segunda-feira, 9 de abril de 2012

CAMPEONATO DE ESPANHA DE ORIENTAÇÃO DE PRECISÃO 2012: IMPRESSÕES




No rescaldo dos Campeonatos de Espanha de Orientação de Precisão 2012, o Orientovar auscultou as opiniões de alguns dos seus maiores protagonistas. Vejamos, pois, o que disseram Liliana Rocha, Victor Garcia Berenguer e Roberto Munilla, respectivamente Chefe da delegação portuguesa, Presidente da Federação Espanhola de Orientação e Director da Prova.


É muito bom para o DAHP – Núcleo de Desporto Adaptado do Serviço de Medicina Física e de Reabilitação do Hospital da Prelada ser reconhecido desta forma, porque é assim que entendemos este convite por parte da Federação Espanhola de Orientação. Por outro lado, fomos o único grupo que participou com atletas paralímpicos, o que nos enche de orgulho, naturalmente. Quanto à parte competitiva, a prova foi, em si mesma, um desafio. Teve pontos muito interessantes e difíceis, o que para os nossos atletas acabou por ser óptimo, indo ao encontro daquilo que eles próprios reivindicam. O contratempo foi mesmo a intempérie, algo que não podemos controlar mas que faz parte da prova. Se queremos ser atletas e levar as coisas realmente a sério, temos de contar com este tipo de situações e aprender a lidar com elas. Até nesse aspecto, esta prova foi um ensinamento para nós.

Para uma primeira prova organizada em Espanha, confrontarmo-nos com este nível é muito interessante. Eles concerteza aprenderam algo connosco, nós aprendemos muito com eles hoje e estou certa que, juntos, podemos continuar a crescer. Há um aspecto onde, claramente, é necessário investir. Temos de saber captar atletas com mobilidade reduzida e, para isso, temos de levar a Orientação de Precisão ao seu encontro. Neste caso, temos de saber ir junto dos Serviços de Medicina Física e de Reabilitação e que são estruturas extraordinariamente bem organizadas em Espanha, nomeadamente com Centros ligados à lesão medular. Penso que não seria difícil, junto desses Serviços, colher o interesse de responsáveis e de utentes. A Orientação de Precisão é um desporto simples, é um desporto barato, é um desporto inclusivo. Temos é de saber mostrá-lo e estou certa que em Espanha a Federação saberá dar os passos certos nesse sentido. Seria óptimo podermos retribuir o convite e recebermos em Portugal um grupo de atletas paralímpicos espanhóis. Quem sabe, já no próximo ano isso poderá vir a ser uma realidade.

Liliana Rocha
DAHP – Núcleo de Desporto Adaptado do Serviço de Medicina Física e de Reabilitação do Hospital da Prelada


É uma honra para nós estarmos perante o primeiro Campeonato de Espanha de Orientação de Precisão. Já noutras ocasiões tinhamos levado a efeito provas destas, mas nunca com a seriedade da prova de hoje. É o colocar da primeira pedra para que as coisas possam evoluir no futuro. Consideramos que há um enorme interesse nesta disciplina e que tem um potencial de futuro inquestionável.

Não sou um especialista da Orientação de Precisão, embora já a conheça desde 1996 e a tenha praticado então na Suécia. Mas creio, na minha modesta opinião, que esta prova de hoje esteve bastante bem e a demonstração disso mesmo é que, todos aqueles que terminam a prova, mostram uma enorme satisfação.

Sei que se está a fazer um trabalho sério em Portugal, sinto que podemos pensar em trilhar este caminho juntos e pessoalmente ficaria encantado com a perspectiva de podermos vir a organizar futuramente um Campeonato Ibérico. Irei colocar-me em contacto com Augusto Almeida e com a Direcção da Federação Portuguesa de Orientação, visto estar encantadíssimo com essa perspectiva. Lançar um Campeonato Ibérico de Orientação de Precisão seria, ao mesmo tempo, um orgulho e uma honra. E que o façamos o mais rapidamente possível. Se puder ser já no próximo ano, pois tanto melhor!

Victor M. García Berenguer
Presidente da Federação Espanhola de Orientação


A minha maior satisfação é ver que todos os participantes ficaram contentes com os desafios montados e isso representa um passo importante na difusão deste desporto. Graças ao conjunto de colaboradores que tivemos aqui foi possível ultrapassar os obstáculos, dos quais o maior foi mesmo o número de participantes que ultrapassou em cerca de um terço aquilo que eu imaginara como ideal. Tanto como os aspectos técnicos, preocupava-me o tempo de duração da prova que, afinal, foi suficiente. Vi as pessoas contentes, vi as pessoas a aprender, a querer saber mais e vi que a prova despertou um enorme interesse, tanto nos competidores como nos organizadores.

Os próximos desafios centram-se em manter viva a chama da Orientação de Precisão e tentar chegar a todos aqueles que solicitem algum tipo de colaboração. Pessoalmente, estou disponível para chegar a qualquer ponto de Espanha ou de Portugal, levando alguma da minha experiência. Quanto a vermos participantes a competir em Espanha numa Classe Paralímpica, creio que será algo que ainda demorará algum tempo em Espanha. Temos algumas ideias mas ainda não as conseguimos materializar. Poder oferecer mais um desporto às pessoas com mobilidade reduzida é, em termos pessoais, o meu maior objectivo e foi esse o motivo que me levou a agarrar a Orientação de Precisão junto da Federação Espanhola. As circunstâncias não nos permitiram ainda começar, mas vamos consegui-lo, seguramente.

Roberto Munilla
Responsável Técnico do Campeonato de Espanha de Orientação de Precisão




[Mapa e Folha de Soluções gentilmente cedidos por Roberto Munilla]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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