sábado, 24 de março de 2012

EOC/ETOC 2014: PALMELA, UMA MÃO CHEIA DE OPORTUNIDADES




1. O Orientovar anunciou-o em primeira mão e a notícia apanhou (quase) toda a gente de surpresa. A organização do Campeonato da Europa de Orientação Pedestre / Orientação de Precisão EOC/ETOC 2014 acabava de ser atribuída a Portugal e Palmela iria sediar o evento. O entusiasmo inicial, porém, cedo pareceu desvanecer-se. Datas para o evento, qualidade dos terrenos, capacidade organizativa na vertente da Orientação de Precisão e oferta de Campos de Treino vêm pontuando as principais dúvidas em torno dos Europeus, dúvidas essas que se vão avolumando há medida que o tempo avança. O Orientovar aceitou desempenhar o papel de “advogado do Diabo” e, ao mesmo tempo, desmistificar o que pudesse ser desmistificado. E chegou há conclusão que “não há botas para descalçar”. Há, isso sim, um manancial de oportunidades que não podem ser desperdiçadas.


2. A escolha de Palmela assenta num pilar fundamental. Tratou-se de uma iniciativa com origem nas diversas forças vivas do Concelho (Escolas, Clubes e Autarquias) que, de forma articulada, vieram junto da Federação Portuguesa de Orientação manifestar interesse em receber uma grande organização da modalidade, precisamente no momento em que a Federação Internacional de Orientação propunha a Portugal que se candidatasse ao EOC/ETOC juntamente com alguns outros países. É de louvar que as coisas tenham acontecido desta forma, já que é dada expressão ao genuíno interesse de uma região em acarinhar a modalidade.


3. Ao manifestar este interesse, Palmela assegurou desde logo as condições financeiras necessárias para que a organização pudesse ser uma realidade. Como deve ser timbre duma gestão financeira racional em qualquer plano de actividade, o actual Órgão de Gestão da Federação Portuguesa de Orientação não dá passos maiores do que as pernas e que possam condicionar o futuro sustentado da modalidade, pelo que a garantia de apoios financeiros sólidos foi condição sine qua non para a parceria com Palmela. Isoladamente, o factor financeiro não pode sustentar, por si só, a opção da FPO pelo município de Palmela. Mas que é um factor muito importante, todos o devem entender e aceitar.


4. Para além dos dois aspectos anteriormente referidos, há a questão dos terrenos e que tem feito soar muitas vozes em surdina. A verdade é que Palmela é o concelho com maior área na zona metropolitana de Lisboa, estendendo-se desde a sede de concelho até Alcácer do Sal e Vendas Novas. Não são, reconhecidamente, os melhores terrenos de Portugal, mas são seguramente terrenos que permitirão fazer um EOC/ETOC 2014 com toda a dignidade que a modalidade exige em Portugal e que nos deixará seguramente orgulhosos de mais um grande evento. De qualquer forma, a “expansão” para concelhos limítrofes está em cima da mesa e não é hipótese que se deva descartar, desde que resulte de um entendimento entre as partes envolvidas.


5. Mas há ainda um aspecto que, recorrentemente, vem à baila e é discutido de forma apaixonada. É que não nos podemos esquecer que, tão ou mais importante do que a qualidade dos terrenos é o planeamento dos percursos. Sou daqueles que defende que um mau traçado pode arruinar por completo um terreno com boas características, da mesma forma que um traçado inteligente, capaz de tirar o melhor partido das características do terreno, é o melhor ponto de partida para a construção de verdadeiros desafios para os participantes, podendo elevar à condição de excelente um terreno que, à partida, não reunia as condições julgadas ideais. Na verdade, não deveríamos nunca falar de terreno ou traçado de forma isolada, mas sempre em termos binários: terreno/percursos.


6. As datas para o evento não estão fechadas, aguardando-se o parecer favorável da Federação Internacional de Orientação aos dias sugeridos. Sabe-se, no entanto, que a proposta foi feita tendo em conta diversos factores, nomeadamente a realização de um WRE no país vizinho e dos Campeonatos Nacionais de Espanha, na época da Páscoa. Neste particular, a articulação entre a Federação Espanhola de Orientação e a sua congénere portuguesa tem sido fantástica, pelo que as datas apontadas por ambos os lados potenciam, ao invés de inibirem, a participação em todos os eventos implicados.


7. A questão dos Campos de Treino, que constituem uma excelente oportunidade para atrair atletas ao nosso País já em 2013, é outro aspecto que deve merecer uma particular atenção. O Concelho de Palmela poderá não ser hipótese neste particular aspecto, mas isto abre enormes janelas de oportunidade para os clubes localizados na periferia e com terrenos muito idênticos nas respectivas áreas de influência. Há que pôr mãos à obra desde já e apostar fortemente nesta oportunidade. É única e pode não se vir a repetir tão em breve.


8. ETOC 2014: Como vamos "descalçar esta bota"? A verdade é que não há qualquer bota a necessitar de ser descalça. Sendo um facto que temos em Portugal uma experiência quase nula na organização de eventos de maior dimensão na disciplina de Orientação de Precisão, não é menos verdade que estamos em contacto com alguns elementos internacionalmente reconhecidos e com cuja colaboração contamos no sentido de nos apoiarem nesta organização. Este compromisso tem de ser entendido por todos como uma oportunidade irrepetível de darmos um enorme salto nesta disciplina em Portugal. E tem de ser entendido desde já! A combinação de mapas e terrenos de qualidade, conhecimento técnico e clima duma bondade imensa pode fazer de Portugal um oásis da Orientação de Precisão no período de Inverno, atraindo a fina flor da Orientação de Precisão mundial. À semelhança, aliás, do que acontece com a Orientação Pedestre.


9. Resumindo o que ficou dito, a Federação Portuguesa de Orientação foi ao encontro de uma vontade manifestada por Palmela, que avançou ao mais alto nível com a expressão dessa vontade acompanhada dos necessários apoios e da existência de terrenos adequados. Nenhuma outra região, através da respectiva autarquia ou clubes, alguma vez o fez em relação ao EOC/ETOC e devemos estar gratos e reconhecidos por esta abertura do município à Orientação. As oportunidades que se oferecem são únicas e o seu impacto e abrangência podem projectar a modalidade no nosso País para patamares de excelência nunca antes alcançados. É, pois, fundamental poder contar com o envolvimento massivo de toda a comunidade orientista para, uma vez mais, cada um dar o melhor de si em prol do bem comum. Desta forma, estamos seguros de que Portugal voltará a escrever de novo, com letras douradas, o seu nome no Livro de Honra dos grandes eventos internacionais.

[Veja aqui o Vídeo Promocional]


Saudações orientistas.


JOAQUIM MARGARIDO

3 comentários:

Luís Santos disse...

É sem dúvida um artigo interessante, positivo e motivador.

Não está em questão que devamos todos colaborar pelo bem comum nesta aposta que irá ter um impacto grande na Orientação Portuguesa mas a minha opinião é que a questão da qualidade de terrenos é colocada neste artigo em ponto de igualdade com outros problemas que se irão resolver com o tempo.

No entanto, a qualidade dos terrenos condiciona tudo. Centenas, milhares de horas de trabalho poderão sempre estar limitadas às opções iniciais tomadas na escolha dos terrenos.

Não é à toa que o meu clube é de Lisboa e andou a apostar em Mora e está agora a apostar em Gouveia.

Já deixei estas sugestões aos responsáveis da FPO pois não gosto de apresentar críticas que não sejam acompanhadas com alternativas para as resolver e apresentei sugestões para que pelo menos as finais de média e de estafetas pudessem ser realizadas em terrenos de maior detalhe técnico a curta distância, como seriam os concelhos de Arraiolos ou Montemor-o-Novo (ou mesmo Mora embora um pouco mais distante).

Desconheço sinceramente se o timing desta sugestão já terá passado e peço que ninguém leve a mal de estar a levantar esta sugestão publicamente, mas sinceramente tenho curiosidade em saber o que pensa a comunidade orientista de uma forma diferente de fazer as coisas que não colocasse em causa o envolvimento de Palmela mas que permitisse apresentar eventos de grande qualidade técnica nas disciplinas onde essa qualidade não existe em Palmela. Não tenho dúvidas que há bons terrenos para sprint e mesmo para longas (já os vi) mas as 2 disciplinas que referi não vão corresponder às elevadas expectativas que todos a nível internacional têm, de cada vez que vêm a Portugal. E é isso que me preocupa.

Saudações desportivas,
Luís Santos

Luís Sérgio disse...

Partilho as preocupações e concordo com as sugestões do Luís Santos.

LS

Rafael da Silva Miguel disse...

Também partilho um pouco (grande) deste 'medo'...
Um estrangeiro que tenha estado, por exemplo, no POM 2012, com aqueles terrenos, ao chegar a Palmela para fazer Orientação... A ver vamos! Espero que seja mais uma excelente Organização, com bons mapas, terrenos e percursos!

Abraço
RM