domingo, 20 de maio de 2012

EOC/ETOC 2012: ÚLTIMOS TÍTULOS EUROPEUS PARA SUIÇA E RÚSSIA




Em fim de festa, Suiça e Rússia levaram a melhor nas Estafetas dos Campeonatos da Europa de Orientação EOC 2012, arrecadando o tão desejado ouro. Portugal falhou o grande objectivo de se classificar entre as 20 melhores equipas na grande final, quedando-se pelo 23º lugar.


Impróprias para cardíacos. Foram assim as finais masculina e feminina de Estafetas que, na manhã de hoje, encerraram os Campeonatos da Europa de Orientação EOC 2012. A vitória em ambas as provas foi discutida ao Sprint, com a Suiça a revalidar o título europeu no sector masculino e a Rússia a quebrar a hegemonia da Suécia no sector feminino e a chegar à medalha de ouro pela primeira vez na sua história.

Começando pela prova masculina, foi um grupo compacto de quinze unidades aquele que cedo se apossou do comando da prova, esgrimindo entre si os melhores argumentos. Ponto após ponto a prova foi conhecendo diferentes protagonistas na cabeça da corrida, com Frédéric Tranchand a assumir a liderança a partir do ponto 9, como que a querer provar que, mesmo sem o seu chefe-de-fila, o “rei” Thierry Gueorgiou, a França tinha uma palavra a dizer. Tranchand passaria o testemunho ao seu colega Philippe Adamski na primeira posição, embora com um escasso segundo apenas de vantagem sobre o letão Edgars Bertuks e com três segundos à maior sobre o russo Leonid Novikov. Com Marc Lauenstein na quarta posição e Martin Hubmann no 9º lugar, a oito e a vinte e quatro segundos da liderança, a Suiça mantinha intactas as aspirações quanto à revalidação do título.


Vitória discutida palmo a palmo

No segundo percurso foi possível ver um par de mexidas na frente da corrida, sem contudo condicionarem a pretensão de qualquer das equipas à vitória final. A pernada longa que abriu o “round” intermédio viu o suiço Matthias Müller assumir provisoriamente a liderança, naquilo que foi “sol de pouca dura”. O norueguês Carl Waaler Kaas viria então para a frente, mantendo o comando da prova até ao ponto 22, altura em que outra pernada longa viria a provocar nova mudança de líder. Dmitry Tsvetkov, primeiro e, logo de seguida, de novo Matthias Müller, foram os dois atletas que assumiram as despesas da prova nos pontos seguintes, com o suiço a chegar ao final do seu percurso na liderança com o tempo de 01:16:26 e deixando atrás de si, nas posições imediatas, Jan Sedivy (República Checa), Dmitry Tsvetkov (Rússia), Martins Sirmais (Letónia) e Fredrik Johansson (Suécia), a três, cinco, seis e sete segundos de diferença, respectivamente.

O terceiro e decisivo percurso abriu igualmente com uma pernada longa que atirou Valentin Novikov e a Rússia uma vez mais para a liderança da prova. Com 33 pontos cumpridos (e oito por cumprir), Novikov liderava ainda, ex-aequo com o suiço Matthias Kyburz, e tendo atrás de si o sueco Anders Holmberg, a apenas um segundo de diferença. A França, que com Philippe Adamski caíra para o 8º lugar, recuperava agora através dum sensacional François Gonon e era já a quinta classificada a... três segundos apenas da liderança. Em vez de definir as posições, a pernada longa do terceiro percurso veio baralhar ainda mais os dados, de tal maneira que, a três pontos do final, Suiça, Suécia, França e Noruega ocupavam por esta ordem as quatro primeiras posições, com uma diferença entre si de apenas sete segundos. Um público em delírio puxou por Holmberg o mais que pôde, mas Kyburz aguentou estoicamente a pressão dos metros finais, vencendo, após um prolongado sprint, com o tempo de 01:53:43 e três segundos à maior sobre Holmberg. Doze segundos após chegaria um extenuado François Gonon, logo seguido de Olav Lundanes (Noruega), quatro segundos mais tarde.


Judith Wyder, o elo mais fraco

No tocante à prova feminina, Annika Billstam começou por oferecer o comando à Suécia, assumindo a intenção expressa de renovação do título de Campeã da Europa. E as coisas até nem foram correndo muito mal até ao oitavo ponto, altura em que Billstam, mercê duma má opção, perdeu, juntamente com outras oito atletas, largos e preciosos segundos. Emma Klingenberg (Dinamarca) seria então a primeira atleta a entregar o testemunho, com o tempo de 39:24, deixando atrás de si, a três segundos, a suiça Sara Lüscher e a cinco segundos a russa Anastasia Tikhonova. Simone Niggli (Suiça) cumpriu o segundo percurso de forma superior, aproveitando a pernada longa de abertura para anular a desvantagem de oito segundos que tinha à partida para a dinamarquesa Ida Bobach e logrando passar o testemunho à sua companheira Judith Wyder com uma confortável margem de 01:33 sobre a sua mais directa opositora, a finlandesa Minna Kauppi.

Apesar da vantagem relativamente larga, Wyder sabia que estava por sua conta e não tinha apenas Kauppi atrás de si. Tinha também Anne Margrethe Hausken Nordberg, Maja Möller Alm, Tove Alexandersson e, ainda, Tatiana Ryabkina. E não aguentou a pressão. Na progressão para o ponto 28, as aspirações do conjunto helvético desmoronavam-se, com a atleta a perder mais de quatro minutos para uma fortíssima Minna Kauppi que mostrava ali o porquê de serem as finlandesas as campeãs do mundo em título. A verdade é que o melhor estava ainda para vir.


Ryabkina “de raça”

A russa Tatiana Ryabkina, que se vinha aproximando paulatinamente da sua mais directa adversária, tomou a derradeira pernada como a sua última hipótese de chegar ao comando e a ousadia rendeu-lhe o efeito desejado. Os 42 segundos ganhos a Minna Kauppi foram suficientes para assumir a liderança, uma liderança posta em causa a cinco pontos do fim, numa altura em que perdeu 32 segundos para a finlandesa. As duas controlaram ao mesmo tempo a quatro pontos do final, Kauppi perdeu dois segundos no ponto seguinte, recuperou um segundo no penúltimo ponto e, quando arrancaram no 100 em direcção ao Finish, as atletas estavam empatadas em tempo. A histeria tomou então conta da Arena ao ver uma superior Ryabkina bater inapelavelmente Minna Kauppi nos derradeiros metros. Completamente derrotada, Kauppi chegaria “longos” nove segundos após a vencedora, perdendo para a russa no desempate duma particular contenda que com ela manteve nestes Campeonatos. Tove Alexandersson - é justo que se diga! - fez uma prova exemplar, levando a Suécia à medalha de bronze.

Regressando à Estafeta Masculina, a última palavra vai para o seleccionado português. Sem Tiago Aires, afastado de grande parte destes Europeus por agravamento de lesão num dedo do pé, e com Paulo Franco, Manuel Horta e Miguel Silva já algo desgastados, a equipa portuguesa não conseguiu o seu grande objectivo e que se prendia com a melhoria do 21º lugar trazido de Primorsko nos últimos Europeus. Portugal terminou no 23º lugar com o tempo de 02:29:19, deixando atrás de si apenas a turma da Turquia, a distantes 32:49.


Resultados

Masculinos
1º Suiça (Martin Hubmann, Matthias Müller, Matthias Kyburz) 01:53:43
2º Suécia (Jonas Leandersson, Fredrik Johansson, Anders Holmberg) 01:53:46
3º França (Frédéric Tranchand, Philippe Adamski, François Gonon) 01:53:55
4º Noruega (Anders Nordberg, Carl Waaler Kaas, Olav Lundanes) 01:53:59
5º Rússia (Andrey Khramov, Dmitry Tsvetkov, Valentin Novikov) 01:54:38
6º Letónia (Edgars Bertuks, Martins Sirmais, Kalvis Mihailovs) 01:56:20
7º Finlândia (Jani Lakanen, Hannu Airila, Olli-Markus Taivainen) 01:57:07
8º Lituânia (Vilius Aleliunas, Simonas Krepsta, Jonas Vytautas Gvildys) 01:58:32
9º República Checa (Jan Prochazka, Jan Sedivy, Vojtech Kral) 01:59:49
10º Ucrânia (Denys Sherbakov, Pavlo Ushkvarok, Oleksandr Kratov) 02:01:22
(…)
23º Portugal (Miguel Silva, Manuel Horta, Paulo Franco) 02:29:19

Femininos
1º Rússia (Natalia Efimova, Svetlana Mironova, Tatiana Ryabkina) 01:55:35
2º Finlândia (Sofia Haajanen, Merja Rantanen, Minna Kauppi) 01:55:44
3º Suécia (Annika Billstam, Lina Strand, Tove Alexandersson) 01:56:30
4º Dinamarca (Emma Klingenberg, Ida Bobach, Maja Møller Alm) 01:59:20
5º Noruega (Tone Wygemir, Mari Fasting, Anne Margrethe Hausken Nordberg) 01:59:48
6º Suiça (Sara Lüscher, Sarina Jenzer, Rahel Friedrich) 02:00:04
7º República Checa (Vendula Klechova, Iveta Duchova, Dana Safka Brozkova) 02:05:05
8º Lituânia (Kristina Rybakovaité, Inga Kazlauskaité, Ausriné Kutkaite) 02:05:21
9º França (Céline Dodin, Karine D'Harreville, Amélie Chataing) 02:10:13
10º Grã-Bretanha (Sarah Rollins, Helen Palmer, Catherine Taylor) 02:14:38


Cores da Suécia pintam pódios do ETOC

Olhando de relance as duas competições dentro do EOC – ETOC e EOC Tour – e que também hoje chegaram ao fim, começamos por esta última onde Manuel Dias (GafanhOri), depois do brilharete de ontem e que lhe valeu uma saborosíssima vitória na etapa, hoje não foi além da 71ª posição, entre os 90 atletas presentes. O atleta termina assim a sua prestação no EOC Tour, escalão H60, no 29º lugar com um tempo total de 02:57:04 e a 36:17 do vencedor, o sueco P-O Ivarsson (Haninge SOK). No escalão H21-2, Grigas Piteira foi hoje o 63º classificado com o tempo de 01:24:51.

Quanto ao Campeonato da Europa de Orientação de Precisão, a derradeira etapa decorreu no fantástico espaço das Minas de Cobre de Falun, muito justamente classificadas pela UNESCO como Património Mundial da Humanidade. A prova estendeu-se desta feita ao longo de 1,7 km, com 20+2 pontos de controlo e um tempo limite de 111 segundos. Na Classe Paralímpica, à semelhança do que sucedeu ontem, o sueco Ola Jansson voltou a não errar e, com um total de 44 pontos, sagrou-se o grande vencedor, revalidando o título Europeu. Vencedor neste segundo dia por ter sido o mais rápido nos pontos cronometrados, o sueco Michael Johansson alcançou a medalha de prata com 42 pontos, relegando para a terceira posição, com o mesmo número de pontos, o seu colega de equipa, Rolf Karlsson. Na Classe Aberta, seis dos nove “totalistas” de ontem voltaram a fazer o pleno de 22 pontos, com o sueco Marit Wiksell a ser de novo o mais rápido e a vencer com 44 pontos e 26 segundos no total. A treze e dezasseis segundos, respetivamente nas segunda e terceira posições, classificaram-se o norueguês Lars Jakob Waaler e o sueco Jens Andersson.

Tudo para conferir em http://www.eoc2012.se/.

[Foto de Sascha Rhyner, em http://www.swiss-orienteering.ch/]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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