segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

6º ORIJUNIOR: PUXADO MAS PRODUTIVO




Eram 22, à conta para duas equipas de Messis e Ronaldos. Podiam ter ficado quatro dias aos pontapés à bola. Em vez disso, rumaram a Coruche para responder aos desafios do 6º OriJúnior, que decorreu de 18 a 21 de Dezembro nos mapas do Açude da Agolada, Lamarosa, Erra e Vale de Água.

Em jeito de balanço, Pedro Nogueira, responsável com Nuno Leite pela planificação do estágio, admitiu que ele foi “exigente (por vezes em demasia), quer do ponto de vista físico quer do ponto de vista técnico, no entanto, bastante produtivo no que concerne ao seu objetivo principal, nomeadamente ao nível da leitura e interpretação do relevo”.

Foi, na verdade, um programa intenso, próximo do excessivo, mas motivador, como atestam as palavras de Gonçalo Pirrolas: “Se fosse para descansar tinha ficado em casa”. Ele, que registara o melhor tempo em três dos treinos anteriores, esteve entre a maioria que não conseguiu concluir o último, porque Nogueira teve a lucidez de poupar ao derradeiro 'loop' todos os jovens que controlaram o ponto central depois de uma certa hora.

Para a história deste OriJúnior ficam os nomes dos cinco bravos que completaram as quatro velas desse moinho. Por esta ordem: Carolina Delgado, Ricardo Esteves, Beatriz Moreira, Diogo Delgado e Ricardo Nunes. A Carolina e o Esteves já tinham vencido etapas anteriores, à frente de outros nomes que também deram nas vistas: Bernardo Pereira, Bruno Almeida, Inês Gonçalves, Nina Roothans ou Osvaldo Silva. Mas a vitória menos esperada sorriu, na final do “Pente”, a Isac Brito e José Dores, a provar que “os homens não se medem aos palmos”, como enfatizou Pedro Nogueira aludindo à estatura dos dois concorrentes.

Para quem está menos familiarizado com este tipo de treino, que alguns consideraram o seu favorito, segue a explicação. O exercício desenvolve-se tendo como ponto de referência um caminho, de orientação E-W por hipótese. Colocam-se uns tantos pontos do lado norte, e exatamente o mesmo número do lado sul. Os participantes distribuem-se em equipas de dois. Um elemento faz os pontos do lado norte (ímpares); outro, os do lado sul (pares). Com um único mapa. Assim: enquanto o elemento “A” vai controlar o ponto 1, algures para norte, o elemento “B” avança pelo caminho até uma baliza sem “box” e espera aí pelo elemento “A”, recebendo dele o mapa para ir controlar o ponto 2, algures para sul. É então a vez de o elemento “A” seguir pelo caminho até à 2ª baliza sem “box”, esperando aí pelo elemento “B”, e assim sucessivamente. Chegados ao último reencontro, retrocedem por ordem inversa. Como as saídas das equipas se fazem com um curto intervalo, acontece que alguns elementos são apanhados pelos perseguidores e juntam-se depois, nos pontos de espera, elementos de várias equipas, o que aumenta o despique.

Nos quatro dias do OriJúnior, foram visitados mais de cem pontos de controlo ao longo de duas ou três dezenas de quilómetros, sem incluir um 'footing' extra, por conta de algum mau comportamento, e os exercícios no pavilhão da escola Armando Lizardo, onde funcionou o Solo Duro.

Para treinar a simplificação, precisão, antecipação, direção, concentração, pressão e outros atributos não terminados em “ão”, como a estratégia e a escolha de itinerário, houve etapas de diferente índole: curvas de nível, janelas, linha, sprint, score, pente, control-picking, loops.

Verificaram-se duas ou três situações em que a vegetação rasteira (e agressiva) tornou a progressão bem mais lenta (e dolorosa) do que os mapas faziam prever. Num dos casos, foi mesmo preciso abrir um corredor balizado no meio das silvas. Mas a generalidade dos terrenos foi bastante agradável e o tempo ajudou – chão macio e não choveu.

A Patrícia Casalinho, que fechou o triângulo da organização, nunca deixou acabar os flocos, leite, pão, queijo, doce, fiambre e fruta para as três refeições intercalares, além do almoço e jantar, servidos na cantina da escola. E se esta gente come! A dona Manuela, cozinheira, conquistou a simpatia de todos. Pouco falador, o sr. Henrique, motorista do autocarro municipal, recebeu talvez menos elogios, mas foi sempre pontual, eficiente e afável.


Mais 100 metros e rebentava”

No final do estágio, pedi aos participantes que escrevessem umas linhas sobre a forma como viveram esta experiência. E avisei logo que ia destacar só uma frase de cada um, para evitar redundâncias ou banalidades. A palavra “puxado” foi a mais comum.

Ricardo Nunes: “Nem muito leve nem muito pesado, foi mesmo no ponto, mais 100 metros e rebentava.”

Inês Alves: “Gostei muito da união que existiu entre todos, não havia grupinhos dentro do grupo. O treino que mais me agradou foi o Pente.”

Manuel Lopes: “Sinto que cresci como atleta, tornando as minhas decisões e atitudes mais fluidas e claras.”

António Horta: “O primeiro dia não me correu muito bem, mas a condição física foi melhorando apesar do cansaço. Aprendi muito e espero voltar.”

Pedro Gonçalves: “Aprendi muito sobre curvas de nível, mas para mim foi muito puxado.”

João Pedro Casal: “Nunca tinha feito o treino dos donuts e gostei, tal como do line-in e in-line. E gostei de levantar pontos, porque não ia com a pressão dos treinos a sério.”

Hugo Velhinho: “O meu treino favorito foi o Score-O e aquele que efetuámos no pavilhão.”

Joana Marques: “Foram quatro dias muito produtivos, quer a nível técnico quer a nível físico.”

Gonçalo Dias: “Este meu primeiro OriJúnior foi das melhores coisas que fiz na área da Orientação. Sinto que melhorei significativamente e que houve também uma grande mudança de atitude.”

Inês Gonçalves: “Um dos OriJuniores mais cansativos e puxados que já fiz, mas ao mesmo tempo um dos que mais me ajudaram a evoluir, melhorando a capacidade de leitura do relevo, simplificação e antecipação.”

Bernardo Pereira: “Treinos inovadores e em elevada quantidade e qualidade. Voltamos para casa satisfeitos apesar do cansaço.”

Carolina Delgado: “Muito produtivo. Aprofundamos diferentes técnicas de orientação. Apesar de muito cansativo valeu a pena.”

José Dores: “Os mapas eram difíceis e exigiam concentração. Melhorei a forma física.”

Ricardo Esteves: “Evoluí tecnicamente e fiz novas amizades. Gostei de correr sob pressão no treino do Pente.”

Beatriz Moreira: “Foi bastante motivador. Os participantes foram ficando cansados mas não baixaram a dedicação e empenhamento.”

Diogo Delgado: “Apesar do cansaço, não baixei o nível de concentração. Melhorei a corrida e ganhei mais resistência.”

Nina Roothans: “Foi, especialmente em termos físicos, o OriJúnior mais puxado em que estive, mas ao mesmo tempo aquele onde aprendi mais.”

A Ana Andrade, o Isac, o Osvaldo e o Bruno devem ter-se esquecido. Fica para a próxima. O Tiago Leal, enquanto monitor, não teve direito a depoimento. Fartou-se de pôr pontos e ainda treinou, foi um exemplo de amor à modalidade.

Manuel Dias

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[Fotos gentilmente cedidas por Manuel Dias]

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