segunda-feira, 16 de abril de 2012

O'PORTO URBAN RACE: ORIENTAÇÃO NO MAIS BELO DOS PALCOS




O Circuito Nacional Urbano 2012 teve no Centro Histórico do Porto a sua prova de estreia. Num dos mais belos anfiteatros do mundo, reconhecido pela UNESCO como Património da Humanidade, Joaquim Sousa e Andreia Silva fizeram história, inscrevendo a ouro os seus nomes no Livro de Honra do certame.


Depois do Justlog Park Race 2012, a oitava edição do Troféu de Orientação do Porto prosseguiu com a realização da segunda etapa, em pleno Centro Histórico da cidade, muito justamente considerada Património Mundial da Humanidade. Prova de Orientação Pedestre na vertente de Sprint, o O'Porto Urban Race desenrolou-se num mapa novo, desenhado por Armando Rodrigues (Abril de 2012) e que conseguiu tirar o máximo partido das características únicas dum conjunto profundamente humanizado. Organizado pelo Grupo Desportivo dos Quatro Caminhos, PortoLazer e Federação Portuguesa de Orientação, o evento constituiu a primeira etapa do Circuito Nacional Urbano 2012, conjunto de provas lançado este ano pela Federação Portuguesa de Orientação e que pretende afirmar-se como uma veículo de promoção da modalidade por excelência.

À semelhança do sucedido na véspera, foi nos escalões abertos que residiu a grande força deste O'Porto Urban Race, com 137 participantes, muitos deles pela primeira vez, a aceitarem o desafio dum percurso mais curto ou mais longo, ao gosto e à medida de cada um. A estes juntam-se 93 participantes, distribuídos pelos 28 escalões de competição, um número que deve considerar-se escasso face ao significado do evento e à qualidade da oferta.


Grande Joaquim Sousa

Na vertente competitiva, Joaquim Sousa (COC) esteve ao seu melhor nível e, com uma prova de inegável categoria, soube ultrapassar da melhor forma os desafios que lhe foram surgindo nesse interminável sobe e desce de que o casco histórico da Invicta é feito. Os 5,3 km do percurso (23 pontos de controlo, 180 metros de desnível), cumpriu-os Joaquim Sousa em 38:06, contra os 38:19 de Albino Magalhães (GD4C), vencedor na véspera e que aqui teve de se contentar com a segunda posição.

Joaquim Sousa era no final um homem satisfeito. Desde logo porque, nas suas palavras, “a cidade do Porto ganhou mais um grande mapa.” E concretiza: “Quando falamos de mapa falamos de terreno e este é, sem dúvida, espectacular. O facto de termos um grande desnível ao longo de todo o percurso obriga-nos a um cuidado redobrado na tomada de opções, porque qualquer erro, por pequeno que seja, vai-nos sair do corpo. Então fazer Orientação no miolo deste aglomerado urbano, repleto de túneis e escadinhas, é espectacular.” Questionado sobre o significado duma vitória numa prova tão especial, Joaquim Sousa valoriza sobretudo a sua performance: “Numa prova com estas características, não penso na glória do resultado. Pretendo, isso sim, fazer uma prova como fiz hoje. O percurso estava muito bem traçado e, felizmente, este é um mapa com opções, um mapa desafiante. Depois é um mapa novo, o que me obrigou a ir mais concentrado e fez com que não cometesse tantos erros como os cometidos ontem, no Palácio de Cristal, num mapa que já conhecia.” A terminar, levanta a ponta do véu daquela que constituiu, na sua opinião, a chave da vitória: “A primeira parte da prova era muito física, mas a segunda parte era sobretudo técnica. E aí não cometi erros, consegui fazer uma prova limpa e penso que foi nesta parte final da prova e na tomada de opções que residiu a diferença e que a prova se decidiu a meu favor.”


Segunda vitória consecutiva de Andreia Silva

Na Elite Feminina, Andreia Silva (COC) repetiu o triunfo da véspera, desta feita com o tempo de 39:42, para 4,3 km de prova (20 pontos de controlo, 145 metros de desnível). Atrás de si, com um atraso relativamente significativo de 2:33, quedou-se de novo Liliana Oliveira (CPOC).

Começando por confessar que vive no Porto há seis anos e que o Porto já é, para si, a sua cidade, Andreia Silva avança uma ideia curiosa: “Quando acho que o Grupo Desportivo dos Quatro Caminhos já não pode fazer melhor porque já possui mapas excelentes, eles conseguem superar-se e fizeram aqui uma prova simplesmente espectacular.” Falando da sua prova, a atleta do Clube de Orientação do Centro referiu que “este é um mapa excelente e que combina muito bem as partes físicas com as partes técnicas. Comecei rápido, mas vi logo que era preciso acalmar um bocado, Consegui gerir o esforço, consegui tomar boas opções – havia zonas que eram muito complicadas e que me obrigaram mesmo a parar – e acho que, no geral, fiz uma boa prova.” E a terminar, a certeza que há muito para afinar: “Estou muito contente com esta vitória mas, com outras pessoas aqui a correr, talvez não tivesse podido hesitar tanto. Tenho que treinar a antecipação porque, em Sprint, não se pode parar e nalgumas zonas eu tive mesmo de parar.”


As pessoas têm de saber aquilo com que podem contar”

Para Fernando Costa, Diretor do Evento, “termos um mapa e uma prova no Centro Histórico do Porto, depois de termos cartografado todos os parques e jardins da cidade, é o concretizar duma aspiração que vem de longa data.” Falando dos aspectos técnicos da prova, aquele responsável adianta que “os percursos foram um bocadinho puxados, mas tinha de ser assim para que os participantes desfrutassem da beleza e dos desafios deste espaço único.” Referindo que “esta não é uma prova de Sprint pura, é mais uma prova de cidade em moldes antigos, como se duma Distância Média em ambiente urbano se tratasse”, Fernando Costa mostrava-se particularmente agradado com o facto do “feedback recebido dos participantes ser muito bom e estamos contentes por isso.”

Realçando ter sido este O'Porto Urban Race “um bom cartaz de propaganda para a modalidade”, Fernando Costa mostra-se optimista em relação ao futuro do evento: “As provas de Orientação não se fazem sempre no mesmo sítio e ganhar raízes é geralmente muito complicado. Mas esperamos que este projecto possa continuar e, no futuro, termos aqui um evento solidamente implantado e que faça parte do roteiro dos grandes eventos desportivos da cidade”. Não se mostrando admirado ou desapontado com níveis de participação que ficaram, em certa medida, aquém das expectativas, Fernando Costa conclui: “As coisas mudam muito na Orientação e andarmos a mudar todos os anos não dá. É impossível planear uma época quando, todos os anos, assistimos a mudanças. As pessoas têm de saber aquilo com que podem contar. Mas o Circuito Nacional Urbano é uma ideia muito interessante, acho que é daquelas coisas que tem pernas para andar, só é necessário é que estabilize. Se para o ano acabar e começar outra coisa qualquer, é claro que as pessoas vão aderir cada vez menos.”


Resultados

H21Elite
1º Joaquim Sousa (COC) 38:06
2º Albino Magalhães (GD4C) 38:19
3º Gildo Silva (COC) 41:06
4º Nélson Santos (COC) 43:09
5º Rafael Miguel (Ori-Estarreja) 43:52

D21Elite
1º Andreia Silva (COC) 39:42
2º Liliana Oliveira (CPOC) 42:15
3º Carla Saraiva (Ori-Estarreja) 46:38
4º Inês Aires (Ori-Estarreja) 50:37
5º Raquel Santos (Ginásio) 58:47

Outros escalões
H/D10 – André Serra Campos (.COM) e Juliana Pedro (CAOS)
H/D12 – Gil Pereira (TST) e Susana Silva (TST)
H/D14 – Bruno Sousa (TST) e Mariana Maurício (AE Maximinos / EDOM)
H/D16 – João Novo (AE Maximinos / EDOM) e Joana Fernandes (.COM)
H/D18 – Rui Pinto (AD Cabroelo) e Ana Aguiar (COV – Natura)
H/D20 – Rafael Ramos (Ori-Estarreja) e Ana Ribeiro (GD Luz Verde)
H/D21A – Celso Moiteiro (COC) e Michaela Sakrova (Ori-Estarreja)
H/D35 – Paula Serra Campos (.COM) e António Amador (Ori-Estarreja)
H/D40 – António Batista (ATV) e Alexandra Coelho (CPOC)
H/D45 – Emanuel Gomes (.COM) e Fátima Rocha (GD Luz Verde)
H/D50 – José Fernandes (.COM) e Gabriela Coelho (Ori-Estarreja)
H/D55 – Fernando Pinto André (TST) e Hermínia Tavares (Ori-Estarreja)
H/D60 – João Rodrigues (Ori-Estarreja) e Ana Carreira (CPOC)
Open Curto – Diogo C + César C (Individual)
Open Longo – Pedro Reis (SS Montepio Geral)

O 8º Troféu de Orientação do Porto estará de regresso no próximo dia 12 de Maio, Dia Nacional da Orientação, para a realização da sua terceira e última etapa. Com partida da Estação de S. Bento e chegada à Torre dos Clérigos, o O'Porto Turístico marca um regresso ao mapa do Centro Histórico do Porto, trazendo com ele a certeza duma grande jornada de divulgação dos recantos e encantos da Cidade Património Mundial da Humanidade, naquilo que promete ser uma grande festa da Orientação. Saiba tudo em http://www.gd4caminhos.com/top2012.

[Clique na imagem para ver a reportagem fotográfica do O'Porto Urban Race]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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