quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

MATTHIAS KYBURZ: "IREI VOLTAR NO PRÓXIMO ANO PARA CORRER O PORTUGAL O' MEETING"



Agora que a temporada 2012 chega ao seu final, é para muitos ainda uma surpresa ver o nome de Matthias Kyburz na liderança do ranking mundial da Federação Internacional de Orientação. O melhor sprinter mundial da atualidade fala da sua carreira de orientista, reflete sobre a época que agora termina e lança um olhar sobre o futuro.


Orientovar - Tudo tem um começo. Pode falar-me um pouco sobre os seus primeiros passos na Orientação?

Matthias Kyburz – Tal como muitos outos orientistas, comecei a praticar a modalidade por intermédio dos meus pais. No início, não tinha qualquer interesse em ler os mapas e passou-se algum tempo até que começasse realmente à caça dos pontos na floresta. De início fiz algumas provas com os meus irmãos e cabia-me a tarefa de picar os pontos enquanto eles liam o mapa. A minha primeira prova sozinho aconteceu quando eu tinha 12 anos. Antes disso, estava muito mais interessado em jogar à bola ou em fazer Ginástica.

Orientovar - Que memórias guarda desses tempos?

Matthias Kyburz – Tenho tão boas memórias... Uma das melhores foi no meu primeiro Campeonato da Europa de Jovens, em Sumperk (República Checa, 2005). Para mim, tudo era novidade. Tantos atletas muito maiores do que eu, a comida estranha, os terrenos desconhecidos e eu, correndo pela primeira vez com a camisola da seleção suiça... Ganhámos a Estafeta em H16 e penso que esta terá sido a única medalha que os checos não alcançaram. Senti um enorme orgulho e penso que, nessa altura, terei ganho a mais importante prova da minha carreira!


Conseguimos fazer melhor ainda”

Orientovar - O título mundial de Sprint alcançado nos Mundiais de Lausanne constitui, seguramente, o momento mais alto da sua carreira. Como é que sentiu aquele momento, os três “Matthias” no pódio, no seu próprio país, a medalha de ouro ao peito?

Matthias Kyburz – Foi realmente incrível. Correr os Campeonatos do Mundo de Orientação 2012 no meu próprio país foi o objetivo maior dum projeto de longo prazo que teve o seu início em 2008. Nessa altura, disse a mim próprio que esse seria, seguramente, um objetivo alcançável. Nos últimos anos evoluí francamente bem e esta ambição foi-se tornando uma realidade a cada dia que ia passando. O primeiro grande passo deu-se quando atingi isso no seio da equipa. Após a etapa da Taça do Mundo em St. Gallen e onde nós, os três “Matthias”, concluímos em 2º, 3º e 4º lugar, pensei que este seria um excelente resultado se o repetíssemos nos Mundiais! Mas conseguimos fazer melhor ainda, naquela que foi a mais importante prova da temporada. Foi realmente fantástico. Foi um dia repleto de sorrisos, de tal forma que alguém nos perguntou se estávamos a fazer um anúncio para uma pasta dentrífica...

Orientovar - Onde residiu o segredo da sua vitória?

Matthias Kyburz – Se a resposta fosse simples, eu não a daria! Uma razão prende-se com a facto de treinarmos Sprint muito regularmente e de também gostar de correr este tipo de provas. Outra razão tem a ver com o nível dos treinos e provas de Sprint, na Suiça, ser muito elevado, pelo que saímos sempre com algo mais de cada vez que o fazemos.


As minhas ambições passavam por um lugar no top 6 da Taça do Mundo”

Orientovar - Estava nos seus planos terminar a temporada na liderança do ranking mundial e, ao mesmo tempo, levar de vencida a Taça do Mundo?

Matthias Kyburz – A Taça do Mundo era, claramente, um dos grandes objetivos da temporada. Isso era óbvio, uma vez que queria fazer bons resultados, tanto nos Campeonatos da Europa como nos Campeonatos do Mundo e ambas as competições englobavam etapas da Taça do Mundo. Antes da temporada começar, as minhas ambições passavam por um lugar no top 6 da Taça do Mundo. Mas o terceiro lugar à entrada para a ronda final fez-me crer que poderia ir mais longe ainda...

Orientovar - Há algum atleta que encara como o seu “modelo”, o seu “ídolo”?

Matthias Kyburz – Não, já não. É claro que, quando comecei a fazer Orientação, por volta dos meus 12 anos, ficava verdadeiramente impressionado com os resultados dos atletas suiços. Quando a Simone Niggli ganhou aquelas medalhas todas no WOC 2003 e o Daniel Hubbman e o Matthias Merz arrecadaram as medalhas do JWOC, eu era um fã deles e isso constituiu uma motivação para começar a encarar o treino de forma séria.


Diverti-me imenso a competir”

Orientovar - Começou a preparar esta época fantástica no Sul da Europa, nomeadamente em Portugal, em Fevereiro. Que significado tem Portugal para si?

Matthias Kyburz – Tanto quanto me recorde, sempre que estive em Portugal, em Campos de Treino, tive bom tempo e foi possível tirar um enorme partido dos excelentes e exigentes terrenos. Apesar das minhas memórias este ano estarem marcadas por uma escorregadela numa pedra e ter batido com a cabeça, irei voltar no próximo ano para correr o Portugal O' Meeting e ainda a prova do fim de semana seguinte.

Orientovar - Qual a sua opinião acerca desta “barrigada” de provas de Sprint nas competições mais importantes?

Matthias Kyburz – À semelhança de muitos outros atletas, penso que deveria haver mais provas de Distância Média e de Distância Longa na Taça do Mundo e menos provas de Sprint. Por exemplo, não consigo compreender como é que há tantas provas de Sprint no Nordic Orienteering Tour, quando eles têm terrenos absolutamente fantásticos para uma Distância Média ou uma Distância Longa. Foi muito estranho, este ano, viajar quatro horas de Oslo até Gotemburgo, através de terrenos lindíssimos, e mesmo assim não pôr um único pé na floresta. Mas por outro lado, todas as provas de Sprint este ano contaram com excelentes organizações e diverti-me imenso a competir sob o olhar das multidões.


Defender o título de Sprint nos Mundiais de Vuokatti”

Orientovar - Quais os principais objetivos para a próxima temporada?

Matthias Kyburz – O principal objetivo concentra-se em defender o título de Sprint nos Mundiais de Vuokatti. Mas acredito também que possa estar preparado para a minha primeira medalha numa disciplina de floresta... E também quero estar no pódio dos Jogos Mundiais da Colômbia.

Orientovar - Estamos quase em 2013. Quer deixar um voto aos orientistas do mundo inteiro?

Matthias Kyburz – Espero que todos os orientistas façam boas provas em 2013 e espero também poder vê-los nos dias 16 de Março em 14 de Agosto nas belas provas de Fricktal.


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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