sexta-feira, 29 de junho de 2012

EYOC 2012: UM "DOCE-AMARGO" SPRINT




Portugal esteve muito perto de abrir a sua participação nos Campeonatos da Europa de Jovens 2012 com duas presenças no pódio e, quiçá, duas medalhas. A verdade é que a sorte não quis nada com os nossos atletas e de vitórias morais não reza a história!


Teve início na manhã de hoje, em Meymac (Corrèze), a 11ª edição dos Campeonatos da Europa de Jovens EYOC 2012. A prova de Sprint contou com a participação de 348 atletas e foi disputada nos escalões de Juvenis e Cadetes, masculinos e femininos. Com uma formação ambiciosa, Portugal fez alinhar na prova os seus treze atletas, com as expectativas colocadas nas prestações de todos e de cada um mas, sobretudo, em Vera Alvarez e Luís Silva. Não apenas pela experiência de ambos – Vera Alvarez cumpre aqui o seu quinto EYOC, enquanto Luís Silva está presente na competição pela quarta vez -, mas também porque se trata, indiscutivelmente, de dois atletas de elevada craveira e que figuram, por direito próprio, no galarim das grandes esperanças da Orientação mundial.

A verdade é que as expectativas acabaram por sair francamente defraudadas. Não porque os dois atletas não tivessem feito provas de altíssimo nível, mas a verdade é que falharam onde não poderiam ter falhado e, desta forma, viram escapar por entre os dedos de ambas as mãos duas medalhas que lhes assentariam que nem uma luva.


Quase tudo bem feito

Alinhando no escalão D18, Vera Alvarez foi uma das últimas atletas a partir. O percurso, na distância de 1,8 km, com 16 pontos de controlo e 45 metros de desnível, teria de ser atacado com a frieza que se exige numa prova deste nível. Mais do que “vingar” a 19ª posição de 2011, Vera Alvarez tinha em mente o querer e a vontade de fazer uma prova ao seu nível, uma prova que a colocasse entre as seis primeiras, fazendo dela a primeira atleta portuguesa, a título individual, a alcançar um diploma e, quem sabe, uma medalha na competição.

E Vera Alvarez esteve impecável, do primeiro ao penúltimo ponto. Nunca chegou a liderar a prova, mas teve sempre “debaixo de olho” as suas mais diretas adversárias. E quando, a dois pontos do final, os 11:35 de tempo de prova lhe davam o terceiro lugar, com seis confortáveis segundos de vantagem para a quarta classificada, o impensável aconteceu: Vera Alvarez gastou 39 segundos para o ponto antes do Finish, quando as suas mais diretas adversárias o fizeram em 20 segundos, pouco mais ou menos. O penúltimo ponto antes do Finish tinha o código 100 e o último ponto tinha o código 255, o que poderá evidenciar alguma desatenção por parte da atleta e, consequentemente, o fatal desempenho. Ainda assim Vera Alvarez concluiu na 7ª posição, naquele que constitui o melhor resultado de sempre duma atleta portuguesa no EYOC, mas os 12 segundos que a separaram do pódio fazem com que este resultado, por excelente que seja, não deixe de ter um travo amargo.


Tempo de levantar cabeça

Também Luís Silva esteve impecável em todos os pontos... menos num. Ao contrário de Vera Alvarez, aqui foi o ponto inicial o “carrasco” do atleta. A presença de dois pontos na proximidade um do outro, em elementos iguais embora com códigos diferentes, terá levado Luís Silva a controlar o ponto errado. A partir daí já nada havia a fazer, embora o atleta português só tivesse tomado conhecimento do “mp” no final. Nem dava para acreditar! O tempo de 12:43 colocava-o de bronze ao peito. E agora?

Agora é levantar a cabeça e pensar que, se no melhor somos capazes do pior, no pior também seremos capazes do melhor. Amanhã é outro dia e outra prova. Importa manter presente que a nossa capacidade de superação se vê precisamente nestes momentos e, unindo esforços, saberemos mostrar o valor e a raça de ser português. À Vera e ao Luís aqui fica o testemunho da nossa compreensão, o reconhecimento do extraordinário valor das provas de ambos no dia de hoje e a certeza dum resto de Campeonato ao melhor nível.


Daniel Catarino e um 17º lugar... histórico!

Mas a prova de Sprint não se resumiu às provas de Vera Alvarez e Luís Silva, competindo destacar a performance de Daniel Catarino, 17º classificado em H16 com o tempo de 12:37. Com este resultado, o atleta do CLAC – Entroncamento estabelece o melhor resultado de sempre dum atleta português no seu escalão, na prova de Sprint, em oito participações de Portugal nesta competição.

Quanto aos restantes portugueses, as suas classificações foram as seguintes: D16 – 56º Daniela Pires, 59º Joana Fernandes, 64º Beatriz Moreira: H16 – 41º Diogo Barradas, 53º André Esteves, 73º António Ferreira; D18 – 70º Carolina Delgado; H18 – 82º Samuel Leal, 90º Filipe Augusto, mp Miguel Ferreira.


Ouro bem distribuído

No cômputo geral, o ouro esteve muito bem repartido no primeiro dia dos Campeonatos. A grande surpresa vem da Bélgica e dá pelo nome de Tristan Bloemen, o grande vencedor no escalão H18. Bloemen que era até hoje um ilustre desconhecido – 45º classificado na prova de Sprint do EYOC 2010 e ausente em 2011 – e que soube impôr-se por cinco e sete segundos, respetivamente, ao russo Dmitry Polyakov (outro ilustre desconhecido) e ao polaco Krzysztof Wolowczyk, medalha de bronze do último EYOC, no escalão H16. A França pode festejar de forma exuberante o comportamento dos seus atletas em H16, com Adrien Delenne a chegar ao ouro e Arnaud Perrin a quedar-se com a medalha de prata, a sete segundos do seu companheiro. A terceira posição neste escalão coube ao polaco Krzysztof Rzenca.

Nas senhoras, a russa Ekaterina Savkina não esteve com meias medidas e revalidou o título europeu de jovens no escalão D18 alcançado há um ano em Jindrichuv Hradec (já tinha sido medalha de bronze, quando se estreou no EYOC em Kopaonik, na prova de Distância Longa e no escalão D16). Atrás de si ficaram, a cinco segundos, a também russa Daria Krasilnikova e a letã Liga Valdmane, com mais 22 segundos que a vencedora. Finalmente, em D16, a vitória sorriu à estreante Angelika Maciejewska (Polónia), batendo por dois segundos a suiça Paula Gross e deixando a terceira classificada, a ucraniana Olena Postelniak, a 15 segundos de diferença.

Tudo para acompanhar em http://www.eyoc2012.fr/.



Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

DUAS OU TRÊS COISAS QUE EU SEI DELA...




1. O Clube de Orientação de Viseu – Natura prepara-se para levar a cabo já este fim de semana o seu Raid Ecopista do Dão - Viseu 2012. Pontuável para a Taça de Portugal e Campeonato de Espanha de Corridas de Aventura 2012, o evento promete grandes momentos de atividade física e mental, tendo por pano de fundo as belíssimas paisagens da Região de Viseu e a magnífica Ecopista do Dão. Composta por sete etapas com duração aproximada de dezoito horas, o Raid Ecopista do Dão – Viseu terá as seguintes atividades: Orientação Pedestre, Canoagem, Orientação em BTT, escalada, Slide, Pontes variadas, Golfe, Patins em Linha, Tiro com Arco, Rappel, Carros de Rolamentos e Jogos Tradicionais. Encontram-se inscritas até ao momento 11 equipas no escalão de Promoção, 14 no escalão de Aventura e 16 no escalão de Elite, num total de 143 atletas. Trata-se dum número extraordinário e onde avulta a presença de 18 equipas do país vizinho, das quais 8 no escalão de Elite. A prova tem início marcado para as 09h00 de amanhã, terminando por volta das 12h00 de domingo, dia 01 de Julho. Mais informações em http://www.coviseu-natura.pt/.


2. Estão abertas as candidaturas à organização do Portugal O' Meeting 2014, bem como às duas provas WRE, pontuáveis para o ranking mundial, uma delas na semana que antecede o POM e a outra na semana seguinte. Repetir-se-á, assim, o modelo de calendarização que vigorará em 2013, procurando potenciar a presença dum grande número de atletas estrangeiros em Portugal nessa altura do ano. As candidaturas ao Portugal O' Meeting deverão ter em conta o facto de, conjuntamente com o evento, ter lugar a terceira edição da Taça da COMOF e ainda uma etapa da Taça de Portugal de Orientação de Precisão. As propostas devem ser remetidas à Federação Portuguesa de Orientação até às 18h00 do dia 25 de Setembro de 2012. O Ofício pode ser lido na íntegra em http://www.fpo.pt/www/images/fpo/comunicados/038%20pom%20wre%202014.pdf.


3. Teve início na passada segunda-feira o processo de apresentação de candidaturas à Presidência e à Comissão Delegada da FEDO – Federação Espanhola de Orientação. Na página da FEDO - http://www.fedo.org/ - encontram-se disponíveis para consulta o Regulamento Eleitoral, o calendário e os modelos de apresentação de candidaturas e de apoio às mesmas. Mais se recorda que, de acordo com o Artº 40, as candidaturas deverão fazer-se acompanhar de, pelo menos, 10 apoios de membros com assento na Assembleia Eleitoral.


4. Estreou-se na modalidade em 1981, desenha mapas desde 1988 e é cartógrafo certificado com o Nível 5 desde 2003. Falamos de Armando Rodrigues a propósito da sua página - http://www.arod-mapas.com/ -, agora com um novo visual, mais apelativo e de mais fácil consulta. Do Currículo Vitae, onde faz questão de realçar o 6º lugar alcançado pelo seu mapa “Aldeia da Mata” (NAOM 2010), “distinguido numa votação pela Internet em todo o mundo para o melhor mapa de Orientação 2010”, até à Galeria, onde avulta uma extraordinária coleção de pedras, é todo um manancial de informação que nos é dado a contemplar. Particularmente importante é o espaço dedicado aos mapas – naturalmente! - mas há mais, desde regulamentos da IOF até uma Entrevista de boa memória que o Orientovar deu à estampa em 09 de Abril de 2011. Bem haja, Armando Rodrigues, por mais esta página bem desenhada do seu percurso de vida!


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

quinta-feira, 28 de junho de 2012

EYOC 2012: JOVENS PORTUGUESES COM MUITA AMBIÇÃO NA BAGAGEM



Tem início amanhã e estende-se até domingo o Campeonato da Europa de Jovens EYOC 2012. Portugal marca presença uma vez mais no grande evento com uma equipa jovem e plena de ambição.


Começa amanhã em Bugeat (França) e estende-se até ao próximo domingo a décima primeira edição dos Campeonatos da Europa de Jovens EYOC 2012. Organizado pela Federação Francesa de Orientação, Federação Internacional de Orientação e Liga de Orientação do Limousin, o evento conta com a participação de 351 atletas, em representação de 30 países.

Os Model Events de Distância Longa e de Estafetas marcaram o dia de hoje e o programa competitivo arranca amanhã com a prova de Sprint em Meymac, quando os ponteiros apontarem as 11h30 (10h30 em Portugal). Seguir-se-á, no sábado, a prova de Distância Longa e tudo terminará no domingo com a festa das Estafetas. Do programa social fazem parte as Cerimónias de Abertura e de Encerramento, as Cerimónias de Entrega de Prémios relativas a cada uma das provas e ainda uma muito aguardada “EYOC Party” que reunirá, na noite de sábado, todos os participantes na competição.


Comitiva portuguesa com treze atletas

A comitiva portuguesa presente no EYOC 2012 é constituída por treze atletas, cinco no sector feminino e os restantes no sector masculino, a saber: W16 – Beatriz Moreira (CPOC), Daniela Pires (ADFA) e Joana Fernandes (.COM); M16 – André Esteves (COA), António Ferreira (COC), Daniel Catarino (CLAC) e Diogo Barradas (CPOC); W18 – Vera Alvarez (CPOC) e Carolina Delgado (GD4C); M18 – Luís Silva (ADFA), Filipe Augusto (ADFA), Miguel Ferreira (ADFA) e Samuel Leal (Ginásio CF). Daniela Pires, Joana Fernandes, André Esteves, António Ferreira, Daniel Catarino, Diogo Barradas e Samuel Leal fazem a sua estreia na competição, ao passo que para Vera Alvarez este é já o quinto EYOC da sua carreira. Uma seleção que mistura a juventude com a “veterania”, que tem em Luís Silva e Vera Alvarez dois “pontas de lança” de reconhecida valia mas que prima pela homogeneidade e que demonstra uma enorme vontade de vencer. A acompanhá-los estão Hélder Ferreira e Patrícia Casalinho, estranhando-se a ausência de Norman Jones, ao que julgamos saber ainda um dos responsáveis técnicos pelas seleções jovens, mas que na "hora da verdade" não abdicou de rumar à Alemanha para disputar os Mundiais de Veteranos.

Refira-se a título de curiosidade que as provas poderão ser acompanhadas em direto em http://live.eyoc2012.fr/ e que amanhã serão quatro os atletas portugueses com o sistema GPS – Luís Silva, Vera Alvarez, Miguel Ferreira e António Ferreira - a puderem ser seguidos em tempo real. António Ferreira será mesmo o primeiro português a partir, logo às 11h32. Os dados estão lançados, restando-nos acreditar que os nossos atletas tudo irão fazer para nos dar uma enorme alegria. Repetir o brilharete de Eger, em 2007, quando Diogo Miguel chegou ao título de Sprint, ou chegar aos sete diplomas de Soria, em 2010, não está – não pode estar! - fora das cogitações do selecionado luso. Amanhã, por esta hora, já algo se saberá. Até lá... Força Portugal!

Tudo para acompanhar em http://www.eyoc2012.fr/.

[Foto recolhida da página da FPO no Facebook, em http://www.facebook.com/fporientacao]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

ORIENTAÇÃO CHEGA A CASTELO BRANCO




Dois praticantes federados e mais um grupo de entusiastas estão a lançar a modalidade de Orientação no Benfica e Castelo Branco. A notícia foi-nos avançada por Luís Quinta-Nova, a propósito da “1ª Prova de Divulgação – Parque Urbano”, que teve lugar no Parque Urbano da Cidade de Castelo Branco, no passado dia 9 de Junho. O Orientovar socorre-se da notícia publicada a este propósito no Jornal “Reconquista” - da autoria de Artur Jorge e subordinada ao título “É tudo uma questão de Orientação!” -, para levar até si mais um passo em frente na promoção e divulgação do nosso desporto.


"Com o intuito de alargar a sua oferta desportiva, o Benfica e Castelo Branco está a iniciar um processo de dinamização da modalidade de Orientação. Praticantes federados deste desporto originário dos países do Norte da Europa, mais outros elementos com interesse pelo mesmo, aproveitaram o Chutalbi Foot, no Complexo Desportivo do Parque Urbano, para realizarem uma demonstração dinâmica de Orientação. O entusiasmo revelado por miúdos e graúdos abre espaço à implementação do projeto.

Sílvio Lopes e Luís Quinta-Nova conhecem muito bem a modalidade e aproveitam o facto de as respetivas atividades profissionais os terem colocado no distrito, para tentarem despertar os desportistas em geral para os encantos duma modalidade que pode ser praticada dos 8 aos 80 anos.

A ideia é enraizar a Orientação em Castelo Branco. Praticamente todos os distritos têm clubes filiados na Federação, menos este. Aqui a modalidade só tem chegado através de alguns eventos, mas não tem qualquer enquadramento local. É isso que queremos inverter”, diz Sílvio Lopes.

O Benfica e Castelo Branco mostra recetividade à proposta, numa lógica de diversificação, como teve oportunidade de referir o presidente António Machado. Quem aprecia Futebol, aprecia normalmente outras atividades desportivas e mesmo quem não vá à bola com o dito desporto-rei, poderá ter uma ligação ao clube noutro âmbito. “Por exemplo a Orientação”, explicitou Machado.

Segundo aqueles dois atletas federados, que depressa encontraram outros adeptos da Orientação, casos de Jorge Cardoso, Sérgio Bispo e Pedro Santos, este é um desporto “bastante integrante”, acessível a qualquer pessoa. “Não é necessária uma condição física extraordinária. Pode ser feito por atletas de competição, mas também numa perspetiva de lazer, ao ritmo de cada um e até em família”, explica Sílvio Lopes.

O primeiro mapa e os três primeiros percursos foram montados entre os campos de relva sintética. “Basicamente foi uma demonstração. Dar a conhecer o que é a Orientação e, quem sabe, podermos iniciar algo mais, talvez até representatividade nas provas nacionais”. O seccionista confessa que a ideia passa pela filiação federativa e constituir um grupo de atletas.

A experiência que o jornalista viveu no terreno, naquele que foi o primeiro contacto efetivo com a Orientação, deixou água no bico. Percebe-se facilmente o porquê de ser uma das modalidades que mais crescimento tem registado no nosso país: espaço físico, leitura dos mapas, capacidae de decisão, são elementos que animam o praticante. E exercício físico à medida de cada um."

[Foto extraída doÁlbum da Secção de Orientação – Sport Benfica Castelo Branco, em http://www.facebook.com/media/set/?set=a.278822368883558.55750.216322865133509&type=3]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

SUBSÍDIOS PARA A HISTÓRIA DA ORIENTAÇÃO NO BRASIL: CARTÕES TELEFÓNICOS AJUDAM A DIVULGAR A MODALIDADE




É com grande alegria que picotamos mais um ponto difícil: A Orientação agora também pode ser guardada no bolso!” Subsídios para a história da Orientação no Brasil, aqui trazidos por um dos maiores obreiros do nosso desporto no País irmão, Coronel Sérgio Brito.


É com grande alegria que picotamos mais um ponto difícil: A Orientação agora também pode ser guardada no bolso! Foram lançados no dia sete de setembro os primeiros cartões telefónicos ilustrados com fotos e textos sobre Orientação no Brasil. Trata-se duma atitude pioneira que foi adotada no estado do Ceará e que tem como objetivo ajudar a popularizar este desporto.” Era desta forma que a página Webventure Trekking - http://www.webventure.com.br/trekking/ - noticiava, no dia 12 de Setembro de 2000, aquele que, para Sérgio Brito, constituiu “o maior salto na divulgação da imagem do COqueiro e da Orientação no Nordeste do Brasil”

De acordo com o orientista, pesquisador e grande divulgador do nossos desporto, “foram em número de 300.000 os cartões telefónicos comemorativos da Telemar e comercializados nos 16 Estados Brasileiros cobertos pela empresa. Isto sem considerar a divulgação através dos amigos orientistas, clubes e federações nos demais Estados e também no exterior.”

Sérgio Brito explica que “foram lançados três cartões, representando a “Partida”, os “Postos de Controle” e a “Chegada”, no mapa e no terreno. Outra novidade foi o aproveitamento do verso dos cartões com a imagem de um mapa.”

A título de curiosidade, refira-se que as imagens que aparecem nos cartões são da Fazenda Soledade, Caucaia – CE, durante a I etapa do II Circuito Cearense de Orientação. O lançamento oficial dos cartões telefónicos ocorreu na Cerimónia de Entrega de Prémios do Percurso da Independência, evento realizado na Avenida Beira Mar, no dia 07 de setembro de 2000.

Os mais curiosos e interessados em aprofundar esta e outras questões podem consultar os “Registos Históricos da Orientação no Brasil” em http://www.cmf.ensino.eb.br/Coqueiro/orient2011/FatosHistdaOrientBrasil.pdf. Trata-se dum documento elaborado com base na pesquisa de Sérgio Gonçalves Brito e que conta com as colaborações de José Maria Pereira da Silva, Richard Wallace Scott Murray, Antônio Dmeterko, Ragnar Paz, Gilmar Mathias Holler, Kleist Praia Mendonça, João Manoel Franco e José Nilton da Silva Vargas.


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

quarta-feira, 27 de junho de 2012

I ALENTEJO ORIENTEERING TROPHY 2012: AS IMPRESSÕES DE HUGO BORDA D'ÁGUA




No rescaldo do I Alentejo Orienteering Trophy, aqui se registam as impressões de Hugo Borda d'Água, o principal responsável deste evento. Complementarmente, publicamos um vídeo que testemunha, de forma fidedigna, aquilo que foi a festa do Sprint Urbano, em Arraiolos.


O organização do ALOT 2012 procurou reunir dois terrenos para as provas de floresta onde existissem garantias de qualidade para a prática da modalidade. Tudo isto complementado com um Sprint na Vila de Arraiolos, usando áreas diferentes das já utilizadas em outras provas idênticas realizadas nesta “vila branca de tapetes colorida”.

A prova de Distância Média decorreu no mapa de Remendo (Pavia, Mora), sendo caracterizada por um desnível bastante reduzido mas com um elevado número de elementos rochosos, o que torna o terreno bastante desafiante. Todos os que já correram naquele mapa, certamente constataram que cerca de 40% da área usada foi totalmente cartografada de novo e estava completamente diferente da existente no passado. Na nossa opinião, estes 40% acabaram por estar bastante mais interessantes, aumentando a qualidade do mapa/terreno. Das opinões recolhidas, o terreno e os percursos foram do agrado da maioria dos participantes.

No Sprint realizado no Sábado à tarde, procurámos reunir um conjunto de três áreas diferentes: um início no Castelo de Arraiolos, uma zona de floresta realizada em “downhill” e uma parte final no interior da zona rrbana da Vila de Arraiolos. Tentámos ao máximo levar a cabo uma prova de Sprint diferente das realizadas nesta vila alentejana, contribuindo ao máximo para a consolidação do CiNU como Circuito de Orientação Urbana por excelência em Portugal. No geral penso que valeu a pena o esforço financeiro que efectuamos com inscrições muito reduzidas abaixo do máximo permitido no CiNU, conseguindo atrair pessoas que se mostraram bastante satisfeitas com a forma como este Sprint decorreu. O video realizado pelo Rui Tavares (GD4C) resume bem a prova de Sprint e pode ser visto em http://www.youtube.com/watch?v=bPPSZqycO2c&feature=share ou clicando na imagem abaixo.

A Distância Longa teve lugar num terreno onde decorreu o Meeting de Arraiolos em 2010 e que, ao contrário do dia anterior, apresenta um desnível bastante elevado e uma dureza fisíca muito grande.
A junção do desnível com os muitos detalhes rochosos tornaram aquele terreno, na nossa opinão, com bastante qualidade, apesar de existirem algumas zonas onde a vegetação prejudicou a progressão dos atletas. Neste segundo dia o calor esteve “demasiado” presente na prova para a exigência do terreno.

Foi difícil reunir todo um conjunto de autorizações e de questões logisticas para o gado, os portões, cercas eléctricas, entre outros aspectos que tiveram de ser garantido pelos proprietários mesmo em cima da prova. Com estes aspectos caracteristicos do Alentejo que existiam em elevado número neste mapa, foi definida uma estratégia com os proprietários em que era extremamente difícil realizar as partidas antes das 10h00. Reconhecemos que alguns escalões deviam ter sido colocados a partir mais cedo do que na realidade partiram, de modo a evitar a altura de maior calor. Na minha opinião pessoal, se não tivessemos a “bola de cristal” avariada, tinhamos realizado duas Distâncias Médias de modo a atenuar o calor. Pensamos que, no geral, as pessoas gostaram de voltar a correr naquele terreno. Foi realmente pena o calor que aumenta a exigência de quem participa e de quem organiza!

Na Distância Longa ocorreu ainda a lesão da atleta Anabela Vieito que tem agora algumas semanas de recuperação pela frente. Votos de rápidas melhoras e um agradecimento especial a todos os atletas que rápidamente a auxiliaram no terreno até à chegada dos Bombeiros ao local. O nosso agradecimento a todos os que marcaram presença no evento, assim como a todos os parceiros do evento: Câmara Municipal de Arraiolos, FPO, Gafanhori, CPOC e todos os outros apoios!

Hugo Borda d'Água


I ALENTEJO ORIENTEERING TROPHY 2012: TRIUNFOS "SUADOS" DE DIOGO MIGUEL E MARIANA MOREIRA




À chamada para a primeira edição do Alentejo Orienteering Trophy responderam mais de quatrocentos atletas, misturando as correrias de mapa e bússola na mão com o alho porro e as sardinhas dum S. João orientista. Impondo a sua superioridade, Diogo Miguel e Mariana Moreira levaram de vencida aquele que foi o derradeiro grande evento em território português antes das férias do Verão.


Teve lugar no passado fim-de-semana, nos concelhos de Arraiolos e Mora, o I Alentejo Orienteering Trophy, prova pontuável para a Taça de Portugal de Orientação Pedestre 2012 - Nível 1. Organizado pelo COAC – Coruche Outdoor Adventure Club, com os apoios do GafanhOri – Clube de Orientação da Gafanhoeira e Federação Portuguesa de Orientação, o evento foi constituído por uma prova de Distância Média, que decorreu no mapa do Remendo (Pavia) e uma etapa de Distância Longa, no mapa de Santana do Campo, em Arraiolos. Complementarmente ao programa competitivo, correu-se ao final da tarde de sábado uma prova de sprint misto, em Arraiolos, pontuável para o Circuito Nacional Urbano 2012.

Marcada pelo intenso calor que se fez sentir, a prova encerrou o período competitivo antes da pausa estival e teve nos bons índices de participação e numa oferta rica e variada de mapas e percursos o seu ponto alto. O único senão vai mesmo para os horários de partida em ambos os dias e que se viriam a revelar desajustados face às temperaturas elevadíssimos com que todos fomos brindados. E há ainda essa particularidade dum Alentejo duro e seco, de pó e ocre feito nesta altura do ano, contrastando com a delícia de verde e flores do final do Inverno e início de Primavera, quando nos oferece os mais belos palcos para a prática da melhor Orientação.


Um pódio com as cores do CPOC

Depois do título nacional de Distância Média alcançado em Marvão, no início do mês, Pedro Nogueira (ADFA) teve o mais auspicioso dos começos, levando de vencida a primeira etapa com o tempo de 37:10. Mas é preciso dizer-se que não esteve só neste triunfo, já que Diogo Miguel (Ori-Estarreja) conseguiu a proeza de alcançar precisamente o mesmo tempo e, desta forma, levar ao rubro para a etapa decisiva um emocionante tira-teimas. No setor feminino, Mariana Moreira esteve imparável e, com um registo de 39:11, saiu confortavelmente na frente para a etapa decisiva. Atrás de si ficaram as suas colegas de equipa Vera Alvarez e Liliana Oliveira, a distantes 3:57 e 5:48 de diferença ou, se quisermos, a 91,6 e 128,9 pontos, respetivamente.

Sob um sol abrasador, a etapa decisiva veio mostrar um Diogo Miguel mais determinado, mais batalhador e... mais fresco! Ter sido o primeiro a partir, apesar do adiantado da hora, acabou por conferir uma importante vantagem ao atleta do Ori-Estarreja, que soube acrescentar a isso as mais-valias que fazem dele, quiçá, o melhor atleta português do momento. Diogo Miguel não esteve com meias medidas e, despachando o seu percurso em 1:34:07, “despachou” também os seus mais diretos adversários, deixando Miguel Silva (CPOC) a 4:23, o grande Joaquim Sousa (COC) a 7:34 e Pedro Nogueira a 8:23. No setor feminino, Vera Alvarez esteve imparável e bateu inapelavelmente a concorrência com um tempo de 1:35:59. Mariana Moreira foi a segunda classificada, a 6:13 da sua colega de equipa, conseguindo ainda assim conservar o primeiro lugar trazido da véspera. Liliana Oliveira completou um pódio histórico para as cores do CPOC, ao garantir a terceira posição, apesar da desastrosa performance nesta última etapa, a 43:35 (!) de Vera Alvarez.


Miguel Silva e Mariana Moreira “sprintaram” para a vitória

Nos restantes escalões, destaque para um Daniel Catarino (CLAC) em excelente forma e cada vez mais perto da vitória no ranking da Taça de Portugal no escalão H18. Em D18, Leonor Ribeiro (ADFA) soube aproveitar o “mp” de Carolina Delgado (GD4C) e chegar pela segunda vez esta temporada a uma vitória em etapas pontuáveis para o ranking. Em H20, Luís Silva (ADFA) esteve “esmagador” no primeiro dia, abdicando todavia de competir na derradeira etapa e abrindo, dessa forma, caminho à vitória de Hélder Marcolino (GD4C). Com duplas vitórias, Alberto Branco (CP Armada), Jorge Correia (ADFA), José Fernandes (.COM) e Manuel Dias (GafanhOri) foram os grandes vencedores dos escalões H35, H40, H50 e H60, respetivamente. Em D35, Maria Amador (ATV) quebrou a hegemonia de Susana Pontes (CPOC) na primeira etapa e chegou à vitória no Troféu.

Disputada ao final da tarde em Arraiolos, a prova de Sprint pontuou para o Circuito Nacional Urbano e teve em Miguel Silva e Mariana Moreira os grandes vencedores. A prova contou com a participação de 159 atletas distribuídos pelos 32 escalões de competição e ainda 32 participantes nos escalões abertos. Miguel Silva travou com Paulo Franco (COC) uma acesa luta pela vitória no escalão de Homens Elite, tendo vencido com o tempo de 16:06, contra os 16:14 do seu mais direto adversário. Mariana Moreira teve maiores facilidades, completando o seu percurso em 16:25 e deixando Vera Alvarez, a segunda classificada, a 1:39 de diferença.


Desportivismo ao vivo

A prova ficou ainda marcada pela queda sofrida por Anabela Vieito durante a etapa de Distância Longa e que, de acordo com aquilo que pode ser lido na página da Federação Portuguesa de Orientação, provocou uma luxação no braço. Ainda de acordo com a notícia, “a atleta com fortes dores gritou por ajuda, tendo Carlos Ferreira (DA Recardães) ouvido o seu pedido e, com Sara Tomás (GDU Azoia), prestado o primeiro apoio. Mas com a dificuldade de passar o rio que os separava da atleta lesionada, Carlos teve que pedir ajuda a Luísa Mateus (COC) para ir à Arena pedir auxilio para que a atleta fosse transportada para o Hospital. Na arena, Leonel Vieito (COC) que se preparava para iniciar a sua prova, também se deslocou para junto da atleta em seu auxilio.” Isto motivou, por parte da Federação Portuguesa de orientação, a expressão do seu “louvor a todos estes atletas que abdicaram das suas provas para ajudar a atleta Anabela Vieito: Carlos Ferreira, Luísa Mateus, Sara Tomás e Leonel Vieito.”


Resultados

Homens Elite
1º Diogo Miguel (Ori-Estarreja) 2000.00 pontos
2º Pedro Nogueira (ADFA) 1918.20 pontos
3º Miguel Silva (CPOC) 1904.30 pontos
4º Joaquim Sousa (COC) 1775.80 pontos
5º Nelson Graça (Ori-Estarreja) 1752.20 pontos
6º Gildo Silva (COC) 1702.10 pontos
7º Tiago Gingão Leal (GafanhOri) 1687.20 pontos
8º Paulo Franco (COC) 1634.40 pontos
9º Filipe Dias (CPOC) 1549.30 pontos
10º Filipe Farinha (CPOC) 1507.80 pontos

Damas Elite
1º Mariana Moreira (CPOC) 1939.20 pontos
2º Vera Alvarez (CPOC) 1908.40 pontos
3º Liliana Oliveira (CPOC) 1529.50 pontos
4º Tânia Covas Costa (.COM) 1223.80 pontos
5º Céu Costa (GD4C) 1146.60 pontos
6º Adelindina Lopes (COA) 793.50 pontos
7º Andreia Silva (COC) 707.10 pontos
8º Carla Saraiva (Ori-Estarreja) 547.7 pontos
9º Patrícia Casalinho (COC) 0.00 pontos

Vencedores outros escalões
H/D10 – André Sérgio (ATV) e Laura Tenreiro (COC)
H/D12 – André Daniel (Ginásio) e Beatriz Esteves (COA)
H/D14 – André Martins (CLAC) e catarina Daniel (CPOC)
H/D16 – João Bernardino (COC) e Daniela Pires (ADFA)
H/D18 – Daniel Catarino (CLAC) e Leonor Ribeiro (ADFA)
H/D20 – Hélder Marcolino (GD4C) e Rita Rodrigues (GafanhOri)
H/D21A – Tiago Lopes (CAOS) e Ângela Silvério (CN Alvito)
H/D21B – Levi Pagaime (Ori-Estarreja) e Paula Ferreira (COA)
H/D35 – Alberto Branco (CP Armada) e Maria Amador (ATV)
H/D40 – Jorge Correia (ADFA) e Alexandra Coelho (CPOC)
H/D45 – Francisco Cordeiro (ADFA) e Eugénia Tavares (Ori-Estarreja)
H/D50 – José Fernandes (.COM) e Isabel Monteiro (COC)
H/D55 – Luís Sousa (Clube TAP) e Fernanda Ferreira (DA Recardães)
H/D60 – Manuel Dias (GafanhOri) e Ana Carreira (CPOC)
H65 – Coelho dos Santos (Ori-Estarreja)
H70 – Joaquim Costa (GD4C)
Fácil Curto – Zezinha Mora (Ginásio)
Difícil Curto – Alexandra Catarina Alves (Individual)
Fácil Longo – João A + Maria A (CPOC)
Difícil Longo – Carlos Baltasar (CPOC)

Mais informações, resultados completos e fotos em http://www.coaclub.com/alot2012



Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

terça-feira, 26 de junho de 2012

CAMPEONATO BRASILEIRO DE ORIENTAÇÃO: NOVA ETAPA, OS MESMOS VENCEDORES




Ironir Alberto Ev e Mirian Ferraz Pasturiza foram os grandes vencedores da segunda etapa do CamBOr 2012, levado a cabo no passado fim de semana em Terezópolis de Goiás. Duplo triunfo nas provas disputadas e um passo de gigante rumo ao título de Campeão Brasileiro de Orientação da presente temporada.


Decorreu no passado fim de semana, em Terezópolis de Goiás, a segunda etapa do Campeonato Brasileiro de Orientação 2012. Organizado pelo COCER – Clube de Orientação Cerrado e CORJL – Clube de Orientação Ribeirão João Leite, em parceria com a Prefeitura Municipal de Terezópolis de Goiás – GO, o evento contou com a Coordenação e Supervisão da CBO - Confederação Brasileira de Orientação e da FOG - Federação de Orientação de Goiás.

Pontuável para o ranking mundial da modalidade, esta segunda etapa registou uma participação aproximada de quatro centenas e meia de orientistas, em representação de 52 clubes, associações, federações e confederações. Destaque ainda para a presença de cinco atletas chilenos e que tão boa conta deram de si nos escalões H21E e H21A.


Mirian esmagadora

O primeiro dia de competição foi preenchido por uma prova de Distância Longa, com distâncias de 12.300 metros para a Elite Masculina e de 8.000 metros para a Elite Feminina. Começando por esta última, Mirian Ferraz Pasturiza (AD Almirante Adalberto Nunes) não deixou os seus créditos por mãos alheias e, depois da vitória na primeira etapa do CamBOr, voltou a impor-se às suas mais diretas adversárias por larga margem. Mirian Pasturiza necessitou de 1:09:16 para completar o seu percurso, contra 1:21:50 da sua colega de equipa Tânia Maria Jesus De Carvalho e 1:31:16 de Elaine Lenz (CO Ijuí), respetivamente segunda e terceira classificadas.

Após a dupla vitória na 1ª etapa do CamBOr, em Maio passado, Ironir Alberto Ev (CO Santiago) fez jus ao favoritismo que lhe era atribuído e foi o grande vencedor com o tempo de 1:20:53. A 2:10 e 4:38 de diferença, respetivamente, classificaram-se nas posições imediatas Leandro Pereira Pasturiza (CO San Martin) e Juscelino Alencar Karnikowski (CO Gralha Azul).


A prova da confirmação

Na prova de Distância Média do segundo dia o panorama não se alterou e tanto Mirian Ferraz Pasturiza como Ironir Alberto Ev voltaram a dominar por completo os seus percursos, alcandorando-se aos lugares mais altos do pódio como os grandes vencedores da competição. Com o tempo de 36:27, o triunfo de Mirian Pasturiza voltou a não sofrer contestação, ante uma combativa e inconformada Tânia Maria Jesus De Carvalho a 3:18 de diferença. A terceira posição viria a ser ocupada por Wilma Barbosa de Souza (Barriga Verde CO), a distantes 12:48 da vencedora.

No setor masculino, Ironir Alberto Ev e Leandro Pereira Pasturiza voltaram a travar uma luta interessante, acabando por vir ao de cima o melhor momento do atleta de Santiago. Ironir Alberto Ev precisou de 35:25 para cumprir os 5.400 metros do percurso, deixando o seu mais direto adversário a 53 segundos de diferença. A terceira posição foi ocupada por Robson Figueira Rengifo (AD Almirante Adalberto Nunes) com o tempo de 38:34. Com estes resultados, Ironir Alberto Ev está mais perto de se sagrar pela primeira vez campeão brasileiro de Orientação, enquanto Mirian Ferraz Pasturiza se prepara para festejar o “penta”, confirmando o domínio absoluto nas cinco últimas temporadas.

Informações e resultados em http://www.cbo.org.br/

[Foto de Sara Dornelles Weis, extraída do seu excelente blog em http://brazil-o-life.blogspot.com.br/2012/06/2-etapa-do-cambor-2012-ii.html]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

segunda-feira, 25 de junho de 2012

ATIVIDADE DE ORIENTAÇÃO ADAPTADA CHEGA A ESPANHA



Tendo por base a Orientação, o Desporto Adaptado em Espanha conheceu uma jornada histórica no passado sábado. Tratou-se da primeira Atividade de Orientação Adaptada levada a cabo no país vizinho, com base no modelo desenvolvido entre nós. A iniciativa teve em Roberto Munilla e Mario Vidal os grandes mentores e é com base nas impressões do primeiro que vivenciamos um pouco daquilo que se passou no complexo “Sonsoles”, em Saragoça.


A ideia tinha surgido em Portugal, aquando do II Open de Orientação de Precisão do Hospital da Prelada. A Actividade de Orientação Adaptada tinha suscitado enorme interesse e os princípios básicos não tardaram a ser partilhados e assimilados. Agora tratava-se de pôr em prática os ensinamentos adquiridos e a oportunidade surgiu por intermédio da Associação Aragonesa da FADDI - Federação Espanhola para Pessoas com Deficiência Intelectual, com o apoio da ATADES, Special Olympics Aragón e FEDO - Federação Espanhola de Orientação. Data: 23 de Junho, em Alagón (Saragoça).

Apesar de simplificar o mapa e introduzir pictogramas, disseram-me que uns 30% dos participantes não teriam capacidade para resolver sozinhos os problemas”, recorda Roberto Munilla, revelando alguma ansiedade quanto à forma como tudo se iria desenrolar. Mas ficava desde logo essa preocupação em proporcionar um pouco mais de ajuda, “para que todos pudessem completar a actividade e sentir-se bem com os desafios superados”. Para isso havia que pensar em material de apoio para resolver os problemas e fazer com que os controlos fossem alcançados por intermédio de fotografias ou referencias intermédias.


Um mapa bem catita

A satisfação e aceitação deste jogo foi, desde o início, enorme por parte dos responsáveis das Associações participantes e os atletas acabariam por lhes dar razão. O mapa final foi elaborado a partir dum mapa base em OCAD e a sinalética e pictogramas trabalhados “quase pixel a pixel”, com recurso ao Paint. “A escolha das cores azul, branco e ocre teve a ver com as cores do equipamento oficial do Saragoça”, acrescenta Roberto Munilla, que ainda pensou numa “linguagem universal”, usando as cores das frutas e verduras de forma a que a Orientação Adaptada possa vir a ter expressão em qualquer parte do mundo. Mas isso terá de ficar para “segundas núpcias”.

As duas últimas estações variavam em termos de cores, utilizando-se o branco, lilás, vermelho e amarelo. Tratou-se duma “experiência”, segundo Roberto Munilla, para quem é suposto que “no final do percurso, os participantes tenham aprendido a mecânica do jogo e consigam responder adequadamente, ainda que com cores diferentes. Talvez assim se possam retirar ilações quanto ao estabelecimento de diferentes níveis no futuro.”


O desenrolar da atividade

Com tudo devidamente estruturado e uma enorme animação em torno da actividade, o dia acabaria por se revelar “realmente fantástico, tanto para organizadores como para deportistas, repleto de situações divertidas e de experiências muito gratificantes, daquelas que não irão esquecer-se jamais”, confessa Roberto Munilla.

Aos participantes foi oferecido um percurso com oito estações, sendo a primeira de demonstração. Com os atletas de nível intelectual mais baixo, iam sendo descartadas as balizas que começavam com uma cor diferente daquela que surgia na sinalética e assim sucessivamente com as balizas seguintes até chegar à solução. Com os atletas mais capacitados, foi possível ir ao encontro da resposta correta com as três cores em simultâneo. Pelo facto de se tratar duma primeira vez, a prova foi feita em grupo e as respostas dadas em voz alta. “Muitos responderam aquilo que ouviam dos outros em vez de fazerem as suas próprias deduções”, admite Roberto Munilla. Com metade da prova completada, em muitos casos a resposta passou a ser assinalada com o auxílio de picotador ou, para os menos hábeis, com recurso a esferográfica. Tudo terminou com a entrega de um diploma de participação e com um muito animado e participado baile.


Um par de conclusões

Em jeito de conclusão, Roberto Munilla assinala que uma percentagem importante dos participantes confundiu a coluna na altura de assinalar a resposta, parecendo necessário “introduzir uma separação clara entre respostas de diferentes pontos e desenhar uma tabela de respostas com os dados pessoais num dos lados, de forma a que não haja separação entre as quadrículas de cada ponto de controlo. De igual forma, é conveniente que o ponto de decisão e as balizas estejam separados entre si dois ou três metros, uma vez que a capacidade visual de muitos dos participantes é fraca.”

A próxima atividade de Orientação Adaptada está agendada para os próximos dias 22 e 23 de Setembro, complementarmente a uma actividade de Equitação, e terá lugar em Farardués, uma aldeia dos arredores de Saragoça.
[Foto publicada com a autorização da Associação Special Olympics Aragón]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

domingo, 24 de junho de 2012

AUGUSTO ALMEIDA REELEITO POR MAIS QUATRO ANOS: "VAMOS A ISTO... COM A CERTEZA QUE NÃO DAREI A OUTRA FACE!"




O dia de ontem assume, pela sua importância, um lugar de destaque na vida da Federação Portuguesa de Orientação. A eleição dos novos Órgãos Sociais da FPO para o quadriénio 2012 – 2016 promete pacificar a modalidade e abre espaço a um punhado de acontecimentos relevantes nos planos organizativo, competitivo e de promoção da Orientação. No momento de retomar o leme de tão bela quanto delicada nau, Augusto Almeida, Presidente da FPO, traça para o Orientovar os caminhos do futuro.


Orientovar - Liderou a anterior Direção, mantendo-se em funções durante pouco mais de um ano. Quais os aspetos relevantes que retira dessa experiência?

Augusto Almeida - A anterior Direcção surgiu, com objectivos muito claros e públicos, num contexto muito próprio de que todos se recordarão, e de forma transitória conforme estipula a lei. Os meses de função foram trabalhosos, intensos e bastante gratificantes mas, ao que se sentiu em alguns sectores, aquém das expectativas. Trabalhosos, pois foi necessário devolver rapidamente a normalidade funcional e institucional a uma casa que, em apenas algumas semanas, se havia afundado totalmente, estando em sério risco a sustentabilidade da modalidade no imediato. Intensos, pois o trabalho realizado exigiu muitas horas, dias e semanas sem interrupção, fins-de-semana atrás de fins-de-semana, sempre com a preocupação de encontrar soluções, alternativas e meios, reunindo aqui e ali, respirando, pensando e engendrando soluções, mas sempre em actividade continuada. Nunca a equipa parou nem nunca a modalidade parou. Gratificantes, porque encontrámos colaboração, disponibilidade, vontade e opiniões que nos ajudaram a implementar o plano possível dentro da normalidade possível.

Orientovar – Quer concretizar aquilo que designa por “normalidade possível”?

Augusto Almeida - Normalizaram-se as relações com o IPDJ, a sede da FPO foi transferida para a Marinha Grande, criaram-se os circuitos de Estafetas e de provas urbanas, ajustaram-se regulamentos, as selecções nacionais estiveram nos vários Campeonatos e momentos importantes, as Comissões Técnicas trabalharam dentro dos recursos possíveis, retomou-se a formação, activaram-se as CAP (Comissões de Avaliação de Provas), ganharam-se candidaturas internacionais que podem significar o início de um caminho que permitirá garantir financiamento à modalidade numa altura em que o Estado apresenta uma drástica redução de apoio ao desporto nacional e muito mais se foi fazendo com imensa ajuda de muitos agentes da modalidade. Importa ainda referir que o enorme atraso na assinatura dos contratos com o IPDJ resultante da estagnação que a modalidade conheceu e a consequente chegada das primeiras verbas à FPO apenas em Julho de 2011, não inviabilizou a época desportiva que, ainda, teve de suportar os valores imprevistos da devolução de verbas por formação não realizada em 2010 e os encargos dos seguros do mesmo ano.


A falta de consideração e educação foi, essa sim, uma surpresa

Orientovar – Atrevo-me a pensar que, ainda assim, todo este trabalho ficou aquém das expectativas.

Augusto Almeida - Aquém de algumas expectativas, reconheço. Apesar do muito que trabalhamos, das horas que dedicamos, dos apoios e colaborações que conseguimos junto de imensos companheiros, foram alguns os momentos em que por diversos modos e meios, públicos ou privados, nos transmitiram que estávamos aquém dessas expectativas. Diga-se que muita da insatisfação e quebra de expectativas anunciadas tiveram lugar em motivos que, em última análise, tiveram natureza financeira e sobretudo muita utopia gerada pelo período imediatamente antecedente ao nosso mandato. Contudo, acreditamos que não é admissível, e até pode ser imoral, em tempos de escassez de recursos financeiros e crise profunda, num momento em que o Estado quase está impossibilitado de cumprir as suas funções vitais - segurança e bem-estar das populações - ao ter de fazer cortes na solidariedade social, na saúde, na educação, na segurança, nos salários, etc, alguém pretender que se assumam encargos para os quais não há a menor hipótese de existir cobertura. Recusámo-nos a endividar a modalidade.

Orientovar – Foi o perceber que havia toda essa insatisfação que fez com que, em Março passado, decidissem não se recandidatar?

Augusto Almeida - A decisão do órgão de gestão em não se recandidatar é um acto normal em democracia e radica na necessidade de dar espaço a novos projectos, pessoas e ideias, num contexto da vida da modalidade em que este sentimento de insatisfação de alguns sectores relativamente às opções tomadas face aos recursos disponíveis, bem como à forma como vinham sendo dirigidos os destinos da Orientação, parecia crescente e atingiu formas que ultrapassam o aceitável, passando a projectar-se em termos pessoais na figura dos directores da FPO que, antes de dirigentes, são homens e praticantes da modalidade como os demais. Embora não se perca de vista que este sentimento não é generalizado, já que a maioria dos sócios FPO se mostra, para o bem e para o mal, essencialmente alheia à vida da modalidade naquilo que vai para além da sua mera participação individual nas actividades organizadas pelos clubes, também é verdade que este clima não podia nem devia ser ignorado. E com esta afirmação não me estou a referir aos casos isolados que primam pela maledicência, mentira e ofensa gratuita, já que a sua importância será pouco menos que nula; tampouco me refiro aos companheiros que são interventivos mas fazem-no de forma correcta e fundamentada, criticando e apoiando, opinando e dialogando, concordando umas vezes e outras não, enfim, normalidade democrática. Refiro-me essencialmente a um reduzido grupo, mas com projecção e impacto na modalidade, cujas atitudes de insatisfação não se pautam pelos parâmetros acima referidos mas antes por um conjunto de atitudes que se diriam mimadas, birrentas, intriguistas e maledicentes, normalmente injustas, não fundamentadas e sem procurarem fazer parte de qualquer solução mas antes dos problemas. Embora a maledicência não seja propriamente uma surpresa, pois muitas pessoas estão disponíveis para maldizer sempre que a sua opinião, mais ou menos fundamentada, ou os seus anseios, não sejam satisfeitos, a verdade é que raramente estão disponíveis para integrarem, opinarem construtivamente ou se disponibilizarem para construir, mesmo quando lhes é solicitado. A falta de consideração e educação foi, essa sim, uma surpresa, já que da nossa parte sempre foram adoptados processos e posturas que se caracterizaram pela educação e pela elevação, mesmo quando as difamações e insinuações davam margem para recurso à justiça.


Tentaremos aproximar mais as pessoas da vida federativa

Orientovar – Pegando um pouco nas suas palavras, confesso que foi para mim uma surpresa ter ido sozinho a votos. Não considera que seria “normal” ter havido disputa eleitoral?

Augusto Almeida – Seria normal em Abril ter aparecido uma lista dos insatisfeitos e uma lista da modalidade. Não apareceu nenhuma. Aceito que depois de anunciarmos que seriamos candidatos para Junho as possíveis boas-vontades tenham… descansado. E aceito porque reconheço que qualquer solução, na nossa realidade, tem de contar com muitos dos que estão comigo, é incontornável. Somos muitos mas não tantos que seja fácil reunir uma centena de voluntários orientados para um mesmo objectivo. Penso que o mais desmotivador, mesmo muito ingrato, é trabalhar que nem um louco por uma causa comum e apenas receber alguns pontapés e caneladas. Por muito que se goste, por muito que se queira ajudar, fica muito difícil aceitar a crítica destrutiva e a maledicência que nunca tenta ser parte da solução. Em todo o caso é importante referir que identifico, sem dificuldade, vinte ou trinta presidentes e que daqui a quatro anos alguém terá de se perfilar. Nestes quatro anos tentaremos aproximar mais as pessoas da vida federativa, permitir experiência, tentando viabilizar uma futura candidatura.

Orientovar – Saíram Carlos Monteiro e Pedro Dias, entraram José Fernandes e Daniel Marques. O que é que muda com estas mexidas?

Augusto Almeida – Muda pouco certamente. Quer o Carlos quer o Pedro são amigos de longa data e que não precisam dos meus elogios para que quase todos lhes reconheçam, merecidamente, excelentes qualidades pessoais, profissionais e dotes de carácter que os fazem cidadãos exemplares. O Zé e o Daniel são pessoas que também há muitos anos me distinguem com a sua amizade, de cujas qualidades pessoais e profissionais ninguém duvida, e cujo amor à modalidade é garantia de excelência nos seus contributos. Na minha opinião muda pouco… Vamos continuar a dar o nosso melhor pela modalidade.


Ficar vigilante para salvaguardar a modalidade

Orientovar – Que Federação vamos poder esperar nos próximos quatro anos? Quais os grandes desafios?

Augusto Almeida – O mundo vive um período de incerteza como ninguém viveu desde os tempos da II Grande Guerra. Ninguém pode afirmar-se seguro da situação a… 30 dias. Neste contexto há que “navegar à vista”, tomar as decisões adequadas a cada momento mas sem hipotecar o futuro. Certamente vamos lutar para atrair mais praticantes, especialmente jovens. Vamos dar o nosso melhor na ligação ao Desporto Escolar e no apoio à filiação de jovens. Temos também os Campeonatos de Veteranos de O-BTT e os Europeus de Pedestre e de Orientação de Precisão que, com a parceria dos nossos clubes, iremos realizar com sucesso e nos podem permitir alguns recursos financeiros. No restante… as incógnitas e as incertezas que nos cercam são tão fortes que o mais ajuizado é ser prudente e ficar vigilante para salvaguardar a modalidade.

Orientovar – E em termos pessoais? O que espera que este quadriénio lhe traga?

Augusto Almeida - Disse há pouco mais de 16 meses, conforme muitos se recordarão sem grande esforço de memória, que a Orientação, para os orientistas, seria no máximo um interesse secundário pelo qual apenas se discute. Estando ultrapassados estes parâmetros e limites através de comportamentos e posturas que vão para além da mera discussão e troca de pontos de vista, entendemos que está também ultrapassada a importância que a Orientação deve assumir nas nossas vidas pessoais. Estou determinado em cumprir com os principais objectivos a que me proponho ao iniciar mais um mandato, já que temos uma FPO sem dívidas, com uma realidade que representa menos custos do que no passado e com compromissos assumidos que contribuirão não apenas para bons encaixes financeiros mas também para a continuação do nome de Portugal entre os mais prestigiados da cena internacional no que às organizações diz respeito. Vamos a isto… com a certeza que não darei a outra face!


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

sábado, 23 de junho de 2012

RICARDO PINTO: "SEM EXPERIÊNCIA NÃO HÁ MILAGRES"




O comboio rodava velozmente a caminho de Londres. Naquela manhã cinzenta, chuvosa e fria, deixávamos para trás Dundee, os Campeonatos do Mundo de Orientação de Precisão WTOC 2012 e seis dias riquíssimos em contactos e experiências. Ricardo Pinto foi o meu companheiro nesta aventura inesquecível e um balanço dos Campeonatos impunha-se. Conversamos demoradamente, relembramos como tudo começou, as expectativas criadas com a participação nos Mundiais, as muitas alegrias e algumas desilusões ao longo do evento e olhamos para um futuro que se abre, auspicioso, ante os nossos olhos. Eis o resultado dessa conversa.


Orientovar – Como começou a praticar Orientação?

Ricardo Pinto – Casualmente, numa consulta de rotina no início do ano no Hospital da Prelada, os médicos convidaram-me a experimentar. Lembro-me de, em 2001 ou 2002, o Grupo Desportivo dos Quatro Caminhos ter tentado implementar a Orientação de Precisão e ter organizado uma prova no Parque da Cidade do Porto e outra na Quinta de Santo Inácio nas quais participei. Já não me consigo recordar muito bem dessas experiências, mas tinham-me despertado alguma curiosidade. Depois as coisas morreram e agora, quando surgiu este convite, disse para comigo mesmo: Porque não?

Orientovar – A sua primeira prova “a sério”, digamos assim, foi em Viseu e coincidiu com a primeira etapa da primeira Taça de Portugal de Orientação de Precisão. Um segundo lugar na prova de estreia foi sorte de principiante?

Ricardo Pinto – Também não éramos muitos (risos)… Bem, eu não lhe chamaria só sorte. Na verdade, na viagem para Viseu deram-me algumas noções de sinalética, de como orientar o mapa e usar a bússola. Foi uma prova interessante e da qual guardo um sentimento misto de satisfação e de frustração. Satisfação porque foi a primeira prova e, talvez com alguma sorte à mistura, consegui entender alguns princípios básicos da modalidade e que me acabaram por valer sete pontos corretos. E frustração por perceber que, apesar de não ter criado qualquer expectativa em termos de resultados, hoje percebo que poderia ter feito muito melhor.


Foi às cegas que abracei o desafio

Orientovar – Que evolução sentiu nas provas seguintes?

Ricardo Pinto – Comecei por trabalhar a questão da sinalética. Chegar aos pontos e saber aquilo que é pedido é importante. Hoje sei que há aspetos muito mais importantes, que as questões relacionadas com a sinalética são o básico, mas acredito que, para quem se inicia na modalidade, este seja um dos aspetos mais confusos e que maiores preocupações acarreta. Quanto às provas e ao colocar em prática aquilo que se vai aprendendo, talvez Espanha pudesse ter sido um marco, mas infelizmente não houve condições para fazer uma boa prova. Aquele granizo todo, já não sentia as mãos, tinha o cartão de controlo completamente desfeito… Enfim, em muitos pontos nem pensei na resposta, foram atiradas completamente à sorte. Só mesmo quando iniciei a preparação para o Campeonato do Mundo, com pouco mais de quinze dias para estudar o máximo que fosse possível, é que percebi a complexidade da nossa modalidade.

Orientovar – Como é que recebeu a proposta para representar Portugal nos Campeonatos do Mundo WTOC 2012?

Ricardo Pinto – Não sei, sinceramente não sei. Acho que foram todos muito honestos comigo. A Diana Coelho era ainda uma hipótese e eu nunca me senti uma segunda escolha, talvez porque nunca tivesse acreditado que alguém pudesse ser escolhido que não a Diana. Só quando fomos a Lisboa, à prova do CPOC, é que interiorizei que, afinal, seria mesmo eu a representar Portugal. Aí as coisas mudaram um pouco de figura, mas não o suficiente para me tirar o sono. A modalidade era ainda uma ilustre desconhecida para mim, não era falada, nem mesmo entre os restantes orientistas e não fazia a menor ideia do envolvimento em torno dum evento com a dimensão dum Campeonato do Mundo. Por isso foi às cegas que abracei o desafio.


Estudar, estudar, estudar

Orientovar – Um Mundial de que forma se prepara?

Ricardo Pinto – No meu caso, estudando muito toda a teoria, sobretudo as diretrizes da Federação Internacional de Orientação. O facto de ter sido operado à mão na véspera da prova do CPOC, fez com que estivesse de baixa uns dias seguidos. Em casa, em frente ao computador, foi estudar, estudar, estudar. As traduções das diretrizes para espanhol, feitas pelo meu amigo Roberto Munilla, revelaram-se muito importantes. Mas também as pesquisas em sites e blogues de outras Federações e de clubes, com exemplos de mapas, de situações concretas, até de pontos cronometrados. Algumas vezes estivemos, eu e o Joaquim Margarido, a trocar impressões via Skype, mas foi sobretudo o trabalho solitário, dia após dia, que serviu de base à minha preparação. Apesar da pouca ou nenhuma experiência prática, queria não fazer fraca figura e dignificar a nossa presença na Escócia.

Orientovar – Como foi esse embate com a realidade dum Campeonato do Mundo?

Ricardo Pinto – Até à primeira prova, o Troféu Mundial de TempO, parecia que andava nas nuvens. Tudo correu de forma excepcional, as condições foram perfeitas, toda a gente foi duma simpatia e duma disponibilidade enorme. Lembro-me do jantar logo no primeiro dia, de estarmos à conversa com o Zdenko e com o Ivo, da Croácia, dos conselhos tão importantes que nos deram. Até receber o primeiro mapa do TempO foi tudo verdadeiramente surreal.


Quando olhei para o mapa só pensei: E agora?

Orientovar – E depois?

Ricardo Pinto – Bem, quando olhei para o mapa só pensei: E agora? Difícil, muito difícil, completamente à margem de tudo quanto tinha feito até aqui. Com todo o respeito pelas provas em Portugal e pelas pessoas que tudo fazem para nos proporcionar os melhores desafios possíveis, mas isto sim, isto era o Campeonato do Mundo. E ali estava eu, o mapa à frente… só árvores, árvores e curvas de nível, sem quaisquer outras referências. Até à quinta estação, não consegui nunca entrar nos mapas. Não era só a dificuldade dos pontos, era também a pressão do tempo. Tinha de usar a minha intuição e de confiar na sorte mas sentia-me completamente perdido. Também o facto de não haver assistência e de ter de me deslocar pelos próprios meios, num terreno enlameado e debaixo de chuva, não ajudou. Não serve de desculpa – até porque só na quinta estação é que percebi que o mapa também tinha linhas de norte –, mas chegar aos pontos extremamente cansado não ajudava muito na minha concentração. A partir daí comecei a ganhar alguns automatismos, a fazer uma melhor gestão do tempo e as coisas passaram a ser mais calculadas, mais racionalizadas. Só que nessa altura já o mal está feito e é tarde para aspirar a um bom resultado.

Orientovar – Se fosse hoje, o que teria mudado?

Ricardo Pinto – Hoje lidava com o tempo doutra forma, mas sobretudo com a pressão. Noventa segundos para três pontos é uma pressão enorme. Juntando a isso uma melhor leitura do mapa, fruto da experiência que se vai adquirindo, estou certo que as coisas poderiam correr muito melhor.


Falhar tanto é realmente muito frustrante

Orientovar – Esteve muito bem no Model Event, mas o resultado do primeiro dia, sobretudo, ficou bastante aquém das expectativas. O que sentiu na altura?

Ricardo Pinto – Muita frustração. Chegar ao fim do percurso e saber que se falhou nalguns pontos é uma coisa, mas falhar tanto é realmente muito frustrante. Os mapas eram de muito difícil leitura, com muito detalhe, muito diferentes do Model Event. Não tenho conhecimentos suficientes para saber se o mapa era bom ou não. Percebi que houve muitos participantes desagradados com o mapa e com os percursos, mas confesso que não sei. Foi algo tão diferente daquilo que tinha experimentado até então, uma realidade completamente distinta, não sei… Mas muito, muito difícil, lá isso era.

Orientovar – E no segundo dia?

Ricardo Pinto – Não foi mais nem menos que a continuação do primeiro. Embora me parecesse que o mapa era de muito melhor leitura – ou talvez já fosse um pouco da aprendizagem da véspera a funcionar -, era ainda assim muito difícil. Daí que o resultado voltasse a ser idêntico. Sentia-me muito cansado, nessa noite quase não tinha conseguido dormir só de pensar em como poderia melhorar, mas na verdade não é em vinte e quatro horas que as coisas se alteram. Assim, ter melhorado um lugar em relação à véspera não foi mau. A única coisa realmente frustrante no segundo dia foi ter picotado dois pontos diferentes na mesma linha e ter anulado um dos pontos que estava correto.


Acredito que podemos melhorar muito

Orientovar – O que é que faz verdadeiramente falta para se poder encarar uma prova destas com mais confiança e ambição?

Ricardo Pinto – Faz falta muita coisa. Treino, conhecimentos e mais provas como esta. A falta de contacto com provas exigentes impede-nos de podermos aspirar a melhores resultados. O conhecimento advém da experiência e sem experiência não há milagres. Aliás, toda a gente com que falei já tinha, só este ano, participado num bom número de provas internacionais, sobretudo na Suécia e na Noruega. Este contacto com o terreno, a troca de experiências, a discussão dos problemas, faz toda a diferença. Apanhar um percurso com mais do dobro das questões a que estamos habituados em Portugal e com um grau de exigência incomparavelmente superior coloca-nos numa posição de desvantagem muito grande. Daí que o esforço do Hospital da Prelada em enviar alguém aos Campeonatos do Mundo seja louvável, pois só com este tipo de experiência adquirida poderemos melhorar. Estou seguro que uma boa aplicação dos conhecimentos à nossa realidade irá ser muito benéfico e eu gostaria de dizer, desde já, que estou totalmente disponível para colaborar nesse esforço. Acredito que podemos melhorar muito.

Orientovar – TempO ou Trail-O?

Ricardo Pinto – Ambos. Penso que se complementam. São muito desafiantes, mas penso que no TempO as coisas têm de ser mais intuitivas, ao passo que no Trail-O é tudo mais racional, mais ponderado. Mas se me dessem a escolher apenas entre uma delas, escolheria o Trail-O, obviamente. É outro desafio, a certeza na resposta é outra, muito maior. Se acertamos, podemos ficar contentes com o nosso desempenho, mas se não acertamos podemos entender o porquê e corrigir em certa medida. Ao passo que no TempO essa possibilidade praticamente não existe, quase não temos tempo para responder e menos tempo ainda para perceber. E depois há essa impossibilidade no TempO de podermos sair do lugar, de procurar pontos de referência. Também, se o pudéssemos fazer, lá se ia o tempo (risos).


Portugal tem todas as condições de realizar um Europeu de excelência

Orientovar – Portugal mereceu da parte de todos uma atenção e um carinho enormes e, naturalmente, muita curiosidade pelo facto de organizarmos o Europeu em 2014. Que expectativas tem relativamente a esse grande evento?

Ricardo Pinto – Com as pessoas certas, Portugal tem todas as condições de realizar um Europeu de excelência. Mas temos de encontrar as pessoas certas e encontrá-las rapidamente. Foi possível perceber que um evento desta natureza não se prepara num par de meses. É preciso, para além da qualidade dos mapas e dos terrenos, um cuidado muito grande com o transporte, com o alojamento e com a assistência dada aos atletas da Classe Paralímpica. E é preciso um quadro muito grande de voluntários, não apenas disponíveis para ajudar mas que saibam o que estão a fazer, algo que, infelizmente, nem sempre aconteceu nestes Campeonatos do Mundo. Em termos pessoais, espero poder voltar a ter mais contactos internacionais e, em 2014, poder fazer parte da equipa nacional paralímpica, com outros dois atletas.

Orientovar – E a nível interno, quais os seus planos? Vamos vê-lo a vencer o ranking da Taça de Portugal em 2013?

Ricardo Pinto – Espero que sim, embora reconheça que há outros atletas com as mesmas possibilidades. Mas se eu não ganhar, espero que isso sirva para que eu possa compreender que tenho de me esforçar mais ainda. Espero que a qualidade técnica das provas aumente, que a qualidade dos mapas melhore e, sobretudo, espero que possamos começar a deixar os espaços de parque para irmos à procura da floresta e dos seus desafios. Gostaria que muitas mais pessoas pudessem aparecer. Só dessa forma o nível competitivo poderá aumentar, a motivação será maior e poderemos pensar em evoluir. A vitória não pode estar sempre do lado do mesmo, assim vamos estagnar. Temos de ter mais gente, mais competição. Esse é o meu voto!


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO