A Orientação de Precisão está
de parabéns. A primeira Taça de Portugal da modalidade teve o seu
arranque em Viseu, com vitória de Diana Coelho na Classe
Paralímpica. A prova aberta viu o sueco Vetle Ruud Braten ser o mais certeiro.
O Parque do Fontelo, em Viseu,
recebeu no passado dia 19 de Fevereiro a primeira etapa da Taça de
Portugal de Orientação de Precisão 2012, uma modalidade
particularmente vocacionada para pessoas com mobilidade reduzida.
Integrada nesse evento maior que foi o Portugal O' Meeting 2012, uma
organização conjunta do Clube de Orientação de Estarreja e do
Clube de Orientação de Viseu – Natura, a prova estendeu-se ao
longo dum perímetro de 1.300 metros, englobando 17 pontos plenos de
desafios e algumas surpresas!
A etapa de Orientação de Precisão
contou com um total de 75 participantes, a grande maioria dos quais
estrangeiros, sobretudo dos países nórdicos. Na Classe Aberta,
Vetle Ruud Braten (IFK Göteborg) e Antonia Holper (Pannonian
Allstars), classificaram-se por esta ordem nas duas primeiras
posições, com o mesmo número de pontos (16), sendo o vencedor
encontrado pela maior rapidez de decisão nos dois pontos
cronometrados que encerravam o percurso. O terceiro lugar coube ao
checo Tomas Sochor (Individual), com menos um ponto que os
vencedores. Tiago Aires foi o único atleta português a conseguir
uma posição no top-10, ocupando o 9º lugar com 14 pontos.
“Basta ter vontade e acreditar”
Na Classe Paralímpica, Diana Coelho
foi a mais certeira, ao definir correctamente 8 pontos, seguida de
Ricardo Pinto e Ana Paula Marques, com 7 e 5 pontos, respectivamente.
Para a primeira vencedora duma competição oficial da Federação
Portuguesa de Orientação nesta modalidade, “a prova fugiu um
pouco àquilo a que estávamos habituados e o desafio nos pontos era
mais exigente, mais rigoroso. Perante este grau de dificuldade,
conseguir esta vitória foi muito importante.” Confessando-se mais
preparada e confiante para os próximos embates da Taça de Portugal,
Diana Coelho termina com um apelo: “Aqueles que têm mobilidade
reduzida não se menosprezem perante outras pessoas e venham
experimentar. Há aqui uma oportunidade de fazer desporto em contacto
com a natureza e toda a gente consegue. Posso garantir que isto não
é nada difícil. Basta ter vontade e acreditar. Prova a prova,
desafio a desafio, as dificuldades vão-se superando e os resultados
acabam por aparecer.”
Quanto aos outros atletas que
ocuparam lugares no pódio na Classe Paralímpica, Ana Paula Marques
acabaria por confessar ter achado a prova “muito difícil e com as
balizas demasiado baixas, o que dificultou a sua visão”. Mas os
desafios colocados acabaram por ser importantes: “Fiz o melhor que
podia. Temos que aprender a superar as dificuldades e fazer o nosso
melhor.” A finalizar: “Estamos sempre a aprender. Todas as provas
são diferentes umas das outras e em cada uma delas aprendemos sempre
algo mais.” Ricardo Pinto era igualmente um atleta satisfeito no
final: “A minha grande dificuldade residiu na interpretação da
sinalética, mas consegui superar bem e estou muito contente com o 2º
lugar.” Quanto à iniciativa em si, o atleta considera-a muito boa
e que “merecia ser mais divulgada, sobretudo junto das pessoas com
deficiência, para que pudessem também vir experimentar e para que
houvesse uma maior competitividade.”
Figuras ilustres marcam presença
A tarde viria ainda a ser preenchida
com uma demonstração de Actividade de Orientação Adaptada, levada
a cabo pela APPACDM – Viseu, com o apoio técnico do Grupo
Desportivo dos Quatro Caminhos. Esta é uma modalidade que dá os
primeiros passos no nosso País e que foi bastante apreciada por
todos os presentes que participaram e assistiram. Testemunharam
também esta demonstração o Presidente do Comité Paralímpico de
Portugal, Humberto Santos, o Presidente da Federação Portuguesa de
Orientação, Augusto Almeida, e o ex-Atleta Carlos Lopes.
“Na Federação Portuguesa de
Orientação estamos todos a trabalhar no sentido de colher
ensinamentos e encontrar uma forma definitiva de implementar a
Orientação Adaptada. É fantástico ver a alegria nas pessoas que
puderam desfrutar da actividade e essa é a maior recompensa para
quem tem de gerir por vezes coisas menos boas e tomar decisões que
não agradam. Ver um sorriso estampado no rosto de uma pessoa que se
sente feliz porque descobriu a solução é recompensador”, referiu
o Presidente da Federação Portuguesa de Orientação, Augusto
Almeida.
Orientação de Precisão e
Actividade Adaptada “seguem dentro de momentos”
A Orientação de Precisão e a
Actividade de Orientação Adaptada estarão de volta já no próximo
dia 03 de Março, pelas 10h00, com o 2º Troféu de Orientação de
Precisão “Parque do Covelo”, na cidade do Porto. As provas
integram-se no II Circuito de Orientação de Precisão “Todos
Diferentes, Todos Iguais”. Mais informações em:
http://gd4caminhos.com/eventos/circuito/.
Saudações orientistas.
JOAQUIM MARGARIDO



2 comentários:
Tive pena de não ter tido a oportunidade de participar neste Trail-O. Quando vi o artigo e me apercebi que o mapa e as soluções estavam divulgadas, pensei que bom seria que se tivesse registado em foto todos os pontos de observação na direcção das balizas, para puder fazer a 'prova em casa'. Essas fotos existem? Podem ser partilhadas?
Viva Nuno:
Obrigado pelo seu comentário.
Quanto à questão colocada, não sei se essas fotos existem. Eu optei por não o fazer, visto o grau de exigência técnica ser demasiado elevado e as fotos nunca conseguirem ilustrar minimamente aquilo que seria exigido.
Posto isto, não fique desiludido.
Foi bom ter lá estado e perceber que a Orientação de Precisão é, na verdade, aquilo que suspeitava: Um desafio tremendo!
JOAQUIM MARGARIDO
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