sábado, 17 de março de 2012

BARBARA BOMFIM: "NÃO SEI PORQUE É QUE NÃO TEMOS ORIENTAÇÃO EM BTT NO BRASIL"




Orientação em BTT no Brasil? E porque não? Afinal, muito coisa parece estar a precisar de ser desmistificada e Barbara Bomfim, uma brasileira nascida em Brasilia no ano de 1982, é disso a prova provada. Em Barcouço, Mealhada, o Orientovar foi ao seu encontro e aqui deixa mais uma grande entrevista no Espaço Brasil.


Orientovar – Não vai levar a mal se lhe disser que fiquei espantado com a sua presença neste Campeonato Ibérico de Orientação em BTT. É que uma atleta brasileira a fazer Orientação em BTT não é algo que se vê todos os dias. Como é que veio aqui parar?

Barbara Bomfim – Bom, eu faço Corridas de Aventura e este é, realmente, o desporto ao qual me dedico. Conheci as Corridas de Aventura em 2000, no Circuito do Centro-Oeste, no Brasil, e desde então faço Corridas de Aventura no meu país e também algumas provas fora do Brasil, em representação duma equipa do País Basco, a Columbia Vidaraid. Como as Corridas de Aventura são um desporto que abrange muitos outros desportos, estar aqui a fazer Orientação em BTT é uma forma de treino para as Corridas de Aventura e, no caso concreto, a pensar já no Ecomotion Pro, a partir de 11 de Maio, no Brasil. Acabei por vir para cá porque a qualidade do treino é muito melhor. Temos muitas competições no Brasil mas aqui o desnível é maior e o clima também é mais agradável.

Orientovar – E como avalia esta experiência?

Barbara Bomfim - Apesar de já ter participado em muitas provas de BTT, esta foi a minha primeira experiência na Orientação em BTT e adorei. Isto é o aglutinar de tudo aquilo que eu realmente gosto. Não tenho facilidade, não tenho experiência, mas gosto muito de Orientação. Esta presença aqui foi excelente, foi a descoberta de algo novo. Por outro lado também é uma emoção muito grande estar em Portugal e ouvir falar português fora do Brasil. Faz-me sentir um pouco como em casa e estou muito motivada. Na próxima semana tenho um novo desafio de Orientação em BTT em Espanha e vou já com um pouquinho mais de preparação.


Acho que um dia até posso vir a orientar-me bem!

Orientovar – Tecnicamente, sentiu muitas dificuldades?

Barbara Bomfim – O primeiro ponto no primeiro dia, nossa... Pensei que não ia terminar. Mas depois começamos a entrar no mapa, a perceber os trilhos, a controlar as distâncias e tudo se vai simplificando. Afinal, é como em tudo na vida. Requer prática, requer treino, mas a pouco e pouco a gente vai-se acostumando. Acho que um dia até posso vir a orientar-me bem! (risos)

Orientovar – Isso quer dizer que vamos vê-la a fazer mais vezes Orientação em BTT e, quem sabe, um dia vir a representar o Brasil num Mundial?

Barbara Bomfim – Gostaria, claro. Mas como não existe Orientação em BTT, as coisas não são fáceis. Temos Orientação Pedestre, mas não sei porque é que não temos Orientação em BTT no Brasil. Juro que fiquei como muita vontade de, assim que regressar ao Brasil, fazer alguns contactos no sentido de tentar organizar uma prova. Não é falta de espaço, não é falta de atletas. Trata-se duma coisa nova e julgo que é aí que reside o problema. É o quebrar um pouco dessa cultura da Orientação Pedestre que os militares fazem. Mas se há tantas provas de Orientação Pedestre e de BTT, porque não procurar juntar os dois desportos e avançar com a Orientação em BTT? No começo vai ser um pouco caótico, mas acho que é um desporto com um enorme potencial.


Aqui sinto-me portuguesa

Orientovar – Olhar para a Orientação em BTT como algo que vale a pena é a mensagem que pretende passar para os responsáveis brasileiros?

Barbara Bomfim – Claro. Acho que estamos a desperdiçar uma enorme oportunidade. Acho que é falta de cultura. Aqui em Portugal podemos ver famílias inteiras a fazer Orientação, pessoas que levam a sério o desporto e outras que vêm só para desfrutar. Acho que temos no Brasil todo este potencial, temos os lugares, basta apenas alguém dar o pontapé de saída.

Orientovar – Portugal e Brasil, tão longe mas tão perto. O que é que nos aproxima e o que nos separa?

Barbara Bomfim – Gostei de vir a Portugal e ver muitas pessoas que lembram até os meus tios. O meu sobrenome é “De Oliveira” e acho que tenho um pezinho aqui, sim. Pessoas com as sobrancelhas grossas... minha família é um pouco parecida. Aqui sinto-me portuguesa. Tem muita coisa a ver comigo, que não apenas a língua. O Brasil tem muito de Portugal e aquilo que nos afasta é mesmo a distância. Temos de dar mais as mãos uns aos outros.


Gostaria que alguém pusesse os olhos nisto

Orientovar – Quer deixar um voto com vista ao futuro da Orientação em BTT no Brasil?

Barbara Bomfim – Gostaria que alguém pusesse os olhos nisto e, no regresso ao Brasil, poder participar em provas de Orientação em BTT. Desconheço a realidade e de que forma é que as coisas poderão dar certo. Mas gostaria muito de ver concretizado este meu sonho.


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

2 comentários:

Antonio Carlos Silva disse...

Excelente matéria. Pelo visto, tem muito mais gente pensando em BTT no Brasil além do que nossos dirigentes enxergam.
orientistaemrota

Anónimo disse...

Olá, sou Orientista e Corredor de Aventura, e gostaria muito de participar de provas de BTT no Brasil, algumas provas já foram realizadas em Minas e em São Paulo, acho que em breve teremos provas aqui no Brasil, gostaria de ajudar, parabéns pela matéria.
Marcio Guerra