domingo, 24 de junho de 2012

AUGUSTO ALMEIDA REELEITO POR MAIS QUATRO ANOS: "VAMOS A ISTO... COM A CERTEZA QUE NÃO DAREI A OUTRA FACE!"




O dia de ontem assume, pela sua importância, um lugar de destaque na vida da Federação Portuguesa de Orientação. A eleição dos novos Órgãos Sociais da FPO para o quadriénio 2012 – 2016 promete pacificar a modalidade e abre espaço a um punhado de acontecimentos relevantes nos planos organizativo, competitivo e de promoção da Orientação. No momento de retomar o leme de tão bela quanto delicada nau, Augusto Almeida, Presidente da FPO, traça para o Orientovar os caminhos do futuro.


Orientovar - Liderou a anterior Direção, mantendo-se em funções durante pouco mais de um ano. Quais os aspetos relevantes que retira dessa experiência?

Augusto Almeida - A anterior Direcção surgiu, com objectivos muito claros e públicos, num contexto muito próprio de que todos se recordarão, e de forma transitória conforme estipula a lei. Os meses de função foram trabalhosos, intensos e bastante gratificantes mas, ao que se sentiu em alguns sectores, aquém das expectativas. Trabalhosos, pois foi necessário devolver rapidamente a normalidade funcional e institucional a uma casa que, em apenas algumas semanas, se havia afundado totalmente, estando em sério risco a sustentabilidade da modalidade no imediato. Intensos, pois o trabalho realizado exigiu muitas horas, dias e semanas sem interrupção, fins-de-semana atrás de fins-de-semana, sempre com a preocupação de encontrar soluções, alternativas e meios, reunindo aqui e ali, respirando, pensando e engendrando soluções, mas sempre em actividade continuada. Nunca a equipa parou nem nunca a modalidade parou. Gratificantes, porque encontrámos colaboração, disponibilidade, vontade e opiniões que nos ajudaram a implementar o plano possível dentro da normalidade possível.

Orientovar – Quer concretizar aquilo que designa por “normalidade possível”?

Augusto Almeida - Normalizaram-se as relações com o IPDJ, a sede da FPO foi transferida para a Marinha Grande, criaram-se os circuitos de Estafetas e de provas urbanas, ajustaram-se regulamentos, as selecções nacionais estiveram nos vários Campeonatos e momentos importantes, as Comissões Técnicas trabalharam dentro dos recursos possíveis, retomou-se a formação, activaram-se as CAP (Comissões de Avaliação de Provas), ganharam-se candidaturas internacionais que podem significar o início de um caminho que permitirá garantir financiamento à modalidade numa altura em que o Estado apresenta uma drástica redução de apoio ao desporto nacional e muito mais se foi fazendo com imensa ajuda de muitos agentes da modalidade. Importa ainda referir que o enorme atraso na assinatura dos contratos com o IPDJ resultante da estagnação que a modalidade conheceu e a consequente chegada das primeiras verbas à FPO apenas em Julho de 2011, não inviabilizou a época desportiva que, ainda, teve de suportar os valores imprevistos da devolução de verbas por formação não realizada em 2010 e os encargos dos seguros do mesmo ano.


A falta de consideração e educação foi, essa sim, uma surpresa

Orientovar – Atrevo-me a pensar que, ainda assim, todo este trabalho ficou aquém das expectativas.

Augusto Almeida - Aquém de algumas expectativas, reconheço. Apesar do muito que trabalhamos, das horas que dedicamos, dos apoios e colaborações que conseguimos junto de imensos companheiros, foram alguns os momentos em que por diversos modos e meios, públicos ou privados, nos transmitiram que estávamos aquém dessas expectativas. Diga-se que muita da insatisfação e quebra de expectativas anunciadas tiveram lugar em motivos que, em última análise, tiveram natureza financeira e sobretudo muita utopia gerada pelo período imediatamente antecedente ao nosso mandato. Contudo, acreditamos que não é admissível, e até pode ser imoral, em tempos de escassez de recursos financeiros e crise profunda, num momento em que o Estado quase está impossibilitado de cumprir as suas funções vitais - segurança e bem-estar das populações - ao ter de fazer cortes na solidariedade social, na saúde, na educação, na segurança, nos salários, etc, alguém pretender que se assumam encargos para os quais não há a menor hipótese de existir cobertura. Recusámo-nos a endividar a modalidade.

Orientovar – Foi o perceber que havia toda essa insatisfação que fez com que, em Março passado, decidissem não se recandidatar?

Augusto Almeida - A decisão do órgão de gestão em não se recandidatar é um acto normal em democracia e radica na necessidade de dar espaço a novos projectos, pessoas e ideias, num contexto da vida da modalidade em que este sentimento de insatisfação de alguns sectores relativamente às opções tomadas face aos recursos disponíveis, bem como à forma como vinham sendo dirigidos os destinos da Orientação, parecia crescente e atingiu formas que ultrapassam o aceitável, passando a projectar-se em termos pessoais na figura dos directores da FPO que, antes de dirigentes, são homens e praticantes da modalidade como os demais. Embora não se perca de vista que este sentimento não é generalizado, já que a maioria dos sócios FPO se mostra, para o bem e para o mal, essencialmente alheia à vida da modalidade naquilo que vai para além da sua mera participação individual nas actividades organizadas pelos clubes, também é verdade que este clima não podia nem devia ser ignorado. E com esta afirmação não me estou a referir aos casos isolados que primam pela maledicência, mentira e ofensa gratuita, já que a sua importância será pouco menos que nula; tampouco me refiro aos companheiros que são interventivos mas fazem-no de forma correcta e fundamentada, criticando e apoiando, opinando e dialogando, concordando umas vezes e outras não, enfim, normalidade democrática. Refiro-me essencialmente a um reduzido grupo, mas com projecção e impacto na modalidade, cujas atitudes de insatisfação não se pautam pelos parâmetros acima referidos mas antes por um conjunto de atitudes que se diriam mimadas, birrentas, intriguistas e maledicentes, normalmente injustas, não fundamentadas e sem procurarem fazer parte de qualquer solução mas antes dos problemas. Embora a maledicência não seja propriamente uma surpresa, pois muitas pessoas estão disponíveis para maldizer sempre que a sua opinião, mais ou menos fundamentada, ou os seus anseios, não sejam satisfeitos, a verdade é que raramente estão disponíveis para integrarem, opinarem construtivamente ou se disponibilizarem para construir, mesmo quando lhes é solicitado. A falta de consideração e educação foi, essa sim, uma surpresa, já que da nossa parte sempre foram adoptados processos e posturas que se caracterizaram pela educação e pela elevação, mesmo quando as difamações e insinuações davam margem para recurso à justiça.


Tentaremos aproximar mais as pessoas da vida federativa

Orientovar – Pegando um pouco nas suas palavras, confesso que foi para mim uma surpresa ter ido sozinho a votos. Não considera que seria “normal” ter havido disputa eleitoral?

Augusto Almeida – Seria normal em Abril ter aparecido uma lista dos insatisfeitos e uma lista da modalidade. Não apareceu nenhuma. Aceito que depois de anunciarmos que seriamos candidatos para Junho as possíveis boas-vontades tenham… descansado. E aceito porque reconheço que qualquer solução, na nossa realidade, tem de contar com muitos dos que estão comigo, é incontornável. Somos muitos mas não tantos que seja fácil reunir uma centena de voluntários orientados para um mesmo objectivo. Penso que o mais desmotivador, mesmo muito ingrato, é trabalhar que nem um louco por uma causa comum e apenas receber alguns pontapés e caneladas. Por muito que se goste, por muito que se queira ajudar, fica muito difícil aceitar a crítica destrutiva e a maledicência que nunca tenta ser parte da solução. Em todo o caso é importante referir que identifico, sem dificuldade, vinte ou trinta presidentes e que daqui a quatro anos alguém terá de se perfilar. Nestes quatro anos tentaremos aproximar mais as pessoas da vida federativa, permitir experiência, tentando viabilizar uma futura candidatura.

Orientovar – Saíram Carlos Monteiro e Pedro Dias, entraram José Fernandes e Daniel Marques. O que é que muda com estas mexidas?

Augusto Almeida – Muda pouco certamente. Quer o Carlos quer o Pedro são amigos de longa data e que não precisam dos meus elogios para que quase todos lhes reconheçam, merecidamente, excelentes qualidades pessoais, profissionais e dotes de carácter que os fazem cidadãos exemplares. O Zé e o Daniel são pessoas que também há muitos anos me distinguem com a sua amizade, de cujas qualidades pessoais e profissionais ninguém duvida, e cujo amor à modalidade é garantia de excelência nos seus contributos. Na minha opinião muda pouco… Vamos continuar a dar o nosso melhor pela modalidade.


Ficar vigilante para salvaguardar a modalidade

Orientovar – Que Federação vamos poder esperar nos próximos quatro anos? Quais os grandes desafios?

Augusto Almeida – O mundo vive um período de incerteza como ninguém viveu desde os tempos da II Grande Guerra. Ninguém pode afirmar-se seguro da situação a… 30 dias. Neste contexto há que “navegar à vista”, tomar as decisões adequadas a cada momento mas sem hipotecar o futuro. Certamente vamos lutar para atrair mais praticantes, especialmente jovens. Vamos dar o nosso melhor na ligação ao Desporto Escolar e no apoio à filiação de jovens. Temos também os Campeonatos de Veteranos de O-BTT e os Europeus de Pedestre e de Orientação de Precisão que, com a parceria dos nossos clubes, iremos realizar com sucesso e nos podem permitir alguns recursos financeiros. No restante… as incógnitas e as incertezas que nos cercam são tão fortes que o mais ajuizado é ser prudente e ficar vigilante para salvaguardar a modalidade.

Orientovar – E em termos pessoais? O que espera que este quadriénio lhe traga?

Augusto Almeida - Disse há pouco mais de 16 meses, conforme muitos se recordarão sem grande esforço de memória, que a Orientação, para os orientistas, seria no máximo um interesse secundário pelo qual apenas se discute. Estando ultrapassados estes parâmetros e limites através de comportamentos e posturas que vão para além da mera discussão e troca de pontos de vista, entendemos que está também ultrapassada a importância que a Orientação deve assumir nas nossas vidas pessoais. Estou determinado em cumprir com os principais objectivos a que me proponho ao iniciar mais um mandato, já que temos uma FPO sem dívidas, com uma realidade que representa menos custos do que no passado e com compromissos assumidos que contribuirão não apenas para bons encaixes financeiros mas também para a continuação do nome de Portugal entre os mais prestigiados da cena internacional no que às organizações diz respeito. Vamos a isto… com a certeza que não darei a outra face!


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

Sem comentários: