Um ano depois,
o vencedor da anterior edição do Portugal O’ Meeting está de
regresso a Portugal. O Orientovar falou com Oleksandr
Kratov na Quinta dos Ribeiros, em Alpalhão (Nisa), aqui deixando os
momentos mais significativos dessa agradável conversa.
Orientovar
- Com vista à preparação da temporada, qual a importância de
estar em Portugal?
Oleksandr
Kratov - Penso que é muito
importante. Desde logo, porque Portugal é um belo País, com
terrenos excelentes para a prática da modalidade. É fundamental
treinar e competir em diferentes tipos de terrenos, mas também
porque aqui podemos desenvolver treinos em grande velocidade enquanto
fazemos Orientação. Por outro lado, estar aqui representa também,
em termos pesoais, a possibilidade de traçar alguns percursos. Os
mapas são especiais. E especiais porquê? Porque
são muito diferentes do estilo de cartografia sueco. Não consigo
dizer se são melhores ou piores. São diferentes… absolutamente!
Tem zonas em que é demasiado detalhado… é difícil de descrever.
As curvas, por exemplo, não são muito precisas. Vemos alguns
elementos rochosos e eles parecem precisos, mas não conseguimos ter
a noção da sua dimensão. Enfim, penso que não deixam por isso de
ser mapas muito bons.
Orientovar
- Sobre a última época, os resultados corresponderam às suas
expectativas?
Oleksandr
Kratov - Bom… Na verdade
esperava talvez melhores resultados. Apesar do 4º lugar na final de
Distância Média dos Campeonatos do Mundo, não posso estar muito
satisfeito porque – como dizer isto? - … não foi conseguido
apenas por mim. Fiz uma parte da prova com o Thierry Gueorgiou,
portanto… E também houve outras razões, estava lesionado, a minha
forma não era a melhor. Aquele 4º lugar foi um bom resultado, mas
não correspondeu a uma boa performance.
É
sempre muito interessante competir com atletas como Thierry Gueorgiou
Orientovar
- Qual o momento actual da Orientação na Ucrânia?
Oleksandr
Kratov - Estive ainda
recentemente na Ucrânia, onde permaneci durante duas semanas, mas a
maior parte do tempo vivo na Suécia. A vida na Suécia é melhor que
na Ucrânia, isso é uma certeza (risos). Posso treinar muito mais, é
muito melhor em termos da Orientação. Quanto à Orientação na
Ucrânia, creio que o nível dos nossos atletas de elite está a
melhorar. E penso que irá melhorar ainda mais, porquanto temos uma
equipa muito jovem, mas também porque a maioria dos nossos atletas
vive e treina em clubes da Suécia.
Orientovar
- Foi o vencedor do Portugal O’ Meeting em 2011. Essa vitória tem
algum significado especial na sua carreira?
Oleksandr
Kratov - Foi bom ter ganho,
claro, mas sobretudo foi um belo treino, do meu ponto de vista. É
tudo. No início da temporada, é natural encarar estas competições
quase como uma oportunidade para treinar e melhorar o nível de
forma. Penso que os principais atletas de Elite não olham para estas
competições da mesma forma que enfrentam os grandes eventos. Mas é
sempre muito interessante competir com atletas como Thierry
Gueorgiou, por exemplo. Em certa medida, temos a possibilidade de
comparar o nosso momento actual com outros atletas, mas o resultado
não tem realmente importância. Assim, não vejo no Portugal O’
Meeting mais do que um bom treino.
O
nível actual dos atletas de topo é muito elevado
Orientovar
– Foi a segunda vez que mencionou Thierry Gueorgiou. Que
significado tem o Thierry para si?
Oleksandr
Kratov – O Thierry é um tipo
fixe (risos). Ele é o maior orientista da actualidade. Estivemos
juntos num Campo de Treino em França e tive a oportunidade de o
conhecer um pouco melhor. É um atleta melhor do que eu em muitos
aspectos, há pois muitos aspectos onde devo melhorar se quiser ser
como ele. Ele tem muito mais experiência, seguramente. Fisicamente e
tecnicamente ele também é superior a mim e estes são aspectos que
requerem muito trabalho se quiser continuar a evoluir.
Orientovar
- Quem irá suceder a Thierry Gueorgiou?
Oleksandr
Kratov - Não sei, é difícil
dizer. Poderia facilmente citar dez atletas, mas nenhum em
particular. Em boa verdade, o nível actual dos atletas de topo é
muito elevado, muito homogéneo e penso que será melhor ainda no
futuro. Há muito jovens que serão grandes orientistas. Portanto,
não é fácil indicar um sucessor. Pessoalmente, conto estar na
linha da frente. Veremos.
Há sempre a
possibilidade de chegar à vitória
Orientovar
- Conquistar uma medalha de ouro nos Campeonatos do Mundo é algo que
está entre os seus grandes objectivos para esta temporada?
Oleksandr
Kratov - Bom, conseguir uma
medalha na Suiça é o meu principal alvo. Procurarei, claro, que
seja uma medalha de ouro. Penso que é normal que nós, orientistas,
acreditemos que tal seja possível. Estes treinos no Inverno estão a
correr muito bem; estou a crescer como orientista e, por conseguinte,
penso que há sempre a possibilidade de chegar à vitória. Estou
mais focado nos Campeonatos do Mundo, confesso, mas tentarei
igualmente ser bem sucedido nos Campeonatos da Europa.
Orientovar
-No final desta nossa conversa, quer dizer algo mais?
Oleksandr
Kratov - Treinem muito, é tudo
o que tenho para dizer. Sem isso, ninguém poderá esperar bons
resultados. Penso que é o melhor conselho que posso deixar, por
agora.
Saudações
orientistas.
JOAQUIM MARGARIDO

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