quarta-feira, 13 de junho de 2012

TROFÉU MUNDIAL DE TEMP-O 2012: A MINHA ANÁLISE




O “mergulho” nos 9º Campeonatos do Mundo de Orientação de Precisão WTOC 2012 deu-se na prova designada TempO World Trophy 2012. Uma primeira experiência com algo de frustrante, mas muito de enriquecedor.


TempO, o que é isso afinal? Considerado como o “sprint” da Orientação de Precisão, o TempO consiste num percurso constituído exclusivamente por pontos cronometrados. Rapidez de raciocíno e velocidade de decisão são requisitos fundamentais para um bom desempenho numa prova com estas características.

O Troféu Mundial de TempO 2012, levado a cabo na quarta-feira passada em Camperdown Park, constituiu a minha prova de estreia nesta disciplina. Neste curto documento deixo a minha análise tão detalhada quanto possível a três estações julgadas suficientemente genéricas, procurando desta forma chamar a atenção para o cuidado a ter no tocante a outros tantos aspectos fundamentais.



Estação 1

A Estação 1 encerra, seguramente, os três pontos mais marcantes de todos os 24 que compunham o percurso. Sobretudo porque constituiu um “mergulho” numa tina de água gelada, para o qual não estava minimamente preparado. E como poderia? Sem nunca ter feito uma prova de TempO, esta foi para mim uma experiência iniciática de sensações contraditórias, mas onde reconheço mais méritos que aspectos negativos. Esta estação 1 e os três pontos que a compõem é marcante desde logo pela minha incapacidade em encontrar uma referência segura. A experiência foi de tal maneira demolidora que, depois de muito puxar pela cabeça, recebo a indicação de que faltavam 15 segundos e eu ainda com as três respostas por dar.

O porquê das dificuldades percebe-se, em parte, ao relacionar o mapa com a imagem recolhida desde o ponto de observação. Há dois objetos no terreno - um mesmo em frente ao ponto de observação e outro ligeiramente sobre o lado direito - que não estão representados no mapa. Não sei que género de elementos são, não quero acreditar que se trata duma falha na representação, mas sei que talvez pudessem ter sido úteis, quanto mais não seja por uma questão de auto-confiança. Sei que me agarrei demasiado a eles, depois procurei encontrar nas curvas de nível (!) algumas referências e acabei por perder muitos e preciosos segundos. As três respostas, dadas em cima da hora, foram minimamente sustentadas mas, mesmo assim, não deixam de ser tiros quase às cegas. Falhei a primeira, já que era uma Z e não a B, visto a sinalética indicar as duas árvores mais a Sul; acertei a segunda, guiando-me pela posição da baliza em relação à árvore; e, falhei a terceira, não que estivesse errado em relação ao elemento, mas porque me pareceu estar a baliza a Nordeste da árvore e não a Sudeste.



Estação 3

Depois das muitas dúvidas no tocante às respostas nas duas Estações anteriores, a Estação 3 trouxe uma certeza: As duas primeiras questões errei-as fatalmente, a terceira questão talvez sim ou talvez não. As minhas certezas viriam a confirmar-se com a análise das Soluções, embora no tocante à última das três perguntas estivesse certo.

O porquê desta certeza tem a ver com o facto de, apenas na última questão, ter conseguido determinar um elemento seguro que me servisse como referência. No caso concreto, foi a vegetação, muito bem representada no mapa, a Sul da qual se encontrava a baliza C e que me deu a única resposta certa. Mas havia um elemento no mapa que era determinante, estava desenhado com um x no interior dum círculo, a preto, e que representava um pequeno conjunto de pedras, dispostas umas sobre as outras. Um conjunto a Sudeste do qual se encontrava uma baliza. Um conjunto que, tal como se percebe na imagem, estaria a um escasso metro de distância de mim. Como é possível ter algo diante dos olhos e não ver? A pressão é de tal maneira grande que este tipo de erros acabam fatalmente por acontecer, penalizando-nos no resultado e... moralmente.



Estação 8

A cerca é, nesta Estação, um elemento de referência excelente. Está ali, perfeitamente visível, os contornos desenhados no mapa sem oferecer quaisquer dúvidas, enfim, uma Estação onde falhar é imperdoável. E foi assim que, para meu espanto, falhei aqui duas questões. Porquê? Seguramente o excesso de confiança que me levou a descurar aquilo que é o mais importante: o centro do círculo. Na verdade, tudo é importante na Orientação de Precisão e o mais pequeno detalhe pode fazer a diferença, para o bem e para o mal. Mas a baliza que se pretende representar está, sempre, no centro do círculo.

A primeira questão remetia para a baliza E (a que está mais à direita, já que infelizmente falta uma sexta baliza na foto, mais à direita ainda, no topo mais próximo da cerca em relação ao ponto de observação). A minha resposta foi F, não me perguntem porquê. A segunda questão, entre a cerca e o tufo de vegetação, remetia para a baliza C, a qual acertei. Finalmente, na última questão, eis-me de novo perante uma falta de concentração no centro do círculo, que voltava a remeter para a baliza E. Quem acertasse a primeira, acertava a terceira, necessariamente. A verdade é que as coisas não são bem assim. Que o diga Martin Jullum, o terceiro classificado neste Troféu. Eu errei as duas, ele acertou a primeira e falhou a terceira.



Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

1 comentário:

David Saianda disse...

Desconhecia por completo esta disciplina, mas imagino que deve ter sido uma experiência fantástica.
Diverti-me bastante no trail-o do pom passado mesmo tendo errado bastante por não estar ciente das "regras", agora isto em "sprint"...Um espectáculo!

Abraço e boa sorte para ambos