sábado, 28 de Janeiro de 2012

RUI ANTUNES: "FAZER UM MAPA É COMO PINTAR UM QUADRO SOBRE UMA TELA"




Rui Manuel Vieira Antunes é um dos mais conceituados cartógrafos portugueses da atualidade. O seu primeiro mapa, inteiramente desenhado à mão, surgiu em 1982 e foi utilizado nos Campeonatos da Força Aérea desse ano. Desde então desenhou um total de 125 mapas, verdadeiros “estádios” onde se desenrolaram Campeonatos Nacionais, Campeonatos Ibéricos, provas pontuáveis para o ranking mundial e mesmo Campeonatos do Mundo. Mais recentemente, o seu mapa e traçado de percursos do Portugal O' Meeting 2010, em Quiaios, recebeu uma distinção da comunidade internacional que o classificou na quarta posição entre os melhores do Mundo. Foi com esta figura incomparável que o Orientovar teve o privilégio de falar, aqui se reproduzindo o conteúdo duma conversa apaixonada e apaixonante.


Orientovar - Esteve nas Baleares até ao passado dia 20 de Dezembro, deu uma saltada a Portugal para passar a quadra natalícia e acredito que está já de malas aviadas para um novo trabalho além fronteiras. O “mercado” português esgota-se com facilidade quando temos muitos e bons cartógrafos ou as razões para a grande maioria do seu trabalho se desenvolver fora do país vão para além disso?

Rui Antunes - Em primeiro Lugar, quero mais uma vez agradecer ao amigo Margarido o excelente contributo que tem dado para a divulgação e dinamização da nossa modalidade, principalmente em Portugal mas também em Espanha e nos países da América Latina. Quero também agradecer-lhe este convite e, se me permite, fazer um apelo a todas as pessoas que achem que podem acrescentar algo no sentido de enaltecer, divulgar ou projetar a Orientação, para que não hesitem em aceder aos desafios que lhes forem feitos pelo Orientovar.

Respondendo à sua questão, estive de facto no final do ano passado, pela primeira vez, nas Baleares, acompanhado por outro cartógrafo português, José Batista. Elaborámos um mapa com 5,8 km2 de área e, por vontade da entidade que me contratou, até teríamos feito mais, não fosse a necessidade de regressarmos para passar o Natal no nosso país. Neste momento, posso dizer que já recusei um trabalho para o início deste ano por falta de tempo e também de oportunidade. Felizmente, todos os anos me tem acontecido recusar dois, três ou mais trabalhos que poderia noutras circunstancias direcionar para outros colegas portugueses se o tipo de concorrência, cooperação, solidariedade e relacionamento fossem diferentes. Infelizmente, neste pequeno mundo não tenho notado da parte de alguns dos meus colegas qualquer vontade de colaboração. Assim sendo, torna-se difícil tentar compartilhar o que quer que seja. Eu já mostrei abertura para o diálogo e possíveis concertações.

Bem, é verdade que, na minha opinião, o mercado português é pequeno. E é de tal forma pequeno que, nas condições dos últimos anos e atuais, apenas se tem visto um (dois) cartógrafos que curiosamente - e como consta nos registos - apenas trabalham (??) em cartografia aos fins de semana e férias, com volume de trabalho suficiente para sobreviverem da Cartografia em Portugal. Também é verdade que temos alguns bons cartógrafos que na minha opinião cabem numa mão e que são perfeitamente suficientes para o nosso micro-mercado, mas também não é menos verdade que existe um ou outro que não sendo em nada superiores a estes que referi, tem conseguido sobreviver em condições de injustiça que eu só vejo possível em Portugal. Eu, sempre que posso, tenho dado conta da minha revolta e indignação em relação a determinadas situações e enquanto achar que algo de injusto se passa nesta ou noutras áreas, manterei sempre a mesma postura. Mais uma vez e, como sempre, reforço que trabalhando eu praticamente apenas fora de Portugal e porque talvez seja o menos afetado por essas situações, fosse mais simpático para mim passar ao lado. Mas não é essa a minha forma de estar e não será por isso que abdicarei de dar ou mudarei a minha opinião.

Realmente em Portugal está quase generalizado que cada clube tem o seu cartógrafo, umas vezes pela sua qualidade e outras também talvez por comodidade, na medida em que praticamente em todos esses casos o Cartógrafo é também o Traçador de Percursos o que em boa verdade é uma grande mais valia para esses clubes. Eu por mim falo, dado que aparentemente nesse aspeto talvez tenha também sido privilegiado pelo meu clube. Pela informação que tenho recebido da Direcção, a escolha sobre mim tem sido baseada na qualidade dos meus trabalhos e isso dá-me imensa satisfação. Também é certo que faço todos os planeamentos de percursos, mas isso já eu fazia antes de ser cartógrafo, assim como também fiz o planeamento dos percursos de todas as finais do WMOC voluntariamente e com todo o gosto.

Mesmo assim, penso que se houvesse um rigoroso controlo de qualidade sobre os nossos mapas (o que realmente nunca houve), acho que, inevitavelmente, alguns clubes teriam de se virar para outras direções sob pena de se estarem a prejudicar a si próprios e à modalidade. Para além disso, parece-me que, inexplicavelmente - e mesmo com todos os meios de informação existentes -, ainda restam alguns clubes que não tendo um cartógrafo específico se deixam embalar pela “palmadinha nas costas”, esquecendo-se que a decisão para a elaboração dum mapa é talvez o investimento mais caro na Orientação e não deve portanto ser tomada de ânimo leve. Há ainda outros clubes que se deixam iludir por diferenças iniciais nas propostas apresentadas, optando sempre pela mais barata, e o que acontece em muitos casos é que o valor final que acabam por pagar é muito superior ao proposto. Eu quando compro um artigo através da net, antes de tomar a decisão final procuro acima de tudo saber com quem estou a lidar e isso pode fazer toda a diferença.

Para verem a minha forma de estar vou contar aqui um episódio que se passou no meu clube: Um belo dia, quando se discutia a elaboração de mais um mapa para o COC, um elemento da Direcção sugeriu que eu deveria fazer um preço ainda mais em conta porque era para o meu clube e do qual eu era e sou membro da Direcção. Eu respondi de imediato com uma contraproposta. Que procurassem um outro cartógrafo que eu do meu bolso pagaria € 25,00 por quilómetro só para já não ter de fazer esse mapa. Recordo que isto se passou há alguns anos, altura em que estes € 25,00 já eram uma percentagem simpática do preço por km2.

Assim, quando decidi iniciar a minha atividade fora do meu país, foi com dois objectivos bem definidos. Desde logo, alargar os meus conhecimentos no contacto com outros terrenos, outros cartógrafos, outras formas de trabalhar e outras mentalidades, enriquecendo-me a mim e obviamente ao meu currículo. E por outro lado, procurar outros mercados dado a constatação de que apenas aqui e nas condições (desiguais) que atrás referi superficialmente, seria impossível sobreviver da cartografia. Há cerca de 30 anos que trabalho por conta própria e a concorrência, desde que leal, sempre me afectou, mas positivamente. Com a outra é-me impossível conviver.


Todos os trabalhos que faço têm um significado muito especial para mim

Orientovar - Sem ser exaustivo, pedia-lhe que me desse uma visão daquilo que foi o o ano de 2011 e quais os trabalhos que mais o marcaram.

Rui Antunes - Felizmente, o ano de 2011 revelou-se muito positivo para mim ao nível da minha actividade profissional. Tive oportunidade de elaborar mapas em Espanha (quatro), sendo que em dois deles se disputaram os Campeonatos da Catalunha de Média e Longa Distância e em outros dois se disputaram os Campeonatos da Andaluzia de Longa Distância e Sprint. Elaborei também alguns mapas em França (oito) quatro deles na díficil mas espetacular floresta de Fontainebleau. Fiz ainda um mapa no Canadá (Nova Escócia). numa zona deslumbrante. E finalmente desenhei dois pequenos mapas em Portugal.

Todos os trabalhos que faço têm um significado muito especial para mim. Fazer um mapa é como pintar um quadro sobre uma tela. Tudo é original e único. Ainda hoje, tal como no primeiro dia, sinto uma enorme ansiedade quando, depois de andar um dia inteiro a deambular pelo terreno, chega a noite e o momento de passar tudo para o computador. Não consigo explicar o que sinto, mas é uma sensação muito boa. Por isso mesmo, todos os trabalhos me deram realmente um enorme prazer. Desde aqueles terrenos fabulosos e únicos, semeados de rochedos de todos os tamanhos e formas que são as florestas de Fontainebleau, passando pelas encostas da Catalunha, até a todos os outros fantásticos terrenos. Não posso no entanto, deixar de realçar o mapa de Wentworth Valley que realizei em Agosto, no Canadá. Porque é um terreno para mim excelente e diferente de todos os outros que conhecia e também porque foi o meu primeiro mapa fora do Continente Europeu.

Gostaria de referir também um mapa que em conjunto com outro cartógrafo, realizei em 2010 na Áustria em Forstsee,(região de Carintia). Terrenos como só tinha visto na Suécia e Noruega e um trabalho que me deu um prazer indescritível. Outra curiosidade neste trabalho foi a minha estupefação quando, no final, estava a fazer os custos junto do responsável pelo contrato e ao apresentar-lhos, ele me perguntou se eu não me importava que ele me pagasse mais € 100,00 por km2. Parece impossível nos dias de hoje, mas aconteceu em 2010.


O meu maior sonho era poder exercer a minha actividade de forma completamente gratuita

Orientovar - Está a concluir o traçado dos percursos do XIII Meeting de Orientação do Centro e a colocar já algumas das atenções no mapa do XIV MOC 2013, ambos eventos pontuáveis para o “ranking” mundial, mas aquilo que eu lhe perguntava tem a ver com esta dupla actividade de cartógrafo e de traçador de percursos. Como é que as encaixa? Quando está a cartografar está já a “colocar pontos” duma forma imaginária, mesmo sabendo de antemão que não irá ser o traçador em muitos casos específicos.

Rui Antunes - É muito fácil conciliar estas duas actividades, principalmente para quem, como eu, acima de tudo ama a Orientação e a Cartografia, independentemente de tudo o resto. Eu sou uma pessoa que trabalha em Cartografia, sou profissional e tenho que ser pago, apenas e só porque subsisto desta actividade. Tenho dito a pessoas, tanto aqui como lá fora, e reafirmo, que o meu maior sonho era poder exercer a minha actividade de forma completamente gratuita. Infelizmente isso não me é possível.

Claro que eu penso que qualquer cartógrafo, quando está a elaborar um mapa, tem como uma das suas prioridades principais encontrar muitos e bons desafios para os seus utilizadores. Realmente quando vejo uma forma de terreno mais interessante, uma pedra colocada numa zona desafiante ou qualquer outro objecto a pedir que lá seja colocado um ponto de controle, fico ainda mais feliz e, inconscientemente, dou por mim a tentar esmerar-me ainda mais nessas zonas. Não é por acaso que se diz - e eu sou apologista disso mesmo - que o Traçador de Percursos tem de ser um amigo do Cartógrafo e vice-versa. Por isso, tal como refere, realmente quando estou a desenhar um mapa estou realmente a colocar pontos de controlo. E isto é de tal forma real que em inúmeras vezes penso para mim: “O Traçador de Percursos vai com toda a certeza colocar aqui um ponto”. E mais tarde, quando vou consultar os percursos depois das provas, como sempre faço, lá estão os pontos nos locais que eu previ.

Da minha parte, o planeamento dos percursos para o XIII MOC 2012 está fechado. Nos mapas ainda terei de dar mais alguns retoques, nomeadamente no de Sprint Nocturno (Marinha Grande) principalmente, devido a uma grande e inesperada quantidade de obras que estão a acontecer na Cidade mas não só. Posso-lhe dizer que, pelos meus cálculos e baseado naquilo que já vi até agora, irei fazer nesse mapa entre 300 e 400 alterações e contando toda a zona em obras como apenas uma alteração. Depois disso, não sei ainda neste momento se irei para o mapa do WRE 2013 ou se irei partir de novo (o mais provável). No entanto, e salvo qualquer imprevisto de força maior, este ano vou participar no POM e também no Campeonato do Mundo de Veteranos onde já estou inscrito há bastante tempo. É que, tal como disse, eu adoro a Orientação e necessito de viver o seu ambiente de vez em quando também do outro lado.


Por vezes a inveja atinge limites intoleráveis

Orientovar - O ano passado tivemos o grato prazer de vermos um mapa e percursos seus alcançarem o quarto lugar nas melhores provas de 2010. E em 2011? Que provas em Portugal destacaria, atendendo à qualidade dos mapas e dos percursos?

Rui Antunes – Olhe, eu sinceramente fico muito triste quando vejo que, mesmo num mundo tão pequenino como o nosso, em que todas as pessoas se conhecem e que ainda num passado não muito distante e que eu bem conheço conseguiam entre todas criar ambientes indiscritíveis de sã camaradagem, ainda haja pessoas que não conseguem disfarçar a sua inveja. Realmente, na altura, fiquei muito feliz com essa atribuição, assim como fiquei também contente com o lugar ocupado pelo mapa/percurso do GD4Caminhos e agora com um mapa/percurso do Clube de Orientação da Gafanhoeira. Só acho lamentável que apareçam sempre pessoas com suspeitas, de cada vez que nós alcançamos algo de bom, dizendo que isso só aconteceu porque houve uma votação massiva nesse mapa. Então eu pergunto a essa pessoa se também houve uma votação massiva no mapa do Gafanhoeira, por exemplo, e porque é que mesmo assim ele ficou "apenas" em 9º, ou se houve a mesma situação em relação ao Ionut Zinca. Pergunto ainda se sendo assim, não seria mais natural que fossem sempre os países com maior número de praticantes a vencer. Realmente, por vezes a inveja atinge limites intoleráveis.

Respondendo à sua questão, apenas posso dizer que no ano passado apenas realizei dois eventos de nível 1, o Meeting de Gouveia e os Campeonatos Absolutos. Sobre o que achei da qualidade dos mapas dos absolutos, já me pronunciei na devida altura. Sobre os mapas do Meeting de Gouveia, o do primeiro dia não gostei mesmo nada do mapa e achei o terreno bom e o do segundo dia achei um mapa bom num terreno normal. Portanto não escolheria qualquer destes para constar na referida lista. Quanto aos outros mapas utilizados durante a época, não me posso nem devo pronunciar por falta de conhecimento.


O tamanho dos símbolos deveria ser obrigatoriamente respeitado

Orientovar - A Comissão de Cartografia da IOF acaba de anunciar alguns dos progressos no projecto de revisão das Especificações Internacionais para Mapas de Orientação (ISOM). Qual a sua opinião nesta matéria? Que aspectos necessitam ser urgentemente revistos?

Rui Antunes - Estive a ver e a tentar perceber que tipo de alterações poderão vir a ser implementadas e, pelo menos onde consultei, não me pareceu encontrar nada de transcendente relativamente a símbolos utilizados. Pareceu-me que se preparam para alterar, se o fizerem, algumas coisas, mas ao nível da cor e impressão, as quais não fazem parte da minha área. Em relação aos símbolos, parece-me que ainda poderá haver algumas alterações a fazer, quanto ao resto, sinceramente não sei. Duma coisa eu sou apologista: O tamanho dos símbolos deveria ser obrigatoriamente respeitado e proibir-se o desenho manual de falésias e escarpas, como abundam muito lá para os países do leste e também já começam a fazer escola em alguns mapas portugueses, muitas vezes com o objetivo de encobrir o facto do símbolo criado para o efeito não caber lá. Por vezes há alterações que na minha opinião, em vez de facilitar, acabam por complicar. Veja-se o caso da criação de mais dois caminhos na Orientação em BTT. Eu pergunto: Para quê? Para criar mais dúvidas e, por conseguinte, mais confusão e reclamações?

Orientovar - Vamos assistir em breve ao arranque da Taça de Portugal de Orientação de Precisão e o Rui Antunes é um dos cartógrafos portugueses que acompanhará ao longo da semana anterior ao evento o seu colega italiano Remo Madella, na preparação e implementação da prova. Os grandes desafios que a Orientação de Precisão encerra são, nesta fase de preparação, mais dirigidos ao Cartógrafo ou ao Traçador de Percursos?

Rui Antunes - Fico bastante contente por finalmente existir também mais esta Taça no seio da Federação Portuguesa de Orientação. Sim, espero estar presente nessa semana e poder aprender o máximo possível com o Sr. Remo Madella. Parabéns e obrigado ao Joaquim Margarido e à Federação Portuguesa de Orientação por terem trazido esse senhor que nos pode, como eu espero, ensinar muito sobre esta nossa recente variante. Eu, sinceramente, mas só falo por mim, penso que os grandes desafios serão, nesta fase, mais dirigidos aos traçadores de percursos e é também nessa qualidade que eu pretendo empenhar-me no sentido de apreender o máximo possível.


Pretendo desenhar o meu primeiro mapa de Orientação de Precisão

Orientovar - Portugal tem pela frente dois desafios enormes com a realização do Campeonato da Europa de Orientação Pedestre em 2014 e com o Europeu de Orientação de Precisão na mesma altura. Quer partilhar connosco as suas opiniões sobre estes assuntos?

Rui Antunes - Relativamente ao Campeonato da Europa de Orientação Pedestre 2014, já ouvi alguns comentários em que se dizia que que o evento se irá disputar numa zona onde os terrenos não terão a qualidade desejável. Porém, quem me conhece, sabe muito bem que eu sou apologista de que em qualquer tipo de terreno é possível fazer no mínimo um bom evento de Orientação. Assim se conjuguem os dois fatores que atrás referi. Amizade/confiança entre Cartógrafo e Traçador de Percursos. Para Portugal será mais um voto de confiança por parte da IOF que nos últimos anos já se apercebeu que a nível organizativo estamos tão ou mais capazes que os melhores. Para os Cartógrafos portugueses, será mais um teste às suas capacidades e estou à vontade para garantir que, quaisquer que sejam os designados desse lote muito restrito que referi, os mesmos irão também honrar Portugal e a Cartografia portuguesa. Em relação ao Europeu de Orientação de Precisão, penso que depois do Portugal O' Meeting, com os ensinamentos adquiridos aí e complementados depois durante as duas próximas épocas, chegaremos a 2014 perfeitamente preparados para ultrapassar mais esse desafio com distinção. Tenho a certeza.

Orientovar - No plano pessoal, quais os grandes desafios que se colocam em 2012?

Rui Antunes - Estou preparado psicologicamente para um ano muito inconstante e incaracterístico. Mentalizei-me que, nesta actividade que bem conheço, nada cai do céu nem nada está garantido. Tenho consciência que num mapa com 10.000 símbolos, se colocar apenas 9.999 corretos, corro o risco de ser muito criticado. E isso apesar, de ser uma coisa que não preocupa muitos, é a minha preocupação constante. Mas espero, em todo o caso, que me sejam feitos alguns grandes desafios, tanto em Portugal como no exterior. Também pretendo desenhar o meu primeiro mapa de Orientação de Precisão e certamente irei fazê-lo.


Lembrem-se onde estávamos há quatro ou cinco anos e onde estamos agora

Orientovar - No ano que acaba de entrar, quer deixar um voto a todos os orientistas e, em particular, à Cartografia portuguesa?

Rui Antunes - Queria antes de mais saudar todos aqueles que continuam a acreditar, tal como eu, que este é o melhor desporto do mundo sem qualquer dúvida. Que todos nós aproveitemos este ano de mais austeridade ainda, para convidar um ou uma amiga para passar um fim de semana na nossa companhia num qualquer evento. Penso mesmo que esta pode ser uma excelente oportunidade para trazer mais gente para a Orientação. Que os nossos jovens, principalmente, acreditem que se trabalharem, poderão ser capazes de pelo menos aproximar-se bem mais dos melhores. Que esses mesmos jovens aprendam a ser mais tolerantes nas suas exigências que por vezes até são legítimas. Mas lembrem-se que hoje, apesar de mesmo assim serem poucas, há condições como nunca houve. Para a Cartografia portuguesa só peço uma coisa: lembrem-se onde estávamos há quatro ou cinco anos e onde estamos agora. Mas, acima de tudo, que imaginem onde poderíamos estar se houvesse mais honestidade, mais clareza, mais lealdade e mais amizade entre todos. E somos tão pequeninos e tão pouquinhos. Muito Obrigado ao Orientovar por esta oportunidade. Um Bom Ano de 2012 para todos, SEM EXCEÇÃO.

Rui Antunes
COC – Clube de Orientação do Centro


[Foto gentilmente cedida por Rui Antunes]

3 comentários:

José Grada disse...

Um depoimento igual a si próprio, por vezes, polémico...Um apaixonado da Orientação, o Rui foi e ainda é um atleta de mérito,hoje, reconhecidamente, um grande cartógrafo.

Procurou o estrangeiro,não se sujeitando ao nosso meio muito limitado, para melhorar os seus conhecimentos e sobreviver profissionalmente.

Recordo-me da sua afirmação: "O meu maior sonho era poder exercer a minha atividade de forma completamente gratuita".

Esta afirmação toca quaiquer orientista e define bem a personalidade do Rui.

Dinis Costa disse...

delonga data...
Felicito o Rui Antunes por ter a coragem de ser um cartógrafo além-fronteiras: cartógrafo internacional pois, por esta via, projeta Portugal a no mundo e, em primeira instância, seus cartógrafos.
Parabéns e Obrigado

jcsantos disse...

gosto da entrevista e gosto ainda mais do titulo. Ele traduz o modo apaixonado como sente e vive a ORIENTAÇÃO.