Presidente do Clube de Orientação
de Estarreja e, nessa qualidade, uma peça fundamental na estrutura
organizativa do Portugal O' Meeting 2012, Nuno Leite fez para o
Orientovar a antevisão do importante evento. Uma entrevista onde se
fala da democraticidade no seio do clube, da importância do evento
aos mais variados níveis e se deseja Sol. Muito Sol!
Orientovar - Assumiu a
Presidência do Clube de Orientação de Estarreja numa fase
relativamente avançada da preparação do Portugal O’ Meeting. Que
responsabilidades acrescidas é que o novo cargo acarreta?
Nuno Leite - É
verdade, mas não há muitas diferenças, apenas a pessoa que assina
as decisões da Direcção é que mudou. Quem conhece a estrutura do
Ori-Estarreja sabe que tudo é decidido em consenso e de forma
democrática, pensando paralelamente no que é melhor para o Clube e
para a evolução da Orientação em Portugal.
Orientovar - Que
significado tem para o Clube de Orientação de Estarreja a
organização desta 17ª edição do Portugal O’ Meeting?
Nuno Leite - Quando
organizamos um evento deste nível fazemos sempre a mesma questão,
mesmo que inconsciente - "O que podemos fazer para evoluir a
Orientação em Portugal?" É daqui que nascem todas as ideias
para um evento melhor. Olhando para as edições do POM anteriores
organizadas pelo Ori-Estarreja, percebe-se que levamos sempre a
Orientação a novos terrenos e houve sempre um salto qualitativo e
quantitativo, quer ao nível técnico, número de atletas e retorno
para a economia regional. Significa portanto uma oportunidade para
fazer mais e melhor pela Orientação em Portugal, sobretudo em
difundi-la por locais onde ela está menos desenvolvida.
É quase tudo igual a um evento dito
"normal", mas com os números multiplicados por quatro ou
cinco
Orientovar - Quais os
meios materiais e humanos envolvidos nesta edição do evento?
Nuno Leite - Bom,
vamos ter mais de 100 elementos na organização, se além dos
elementos dos dois clubes (Ori-Estarreja e COV) contabilizarmos todas
as estruturas de apoio (Bombeiros, Militares, Escoteiros,Media...).
Mas só dos dois clubes são mais de oitenta elementos, divididos em
mais de seis equipas distintas, com tarefas diversas mas que
funcionam articuladas entre si. Para um evento desta dimensão, com
quase 2000 atletas, é quase tudo igual a um evento dito "normal",
mas com os números multiplicados por quatro ou cinco, o que eleva a
despesa directa a situar-se na casa dos 30 mil euros, sobretudo se
quisermos investir muito na qualidade do evento. Note-se que o apoio
monetário por parte das autoridades estatais para estas despesas e
para um evento que dá de retorno à economia local mais de 1,5
Milhões de euros não chega nem a 10% da despesa directa!
Orientovar - O Clube
de Orientação de Estarreja partilha as responsabilidades
organizativas com o Clube de Orientação de Viseu – Natura. Quais
as mais-valias resultam desta parceria?
Nuno Leite - Quando um
clube de Orientação apresenta uma proposta de organização de um
evento a uma autarquia que nunca ouviu falar neste desporto há
sempre uma fase de descoberta do que é a Orientação por parte da
autarquia e por parte do clube sobre a forma de funcionamento da
autarquia. No POM 2012 temos associado um clube com uma experiência
técnica elevada associado a um clube que já trabalha com estas
Câmaras há vários anos. É uma parte significativa de um evento
desta dimensão que fica facilitada.
Há estruturas que têm de assumir
um carácter pelo menos semi-profissional
Orientovar - No
rescaldo do recente Campeonato Nacional Absoluto, disputado nos
municípios de S. Pedro do Sul e Vouzela, o responsável pela
cartografia do POM 2012, Tiago Aires, afirmava que “Viseu tem
condições para se tornar rapidamente na capital da Orientação em
Portugal”. A este propósito, qual a sua opinião?
Nuno Leite - A capital
não diria, mas pela localização, pela quantidade e qualidade dos
terrenos e pela abertura destas duas autarquias, um importante pólo
será certamente!
Orientovar - O sector
da Comunicação do Portugal O’ Meeting 2012 ganhou um novo fôlego
após o contrato celebrado com a Orievents. Este pode ser, na sua
perspectiva, uma boa solução para o futuro da modalidade ao nível
da Comunicação e Imagem?
Nuno Leite – Ganha,
sem dúvida! Estas organizações assentam numa base de voluntariado
e facto mais que provado é que os principais elementos das
organizações estão sempre empenhados nas parte mais técnicas e
nunca têm disponibilidade para esta tarefa que já merecia a devida
atenção há muito tempo. Felizmente apareceu um Mecenas chamado
Sotinco que permitiu que esta estrutura liderada pelo Fernando Costa
fosse viabilizada e os resultados estão à vista de todos. Se
queremos eventos melhores, há estruturas que têm de assumir um
carácter pelo menos semi-profissional.
Espero um evento memorável
Orientovar - O que
espera deste POM 2012?
Nuno Leite – Espero
um evento memorável que permita que a Orientação comece a ser
vista com outros olhos pelas estruturas que mais nos (Orientação
Portuguesa) podem auxiliar.
Orientovar - Qual o
seu maior desejo?
Nuno Leite - Sol! Um
desejo deve sobretudo ser sempre sobre algo que não está nas mãos
da organização! Ao que parece esse desejo será realizado e tudo o
resto será mais fácil para a organização. Além disso desejo
também que a fantástica estrutura de apoio médico que está a ser
montada pelos Bombeiros de Viseu e Sátão, não seja utilizada.
Saudações orientistas.
JOAQUIM MARGARIDO

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