sexta-feira, 30 de novembro de 2012

PELO BURACO DA FECHADURA: DIA INTERNACIONAL DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA




A Praia da Tocha prepara-se para receber a segunda etapa do III Circuito de Orientação de Precisão “Todos Diferentes, Todos Iguais”. Assinalando o Dia Internacional da Pessoa Portadora de Deficiência, o evento promete uma manhã inclusiva e solidária, com o Desporto Adaptado em pano de fundo.


Depois do Parque da Cidade do Porto ter sido o palco da primeira etapa do Circuito de Orientação de Precisão “Todos Diferentes, Todos Iguais” 2012/2013, é agora a vez da Praia da Tocha abrir os seus belos espaços, de verde e mar tintados, à Orientação de Precisão. Pessoas com e sem mobilidade reduzida terão à sua disposição percursos desafiantes, ao longo dos quais a inclusão e a partilha serão, mais do que meras palavras de ordem, verdadeiros princípios duma jornada desportiva que, desta forma, se propõe assinalar o Dia Internacional da Pessoa Portadora de Deficiência.

Organizado pelo Clube de Orientação de Estarreja, com o apoio da Federação Portuguesa de Orientação, o evento terá lugar na manhã do próximo dia 08 de dezembro, com início às 10h00 e concentração junto ao Campo Polidesportivo da Praia da Tocha. A prova decorrerá em terreno misto, urbano e de floresta, distribuindo-se por quinze pontos, aos quais se somam dois pontos cronometrados. A Direção da Prova estará a cargo de Nuno Leite e o traçado de percursos tem a assinatura de Joaquim Margarido, podendo os participantes esperar desafios de bom nível e que certamente colocarão à prova as suas aptidões. Os menos familizarizados com a Orientação de Precisão poderão também contactar com esta aliciante disciplina e perceber-lhe os fundamentos através dum percurso de Iniciação com dez pontos apenas e menor grau de dificuldade. Os interessados poderão contar com acompanhamento de monitor.


Orientação Adaptada e Orientação Pedestre integram programa

O evento comemorativo do Dia Internacional da Pessoa Portadora de Deficiência, na Praia da Tocha, incorporará ainda um percurso de Orientação Adaptada, disciplina particularmente vocacionada para a pessoa com Deficiência Intelectual. Sem carácter competitivo, a actividade proposta promete uma maré de sorrisos ao longo dum percurso lúdico, mas onde outros e novos desafios não deixarão de estar presentes.

Com inscrições gratuitas, esta segunda etapa não deixa de fora os mais afoitos, para os quais estará montado um percurso formal de Orientação Pedestre. Os mais familiarizados com esta modalidade desportiva poderão, assim, aproveitar o ensejo para uma despedida em grande da temporada que agora chega ao fim.



Saudações orientistas.

Joaquim Margarido

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

PETIÇÃO: MAIS DISTÂNCIAS MÉDIA E LONGA E MENOS SPRINT!




É de opinião que a IOF dá mais importância às provas de Sprint do que às tradicionais disciplinas Média e Longa? Não percebe quais as mais-valias do Sprint para a nossa modalidade? Sente que está na altura de dizer “basta” e tentar inverter esta situação? Então um dos caminhos para o fazer é assinar a petição que Toon Melis colocou a circular na Internet e na qual se pode ler que “o Sprint é apenas uma parte da Orientação, não é tudo!”

Olav Lundanes, Thierry Gueorgiou, Fabian Hertner, Eva Jurenikova, Edgards Bertuks, Lina Strand, Anders Norberg, Anne Margrethe Hausken Nordberg, Philippe Adamski e Tomas Dlabaja são alguns dos signatários da petição, a qual pode ser consultada em detalhe aqui.


WELCOME GOOD OLD ORIENTEERS !
READ OUR STORY           SIGN OUR PETITION           VIEW SIGNATURES



Are you also fed up by the fact that IOF is making Sprint orienteering more important than the traditional disciplines middle and long? This petition is not meant to take sprint/urban orienteering down but we think that the real soul of orienteering is in a forest, where the challenges are much greater. IOF, please don’t try to "destroy" our sport because you want more media-attention. In fact, we think you should try to find a better way to broadcast forest orienteering, without making too many compromises to the essentials of our sport.

What is Sprint orienteering doing to our sport? It’s removing more and more of our characteristics, and eventually it will just turn out to running with a map. I think running is a great sport, both 100 meter and marathon, and it is definitely interesting to watch on TV, but it’s just not what we do and why we started orienteering. A lot of international athletes aren't hoping for a mixed sprint relay at woc. Even at national level (Belgium) urban sprint races are much more important (> 50%) than technical orienteering tests.

For us orienteering is about challenges. I love orienteering because of the challenges the sports give me. Continuously making the right decisions in a 90 minutes long distance, complex orienteering on the middle distance, constantly living on the edge between speed and security, is the reason why we keep doing this wonderful sport. Of course the physical part of our sport is very important, but in our opinion not the one that makes the difference between the good and the best.

I will send a mail to IOF when we reach 1000 voters!

This is your chance to protest against the sad new trend we are going through! Anyone noticed that the courses suggested for the Course of the year are mainly challenging long or middle distances? We hope that, in the future, we can all meet up in the middle of nowhere as much as possible!

Quotes

I signed because I am concerned that the World Cup is becoming a Sprint World Cup (it will soon be possible to win the world cup without entering a forest), that all disciplines at international races are becoming compromised to get the 'perfect' arena and tv production, that soon it will be only sprint where all* the best runners get to take part because some countries will not have any chance to qualify more runners to the finals without qualifications (*noting that there are limits to number of runners currently for all countries anyway). This is despite the fact that most of my best results have come in sprint orienteering. I love sprint orienteering (when it is done well), but it is a part of orienteering, not what orienteering is all about.

Important signers

Olav Lundanes, Thierry Gueorgiou, Fabian Hertner, Eva Jurenikova, Graham Gristwood, Edgards Bertuks, Lina Strand, Eskil Kinneberg, Jarkko Huovila, Anders Norberg, Anne Margrethe Hausken Nordberg, Olli-Markus Taivanen, Lina Strand, Anna Forsberg, Philippe Adamski, Carsten Jørgensen, Gustav Bergman, Jan Prochazka, Yngve Skogstad, Matt Ogden, Topias Tianen, Lucas Basset, Ivar Lundanes, Gaute Hallan Steiwer, Marcus Millegård, Ola Martner, Albin Ridefelt, Mats Troeng, Tomas Dlabaja, Ausrine Kutkaite

Questions?

--> toonmelis@hotmail.com


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

CAMPEONATO NACIONAL ABSOLUTO 2012: FEDERAÇÃO PORTUGUESA DE ORIENTAÇÃO CONFIRMA CANCELAMENTO DA FINAL MASCULINA




Em Ofício dirigido ao Clube de Orientação e Aventura, restantes Clubes, Individuais e Órgãos Estatutários, a Direção da Federação Portuguesa de Orientação acaba de se pronunciar sobre os acontecimentos do passado domingo, aquando da Final Masculina do Campeonato Nacional Absoluto e que levaram ao seu cancelamento.


Em ofício datado de ontem, a Direção da Federação Portuguesa de Orientação pronunciou-se sobre os acontecimentos que determinaram o cancelamento da Final Masculina dos Campeonatos Nacionais Absolutos 2012, disputados no município de Abrantes. Recorde-se que as duas versões do percurso impressas apresentavam uma discrepância, tendo uma delas um ponto de controlo a mais. De acordo com nota enviada ao Orientovar por Jorge Elias, Diretor do Evento, a decisão foi tomada para não ferir a verdade desportiva.

Esta tomada de posição acabou por ser julgada procedente pela Direção da Federação Portuguesa de Orientação, que decidiu “manter a anulação dos resultados da final A masculina”. As consequências diretas desta decisão pesam para efeitos de ranking, tanto individual como coletivo, mas vão mais longe, já que aquele órgão decidiu, face aos “reiterados problemas na organização de eventos de Orientação Pedestre, suspender as organizações de Orientação Pedestre do COA por três épocas, de 2013 a 2015, o que implica anular a prova pontuável para a Taça de Portugal de Orientação Pedestre 2013 (prevista para 12 e 13 de Janeiro) e retirar a atribuição dos Campeonatos Nacionais de Distância Média e Campeonato Nacional de Estafetas de 2014”.

O ofício termina com um conjunto de “recados”, dos quais se destaca o relativo à impressão de mapas para eventos das Taças de Portugal, os quais são obrigatoriamente realizados em empresa certificada pela FPO e ainda no tocante ao Supervisor, elemento de ligação da Federação Portuguesa de Orientação e cujas indicações devem ser acatadas”.


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

DUAS OU TRÊS COISAS QUE EU SEI DELA...




1. “O vencedor da Taça do Mundo é o melhor sprinter mundial”. A conclusão é retirada por Lina Strand, num extraordinário artigo de análise que pode ser lido no original em http://linastrand.wordpress.com/2012/10/16/the-one-who-wins-the-world-cup-overall-is-the-best-sprinter-in-the-world/. Nele, a atleta põe a nú a atual conjuntura organizativa das grandes provas mundiais e nas quais a Distância Longa vem sendo sistematicamente relegada para segundo plano. Particularmente interessante é a passagem onde Lina afirma ser “errado ter mais hipóteses de fazer um bom resultado numa prova de Sprint do que nas restantes distâncias, sobretudo na Distância Longa”. E mais à frente: “Também quero lutar na floresta por algum tempo mais. Lutar contra o cansaço por mais 20 minutos quando, na realidade, essa luta já dura há uma hora.” Particularmente interessante é a conclusão: “O vencedor da prova de Sprint nos Campeonatos do Mundo é o melhor corredor de Sprint do mundo. O vencedor da prova de Distância Média nos Campeonatos do Mundo é o melhor corredor de Distância Média do mundo. O vencedor da prova de Distância Longa nos Campeonatos do Mundo é o melhor corredor de Distância Longa do mundo. O vencedor da Taça do Mundo é o melhor... corredor de Sprint do mundo! (?????????) Sem ofensa para aqueles que se portaram à altura. Isto é para aqueles que fazem os programas. Nós, corredores, só corremos...”. Vale a pena ler!


2. Já se encontra disponíval na página da Federação Portuguesa de Orientação, no separador “Provas”, o calendário completo das provas de Orientação de Precisão agendadas até 12 de Outubro do próximo ano, data em que terá lugar, em Palmela, a última etapa da Taça de Portugal 2013. Abrangente e particularmente aliciante, o programa engloba onze etapas do Circuito de Orientação de Precisão “Todos Diferentes, Todos Iguais” - uma das quais já disputada no passado dia 17, no Parque da Cidade do Porto – e oito etapas da Taça de Portugal, estendendo a uma área geográfica extraordinariamente abrangente desafios de grande nível. Chamada de atenção já para o próximo dia 01 de Dezembro, em Porto de Mós, com uma prova de Orientação de Precisão integrada na Final do Circuito Nacional Urbano e, uma semana depois, com nova prova organizada pelo Clube de Orientação de Estarreja, a ter lugar na Praia da Tocha e a assinalar o Dia Internacional da Pessoa Portadora de Deficiência. Não falte!


3. Tem lugar no próximo sábado a oitava e última etapa do Torneio .ComMapa, evento que vai já na sua quinta edição e que conta com a assinatura do Clube de Orientação do Minho. Com três percursos previstos – Fácil, Médio e Difícil – a prova desenrolar-se-á no mapa Parque do Bom Jesus, entre as 10h00 e as 12h30 (horário livre). José Fernandes assume o Traçado de Percursos enquanto a Direcção da Prova ficará a cargo de Octávio Andrade. Mais informações em http://www.pontocom.pt/actividades/VTorneioCOMmapa/etapa8.php.


4. Espécie de circuito na área das Corridas de Aventura, a edição 2012 de “Uma Aventura em...” chega ao fim no próximo domingo, 02 de Dezembro, em Pedorido, Castelo de Paiva.
O ponto de encontro está marcado para a Praia Fluvial do Choupal, com a Orientação Pedestre a abrir as hostilidades. A oprimeira etapa decorrerá entre as 9h00 e as 10h30 (Aventura) e entre as 9h00 e as12h00 (Promoção), com uma distância aproximada de 15 kms pela melhor opção. A segunda etapa é dedicada à Orientação em BTT e tem o seu início previsto para as 10h15 (Aventura) e 9h30 (Promoção), com uma distãncia aproximada de 27,5 kms pela melhor opção. A organização informa que, no escalão Aventura, a transição da etapa Pedestre para a de BTT terá uma sobreposição entre as 10h15 e as 10h30.
- Por cada atleta do sexo feminino inscrita, a equipa receberá 1 CP a mais na classificação final, nunca podendo ultrapassar o número total de CP’s da prova. Encontram-se inscritas até ao momento 14 equipas no escalão Aventura e oito no escalão de Promoção. Mais informações em http://umaaventuraem.com/?page_id=15.


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

terça-feira, 27 de novembro de 2012

OS VERDES ANOS: BEATRIZ ESTEVES




Olá!

Sou a Beatriz, tenho 11 anos e vivo no Entroncamento. Ando no 7º ano da Escola Secundária do Entroncamento.

A Orientação foi o meu primeiro desporto como federada, comecei a praticar por intermédio do meu pai que já praticava. A minha primeira prova foi em Almeirim organizada pela Associação 20 km de Almeirim e fui com a minha mãe mas não gostei lá muito de início; mas com o tempo fui gostando cada vez mais.

Tenho conseguido conciliar os estudos muito bem, e espero continuar a conseguir pois só assim poderei continuar a praticar este desporto de que tanto gosto.

Faço Orientação com a minha família e ando no Desporto Escolar na minha escola onde já motivei alguns colegas para praticarem Orientação.

Já faço Orientação há dois anos (nunca fiz nenhum 'mp'), tento sempre estar concentrada no terreno e no mapa, abstraindo-me de tudo o resto. Por vezes até me esqueço da bússola (devo ter herdado da minha mãe, que também não usa).

O meu primeiro OriJovem foi em 2010, na Vieira de Leiria. Foi muito engraçado e comecei a ter mais confiança a partir daí. Aprendi muitas coisas novas que ainda hoje necessito delas nas provas que faço. Aconselho a que façam muitos estágios desses para que aprendam a modalidade e ganhem mais confiança.

O que mais gosto na Orientação é o desafio de ler o mapa e encontrar os pontos como se fossem tesouros escondidos, tanto no campo como na cidade. Gosto mais das provas urbanas tipo Sprint, mas também gosto muito das provas de campo pelo contacto com a natureza. No entanto reconheço que são muito mais difíceis e requerem muito mais conhecimentos técnicos, melhor forma física e concentração.

Além da Orientação também pratico Natação desde os 3 anos onde vou duas vezes por semana. Mas este é um desporto que pratico só de manutenção, não faço competição.

No futuro gostaria de ser médica mas sei que tenho que me dedicar aos estudos para poder realizar esse sonho. E espero poder continuar a praticar Orientação sempre e conseguir conciliá-la com os estudos.

Beatriz Esteves
Clube de Orientação e Aventura
Fed 5166

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

ORIENTOVAR SOPRA CINCO VELAS



Cinco anos é muito tempo, diria o poeta. Mas afinal o que são cinco anos na vida dum blogue? A cada vinte e seis de novembro a história como que se repete, embalada nesse projeto que nasceu por combustão espontânea, cresceu alimentado por muitos e se renova a cada dia que passa. “Venham mais cinco, duma assentada que eu pago já!”


“Nada efetivamente acontece até ter sido escrito”
Virginia Wolf

Deve-se a essa necessidade de comunicar o aparecimento do Orientovar. E nem é difícil perceber porquê, bastando aos mais curiosos atentar nos primeiros textos aqui publicados, comparar datas e, em certa medida, fazer apelo às memórias. Depois foi, como já se disse algures, o querer saber mais sobre esta fantástica modalidade, o sentir essa necessidade de ir mais longe, de ir mais além, que acabou por lançar as bases daquilo que o Orientovar é hoje.

Não me cabe a mim julgar o quão longe se foi neste processo. Ao longo de cinco anos, foram muitas e boas as coisas que aqui aconteceram. Ao longo de cinco anos o blogue cresceu e consolidou-se. Mas nunca tanto como este ano, que agora se prepara para ceder o seu lugar na história, ele cresceu. Nunca o seu autor foi tão longe nos seus projetos. Nunca as responsabilidades estiveram tão elevadas como agora. Do nascimento do “Portuguese Orienteering Blog”, o “irmão” em língua inglesa, ao relançamento da “Orientação em Revista” ou ao início da colaboração com as publicações “Orienteering World” e “Inside Orienteering”, da responsabilidade da Federação Internacional de Orientação, é todo um desfiar de felizes momentos, nos quais “comunicar” é o vetor comum.


Que Orientovar teremos nos próximos cinco anos? Há algum tempo atrás, responderia que teremos aquilo que todos quisermos. Hoje, todavia, as coisas mudaram. Para melhor, diga-se. A deriva, feita de muitos momentos felizes e outros nem por isso, ficou para trás. Cinco anos é o tempo duma vida. Da vida deste blogue. É o tempo das suas 2386 mensagens, de milhares de horas de dedicação, duma alegria imensa, duma paixão incontida. Pela escrita, sobretudo pela escrita. E pela comunicação. Não há queixas, não há lamentos. Hoje o blogue é o que é, trilha um caminho seguro, sabe o que quer, sabe como o quer. A questão não é, pois, “que Orientovar teremos”. É “que Orientação teremos?” É aí que residem as grandes dúvidas, é nesse “terreno de jogo” que cabe a resposta de que “teremos a Orientação que todos quisermos”.

No sábado passado, Diogo Miguel dizia precisamente aqui, no Orientovar, estas palavras muito simples: “A única maneira de chegarmos ao nível dos outros é termos nível em Portugal”. Atente-se no World of O e abra-se, agora mesmo, essa extraordinária janela sobre o mundo da Orientação. Ali vemos um Thierry Gueorgiou exaltar os nossos mapas, um Olav Lundanes elogiar os nossos terrenos, uma Eva Jurenikova fazer por uma região, por um país – em matéria de Orientação, bem entendido -, aquilo que nunca foi feito até hoje. Se é legítimo, em termos de comunicação, invocar os melhores do mundo para ilustrarmos aquilo que Diogo Miguel refere como “nível”, então não é preciso ir mais longe para se perceber, desde logo, a que nível estamos.

Foram necessários cinco anos para perceber isto, para perceber que o problema não reside aqui, no blogue. Que nada pode fazer um blogue quando a modalidade da qual se alimenta não interage, não comunica. E nunca foi tão fácil comunicar, interagir. Partilhar está hoje ao alcance dum clique, é tão simples quanto isto. A verdade é que ninguém parece querer fazê-lo, fechado que está num mundo que é só seu, olhos voltados para dentro, olhos “no seu mapa, no seu terreno”, perseguindo um objetivo pessoal que se resume a fazer uma prova, a sua prova. Que mais tarde ou mais cedo irá terminar, na justa medida dos erros cometidos. Quiçá ingloriamente, sem uma história para contar!


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

domingo, 25 de novembro de 2012

CAMPEONATO NACIONAL ABSOLUTO 2012: TÍTULO PARA PATRÍCIA CASALINHO




Patrícia Casalinho foi a grande vencedora da 10ª edição dos Campeonatos Nacionais Absolutos de Orientação Pedestre, facto que acontece pela primeira vez na sua carreira. No setor masculino, a organização viu-se obrigada a anular a final devido, nas palavras de Jorge Elias, Diretor do Evento, a uma “falha na impressão dos mapas”.


Patrícia Casalinho (COC) sagrou-se hoje Campeã Nacional Absoluta 2012. Disputada em Abrantes, numa organização do Clube de Orientação e Aventura, Câmara Municipal de Abrantes e Federação Portuguesa de Orientação, a prova teve a participação de meio milhar de atletas.

Na final feminina, Patrícia Casalinho contou com a forte oposição de Vera Alvarez (CPOC), cumprindo os 8,7 km de prova em 1:23:56 contra os 1:24:17 da sua adversária direta. Uma vitória com um sabor muito especial, tanto mais que teremos recuar ao dia 06 de Fevereiro de 2011 e ao Meeting de Orientação de Gouveia para vermos a atleta levar de vencida uma etapa da Taça de Portugal pela última vez. Magalie Mendes (COC) foi a terceira classificada, a quase cinco minutos da vencedora.

Patricia Casalinho perseguia este título pelo menos desde 2005, o seu primeiro ano como federada e ainda em idade júnior, tendo chegado de forma sensacional ao segundo lugar. Voltaria a repetir a segunda posição em 2007, 2009 e 2011, depois dum terceiro lugar em 2010. Desta feita a atleta acabaria por "quebrar o enguiço" e pode, finalmente, pisar pela primeira vez o lugar mais alto do pódio.


Final Feminina

1º Patrícia Casalinho (COC) 1:23:56
2º Vera Alvarez (CPOC) 1:24:17
3º Magalie Mendes (COC) 1:28:44
4º Maria João Sá (GD4C) 1:28:49
5º Raquel Costa (GafanhOri) 1:31:09
6º Rita Rodrigues (GafanhOri) 1:33:07
7º Joana Costa (GD4C) 1:37:41
8º Carolina Delgado (GD4C) 1:39:10
9º Susana Alves (GD4C) 1:40:02
10º Carla Saraiva (Ori-Estarreja) 1:42:28

[Foto de Arquivo]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

LEITURA AO PEQUENO ALMOÇO: OUTDOOR Nº 8




O número 8 da Revista Outddor acaba de ser publicado e, com ele, um belo conjunto de reportagens dedicadas à Orientação. Ao café da manhã, neste domingo chuvoso e frio, folheie-a demoradamente e mergulhe em textos e fotos que nos fazem sonhar.


Guia online dedicado exclusivamente à divulgação de atividades de Desporto, Aventura, atividades ao Ar Livre, Turismo Activo e Natureza, o Portal Aventuras lançou em Junho de 2011 a Revista Outdoor. Sob as temáticas de Desporto, Aventura, Turismo e Natureza, a publicação surge com o objetivo de dar a conhecer uma realidade ainda pouco explorada, um Portugal recheado de encantos naturais por descobrir.

Com uma periodicidade bimestral, a Revista Outdoor acaba de ver publicado o número 8, com chamada de capa para a Entrevista com Diogo Miguel e para esse evento que promete marcar a temporada de 2013 e que dá pelo nome de Porto City Race. E é precisamente por aqui que a Orientação começa a marcar o espaço da Revista, numa rúbrica intitulada “Em família”. “Traga a família, venha conhecer os locais mais emblemáticos do Porto e aprenda Orientação” é o convite implícito num texto soberanamente ilustrado e onde não falta, sequer, o “programa das festas” desta edição inaugural do Porto City Race.


Mais e mais Orientação

Um salto de duas dezenas de páginas e eis-nos mergulhados de novo no “desporto da família” através das palavras de Diogo Miguel, numa entrevista conduzida por Joaquim Margarido e que ocupou o espaço do Orientovar no dia de ontem. Dos primeiros anos aos Mundiais de Eger e à medalha de ouro ou, mais recentemente, à presença na final A de Distância Longa dos Mundiais de Lausanne, é todo um desfiar de impressões e emoções que se desprende das palavras do grande atleta, ao encontro do que fomos e do que somos, em busca do que seremos.

O terceiro e último artigo ocupa quatro páginas e tem o sugestivo título “Orientação... Desporto na Natureza”. É nos fundamentos da Orientação, aqui explicados, que reside o interesse da peça e à qual não faltam exemplos de mapas e respetivas legendas e ainda um resume das grandes competições internacionais que se avizinham, com natural destaque para os Mundiais de Veteranos de Orientação em BTT 2013 e para o Campeonato da Europa de Orientação Pedestre e de Orientação de Precisão 2014, ambos a terem lugar no nosso país.

Ainda três chamadas de atenção para a Foto-Reportagem dos “Madeira World Games” e onde a Orientação constituiu uma peça fundamental, para o espaço dedicado ao Desporto Adaptado e que nos dá a conhecer Sara Duarte, “Uma Cavaleira por Paixão” e, finalmente, para a “Iceland Luso Expedition”, a aventura dos nossos bem conhecidos Ricardo Mendes e Filomena Gomes, “alimentada pela vontade de ajudar duas crianças a concretizar dois sonhos”.

Isto e muito mais para ler em http://www.revistaoutdoor.pt/8/Revista_Outdoor8.pdf (versão pdf) ou em http://www.revistaoutdoor.pt/8/ (versão digital).





Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

sábado, 24 de novembro de 2012

DIOGO MIGUEL: "A ÚNICA MANEIRA DE CHEGARMOS AO NÍVEL DOS OUTROS É TERMOS NÍVEL EM PORTUGAL"




Chama-se Diogo Miguel e é, aos 23 anos, uma das referências da Orientação Pedestre portuguesa. Campeão Europeu de Jovens em 2007 e Campeão Nacional de Distância Longa em 2009 e 2011, Diogo Miguel reparte o tempo entre a modalidade do seu coração e as exigências do curso de Medicina que abraçou há seis anos. E foi precisamente por aí que a nossa conversa começou, uma conversa longa e onde passado, presente e futuro se misturam e confundem numa teia de opções, direções, desafios e decisões. Na Orientação como na Vida!


Orientovar - Como consegue compatibilizar a sua preparação enquanto atleta de Orientação com as exigências dum 6º ano do Curso de Medicina?

Diogo Miguel - O segredo reside, sobretudo, na motivação. Toda a gente consegue tirar um curso e fazer desporto e, inclusivamente, se gostar, consegue treinar todos os dias. Mas se estiver motivado o suficiente, consegue levantar-se cedo para correr às seis da manhã, estar na Faculdade às oito e meia, sair às quatro da tarde e ir treinar outra vez, estudar até às dez da noite e dormir, porque amanhã é outro dia. É preciso estar-se motivado para abraçar esta vida durante o ano inteiro.

Orientovar - Há quanto tempo é que as coisas são levadas assim?

Diogo Miguel - Comecei a fazer Orientação quando tinha oito anos, mas nos primeiros anos não tinha grandes preocupações com o treino. Durante os anos de Faculdade já treinava bastante a sério, mas foi há dois ou três anos, quando comecei a ser treinado pelo Professor Bruno Nazário, que aumentei a minha carga de treino para o bi-diário. A partir daí passei a ter o meu tempo totalmente ocupado. São os estágios, o tempo de deslocação para hospitais da periferia, uma tese para defender... Este ano será bastante mais exigente que os anteriores, se calhar não vou poder fazer treino bi-diário todos os dias como gostaria, mas ainda assim vou procurar treinar duma forma o mais séria possível e, se não puder fazê-lo na quantidade desejável, pelo menos na qualidade espero consegui-lo.


Dar a volta por cima”

Orientovar - Quando falamos em treinar em qualidade, falamos de quê?

Diogo Miguel - Falamos dum treinador que sabe da matéria e que, quando planeia a época, planeia-a a pensar tanto nos aspetos físicos como técnicos. Isso é o principal, ter um treinador que sabe o que faz e que consegue preparar a época o melhor possível. E depois há a parte mental, por vezes o mais difícil de gerir. Penso que a parte mental está muito ligada à parte técnica e à parte física. Se nos sentimos bem fisicamente, temos a motivação suficiente para nos mantermos com o máximo de atenção durante a prova toda e não cometermos erros. A verdade é que os erros aparecem – eu cometo erros em todas as provas! - mas o mais importante de tudo é atirar com esse erro para trás das costas e prosseguir como se nada se tivesse passado.

Orientovar - Alguma vez se sentiu afetado com um erro cometido a ponto de pensar em desistir?

Diogo Miguel - Já desisti por questões físicas, quando em 2010 parti a clavícula nos Nacionais de Distância Média. Mas aí não havia nada a fazer. Não me lembro de alguma ver ter desistido por razões de ordem psicológica, mas por vezes as pernadas começam a correr mal umas a seguir às outras e não é fácil manter a motivação para ir até ao fim. Há um estudo interessante que mostra que, a seguir a uma pernada má, ou vem outra pernada má ou vem uma pernada muito boa. O segredo está precisamente aí, em não se deixar afetar e conseguir dar a volta por cima.


Não há que ter medo”

Orientovar - Como é que se chamam mais pessoas para a Orientação?

Diogo Miguel - Esta é uma questão muito complexa e que passa, em primeiro lugar, por uma divulgação eficaz. Sem isso, as pessoas não sabem sequer que a modalidade existe. É muito importante fazer passar a mensagem para fora de que é fácil participar. Basta aparecer porque existem percursos para qualquer grau de dificuldade e as pessoas facilmente encontrarão um percurso à sua medida. Não há que ter medo. As próprias organizações facultam usualmente monitores que introduzem a modalidade às pessoas, acompanhando-as ao longo dum percurso. Acima de tudo, o facto duma pessoa experimentar a modalidade e ficar agarrado a ela depende desta primeira experiência. Se agradou, a pessoa voltará. É aí que é necessário investir, em criar condições para que as pessoas gostem e possam sentir a necessária motivação para voltar a experimentar, avançando progressivamente para percursos mais difíceis.

Orientovar - Falou das organizações disponibilizarem monitores para acompanhar os principiantes. Já alguma vez foi monitor? O que se retira desse tipo de experiência?

Diogo Miguel - Em provas organizadas pelo meu clube, já cheguei a acompanhar jovens e menos jovens nas suas primeiras pisadas na Orientação. Digamos que as pessoas não são todas iguais. Algumas são mais fáceis de lidar, apreendem facilmente os fundamentos da modalidade, gostam do contacto com a natureza e encontram aqui um bom elo de ligação entre a prática de exercício físico e os desportos de ar livre. Outras pessoas vêm um bocado por arrasto e é mais difícil entrarem no espírito da modalidade, como é óbvio. Mas são sempre experiências gratificantes, ensinar as pessoas, motivá-las e perceber que, ao fim de dois ou três pontos, já seguem entusiasmadas ao encontro do ponto seguinte sem necessitarem da ajuda de ninguém.


Guardo sobretudo as memórias e os amigos”

Orientovar - Em 2007 conquistou a primeira grande medalha da Orientação portuguesa ao sagrar-se Campeão da Europa de Jovens de Sprint, em Eger, na Hungria. Que memórias guarda dessa jornada, há cinco anos atrás?

Diogo Miguel - Guardo sobretudo as memórias e os amigos. Na altura pensámos que a visibilidade que este resultado poderia dar à Orientação catapultasse a modalidade e possibilitasse a obtenção de mais apoios, mas isso não se veio a verificar, pelo menos na medida daquilo que seria de esperar.

Orientovar - Esperava aquela medalha?

Diogo Miguel - Digamos que sim. No ano anterior já tinha sido o quarto classificado e então, com mais um ano de experiência no escalão e sendo dos mais velhos, tinha ambições que passariam sempre pelo pódio.


O desporto em Portugal é um espelho da Sociedade”

Orientovar - Quando olha hoje para os nossos jovens, que potencialidades vê neles para conseguirem chegar aos lugares cimeiros da orientação Europeia e Mundial?

Diogo Miguel - Temos alguns jovens de bastante valia, principalmente o Luís Silva. Trata-se dum atleta que tem um futuro brutal, acho que vai ser sem sombra de dúvidas o melhor atleta português dentro de muito pouco tempo. Olhando de forma mais aprofundada para estes atletas, é uma realidade que eles têm hoje melhores condições em relação àquilo que nós tínhamos na altura. Basta ver que os atletas já se deslocam com alguma frequência ao terreno antes das grandes competições, coisa que não havia até há muito pouco tempo atrás. E depois há os estágios de Seleção. Mas deve reconhecer-se que lhes falta o treino fora da competição. Acho que falta algum espírito de sacrifício no treino em casa, que é o mais importante.

Orientovar - Temos hoje o apoio que devíamos ou que merecíamos?

Diogo Miguel - Não! É bastante revoltante olhar para outros desportos, como é o caso do Futebol e termos um Presidente que termina o mandato à frente da Federação e que se sente orgulhoso por ter deixado um balanço positivo nas contas de muitos milhões de euros. Mas são estes, precisamente, que ainda assim continuam a receber milhões e milhões do Instituto Português do Desporto e Juventude, enquanto outras modalidades lutam pela sobrevivência. Acho que somos, claramente, sub-apoiados. O desporto em Portugal é um espelho da Sociedade. Há os muito ricos e há os muito pobres. Os ricos são cada vez mais ricos e os pobres são cada vez mais pobres. É a mesma coisa com o desporto.


Falta bastante cultura desportiva à sociedade portuguesa”

Orientovar - Esteve este ano nos Mundiais de Lausanne, conseguindo o 33º lugar na Final A de Distância Longa. Que valor atribui a este seu resultado?

Diogo Miguel - Atribuo-lhe um valor elevado, até porque foi a primeira vez em dez anos que um português foi a uma final A de Distância Longa. Cheguei ao fim com a certeza de ter feito o meu melhor e, se não tivesse quebrado fisicamente, teria feito melhor ainda. Ou seja, com outras condições de treino teria facilmente ficado entre os vinte e cinco primeiros. Mas falta bastante cultura desportiva à sociedade portuguesa em geral e se disser a alguém que não está familiarizado com a Orientação que terminei em 33º num Campeonato do Mundo, essa pessoa irá pensar “esquece, és mau, não prestas!” Mas quem sabe como estas coisas funcionam, sabe os sacrifícios que temos que fazer, sabe acima de tudo as condições que temos, consegue olhar para o resultado como sendo bastante meritório.

Orientovar - Consegue estabelecer algum paralelo entre este seu resultado e os resultados dos atletas em cujos países a Orientação está mais enraizada?

Diogo Miguel - Nascemos todos iguais e não somos piores do que eles. Aliás, é um exercício interessante de fazermos, se olharmos para os Europeus de Jovens, que são as primeiras provas internacionais em que participamos, vemos que o nosso nível não está assim tão longe do deles. Ou seja, partimos todos do mesmo ponto. Mas quando olhamos para os séniores, vemos que a diferença é muito maior, ou seja, temos de trabalhar é aqui neste intervalo. A diferença está no acompanhamento que é dado aos atletas, nas condições de treino e na motivação. É isso que lhes permite avançar como um todo. A única maneira de chegarmos ao nível dos outros é termos nível em Portugal.


A parte desportiva não se encontra num plano inferior relativamente à parte profissional”

Orientovar - Vimos este ano um atleta da Letónia sagrar-se Campeão do Mundo de séniores, vimos outro da Nova-Zelândia alcançar o título mundial de Juniores, também uma atleta do Canadá chegou ao pódio dos Mundiais de Juniores, em 2011 um atleta espanhol foi Vice-Campeão do Mundo de Júniores, enfim, o que podemos aprender com exemplos que nos são relativamente próximos?

Diogo Miguel - Estes atletas e estes resultados são, mais do que o exemplo, a certeza de que nós também podemos. Globalmente estaremos ligeiramente abaixo da Letónia, mas acima da Espanha, da Nova Zelândia e claramente acima do Canadá, para falar apenas naqueles que referiu. Isto deve servir para nos motivar a todos.

Orientovar - O Clube de Orientação de Estarreja é, desde sempre, o seu clube. Que significado tem para si este emblema e esta camisola que enverga?

Diogo Miguel - Comecei na Orientação aos 8 anos e a minha primeira experiência foi no Desporto Escolar, na minha terra, Canelas, uma pequena aldeia do Concelho de Estarreja. A essa primeira prova seguiu-se uma “Quinzena da Orientação”, no Verão, e nunca mais parei. Há quinze anos que estou ligado a este clube e ele faz parte de mim. Poderia dividir a minha vida em dois, por um lado a parte profissional, da Faculdade, e por outro a Orientação. Por estranho que possa parecer, a parte desportiva não se encontra num plano inferior relativamente à parte profissional. Ambas as partes se complementam. Portanto, a minha ligação a este clube é muito grande, são muitos anos, são muitas pessoas e ajudou-me a crescer.


Não se vem para a Orientação para se ser um Diogo Miguel”

Orientovar - Sente que é um ídolo para todas aquelas crianças que fazem parte das escolinhas do clube ou na Orientação não há ídolos?

Diogo Miguel - Há miúdos que vão para o Futebol para serem como o Cristiano Ronaldo, mas não se vem para a Orientação para se ser um Diogo Miguel ou quem quer que seja. Mas sinto que, para os atletas mais jovens que chegam a um clube grande e encontram atletas de topo no panorama nacional, eu acho que esses jovens acabam por partilhar também as alegrias e os sucessos prova após prova e vão sentindo orgulho em fazer parte dos respetivos clubes. Grande parte dos miúdos da Orientação olha para os atletas de topo com bastante orgulho, não pelo atleta em si mas por fazerem parte do mesmo clube, por vestirem a mesma camisola. Isso é muito importante e serve para os fixar.

Orientovar - Aos miúdos que começam agora, que conselhos daria?

Diogo Miguel - O conselho não o daria aos miúdos, se calhar dava-o antes aos pais. Tanto a escola como o desporto andam muito ligados. Se temos disciplina num, acabamos por ter disciplina no outro. Não é por acaso, se olharmos para os atletas de topo a nível nacional, todos eles são excelentes estudantes e têm um futuro profissional bastante promissor. Tudo parte de quem educa. Eu tenho a sorte de ter uns pais que sempre me educaram bem e que sempre me deram o apoio necessário para conseguir fazer as duas coisas. E deixaria ainda um conselho mais aos pais, o de virem fazer uma prova de Orientação com os seus filhos. Uma das grandes vantagens da Orientação é ser, para além do “desporto da floresta”, o “desporto da família”.


Os resultados acabaram por ser bem melhores do que estaria à espera”

Orientovar - Como vê o momento atual da Orientação a uma escala mais global?

Diogo Miguel - Penso que a Federação Internacional de Orientação está a cair num tremendo erro e que é o de, com o sentido de mediatizar a modalidade a todo o custo, procurar adaptar a modalidade à mediatização em vez de adaptar a mediatização à modalidade. Há exemplos anteriores de que é possível fazer uma transmissão com qualidade dum Campeonato do Mundo ou duma prova internacional sem que para isso se desvirtue a modalidade. É por aí que temos de ir, em vez de metermos três ou quatro provas de Sprint numa semana, só para olhar para as camaras. Penso que isso é um erro e espero bem que as coisas não evoluam a esse ponto.

Orientovar - Quase a chegar ao fim a nossa entrevista, considera que esta época correu de acordo com as suas expectativas?

Diogo Miguel - Na verdade, digamos que a época está quase à beira de começar. Depois do Campeonato do Mundo, tirei mais tempo do que seria normal para descansar e tenho estado a fazer praticamente só manutenção. A época teve alguns percalços, comecei a treinar na República Checa e, apesar de ter feito muito treino com mapa, devido às questões climatéricas e às poucas horas de luz, acabei por ter uma carga de treino aquém do desejável. Depois de regressar a Portugal estava a treinar bem mas tive um percalço e lesionei-me num pé, o que me obrigou a uma paragem de um mês. Isso fez-me perder muito da minha boa forma e acredito que, se não fosse isso, poderia ter chegado muito melhor ao Campeonato do Mundo e aí o resultado poderia ter sido outro. Apesar de tudo, os resultados acabaram por ser bem melhores do que estaria à espera.


O objetivo é estar lá para ganhar”

Orientovar - O objetivo a curto prazo passa pelo título nacional absoluto?

Diogo Miguel - Por acaso esse é um título que nunca alcancei. Tenho treinado a sério para chegar nas melhores condições ao Campeonato Nacional Absoluto e esse vai ser um bom teste. O objetivo é estar lá para ganhar. Quanto à próxima época, espero apresentar-me às provas em melhor forma do que este ano e que os bons resultados possam aparecer.


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

EVA JURENIKOVA E O BALANÇO DE MAIS UMA VIAGEM A PORTUGAL



Antes de virar as minhas atenções para Halden, quero escrever acerca dum projeto no qual tenho trabalhado recentemente.” Quem assim fala é Eva Jurenikova e o projeto dá pelo nome de “Campos de Treinos de Inverno no Alto Alentejo”, uma iniciativa de Fernando Costa e da empresa Orievents. Vale a pena saber mais!


Como foi amplamente noticiado, Eva Jurenikova esteve recentemente em Portugal, centrando as atenções no Norte Alentejo. E fê-lo a convite de Fernando Costa e da sua empresa Orievents, que aqui tem levado a cabo, com enorme sucesso, um conjunto de Campos de Treino virados sobretudo para os atletas de Elite que, em princípio de temporada, demandam as amenas paragens do Sul da Europa à procura do que de melhor existe em termos de oferta.

E o que de melhor existe está aqui, em Portugal, e nomeadamente em Nisa, Castelo de Vide, Alter do Chão, Crato, Portalegre e Marvão. É o Norte Alentejano em todo o seu esplendor, paraíso natural para quem sabe orientar-se, destino privilegiado de todos os grandes nomes da Orientação mundial, de Thierry Gueorgiou, Olav Lundanes ou Matthias Kyburz, a Minna Kauppi, Lena Eliasson ou Simone Niggli. Mas se a qualidade e variedade de terrenos ou as condições climatéricas verdadeiramente fantásticas constituem valores seguros no capítulo da oferta, elas não são tudo. Fundamental é o prestígio que as organizações portuguesas têm sabido angariar, cimentado sobretudo com as edições do Portugal O' Meeting, de 2007 até hoje, e com o cuidado e o bem receber das nossas gentes.


Alta qualidade

Ao preparar “doze diferentes exercícios de Orientação (nove treinos de floresta e três treinos de Sprint Urbano)”, a atleta checa ajudou a colocar a fasquia muito alta no que à temporada que se avizinha diz respeito. E porquê? Porque Eva Jurenikova é, “apenas”, uma das mais conceituadas atletas de Elite do mundo, treina uma equipa com créditos firmados – o Halden SK – e é uma traçadora de percursos exímia, que tem no currículo, entre muitos outros, o traçado de percursos de Distância Média e de Distância Longa dos Campeonatos da Europa de Orientação Pedestre EOC 2012, que decorreram em Dalarna, na Suécia. “Fiz um grande esforço para preparar exercícios de Orientação de alta qualidade”, diz, deixando antever uma montanha de desafios para todos aqueles que, já a partir de Janeiro, começarem a rumar ao nosso país.

Ao correr das suas reflexões, Eva Jurenikova confessa que está convencida que“estes Campos de Treino têm um enorme potencial, não apenas por causa dos exercícios à disposição, num terreno detalhado e muito técnico, mas também devido às possibilidades de outros tipos de treino”. E dá como exemplo a pista de Atletismo de Castelo de Vide, os ginásios, a piscina interior e ainda os caminhos com muito pouco trânsito e onde fazer uns quilómetros de bicicleta pode ser uma excelente forma de treino, tudo isto numa vertente do repouso activo. Isto sem esquecer as Termas da Fadagosa, mesmo no centro de um dos mapas e onde a atleta teve a oportunidade de experimentar a massagem, o jacuzzi e ainda um tanque de água corrente e aquecida, “uma excelente forma de acelerar o processo de recuperação física e de prevenir as lesões”.


E ainda...

Pontuando o cuidado posto na observação e na atenção ao mais pequeno detalhe, Eva Jurenikova realça os acordos do Orievents com “o melhor hotel de Castelo de Vide” e com uma empresa de aluguer de veículos, bem como o excelente relacionamento com as autoridades locais e com os proprietários dos terrenos, o que resulta numa “atitude positiva”. História, cultura e gastronomia são ainda mais-valias referidas pela atleta, numa peça onde, mais do que o pensar e o sentir de Eva Jurenikova, ressalta um fortíssimo impulso aos projetos de Fernando Costa e da Orieventes e que, no limite, constituem indubitavelmente um novo passo em frente no sentido do desenvolvimento e projeção da Orientação portuguesa, no país e no mundo.

Obrigado, Eva Jurenikova!

Leia o artigo na íntegra em http://www.evajurenikova.com/index.html e aproveite para espreitar os excertos dos mapas sobre os quais se encontram traçados os doze incontornáveis desafios.

[Imagem extraída da página da Orievents, em http://www.orievents.com/]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

PELO BURACO DA FECHADURA: ORI TROFÉU URBANO PORTO DE MÓS




Porto de Mós prepara-se para receber a final nacional do 1º Circuito Nacional Urbano de Orientação Pedestre. Uma festa de todos e para todos, aqui espreitada “pelo buraco da fechadura”.


Lançado pela primeira vez esta temporada, o Circuito Nacional Urbano foi, ao longo de oito etapas regulares, um polo de atração para muitos amantes deste desporto. Do centro histórico do Porto ao núcleo urbano da vila de Cascais, foi possível contabilizar números que ultrapassaram largamente o milhar de participantes, o que atesta bem a importância e o interesse da iniciativa.

Organizada pelo Clube de Orientação do Centro e pela Federação Portuguesa de Orientação, com o apoio da Camara Municipal de Porto de Mós e do Instituto Politécnico de Leiria, o Ori Troféu Urbano Porto de Mós terá lugar no primeiro dia do próximo mês de dezembro e compreenderá, para além da tão aguardada Final do Circuito, uma atividade de iniciação designada “Orientação em Família” e ainda um percurso de Orientação de Precisão.


58 atletas para seis títulos

Com o início das partidas agendado para as 11h30, a Final do Circuito Nacional Urbano 2012 é restrita aos atletas federados que, de acordo com o Regulamento de Competições da Federação Portuguesa de Orientação, conquistaram o apuramento na sequência da sua participação nas oito etapas do Circuito que se disputaram ao longo do ano. Ao todo são 18 Jovens, 20 Seniores e 20 Veteranos, de ambos os géneros, aqueles que garantiram o acesso à Final, com destaque para o Grupo Desportivo 4 Caminhos que estará representado por 15 atletas. Imediatamente a seguir podemos ver o Clube de Orientação do Centro, com onze atletas e Clube de Orientação de Estarreja e Clube Português de Orientação e Corrida, com oito representantes cada.

A Final decorrerá sob uma Distância Média, estando os participantes privados de entrarem na Vila de Porto de Mós até que iniciem a sua prova. A organização informa que “uma vez chegados a Porto de Mós, deverão dirigir-se para o Secretariado e Centro do Evento, na zona das Piscinas Municipais, onde permanecerão em quarentena até ao início da sua prova."


Orientação para todos

Antes disso, a partir das 09h00, terão lugar os percursos de Orientação em Família. Esta é uma atividade aberta a todos quantos desejem tomar conhecimento com a modalidade, desde os mais novos aos menos novos, evitando a participação individual. O Orientação em Família é constituída por três a cinco percursos de crescente evolução técnica e de carácter não competitivo, começando por dois percursos de iniciação e participação em família, com distâncias entre os 400 e os 800 metros (“AEIOU” e “ABC Orienta-te”), aos quais se seguem dois percursos mais longos que os anteriores (“Desafio em Família” e “Grande Aventura”). Embora também de fácil grau técnico, mas sempre com o intuito de que o sucesso na sua conclusão seja atingido, estes percursos são destinados àqueles que queiram abraçar um maior desafio.

À mesma hora terá início a prova de Orientação de Precisão, com um percurso sem caráter competitivo, aberto a todos os que desejem conhecer esta disciplina da Orientação e na qual é possível a participação a pessoas com deficiência motora. Sublinhe-se o facto de o Instituto Politécnico de Leiria se associar ao evento, integrando esta ação no conjunto de atividades do projeto IPL (+) Inclusivo - http://maisinclusivo.ipleiria.pt -, o qual tem como objetivo sensibilizar a população para um maior conhecimento dos fatores que inibem ou promovem a inclusão, neste caso num contexto desportivo, ao ar livre e em contato com a natureza.


Mais informações

A partir das 10h00 e antecedendo o momento culminante deste Ori Troféu Urbano de Porto de Mós, decorrerão os Percursos Abertos de Orientação Pedestre, destinados a todos aqueles que tenham ficado de fora da grande Final. Resta ainda referir que Marisa Barroso assume as funções de Direção do Evento, tendo os mapas e traçado de percursos a assinatura de Rui Antunes. Informações e inscrições através do endereço info@coc.pt ou pelos números 932364877, 963718928, 912726932 ou 965355897. Saiba mais na página do evento, em http://www.coc.pt/eventos/1dez2012/.


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

"PERCURSO DO ANO 2012": OLAV LUNDANES ELEGE ETAPA WRE DO PORTUGAL O' MEETING




Depois de Thierry Gueorgiou, é agora a vez de Olav Lundanes se voltar também para Portugal e para a etapa do Portugal O' Meeting pontuável para o ranking mundial, elegendo-a como o seu “Percurso do Ano 2012”.


É mais uma grande notícia, aquela que nos chega da Escandinávia, à “boleia” do “Percurso do Ano 2012”. A iniciativa, com assinatura de Jan Kocbach e dessa janela aberta sobre o mundo da Orientação que dá pelo nome de World of O – www.worldofo.com –, foi mostrando, ao longo da última semana, as opiniões de alguns dos mais conceituados orientistas mundiais.

Em mensagem anterior, aqui se deu conta da escolha de Thierry Gueorgiou, na qual o “Rei da Distância Média” elegeu o 3º dia do Portugal O' Meeting 2012, como o seu percurso na temporada que agora finda. Pois bem, no encerramento desta ronda prévia, foi hoje a vez do norueguês Olav Lundanes escolher, precisamente, o mesmo percurso. Um momento alto – mais um! - na história do prestigiado evento e um reforço positivo absolutamente incontornável em abono da qualidade técnica e organizativa das provas portuguesas.

“Nunca pensei que conseguiria superar os desafios colocados naquele dia e é esse o motivo da minha escolha”, referiu Lundanes ao World of O, a propósito da prova de Distância Média WRE do Portugal O' Meeting 2012, levada a cabo no mapa do Senhor dos Caminhos, em Sátão. Mas não foi uma decisão fácil, a tomada pelo Campeão do Mundo de Distância Longa em título, já que tanto as duas provas de seleção para a Distância Longa dos Campeonatos do Mundo WOC 2012, que tiveram lugar na Noruega, como o Campeonato Nacional da Noruega de Distância Longa – do qual, curiosamente, o atleta esteve ausente por lesão – terão sido, igualmente, provas fantásticas, “levadas a cabo em terrenos espetaculares”, afirmou.



Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

EVA JURENIKOVA: "É MUITO BOM VER COMO A ORIENTAÇÃO SE DESENVOLVE EM PORTUGAL"




Eva Jurenikova esteve recentemente em Portugal e o Orientovar foi encontrá-la no Parque da Cidade do Porto, a fazer... Orientação de Precisão. Nesta Entrevista, ela descreve os últimos meses, fala nos novos desafios que se abrem no Halden SK e projeta a próxima temporada. E fala também de Portugal e de Orientação de Precisão.


Orientovar - Seis meses após os Campeonatos da Europa de Orientação Pedestre 2012, onde foi traçadora de percursos das provas de Distância Média e Distância Longa, quais as suas melhores recordações?

Eva Jurenikova - Aquilo que mais recordo é a cooperação entre várias pessoas, no momento em que preparávamos a produção televisiva do evento. Tom Hollowell, Jan Kocbach e alguns outros elementos trabalharam “no duro” para que as coisas pudessem correr da forma como correram. Colaborar com o Director televisivo Karel Jonak e perceber aquilo que é possível fazer em termos duma boa cobertura, sem com isso comprometer a parte da Orientação, foi deveras motivador. Mas a produção televisiva foi apenas uma parte do meu trabalho no EOC, uma vez que estive envolvida ou muitas outras coisas.

Orientovar - Como traçadora de percursos, isto foi um desafio extra para si? Teria sido mais fácil sem a televisão?

Eva Jurenikova - Até Fevereiro, não tínhamos a certeza se iríamos ter a televisão na prova de Distância Média. Eu tinha duas ou três alternativas preparadas, com ligeiríssimas diferenças entre elas, mas o conceito principal, aquilo que eu queria mesmo para a Distância Média, estava feito. Não tive de proceder a grandes alterações por causa da televisão. Eles usaram muitos quilómetros de cabos e tive apenas de ajustar alguns pontos depois de ter estado no terreno com Karel Jonak, no Outono de 2011.


Tenho uma enorme quantidade de sentimentos positivos em relação a este WOC”

Orientovar - Que importância teve, em termos pessoais, o seu envolvimento nesta grande competição?

Eva Jurenikova - Foi muito bom devido à experiência que se adquire. Talvez possa vir a ser importante no futuro, tanto no enfrentar de novos desafios como no desempenho de outras tarefas relacionadas com a Orientação. Mas à partida não eram esses os meus interesses. Eu conhecia demasiado bem o terreno para que pudesse competir neste EOC e acabei por aceitar o convite. Afinal, as coisas até poderiam ser bem divertidas “do outro lado da barricada”.

Orientovar - Um mês volvido e vamos encontrá-la em Lausanne, competindo nos Campeonatos do Mundo de Orientação Pedestre. Como viu o WOC este ano?

Eva Jurenikova - Sobretudo, tenho uma enorme quantidade de sentimentos positivos em relação a este WOC. Em Maio, já muito próximo do início dos Campeonatos, não estava sequer segura da minha participação, pois há muitos meses que não treinava decentemente. Fico muito satisfeita por ter conseguido estar presente e, inclusivamente, por me ter apresentado na melhor forma esta temporada. Sinto que, na final de Distância Longa, consegui dar o meu máximo.


Pude sentir as lágrimas nos olhos”

Orientovar - Isto significa que está contente com o seu resultado?

Eva Jurenikova - No ano passado tinha ficado no quarto lugar e fui a sexta classificada este ano, mas não nos podemos esquecer que muitas das minhas adversárias mais diretas falharam essa final de 2011. Comparando os resultados sem a devida ponderação… talvez eles não nos digam toda a verdade. Tecnicamente, a minha prestação foi melhor este ano que no ano passado. Estou muito contente por isso.

Orientovar - O que sentiu ao ver o Tomás [Dlabaja] e os dois Jan [Sedivy and Prochazka] conquistarem uma histórica medalha de ouro na prova de Estafeta?

Eva Jurenikova - Pude sentir as lágrimas nos olhos quando o Jan Prochazka se preparava para terminar a prova, foi uma imagem espectacular. Eles lutaram por esta vitória durante muito tempo.

Orientovar - Estava à espera deste resultado?

Eva Jurenikova - Esperar… (risos). Se virmos as provas de Estafeta, percebemos que as margens são mínimas. Penso que os rapazes acreditaram que era possível. Talvez nos anos anteriores houvesse certas alturas nas suas provas que foram excelentes e quase deram a entender que aquele poderia ser o momento, mas alguma coisa, por pequenina que fosse, acabava por não funcionar. Este ano, tudo funcionou na perfeição. Foi fixe!


Sinto-me preparada”

Orientovar - Dentro dum par de dias vai estar na Noruega, onde assumirá as funções de treinadora duma das melhores formações do mundo, o Halden SK. Que significado tem para si ser treinadora de tão importante clube?

Eva Jurenikova - Sei que se trata dum grande desafio e devo confessor que pensei muito nisso. Sinto-me preparada e, por isso, tomei esta decisão. Em Halden eles querem-me realmente para assumir estas funções, sinto isso. Não trabalharei no clube a tempo inteiro e, por isso, poderei continuar a ser uma atleta de Elite, pensar em ir aos Campeonatos do Mundo, preparar-me da maneira que quero e, ao mesmo tempo, ser treinadora. Penso que é importante, de vez em quando, mudarmos. Quero ir o mais longe possível nesta minha função de treinadora e esta possibilidade, no momento presente, é muito boa.

Orientovar - Pode partilhar connosco algumas ideias acerca das suas novas funções no Halden SK?

Eva Jurenikova - A minha grande tarefa centrar-se-á ao nível do treino técnico. Acredito que poderei preparar provas interessantes e organizar bons treinos. O Halden é um clube de sucesso, com um conjunto impressionante de vitórias na Tiomila, Jukola, etc., mas estou sobretudo focada naquilo que, em termos práticos, pode contribuir para que os atletas progridam mais um pouco.

Orientovar - É esse o desafio?...

Eva Jurenikova - Bem, o primeiro desafio, muito provavelmente, será o de garantir a confiança dos atletas. Se eles não confiarem em mim, não irão ouvir-me. Quero ouvir e perceber como é que o clube funciona e aquilo que os atletas pretendem.


Gosto de trabalhar com entusiastas e o Fernando é uma dessas pessoas”

Orientovar - Em Portugal, esteve com o Fernando Costa e o Orievents, ajudando na preparação dos Campos de Treino no Norte Alentejo. Ainda é de opinião que Portugal é o paraíso dos orientistas no Inverno?

Eva Jurenikova - Sim. É muito bom ver como a Orientação se desenvolve em Portugal, surgem cada vez mais mapas, o nível qualitativo das organizações é excelente, o tempo é bom e os terrenos também. É muito atrativo. Gosto de ver, gosto de trabalhar com entusiastas e o Fernando é uma dessas pessoas.

Orientovar - Quanto tempo pode um mapa suportar um treino?

Eva Jurenikova - Já treinei e competi nalgumas partes destes mapas cinco ou seis vezes e, ainda assim, consigo fazer aqui um bom treino. São mapas muito detalhados; não ficam a "conhecer-se" apenas com alguns treinos. Vocês estão constantemente à procura de novos terrenos. Eu sei, por exemplo, que o clube que irá organizar o Portugal O' Meeting no próximo ano vai fazê-lo em terrenosmuito afastados da sua base. Gosto da ideia de que vocês exploram o país em busca dos melhores terrenos e não se limitam àqueles que ficam mais próximos. Este modo de atuar não é comum na Escandinávia. E penso que ainda têm muitas áreas novas onde podem estabelecer bons maps, onde podem desenvolver ainda mais a Orientação.


Ainda sinto uma enorme motivação para me desafiar a mim mesma

Orientovar - No próximo ano os Mundiais de Orientação Pedestre jogam-se na Finlândia. Alguma expectativa especial?

Eva Jurenikova - O meu objetivo é chegar ao WOC numa boa forma física. Tenho grandes expectativas no tocante à qualidade das provas. Senti isso quando vi o que fizeram nas etapas da Taça do Mundo, este ano. Eles dão tudo para terem boas provas e isso constitui uma motivação extra para mim.

Orientovar - Em termos pessoais, quais os planos quanto ao futuro?

Eva Jurenikova - No próximo ano quero ainda dar o meu melhor como atleta. Depois do WOC, tomarei uma decisão quanto a 2014. Não sei. Estou quase com 34 anos mas ainda sinto uma enorme motivação para me desafiar a mim mesma. Ao mesmo tempo, sinto-me entusiasmada com o meu novo trabalho em Halden, para onde me mudarei no início de dezembro. Consigo ver-me a trabalhar como treinadora num futuro mais distante, mas não consigo dizer agora aquilo que me motivará nos próximos, digamos, dez anos.



Não trocaria a Orientação Pedestre pela Orientação de Precisão”

Orientovar - E aqui estamos nós, numa suave manhã de Outono, no Parque da Cidade do Porto, naquela que é a sua primeira experiência numa prova de Orientação de Precisão. Como é que se sentiu?

Eva Jurenikova - Penso que os princípios básicos, como as coisas funcionam, como olhamos para os detalhes, isso não é novo para mim. Eu coloco muitos pontos na floresta quando preparo os treinos e, por vezes, enfrento o mesmo tipo de desafios. Decidir se o ponto está bem aqui ou se deve estar cinco metros mais além, confirmar com a bússola, comparar as posições relativas dos elementos em volta, enfim, este é um processo que me é familiar. Mas ainda assim há outro tipo de desafios, é necessário estar focado naquilo que se está a fazer. Se não estamos concentrados, facilmente cometemos um erro. Eu cometi dois erros nesta prova devido a essa "má concentração".

Orientovar - A Orientação de Precisão pode ser uma boa forma de treino para os atletas de Orientação Pedestre? No Halden, por exemplo, ofereceria aos seus atletas treinos de Orientação de Precisão?

Eva Jurenikova - Penso que é bom para qualquer pessoa experimentar a Orientação de Precisão. Conseguimos sempre aprender algo, julgo eu. Mas não trocaria o treino de Orientação Pedestre pelo treino de Orientação de Precisão. Se um dia tiver a oportunidade de fazer Orientação de Precisão com os meus atletas, bem, porque não? Mas não tenho a certeza se organizaria um treino de Orientação de Precisão. Acredito que será muito mais trabalhoso do que preparar um treino de Orientação Pedestre.



Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO