Orientação em BTT no Brasil? E
porque não? Afinal, muito coisa parece estar a precisar de ser
desmistificada e Barbara Bomfim, uma brasileira nascida em Brasilia
no ano de 1982, é disso a prova provada. Em Barcouço, Mealhada, o
Orientovar foi ao seu encontro e aqui deixa mais uma grande
entrevista no Espaço Brasil.
Orientovar – Não
vai levar a mal se lhe disser que fiquei espantado com a sua presença
neste Campeonato Ibérico de Orientação em BTT. É que uma atleta
brasileira a fazer Orientação em BTT não é algo que se vê todos
os dias. Como é que veio aqui parar?
Barbara Bomfim –
Bom, eu faço Corridas de Aventura e este é, realmente, o desporto
ao qual me dedico. Conheci as Corridas de Aventura em 2000, no
Circuito do Centro-Oeste, no Brasil, e desde então faço Corridas de
Aventura no meu país e também algumas provas fora do Brasil, em
representação duma equipa do País Basco, a Columbia Vidaraid. Como
as Corridas de Aventura são um desporto que abrange muitos outros
desportos, estar aqui a fazer Orientação em BTT é uma forma de
treino para as Corridas de Aventura e, no caso concreto, a pensar já
no Ecomotion Pro, a partir de 11 de Maio, no Brasil. Acabei por vir
para cá porque a qualidade do treino é muito melhor. Temos muitas
competições no Brasil mas aqui o desnível é maior e o clima
também é mais agradável.
Orientovar – E como
avalia esta experiência?
Barbara Bomfim -
Apesar de já ter participado em muitas provas de BTT, esta foi a
minha primeira experiência na Orientação em BTT e adorei. Isto é
o aglutinar de tudo aquilo que eu realmente gosto. Não tenho
facilidade, não tenho experiência, mas gosto muito de Orientação.
Esta presença aqui foi excelente, foi a descoberta de algo novo. Por
outro lado também é uma emoção muito grande estar em Portugal e
ouvir falar português fora do Brasil. Faz-me sentir um pouco como em
casa e estou muito motivada. Na próxima semana tenho um novo desafio
de Orientação em BTT em Espanha e vou já com um pouquinho mais de
preparação.
Acho que um dia até posso vir a
orientar-me bem!
Orientovar –
Tecnicamente, sentiu muitas dificuldades?
Barbara Bomfim – O
primeiro ponto no primeiro dia, nossa... Pensei que não ia terminar.
Mas depois começamos a entrar no mapa, a perceber os trilhos, a
controlar as distâncias e tudo se vai simplificando. Afinal, é como
em tudo na vida. Requer prática, requer treino, mas a pouco e pouco
a gente vai-se acostumando. Acho que um dia até posso vir a
orientar-me bem! (risos)
Orientovar – Isso
quer dizer que vamos vê-la a fazer mais vezes Orientação em BTT e,
quem sabe, um dia vir a representar o Brasil num Mundial?
Barbara Bomfim –
Gostaria, claro. Mas como não existe Orientação em BTT,
as coisas não são fáceis. Temos Orientação Pedestre, mas não
sei porque é que não temos Orientação em BTT no Brasil. Juro que fiquei
como muita vontade de, assim que regressar ao Brasil, fazer alguns
contactos no sentido de tentar organizar uma prova. Não é falta de
espaço, não é falta de atletas. Trata-se duma coisa nova e julgo
que é aí que reside o problema. É o quebrar um pouco dessa cultura
da Orientação Pedestre que os militares fazem. Mas se há tantas
provas de Orientação Pedestre e de BTT, porque não procurar juntar
os dois desportos e avançar com a Orientação em BTT? No começo
vai ser um pouco caótico, mas acho que é um desporto com um enorme
potencial.
Aqui sinto-me portuguesa
Orientovar – Olhar
para a Orientação em BTT como algo que vale a pena é a mensagem
que pretende passar para os responsáveis brasileiros?
Barbara Bomfim –
Claro. Acho que estamos a desperdiçar uma enorme oportunidade. Acho
que é falta de cultura. Aqui em Portugal podemos ver famílias
inteiras a fazer Orientação, pessoas que levam a sério o desporto
e outras que vêm só para desfrutar. Acho que temos no Brasil todo
este potencial, temos os lugares, basta apenas alguém dar o pontapé
de saída.
Orientovar –
Portugal e Brasil, tão longe mas tão perto. O que é que nos
aproxima e o que nos separa?
Barbara Bomfim –
Gostei de vir a Portugal e ver muitas pessoas que lembram até os
meus tios. O meu sobrenome é “De Oliveira” e acho que tenho um
pezinho aqui, sim. Pessoas com as sobrancelhas grossas... minha
família é um pouco parecida. Aqui sinto-me portuguesa. Tem muita
coisa a ver comigo, que não apenas a língua. O Brasil tem muito de
Portugal e aquilo que nos afasta é mesmo a distância. Temos de dar
mais as mãos uns aos outros.
Gostaria que alguém pusesse os
olhos nisto
Orientovar – Quer
deixar um voto com vista ao futuro da Orientação em BTT no Brasil?
Barbara Bomfim –
Gostaria que alguém pusesse os olhos nisto e, no regresso ao Brasil,
poder participar em provas de Orientação em BTT. Desconheço a
realidade e de que forma é que as coisas poderão dar certo. Mas
gostaria muito de ver concretizado este meu sonho.
Saudações orientistas.
JOAQUIM MARGARIDO
2 comentários:
Excelente matéria. Pelo visto, tem muito mais gente pensando em BTT no Brasil além do que nossos dirigentes enxergam.
orientistaemrota
Olá, sou Orientista e Corredor de Aventura, e gostaria muito de participar de provas de BTT no Brasil, algumas provas já foram realizadas em Minas e em São Paulo, acho que em breve teremos provas aqui no Brasil, gostaria de ajudar, parabéns pela matéria.
Marcio Guerra
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