domingo, 16 de dezembro de 2012

VIII CONGRESSO NACIONAL DE ORIENTAÇÃO: UM SUCESSO DA MODALIDADE!




Não um sucesso deste ou daquele, o Congresso é um sucesso da modalidade”. Ao estabelecer desta forma o balanço do que foi o VIII Congresso Nacional de Orientação, António Amador, Diretor-Executivo da Federação Portuguesa de Orientação, exprimia o sentimento geral dos participantes. Um Congresso excelente, feito por pessoas excelente e para pessoas excelentes.


Decorreu em Leiria, ao longo do fim de semana, o VIII Congresso Nacional de Orientação. A iniciativa, da responsabilidade da Federação Portuguesa de Orientação e que contou com o apoio do Instituto Politécnico de Leiria, distribui-se ao longo dos dois dias, contando com a participação de cerca de uma centena de participantes, entre congressistas, oradores e convidados.

Conferências, análises, painéis, debates e apresentações científicas serviram de sutentáculo a um programa rico, variado e extraordinariamente abrangente, assumido de forma exemplar pelos maiores especialistas portugueses da atualidade nas áreas respetivas. Com a presença de Alexandre Mestre, Secretário de Estado do Desporto e Juventude, na Sessão de Abertura, os trabalhos foram conduzidos por José Fernandes, grande impulsionador deste Congresso e seu principal obreiro. A ele se ficou a dever o trabalho profícuo de alinhar as matérias de forma integrada e de encontrar as boas vontades necessárias para levar por diante tão relevante iniciativa.


Temas para todos os gostos

Na manhã de ontem, destaque para três caminhos: o da excelência, o do futuro e o do sucesso. A Orientação no seu todo, o paradigma do Desporto Escolar no momento presente e o caso do Clube BTT Terra de Loulé / BPI foram assuntos abordados de forma incisiva por António Amador, Ricardo Chumbinho e Hélder Faísca, respetivamente. A tarde foi destinada a quatro sessões paralelas, refletindo sobre “Formação”, “Organização e Supervisão”, “Cartografia e Traçado de Percursos” e “Corridas de Aventura”. Quatro temas que, na sua especificidade, colheram a atenção dos Congressistas e suscitaram debates mais ou menos acesos e, acima de tudo, altamente profícuos.

O domingo viria a abrir com a Orientação de Precisão, uma disciplina que trilha um caminho iniciático com vista à sua afirmação no panorama da Orientação portuguesa e que foi apresentada por Joaquim Margarido. Seguiu-se Luís Santos e uma análise evolutiva da modalidade, nas vertentes Pedestre e de BTT, com o recurso aos elementos estatísticos disponíveis e criteriosamente trabalhados. “O Impacto da Orientação nas Comunidades Vegetais” e “Projetos de Investigação na área da Orientação desportiva” foram duas apresentações científicas que estiveram a cargo de Miguel Cardoso, a primeira e Marisa Barroso e Luís Coelho, a segunda, e que acrescentaram uma enorme mais-valia ao conjunto de abordagens levadas a cabo neste Congresso. “Apostas de Futuro”, por José Carlos Pires e “Desafios e Certezas”, por Augusto Almeida colocaram o ponto final num programa seguido por todos de forma atenta, interessada e participada.


Vamos continuar a jogar vólei com bolas de básquete”

Das várias intervenções no Congresso, destaque desde logo para Augusto Almeida e para essa ideia fulcral de que “devemos alterar a nossa postura, sermos mais pro-ativos e interrogarmo-nos: Que posso eu fazer para ajudar?” Sobre o Desporto Escolar, Ricardo Chumbinho comenta que “Secretaria de Estado da Educação e Secretaria de Estado do Desporto e Juventude não conversam entre si. (…) Isto reflete que não há uma política desportiva no nosso País.” Falando de Cartografia e da necessidade de ajustarmos os nossos critérios àquilo que se encontra no estrangeiro, Tiago Aires constata que, “enquanto isto não acontecer, vamos continuar a jogar vólei com bolas de básquete”. Também Fernando Costa, refletindo sobre aquilo que ele considera ser “o nosso calcanhar de Aquiles”, a Comunicação, afirma que “há um débito enorme da nossa parte em tirar partido das redes sociais.” Maria Amador parece não ter dúvidas quando exorta que “o Supervisor deve ter o poder de dizer que, se as coisas não estão bem, não há prova” e Joaquim Margarido abala as boas consciências quando interroga: “Quantos de nós, ao percebermos que o Plano de Atividades e Orçamento para o próximo ano atribui uma verba à Orientação de Precisão, não consideramos isto um desperdício?”

Estas e muitas outras considerações – afinal o “sumo” deste Congresso -, devidamente ponderadas, “serão agora objeto de análise e de intervenção”, conforme observou António Amador, na sua abordagem final e que serviu de balanço ao Congresso. Para José Fernandes, grande obreiro da iniciativa como aqui já foi dito, “aquilo que no início me causou alguma apreensão devido à minha falta de experiência nestas andanças rapidamente se foi dissipando, devido à reação extremamente positiva e até entusiástica das pessoas que fui contactando e que acabaram por constituir, na minha opinião, um valioso painel para este Congresso.” E a terminar: “Creio que os temas que escolhemos para estudar e debater neste Congresso foram muito abrangentes, tocando em praticamente tudo o que diz respeito à Orientação. Daí que, perante contributos tão importantes, tenhamos expectativas fundadas de conseguirmos definir mais e melhores caminhos para um objetivo único, que é o do desenvolvimento sólido e sustentado da modalidade.”



Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

1 comentário:

Ricardo Chumbinho disse...

Olá a todos,

Antes de mais os meus cumprimentos a todos quantos estiveram envolvidos no Congresso, na qualidade de participante, orador ou organizador. Uma palavra especial, neste âmbito, ao José Fernandes.

Relativamente ao sucesso que esta fim-de-semana foi ou deixou de ser... penso que o máximo que podemos dizer é que se criaram as condições para que venha a ser um sucesso. De momento seguramente ainda não o é/foi!

Para ser mais do que uma reunião de amigos (e já não seria pouco), terão que resultar num futuro próximo acções e iniciativas concretas. Muito se ouviu dizer o que tem que ser feito, o que está por fazer, o caminho que poderá ser trilhado. Eu próprio o fiz. Foram identificadas diversas necessidades e avançadas muitas sugestões para as satisfazer. Uma vez mais, eu próprio também o fiz...

Apenas faltou dizer-se uma coisa "eu estou disponível para colaborar e fazer parte desta solução...". E se faço este reparo público... é porque eu próprio também pequei por não o ter afirmado, alto e de forma inequívoca.

Entretanto, apercebendo-me deste "pormenor", já emendei a mão e afirmei em privado não apenas que estou disponível para tal, no caso na relação com o Desporto Escolar, como rascunhei rapidamente a forma como o pretendo fazer. Assumo-o agora publicamente e já esta semana começarei com algumas acções nesse sentido.

Se não o fizesse, a minha apresentação e alguns comentários que fiz, mais não teriam sido do que meros exercícios teóricos e conceptuais sem qualquer valor para além deste o que, convenhamos, seria muito curto. E não é isto que se pretende.

Estou seguro de que outros estarão na mesma disposição que eu e que daqui a um ano talvez possamos estar no IX Congresso a discutir os resultados da implementação de algumas medidas e estratégias que ouvimos durante este fds. Nessa altura sim, o VIII Congresso terá sido um sucesso. Até lá,... ainda não!

Cumprimentos a todos e votos de um bom natal e um inicio de ano o melhor possível.

Ricardo Chumbinho