domingo, 17 de junho de 2012

WTOC 2012 CAMPEONATO DO MUNDO DE ORIENTAÇÃO DE PRECISÃO: DUPLA VITÓRIA DA SUÉCIA




Tempo ameno e uma floresta a ressumar de verde e encanto deram o mote para um segundo e decisivo dia de provas de grande qualidade nestes Campeonatos do Mundo de Orientação de Precisão. Ola Jansson e Stig Gerdtman mostraram o porquê de serem dois dos melhores atletas mundiais desta tão difícil quanto excitante modalidade e repetiram a façanha de 2010, em Trondheim (Noruega), oferecendo à Suécia a segunda “dobradinha” da história.


Tentsmuir e a sua deliciosa floresta foram o palco da derradeira jornada do Campeonato do Mundo de Orientação de Precisão WTOC 2012. A prova voltou a reunir os maiores especialistas mundiais para um decisivo tira teimas, oferecendo-lhes 23 desafiantes pontos de controlo e dois cronometrados. O percurso desenrolou-se sobre o mapa de Tentsmuir Este e distribuiu-se por duas secções, a primeira na distância de 1,75 km e a segunda com 0,5 km, para um tempo de prova máximo de 135 minutos na Classe Aberta e de 150 minutos na Classe Paralímpica.

O mapa mostrou-se à altura duma competição com este grau de grandeza e os participantes foram unânimes em elogiar o trabalho do traçador de percursos, Brian Parker e de toda a equipa organizadora. O único reparo surgiu da parte dos concorrentes na Classe Paralímpica, sobretudo devido à deficiente assistência na deslocação em cadeira de rodas, colocando em evidência as desvantagens já de si óbvias em relação à Classe Aberta. Esta situação levaria inclusivamente a um protesto formal da seleção dinamarquesa, o qual acabaria por não ser considerado procedente.


O “tri” de Ola Jansson

Na Classe Aberta, o ucraniano Vitaliy Kyrychenko foi o grande protagonista da jornada ao alcançar o pleno de vinte e cinco respostas corretas e no tempo record, na soma dos dois pontos cronometrados, de nove segundos. Tendo partido para esta jornada a um escasso ponto do trio Rusanen – Gerdtman – Ebright, Kyrychenko beneficiou do desacerto dos seus mais diretos adversários, tendo terminado com os mesmos pontos de Stig Gerdtman (Suécia). Valeu a Gerdtman a sua maior rapidez no conjunto dos pontos cronometrados em ambos os dias, o que lhe valeu o título mundial pela diferença de 40,5 segundos. Na terceira posição foi possível ver outro atleta da Ucrânia, Sergiy Stoian, com menos um ponto que os dois primeiros classificados. Em igualdade pontual com o terceiro classificado, mas com mais 8,5 segundos nos pontos cronometrados, o alemão Christian Gieseler ocupou a quarta posição, enquanto o britânico Ian Ditchfield e o holandês Mark Heikoop, classificados por esta ordem, ocuparam os restantes lugares de honra.

Na Classe Paralímpica, Ola Jansson voltou a ser o mais certeiro, desta feita a par do finlandês Pekka Seppä. Seppä viria a revelar-se melhor nos pontos cronometrados, mas o ponto de desvantagem trazido da jornada inaugural acabou por se revelar determinante no escalonamento final. Jansson torna-se assim no primeiro atleta da história dos Campeonatos a alcançar três medalhas de ouro, depois de Vasteräs (2004) e de Trondheim (2010). Campeão do Mundo em 2011, o russo Dmitry Kucherenko teve uma entrada desastrosa neste último dia de provas, errando os dois pontos cronometrados e comprometendo em definitivo as suas aspirações no tocante à revalidação do título. Viria a recuperar ao longo da prova mas o mal estava feito e a medalha de bronze ter-lhe-á sabido a pouco. Campeão do Mundo em 2005 (Aichi, Japão), o lituano Evaldas Butrimas não soube tirar o melhor partido do desacerto dos seus adversários diretos e o melhor que conseguiu fazer foi segurar a quarta posição trazida da véspera. Com duas falhas apenas na derradeira jornada, o croata Ivica Bertol e o finlandês Kari Pinola concluiram a sua participação nos Mundiais nas 5ª e 6ª posições, respetivamente.


Finlândia vence coletivamente

Na classificação coletiva, a Finlândia alcançou um saboroso triunfo, repetindo o resultado dos Mundiais anteriores, em França, e com a mesma formação. Lauri Kontkanen, Antti Rusanen e Pekka Seppä protagonizaram uma excelente prova, concluindo com um total de 72 pontos e 91 segundos. A segunda posição coube à Suécia, com Stig Gerdtman, Ola Jansson e Marit Wiksell a alcançarem o mesmo número de pontos que os vencedores mas com os 57,5 segundos a mais a fazerem toda a diferença. Na terceira posição, com menos um ponto que os seus mais diretos opositores, classificou-se a Croácia (Ivo Tilsjar, Ivica Bertol e Zdenko Horjan), chegando assim pela quinta vez consecutiva a um pódio dos Campeonatos do Mundo.

Ouvido pelo Orientovar, Stig Gerdtman, o novo Campeão do Mundo, começou por revelar que “foi bastante frustrante ter falhado um dos dois pontos cronometrados logo de início. A partir daí as coisas complicaram-se e foi um dia duro mas agora estou muito feliz”. Quanto ao segredo desta vitória, o atleta sueco confessa “não saber ao certo”, mas faz questão de classificar os terrenos deste segundo dia como “muito interessantes”. Quanto ao futuro, “continuar neste caminho” é tudo quanto Gerdtman tem para dizer no momento. Também Ola Jansson se mostrou radiante com o seu terceiro título mundial, referindo que o segredo da vitória residiu no “bom desempenho deste segundo dia”.


Desacerto português

Quanto aos atletas portugueses, voltaram a falhar muito no decisivo dia de provas. Joaquim Margarido não foi além da última posição na Classe Aberta, caindo dois lugares na Geral e terminando os Mundiais no 60º e penúltimo lugar, apenas dois pontos à frente da húngara Tünde Forstreuter. Ricardo Pinto esteve melhor neste segundo dia e os 10 pontos alcançados valeram-lhe o 32º lugar na Classe Paralímpica. Contas feitas, o atleta subiu um lugar em relação ao dia anterior, concluindo a sua participação de estreia no 32º lugar.

Resultados totais, mapas, soluções e demais informação em http://www.scottish-orienteering.org/wtoc2012

Poderá visualizar um conjunto de fotos do segundo dia em https://plus.google.com/u/0/photos/108054301526873509793/albums/5754906698150467937


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

1 comentário:

Anónimo disse...

Bom Dia;

Li e reli com alguma atenção todos os comentários do amigo Margarido e mesmo assim as minhas dúvidas e confusões persistem.Não!Nada tem a ver com a falta de clareza das suas explicações, mas simplesmente com a minha ignorância.
A curiosidade, essa sim aumentou muito e de que maneira.
Os meus parabens aos dois representantes portugueses pela coragem demonstrada e espero que esta variante da orientação tenha a expansão que merece e que o seu (vosso) esforço seja recompensado.
Parabéns aos dois.

Rui Antunes