quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

PORTUGAL O' MEETING 2013: A ANTEVISÃO DE MÁRIO DUARTE, A UM MÊS DO GRANDE EVENTO




Estamos a um mês do Portugal O' Meeting, a mais prestigiada e importante prova regular de Orientação Pedestre disputada no nosso país. Este é o pretexto ideal para irmos ao encontro do seu Diretor, Mário Duarte, e com a sua ajuda “tomarmos o pulso” ao evento.


Oito anos depois, a ADFA volta a organizar uma edição do Portugal O' Meeting. Que perceção tem das diferenças que separam a organização de 2004, em Évora e Reguengos de Monsaraz, desta, dentro de precisamente um mês, em Idanha-a-Nova?

Mário Duarte (M. D.) - As diferenças são enormes. Se pensarmos que em 2004 estiveram 919 atletas, dos quais apenas 351 estrangeiros, e que por exemplo o ano passado estiveram cerca de 1800 atletas dos quais 1170 estrangeiros, por aqui se vêem que o POM se constituiu como uma referência internacional, nesta altura do ano, para um grande número dos melhores atletas da atualidade. É um aspeto que terá de acarretar para o clube uma maior disponibilidade mental e física de todos para que o evento, no mínimo, contribua para que no POM do próximo ano mais atletas nos visitem.

Porquê Idanha-a-Nova?

M. D. - Quando a ideia da candidatura para o POM 2013 surgiu, e conhecendo as condições naturais existentes na zona de Idanha-a-Nova, propusemos à Autarquia na pessoa do Vereador de Desporto, a realização conjunta da competição que foi imediatamente aceite. Devo confessar que, para nós, esta abertura não constituiu surpresa nenhuma, atendendo à excelente parceria existente de há uns anos a esta parte. De momento, a conjugação de esforços é traduzida pela constatação da disponibilidade, empenhamento e simpatia que as forças vivas da região estão a pôr nesta organização, nomeadamente Autarcas, Bombeiros, Escuteiros e Comércio em geral.

No capítulo organizativo, quais os grandes desafios desta edição do Portugal O' Meeting?

M. D. - Quando se organiza um evento desta dimensão a cerca de 200 kms de distância, elaborando um programa ambicioso, é necessário um enorme esforço para coordenar tudo de maneira a que as coisas corram de feição. As quatro etapas de floresta, acrescidas das duas etapas de Sprint e uma de Orientação de Precisão, para além dos Model Events e todas as estruras logísticas, originam necessariamente um grande número de pessoas e meios envolvidos, e este foi sem dúvida o maior desafio. No entanto, para além de cerca de 65 atletas do clube, iremos contar com alguns companheiros de outros clubes, escuteiros, pessoal da Câmara e familiares, o que somará seguramente mais de 90 pessoas.

Falou em companheiros de outros clubes e parece-me muito interessante esta ideia de “cerrar fileiras” em torno dum evento que, afinal, é de todos...

M. D. - O POM é, neste momento, a competição mais importante e prestigiante do ano para Portugal e entendo que organizá-lo ultrapassa qualquer realidade clubística. Como tal - e para além de saber que tinhamos meios humanos no clube que nos garantiam uma organização em pleno -, entendi que em determinados setores existem colegas de outros clubes que, disponibilizando-se, poderiam ser uma mais-valia.

A um mês do evento, quando olhamos para trás, o que vemos?

M. D. - O trabalho de preparação para a candidatura ao POM começou em Outubro de 2011. Após percorrer o concelho de Idanha-a-Nova na procura de terrenos, constatei que existia uma zona perto de Monsanto que poderia ser muito interessante tecnicamente. Após contatos com a Câmara, verificou-se a total disponibilidade da autarquia para abraçar o projeto em conjunto e avançou-se para a candidatura a qual foi aceite e atribuida. Após a realização do POM 2012 surgiu imediatamente o site do POM 2013 e todo o trabalho de campo teve início por volta de Abril/Maio, com Alexandre Reis a ser responsável pela cartografia do POM. Como o trabalho era de grande envergadura, foi convidado o Tiago Aires para colaborar connosco, sendo o responsável pelo mapa do Cidral onde decorrerão os 3º e 4º dias das provas de floresta.

Seguiu-se o trabalho de constituição das equipas, nomeando responsáveis por cada uma e as tarefas e necessidades que cada uma teria de apresentar, e claro o convite aos colegas de outros clubes, os quais e a 100 % aceitaram vestir por um fim-de-semana a camisola da ADFA. Conjuntamente com o trabalho intenso de contatos a cargo dos Diretores para responder às necessidades logísticas e visitas constantes, a equipa de montagem em sintonia com os Cartógrafos e Traçadores de Percursos procederam à limagem das arestas necessárias à parte técnica, a qual foi dada por concluída já em Dezembro. Estou pois em condições de assegurar que estamos todos nós na organização, perfeitamente embuidos da responsabilidade que nos espera, mas conscientes que tudo iremos fazer para que no dia 12 de Fevereiro todos se sintam muito contentes por terem participado no POM 2013.

Quer detalhar o programa naquilo que considera serem os seus aspetos mais importantes?

M. D. - Os dois primeiros dias em Idanha, passarão por ser o aperitivo daquele que considero ser o “dia-mais” deste POM que será seguramente o dia 11 (segunda feira), com a etapa de Distância Média a contar para o WRE no Cidral e com o sprint urbano de Monsanto. Pensamos estarem reunidas todas as condições para duas excelentes provas, quer a etapa do WRE num terreno que podemos apelidar de apetecível, quer a etapa da tarde, um sprint urbano na aldeia mais portuguesa de Portugal, com uma vista extraordinária e onde a palavra “empeno” faz todo o sentido.

Em termos de participação e competitivos, quais as expectativas criadas em torno desta edição do Portugal O' Meeting?

M. D. - Quando se avançou com a decisão de juntar em três fins de semana seguidos as etapas portuguesas pontuáveis para o ranking mundial, foi com a expectativa de que poderia haver uma participação mais alargada de atletas estrangeiros. Após a campanha de divulgação conjugada, é com essa ambição que estamos e um número na casa dos 2000 atletas será aquele que supomos ser espetável para o POM. Em termos meramente competitivos, e após toda a “publicidade” feita a Portugal nos últimos tempos por alguns dos melhores atletas mundiais, tivemos a extraordinária notícia de a etapa do WRE do POM2012 ter sido considerada como o melhor percurso do ano- Penso que estes dois fatores poderão contribuir para termos este ano o melhor leque de atletas de sempre.

Para os mais indecisos, que argumentos avançaria no sentido de cativar a sua presença em Idanha?

M. D. - Se o argumento de poderem estar em contato com os melhores atletas do mundo ao vivo não fôr suficiente, então venham desfrutar das belezas da região, dos seus sabores e da hospitalidade das suas gentes, com a garantia que a equipa organizativa fará tudo o que estiver ao seu alcance para que passem uns dias inesquecíveis. Aliás, permita-me acrescentar que se quisermos que o Portugal O' Meeting continue a ser um marco, teremos de nos preocupar em encontrar zonas que possam conjugar a parte técnica com a parte histórica/lúdica por forma a cativar cada vez mais pessoas, nomeadamente estrangeiros, a virem até nós, quer numa vertente mais competitiva, quer numa vertente puramente recreativa e lúdica.

Permita-me, para terminar, que lhe coloque uma questão de índole mais pessoal. O Mário Duarte chegou a figurar no pódio dum POM, mais concretamente em 1999, em Tomar. Seria possível, nos tempos de hoje, vermos um português chegar ao pódio do Portugal O' Meeting?

M. D. - Penso que, nos dias que correm e com o estatuto que o POM atingiu a nível internacional, sendo uma prova de referência para os melhores atletas mundias, ver um atleta português, masculino ou feminino, num pódio em Elite, será apenas utópico. Acima de tudo, o POM poderia servir para, aproveitando a presença de atletas e técnicos estrangeiros de grande nomeada, promover a realização de colóquios/reuniões ou estágios técnicos no sentido de aprofundarmos conhecimentos e experiências. Infelizmente não se tem aproveitado esta mais valia. Acresce ainda a falta de um trabalho conjunto de todos os clubes nacionais com os nossos melhores atletas de Sub-Elite e Elite. Só assim poderiamos ambicionar, dentro de cinco a dez anos, ver um atleta português num pódio do POM em Elites. Agora, como as coisas se encontram, onde “na minha quinta só entram os amiguinhos”, de certeza que não vamos lá.


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO


[Este artigo conta com os apoios de OrieventsSERI e Câmara Municipal de Idanha-a-Nova]


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