domingo, 17 de junho de 2012

WTOC 2012 CAMPEONATO DO MUNDO DE ORIENTAÇÃO DE PRECISÃO: DIÁRIO (VI)




Junho, 09. Pela primeira vez nestes Mundiais, o dia amanhece airoso. Conseguem descortinar-se alguns pedaços de céu azul, a temperatura é amena e não sopra vento.


1. Pela primeira vez nestes Mundiais, o dia amanhece airoso. Conseguem descortinar-se alguns pedaços de céu azul, a temperatura é amena e não sopra vento. Quem se refere a Dundee como “o recanto solarengo do Reino Unido” sabe do que fala. Sobretudo depois de vermos os estragos que o mau tempo das últimas horas provocou no País de Gales.

2. Na derradeira viagem de Mini-Bus a caminho de Tentsmuir, voltamos a ter Lyn West por companhia. Duma nova troca de ideias particularmente construtiva, retenho um conselho. “Avalia quantos voluntários vais precisar para uma prova e multiplica esse número por dois. Nas alturas em que mais precisas, há sempre aqueles que não vão aparecer. Por mais válidas que sejam as suas razões!”

3. Vivo e sinto intensamente este último dia dos Mundiais. Uma certa nostalgia faz com que a floresta pareça mais bela que nunca. Os pássaros, no seu trinado, constroem verdadeiras sinfonias e o mar, que apenas se escuta, abre-se de súbito ante os nossos olhos. Impressiona o facto de sermos tantos ali à volta e não se ouvir um pequenino ruído que seja. Parece que andamos todos em bicos de pés, para não perturbarmos a concentração uns dos outros. De facto, isto não tem mesmo nada a ver com a realidade dos nossos atletas, das nossas provas, do nosso País!

4. Sou o primeiro a completar a prova, o que me vale uma ida à cabine de som e o transmitir de algumas palavras. Fica o agradecimento a uma organização que tão bem nos soube acolher, a todos aqueles que trabalharam no sentido de que estes Mundiais fossem um êxito e a todos quantos quiseram partilhar connosco algo do muito que sabem. E um desejo: Que nos voltemos a encontrar brevemente, em torno dum ideal chamado Orientação de Precisão!

5. É verdade que o resultado era o que menos interessava, mas confesso que esperava ter feito bem melhor neste segundo dia. Mais tarde perceberei que há distrações que se pagam caro e confirmarei que, num evento desta natureza, para além do domínio das técnicas e duma estratégia adequada, a experiência é fundamental.

6. Ao contrário de mim, o Ricardo está muito contente. Subiu um lugar na classificação e, para ele, os Mundiais acabaram por se compor. O café que bebemos, enquanto discutimos animadamente as nossas opções, sabe deliciosamente. Decidimos tomar outro. Chego à tenda e faço questão de dizer que este foi o melhor café que bebi durante a estadia no Reino Unido. A senhora agradece as minhas palavras, ao mesmo tempo que me informa que já só tem mesmo um café. Paciência, mais vale um que nenhum. Prepara-se, na hora. É instantâneo, bastam duas colheres em pó e é só acrescentar água quente. Café instantâneo, um Mokambo ou coisa do género, o melhor café desta viagem. Quem diria!?

7. A chuva faz com que a Cerimónia de Entrega de Prémios sofra um ligeiro atraso. É tempo de celebrar os vencedores e de lhes prestar a devida homenagem. Stig Gerdtman e Ola Jansson dão uma saborosa vitória dupla à Suécia, repetindo precisamente o mesmo resultado alcançado há dois anos atrás, em Trondheim. A Finlândia vence por equipas. A Grã-Bretanha, anfitriã destes Mundiais, tem em Ian Ditchfield uma solitária presença do pódio. A Noruega acaba por ser a grande derrotada dos Campeonatos, não conseguindo, pela primeira vez na sua história, classificar qualquer atleta nos seis primeiros lugares.

8. Regressamos para o derradeiro ato destes Mundiais. A Cerimónia de Encerramento volta a ser um momento de grande dignidade, pontuado pela passagem de testemunho à Finlândia como País organizador dos próximos Campeonatos do Mundo. Segue-se o banquete, com muita festa e animação, vinho a acompanhar a refeição, molhos à base de whisky e música ao vivo. Música de ressonâncias célticas, à solta em West Park, dançada a preceito por gente de saias!

9. Os ritmos vivos interrompem-se de súbito para dar lugar a uma dolente balada. As cadeiras de rodas pisam agora a improvisada pista de dança em frente ao palco do Auditório. Embalados na música, Chris James e Marina Borisenkova rodopiam em torno um do outro, protagonizando aquele que será, para mim, o mais belo momento dos Mundiais. Absolutamente sublime!

10. Porque tudo tem um fim, é tempo de despedida. Dos Mundiais recolhe-se a experiência, o convívio, a camaradagem e um valioso conjunto de ideias em relação ao futuro imediato. Das conversas com Owe Fredholm, Knut Ovesen e Roberta Falda retiro um par de recomendações com vista aos trabalhos dos Europeus de 2014. Da minha convivência com o Ricardo saem reforçados os laços de amizade e a certeza de poder contar com ele para o futuro. Até 2013, em Vuokatti!


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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