segunda-feira, 22 de outubro de 2012

I TROFÉU JOAQUIM SOUSA: NO LAVAR DOS CESTOS




No “lavar dos cestos” do I Troféu Joaquim Sousa, aqui fica um punhado de declarações de alguns dos intervenientes que marcaram esta festa, dos vencedores Tiago Aires e Maria João Sá, ao Presidente da Secção de Orientação dos Amigos da Montanha, Jorge Silva, Presidente dos Amigos da Montanha, Américo Alves e ao homenageado, naturalmente, Joaquim Sousa.


“Qualquer atleta, em qualquer desporto, certamente gostará de ver o seu nome associado a um evento e, desde a primeira hora, foi com particular emoção e orgulho que acolhi esta iniciativa dos Amigos da Montanha. No início fiquei sem saber muito bem como reagir. Apesar de por diversas vezes ter representado a seleção nacional, nunca corri pelos Amigos da Montanha e esta situação foi para mim um pouco estranha. Se fosse o meu clube ou a Federação a lançar a iniciativa, seria diferente. Neste caso, senti alegria e orgulho, naturalmente, mas senti-me também um pouco constrangido, visto a única coisa que tenho em comum com os Amigos da Montanha é o facto de estarmos ligados a uma mesma modalidade e a um mesmo concelho, que é Barcelos.

Atendendo aos índices de participação em provas da Taça de Portugal – Nível 2, penso que todas as pessoas estão cá pelo prazer da Orientação, claro, mas uma parte delas, talvez a maior parte, esteja cá por consideração a mim. Quero agradecer a todos os presentes e a minha mágoa é não ter posses monetárias para poder retribuir com uma festa à medida do que todos eles merecem. Podem não nos querer na seleção, podem falar mal de nós, mas é gratificante ver que ainda tenho muitos amigos na Orientação, amigos que vieram de muito longe por considerarem ser esta uma homenagem merecida.

Moralizado ando eu. Poucos são os atletas que treinam e sofrem todos os dias, sabendo que vão a uma prova para ficarem em quarto ou em quinto lugar. O meu objetivo é contribuir para o clube e é por isso que me mantenho no escalão de Elite. Desde que tenha um treinador que me apoie, um clube que me apoie e uns amigos que me apoiem, a minha moral estará sempre em alta.”

Joaquim Sousa
Atleta, Clube de Orientação do Centro


O espaço surpreendeu-me pela qualidade do terreno. Infelizmente nesta zona do País os terrenos são geralmente caracterizados por muita vegetação densa, por muitos eucaliptos, por zonas desagradáveis para fazer Orientação. Quando nos dirigimos para aqui parecia que era isso que nos esperava e, afinal, o terreno revelou-se muito agradável. Mais uma vez – e aqui vem o meu lado crítico -, esta acaba por ser uma oportunidade perdida já que, com um bom traçado e uma boa cartografia, sem dúvida que poderia estar aqui uma ferramenta para o futuro. E não está. O terreno tem muitas particularidades ao nível da vegetação, das rochas, do desnível e essas particularidades não estão suficientemente bem detalhadas.

Como responsável pela formação dos Traçadores de Percursos, custa-me perceber que os anos vão passando e os problemas, os erros, continuam a ser exatamente os mesmos de há três ou quatro anos atrás. Por muito que nós achemos que estamos a fazer um trabalho espetacular, assim é difícil evoluir. Enquanto os mapas, mas fundamentalmente o traçado – porque o traçado é que vai dar a imagem da prova, porque o traçado é que decide onde vamos passar -, não cumprirem com aquilo que são os regulamentos internacionais, não vale a pena termos grandes ambições. Para quem, como eu, quer que as regras sejam cumpridas, esta prova não cumpriu. Mas não é só esta prova. São oitenta por cento das provas em Portugal que não cumprem. Alguma coisa tem de ser feita e pelos vistos não é.


Seria um pouco hipócrita da minha parte dizer que estou cá apenas por causa do Joaquim Sousa. Tendo em conta a realidade atual, infelizmente, se estivesse no Alentejo provavelmente não teria vindo, há que ser honesto. Mas estando a trabalhar mais perto, não quis perder a oportunidade de vir aqui e de matar saudades dos amigos. Penso que sendo um clube da terra dele e sendo o Sousa a personagem que nós conhecemos, esta homenagem acaba por fazer sentido. Talvez não se justificasse tão cedo, dá até um ar um bocado mórbido à história, mas sem dúvida que a iniciativa faz sentido tendo em conta o passado do atleta.

É sempre bom ver um clube com uma capacidade e uma dinâmica destas, ao conseguirem montar boas infraestruturas, num bom ambiente de arena, partidas e chegadas com speaker sempre presente. Mas se a este nível os Amigos da Montanha estiveram bastante bem, sobre a entrega de prémios ainda estiveram melhor. Conseguiram criar uma Cerimónia digna num espaço fantástico, com prémios de qualidade, o que fez com que o Auditório estivesse cheio. Os clubes deveriam de ver esta entrega de prémios como um exemplo.

Tiago Aires
Atleta, Clube de Orientação da Gafanhoeira – Arraiolos
Vencedor do I Troféu Joaquim Sousa (Homens Elite)


Foi muito bom participar nesta prova. Vim cá propositadamente por se tratar do Troféu Joaquim Sousa. Realmente é muito bom termos este tipo de homenagens a um atleta que já deu tanto à modalidade e que o continua a fazer há tantos anos, muitas das vezes sem receber o devido reconhecimento. Portanto, é com muito agrado que aqui estou.

Fiquei contente com a prova de Sprint. De manhã, não muito, mas aí o terreno não ajudou. Mas foi bom de tarde, comparando com o que encontrámos de manhã, onde havia muita vegetação e a progressão tornava-se muito difícil. Não estava à espera de encontrar um terreno tão sujo e houve partes do mapa que, na minha opinião, não precisavam de ser utilizadas, o que tornaria os percursos um bocadinho mais curtos. De tarde penso que já houve mais atenção, embora voltasse a haver alguns erros no traçado de percursos, alguns pontos que nos obrigavam a descer tudo lá abaixo para voltar a subir, o que se calhar era de evitar. Mas foi muito bom, gostei.

Maria João Sá
Atleta, Grupo Desportivo dos Quatro Caminhos
Vencedora do I Troféu Joaquim Sousa (Damas Elite)


Quando nos propusemos aproveitar, a organização de uma prova do calendário da Taça de Portugal de Orientação para homenagear um grande vulto da Orientação nacional e nosso conterrâneo, o objectivo principal era fazer uma grande promoção da Orientação no concelho de Barcelos. A vida das pessoas, sobretudo se associadas ao sucesso, atrai atenções. Com esta justa homenagem, quisemos mostrar aos nossos conterrâneos que nesta modalidade, para além do lazer, também se faz competição a sério e que existe um grande campeão em Barcelos.

A adesão de diversas entidades locais e empresas a este evento mostra que a aposta foi ganha. A participação na prova superou em muito as nossas expectativas. Tínhamos definido como objectivo conseguir a presença de 200 atletas. A presença de quase o dobro foi um grande sucesso. Para além da quantidade, foi também a qualidade dos participantes que mostrou o grande interesse que a prova despertou na comunidade orientista.

Em termos competitivos, a opinião foi muito positiva, quer em relação aos terrenos quer em relação aos mapas. O aspecto mais referido como não tendo agradado aos atletas foi a dificuldade física, que deveria ter sido mais considerada, tornando os percursos mais adequados para uma Distância Média. Para além do balanço muito positivo que fazemos desta prova, esperamos que a promoção e a visibilidade do Sousa em Barcelos resulte numa mais-valia para a modalidade.

Jorge Silva
Presidente da Secção de Orientação da Associação Amigos da Montanha


A Orientação nos Amigos da Montanha tem crescido aos poucos. Aproveitámos a atribuição desta prova aos Amigos da Montanha para mostrarmos esse crescimento e apresentarmos um evento de qualidade. Ao mesmo tempo, quisémos reconhecer o mérito dum grande atleta e foi esta a forma que encontrámos para agradecer ao Joaquim Sousa o muito que ele tem feito não só pela Orientação como pelo desporto em Barcelos.

Pretendemos fomentar a modalidade, ir ao encontro da população escolar, mas também dos nossos sócios, das famílias. Vamos tentando, com as condições que temos e que são possíveis, fazer com que a Orientação em Barcelos, à semelhança do que acontece com outras modalidades, possa vir a ser reconhecida pela nossa população.

O Troféu Joaquim Sousa é para continuar. Seja qual for a atividade ou o evento, o nosso intuito nunca é agarrá-lo e deixá-lo logo a seguir. Tentar evoluir e corrigir os erros daquilo que vamos fazendo é o nosso objetivo. Sabemos que, em termos de Orientação, os nossos mapas, os nossos terrenos, não são os mais indicados para algumas pessoas e nem vão ao encontro dos gostos da generalidade dos atletas, mas temos de agarrar aquilo que temos, criar outros meios e outras formas de atrair as pessoas, para que elas continuem a voltar cá. É isso que vamos continuar a fazer.

Américo Alves
Presidente da Associação Amigos da Montanha


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

2 comentários:

Dani disse...

O Sousa é "o maior da nossa aldeia".
Ganda Abraço

José Grada disse...

Houve muita simpatia por parte da Organização.
Houve uma justa homenagem a um filho da terra, uma pessoa muito querida e admirada por todos os orientistas e que trouxe muitos atletas `a prova.

A Organização esforçou-se e quanto a mim foi positiva, O local da arena era bonito prestava-se para esse fim, mas o terreno era muito acidentado
com a agravante do piso ser muito sujo.

Não terá havido por parte dos responsáveis a preocupação em defender a integridade dos mais frágeis;dos mais veteranos e das crianças na traçado dos seus percursos.