segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

CAROLINA DELGADO: "SOZINHOS NÃO VAMOS A LADO NENHUM"




Depois do título nacional de Sprint (Iniciados) em 2008/2009 e do 2º lugar no ranking da Taça de Portugal 2009/2010, no escalão D15, Ana Carolina Delgado repetiu a segunda posição no ranking da Taça de Portugal em 2011, desta feita no escalão D17. Isso e as presenças com a camisola das quinas em Itália, na República Checa e na Polónia, constituem o cerne duma conversa simples na forma, mas plena de conteúdo.


Orientovar - Terminaste o ano no 2º lugar do ranking da Taça de Portugal de Orientação Pedestre no escalão D17. É um bom lugar ou esperavas vencer?

Carolina Delgado - No início ainda não estava muito segura nem em muito boa forma mas fui melhorando ao longo da época o que fez com que ficasse no segundo lugar do ranking. Confesso que nunca tive a ambição de ficar no primeiro lugar neste ranking, pois estava mais focada noutros objetivos, portanto esta classificação no final deixa-me bastante satisfeita. Acho que a vitória está bem entregue à Inês Domingues, uma vez que ela foi mais regular ao longo de toda a época e começou fazendo as melhores provas.

Orientovar - No plano internacional, não foi sem surpresa que te vimos ser seleccionada para o JWOC, na Polónia, depois de teres participado no EYOC, na República Checa. Queres falar-me dessas experiências e das motivações que daí advêm em termos futuros?

Carolina Delgado - As minhas participações no EYOC e depois no JWOC foram muito importantes. Tive a oportunidade de correr ao lado de grandes atletas, de me orientar em terrenos nos quais nunca tinha estado e de sentir a adrenalina do que é participar em provas internacionais. Estas experiências motivaram-me imenso e deram-me muita força para continuar a treinar e a lutar por alcançar cada vez melhores resultados. Tive a oportunidade de ver como estou em relação às melhores e sei que ainda tenho de dar muito para conseguir chegar ao nível delas, mas nada é impossível e eu vou continuar a treinar e a dar o meu melhor para, um dia, quem sabe, estar a lutar por pódios internacionais.


Adorei a sensação de ir num grupo e controlar a minha prova

Orientovar - Em termos pessoais, quais foram o melhor e o pior momento de 2011?

Carolina Delgado - O melhor momento que tive em 2011, foi talvez a estafeta do JWOC, na Polónia, pois consegui lidar com a pressão de partir em massa, ao lado de atletas mais experientes que eu, e adorei a sensação de ir num grupo e controlar a minha prova. Antes de partir estava muito nervosa mas as palavras do Tiago Aires na partida ajudaram-me a acalmar e a concentrar naquilo que tinha a fazer. Por outro lado, o pior momento que tive em 2011 foi, provavelmente, a Estafeta do EYOC, na Republica Checa, pois não consegui terminar a prova, devido a um problema que tive nas costas e custou-me imenso ter desclassificado a equipa numa prova tão importante.

Orientovar - Como é que vês a tua chamada ao Grupo de Seleção Jovem 2012? Quais os teus grandes objetivos para a próxima temporada?

Carolina Delgado - Estou muito contente por pertencer ao Grupo de Seleção Jovem e penso que é uma boa oportunidade que tenho de continuar a evoluir. É deste grupo que vão sair os representantes do país nas provas internacionais, por isso sinto também uma grande responsabilidade em pertencer ao mesmo. Em relação aos meus objetivos para a próxima temporada, pretendo ir ao EYOC, em França, e conseguir aí bons resultados. Até lá, espero ir evoluindo e fazendo cada vez melhores provas ao logo da época.


Vamos continuar a “crescer como grupo”

Orientovar - Como perspectivas o futuro das selecções jovens? Agora que o Tiago Aires apresentou a sua renúncia ao cargo de responsável máximo, achas que vamos continuar a “crescer como grupo”?

Carolina Delgado - Começo por dizer que o Tiago Aires tem sido um excelente acompanhante das camadas mais jovens. As suas palavras motivam-nos muito e criam um espírito muito positivo entre todos nós. Tem estado sempre disposto a ajudar-nos a lutar por bons resultados e faz-nos acreditar que somos capazes de ir longe. Estou-lhe muito grata por tudo o que me ensinou até agora e por me dar tanta motivação. Não sei qual foi o motivo da sua renúncia ao cargo mas espero que agora tenha mais tempo para se dedicar a ele e que consiga alcançar grandes resultados, como grande atleta que é. Quanto ao futuro das seleções, certamente que o Norman e o Helder Ferreira continuarão a fazer um ótimo trabalho e com certeza que vamos continuar a “crescer como grupo”, pois a meu ver é a base da nossa evolução. Temos de estar unidos, pois sozinhos não vamos a lado nenhum.

Orientovar - Acabas de lançar um blogue e penso que isso deve ser motivo para celebrar. Que motivações te levaram a avançar com o “Carolina-orienta” e o quais as tuas expectativas em relação ao futuro do blogue?

Carolina Delgado - Já por várias vezes tinha começado a escrever em blogues, mas como não tinha objetivo nenhum em fazê-lo nunca deu grande resultado, acabava sempre por deixar de escrever. Há cerca de um ano que tenho o meu Garmin, e desde então tenho encaixado os percursos e analisado mais ao pormenor as minhas provas e os meus treinos, no entanto em algumas alturas de mais trabalho não o fazia. A partir de agora espero ser mais regular, pois a análise dos percursos é uma etapa fundamental para a minha evolução. Deste modo recomecei a escrever no meu blogue, pois penso que será uma boa forma de me obrigar a encaixar todos os percursos e a fazer as respetivas análises. Espero que o “Carolina Delgado-Orienteering” tenha um futuro ativo e cheio de novas publicações.


Tornar a Orientação no “ Desporto do século XXI” seria uma tarefa muito difícil!

Orientovar - Se tivesses o poder de decidir, onde centrarias os teus esforços no sentido de tornar a Orientação no “Desporto do Século XXI”?

Carolina Delgado - Tornar a Orientação no “ Desporto do século XXI” seria uma tarefa muito difícil! Em primeiro lugar, acho que investiria e apostaria em criar condições aos atletas para que estes pudessem evoluir e estarem à altura dos melhores. Deste modo, é certo que os resultados a um nível internacional começariam a aparecer e isto motivar-nos-ia cada vez mais. Assim, o nível da Orientação em Portugal iria aumentar. Depois disto tentaria, também, lutar para que a Orientação se tornasse numa modalidade olímpica, pois deste modo teria muito maior visibilidade e uma maior adesão de atletas.

Orientovar - Queres deixar um voto para o ano que agora começa?

Carolina Delgado - Sim, queria desejar a todos um ano cheio de alegria, sem lesões e muitas competições saudáveis!


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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