segunda-feira, 11 de junho de 2012

WTOC 2012 CAMPEONATO DO MUNDO DE ORIENTAÇÃO DE PRECISÃO: DIÁRIO (II)



Junho, 05. Desligo o telemóvel antes de despertar. São 02:17 e os Mundiais começam aqui.

1. Desligo o telemóvel antes de despertar. São 02:17 e os Mundiais começam aqui. Na verdade, já começaram antes, mas é agora que os sinto com a devida conta e medida. Os presságios – os bons e os maus, que também os há – ficaram lá para trás, que o tempo não está para devaneios. Dundee fica na outra ponta dum longo traço, a dezasseis horas de distância. Vamos lá!

2. Linhas, pontes, conexões. Todas se interrompem de súbito, quando lanço o olhar para trás. Esta é uma realidade nova, completamente diferente e é o Ricardo que faz a diferença. Um brutal acidente de viação roubou-lhe a mobilidade dos membros inferiores. Naquele Dia dos Namorados de 1998, quis o destino que ele encontrasse na cadeira de rodas a companheira duma vida. Esta viagem é dele, por ele e para ele. Para ele e para todos quantos, como ele, souberam, a murro, voltar a abrir portas que pareciam fechadas para sempre.

3. Não posso acreditar! São 03:55 e estou aqui com o Ricardo, no piso -1 do Aeroporto Francisco Sá Carneiro, dependente dum elevador em manutenção. “Todas as primeiras terças-feiras do mês” - nunca me hei-de esquecer disto! - “os elevadores páram para manutenção”, dizem-me. Eu, que não estou em manutenção, exijo que levem o Ricardo para cima. Vinte minutos depois, estamos nas partidas, prontos para fazer o “check-in”.

4. Avião, comboio, comboio e... comboio. Viagem em trânsito, longos corredores, alfândegas, transbordos. Porto, Londres, Peterborough, Edimburgh, Dundee. A reter essa nota de disponível amabilidade de todos quantos, em todos os locais onde foi necessário, prestaram assistência ao Ricardo. Absolutamente fantástico. O resto é uma Inglaterra de verde matizada, salpicada aqui e além de pequeninas aldeias pardacentas. E de ovelhas, muitas e muitas ovelhas pasmadas, a ver passar os comboios.

5. West Park, Dundee. Event Centre, o centro do nosso Mundial, do nosso mundo nos próximos dias. Alojamentos impecáveis, um “staff” inexcedível de atenções, uma disposição excelente. Dorsal 248 para mim, 124 para o Ricardo, horários de partida definidos para o Troféu Mundial de TempO e algumas dúvidas esclarecidas num Trail-O Meeting desinteressante. Depois é o jantar, que a fome aperta e a sandes do meio-dia já lá vai há que tempos.

6. Mesa 3. Eu, o Ricardo e a delegação da Croácia. Entre eles o Zdenko Horjan, medalha de prata em 2008 e 2009 na Classe Paralímpica e o Ivo Tilsjar, medalha de bronze nas duas últimas edições do Mundial na Classe Aberta. Falamos de Portugal e da Croácia. O Zdenko “arranha” um pouquinho de português e aproveita para lançar um par de frases bem alinhavadas. Depois vêm os conselhos a estes dois principiantes. Lição a reter: “Faz o que fizeres no primeiro dia, não interessa. Importante é que, no segundo dia, sejas dos últimos a partir.”

7. São 21:30 dum dia anormalmente longo e a noite cai rapidamente. Adormeço no seio desta fantástica família. Já sou um deles!


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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