quinta-feira, 14 de junho de 2012

WTOC 2012 CAMPEONATO DO MUNDO DE ORIENTAÇÃO DE PRECISÃO: DIÁRIO (IV)




Junho, 07. Model Event, a grande oportunidade para levantar o moral, depois do pouco animador resultado no Troféu Mundial de TempO.


1. Model Event, a grande oportunidade para levantar o moral, depois do pouco animador resultado no Troféu Mundial de TempO. “Ibéria unida, na fortuna e na desgraça”, diria o meu amigo Roberto Munilla e não poderia estar mais de acordo com ele. Mas antes, a viagem até ao muito procurado Parque de Merendas de Kinshaldy, num pouco simpático dia cinzentão mas sem chuva. Por enquanto!

2. O Roberto seguirá de carro diretamente para a prova e o lugar vago é ocupado por Lyn West. Senta-se à frente na viatura, entre o condutor e um jovem japonês. Salto do lugar, desalojo o japonês e instalo-me ao lado da Presidente da Federação Britânica de Orientação. Essa nossa conversa até Tentsmuir ficará registada no meu gravador. Para mais tarde transcrever… e partilhar!

3. Vamos lá então ao Model Event. Vento e mar por pano de fundo. O percurso tem 10 pontos, complementado por dois pontos cronometrados. Desde logo, confirmo aquilo que o Roberto já me tinha dito. Por muito boas que sejam para a Orientação Pedestre, estas nossas bússolas não são adequadas para a Orientação de Precisão. Fazem-lhes falta a régua graduada ao milímetro. Mais tarde perceberei que uma boa base para assentar no mapa também é importante, bem como a extensão da régua. Quanto maiores, mais aferidas são as “miras” que a partir delas se tiram. E pensar numa lupa como a do Ivo Tilsjar talvez também não seja má ideia!

4. Acompanho o Ricardo, auxilio-o na progressão. Onde ele pára, eu paro também. Ajudo-o a deslocar-se para um lado e para outro para melhor conferir as suas tomadas de decisão. No entretanto, vou estudando o meu próprio mapa e fazendo algumas fotos dos pontos e de um ou outro concorrente. No final de cada ponto, comparamos as respostas. Explico-lhe o como das minhas certezas, exponho-lhe o porquê das minhas dúvidas. Estamos em desacordo num bom par delas. Dou de barato que falhei no ponto três por deficiente leitura da sinalética. E ele terá decidido bem? No final saberemos quem tem razão.

5. Estamos os três – o Roberto, o Ricardo e eu – sentados à "mesa das sentenças". Contas feitas, acertei quatro questões, o Roberto seis e o Ricardo oito. Curiosamente, acertámos todos nos pontos cronometrados e com tempos muito interessantes. O Roberto diz que sou um “forjador de diamantes”, visando o Ricardo e manifestando-lhe a sua admiração por ter conhecido a modalidade apenas há três meses atrás. Oito em doze, quem diria? Grande Ricardo. Valeu-se dos conhecimentos, de alguma intuição e, sobretudo, não complicou. Estou muito orgulhoso dele, estou muito feliz por ele. Tenho a expectativa que amanhã, já a doer, a surpresa será maior ainda!

6. A tarde é aproveitada para conhecer um pouco da região. Seguimos de carro diretamente até St. Andrews, em cuja Universidade, com quase 600 anos de existência, se graduaram o Príncipe William e a sua esposa, Kate Middleton. Independentemente deste fenómeno de popularidade, a Universidade de St. Andrews está entre as vinte melhores do mundo em Artes e Humanidades. Além da excelente qualidade de pesquisa e ensino, possui um ambiente académico extremamente estimulante e tem professores – muitos deles verdadeiras referências mundiais – que interagem e participam ativamente com os alunos.

7. Um passeio pelo centro de St. Andrews leva-nos ao encontro duma cidade que se move num eixo entre duas avenidas cuja largura suaviza a austeridade dos edifícios. Há ainda a Catedral com a bonita Torre de St. Rule, o Castelo, as praias de areia dourada e os campos de golfe. Sim, ou não fosse St. Andrews a pátria do Golfe, com uma primeira referência histórica a datar de 1552. Aliás, o Golfe está por todo o lado, nas montras e nas lojas, na igreja (onde se vendem três bolas por uma libra) e mesmo no cemitério.

8. Parece que muitas das comitivas tiveram a mesma ideia que nós. Cruzamo-nos nas ruas com checos e noruegueses, almoçamos no Restaurante ao lado dos polacos. Restaurante onde, por sinal, se comeu muito bem e por um preço correcto. A acompanhar o meu bife, um shiraz com cabernet sauvignon muito delicado e feminino, muito Novo Mundo. O Roberto ainda hoje está a dar voltas à cabeça como é que eu descobri que o vinho era... australiano!

9. O regresso faz-se junto à costa, parando para curtas visitas a Crail e Anstruther. À medida que a tarde cai, a chuva parece querer aumentar de intensidade. Fala-se em temporal na região sudoeste de Inglaterra e que avança nesta direção. A prova de amanhã tem mais uma preocupação acrescida. Ainda estamos longe de Dundee e o Trail-O Meeting é daqui a vinte minutos. O Roberto bem procura andar um pouco mais depressa, mas a estrada estreita não o permite. É realmente surpreendente como Portugal tem estradas extraordinárias quando comparadas com estas daqui. Mas não serão precisamente todos esses excessos que agora andamos a pagar? E com juros!

10. Jantamos de novo à mesa da Dinamarca. E de novo recolho de Søren Saxthorp um par de lições importantes. Diz-me que a mulher fez o mesmo percurso que nós, mas com descrições diferentes nos vários pontos. Um percurso tornado mais fácil graças aos artifícios da sinalética. Porque não me lembrei disto antes? Não será mais necessário preocupar-me em fazer um percurso para a Elite e outro para a Formação. Podem ser os dois percursos num só, com o mesmo número de pontos ou não. Neste caso, apenas devo ter o cuidado de marcar o número de cada estação com diferentes cores: Azul para a Elite, amarelo para a Formação. Obrigado, Søren!


[Confira as fotos da jornada vespertina de St. Andrews em https://plus.google.com/u/0/photos/108054301526873509793/albums/5753786359892685169]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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