quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

PORTUGAL O' MEETING 2012: FALTAM 16 DIAS!



Luís Santos é, pelo segundo ano consecutivo, o Supervisor do maior evento regular de Orientação Pedestre em Portugal. É nessa qualidade que fala do seu trabalho junto da organização do POM 2012 e não tem dúvidas em afirmar que o evento tem potencial para ser o melhor de sempre.


Orientovar - Esteve diretamente ligado a quatro das seis últimas edições do Portugal O' Meeting. Gostava que me falasse dessas experiências e que estabelecesse as devidas comparações naquilo que é possível ser comparado.

Luís Santos - Apesar dos enormes investimentos em trabalho para estes eventos, são eventos especiais e todos sabemos que são a nossa maior "porta" de divulgação para a comunidade internacional da Orientação, pelo que é para mim um orgulho ter feito parte das equipas de trabalho que foram responsáveis pelas edições de 2007 (São Pedro do Sul), 2009 (Mora) e 2011 (Alto Alentejo). Apesar de falarmos da mesma prova, foram todas experiências muito diferentes mas muito ricas em termos emocionais, de vivências e de realização pessoal.

Tentando retratar em poucas palavras cada uma delas, recordo um evento de terrenos espantosos como foi o de São Pedro do Sul, um mapa que ficou como um dos meus preferidos (Campo de Anta), o mau tempo em alguns dias de prova e o meu maior erro que terá sido o não acompanhamento das provas de Sprint. Desportivamente, marcou-me a vitória esmagadora do Thierry Gueorgiou.

Em 2009 o volume de trabalho pessoal foi muito mais esmagador pois fui co-diretor do evento a meias com o António Rodrigues. Recordo o drama das tensas relações com os proprietários (3º e 4º dias em risco a 3 dias do evento e 2º dia em risco na manhã do evento) e a forma como privilegiámos diferentes tipos de terreno, culminando com as pedras de Pavia Leste. A recordação mais marcante foi a do OriShow no Campo de Futebol do Cabeção. Organizativamente começámos o evento à beira do cancelamento, com uma terrível incapacidade de colocar as coisas a funcionar e acabou em apoteose com centenas de pessoas nas bancadas do campo a viver intensamente a final. Não foi nada de importante mas ficou na memória.

Em 2011, de novo uma supervisão, primeira oportunidade de trabalhar com o meu amigo Fernando Costa. Trabalho mais exigente para mim a nível técnico do que tinha sido em 2007, excelentes momentos com a equipa organizativa do GD4C, de novo o Thierry a brilhar. Momento menos bom talvez a Cerimónia de Encerramento que é talvez o momento mais difícil de qualquer POM. Uma prova tremendamente exigente para as organizações e que, à hora da Cerimónia, quando já existe uma dose forte de descompressão, é muito difícil manter os níveis de trabalho elevados, o que acaba por causar dificuldades nos momentos finais.


Líder organizativo da Orientação Pedestre Mundial no Inverno

Orientovar - Que significado e importância tem para a Orientação portuguesa e para o nosso país um evento com a dimensão e a projeção do Portugal O' Meeting?

Luís Santos - O Portugal O'Meeting não tem em Portugal a importância que deveria ter, como um dos eventos desportivos que mais praticantes estrangeiros traz a Portugal entre todas as modalidades. Mas esse reconhecimento existe no mundo da Orientação. Creio que nos últimos anos tem-se trabalhado muito e bem no sentido de projetar o evento e Portugal como centro da Orientação Mundial no Inverno. Prezo muito os amigos que tenho em Espanha e gosto de fazer Orientação em Espanha mas aqui parece-me que houve um claro desafio entre Portugal e Espanha na conquista pela preferência dos atletas de outros países para treinarem e participarem em WRE’s no Inverno. A verdade é que conseguimos - também com a ajuda do WMOC 2008 - desequilibrar este desafio a favor de Portugal e hoje em dia nem passa pela cabeça dos responsáveis espanhóis marcar um WRE para o fim-de-semana do POM, como aconteceu no passado.

O POM projetou-se para números julgados impossíveis até 2005/2006 (agora com POM's acima dos 1500 participantes, antes nunca chegando aos 1200) e isso reflecte-se também no WRE do fim-de-semana seguinte, nos campos de treino, no WRE de Janeiro, enfim, Portugal parece-me ser efetivamente o líder organizativo da Orientação Pedestre Mundial no Inverno, estatuto este que deve ser valorizado por nós, mas também salvaguardado, criando condições para nunca arriscar um POM fraco e perder num ano todo o trabalho desenvolvido ultimamente.


Tento integrar-me de corpo e alma nas organizações

Orientovar - Ser Supervisor dum evento desta envergadura que responsabilidades e desafios acarreta?

Luís Santos - Eu vejo as minhas funções como alguém que deve estar ao serviço da Organização. E só se alguma vez sentimos que a Organização (ou alguém entre os seus múltiplos intervenientes) está a descurar os interesses dos praticantes é que o Supervisor deve passar a ser o defensor dos atletas. Tento integrar-me de corpo e alma nas organizações e deixar claro, com trabalho útil, que estou presente para ser uma mais valia para o evento e para o grupo organizador e não um "empecilho" ou um "controlador" do trabalho organizativo. Tento não sobrecarregar as contas da FPO com viagens excessivas e isso traduziu-se por exemplo num grande esforço para conseguir visitar no terreno todos os pontos de controlo em três dias (não vi todos os do Sprint, mas terei visto mais de 350 pontos de controlo), centralizando o enfoque do meu trabalho nos aspectos técnicos da prova em terrenos exigentes e que obrigam a um elevado grau de concentração de todos os intervenientes no trabalho técnico (curiosamente, numa equipa muito similar há que já trabalhou em 2007 comigo). Quanto mais e melhor trabalho técnico for efetuado na fase de preparação, mais tranquilos estaremos nos dias do evento.

Orientovar - Como estão a decorrer os trabalhos de Supervisão do POM 2012?

Luís Santos - Entrei no "comboio" do POM 2012 já com ele em andamento, uma vez que entrei a substituir o meu colega supervisor Rui Antunes, mas ainda a tempo de conseguir acompanhar todo o trabalho técnico de preparação de percursos. O Ori-Estarreja tem estado a fazer um trabalho excepcional a nível técnico, tal como já fizera em 2007. As tarefas estão a seguir os seus timings normais e as coisas parecem-me estar a correr bastante bem e só ao nível do site seria bom haver um pouco mais de dinamismo para cativar os que estão em dúvida para participar. O trabalho técnico encontra-se em fase de conclusão e agora é hora de processar inscrições em grande número e de planear e preparar aspectos logísticos importantes como as partidas, algumas limpezas em zonas de prova, preparação de Arenas, projeção de pontos de interesse para os espectadores, organigramas e cronogramas para a prova, entre outros.


Se o sol brilha a organização também brilha

Orientovar - Tem havido necessidade de afinar muita coisa na articulação com as entidades organizadoras ou a relação com o Ori-Estarreja e com o Clube de Orientação de Viseu – Natura tem decorrido de forma perfeitamente tranquila?

Luís Santos - No POM 2011 havia uma dificuldade invulgar que era a necessidade de articular com três municípios diferentes um evento desta dimensão. Mas havia um único clube organizador e interlocutor. No POM 2012 temos dois municípios e dois clubes organizadores. O meu trabalho tem sido quase totalmente realizado com o Ori-Estarreja, uma vez que, no modelo organizativo implementado, ficou a seu cargo o trabalho técnico dos quatro eventos principais, ficando o COV mais com a ligação às entidades locais e com o Sprint de Viseu. Talvez o trabalho de comunicação e divulgação pudesse estar a ser mais eficaz, talvez o município de Viseu pudesse ter um papel mais preponderante nesse aspecto, mas interessa assinalar nos aspectos técnicos que há um excepcional trabalho de prospeção dos clubes organizadores e os meus amigos do Ori-Estarreja não me vão levar a mal se destacar o papel deste clube, que é pouco conhecido pela comunidade orientista, como é o caso do Clube de Orientação de Viseu - NATURA, mas que tem efetuado um trabalho notável na promoção da modalidade nesta região do país e pode ter um papel fulcral no desenvolvimento da modalidade num distrito que me parece ser um dos distritos com maior potencial para a descoberta de novos terrenos para a modalidade.

Orientovar - Que Portugal O' Meeting vamos encontrar este ano?

Luís Santos - Se alguém estiver na dúvida se o evento irá conseguir manter a qualidade dos anos anteriores, não tenho dúvidas nenhumas em dizer que tem potencial para os superar. Claro que depois na prática há coisas que podem não correr da melhor forma. Costumo dizer, por exemplo, que se o sol brilha a organização também brilha. Se é a chuva que aparece, a organização só pode garantir que tudo corre bem, mas a ideia do evento que fica nos participantes nunca será tão positiva. Se o clima ajudar, há fortes possibilidades de estar aí à porta um evento memorável, num POM que começa a ter um interesse competitivo a entrar no Top 10 dos eventos mais acompanhados a nível mundial (beneficiando do facto de ser o 1º grande evento da época a nível Mundial e de servir de barómetro para avaliar a forma dos melhores do Mundo), áreas belíssimas, principalmente em Sátão, e na minha opinião, um evento que vai aumentando de interesse de dia para dia, culminando com um 4º dia que é o meu preferido (certamente haverá quem não venha a estar de acordo comigo quando a prova estiver terminada...). Este POM irá levar a comunidade orientista a conhecer uma cidade que tem estado fora do panorama da modalidade mas que tem muito para oferecer e as provas de Sprint urbano e de Orientação de Precisão constituirão uma boa forma de confirmar isso mesmo. A título de curiosidade, estes dois eventos terão lugar naquele que será, provavelmente, um dos maiores mapas urbanos de Portugal.


Preocupa-me a capacidade de "regeneração"

Orientovar - A pouco mais de quinze dias do POM, há algum aspecto em particular que o preocupa ou continua a dormir lindamente?

Luís Santos - O que deveria estar feito nesta fase, feito está. Há ainda muito por fazer, mas não vale a pena estarmos a preocupar-nos por antecipação. Há experiência organizativa da parte de todos os intervenientes e há capacidade de trabalho para desenvolver o que está por fazer. Confesso que numa prova como esta, preocupa-me a capacidade de "regeneração", dia após dia, do grupo organizador. Quando começar o 1º dia da prova haverá já intervenientes com cargas de cansaço elevadas em cima dos ombros. Não é fácil chegar ao 4º dia ainda com um sorriso nos lábios e capacidade de concentração para bem fazer e essa é uma das preocupações de um POM. A outra preocupação não está nas nossas mãos mas gera, naturalmente, alguma ansiedade. Falo do clima, embora tenha consciência que um mau clima afecta essencialmente quem vai pelo passeio e quem organiza. Quem vai para competir e não quer saber de paisagens ou bonitas florestas, tanto lhe dá que chova ou que faça sol, só lhe interessa o mapa e as suas opções.

Orientovar - Pedia-lhe, a título pessoal e enquanto Supervisor da mais importante prova do nosso calendário, que exprimisse um voto para este Portugal O' Meeting.

Luís Santos - O meu voto para este POM é que, se são portugueses e não sabem se vão, não hesitem em participar. Se vêm de outros países e já têm viagem marcada, certamente ficarão com vontade de voltar. Quem descobriu os terrenos, quem os cartografou e quem vos preparou os percursos, preparou-vos um evento de grande nível. Em termos pessoais espero estar ao nível que a nossa modalidade precisa e usufruir de uma das tarefas que mais gozo me dá na nossa modalidade: a Supervisão.

Saiba tudo em http://www.pom.pt/pt/


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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