segunda-feira, 25 de junho de 2012

ATIVIDADE DE ORIENTAÇÃO ADAPTADA CHEGA A ESPANHA



Tendo por base a Orientação, o Desporto Adaptado em Espanha conheceu uma jornada histórica no passado sábado. Tratou-se da primeira Atividade de Orientação Adaptada levada a cabo no país vizinho, com base no modelo desenvolvido entre nós. A iniciativa teve em Roberto Munilla e Mario Vidal os grandes mentores e é com base nas impressões do primeiro que vivenciamos um pouco daquilo que se passou no complexo “Sonsoles”, em Saragoça.


A ideia tinha surgido em Portugal, aquando do II Open de Orientação de Precisão do Hospital da Prelada. A Actividade de Orientação Adaptada tinha suscitado enorme interesse e os princípios básicos não tardaram a ser partilhados e assimilados. Agora tratava-se de pôr em prática os ensinamentos adquiridos e a oportunidade surgiu por intermédio da Associação Aragonesa da FADDI - Federação Espanhola para Pessoas com Deficiência Intelectual, com o apoio da ATADES, Special Olympics Aragón e FEDO - Federação Espanhola de Orientação. Data: 23 de Junho, em Alagón (Saragoça).

Apesar de simplificar o mapa e introduzir pictogramas, disseram-me que uns 30% dos participantes não teriam capacidade para resolver sozinhos os problemas”, recorda Roberto Munilla, revelando alguma ansiedade quanto à forma como tudo se iria desenrolar. Mas ficava desde logo essa preocupação em proporcionar um pouco mais de ajuda, “para que todos pudessem completar a actividade e sentir-se bem com os desafios superados”. Para isso havia que pensar em material de apoio para resolver os problemas e fazer com que os controlos fossem alcançados por intermédio de fotografias ou referencias intermédias.


Um mapa bem catita

A satisfação e aceitação deste jogo foi, desde o início, enorme por parte dos responsáveis das Associações participantes e os atletas acabariam por lhes dar razão. O mapa final foi elaborado a partir dum mapa base em OCAD e a sinalética e pictogramas trabalhados “quase pixel a pixel”, com recurso ao Paint. “A escolha das cores azul, branco e ocre teve a ver com as cores do equipamento oficial do Saragoça”, acrescenta Roberto Munilla, que ainda pensou numa “linguagem universal”, usando as cores das frutas e verduras de forma a que a Orientação Adaptada possa vir a ter expressão em qualquer parte do mundo. Mas isso terá de ficar para “segundas núpcias”.

As duas últimas estações variavam em termos de cores, utilizando-se o branco, lilás, vermelho e amarelo. Tratou-se duma “experiência”, segundo Roberto Munilla, para quem é suposto que “no final do percurso, os participantes tenham aprendido a mecânica do jogo e consigam responder adequadamente, ainda que com cores diferentes. Talvez assim se possam retirar ilações quanto ao estabelecimento de diferentes níveis no futuro.”


O desenrolar da atividade

Com tudo devidamente estruturado e uma enorme animação em torno da actividade, o dia acabaria por se revelar “realmente fantástico, tanto para organizadores como para deportistas, repleto de situações divertidas e de experiências muito gratificantes, daquelas que não irão esquecer-se jamais”, confessa Roberto Munilla.

Aos participantes foi oferecido um percurso com oito estações, sendo a primeira de demonstração. Com os atletas de nível intelectual mais baixo, iam sendo descartadas as balizas que começavam com uma cor diferente daquela que surgia na sinalética e assim sucessivamente com as balizas seguintes até chegar à solução. Com os atletas mais capacitados, foi possível ir ao encontro da resposta correta com as três cores em simultâneo. Pelo facto de se tratar duma primeira vez, a prova foi feita em grupo e as respostas dadas em voz alta. “Muitos responderam aquilo que ouviam dos outros em vez de fazerem as suas próprias deduções”, admite Roberto Munilla. Com metade da prova completada, em muitos casos a resposta passou a ser assinalada com o auxílio de picotador ou, para os menos hábeis, com recurso a esferográfica. Tudo terminou com a entrega de um diploma de participação e com um muito animado e participado baile.


Um par de conclusões

Em jeito de conclusão, Roberto Munilla assinala que uma percentagem importante dos participantes confundiu a coluna na altura de assinalar a resposta, parecendo necessário “introduzir uma separação clara entre respostas de diferentes pontos e desenhar uma tabela de respostas com os dados pessoais num dos lados, de forma a que não haja separação entre as quadrículas de cada ponto de controlo. De igual forma, é conveniente que o ponto de decisão e as balizas estejam separados entre si dois ou três metros, uma vez que a capacidade visual de muitos dos participantes é fraca.”

A próxima atividade de Orientação Adaptada está agendada para os próximos dias 22 e 23 de Setembro, complementarmente a uma actividade de Equitação, e terá lugar em Farardués, uma aldeia dos arredores de Saragoça.
[Foto publicada com a autorização da Associação Special Olympics Aragón]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

Sem comentários: