segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

MICHAELA GIGON: "HÁ SEMPRE ASPECTOS A MELHORAR"




No final de 2011, a Comissão de Atletas de Orientação em BTT da Federação Internacional de Orientação distribuiu um questionário onde procurava auscultar as várias opiniões no tocante a matérias sensíveis do atual momento da modalidade. Michaela Gigon, a Coordenadora da Comissão, fez para o Orientovar um ponto da situação.


Orientovar - Quais os propósitos que levaram a Comissão a distribuir este questionário?

Michaela Gigon – Na qualidade de coordenadora da Comissão, não devo emitir a minha opinião acerca dos vários assuntos que concernem à Orientação em BTT, antes recolher o maior número de reacções possível da parte dos atletas. Na verdade, não consigo lembrar-me das opiniões de cada um deles, pelo que talvez seja preferível ouvi-los individualmente.

Orientovar - Na sua opinião, há muita coisa a mudar?

Michaela Gigon – No que se refere aos regulamentos ou aos padrões dos mapas, há sempre aspectos a melhorar. A Orientação em BTT é um desporto ainda muito jovem e vão surgindo pequenos problemas e lacunas que só nos são dados a ver com a própria experiência. Por exemplo, antes de 2010, as regras não previam a proibição do uso de bicicletas eléctricas. Referiam apenas que a prova deveria ser feita numa bicicleta de estrada, o que é igualmente válido para bicicletas eléctricas. Pessoalmente, desconheço se alguém tirou alguma vez partido desta situação, mas a verdade é que as questões vão surgindo e têm de ser resolvidas.


Deveria ser permitido transitar por todo o lado

Orientovar – Creio que a Comissão se encontra neste momento na fase de análise dos questionários. Já chegaram a alguma conclusão?

Michaela Gigon – Recebemos respostas de 36 pessoas de 14 países. Devo confessar que esperava uma maior participação. No tocante às conclusões, os atletas referiram preferir quatro provas da Taça do Mundo em vez de três provas. O uso de GPS deveria ser implementado no sentido de prover uma maior justiça na competição; com o mesmo objectivo, deveria ser permitido transitar por todo o lado, devendo as proibições estarem claramente assinaladas e serem controladas de forma efetiva por elementos ligados às organizações. Há um grande número de atletas que sustentam que controlar os pontos sequencialmente é algo intrínseco à Orientação em BTT, mas são cada vez em maior número os que pensam que o controlo dos pontos de forma livre seria muito interessante, desde que funcionasse bem. Quanto à Estafeta de Sprint Mista, não é muito claro que a generalidade das opiniões vá no sentido do SIM ou do NÃO; em qualquer dos casos, esta modalidade integrará muito provavelmente o programa do EOC 2013.

Orientação – Eventuais alterações ao programa dos futuros Campeonatos do Mundo de Orientação em BTT podem torná-los mais mediáticos, preservando a justiça desportiva?

Michaela Gigon – Se usarmos como termo de comparação os Campeonatos do Mundo de Orientação Pedestre, parece que tão cedo não teremos grandes alterações. Na Orientação em BTT, a grande alteração poderá ter a ver com o facto de a Estafeta de Sprint Mista vir a ser uma disciplina oficial do programa dos Campeonatos da Europa em 2013. Pessoalmente, não penso que esta disciplina tenha muito a ver com a ideia original de Orientação independente em terreno desconhecido.


Interagir com outros eventos

Orientovar – Há uns dias atrás esteve na Finlândia, na tradicional reunião das Comissões da Federação Internacional de Orientação. Que novidades foram produzidas?

Michaela Gigon – Procuramos quem organize algumas competições internacionais, nomeadamente os Campeonatos do Mundo e os Campeonatos da Europa em 2015 e a Taça do Mundo em 2014. Os Campeonatos do Mundo em 2014 terão lugar em Bialystok, na Polónia. Portugal foi designado para acolher uma ronda da Taça do Mundo em 2013, a qual deverá ter lugar em Setembro ou Outubro, numa região a Sul de Lisboa. O controlo dos pontos de forma livre será testado em primeiro lugar em provas de Orientação em BTT de menor dimensão, mas a Comissão vê com bons olhos uma futura introdução deste sistema. A regra de que o “chip” deve estar fixo à bicicleta provavelmente irá desaparecer em 2013.

Orientovar - Apesar de, entre outras grandes iniciativas, Portugal ter organizado os Campeonatos do Mundo de Orientação em BTT 2012, sentimos que a modalidade não atravessa um bom momento, perdendo atletas ano após ano. Como poderemos inverter o rumo dos acontecimentos?

Michaela Gigon (M.G.) – Não é uma questão fácil de responder. Penso que, na grande maioria dos países, a Orientação em BTT não apresenta actualmente grandes variações quanto ao número de intervenientes nas provas. Muitos atletas são de opinião que deveríamos cooperar ou interagir com outros eventos no âmbito do Ciclismo ou da Orientação. Outros defendem que deveríamos lutar por uma maior divulgação, nomeadamente em revistas ligadas à BTT.


Os melhores terrenos de sempre em provas da Taça do Mundo

Orientovar – Considerando os grandes eventos de 2011 (MTBO WOC, MTBO EOC e Taça do Mundo), quais foram para si os melhores momentos? E os piores?

Michaela Gigon – Chegar de novo ao título mundial de Distância Média foi, seguramente, o grande momento da temporada. Gostei muito dos terrenos na Rússia e na Suécia, ainda que o tempo em ambas as situações se revelasse horrível. Na Suécia tivemos, muito provavelmente, os melhores terrenos de sempre em provas da Taça do Mundo de Orientação em BTT. Foi realmente uma pena que a prova de Distância Longa fosse praticamente destruída por uma partida em massa sem estarem previstos pontos de dispersão em número minimamente aceitável. Os organizadores poderiam ter salvo o trabalho de cartografia retirando os pontos de controlo, porque esta foi uma prova de corta-mato onde o primeiro idiota a picar o ponto era o líder da “molhada”. Dum modo geral, não gostei lá muito do Campeonato do Mundo em Itália.

Orientovar - Quais os seus objectivos para a presente temporada?

Michaela Gigon – Conquistar pelo menos uma medalha nos Campeonatos do Mundo, se possível de Ouro. E vencer a Taça do Mundo.

Orientovar - No início dum novo ano, pedia-lhe que deixasse uma mensagem a todos os orientistas.

Michaela Gigon – Não sou Jesus Cristo, não deixo mensagens às pessoas.


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

1 comentário:

Presidente disse...

Bons indícios... se temos WC teremos também WMMTBOC.
Abraço