nesse ano, a competição arrancaria no Japão a 15 de Abril, seguindo na semana seguinte para a Austrália, para terminar só lá mais para o meio do mês de Outubro, em Portugal. Em 2005 a Taça do Mundo regressaria ao Japão, numa altura em que tiveram lugar no país do Sol Nascente os Campeonatos do Mundo, mas só este ano voltou a deixar a Europa e num período do ano com tanto de inédito como de precoce.

Essa será, talvez, a explicação para que um número significativo de atletas de nomeada optasse por afastar esta competição da sua agenda pessoal. Com os grandes objetivos apontados para Julho e para os Mundiais de Vuokatti (Finlândia), os franceses Thierry Gueorgiou (nº 3 do ranking mundial) e Frédéric Tranchand (nº 13), os russos Dmitriy Tsvetkov (nº 8) e Valentin Novikov (nº 10), o letão Edgars Bertuks (nº 11) ou o britânico Scott Fraser (nº 13), preferiram manter um programa de treino regular e cujas coordenadas passam, nomeadamente, pelo nosso País, com Campos de Treino no momento presente e com as três provas WRE do próximo mês de Fevereiro. Já no setor feminino as coisas passaram-se de maneira diferente e, entre as 12 primeiras atletas do ranking mundial, a única ausente foi mesmo a super-campeã Simone Niggli, que assim hipoteca decisivamente a vitória numa competição que conquistou por oito vezes nas últimas dez edições.


Hertner e Jansson, os primeiros vencedores

Uma prova de Distância Média no mapa de Manga Pirau abriu as hostilidades. Terreno arenoso e um micro-relevo profusamente detalhado puseram à prova as qualidades técnicas e físicas de 111 atletas (62 homens e 49 senhoras), com suecos e suiços a mostrarem, desde logo, algum ascendente sobre os demais competidores. No setor masculino, o suiço Fabian Hertner alcançou a sua terceira vitória em etapas da Taça do Mundo, gastando 32:58 para 5,3 km de prova, menos 57 segundos e 1:33 que os suecos Johan Runesson e Jerker Lysell, respetivamente 2º e 3º classificados. Suecos e suiços que tomaram de assalto os oito primeiros lugares, muito por culpa do norueguês Olav Lundanes e dum «missing point» completamente escusado, naquela que teria sido uma clara vitória do Campeão do Mundo de Distância Longa.

No setor feminino a sueca Helena Jansson foi a mais regular, regressando às vitórias na Taça do Mundo um ano e meio após o seu triunfo na final de Distância Média dos Mundiais de França 2011. Jansson cumpriu os 4,3 km do seu percurso em 33:31, com a dinamarquesa Ida Bobach a terminar no segundo lugar com mais 1:23 e a russa Tatyana Riabkina a ser terceira a 1:50 da vencedora.


Matthias Kyburz, pois claro!

No dia seguinte teve lugar a segunda etapa da Taça do Mundo, com a prova de Sprint a ter por palco os jardins do Parlamento neo-zelandês e a casa do Governador, em Wellington. Disputadas no período da manhã, as séries qualificatórias voltaram a mostrar um Fabian Hertner em excelente forma, ao qual se juntou a sueca Tove Alexandersson à frente da lista de quarenta atletas masculinos e femininos que passaram à final. Final na qual Alexandersson teve de dar o seu melhor para levar de vencida a sueca Annika Billstam, por escassos três segundos, com 19:32 contra 19:35 da sua compatriota. A neo-zelandesa Lizzie Ingham, uma das maiores especialistas mundiais de Sprint e 9ª classificada nos últimos Mundiais de Lausanne, deu uma alegria às suas hostes ao concluir na terceira posição a 12 segundos apenas da vencedora.

Tal como no setor feminino, também o vencedor masculino, o suiço Matthias Kyburz, quedou-se bem além dos 15 minutos preconizados para uma prova com estas características. O Campeão do Mundo em título venceu confortavelmente no tempo de 17:52, com os seus compatriotas Matthias Merz e Matthias Muller a concluirem nas terceira e quarta posições, respetivamente, com mais 38 e 49 segundos que o vencedor. A quebrar este trio fantástico e que preencheu por completo o pódio de Sprint dos últimos Campeonatos do Mundo, ficou o sueco Jerker Lysell, com o tempo de 18:27 e o correspondente segundo lugar.


O «bis» de Alexandersson

A ronda inaugural da Taça do Mundo 2013 teve o seu epílogo na madrugada de sábado para domingo, com a realização da terceira etapa no arenoso mapa de Roronui. A prova disputou-se num formato pouco usual, o Chasing Start – com efeito, nas últimas doze edições da Taça do Mundo, o modelo apenas foi usado por três vezes e todas elas na Noruega (O-Festivalen 2008 e 2009 e NORT 2011) -, com um prólogo bonificado para os primeiros classificados e que serviria para o escalonamento na decisiva prova. Esta foi corrida na Distância Média e acabaria por servir de consagração ao combinado sueco.

No setor feminino, Tove Alexandersson beneficiou do melhor tempo no prólogo e da consequente bonificação para sair com uma vantagem de 38 segundos sobre a finlandesa Minna Kauppi e de 2:11 sobre a norueguesa Anne-Margrethe Hausken Nordberg. Apesar de se saber pressionada pelas suas mais diretas opositoras, Alexandersson teve um começo de prova demolidor, chegando a uma vantagem superior a três minutos para a segunda adversária. Apesar de dois erros na parte final do percurso, a atleta sueca lograria conservar a primeira posição, concluindo com o tempo de 37:09. Anne-Margrethe Hausken Nordberg viria a trocar de posição com Minna Kauppi, quedando-se no segundo lugar a 1:23 da vencedora, enquanto a finlandesa viria a ser a terceira classificada com uma diferença de 1:43 para Tove Alexandersson.


Duelo de titãs

Quanto aos homens, Peter Oberg seria o primeiro a partir, com uma vantagem de 31 segundos sobre Fabian Hertner, 53 segundos sobre Olav Lundanes e 1:14 sobre Jerker Lysell. A verdade é que uma sequência de pequenos erros ou hesitações acabaram por relegar Oberg e Hertner para segundo plano, com a luta pela vitória a decidir-se entre Lundanes e Lysell. Tal como no setor feminino, também aqui o sueco impôs-se ao norueguês com um tempo de 40:33 contra 40:38, naquela que foi a terceira vitória de Lysell em etapas da Taça do Mundo. Oberg viria a ter de se contentar com a terceira posição, a 41 segundos do vencedor.

A Taça do Mundo 2013 faz agora uma longa pausa, para regressar apenas no primeiro dia de Junho, com uma prova de Sprint em solo norueguês, integrada no Nordic Orienteering Tour. Quanto à ronda inaugural, saiba mais desenvolvimentos em http://news.worldofo.com/ ou acompanhando a página do evento em http://www.oceania2013.co.nz/.

[Fotos de Jan Kocbach, em www.worldofo.com]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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