terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

OLEKSANDR KRATOV: "NÃO VEJO NO PORTUGAL O' MEETING MAIS DO QUE UM BOM TREINO"




Um ano depois, o vencedor da anterior edição do Portugal O’ Meeting está de regresso a Portugal. O Orientovar falou com Oleksandr Kratov na Quinta dos Ribeiros, em Alpalhão (Nisa), aqui deixando os momentos mais significativos dessa agradável conversa.


Orientovar - Com vista à preparação da temporada, qual a importância de estar em Portugal?

Oleksandr Kratov - Penso que é muito importante. Desde logo, porque Portugal é um belo País, com terrenos excelentes para a prática da modalidade. É fundamental treinar e competir em diferentes tipos de terrenos, mas também porque aqui podemos desenvolver treinos em grande velocidade enquanto fazemos Orientação. Por outro lado, estar aqui representa também, em termos pesoais, a possibilidade de traçar alguns percursos. Os mapas são especiais. E especiais porquê? Porque são muito diferentes do estilo de cartografia sueco. Não consigo dizer se são melhores ou piores. São diferentes… absolutamente! Tem zonas em que é demasiado detalhado… é difícil de descrever. As curvas, por exemplo, não são muito precisas. Vemos alguns elementos rochosos e eles parecem precisos, mas não conseguimos ter a noção da sua dimensão. Enfim, penso que não deixam por isso de ser mapas muito bons.

Orientovar - Sobre a última época, os resultados corresponderam às suas expectativas?

Oleksandr Kratov - Bom… Na verdade esperava talvez melhores resultados. Apesar do 4º lugar na final de Distância Média dos Campeonatos do Mundo, não posso estar muito satisfeito porque – como dizer isto? - … não foi conseguido apenas por mim. Fiz uma parte da prova com o Thierry Gueorgiou, portanto… E também houve outras razões, estava lesionado, a minha forma não era a melhor. Aquele 4º lugar foi um bom resultado, mas não correspondeu a uma boa performance.


É sempre muito interessante competir com atletas como Thierry Gueorgiou

Orientovar - Qual o momento actual da Orientação na Ucrânia?

Oleksandr Kratov - Estive ainda recentemente na Ucrânia, onde permaneci durante duas semanas, mas a maior parte do tempo vivo na Suécia. A vida na Suécia é melhor que na Ucrânia, isso é uma certeza (risos). Posso treinar muito mais, é muito melhor em termos da Orientação. Quanto à Orientação na Ucrânia, creio que o nível dos nossos atletas de elite está a melhorar. E penso que irá melhorar ainda mais, porquanto temos uma equipa muito jovem, mas também porque a maioria dos nossos atletas vive e treina em clubes da Suécia.

Orientovar - Foi o vencedor do Portugal O’ Meeting em 2011. Essa vitória tem algum significado especial na sua carreira?

Oleksandr Kratov - Foi bom ter ganho, claro, mas sobretudo foi um belo treino, do meu ponto de vista. É tudo. No início da temporada, é natural encarar estas competições quase como uma oportunidade para treinar e melhorar o nível de forma. Penso que os principais atletas de Elite não olham para estas competições da mesma forma que enfrentam os grandes eventos. Mas é sempre muito interessante competir com atletas como Thierry Gueorgiou, por exemplo. Em certa medida, temos a possibilidade de comparar o nosso momento actual com outros atletas, mas o resultado não tem realmente importância. Assim, não vejo no Portugal O’ Meeting mais do que um bom treino.


O nível actual dos atletas de topo é muito elevado

Orientovar – Foi a segunda vez que mencionou Thierry Gueorgiou. Que significado tem o Thierry para si?

Oleksandr Kratov – O Thierry é um tipo fixe (risos). Ele é o maior orientista da actualidade. Estivemos juntos num Campo de Treino em França e tive a oportunidade de o conhecer um pouco melhor. É um atleta melhor do que eu em muitos aspectos, há pois muitos aspectos onde devo melhorar se quiser ser como ele. Ele tem muito mais experiência, seguramente. Fisicamente e tecnicamente ele também é superior a mim e estes são aspectos que requerem muito trabalho se quiser continuar a evoluir.

Orientovar - Quem irá suceder a Thierry Gueorgiou?

Oleksandr Kratov - Não sei, é difícil dizer. Poderia facilmente citar dez atletas, mas nenhum em particular. Em boa verdade, o nível actual dos atletas de topo é muito elevado, muito homogéneo e penso que será melhor ainda no futuro. Há muito jovens que serão grandes orientistas. Portanto, não é fácil indicar um sucessor. Pessoalmente, conto estar na linha da frente. Veremos.


Há sempre a possibilidade de chegar à vitória

Orientovar - Conquistar uma medalha de ouro nos Campeonatos do Mundo é algo que está entre os seus grandes objectivos para esta temporada?

Oleksandr Kratov - Bom, conseguir uma medalha na Suiça é o meu principal alvo. Procurarei, claro, que seja uma medalha de ouro. Penso que é normal que nós, orientistas, acreditemos que tal seja possível. Estes treinos no Inverno estão a correr muito bem; estou a crescer como orientista e, por conseguinte, penso que há sempre a possibilidade de chegar à vitória. Estou mais focado nos Campeonatos do Mundo, confesso, mas tentarei igualmente ser bem sucedido nos Campeonatos da Europa.

Orientovar -No final desta nossa conversa, quer dizer algo mais?

Oleksandr Kratov - Treinem muito, é tudo o que tenho para dizer. Sem isso, ninguém poderá esperar bons resultados. Penso que é o melhor conselho que posso deixar, por agora.


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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