quinta-feira, 1 de março de 2012

JAN KOCBACH: "FAÇO AQUILO QUE GOSTO"




Jan Kocbach está em Portugal e o Orientovar foi ao seu encontro. Duma agradável conversa na muito concorrida e ruidosa Arena do XIII Meeting de Orientação do Centro, no Pinhal do Rei (Marinha Grande), aqui ficam, em traços gerais, os pontos altos.


Orientovar - A que devemos a honra da sua presença?

Jan Kocbach - Estou aqui com a seleção da Noruega, ajudando na análise de dados de GPS. Procuro garantir que temos dados de todos os atletas ao nível dos treinos mais rápidos e das provas. Depois procedo ao tratamento desses dados, onde é que os atletas perderam tempo, onde ganharam tempo, onde podemos melhorar.

Orientovar - Que importância pode isso ter no processo de treino?

Jan Kocbach - É muito importante percebermos onde se ganha e onde se perde tempo. Na minha opinião, o trabalho posterior ao treino é quase tão importante como o próprio treino em si, pois é onde percebemos as coisas. As diferenças entre uma medalha de ouro e um quarto lugar são por vezes insignificantes. Temos de compreendê-las.


É difícil haver alguém que seja imbatível

Orientovar - Quando falamos em pequenas diferenças e olhamos para as grandes seleções – Suécia, Noruega, Finlândia, Suiça… - onde residem os pontos fortes e fracos de cada uma delas?

Jan Kocbach - É uma questão complexa. A questão tem mais a ver com os valores a título individual que com as seleções em si. Todas elas têm a sua força.

Orientovar - Mas Thierry Gueorgiou, por exemplo, é imbatível!?...

Jan Kocbach - Não, não. Não é imbatível. Penso que, em terrenos mais detalhados, é muito difícil batê-lo, porque ele é muito bom tecnicamente nesse tipo de terrenos. Mas num terreno mais aberto pode ser perfeitamente vencido. Vimos no primeiro dia do Meeting de Orientação do Centro, claro, não é normal que ele cometa um erro daqueles. Mas, ainda assim, é muito forte neste tipo de terrenos. Na Orientação é necessário estar concentrado em cada momento, em cada ponto de controle. Desta forma, é difícil haver alguém que seja imbatível.


O World of O é um site para consumo interno

Orientovar - Esta paixão chamada Orientação, como é que aconteceu?

Jan Kocbach - A Orientação é o meu desporto favorito desde os 12 anos de idade. Há muito, muito tempo, portanto.

Orientovar - Dirigiu essa paixão para o World of O porque sentiu que, de alguma forma, há um défice nesta vertente da Comunicação e Imagem?

Jan Kocbach - Sim, em certa medida. Mas o World of O é um site para consumo interno, é para os orientistas, não é para o público em geral. É muito específico em matéria de Orientação, talvez um pouco mais específico nalguns sites que noutros. Mas é, na verdade, dirigido àqueles que têm uma paixão pela Orientação.


Este trabalho para fora da comunidade deve ser feito através de outros meios”

Orientovar - E como podemos passar este magnífico trabalho para o público em geral?

Jan Kocbach - É um tipo de trabalho diferente. É um trabalho de gestão de perfis. Deve ser feito através dos jornais, da televisão… ou seja, este trabalho para fora da comunidade deve ser feito através de outros meios. As Federações serão uma parte do processo, os atletas serão outra parte, deve haver uma grande concertação entre todos.

Orientovar - Como é que se levam os atletas a fazer parte do processo, a serem, através dos meios de comunicação, embaixadores da modalidade?

Jan Kocbach - Bem, temos alguns atletas noruegueses, por exemplo, que trabalham bem nesta área. E isso ajuda muito. E há outros atletas em várias partes do mundo que também são bons com os “media”, também conseguem melhores patrocínios, claro, e conseguem atrair sobre si as atenções. É algo feito no próprio interesse, claro.


Esta floresta é lindíssima

Orientovar - É um conselho que daria aos atletas?

Jan Kocbach - Sim, claro. O problema é que nem todos os orientistas são pessoas deste género. Para uns é fácil, para outros é bem mais complicado.

Orientovar - Como é que se está a dar com os ares de Portugal?

Jan Kocbach – Muito bem. Na verdade, esta é a primeira vez que estou em Portugal. Esta floresta é lindíssima, as organizações são excelentes, o Campo de Treinos está muito bem organizado. Estes terrenos aqui na Marinha Grande são muito interessantes porque têm imenso detalhe. Podemos correr muito depressa mas ainda assim não é fácil a Orientação. Penso, contudo, que os terrenos mais para as zonas montanhosas do interior serão muito melhores para o meu estilo de Orientação.


Os terrenos são mais detalhados do que estaria à espera

Orientovar – Que importância têm estes treinos e provas nesta altura da época?

Jan Kocbach – Este terreno é excelente para um treino de base. O treino técnico é sempre bom, é a base. Os terrenos são mais detalhados do que estaria à espera. No primeiro dia fui fazer a prova num ritmo de caminhada acelerada e cometi imensos erros. No segundo dia já as coisas correram muito melhor.

Orientovar - Este tipo de provas – uma Distância Longa com quase 20 km de distância, por exemplo – é aquilo que é necessário no início de temporada ou pode até ser contraproducente?

Jan Kocbach – São excelentes treinos. O problema não está na dureza, mas antes na capacidade de manter a concentração por períodos de tempo tão prolongados.


Gosto de mapas!”

Orientovar – Tem uma paixão pela Orientação mas toda a gente sabe que tem igualmente uma paixão por mapas.

Jan Kocbach – É verdade, gosto de mapas! Precisamos dum mapa para encontrarmos o caminho. Esta questão dos mapas é algo para o meu prazer pessoal, tal como o World of O, aliás. Tudo aquilo que sinto necessidade de fazer em termos pessoais, procuro fazê-lo de forma a poder partilhá-lo com as outras pessoas. É isso que se passa com esta questão dos mapas. Faço aquilo que gosto.

Orientovar – É relativamente frequente vê-lo envolvido em situações que estão relacionadas com regulamentos ou organizações. Ou seja, no caso do projecto “WOC in The Future”, por exemplo, vimo-lo fazer um pouco de política. Tomar posição é importante?

Jan Kocbach – Um pouco, sim. Procuro ser objectivo. Não pretendo forçar a minha opinião, apenas mostrar as diferenças. Ou seja, naquilo que eu escrevo, normalmente não coloco a minha posição, antes procuro realçar os diversos factos duma forma objectiva. As coisas que surgem na internet e que resultam, de alguma forma, em fazer política, partem geralmente dum lado apenas. Procuro ter uma visão de ambos os lados da questão e nivelá-los para que as pessoas possam formular a sua própria opinião. Na verdade, não faço política. Apenas procuro dispôr as diferentes possibilidades.


Sinto que há muita gente que me conhece

Orientovar – Sente que é uma pessoa muito especial no seio da nossa “família”?

Jan Kocbach – Sinto que há muita gente que me conhece. E isso é bom, porque é fácil entrar em contacto com alguém quando necessitamos de algo.

Orientovar – Vamos voltar a vê-lo em Portugal?

Jan Kocbach – Quem sabe!? O meu problema é que agora não posso correr. E quando não podemos correr, deixa de ser divertido andarmos por aí sem um particular objectivo. Agora estou aqui com a seleção da Noruega e isso é ótimo. Se a seleção quiser que a acompanhe, provavelmente regressarei. Se puder voltar a correr, também voltarei muito provavelmente. Veremos. Mas estou a gostar imenso de estar cá.


Estou seguro que serão uns ótimos Campeonatos

Orientovar – E quanto ao World of O, quais os próximos projetos?

Jan Kocbach – Quando trabalho no World of O, não traço objectivos. Faço as coisas na base do dia a dia. Quando me debruço sobre algo e digo “oh, isto hoje era giro”, é assim que as coisas funcionam. Portanto, não tenho planos de curto ou longo prazo. Faço aquilo que me dá gozo.

Orientovar – Uma última questão: Portugal receberá em 2014 os Campeonatos da Europa. Pedia-lhe uma palavra para Portugal e para aqueles a quem caberá a missão de organizar o evento.

Jan Kocbach – Tenho a certeza que será um grande evento. Pode ver-se aqui que as vossas organizações são do melhor, têm excelentes terrenos... Estou seguro que serão uns ótimos Campeonatos.


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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