Anna Serralonga é
uma lutadora. Fazendo da Orientação parte integrante de si mesma, a
atleta não cessa de progredir e é hoje um dos valores seguros da
jovem e promissora selecção feminina espanhola. Do brilharete na
final de Distância Longa dos Mundiais de França à recente passagem
pelo Portugal O' Meeting, é todo um percurso de vida que se projecta
nesta conversa feita de sinceridade e certezas.
Orientovar
- Tal como em muitos outros casos, também para si a Orientação é
um desporto da família. Quer dizer-me como é que tudo começou e
que importância tem este desporto na sua vida?
Anna
Serralonga – Todo começou com
o meu pai. Ele fazia corridas de montanha, maratonas e também
Orientação. Foi assim que, desde pequenos, tanto eu como o meu
irmão começámos a fazer também Orientação, embora apenas em
provas perto de casa. Até que as coisas evoluiram, começámos a
participar em provas da Liga Nacional e acabámos por integrar as
selecções jopvens de Espanha. Desde então nunca mais parámos de
treinar e de competir e espero poder continuar assim por muitos e
muitos anos.
Orientovar
- Para além da Orientação, que outros gostos tem?
Anna
Serralonga – Adoro a montanha.
Os meus pais têm um apartamento nos Pirinéus e costumamos
deslocar-nos aí com alguma frequência. Gosto de subir ao cume das
montanhas e descobrir os seus pequenos lagos.
É fantástico termos
uma competição desta envergadura na Península Ibérica
Orientovar
- Estou a colocar-lhe estas questões no Dia Internacional da Mulher.
Ser mulher e ser orientista, que significado especial tem para si?
Anna
Serralonga – Creio que a
Orientação é um desporto que dá igual importância tanto aos
homens como às mulheres. Este é o principal motivo por que me
orgulho de ser orientista.
Orientovar
- Muito recentemente esteve em Portugal, onde alcançou um brilhante
10º lugar no Portugal O' Meeting 2012. Como avalia o evento na
generalidade e, em particular, as suas prestações?
Anna
Serralonga – Foi a segunda vez
que participei no Portugal O' Meeting e penso que é uma competição
fabulosa. É fantástico termos uma competição desta envergadura na
Península Ibérica. É uma grande oportunidade de nos podermos
comparar com os melhores orientistas mundiais no início de cada
temporada.
Correr em Portugal é
como correr em casa
Orientovar
- Que especial carinho sente por Portugal?
Anna
Serralonga – Já estive por
diversas vezes em Portugal e guardo excelentes recordações de todas
as competições. Portugal tem uma enorme variedade de terrenos e,
além do mais, está muito próximo de Espanha. Esses são dois bons
motivos pelos quais gosto tanto de vir a Portugal! Também conheço
muitos orientistas portugueses pelo facto de nos juntarmos nas provas
e, por tudo isto, correr em Portugal é como correr em casa.
Orientovar
- Apesar de curta, a sua experiência como orientista está marcada
por alguns belos momentos, entre os quais, seguramente, está a
presença – juntamente com a Esther e a Annabel – na final A de
Distância Longa dos Mundiais de 2011, em França. Que recordações
guarda desses momentos e depois, da Final, e do seu 26º lugar?
Anna
Serralonga – Foi uma grande
surpresa classificar-me para a Final de Distância Longa. Tinha
treinado para isso mas não estava segura de que seria capaz. Foi um
dia muito feliz. Sabia que a final seria demasiado longa para mim,
mas como era a minha primeira final o objectivo era chegar ao fim e
desfrutar da prova ao máximo. Daí que foi absolutamente fantástico
terminar na 26ª posição num terreno tão difícil.
A Espanha tem algo que
aprender com Portugal
Orientovar
- É possível fazer melhor este ano na Suiça?
Anna
Serralonga – Nunca competi na
Suiça mas sei que os terrenos serão muito rápidos. Não sou
propriamente uma boa corredora, pelo que não antevejo nada fácil
melhorar esse meu 26º lugar. Daí que os meus objectivos este ano
passem por fazer um bom Campeonato Mundial Universitário, que terá
lugar em Espanha. Mas claro que procurarei entrar numa final dos
Campeonatos do Mundo WOC, na Suiça.
Orientovar
- Portugal e Espanha, duas realidades distintas, uma mesma
modalidade. O que nos aproxima e o que nos separa?
Anna
Serralonga – Creio que somos
países muito parecidos. Temos o mesmo clima e uma enorme diversidade
de terrenos ao longo de toda a Península. Ambos estamos progredindo
ao mesmo tempo e estou certa que, pouco a pouco, os resultados vão
aparecer. Mas a Espanha tem algo que aprender com Portugal,
nomeadamente como organizar grandes eventos, à medida dum Portugal
O' Meeting.
Espero regressar muito
rapidamente!
Orientovar
- Vamos voltar a vê-la brevemente em Portugal?
Anna
Serralonga – Sou de Barcelona,
mas este ano estou a viver em Madrid. Daí que Portugal, por agora,
fica mais perto. Gosto muito dos terrenos em Portugal e, desta forma,
espero regressar muito rapidamente!
Saudações
orientistas.
JOAQUIM MARGARIDO

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