Convenhamos que não
é todos os dias que vemos o entrevistador ser entrevistado. Mas foi
precisamente isso que aconteceu em Sátão, com o Orientovar a ir ao
encontro da Localvisão e de Ângela Silva, para um agradável
momento de conversa e... aprendizagem. Que aqui se partilha, com o
devido louvor ao extraordinário trabalho efectuado no Portugal O'
Meeting 2012.
Orientovar
– Foi um mergulho na Orientação de forma quase abrupta. Como
viveu esta experiência de quase uma semana de Portugal O’ Meeting?
Ângela Silva
– Esta foi a minha primeira experiência no mundo da Orientação.
Foi um bocadinho assustador quando me foi feita a proposta, porque
eram quatro dias dum Portugal O’ Meeting mas, chegados ao final,
posso dizer que não poderia ter começado da melhor maneira.
Obrigou-me a um grande trabalho de casa, a muitas semanas de
preparação, mas estou bastante satisfeita.
Foram quatro dias muito
intensos, com muito poucas horas de sono, mas quatro dias imensamente
produtivos, nos quais aprendemos bastante, convivemos com campeões
de mundo descobrindo neles pessoas muito simples, muito acessíveis.
E depois o apoio da organização, que foi excepcional, sempre pronto
e disponível. Sem os meios disponibilizados, seria de todo
impossível fazermos o trabalho da forma como foi feito.
Acabei por me colocar
no lugar do espectador
Orientovar
– Imagino que todo este trabalho obedeceu a um rigoroso planeamento
prévio. Feito o balanço, as coisas correram dentro do esperado ou
excederam mesmo as expectativas?
Ângela Silva
– Podemos planear muito uma coisa e estruturar ao máximo – eu
trazia as peças que queria fazer por dia – mas a realidade acaba
por moldar aquilo que é, no início, apenas um esboço. Há imagens
que não podemos falhar de todo. São necessárias imagens bonitas,
imagens dos campeões do mundo a partir e a chegar.
Sabia que era
importante dar a conhecer as provas, os vencedores, mas acabei por me
colocar no lugar do espectador e senti que havia a necessidade de
mostrar um bocadinho o que é a Orientação, de dar a conhecer os
mapas, por exemplo, desmistificar um bocadinho o conceito de
Orientação Pedestre. Penso que só desmistificando é que podemos
aproximar as pessoas deste desporto da floresta. E foi esse o meu
objectivo. Falar das provas, falar dos campeões, mostrar os tempos,
mas mostrar também a organização e como é que se leva por diante
um evento desta grandeza.
O trabalho jornalístico
pode não estar a ser feito da melhor maneira
Orientovar
– Tivemos aqui quase duas mil pessoas, falou-se muito das Elites
mas talvez se tenha falado pouco da generalidade dos atletas, dos
mais novos aos mais velhos. O Portugal O’ Meeting está a tornar-se
num evento demasiado elitista?
Ângela Silva
– Não concordo. Este é um Portugal O’ Meeting, é uma prova que
pontua para o ranking mundial e temos de ter obrigatoriamente os
melhores do mundo entre nós, temos de falar neles. Esta é também
uma forma que temos de mostrar Portugal ao Mundo. Não concordo na
parte de que se trata duma prova elitista. Falar mais nas elites
depende da forma como se faz o trabalho. Se nos cingirmos ao WRE do
terceiro dia, por exemplo, é obrigatório falar nas elites. Mas nos
restantes dias há espaço para falar de tudo um pouco.
Se para alguns o
Portugal O’ Meeting é uma prova elitista é porque o trabalho
jornalístico pode não estar a ser feito da melhor maneira. A
Localvisão procura mostrar um bocadinho de tudo e espero que, ao
longo destes quatro dias, o tenhamos conseguido fazer. Nem tudo foi
possível, temos consciência disso, mas gostávamos de ter a
oportunidade de, num POM 2013 ou noutras provas de Orientação a
nível nacional, por exemplo, complementar e ir fazendo um pouquinho
mais deste trabalho.
O convívio entre os
profissionais da comunicação e a organização
Orientovar
– Se lhe pedisse para eleger dois ou três momentos marcantes deste
Portugal O’ Meeting, quais seriam?
Ângela Silva
– É difícil, sobretudo porque não consegui digerir ainda quatro
dias de Portugal O’ Meeting. Sem dúvida, surpreendeu-me a forma
física do Thierry Gueorgiou e, embora soubesse tratar-se do melhor
orientista da actualidade, não estava à espera que concluísse a
prova do primeiro dia tão rapidamente. Foi excepcional. E consigo
também eleger o convívio entre os profissionais da comunicação e
a organização. É importante que haja esta possibilidade.
Mas o Portugal O’
Meeting não se consegue resumir em dois ou três momentos. Só quem
faz um Portugal O’ Meeting é que percebe a dimensão deste grande
evento da Orientação e que percebe a realização pessoal, enquanto
profissionais da comunicação, de chegarmos ao final de quatro dias
com a satisfação do dever cumprido e com a noção de que, com o
nosso trabalho, conseguimos chegar a toda a gente. Saímos muito,
muito satisfeitos deste POM 2012, eu e os meus colegas, o Nuno André
Moreira e o Armando Ferreira.
E porque não?
Orientovar
– Sem a pressão dum microfone nas mãos, aventurava-se a fazer um
percurso de Orientação?
Ângela Silva
– Eu aventurava-me. Tive a oportunidade de falar com o Tiago Aires
e de ficar a perceber um pouco de cartografia e falei depois com o
Nuno Leite que me explicou os símbolos. Se calhar sozinha, numa
primeira experiência, teria um bocadinho de medo de arriscar ir
muito longe. Mas claro que sim, claro que gostava muito de
experimentar. E porque não? Um dia!...
Orientovar
– A Orientação é um desporto para todos?
Ângela Silva
– É um desporto para todos. Como tivemos também oportunidade de
ver neste POM, qualquer pessoa pode fazer Orientação,
independentemente da sua idade ou condição física. Isso ficou,
aliás, bem patente no segundo dia com a Orientação de Precisão e
com a Actividade de Orientação Adaptada. É um desporto para todos
e é um desporto que deve começar a ser mais conhecido. É um
desporto que tem que vir para o público em geral e deve, de todo,
ser conhecido. Eu irei experimentá-lo, com toda a certeza. Já não
será no POM 2012, mas irei experimentá-lo em breve. Está
prometido!
[Recorde os melhores momentos do Portugal O' Meeting 2012 clicando na imagem acima]
Saudações
orientistas.
JOAQUIM MARGARIDO

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