sexta-feira, 24 de agosto de 2012

WMTBOC 2012: DANIEL MARQUES E AS CONTAS DOS MUNDIAIS




Os Campeonatos do Mundo de Orientação em BTT entram na reta final, hoje com a disputa da prova de Estafetas e amanhã com a tão aguardada final de Distância Longa. No rescaldo dum dia histórico para a Orientação portuguesa, o responsável pela comitiva portuguesa, Daniel Marques, traça um balanço daquilo que ficou para trás e perspectiva as duas grandes finais que encerrarão a competição.


Em relação à prova de Sprint, podemos dizer não começámos bem. Num mapa muito técnico de difícil progressão e com condições climatéricas exigentes, os nossos atletas estiveram abaixo das expectativas iniciais. Cometerem-se vários tipos de erros. A começar pelos "missing points", eu que num azimute mal tirado fui controlar um CP numa reentrância 50 metros ao lado, o Carlos Simões que saltou um CP e o Miguel Pires que na parte final não conseguiu também evitar um erro de orientação e consequente desqualificação por errar um CP. As coisas são como são e se eu, por um lado, alertei para a vital importância de confirmar os códigos dos CPs, eu próprio não o fiz. Enfim, na intensidade da competição há coisas inexplicáveis... O Luis Barreiro teve uma estreia razoável, mas ficou com a sensação que poderia ter feito melhor (a primeira metade da tabela seria o grande objectivo). Penso que ainda tem uma boa margem de progressão. É continuar a trabalhar para o futuro. O João Ferreira teve dois erros [navegação (7) e opção (4)] que o afastaram do primeiro terço da tabela classificativa, o seu grande objectivo. O Davide Machado falhou em duas escolhas de opção (4) e (9) e teve também três erros de navegação (7), (11) e (12), o que a este nível é fatal. A frustração ficou patente, dado que o top-10 era alcançável.No sector feminino sentiu-se muito a falta de experiência em terrenos desta natureza. Fazer Orientação com bicicleta sem caminhos é algo que as nossas atletas não estão habituadas.

Passando à prova de Distância Média, houve melhorias em relação ao Sprint, no entanto verificaram-se erros na escolha da opção. Eu fui o primeiro a entrar na floresta, fiz uma prova muito regular mas muito condicionada pela deficiente capacidade física. Uma queda aparatosa demonstra a minha dificuldade em andar de bicicleta. Nas Damas Elite a Rita Madaleno foi a nossa melhor classificada, mas ainda assim longe da prestação ideal, a Margarida Guerra repetiu o 63º lugar do Sprint e a Tania Costa Covas quedou-se pela 66º posição. O Miguel Pires teve uma prestação irregular mas saiu motivado com o 49º lugar. Nos Homens Elite, o João Ferreira e o Carlos Simões não ficaram satisfeitos com as suas prestações, faltou concentração em alguns momentos, sinal que poderiam ter feito bem melhor. Em relação ao Davide Machado foi emocionante acompanhar a sua prova em GPS directo. Um erro de opção para o CP11 (que curiosamente eu também cometi dado que o traço magenta de ligação sobrepunha metade do caminho) fez com que perdesse um minuto, depois a pedalar junto com o atleta francês Yoann Garde os níveis de concentração baixaram e um erro de navegação para o CP17 representou mais trinta segundos, e já no final para o CP18 e para o CP20 teve mais trinta segundos de erro (opções). Ou seja, uma prova limpa daria a segunda posição.

Seguem-se agora as Estafetas. Em relação aos Homens Elite o nosso principal objectivo é melhorar o 9º lugar alcançado em 2010 (Montalegre). São 22 países e é uma missão difícil. A equipa vai ser constituída por João Ferreira (1º percurso), Carlos Simões (2º percurso) e Davide Machado (3º percurso). Vamos ver se o João Ferreira consegue um bom arranque para depois o Carlos Simões segurar a posição, podendo o Davide Machado ganhar algumas posições no fôlego final. As Damas Elite têm 17 nações a participar. A Tânia Costa Covas irá começar de início, sendo que a Margarida Guerra segue em segundo e a Rita Madaleno fecha a equipa. Um bom lugar seria o 14º posto, mas para isso temos que conseguir superar países com o Japão, Estados Unidos e Grã-Bretanha. Temos duas atletas estreantes por isso não há expectativas elevadas, a ideia é fazer o melhor possível.

Os Campeonatos irão terminar com a final de Distância Longa, no dia de amanhã. Vai ser uma prova com grande exigência técnica e física. Ficaria contente se o Miguel Pires e a Rita Madaleno conseguissem um lugar na primeira metade da tabela classificativa. O João Ferreira tem como grande o objectivo o 33º lugar, posição no primeiro terço da tabela classificativa que lhe daria um estatuto de alta competição nível B. Para o Davide Machado há muita ilusão, melhor que o 8º lugar é o meu desejo. A Distância Longa é o formato de prova em que ele se sente mais à vontade. Vamos todos apoiá-lo para que ele consiga fazer o melhor resultado possível. O mapa vai ser similar ao que os nossos atletas encontraram na qualificatória, onde o Davide fez o 3º lugar na sua manga. É um bom presságio!

Daniel Marques


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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