Vem aí o Raid Portas do Ródão e, com
ele, a quinta edição do Campeonato Nacional de Corridas de
Aventura. O Orientovar falou com Alexandre Soares dos Reis, Diretor
Técnico da prova, aqui se abrindo uma janela sobre dois dias de
aventura ao mais alto nível, com as deslumbrantes paisagens da
Meseta Meridional em pano de fundo.
Depois da Zona Oeste, Vale do Lima, Caldas da Rainha e Faial
(Açores), o Campeonato Nacional de Corridas de Aventura viaja pela
primeira vez para o interior de Portugal, ao encontro de Vila Velha
de Ródão, “um território onde a história se faz eterna, porque
escrita nas folhas cinzentas do xisto e do quartzito.”
As Portas do Ródão são a face mais
visível de um Tejo vigoroso e novo, axis-mundi de um território
mágico, tatuado nas pedras lisas e gastas do leito do rio por
milhares de gravuras picotadas. Dos passos seguintes da história do
concelho muito se desconhece, restando a certeza de que as marcas do
Homem se inscrevem ainda na dureza do xisto. Mas o caçador e a tribo
deram lugar ao homem lúdico e à sociedade de informação. Por um
futuro sustentável, Vila Velha de Ródão é hoje um concelho activo
e moderno, com muito para descobrir, com tanto para oferecer.
Os preparativos
É em busca de aventura, prazer e
descoberta que os amantes das Corridas de Aventura assentarão
arraiais em Vila Velha de Rodão, nos próximos dias 31 de Março e
01 de Abril, ao encontro das emoções prometidas pelo Raid Portas de Ródão. A organização está a cargo da ADFA - Associação
dos Deficientes das Forças Armadas, em colaboração com a Câmara
Municipal de Vila Velha de Ródão e o apoio da Federação
Portuguesa de Orientação e a prova, pontuável para o Ranking FPO
de Corridas de Aventura, é simultaneamente Campeonato Nacional desta
disciplina.
A poucos dias do evento, o Orientovar
falou com Alexandre Soares dos Reis, Diretor Técnico da prova,
ficando a saber que “os preparativos estão a decorrer dentro dos
tempos inicialmente planeados.” Aquilo que começou por ser um
trabalho de gabinete, de comparação da cartografia militar de todo
o concelho com os ortofotos atualizados, acabou por se revelar um
trabalho solitário, exaustivo e, sobretudo, muito moroso, devido ao
facto de as cartas militares estarem “muito desatualizadas”. A
este propósito, Soares dos Reis efectuou as alterações que foi
detectando mas, “só este processo deve ter-me consumido umas
cinquenta horas.” Há cerca de um mês, uma primeira equipa esteve
no terreno a reconhecer os pontos previamente selecionados e os
locais das atividades e, no dia de amanhã, a equipa organizativa
deste Raid Portas do Ródão voltará ao terreno para testar as
etapas em ritmo de competição. “Neste momento”, adianta, “posso dizer que 90% do trabalho no terreno está feito e
os restantes 10% são questões de pormenor relacionadas com a última
etapa de Score100”.
Rápidos do Ocreza, uma carta fora do
baralho
Porquê a opção da ADFA pelas Portas
do Rodão e por toda essa vasta zona do Tejo Internacional? A verdade
é que “não se poderá considerar uma opção, mas sim o
corresponder a um interesse local num evento desta natureza”,
explica Soares dos Reis. E acrescenta: “Foi proposto à ADFA o
desafio de organizar uma prova em Vila Velha de Ródão. A
disponibilidade do Município local associada a um enquadramento
paisagístico tremendo não nos deixaram quaisquer dúvidas de que se
poderia realizar um evento de eleição.”
Apesar de pequeno, o Concelho é muito
rico em pontos de interesse, abarcando uma vasta área da Meseta
Meridional e do Tejo Internacional, onde se inscrevem as Portas do
Tejo, as Portas de Mourão, o Castelo do Rei Wamba ou a Mina de Ouro
Romana, entre outros. É neste contexto duma cultura milenar e de
paisagens de cortar a respiração que se desenrolará o Raid Portas
de Ródão, dividido por sete etapas, que vão da Orientação
Pedestre e da Orientação em BTT, à Corrida, Canoagem e Actividades
(Rappel, Escalada e Slide). Mas porque “não há bela sem senão”,
aquele que para Soares dos Reis seria o ponto alto do programa – a
Descida de Rápidos do Rio Ocreza – parece ser uma carta fora do
baralho: “Neste momento é praticamente impossível levar a cabo
essa etapa. Estamos a duas semanas da prova e ainda não começou a
chover. Era preciso que chovesse durante vários dias
para o rio ter o caudal adequado e depois era necessário que
repousasse dois ou três dias para que se pudesse fazer a descida.
Com muita pena minha vou ter de deixar cair essa etapa. No entanto, este fim de semana vou reunir com a empresa que nos apoia nas
atividades afim de criarmos algo interessante para colmatar essa
perda”, adianta aquele responsável. Mas que não se desiludam os
amantes da Canoagem, porque esta continua a constar do programa da
prova e também com uma etapa rainha no Tejo Internacional, com
passagem pelas Portas de Ródão.
Paixão!!!
Mudando um pouco de assunto, com as
dificuldades que existem e que são patentes na Orientação,
quisemos saber o que move uma entidade ou um clube a organizar
uma prova de Corridas de Aventura. Afinal, onde está o retorno? Para
Soares dos Reis, resume-se tudo numa palavra: “Paixão!!!” E
fundamenta: “Penso que passa em primeiro lugar por uma grande dose
de paixão de um grupo de pessoas e até, às vezes, de "apenas"
uma! Com a conjuntura atual, associada às exigências de uma prova
deste tipo, é muito difícil uma organização ter retorno
financeiro. São muitos encargos: Canoagem, atividades (slide,
escalada, tiro, pista de cordas), prémios, almoço etc... É
fundamental encontrar parceiros que ajudem a diluir esses encargos,
promovendo uma prova sem perda de qualidade. A ADFA teve sorte porque
encontrou aqui em Vila Velha de Ródão um parceiro de excelência.”
Aquele responsável faz questão de
frisar que, “para as entidades que nos apoiam, esta é uma excelente oportunidade de
mostrar a região a um nicho de pessoas que apreciam a natureza e que
por norma voltam sempre ao local onde fizeram a prova, com a família ou
mesmo para treinar.” E lembra que “uma prova de Aventura tem a
particularidade de percorrer num fim de semana cerca de 150 kms,
dando a conhecer quase tudo numa região.”
Uma prova para recordar
Com a conversa a caminhar rapidamente
para o final, Soares dos Reis não se alarga muito no tocante a
expectativas: “Se tivermos como referencia a primeira prova da
época, podemos apontar para umas 30 a 35 equipas”, diz,
considerando ser este “um numero simpático na conjuntura atual.”
A terminar, uma promessa que encerra,
em si mesma, um convite: “Posso apenas dizer que estamos a
trabalhar para criar as condições necessárias para que recordem
esta prova.”
Saiba tudo sobre o Raid Portas de Ródão
em http://raidportasrodao.weebly.com/
Saudações orientistas.
JOAQUIM MARGARIDO

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