domingo, 30 de setembro de 2012

XX CAMPEONATO IBÉRICO DE ORIENTAÇÃO PEDESTRE: TÍTULOS PARA PEDRO NOGUEIRA E SUSANA ALVES




Dezasseis títulos individuais para Portugal contra três dos espanhóis e uma expressiva vitória coletiva para as nossas cores. Eis o resultado dos dois dias de provas que, este fim de semana, encerraram a 20ª edição do Campeonato Ibérico de Orientação Pedestre. Individualmente, Pedro Nogueira e Susana Alves foram os grandes vencedores na categoria Elite.


Os concelhos da Figueira da Foz e de Montemor-o-Velho receberam este fim de semana a 2ª fase do XX Campeonato Ibérico de Orientação Pedestre. Organizado pela Secção de Orientação do Ginásio Clube Figueirense e integrado no I Troféu Quiaios Hotel, o evento contou com a participação de 646 atletas, distribuídos por 32 escalões de competição (dos quais apenas vinte válidos para o Campeonato Ibérico) e quatro escalões abertos.

Do programa fizeram parte as três distâncias clássicas, com as provas a distribuírem-se pelos mapas da Lagoa da Vela Sul – Bom Sucesso (Distância Média), Montemor-o-Velho -Vila (Sprint) e Praia de Quiaios (Distância Longa). António Neto assinou o traçado de percursos sobre o trabalho de cartografia de Rui Antunes, num evento que contou com Direção de Rui Mora e Supervisão de Rui Morais.


Ilustres ausentes

O primeiro dia de provas teve início com uma Distância Média, numa zona de floresta particularmente apreciada pela sua beleza e pelos desafios que o micro-relevo e a vegetação sempre colocam. Não demasiado exigente do ponto de vista físico, a prova viria a ser ganha por Diogo Miguel (Ori-Estarreja) no escalão de Elite Masculina, impondo-se por margens inferiores a um minuto aos seus mais diretos adversários, Miguel Silva (CPOC), Pedro Nogueira (ADFA) e Tiago Gingão Leal (GafanhOri), que terminaram por esta ordem. O primeiro atleta espanhol a concluir o seu percurso foi Raúl Ferra Murcia (Lorca-O), no 16º lugar (!), a 7:29 do vencedor.

No setor feminino, Andreia Silva (COC) foi uma vencedora incontestada, deixando Susana Alves (GD4C), a segunda classificada, quase a sete minutos de diferença. Entre as onze atletas que lograram terminar o seu percurso, destaque pela negativa para a ausência de representantes do país vizinho, deixando desde logo o caminho livre às atletas portuguesas para dirimirem entre si a luta pelo título ibérico neste escalão. Mas se a ausência das espanholas retirou qualidade e competitividade a um escalão que teria beneficiado com a sua presença – Ona Ráfols, Anna Serralonga Arqués, Carla Guillén ou Annabel Valledor são, reconhecidamente, atletas de enorme valor -, ofereceu praticamente de bandeja o título coletivo a Portugal.


O “mp” de Tiago Aires

Prova concluída, estômagos retemperados e eis a tribo da Orientação a mudar-se de armas e bagagens para Montemor-oVelho onde, a meio da tarde, decorreu o Sprint. A prova teve lugar à sombra do secular castelo, num mapa que se viria a revelar curto em termos de opções, sobrando-lhe em exigência física o que faltou em matéria de apuro técnico.

Com o título ibérico “na calha” - sobretudo após a vitória na fase espanhola da competição -, Tiago Aires (GafanhOri) acabou por ser o grande protagonista da jornada, graças a um “mp” que deitou por terra as suas mais legítimas aspirações (recorde-se que o Regulamento é claro neste ponto, sendo declarado Campeão Ibérico o atleta que fizer o melhor resultado “obtido pela soma dos tempos dos seis percursos das duas etapas”). Com o tempo de 20:02, Miguel Silva viria a ser o mais rápido, ante o Campeão Nacional de Sprint em título, Tiago Gingão Leal. No setor feminino, Raquel Costa (GafanhOri) e Andreia Silva travaram intensa luta, tendo a vitória sorrido à primeira com o tempo de vinte e quatro minutos exactos, contra 24:32 da sua adversária. Nesta altura do Campeonato, já Portugal anulara os 125 pontos que trazia de desvantagem de Espanha e caminhava rumo a um título que não lhe iria escapar. Individualmente, Pedro Nogueira e Susana Alves partiam para a última prova com doze minutos à maior sobre o espanhol Raúl Ferra Murcia e Liliana Oliveira (CPOC), respetivamente, vantagem que se poderia considerar, no mínimo, confortável.


A etapa da consagração

A terceira etapa, disputada na manhã de hoje, viria a ser de consagração para ambos os atletas, levando de vencida os seus adversários diretos e conquistando o título ibérico. Raúl Ferra Múrcia e Liliana Oliveira concluíram no segundo lugar, enquanto a terceira posição do pódio apenas foi ocupada no setor masculino – por Paulo Franco (COC) -, já que no setor feminino só as duas atletas mencionadas lograram concluir as seis etapas do Ibérico sem quaisquer penalizações.

Quanto aos restantes escalões, merece uma referência o escalão H20 e a sensacional recuperação protagonizada por Luís Silva (ADFA) ante o Campeão do Mundo de Distância Longa de Desporto Escolar 2009, Eduardo Gil Marcos (Tjalve-O), anulando os mais de cinco minutos e meio de desvantagem à entrada para a derradeira prova. No escalão H35, Alberto Branco (CP Armada) também conseguiu virar o resultado a seu favor nesta derradeira prova, ante o espanhol Alberto Minguez Viñambres, o mesmo acontecendo com Luís Sousa (Clube TAP) ante Vítor Rodrigues (CPOC) e com Mar Garcia Pérez (Rumbo Madrid) face a Assunção Almeida (GafanhOri), nos escalões H55 e D50, respetivamente. Por último, fica a curiosidade de Joaquim Sousa (COC), no escalão H40, ter sido o Campeão Ibérico mais folgado, deixando Rui Botão (CPOC), segundo classificado no conjunto das seis provas, a 1:18:15 de diferença. Coletivamente, Portugal somou 1613 pontos, contra 1429 de Espanha, arrebatando o título.


Uma prova, um campeão!”

Auscultado pelo Orientovar no rescaldo do XX Campeonato Ibérico de Orientação Pedestre, Pedro Nogueira confessou que “todos os títulos têm algo de especial em si”, deixando subentendido que este não será diferente. O novo Campeão Ibérico discorda, porém, da forma como são encontrados os vencedores: “Este é um formato que não premeia a competitividade, premeia mais a regularidade. Talvez o Tiago [Aires] fosse o atleta em melhor posição para conquistar este título”.

Lançando o olhar sobre o Ibérico, no seu todo, Nogueira recorda que “quando corri em Espanha, tinha um compromisso com o meu clube de Atletismo na semana seguinte e fiz apenas as provas para cumprir, sem qualquer intuito de vir a ser campeão. Aqui foi acabar as provas e tive a sorte do Tiago ter tido aquele azar.” E a terminar, uma observação que encerra, em si mesma, um lamento: “Uma prova, um campeão! É assim que se fazem os Campeonatos, não neste formato. Espero que se repense rapidamente este formato e que as seleções possam regressar. Há uma enorme magia em vestir o equipamento da seleção e esta era uma das poucas oportunidades que, enquanto portugueses, tinhamos. Neste momento acabaram com esta situação, restando-nos a possibilidade de envergar a camisola no Campeonato do Mundo. Mais nada!”


Estou surpreendida, não sabia...”

Susana Alves soube do título ibérico pelo Orientovar. À surpresa seguiu-se a emoção: “Estou surpreendida, não sabia... É sempre bom estar na Elite e receber um título. Mas temos de contar com o facto de não estar cá nenhuma atleta espanhola e também de algumas portuguesas terem sido desclassificadas em Espanha.” No conjunto das seis provas, Susana Alves destaca “as Distâncias Longas, tanto em Espanha como cá. Foram muito duras e conseguir acabá-las foi mesmo muito bom.”

Quanto ao formato atual do Ibérico, Susana Alves partilha, em certa medida, da opinião de Pedro Nogueira: “Não concordo com o formato atual, embora discordasse igualmente do formato anterior, com as seleções. Acho que não se deve restringir a uns quantos atletas a possibilidade de chegar aos títulos. Mas também ser obrigado a cumprir todas as etapas, acaba por ser complicado. Um Ibérico que contou só com portuguesas não faz sentido algum.” Assim, um modelo misto seria o ideal passando pelo “estabelecimento de quotas para cada seleção, obrigando-as a apresentar um número mínimo de atletas em cada escalão.” E, a finalizar, a dedicatória do título a uma pessoa muito especial: “Sem dúvida, ao António Marcolino, meu treinador e grande amigo!”


Títulos Ibéricos 2012

H/D16 – João Bernardino (COC) e Beatriz Moreira (CPOC)
H/D18 – Jesús Rodriguez Corrochano (Toledo-O) e Carolina Delgado (GD4C)
H/D20 – Luís Silva (ADFA) e Vera Alvarez (CPOC)
H/DElite – Pedro Nogueira (ADFA) e Susana Alves (GD4C)
H/D35 – Alberto Branco (CP Armada) e Anna Amigó Bertran (COC Barcelona)
H/D40 – Joaquim Sousa (COC) e Anabela Vieito (COC)
H/D45 – Armando Sousa (ADFA) e Alice Silva (GDU Azoia)
H/D50 – Albano João (COC) e Mar Garcia Peréz (Rumbo Madrid)
H/D55 – Luís Sousa (Clube TAP) e Cathy Dawson (GafanhOri)
H60 – Manuel Dias (GafanhOri)



Reportagem fotográfica alargada do XX Campeonato Ibérico de Orientação Pedestre:

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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