sexta-feira, 15 de junho de 2012

LYN WEST: "OS JOVENS NÃO QUEREM AS MESMAS COISAS QUE A GERAÇÃO MAIS VELHA"




Foi um perfeito acaso a presença de Lyn West no mini-autocarro que nos levava para Tentsmuir, ao encontro do Model Event. Ao meu lado, no banco da frente, a Presidente da Federação Britânica de Orientação foi uma interlocutora de excelência, dando a ver um pouco daquilo que se vai fazendo ao nível da modalidade em terras de Sua Majestade.


Orientovar - Como avalia o atual momento da Orientação britânica?

Lyn West - Encontramo-nos num ponto de viragem. Os orientistas estão a ficar velhos e precisamos de atrair mais jovens para o nosso desporto. O problema é que os jovens não querem as mesmas coisas que a geração mais velha. Não estão dispostos a viajar as mesmas distâncias para chegar às provas e, por isso, precisamos de trazer os eventos de Orientação para perto da população. Pensamos que a Orientação urbana é uma boa forma de o conseguir. Temos agora um bom número de provas em cidade muito bem sucedidas. Precisamos de desenvolver a Orientação em parques e conseguir o envolvimento das famílias, porque é da próxima geração que terão de sair as pessoas que garantirão a continuidade da modalidade.

Orientovar - Podemos ver já muitas pessoas envolvidas nesses eventos?

Lyn West - As coisas estão a melhorar, mas temos ainda imenso trabalho pela frente. Devemos concentrar-nos sobretudo na organização de eventos de Orientação que possam ir ao encontro das famílias, daquilo que os jovens querem, em vez de apostarmos apenas no modelo antigo, semana após semana.


A Orientação tem tido um enorme sucesso nas escolas

Orientovar - O que está a ser feito com a Orientação no sistema escolar? Têm algum tipo de protocolos ou de apoio do Governo?

Lyn West - Sim, mas o Governo começa a desviar o seu apoio à Orientação nas escolas, concentrando-se em particular na faixa etária dos catorze aos vinte e cinco anos e já fora da esfera do sistema educativo. A Orientação tem tido um enorme sucesso nas escolas. Uma percentagem muito grande de escolas oferece algum tipo de Orientação, organizamos um número elevado de cursos de formação para professores, mas continuamos a ter dificuldades quando se trata de deslocar as crianças da Orientação nas escolas para a esfera dos clubes e para os eventos fora da escola. A prova de que existem imensas pessoas expostas à Orientação nas escolas surge quando falamos com os jovens adultos e percebemos que em tempos fizeram um pouco de Orientação, o “bichinho” ficou e agradou-lhes a ideia de tentar novamente. Em particular, se existe uma base social por detrás dessa experiência. No Reino Unido não temos as mesmas bases que um número apreciável de clubes europeus têm e, portanto, torna-se muito mais difícil mas temos de criar essa atmosfera.

Orientovar - A Orientação encontra-se distribuída uniformemente por todo o Reino Unido ou existem algumas bolsas do território onde a modalidade não está tão bem desenvolvida quanto gostaria?

Lyn West - Quando falo, refiro-me sobretudo à Inglaterra, porque encontrámos uma forma de canalizar os apoios através duma organização chamada Sport England e que está virada apenas para projetos na Inglaterra. Sport Scotland também tem alguns projetos de Orientação em curso e que são particularmente bem sucedidos. As metas são ligeiramente diferentes daquelas que estão estabelecidas na Inglaterra, mas há um grande trabalho de desenvolvimento em curso aqui, na Escócia. Para o País de Gales é muito difícil conseguir qualquer apoio do parlamento galês e os clubes dão o seu melhor, embora numa escala muito pequena. Quanto à Irlanda do Norte, os apoios são bons mas os orientistas, embora desenvolvam um excelente trabalho e venha a aumentar o seu índice de participações, são ainda muito poucos.


A Orientação de Precisão limita-se basicamente à Inglaterra

Orientovar - Estamos agora nos Campeonatos do Mundo de Orientação de Precisão. Como é que a Federação Britânica acompanha este evento?

Lyn West - Estamos muito entusiasmados por estarmos a organizar os Campeonatos do Mundo de Orientação de Precisão. Ontem, na Cerimónia de Abertura... Achei fantástico, tantas pessoas de tantos países, aqui, na Escócia. Isso deixou-me muito orgulhosa.

Orientovar - Como vê a Orientação de Precisão no Reino Unido?

Lyn West - A Orientação de Precisão limita-se basicamente à Inglaterra e todo o “staff” que se encontra aqui, nos Mundiais, do traçador aos controladores, todos eles são ingleses. Tivemos que trazer a nossa experiência de Inglaterra para ajudar os escoceses. Esperamos que estes Mundiais sejam um incentivo para o desenvolvimento da Orientação de Precisão na Escócia.


Brian Porteus será o melhor candidato para suceder a Åke Jacobson

Orientovar - Em 2015 teremos aqui muito próximo, em Inverness, os Campeonatos Mundiais de Orientação, tanto na vertente Pedestre como na de Orientação de Precisão. A esta distância, como vê o evento?

Lyn West - Um dos dias mais emocionantes da minha vida foi em França, no ano passado, quando o vencedor da candidatura à organização dos Mundiais de 2015 foi anunciado. Porém, logo no dia seguinte, começámos a perceber o quanto trabalho tínhamos pela frente. Quatro anos para pôr de pé um evento desta natureza parece ser um prazo muito alargado mas sabemos que não é assim. Dave Peel foi nomeado o Diretor do Evento, existe uma comissão a trabalhar já com ele, a planificar tudo aquilo que necessita ser planificado, a escolher as melhores áreas de competição, a garantir o trabalho de cartografia. Tudo isto necessita ser feito com muito tempo de antecedência e eu suspeito que a maioria das pessoas não faz uma mínima ideia de como as coisas são. Mas quando chegarmos à Escócia, em 2015, teremos aqui os melhores Mundiais de sempre.

Orientovar - A Federação Britânica deu o seu apoio a Brian Porteus para suceder a Åke Jacobson na presidência da Federação Internacional de Orientação. Porquê Brian?

Lyn West - Há já um bom par de anos que Brian Porteus tem sido o membro nomeado pela Federação Britânica de Orientação para o concelho da Federação Internacional. Ele é o Vice-Presidente e atualmente prepara-se para concorrer à Presidência. A Federação Britânica de Orientação nomeou-o e está preparada para dar todo o apoio à sua campanha. Eu penso que Brian Porteus tem imenso para oferecer à comunidade orientista internacional. É uma pessoa que está muito envolvida no desenvolvimento da Orientação no mundo e tem sido uma peça fundamental no desenvolvimento a nível regional. Possui uma grande experiência no desenvolvimento da prática desportiva e julgo que seria capaz de garantir uma liderança de excelência da Federação Internacional de Orientação. À medida que avançamos, talvez um dia o possamos ver alcançar aquele que é o nosso grande objetivo, o de virmos a ser modalidade olímpica. Achamos, pois, que Brian Porteus será o melhor candidato para suceder a Åke Jacobson.


Ir a Portugal seria um sonho muito bonito

Orientovar - Gostaria de lhe pedir que fizesse um desejo para estes Campeonatos Mundiais de Orientação de Precisão.

Lyn West - Acho que o meu primeiro desejo é que não tenhamos mais chuva (risos). Agora a sério, espero que todos os concorrentes, independentemente dos resultados, possam desfrutar das provas, destas experiências e que tenhamos campeões dignos aquando da Cerimónia de Entrega de Prémios, no final da semana. Estou confiante que, com o trabalho que a equipa organizadora tem feito, vamos conseguir isso.

Orientovar - Vamos vê-la em Portugal, em 2014, durante os Campeonatos da Europa de Orientação de Precisão?

Lyn West - Eu nunca estive em Portugal e isso é algo que devo corrigir. Tive oportunidade de ver um bocadinho apenas do que é a Orientação de Precisão e fiquei surpreendida com o grau de dificuldade. Não tenho a certeza que serei suficiente capaz dum bom desempenho na modalidade. Mas ir a Portugal seria um sonho muito bonito.


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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