Jan Kocbach está em Portugal e o
Orientovar foi ao seu encontro. Duma agradável conversa na muito
concorrida e ruidosa Arena do XIII Meeting de Orientação do Centro,
no Pinhal do Rei (Marinha Grande), aqui ficam, em traços gerais, os
pontos altos.
Orientovar - A
que devemos a honra da sua presença?
Jan Kocbach - Estou
aqui com a seleção da Noruega, ajudando na análise de dados de
GPS. Procuro garantir que temos dados de todos os atletas ao nível
dos treinos mais rápidos e das provas. Depois procedo ao tratamento
desses dados, onde é que os atletas perderam tempo, onde ganharam
tempo, onde podemos melhorar.
Orientovar - Que
importância pode isso ter no processo de treino?
Jan Kocbach - É muito
importante percebermos onde se ganha e onde se perde tempo. Na minha
opinião, o trabalho posterior ao treino é quase tão importante
como o próprio treino em si, pois é onde percebemos as coisas. As
diferenças entre uma medalha de ouro e um quarto lugar são por
vezes insignificantes. Temos de compreendê-las.
É
difícil haver alguém que seja imbatível
Orientovar - Quando
falamos em pequenas diferenças e olhamos para as grandes seleções
– Suécia, Noruega, Finlândia, Suiça… - onde residem os pontos
fortes e fracos de cada uma delas?
Jan Kocbach - É uma
questão complexa. A questão tem mais a ver com os valores a título
individual que com as seleções em si. Todas elas têm a sua força.
Orientovar - Mas
Thierry Gueorgiou, por exemplo, é imbatível!?...
Jan Kocbach - Não,
não. Não é imbatível. Penso que, em terrenos mais detalhados, é
muito difícil batê-lo, porque ele é muito bom tecnicamente nesse
tipo de terrenos. Mas num terreno mais aberto pode ser perfeitamente
vencido. Vimos no primeiro dia do Meeting de Orientação do Centro,
claro, não é normal que ele cometa um erro daqueles. Mas, ainda
assim, é muito forte neste tipo de terrenos. Na Orientação é
necessário estar concentrado em cada momento, em cada ponto de
controle. Desta forma, é difícil haver alguém que seja imbatível.
O World of O é um site para
consumo interno
Orientovar - Esta
paixão chamada Orientação, como é que aconteceu?
Jan Kocbach - A
Orientação é o meu desporto favorito desde os 12 anos de idade. Há
muito, muito tempo, portanto.
Orientovar - Dirigiu
essa paixão para o World of O porque sentiu que, de alguma forma, há
um défice nesta vertente da Comunicação e Imagem?
Jan Kocbach - Sim, em
certa medida. Mas o World of O é um site para consumo interno, é
para os orientistas, não é para o público em geral. É muito
específico em matéria de Orientação, talvez um pouco mais
específico nalguns sites que noutros. Mas é, na verdade, dirigido
àqueles que têm uma paixão pela Orientação.
“Este trabalho para fora da
comunidade deve ser feito através de outros meios”
Orientovar - E como
podemos passar este magnífico trabalho para o público em geral?
Jan Kocbach - É um
tipo de trabalho diferente. É um trabalho de gestão de perfis. Deve
ser feito através dos jornais, da televisão… ou seja, este
trabalho para fora da comunidade deve ser feito através de outros
meios. As Federações serão uma parte do processo, os atletas serão
outra parte, deve haver uma grande concertação entre todos.
Orientovar - Como é
que se levam os atletas a fazer parte do processo, a serem, através
dos meios de comunicação, embaixadores da modalidade?
Jan Kocbach - Bem,
temos alguns atletas noruegueses, por exemplo, que trabalham bem
nesta área. E isso ajuda muito. E há outros atletas em várias
partes do mundo que também são bons com os “media”, também
conseguem melhores patrocínios, claro, e conseguem atrair sobre si
as atenções. É algo feito no próprio interesse, claro.
Esta floresta é lindíssima
Orientovar
- É um conselho que daria aos atletas?
Jan Kocbach - Sim,
claro. O problema é que nem todos os orientistas são pessoas deste
género. Para uns é fácil, para outros é bem mais complicado.
Orientovar - Como é
que se está a dar com os ares de Portugal?
Jan Kocbach – Muito
bem. Na verdade, esta é a primeira vez que estou em Portugal. Esta
floresta é lindíssima, as organizações são excelentes, o Campo
de Treinos está muito bem organizado. Estes terrenos aqui na Marinha
Grande são muito interessantes porque têm imenso detalhe. Podemos
correr muito depressa mas ainda assim não é fácil a Orientação.
Penso, contudo, que os terrenos mais para as zonas montanhosas do
interior serão muito melhores para o meu estilo de Orientação.
Os terrenos são mais detalhados
do que estaria à espera
Orientovar – Que
importância têm estes treinos e provas nesta altura da época?
Jan Kocbach – Este
terreno é excelente para um treino de base. O treino técnico é
sempre bom, é a base. Os terrenos são mais detalhados do que
estaria à espera. No primeiro dia fui fazer a prova num ritmo de
caminhada acelerada e cometi imensos erros. No segundo dia já as
coisas correram muito melhor.
Orientovar - Este tipo
de provas – uma Distância Longa com quase 20 km de distância, por
exemplo – é aquilo que é necessário no início de temporada ou
pode até ser contraproducente?
Jan Kocbach – São
excelentes treinos. O problema não está na dureza, mas antes na
capacidade de manter a concentração por períodos de tempo tão
prolongados.
“Gosto de mapas!”
Orientovar – Tem uma
paixão pela Orientação mas toda a gente sabe que tem igualmente
uma paixão por mapas.
Jan Kocbach – É
verdade, gosto de mapas! Precisamos dum mapa para encontrarmos o
caminho. Esta questão dos mapas é algo para o meu prazer pessoal,
tal como o World of O, aliás. Tudo aquilo que sinto necessidade de
fazer em termos pessoais, procuro fazê-lo de forma a poder
partilhá-lo com as outras pessoas. É isso que se passa com esta
questão dos mapas. Faço aquilo que gosto.
Orientovar – É
relativamente frequente vê-lo envolvido em situações que estão
relacionadas com regulamentos ou organizações. Ou seja, no caso do
projecto “WOC in The Future”, por exemplo, vimo-lo fazer um pouco
de política. Tomar posição é importante?
Jan Kocbach – Um
pouco, sim. Procuro ser objectivo. Não pretendo forçar a minha
opinião, apenas mostrar as diferenças. Ou seja, naquilo que eu
escrevo, normalmente não coloco a minha posição, antes procuro
realçar os diversos factos duma forma objectiva. As coisas que
surgem na internet e que resultam, de alguma forma, em fazer
política, partem geralmente dum lado apenas. Procuro ter uma visão
de ambos os lados da questão e nivelá-los para que as pessoas
possam formular a sua própria opinião. Na verdade, não faço
política. Apenas procuro dispôr as diferentes possibilidades.
Sinto que há muita gente que me
conhece
Orientovar – Sente
que é uma pessoa muito especial no seio da nossa “família”?
Jan Kocbach – Sinto
que há muita gente que me conhece. E isso é bom, porque é fácil
entrar em contacto com alguém quando necessitamos de algo.
Orientovar – Vamos
voltar a vê-lo em Portugal?
Jan Kocbach – Quem
sabe!? O meu problema é que agora não posso correr. E quando não
podemos correr, deixa de ser divertido andarmos por aí sem um
particular objectivo. Agora estou aqui com a seleção da Noruega e
isso é ótimo. Se a seleção quiser que a acompanhe, provavelmente
regressarei. Se puder voltar a correr, também voltarei muito
provavelmente. Veremos. Mas estou a gostar imenso de estar cá.
Estou seguro que serão uns
ótimos Campeonatos
Orientovar – E
quanto ao World of O, quais os próximos projetos?
Jan Kocbach – Quando
trabalho no World of O, não traço objectivos. Faço as coisas na
base do dia a dia. Quando me debruço sobre algo e digo “oh, isto
hoje era giro”, é assim que as coisas funcionam. Portanto, não
tenho planos de curto ou longo prazo. Faço aquilo que me dá gozo.
Orientovar – Uma
última questão: Portugal receberá em 2014 os Campeonatos da
Europa. Pedia-lhe uma palavra para Portugal e para aqueles a quem
caberá a missão de organizar o evento.
Jan Kocbach – Tenho
a certeza que será um grande evento. Pode ver-se aqui que as vossas
organizações são do melhor, têm excelentes terrenos... Estou
seguro que serão uns ótimos Campeonatos.
Saudações orientistas.
JOAQUIM MARGARIDO

1 comentário:
excelente entrevista
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