sábado, 21 de abril de 2012

LEANDRO SILVA E O ACTUAL MOMENTO DA ORIENTAÇÃO: "NÃO DEVEMOS IR ATRÁS DO DISCURSO FÁCIL E DEMAGÓGICO"




Na sequência da notícia publicada neste espaço na passada terça feira, e tal como era previsto, o prazo para a receção de candidaturas ao próximo mandato dos Órgãos da Federação Portuguesa de Orientação encerrou sem que surgisse qualquer lista a sufrágio. A propósito do atual momento da modalidade, o Orientovar auscultou as opiniões de Leandro Silva, Presidente do Conselho Fiscal da FPO, aqui deixando uma súmula das suas opiniões.


As 18h00 da passada quinta-feira chegaram e não foi registada nos serviços da Federação Portuguesa de Orientação a entrada de quaisquer listas candidatas aos Órgãos que superintendem os destinos da nossa modalidade. José Carlos Pires, o Presidente da Mesa da Assembleia Geral da FPO, irá desconvocar agora a Assembleia Eleitoral, agendada inicialmente para 28 de Abril, em Terras do Bouo. Por força das circunstâncias, a atual Direção irá manter-se em funções até ser ultrapassada esta situação de impasse mas o momento, quer se queira quer não, é delicado e exige uma solução no mais curto intervalo de tempo.

Relativamente ao atual momento da nossa Orientação, o Orientovar falou com Leandro da Graça Silva, Presidente do Conselho Fiscal da Federação Portuguesa de Orientação, que analisa a situação sob dois prismas diferentes, mas necessariamente complementares. Por um lado, a situação actual da Federação no que concerne aos aspectos económico-financeiros e aos aspectos operacionais ou organizativos, como lhe queiramos chamar. E por outro lado, o actual estado da modalidade no que diz respeito aos seus elementos participativos: clubes, organizadores, participantes, patrocinadores e outros.


Reequilibrar a situação económico-financeira

No que concerne ao primeiro aspecto, tal como tinha sido antecipado em momento oportuno entre o final de 2010 e o primeiro trimestre de 2011, Leandro Silva vinca aquilo que é de todos conhecido: “Os nossos piores receios quanto à conjuntura económico-financeira do país confirmaram-se e tal facto condicionou significativamente todo o tipo de acções a desenvolver.” No particular caso da Orientação, esta situação foi agravada por aquilo que classifica de “gestão desastrosa ocorrida entre o final de 2010 e final do primeiro trimestre de 2011, atirando para níveis muito preocupantes a situação patrimonial da FPO, facto que condicionou toda a actividade durante o resto do ano de 2011. Deste modo, o resto do ano foi dedicado a reequilibrar a situação económico-financeira e a tentar executar da melhor maneira possível o Plano de Actividades aprovado.”

De qualquer modo, na opinião de Leandro Silva, “a não alteração do modelo organizativo que a anterior Direcção tentou implementar, permitiu atenuar os impactos negativos da actual conjuntura.” Este facto permitiu dispor, segundo aquele responsável, “de uma maior diversidade de apoios, quer por parte da Administração Local e sponsors locais, quer através da manutenção do enorme índice de trabalho voluntário no qual assenta grande parte do sucesso da Orientação em Portugal.”


A chave do nosso sucesso está na massificação

Quais as perspectivas para os próximos anos? Num momento de incerteza a todos os títulos, uma certeza Leandro Silva tem: “Devemos continuar a ter uma atitude muito realista relativamente ao problema global que enfrentamos, ou seja, não devemos ir atrás do discurso fácil e demagógico de que tudo é possível.” Mas há mais e, para o Presidente do Conselho Fiscal da FPO, é muito importante “consolidar o actual modelo, no sentido de desenvolver entre a FPO e os Clubes, sobretudo os organizadores, um modelo organizativo de eventos que possa dispor de um conjunto de valências e de infraestruturas centralizadas a disponibilizar pela FPO e outras completamente descentralizadas a disponibilizar pelos organizadores.” Há, sobretudo, um aspecto que importa resolver no mais curto espaço de tempo: “É fundamental regulamentar um dos principais activos ao dispor da Federação e dos Clubes e que são os mapas. É, no meu entender, imperioso que tal se efectue rapidamente e o mais consensualmente possível.”

Tal como em relação aos mais variados assuntos, também no que respeita ao tema da competição a visão de Leandro Silva não poderia ser mais objectiva: “Temos que ser realistas, no sentido de perceber que as nossas valências estão centradas fundamentalmente na quantidade de participantes e menos na qualidade”, abrindo aqui uma eventual excepção para a Orientação em BTT. “Tal facto”, prossegue, “remete-nos para o modelo de desenvolvimento a instituir, tendo por base as condições e disponibilidades económico-financeiras e as condições e valências desportivas. E, neste domínio, a chave do nosso sucesso está na massificação, na dinamização de eventos com um bom nível de importância próximo dos grandes centros urbanos e a organização de eventos de projecção internacional junto de regiões, que se apresentem e candidatem com boas condições económico-financeiras.” Daí que, do seu ponto de vista, uma elevada participação em eventos no estrangeiro não seja uma prioridade: “Neste domínio devemos ser bastante selectivos e criteriosos, sem descurar a necessária presença nos eventos internacionais”.


Desenvolvimento e exploração do actual modelo organizativo

Conseguindo levar por diante os pressupostos anteriormente enunciados, Leandro Silva considera que todos conseguiremos “ultrapassar de forma menos onerosa aquela que no meu entender será uma das principais adversidades ao crescimento da modalidade e que deverá ser a distância dos eventos relativamente às principais áreas de origem dos participantes e que por razões económicas estão a deixar de participar nos eventos.”

Para finalizar, o Presidente do Conselho Fiscal da FPO considera que, “como elemento do sucesso da Orientação em Portugal, encontra-se fundamentalmente o desenvolvimento e exploração do actual modelo organizativo que contempla a FPO cada vez mais como elemento regulador da actividade desenvolvida e dinamizador da qualidade a apresentar nos eventos no exterior, nomeadamente através da dinamização de Grupos de Trabalho e da articulação com as entidades públicas nos apoios a conceder aos atletas que apresentam elevados níveis de qualidade.


NOTA: Numa das impressões deixadas acima por Leandro Silva, aquele responsável dá nota da ausência de participantes nos eventos por razões económicas. Este será, quiçá, o principal motivo que levou ao cancelamento da segunda etapa do Circuito Nacional Urbano, agendada para hoje em Portel. A ADFA – Associação de Deficientes das Forças Armadas, justifica a medida com o baixo número de inscrições. A lista de inscritos, patente no Oásis, contabilizava à data do cancelamento, doze interessados no evento, metade dos quais oriundos da vizinha Espanha.


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

1 comentário:

Anónimo disse...

Comentário muito interessante e realista.
Mau prenuncio a anulação da etapa do circuito urbano deste fim de semana.
O futuro é cada vez mais uma incógnita também para a nossa modalidade.
Política á parte só mesmo unidos, conseguiremos ultrapassar as dificuldades que seguramente teremos de enfrentar.

Cumprimentos;
Rui Antunes