segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

TAÇA DE PORTUGAL DE ORIENTAÇÃO DE PRECISÃO 2012: DIANA COELHO FAZ HISTÓRIA EM VISEU




A Orientação de Precisão está de parabéns. A primeira Taça de Portugal da modalidade teve o seu arranque em Viseu, com vitória de Diana Coelho na Classe Paralímpica. A prova aberta viu o sueco Vetle Ruud Braten ser o mais certeiro.


O Parque do Fontelo, em Viseu, recebeu no passado dia 19 de Fevereiro a primeira etapa da Taça de Portugal de Orientação de Precisão 2012, uma modalidade particularmente vocacionada para pessoas com mobilidade reduzida. Integrada nesse evento maior que foi o Portugal O' Meeting 2012, uma organização conjunta do Clube de Orientação de Estarreja e do Clube de Orientação de Viseu – Natura, a prova estendeu-se ao longo dum perímetro de 1.300 metros, englobando 17 pontos plenos de desafios e algumas surpresas!

A etapa de Orientação de Precisão contou com um total de 75 participantes, a grande maioria dos quais estrangeiros, sobretudo dos países nórdicos. Na Classe Aberta, Vetle Ruud Braten (IFK Göteborg) e Antonia Holper (Pannonian Allstars), classificaram-se por esta ordem nas duas primeiras posições, com o mesmo número de pontos (16), sendo o vencedor encontrado pela maior rapidez de decisão nos dois pontos cronometrados que encerravam o percurso. O terceiro lugar coube ao checo Tomas Sochor (Individual), com menos um ponto que os vencedores. Tiago Aires foi o único atleta português a conseguir uma posição no top-10, ocupando o 9º lugar com 14 pontos.


Basta ter vontade e acreditar”

Na Classe Paralímpica, Diana Coelho foi a mais certeira, ao definir correctamente 8 pontos, seguida de Ricardo Pinto e Ana Paula Marques, com 7 e 5 pontos, respectivamente. Para a primeira vencedora duma competição oficial da Federação Portuguesa de Orientação nesta modalidade, “a prova fugiu um pouco àquilo a que estávamos habituados e o desafio nos pontos era mais exigente, mais rigoroso. Perante este grau de dificuldade, conseguir esta vitória foi muito importante.” Confessando-se mais preparada e confiante para os próximos embates da Taça de Portugal, Diana Coelho termina com um apelo: “Aqueles que têm mobilidade reduzida não se menosprezem perante outras pessoas e venham experimentar. Há aqui uma oportunidade de fazer desporto em contacto com a natureza e toda a gente consegue. Posso garantir que isto não é nada difícil. Basta ter vontade e acreditar. Prova a prova, desafio a desafio, as dificuldades vão-se superando e os resultados acabam por aparecer.”

Quanto aos outros atletas que ocuparam lugares no pódio na Classe Paralímpica, Ana Paula Marques acabaria por confessar ter achado a prova “muito difícil e com as balizas demasiado baixas, o que dificultou a sua visão”. Mas os desafios colocados acabaram por ser importantes: “Fiz o melhor que podia. Temos que aprender a superar as dificuldades e fazer o nosso melhor.” A finalizar: “Estamos sempre a aprender. Todas as provas são diferentes umas das outras e em cada uma delas aprendemos sempre algo mais.” Ricardo Pinto era igualmente um atleta satisfeito no final: “A minha grande dificuldade residiu na interpretação da sinalética, mas consegui superar bem e estou muito contente com o 2º lugar.” Quanto à iniciativa em si, o atleta considera-a muito boa e que “merecia ser mais divulgada, sobretudo junto das pessoas com deficiência, para que pudessem também vir experimentar e para que houvesse uma maior competitividade.”


Figuras ilustres marcam presença

A tarde viria ainda a ser preenchida com uma demonstração de Actividade de Orientação Adaptada, levada a cabo pela APPACDM – Viseu, com o apoio técnico do Grupo Desportivo dos Quatro Caminhos. Esta é uma modalidade que dá os primeiros passos no nosso País e que foi bastante apreciada por todos os presentes que participaram e assistiram. Testemunharam também esta demonstração o Presidente do Comité Paralímpico de Portugal, Humberto Santos, o Presidente da Federação Portuguesa de Orientação, Augusto Almeida, e o ex-Atleta Carlos Lopes.

Na Federação Portuguesa de Orientação estamos todos a trabalhar no sentido de colher ensinamentos e encontrar uma forma definitiva de implementar a Orientação Adaptada. É fantástico ver a alegria nas pessoas que puderam desfrutar da actividade e essa é a maior recompensa para quem tem de gerir por vezes coisas menos boas e tomar decisões que não agradam. Ver um sorriso estampado no rosto de uma pessoa que se sente feliz porque descobriu a solução é recompensador”, referiu o Presidente da Federação Portuguesa de Orientação, Augusto Almeida.


Orientação de Precisão e Actividade Adaptada “seguem dentro de momentos”

A Orientação de Precisão e a Actividade de Orientação Adaptada estarão de volta já no próximo dia 03 de Março, pelas 10h00, com o 2º Troféu de Orientação de Precisão “Parque do Covelo”, na cidade do Porto. As provas integram-se no II Circuito de Orientação de Precisão “Todos Diferentes, Todos Iguais”. Mais informações em: http://gd4caminhos.com/eventos/circuito/.








Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

2 comentários:

Nuno Pires disse...

Tive pena de não ter tido a oportunidade de participar neste Trail-O. Quando vi o artigo e me apercebi que o mapa e as soluções estavam divulgadas, pensei que bom seria que se tivesse registado em foto todos os pontos de observação na direcção das balizas, para puder fazer a 'prova em casa'. Essas fotos existem? Podem ser partilhadas?

Joaquim Margarido disse...

Viva Nuno:
Obrigado pelo seu comentário.
Quanto à questão colocada, não sei se essas fotos existem. Eu optei por não o fazer, visto o grau de exigência técnica ser demasiado elevado e as fotos nunca conseguirem ilustrar minimamente aquilo que seria exigido.
Posto isto, não fique desiludido.
Foi bom ter lá estado e perceber que a Orientação de Precisão é, na verdade, aquilo que suspeitava: Um desafio tremendo!
JOAQUIM MARGARIDO