segunda-feira, 27 de agosto de 2012

WMTBOC 2012: CONSIDERAÇÕES FINAIS




Ponto final nos Campeonatos do Mundo de Orientação em BTT. Em tempo de balanço, o Orientovar recorda os momentos altos do certame e elege aquelas que foram, no seu entender, as grandes figuras do evento.


Os Campeonatos do Mundo de Orientação em BTT 2012 chegaram ao fim. Distribuindo-se pelas categorias de Elite, Juniores e Veteranos, o evento contou com a participação de quatro centenas e meia de atletas de 32 países, com essa nota de destaque para a China Formosa, Turquia e Roménia que, pela primeira vez, tomaram assento no maior evento internacional de Orientação em BTT.

Centrado em Veszprém, na Hungria, os Mundiais viram o programa distribuir-se ao longo de seis dias, com as finais de Sprint, Distância Média, Distância Longa e de Estafetas a constituirem os pontos altos do certame. Ao todo foram atribuídos 33 títulos mundiais individuais e 8 títulos mundiais de estafetas, cabendo à República Checa o maior número de medalhas, nada mais nada menos que onze, embora com a particularidade de oito delas terem sido alcançadas na categoria de Veteranos. Finlândia com 7 medalhas – quatro das quais na categoria de Elite e duas na categoria de Juniores –, Áustria e Dinamarca com quatro títulos mundiais cada, foram as seleções que se seguiram no medalheiro dos Campeonatos.


As finais, uma a uma

As finais de Sprint e de Distância Média preencheram a primeira metade do programa dos Campeonatos do Mundo. Na prova de Sprint, assistiu-se a um intenso duelo entre o austríaco Tobias Breitschädel e o checo Marek Pospisek. Triunfo do austríaco por escassos dois segundos, naquela que constituiu, até ao momento, a mais apertada vitória numa final de Sprint em Campeonatos do Mundo. No setor feminino, a helvética Christine Schaffner conquistou a sua primeira medalha de ouro nesta disciplina, batendo a britânica Emily Benham pela margem estreita de 22 segundos. Quanto à final de Distância Média, trouxe-nos um Samuli Saarela (Finlândia) ao seu melhor nível, com uma grande vitória ante o seu maior rival, o russo Anton Foliforov, como que a provar o porquê de ser ele o líder do ranking mundial. Nas senhoras, a helvética Ursina Jäggi terá preconizado, quiçá, a maior surpresa dos Campeonatos, ao levar de vencida toda a concorrência, oferecendo à Suiça o seu primeiro título mundial feminino de Distância Média.

As Estafetas abriram a segunda metade do programa competitivo, com uma “dobradinha” da Finlândia. Mais folgada no caso das senhoras, ante uma Suiça que ostentava à partida o título de Campeã do Mundo, mais apertada no caso dos homens, com Jussi Laurila a aguentar a forte pressão do russo Anton Foliforov e a oferecer ao seu país a quarta vitória em dez edições da prova. Considerada a “prova rainha” dos Campeonatos, a final de Distância Longa encerrou da melhor forma o programa, com Ruslan Gritsan a saborear o ouro, quatro anos depois do título mundial alcançado em Ostróda, em 2008. Gritsan que se impôs ao finlandês Juho Saarinen pela diferença de 16 segundos, naquela que constitui, igualmente a mais estreita margem em finais de Distância Longa da história dos Campeonatos. Quanto ao setor feminino, Susanna Laurila voltou a saborear o ouro, desta vez a título individual, impondo-se a Ksenia Chernikh por uma vantagem de 23 segundos.


Finlândia, a grande triunfadora

Olhando para o quadro de resultados nos Mundiais de Elite, difícil se torna escolher a figura dos Campeonatos. Os seis títulos individuais foram parar ao peito de seis atletas diferentes, com destaque para o austríaco Tobias Breitschädel, a helvética Ursina Jäggi e a finlandesa Susanna Laurila, trazendo uma nota de enorme frescura e a garantia de estar bem assegurado o futuro da modalidade nos respetivos países. A helvética Christine Schaffner, o finlandês Samuli Saarela e o russo Ruslan Gritsan são os restantes campeões mundiais de 2012, naquilo que constitui a confirmação inequívoca das suas enormes qualidades e capacidades, bem patente nos 17 títulos mundiais que os três, em conjunto, ostentam.

Já no capítulo coletivo, a Finlândia é a grande triunfadora. Aos títulos de Samuli Saarela e de Susanna Laurila, juntam-se os triunfos nas Estafetas masculina e feminina, fazendo com que o seleccionado finlandês arrecadasse, só à sua conta, metade dos títulos mundiais de Elite em disputa. Segue-se a Suiça, graças às vitórias das já referidas Christine Schaffner e Ursina Jäggi, com o medalheiro a incluir sete outros países.


Uns melhor que outros

Analisando as prestações de cada um dos países aqui presentes, impossível se torna não falar de Portugal. O seleccionado lusitano conseguiu estabelecer os seus melhores resultados de sempre na Distância Média (Davide Machado, 11º lugar) e nas Estafetas (8ª posição), igualando ainda, por intermédio de Davide Machado, o melhor lugar de sempre na Distância Longa (5º), pelo que é um dos países ganhadores destes mundiais. Entretanto a Áustria não foi só a medalha de ouro de Tobias Breitschädel na final de Sprint. Também o 3º lugar da Estafeta Masculina constituiu igualmente um momento alto do seleccionado austríaco. Uma palavra também para a Grã-Bretanha e, em particular, para Emily Benham, uma jovem com tanto de espontaneidade e simpatia como de garra e coragem, ela que com o segundo lugar alcançado na final de Sprint ofereceu à Grã-Bretanha a sua primeira medalha em Campeonatos do Mundo de Orientação em BTT. Bulgária e Suécia conseguiram igualmente um par de belos resultados, com Stanimir Belomazhev a chegar à 15ª posição na final de Sprint e Cecilia Thomasson a ser a 12ª classificada na prova de Distância Longa. Ainda uma referência para a equipa da casa, a Hungria, com Anna Füzy longe dos resultados de outros tempos, mas a mostrar um László Rózsa capaz de vir a fazer grandes coisas no futuro, ele que estabeleceu, nestes Mundiais, os melhores resultados de sempre do seu país nas provas de Sprint (26º) e Distância longa (42º).

Pelo contrário, países como a Austrália ou a Dinamarca não deixam de constituir uma surpresa pela negativa. Longe vai o tempo em que Belinda Allison, Emily Viner e Adrian Jackson colocavam a Austrália no topo dos países mais medalhados dos Mundiais. Individualmente, o 20º lugar de Melanie Simpson na final de Distância Longa foi o melhor resultado do seleccionado australiano, mas atenção à sua Estafeta Masculina que arrancou um surpreendente 9º lugar. Quanto à Dinamarca, sem os seus chefes-de-fila Erik Skovgaard Knudsen e Rikke Kornvig, deixa de ser uma seleção temida por todos. E não fora a medalha de bronze de Nina Hoffmann na prova de Distância Média e a Dinamarca passaria praticamente ao lado destes Mundiais. O 5º lugar de Gaëlle Barlet na final de Sprint, o mesmo resultado de Laura Scaravonati na Distância Média e, em certa medida, a medalha de bronze de Anna Kaminska também na final de Sprint, não conseguem esconder um conjunto de resultados abaixo das expectativas tanto para a França como para a Itália e para a Polónia. Uma nota ainda para a República Checa, possuidora dos melhores terrenos para a Orientação em BTT a nível mundial, com uma escola que não cessa de dar à modalidade alguns dos seus mais promissores valores, com técnicos e cartógrafos de altíssimo nível mas que continua, vá-se lá a saber porquê, se conseguir chegar aos títulos mundiais de Elite, em dez anos que leva destas andanças.


E ainda...

Roménia, Turquia e China Formosa tiveram nestes Mundiais de 2012 a sua estreia, com turcos e chineses claramente à margem da alta roda da Orientação em BTT, mas com o seleccionado da Roménia a mostrar aqui alguma qualidade e a conseguir dois resultados interessantes, por Tamás Bogya, no Sprint (51º) e por Zóltan Tóth, na Distância Média (50º). Finalmente uma palavra para dois países que não são presença habitual nestas andanças mundialistas. Após seis anos de interregno, os Estados Unidos apresentaram em competição uma equipa feminina de três atletas, aguerridas é certo mas sem alcançarem resultados relevantes. Quanto ao Brasil, trouxe a estes Campeonatos um atleta masculino e um feminino, com Barbara Bomfim a conseguir um interesante 51º lugar na prova de Distância Média.

Falta apenas falar da organização destes Campeonatos. Daquilo que fomos escutando e percebendo, a nota a dar a esta organização dos Campeonatos do Mundo de Orientação em BTT 2012 é francamente positiva. Bons mapas e percursos, uma boa logística, acompanhamento das equipas irrepreensível e muita simpatia e atenção, colocam estes Campeonatos num lugar de referência ao nível do que de melhor se tem feito na Orientação em BTT. Em termos de comunicação e média, a fasquia nunca esteve tão elevada e foi possível, “em direto”, acompanhar a par e passo o desenrolar dos acontecimentos. Faltaram, sem dúvida, os dossiers de imprensa – a webpage do evento ficou esquecida e a última entrada data ainda de 20 de Agosto (!) -, mas isso são já contas perdidas dum rosário de enorme qualidade. Importa ainda referir que estes Mundiais vieram confirmar, para muitos, que a prova de Sprint está a mais no Calendário dos Campeonatos e que a nova regra que permite rolar mesmo fora dos caminhos está aprovada. Mais e melhor leitura de mapa, mais orientação e, sobretudo, maior verdade desportiva são trunfos duma decisão particularmente acertada.


Virar de página

Agora é tempo de virar a página, avançando já com o nosso olhar para o norte da Estónia e para a cidade de Rakvere, junto ao Golfo da Finlândia. É lá que, de 26 a 31 de Agosto, se irão realizar os XI Campeonatos do Mundo de Orientação em BTT e os VI Campeonatos do Mundo de Júniores de Orientação em BTT. Algumas informações estão já disponíveis na página da prova, em http://www.orienteerumine.ee/mtbo2013/, e o Buletim nº 1 pode ser visto AQUI. Quanto aos IV Campeonatos do Mundo de Veteranos de Orientação em BTT, esses só mais tarde, presumivelmente de 10 a 13 de Outubro, em... Portugal!


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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