domingo, 29 de abril de 2012

CAMPEONATO NACIONAL DE ESTAFETAS 2012: ADFA E CPOC SÃO OS NOVOS CAMPEÕES




A ADFA em Seniores Masculinos e o CPOC em Seniores Femininos conquistaram hoje o título nacional de Estafetas 2012. Integrada nos “4 Dias do Minho”, a “festa” da Orientação regressou aos palcos da véspera e aos belos espaços do Monte de Santa Isabel, transformando-se numa jornada plena de competição sadia e emoções fortes.


No segundo dos “4 Dias do Minho”, ficaram hoje a conhecer-se os Campeões Nacionais de Estafetas 2012. Pelo triunfo nas categorias Seniores Masculinos e Seniores Femininos, respetivamente, ADFA e CPOC são os grandes ganhadores da jornada. A eles junta-se o COC que, ao embolsar cinco dos quinze títulos atribuídos, adquire por direito próprio um lugar na galeria de notáveis da edição de 2012.

Organizado pelo Clube de Orientação do Minho, com o apoio da Câmara Municipal de Terras do Bouro e da Federação Portuguesa de Orientação, o Campeonato Nacional de Estafetas 2012 contabilizou um total de 93 equipas em prova, às quais se devem somar outras 21 equipas que marcaram presença nas Estafetas Popular Curto e Popular Longo. Traçados sobre Distância Média, os percursos voltaram a colocar enormes desafios físicos e técnicos às equipas em prova, permitindo encontrar vencedores para todos os gostos.


Liliana Oliveira, a chave da vitória

Na categoria Seniores Masculinos, a ADFA entrou disposta a arrumar a questão logo de início e Pedro Nogueira terminou o seu percurso na liderança da prova, com 3:40 de vantagem sobre a equipa do COC, segunda classificada. No segundo percurso, assistiu-se a uma espetacular recuperação da turma do GafanhOri que, depois dum primeiro percurso menos conseguido do veteraníssimo Manuel Dias, teve em Tiago Aires um “ariete” de exceção. O campeão nacional de Distância Longa conseguiu recuperar os doze minutos de diferença que separavam a sua equipa da do COC, entregando o testemunho para o derradeiro percurso a escassos 9 segundos de Gildo Silva. A ADFA, essa, seguia na frente, imperturbável, com Luís Silva a fazer também ele uma grande prova. No terceiro percurso, Tiago Romão limitou-se a gerir uma vantagem que rondava os catorze minutos, dando à ADFA um muito saudado triunfo, após um jejum de três temporadas. Manuel Horta (GafanhOri) esteve imparável no derradeiro percurso, batendo André Ramos (COC) por margem superior a dois minutos e dando à turma arraiolense a segunda posição. Depois de três títulos nacionais consecutivos, o COC teve de se contentar com o lugar mais baixo do pódio.

No que à categoria Seniores Femininos diz respeito, a história como que se repetiu, embora com diferentes atores. O CPOC foi o grande protagonista da jornada, não só pelo título alcançado como pelo facto de o ter feito pela primeira vez no historial do clube. E se há um nome que merece ser realçado acima de todos os outros, esse é o de Liliana Oliveira, visto ter sido ela a abrir as portas da vitória ao clube de Oeiras, graças a um primeiro percurso absolutamente magistral. Na verdade, a vantagem de três minutos sobre o GafanhOri e de cinco minutos sobre o COC logo a abrir a prova, transmitiram uma enorme confiança à poderosíssima Mariana Moreira que, no segundo percurso, conseguiu ampliar a vantagem para cifras a rondar os dez minutos sobre as adversárias diretas. Vera Alvarez terá feito um percurso final pouco condizente com a sua real categoria, mas a vitória, essa, era do CPOC. A luta pelo segundo lugar decidiu-se no segundo percurso, cujo desfecho foi favorável a Andreia Silva e ao COC por uma diferença de 4:01. No derradeiro percurso, Raquel Costa mostrou-se incapaz de virar o resultado a favor do GafanhOri, deixando assim fugir um título que foi seu na época transata.


Emoções para todos os gostos

Nas restantes categorias, a maior surpresa terá ocorrido em Cadetes Masculinos, onde o CPOC, com Henrique Silva, Osvaldo Silva e Diogo Barradas, vergou o favoritismo da ADFA, vencedora em 2011, depois de João Rato ter entregue “o ouro ao bandido” logo no primeiro percurso. Surpreendentes também, mas apenas pela enorme diferença de tempos observados, contam-se as vitórias do GD4C em Cadetes Femininos, do COC em Veteranos Femininos I e do COALA em Veteranos Masculinos III, neste último caso devido à conjugação duma boa prova de Luciano Lucas e dum derradeiro percurso menos conseguido de António Cruz (CPOC). A vitória mais suada terá sido a do COC no escalão de Veteranos Masculinos I, com Joaquim Sousa a recuperar os 46 segundos de desvantagem para a ADFA trazidos de trás e a bater Jorge Correia praticamente sobre a linha de meta. Quanto à maior recuperação, essa teve lugar na categoria de Iniciados Femininos, com Sara Roberto a ganhar 17:55 (!) a Catarina Daniel e a oferecer um triunfo ao COC sobre o CPOC pela escassa margem de 10 segundos.

Em Juvenis Femininos, Helena Xavier Baptista e o GD4C ainda devem estar a fazer contas de cabeça como foi possível deixar fugir o título para o CPOC, após uma vantagem superior a dez minutos à entrada para o derradeiro percurso. Também o COC, em Juvenis Masculinos, conseguiu virar o resultado a seu favor apenas no último percurso, com João Bernardino a superiorizar-se a Bernardo Pereira (ADFA). Numa jornada feita de vencedores e vencidos, a última palavra vai para um dos grandes perdedores da jornada, Rafael Miguel. Reconhecidamente um dos maiores valores da jovem Orientação portuguesa, o atleta do Ori-Estarreja não esteve hoje nos seus melhores dias, deixando fugir para a ADFA o título de Juniores Masculinos. Um título que parecia seguro graças a uma vantagem de 3:17 à entrada para o derradeiro percurso mas que Fábio Silva teve o mérito de saber contrariar, reeditando o resultado da época passada e oferecendo ao seu clube um saboroso triunfo.


Resultados

Séniores Masculinos
1º ADFA (Pedro Nogueira, Luís Silva, Tiago Romão) 1:33:07
2º GafanhOri (Manuel Dias, Tiago Aires, Manuel Horta) 1:43:32
3º COC (Paulo Franco, Gildo Silva, André Ramos) 1:46:00
4º GD4C (Jorge Marques, Luís Leite, Hélder Marcolino) 2:01:34
5º Ori-Estarreja (Nelson Graça, Sérgio Matos, Levi Pagaime) 2:09:27

Séniores Femininos
1º CPOC (Liliana Oliveira, Mariana Moreira, Vera Alvarez) 1:54:35
2º COC (Catarina Ruivo, Andreia Silva, Patrícia Casalinho) 1:59:28
3º GafanhOri (Lena Coradinho, Rita Rodrigues, Raquel Costa) 2:00:57
4º GD4C (Céu Costa, Susana Alves, Joana Costa) 2:03:40
5º ADFA (Albertina Sá, Rita Madaleno, Marta Fonseca) 2:25:22

Vencedores outras categorias
Iniciados Masculinos – Ori-Estarreja (André Henriques, Daniel Cruz, João Pedro Casal)
Iniciados Femininos – COC (Tânia Pereira Olaio, Ana Gouveia, Sara Roberto)
Juvenis Masculinos – COC (António Ferreira, Gabriel Braz, João Bernardino)
Juvenis Femininos – CPOC (Maria Firmino, Helena Vilela, Beatriz Moreira)
Cadetes Masculinos – CPOC (Henrique Silva, Osvaldo Silva, Diogo Barradas)
Cadetes Femininos – GD4C (Vatarina Dias, Inês Alves, Carolina Delgado)
Juniores Masculinos – ADFA (Ricardo Reis, Miguel Ferreira, Fábio Silva)
Juniores Femininos – GafanhOri (Ana Anjos, Inês Pinto, Teresa Maneta)
Veteranos Masculinos I – COC (Jorge Oliveira, Ricardo Oliveira, Joaquim Sousa)
Veteranos Femininos I – COC (Cátia Marques, Claudia Garcia Monteiro, Anabela Vieito)
Veteranos Masculinos II – ADFA (Mário Duarte, Francisco Cordeiro, Armando Santos Sousa)
Veteranos Femininos II – COC (Luísa Mateus, Palmira João, Isabel Monteiro)
Veteranos Masculinos III – COALA (Armando Santos, José Raposo, Luciano Lucas)


Cada vez custa mais manter os padrões de antigamente”

O Orientovar falou com José Fernandes, Diretor do Evento, que começou por fazer um balanço muito positivo desta primeira metade dos “4 Dias do Minho”: “Para aquilo que trabalhámos, correu tudo muito bem, com alguma sorte à mistura devido à instabilidade atmosférica que felizmente não passou das ameaças e o feedback dos atletas que nos chegou é muito bom.” O homem forte destes “4 Dias do Minho” não esconde que “montar um evento desta natureza é cada vez mais complicado devido à escassez de apoios”, acrescentando que “cada vez custa mais manter os padrões de antigamente”.

Relativamente às anteriores edições dos Nacionais de Distância Longa e de Estafetas, disputados nesta região em 2009 e em 2010, a quebra de participações, ao contrário do que se tem verificado na generalidade dos eventos, não é significativa e isso deve-se, segundo José Fernandes, “ao facto de continuarmos fiéis aos nossos padrões e que se baseiam na qualidade, na justiça da competição e também na componente ambiental e paisagística desta região, autêntico recanto do paraíso”. Quanto ao que falta dos “4 Dias do Minho”, os índices de participação vão descer drasticamente, embora aquele responsável estivesse à espera “duma quebra maior, uma vez que teremos duzentos participantes na etapa de amanhã e depois, no último dia, um número perto dos trezentos.” Ainda assim, esta quebra penaliza a organização na medida em que “o trabalho que temos para duzentas pessoas ou para quatrocentas é exatamente o mesmo e a penalização vem por essa via. Mas compreendo que, na conjuntura atual, as pessoas não fiquem para os quatro dias.”




Mais informações e resultados completos em http://www.pontocom.pt/actividades/20124DiasdoMinho/apresentacao.php

[Fotos gentilmente cedidas por Paulo Fernandes]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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