segunda-feira, 21 de maio de 2012

TAÇA DE PORTUGAL DE ORIENTAÇÃO DE PRECISÃO 2012: HOSPITAL DA PRELADA FAZ A FESTA EM LISBOA




A cidade de Lisboa acolheu a 4ª etapa da Taça de Portugal de Orientação de Precisão. Integrada no XX Troféu de Orientação do CPOC, a prova desenrolou-se nos belíssimos espaços do Parque Eduardo VII e teve em Diana Coelho e Joaquim Margarido os grandes vencedores.


Todos Diferentes, Todos Iguais”. Foi sob este lema - ainda e sempre! - que dezoito atletas disputaram, na tarde de ontem, a 4ª etapa da Taça de Portugal de Orientação 2012. Organizada pelo CPOC – Clube Português de Orientação e Corrida e integrada no seu XX Troféu de Orientação, a prova decorreu no mapa “Parque Eduardo VII – Lisboa”, com trabalho de campo e desenho de Acácio Porta Nova e Ana Carreira e traçado de percursos de Luís Santos e João Dias.

Num espaço de inegável beleza e particularmente adequado em termos de acessibilidades, a prova desenrolou-se ao longo de 1,4 km, com 8+2 pontos de controlo, dividindo os participantes pela Classe Paralímpica (elegíveis em função da mobilidade reduzida de carácter permanente, no caso concreto deslocando-se em cadeira de rodas) e pela Classe Aberta (atletas sem défice de mobilidade ou a tomar contacto com a modalidade pela primeira vez). Uma primeira parte descendente, sobre a margem direita do Parque, levou os participantes ao encontro de cinco pontos com um grau crescente de dificuldade, preparando-os para uma segunda metade com uma carga de exigência quiçá maior e com o desafio acrescido dos pontos cronometrados nos controlos 8 e 9.


Diana Coelho imbatível

Na Classe Paralímpica, Diana Coelho (DAHP) manteve a invencibilidade nas quatro provas da Taça de Portugal 2012 disputadas até ao momento, tendo chegado ao triunfo com um total de sete pontos. A atleta claudicaria nos pontos 5, 7 e 10, nestes dois últimos casos por manifesta falta de concentração. Ricardo Pinto e António José Novais, também do DAHP, viriam a fazer menos um ponto que a vencedora, valendo em termos de desempate o facto de Ricardo Pinto ter falhado a resposta num dos pontos cronometrados, o que não aconteceu com Novais.

Pautando a sua prova pelo acerto nas respostas dadas, Joaquim Margarido (DAHP) venceu a Classe Aberta com um total de 10 pontos. Tal como acontecera nos Nacionais de Espanha de Orientação de Precisão, o atleta voltou a ser pouco lesto nas respostas nos pontos cronometrados, mas acabou por ser aí que viria a residir a diferença para os seus opositores mais directos. Nuno Pedro e Ângela Pedro, ambos do CAOS, falharam precisamente num dos controlos, terminando ambos com 9 pontos. Valeu também aqui a maior rapidez de Nuno Pedro na resposta, o que acabaria por lhe garantir a segunda posição.


Podemos afirmar que valeu a pena”

Responsável máximo pela organização da prova de Orientação de Precisão, João Dias deixou ao Orientovar o seu balanço: “Sendo a primeira vez que o Clube Português de Orientação e Corrida realizava um evento de Orientação de Precisão, a equipa organizativa mostrou-se bastante ansiosa mas ao mesmo tempo sentiu também a grande responsabilidade que uma prova desta natureza acarreta. O grande desafio estava, claramente, na precisão da colocação das balizas, na construção de um percurso acessível a todos, no rigor a aplicar na sinalética, nos regulamentos específicos da modalidade. As especificidades eram muitas, mas pensámos que o nível técnico exigido numa prova de Orientação de Precisão seria apenas um obstáculo a ultrapassar e, no final, podemos afirmar que valeu a pena.”

Adiantando que o Parque Eduardo VII tem óptimas condições para a Orientação de Precisão, “com muito espaço, muita visibilidade, caminhos e pavimentos acessíveis, pormenores de árvores, de relevo, objectos especiais, muros, sebes, vedações, etc.”, João Dias acaba contudo por colocar o dedo na ferida ao admitir que “talvez o desnível mais acentuado em determinadas zonas do Parque não facilitasse tanto a progressão e acabasse por culminar num dos pontos negativos da Organização: a falta de ajudantes disponíveis para conduzir os participantes em cadeira de rodas.” Para aquele responsável, “o traçado do percurso foi também uma dificuldade acrescida, pois sabíamos que por um lado a prova para a Taça de Portugal teria de ter um nível de dificuldade médio/alto, mas que para alguns participantes - em cadeiras de rodas e a experimentar a prova pela primeira vez - o desafio teria de ser mais fácil e com menos dificuldade técnica.” E conclui: “Acabámos por reduzir a dificuldade e introduzir dois pontos com tempo cronometrado, para aí podermos desempatar os melhores atletas.”


Venham daí!”

Apesar desta ser uma modalidade em clara expansão no nosso país, quer em termos de divulgação, quer em termos técnicos, João Dias olha para o número total de participantes e para a fraca adesão ao evento e admite que “o CPOC tem a noção de que deveria ter existido maior divulgação e promoção do evento para que o trabalho (árduo) da organização pudesse ter proveitos a nível das inscrições e participações.” E acrescenta: “Apesar de terem comparecido apenas duas entidades (Hospital da Prelada e Centro de Reabilitação de Alcoitão) e alguns atletas da Orientação Pedestre, podemos dizer que o balanço final é positivo. O clube aprendeu bastante com a experiência, com os feedbacks dos participantes e também com as contrariedades técnicas da construção de percursos que foram aparecendo.”

Em relação ao futuro, as palavras são de esperança e ambição: “Acreditamos que podemos construir novas parcerias com entidades onde possa ser promovido o desporto adaptado, bem como fazer novos eventos de Orientação de Precisão com ainda mais qualidade e mais participantes. Sentimo-nos mais preparados e mais motivados para o fazer, e contamos, como é óbvio, com a participação e colaboração de todos. Venham daí!”



Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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