sexta-feira, 20 de abril de 2012

4 DIAS DO MINHO: GERÊS VOLTA A RECEBER NACIONAIS DE DISTÂNCIA LONGA E DE ESTAFETAS




Após um ano de interregno, o Clube de Orientação do Minho volta a ter a responsabilidade de organizar os Campeonatos Nacionais de Distância Longa e de Estafetas. Nos vastos e belos espaços naturais do Gerês, a Orientação volta a reinar em mais uma edição dos 4 Dias do Minho.


No ano em que completa uma década de vida, o Clube de Orientação do Minho prepara-se para levar a cabo uma nova edição do seu evento mais emblemático. Falamos dos 4 Dias do Minho, um projecto que viu a luz do dia nos idos de 1998 pelas mãos da ARCCa - Associação Recreativa e Cultural do Campo –, no fundo a entidade percursora do nóvel clube de Lamaçães, um dos atuais baluartes da Orientação em Portugal.

Vale ainda a pena lembrar que os 4 Dias do Minho e o arrojo em arrastar a competição no tempo ao longo de quatro belos dias, para além do seu pioneirismo, acabou por servir de modelo ao Portugal O’Meeting. Para nos falar disto e muito mais, o Orientovar foi ao encontro de José Fernandes, o Director da Prova, aqui deixando o registo dessa conversa para memória futura.


Um mapa de boa memória”

Orientovar - Como avalia mais um voto de confiança por parte da Federação Portuguesa de Orientação em atribuir ao Clube de Orientação do Minho um dos mais importantes eventos do calendário nacional?

José Fernandes - A confiança existe e penso que se deve a uma certa fidelidade aos princípios que ao longo dos anos têm norteado a linha de rumo do meu clube, sempre baseados em critérios de exigência e sobriedade, factores absolutamente necessários a este tipo de competições no nosso entender. O facto de tão repetidamente organizarmos estes Campeonatos penso que se deve também em grande medida ao facto de os maiores clubes nacionais não terem grande interesse pela sua organização visto que afastaria muitos dos seus atletas da competição e a consequente perda de títulos.

Orientovar - Regressar, mais de uma década depois, ao mapa do Monte de Santa Isabel e a um tempo em que o Clube de Orientação do Minho, enquanto tal, não existia ainda, que particular emoção causa nesta equipa organizativa?

José Fernandes - Santa Isabel é um mapa de boa memória. Foi utilizado pela primeira vez no Carnaval de 1999, na segunda edição dos 4 Dias do Minho, na qual se disputou o Campeonato Nacional de Distância Curta (hoje Distância Média), com a presença de diversos atletas estrangeiros, que ainda hoje nos visitam por ocasião do POM. Para os praticantes mais recentes na modalidade fica a informação de que o modelo e a data do actual POM não é mais nem menos do que o seguimento das primeiras edições dos 4 Dias do Minho.


Os que ficarem creio que não darão por mal empregue o seu tempo”

Orientovar - O Gerês e a Cabreira têm sido espaços privilegiados para a prática da modalidade e ao labor do Clube de Orientação do Minho devemos a descoberta de terrenos absolutamente fantásticos. Que mapas e terrenos podemos esperar nos Nacionais de Distância Longa e de Estafetas?

José Fernandes - Tanto o Mapa de Santa Isabel como o de Lamas já foram utilizados em outras competições. O mapa da Distância Longa é muito extenso, de um terreno de montanha predominantemente aberto, em que será determinante a escolha de itinerário para se ter sucesso. O terreno do Campeonato Nacional de Estafetas é numa zona de floresta muito bonita e bastante técnica, em que a concentração e a leitura rápida serão decisivas.

Orientovar - O evento, no seu todo, não se resume ao fim de semana, prolongando-se até 1 de Maio. Quer traçar-nos o programa da segunda metade dos 4 Dias do Minho?

José Fernandes - O prato forte desta edição dos 4 Dias do Minho será servido nos dois primeiros dias com os Campeonatos Nacionais e uma boa parte dos atletas já não ficarão para a segunda parte. Os que ficarem creio que não darão por mal empregue o seu tempo, pois para o terceiro dia teremos uma prova de Sprint num cenário muito belo a emblemático da região do Minho, no mapa novo da vila do Gerês e que será utilizado na etapa do Circuito Nacional Urbano, e no último dia experimentarão correr na serra do Gerês uma prova de Distância Média, num terreno muito rochoso e muito técnico, sem o tojo que tantos problemas causa na progressão dos atletas, mas em que a velocidade não será o factor fundamental para vencer.


Como se estivessem noutro planeta”

Orientovar - Colocar de pé um evento desta natureza nunca é fácil. Quais as maiores dificuldades encontradas e com que apoios têm contado?

José Fernandes - As dificuldades são as de sempre num clube que, para aproveitar os bons terrenos, teima em levar estas provas para locais onde não existe qualquer infra-estrutura de apoio. Quanto aos apoios em si, também não variam muito relativamente ao passado. A Câmara Municipal de Terras de Bouro é sem dúvida o principal parceiro e depois contamos também com pequenos apoios das Juntas de Freguesia onde se realizam as competições, algumas empresas de hotelaria, empresas de actividades de animação e de ar livre da região, a empresa das Águas do Fastio e do RC6 de Braga. Por último e não menos importante, contamos também com a compreensão dos proprietários de alguns terrenos que serão invadidos durante a prova.

Orientovar - Se é possível levantar a pontinha do véu, há algum aspecto em particular no qual deposite maiores expectativas ao longo destes quatro dias que constituem o evento?

José Fernandes - Depois de tantos anos a organizar provas, a maioria dos atletas conhece-nos e já não é fácil surpreendê-los. No entanto, fico com algumas expectativas relativamente ao terreno do mapa de Santa Isabel em que, principalmente nos percursos mais longos da Distância Longa, os atletas a certa altura se sentirão quase como se estivessem noutro planeta, sendo que essa sensação será mais evidente sempre que não avistem ninguém.


Todo o tempo será pouco”

Orientovar - Quer deixar alguns conselhos àqueles que rumarem a Terras do Bouro e por aqui permanecerem entre os dias 28 de Abril e 01 de Maio?

José Fernandes - Durante quatro dias, os atletas vão estar numa região que para além do seu valioso património natural é também detentora de uma história muito rica, desde logo pela sua importância como ponto de passagem da principal via que ligava a cidade romana de Bracara Augusta à cidade de Astorga, em Espanha. Mais tarde assumiu um papel importante em lutas pela defesa do território nacional. É também uma região muito importante no que diz respeito à gestão dos territórios privados em regime comunitário, constituindo uma lição que se torna cada vez mais evidente e importante para todos os que cultivam o individualismo que está a afectar gravemente a sociedade moderna. Por tudo isto, creio que todo o tempo será pouco para os que quiserem aproveitar esta oportunidade para melhor conhecerem a região.

Orientovar - Em termos pessoais, enquanto Diretor da rova, qual o seu maior desejo?

José Fernandes - A Direcção desta prova é partilhada entre mim e o José Carlos Pires. De qualquer modo, ele não me levará a mal se disser que o meu maior desejo é que toda a competição seja limpa e justa, que os atletas não sofram qualquer dano na sua integridade física, que fiquem com vontade de regressar e que quem nos apoia dê por bem empregue esse apoio.

Saiba tudo sobre o evento em http://www.pontocom.pt/actividades/20124DiasdoMinho/apresentacao.php ou clicando na imagem abaixo.



Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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