sábado, 31 de dezembro de 2011

O ORIENTOVAR E O BALANÇO POSSÍVEL DE 2011




Chegados ao último dia de 2011, o Orientovar passa em revista o ano que agora termina. Um ano não mais nem menos importante que os anteriores, um ano que nos prepara para aquele que está já aí ao virar da esquina. Bom ano!


Não é uma “fatalidade”, mas se há momentos propícios à reflexão, aquele “parar para pensar” ao qual muitos são alérgicos, o fim de ano é um deles. É uma pausa que se impõe. É um ganhar fôlego para aquilo que o ano seguinte nos reserva. É o repensar de tudo quanto deixámos para trás ou que carregamos connosco e gostaríamos de ver concretizado. Enfim, tempo de balanço, é o que é.

As minhas primeiras palavras são de apreço para todos aqueles que continuam a confiar neste espaço e vêem nele um meio de divulgação por excelência. Mas sobretudo para aqueles que, semana após semana, se empenham em aqui fazer chegar uma súmula do seu trabalho e dos seus méritos. Daí que endosse ao COC – Clube de Orientação do Centro e à Secção de Orientação do Ginásio Clube Figueirense o meu sincero agradecimento pela excelente articulação que conseguimos manter ao longo do ano e pela confiança depositada. Na realidade, independentemente da maior ou menor notoriedade das notícias, as suas equipas de Comunicação e Imagem nunca esquecem o Orientovar. Bem hajam por isso!

No ano que agora termina assistimos ao aparecimento (e desaparecimento) duma série de novas páginas pessoais, umas mais activas que outras, a demonstrar que os blogues e as redes sociais podem constituir espaços de divulgação da modalidade por excelência. De todas elas, gostaria de destacar o blogue do Luís Sérgio, “Mais um mapa, mais um desterro!”, pelo valor intrínseco dos conteúdos nele versados. “Folhear” o blogue é como abrir o livro da Orientação em Portugal, descobrindo ao virar de cada página alguns dos momentos mais significativos da sua História. Um repositório fundamental que urge valorizar e que deve ser acarinhado por todos. Obrigado, Luís!

Se tivesse que escolher a proeza do ano 2011 – naquilo que pode ser entendido como uma réplica caseira do “The Orienteering Achievement of 2011” - o prémio iria direitinho para Fernando Costa e para o trabalho de Comunicação e Imagem feito em torno do Portugal O' Meeting 2011. É verdade que assistimos a um excelente trabalho em eventos como o WMOC 2008, os Mundiais de Orientação em BTT 2010 ou o Estoril Portugal XPD Race 2009. Mas atente-se na forma como o Fernando Costa soube jogar com os escassos meios disponíveis e conseguiu, com uma enorme dose de dedicação e um trabalho de “formiguinha” (e também alguma sorte à mistura), fazer deliciosas omeletes praticamente sem quaisquer ovos. Para o Fernando Costa e para o Grupo Desportivo dos Quatro Caminhos aqui fica a minha “chapelada”!

No plano pessoal, este foi um ano marcado pela afirmação da Orientação de Precisão no nosso País, pela concretização do I Circuito de Orientação de Precisão “Todos Diferentes, Todos Iguais” e pelo lançamento da Orientação Adaptada. São projectos que se encontram ainda a dar os primeiros passos mas que demonstraram já ter pernas para andar. A primeira Taça de Portugal de Orientação de Precisão vai arrancar em Fevereiro no decurso do Portugal O' Meeting e terá a Direcção Técnica de Remo Madella, cartógrafo italiano com provas dadas e por mim sugerido. Aqui fica uma palavra de agradecimento ao Clube de Orientação de Estarreja, ao Clube de Orientação de Viseu – Natura e à Federação Portuguesa de Orientação pela confiança depositada nesta minha escolha!

Foi também em 2011 que o Orientovar bateu todos os recordes de visitas. Começou com as polémicas em torno da anterior Direcção da FPO e do seu Presidente, prosseguiu com o Portugal O' Meeting 2011 e teve nas entrevistas a Thierry Gueorgiou, Kenneth Buch e Ida Bobach os seus pontos altos. O ano vai terminar com um parcial de 542 mensagens publicadas, num universo de 1991 mensagens em pouco mais de quatro anos de vida do blogue. E o meio milhão de visitantes contabilizados desde que foi instalado o contador será uma realidade dentro de dias!

Mas este esforço de expansão foi mais longe ainda no ano que corre. O Orientovar criou a sua própria página no Facebook e agregou-se a um conceituado portal de Atletismo, criando a página Orientação no Atletas.net. Para além disso reforçou a sua presença no Ultimate Orienteering, manteve uma divulgação assídua da modalidade na imprensa escrita e estabeleceu novos contactos e parcerias, sobretudo em Espanha e no Brasil, cada vez mais duas fontes de notícia fundamentais.

Agora que um novo ano se anuncia, o Orientovar assume uma nova filosofia, na certeza de que as coisas menos positivas que ocorreram em 2011 não se irão repetir. No demais, continuarei a dizer: “Falem bem ou falem mal, mas falem. Falem de Orientação!” As redes sociais existem para que possamos estender ao nosso universo de amigos aquilo que nos dá prazer e que marca, por pouco que seja, a nossa existência. Se a Orientação se encaixa nestes pressupostos, porque não começar desde já a criar o hábito de partilhar tudo o que encontramos sobre a modalidade? Isto deveria ser encarado como um dever... e custa tão pouco. Que 2012 seja o ano da mudança!


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

DUAS OU TRÊS COISAS QUE EU SEI DELA...




1. “Querida Orientação: Apenas quero dizer-te o quanto gosto de ti... gosto mesmo! Fazes levantar-me cedo da cama quando mais ninguém o faz; fazes com que estude no duro pois sei que, depois, terei mais tempo para estar contigo... Por vezes magoas-me, mas eu gosto de ter alguns dos teus arranhões no corpo, fazem-me sentir mais forte e melhor... Não me importo de estar toda suja e molhada ao teu lado, por acaso até acho engraçado! Também gosto quando te fazes difícil pois obrigas-me a ter mais cautela ao usar os miolos... Fazes com que seja ambiciosa nos meus objectivos e também me levas a acreditar que poderei alcançá-los!!” Estas são algumas das lindíssimas ideias expressas por Carolina Delgado na sua “carta de amor” à Orientação e publicada no “Carolina-orientar”, um blogue que agora desponta. Para seguir atentamente em http://carolina-orientar.blogspot.com/.


2. Foi finalmente publicado o ranking definitivo da Taça de Portugal de Corridas de Aventura 2011. Os parabéns vão para todas as equipas que participaram nas provas que constituíram a Taça de Portugal de Corridas de Aventura 2011, mas em especial para o Clube de Praças da Armada, vencedor nos escalões de Elite e Elite Mista e para a Destilaria Levira, que levou de vencida o escalão Aventura. Enquanto se aguarda a publicação do Regulamento de Competições 2012 na página da Federação Portuguesa de Orientação, é tempo de recordar que a próxima época terá o seu início no concelho de Almada, no dia 3 de Março 2012, com uma prova a cargo do Clube de Praças da Armada. Consulte o ranking em http://www.orioasis.pt/oasis/rankings.php.


3. O Campeonato Gaúcho de Orientação comemora em 2012 a sua 20ª edição. Esta é uma das competições de Orientação com maior tradição no Brasil e é organizada pela mais antiga Federação Estadual – a Federação Gaúcha de Orientação -, fundada em 1996. Em 2012, o CGO será disputado em sete etapas, conforme calendário divulgado pela FGO, configurando-se no Campeonato Estadual com o maior número de percursos no Brasil. A etapa inicial será disputada em Santa Cruz do Sul, em 18 de Março, numa organização do clube local, o COSC, com Direcção da Prova a cargo de José Roni dos Santos. O Boletim I já está disponível na página da FGO e pode ser consultado AQUI. O Campeonato Gaúcho de Orientação 2012 tem a sua derradeira etapa agendada para 11 de Novembro, na cidade de Santa Maria. Recorde-se que o Campeonato Gaúcho tem contado, nas categorias de Elite, com alguns dos mais importantes atletas brasileiros. Em 2011, a categoria H21E teve como campeão o atleta Leandro Pasturiza, do COSaM, seguido de Vanderlei Bortoli e Ironir Ev, ambos do COS. A categoria D21E teve como vencedora Elaine Lenz, do COI, secundada por Mirian Pasturiza e Sônia de Conti, ambas do COSaM.


4. “Falar ou não falar é um dilema que todos nós temos. Participar activamente na modalidade e mostrar as nossas opiniões é algo muito bonito de se fazer, mas temos de saber como fazê-lo e pensar em todas as contrapartidas... não podemos agradar a gregos e a troianos e, por vezes, coisas que pensamos ser inofensivas causam mais impacto do que aquilo que esperávamos.” Luís Silva começa assim um acto de contrição no seu blogue pessoal - http://oriathlete.blogspot.com/ - e onde, sob o título “O eterno jogo de opiniões”, volta atrás numa série de afirmações feitas anteriormente e retira, de forma implícita, “mais uma chapada na cara da federação”, com muitos pedidos de desculpa à mistura. “Não há machado que corte a raiz ao pensamento” e, por isso mesmo, o blogue do Luís Silva é um espaço que visito sempre, porque é um espaço de liberdade. O Luís tem sabido manter-se fiel aos princípios expressos no lançamento do blogue, onde confessava ser “contra a maioria dos atletas que criam um blogue para apenas mostrar os seus resultados” e prometia: “Sejamos críticos e só assim faremos a modalidade evoluir!”


5. Está tudo dito. O “Duas ou Três Coisas Que Eu Sei Dela” despede-se dum ano que não deixa saudades e que traz consigo um conjunto de situações nada fáceis de resolver no curto prazo. Caberá a cada um de nós desmenti-lo e que em 2012, sobretudo, saibamos ser iguais a nós próprios, sem nos deixarmos tomar pelo medo que nos querem impôr!


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

MIGUEL SILVA: "IN MY ONLY PARTICIPATION IN A WORLD CHAMPS I WAS ABLE TO GET A FINAL A"




The winner of the portuguese ranking in 2009/2010, Miguel Reis e Silva, stay this year by the 14th position. But his title of Middle Distance at the Portuguese Championships and the best result achieved by a portuguese athlete presents in the World Championships WOC 2011 shows that we can count on him at any moment. The Orientovar spoke to him and shows his balance of an entire season.


Orientovar - The 2011 season has brought a new calendar, according to the civil year. Was this change good?

Miguel Reis e Silva - In my opinion, the change wasn’t good. We wanted to do as the others, but we forgot that we have different conditions from other countries, in this case, better conditions. The international calendar is suited to the nordic countries climatic conditions and there was a conflict between the typical season of the best world athletes and our weather that allows competitions from October to January and forbidden them in August. If we take a deep look, even the international calendar is strange. In athletics, the World Champs are in August and the season ends in August. In Thriatlon the World Champs are in October and the season ends in October. In Orienteering, the World Champs are in July but the season ends in October.

It seems obvious that the World Champs are out of place and moved to the 3 sunny months of the nordic countries, resulting in the relative death of Orienteering during 6 months a year. If you ask me if this has any sense, I’ll tell you “yes”, once these countries are the main power of orienteering and where the majority of the athletes live. The point is that we had the chance of keep working while the others were sleeping and we decided to also kill orienteering for 6 months a year. Many of the best national athletes kept resting in August, facing the rest of the season as preparation to the next one. Probably, that’s also what I’ll do in the next seasons. Resuming it all: we won the “developed country” sticker for following the international calendar but we lost nice competitions and organizations that we had in a part of the year where we have favorable climatic conditions. Furthermore, as would anyone expect, we still don’t have races in Portugal during July/August.


I faced this season as a transition period

Orientovar - Your performance in the Sprint race of the WOC 2011 ended being the highest moment of our participation in France. How do you recall that race?

Miguel Reis e Silva - I didn’t have enough free time to stay in France during all the period of competitions and, at the same time, I wanted to participate in this event. After the selection races, came the possibility of participating in the Sprint race, paying my own expenses and I grabbed this opportunity. It was, mainly, an important moment to the future. My preparation was atypical in every ways. I wasn’t trained enough in map reading, I was mentally tired and I arrived in France 12 hours before the beginning of my race. I was aware of this handicap and I tried to compensate with an intense mental training. Its results surprised me and now I have an important tool to the future. I also have to mention the support of my club, CPOC – Clube Português de Orientação e Corrida, without which my participation in this event would have been impossible.

Orientovar - Orienteering is, literally, a sport full of unexpected obstacles. This season we noticed that you were far from the first places. Injuries? Studies? Which was the reason for this?

Miguel Reis e Silva - Study was, without any doubt, the main obstacle in this season. In the end of the course there is this exam which result is the base of the distribution of the students by specialty. It’s an old-fashioned exam that prizes memorization in spite of logic and this model is expected to be finished in two years. In the beginning of the season I made this exam my priority. Not because I wanted a specialty that required an high grade but for the important concept consolidation that we benefit from all this study. I started training only once a day, I participated in less events and, as it was expected, I lowered my performance. I faced this season as a transition period, with different goals that also fill me personally. Seeing things by this side, the obtained results were clearly better than what I expected.


The Portuguese Federation can’t keep waiting still for the support of the government and has to become active

Orientovar - I hope that Jan Kocbach won’t mind, but taking the World of O idea, which was the best race of the season in Portugal?

Miguel Reis e Silva - Easy answer: The long distance of the Arraiolos International Meeting. Why?
First, because it was one of the rare long distances done in Portugal, in the true meaning of the word. And second, the map has quality and a huge dimension (17.7 km2!) that helps avoiding passing many times in the same place. I doubt that we will find a race with this technical quality in the next months. Stays the memories and the map for future trainings. I quitted the race due to intense pain in a knee injury that I made on the Portugal O’Meeting of the weekend before. I was sadder for abdicating the pleasure that the map was giving me rather than for the weight of the quitting itself.

Orientovar - How do you evaluate the actual moment of Portuguese Orienteering? Are you worried with the participant number fall?

Miguel Reis e Silva - Actually, I think that we are well, but we could be better. In athletics there have been many cancelled races due to lack of funds and, until now, we are keeping going without fails. However, before the actual economic state of Portugal it is clear that we will face more difficulties in a near future. It’s a descendent spiral: the price of the fuel rises, the number of entries falls, the clubs get thinner, the support to the athletes vanishes and, consequently, the number of athletes falls. The Portuguese Federation can’t keep waiting still for the support of the government and has to become active. In my way of seeing things, the only way to mitigate this problem is by learning how to promote and sell the image of the federation, which, nowadays, isn’t a priority. Those are the rules of our society and we have to know how to play with them. It was one of the few points with which I agreed in the last direction program.

If the brand Nike makes an awful map of Lisbon’s downtown and gathers dozens of people every week, why can’t the Federation do better with the outstanding map of the same region that it owns for decades? Why there aren’t nowadays those old races that used to take part in Lisbon’s heart that consisted in mass-starts of hundreds of people. We have to understand nowadays society and play with the rules. If by paying 1000 € for Orienteering appearing in a juvenile soap opera we can get 800 kids doing our sport, then let it be!


The more races that there are, the better

Orientovar - A new season is approaching, and POM 2012 is starting to capture attention in the headlines. Then there is this new Relay circuit and Urban circuit. What do you think about these circuits? It may be a good strategy to capture new participants or will it bring higher falls in participations?

Miguel Reis e Silva - For me, the more races that there are, the better; and I don’t think that a rise in the number of competitions will disperse the athletes. These two circuits were essential to fill some calendar gaps with less activity and the bet in the two kind of races that give a better show seems adequate.

I remember when Park races appeared, there was one of this kind every weekend. Then, they finished. I know that I may seem suspect, but I think that Sprint distances have to be a bet of our Federation for two reasons: It’s the kind of race that spreads Orienteering to a higher number of people with a lesser cost; and, It’s the kind of race where the athletes from developing countries in Orienteering (as us) have more chances of getting good results outside of their own countries.


Mountain running is a great Orienteering complement

Orientovar - Which Miguel Reis e Silva will we have in 2012?

Miguel Reis e Silva - Today, on the 20th December, it’s the day zero of my season, after two weeks of intense travelling in Asia without training and a tough gastroenteritis that both made me loose 6 kg. It was an unexpected and late pause but life isn’t resumed to Orienteering and to keep going in a long-term I have to have some pauses. This will be my first season as a non-student and I think that my life quality will improve substantially. Just the fact of having free weekends and to arrive at home at the end of the day without that black cloud forcing me to go study, is enough.

The physical goals for which I’m going to work are (may not be reached right this year):
- In the 5 km track, going under 15 minutes (17 seconds better than my PB) and 10 km road, going under 31 minutes (40 seconds better than my PB). Both are achievable if the physical train keeps going without injuries, but only in some months from now. Mountain running – representing the national team. I started mountain running this season and I was the first outsider the national team for the World Champs and I want more. Mountain running is a great Orienteering complement and gives me a great pleasure. About Orienteering, I consider it difficult to draw concrete goals due to the complexity of the sport itself. At the national level, I don’t have goals, beside enjoying the good maps that we have and the nice athmosphere that we have among our athletes (I’m now missing a lot coming back to this environment).

I can only say with confidence that my biggest goal is to reach high levels of performance compatible with results of international relevance; or giving the jump as Gernot Kerschbaumer, who I admire, has done this season. If not this year, then next year or the other year. In my only participation in a World Champs I was able to get a Final A place which has given me some motivation. The future belongs to God.

Orientovar - In this end of the year, do you want to say anything to portuguese Orienteering?

Miguel Reis e Silva - That we shall be able to enjoy this wonderful country that we have! (and we, orienteerers, know it better than anyone).


Greetings.

JOAQUIM MARGARIDO

MIGUEL SILVA: "O MEU MAIOR OBJECTIVO É O DE ALCANÇAR NÍVEIS DE RENDIMENTO COMPATÍVEIS COM RESULTADOS DE RELEVO INTERNACIONAL"




Vencedor do ranking da Taça de Portugal em 2009/2010, Miguel Reis e Silva não foi este ano além do 14º lugar. Ainda assim, soube chamar a si o título nacional de Distância Média e foi dele o melhor resultado alcançado por um atleta português nos Campeonatos do Mundo WOC 2011. O Orientovar falou com ele e aqui se publica o balanço de toda uma temporada.


Orientovar - A temporada de 2011 trouxe com ela a novidade dum calendário respeitando o ano civil. Esta alteração foi positiva?

Miguel Reis e Silva - Na minha opinião a mudança não foi positiva. Quisemos fazer como os outros, mas esquecemo-nos que temos condições diferentes dos outros países, neste caso melhores. O calendário internacional é ditado pelo clima dos países nórdicos e existia um conflito entre a época típica dos melhores atletas do mundo e o nosso clima que permite provas de Novembro a Janeiro e as proíbe em Agosto. Se repararmos bem, o próprio calendário internacional é estranho. No Atletismo, os Campeonatos do Mundo são em Agosto e a época acaba em Agosto. No Triatlo, os Campeonatos do Mundo são em Outubro e a época acaba em Outubro. Na Orientação os Campeonatos do Mundo são em Julho mas a época acaba em Outubro.

Parece-me óbvio que os Campeonatos se encontram deslocados para os três meses de sol dos países nórdicos, resultando na morte da modalidade nos restantes seis meses. Se me perguntar se isto tem lógica, digo-lhe que sim, porque estes países são o principal motor da modalidade e onde se encontram a maioria dos atletas. O ponto está em que nós tínhamos a oportunidade de continuarmos a trabalhar enquanto os outros dormiam, mas decidimos também matar a modalidade durante seis meses por ano. Muitos dos melhores atletas nacionais acabaram por continuar a parar em Agosto, encarando a restante época como preparação para a próxima. Provavelmente vai ser também o meu comportamento nas próximas épocas. Resumindo: ganhámos o estatuto de “país desenvolvido” por seguirmos o calendário internacional mas perdemos boas organizações de provas que tínhamos numa altura do ano em que temos condições climatéricas favoráveis e, como seria de esperar, continuamos sem provas em Portugal em Julho e Agosto.


Encarei esta época como um período de transição

Orientovar - A sua prestação na prova de Sprint do WOC 2011 acabou por constituir o momento alto da nossa presença em França. De que forma recorda hoje essa prova?

Miguel Reis e Silva - Eu não tinha tempo disponível para ficar em França durante todo o período de competição e, ao mesmo tempo, queria participar neste evento. Após as provas de selecção, surgiu a possibilidade de participar no Sprint a expensas próprias e agarrei esta oportunidade. Foi, sobretudo, um momento importante para o futuro. A minha preparação foi atípica a todos os níveis. Estava destreinado na leitura de mapa, estava fatigado mentalmente e cheguei ao local da prova doze horas antes do início da minha prova. Sabia deste handicap e tentei compensar com uma preparação mental intensa cujo resultado me surpreendeu e que fica como uma ferramenta muito útil para o futuro. Aqui tenho também que mencionar o apoio do meu clube, CPOC – Clube Português de Orientação e Corrida, sem o qual a minha participação não teria sido possível.

Orientovar - A Orientação é uma modalidade repleta de imponderáveis e de obstáculos, literalmente. Esta foi uma temporada em que o vimos algo afastado dos lugares cimeiros. Lesões? Estudos? O que esteve na base desta relativa obscuridade?

Miguel Reis e Silva - O estudo foi, sem dúvida, o principal obstáculo esta época. No final do curso existe um exame cujo resultado é a base da distribuição dos alunos por especialidade. É um exame antiquado que premeia a memorização sobre a lógica e que, felizmente, se prevê que dentro de dois anos deixe de existir. No início da época fiz deste exame a minha prioridade. Não por querer uma especialidade que exige uma nota alta, mas sim pela importante consolidação de conceitos que se retira deste estudo. Passei a treinar apenas uma vez por dia, participei em menos provas e, como seria de esperar, baixei o meu rendimento desportivo. Encarei esta época como um período de transição, com outros objectivos que também me preenchem pessoalmente. Vendo as coisas por este lado, os resultados obtidos foram claramente superiores aos que esperava.


A Federação não pode ficar à espera dos escassos apoios do Estado e tem de se tornar activa

Orientovar - Certo de que o Jan Kocbach não me levará a mal, à “boleia” do World of O, qual foi para si a prova da temporada em Portugal?

Miguel Reis e Silva - Escolha fácil: a prova de Distância Longa do II Meeting Internacional de Arraiolos! Porquê? Primeiro, porque foi uma das raras provas de Distância Longa feitas em Portugal, no verdadeiro sentido da palavra; e segundo, porque o mapa tem qualidade e uma dimensão enorme (17.7 km2!) que permite evitar passar várias vezes no mesmo sítio. Duvido que voltemos a encontrar uma prova com esta qualidade técnica nos próximos tempos. Fica a recordação e o mapa em si para treinos futuros. Desisti da prova devido às dores de uma lesão no joelho contraída no Portugal O'Meeting da semana anterior. Custou-me mais por abdicar do prazer que o mapa me estava a dar do que pelo peso da desistência em si.

Orientovar - Como avalia o actual momento da Orientação portuguesa? Não o preocupa a quebra de participantes?

Miguel Reis e Silva - Actualmente estamos bem, mas podemos estar melhor. No Atletismo já foram canceladas várias provas por falta de fundos e, por enquanto, ainda prosseguimos sem falhas. Contudo, perante a conjuntura económica actual é claro que se avizinham mais dificuldades. É uma espiral descendente: o preço dos combustíveis aumenta, o número de inscrições diminui, os clubes emagrecem, os apoios aos atletas diminuem e, consequentemente, o número de atletas diminui. A Federação não pode ficar à espera dos escassos apoios do Estado e tem de se tornar activa. Na minha óptica, o modo de atenuar este problema passa pela Federação se promover e se saber vender, o que actualmente não é prioridade. São as regras da sociedade actual e temos de saber jogar com elas. Era um dos poucos pontos do programa da Direcção anterior com o qual concordava.

Se a Nike faz um mapa horrível da baixa de Lisboa e junta dezenas de pessoas todas as semanas, porque não pode a FPO fazer melhor com o excelente mapa da mesma área que detém há mais de uma década? Porque é que já não existe o Baixanima que colocava uma partida em massa de Orientação no coração de Lisboa? Temos de entender a sociedade actual e jogar com as regras. Se para ter 800 jovens a fazer Orientação temos de pagar 1000 € para a modalidade aparecer num episódio dos “Morangos com Açúcar”, então que assim seja.


Quanto mais provas, melhor

Orientovar - Uma nova temporada se aproxima, o POM 2012 começa a dominar já as atenções e há essa novidade do I Circuito Nacional de Estafetas e do I Circuito Nacional Urbano. O que pensa desta profusão de provas? Pode ser uma boa estratégia para captar novos participantes ou, pelo contrário, irá acarretar quebras mais acentuadas ainda?

Miguel Reis e Silva - Para mim, quanto mais provas, melhor; e não me parece que um aumento do número de competições vá dispersar os atletas. Estes dois circuitos eram essenciais para colmatar alguns períodos do calendário com menos actividade e a aposta nas duas vertentes da modalidade que dão mais espectáculo parece-me adequada. Lembro-me de que na época em que apareceram as provas de Park (actualmente chamado Sprint), todos os fins-de-semana existia uma prova nesta vertente. Depois, acabaram.

Sei que sou suspeito, mas acho que o Sprint tem que ser uma aposta da nossa Federação por dois motivos: É a vertente que faz a modalidade chegar ao maior número de pessoas com um menor custo; e é a vertente em que os atletas de países em desenvolvimento na modalidade (como nós) têm mais hipóteses de obter resultados de relevo lá fora.


A corrida de montanha é um óptimo complemento à Orientação

Orientovar - Que Miguel Reis e Silva iremos ver em 2012?

Miguel Reis e Silva – O passado dia 20 Dezembro foi o dia 0 da minha época, depois de três semanas intensas de viagem sem treinar e uma gastroenterite que me fizeram perder 6 kg. Foi uma pausa não planeada e tardia mas a vida não se resume à Orientação e para continuar a longo prazo têm de existir pausas. Esta vai ser a minha primeira época como não-estudante e acho que a minha qualidade de vida vai aumentar substancialmente. Só o facto de ter os fins-de-semana para mim e chegar a casa sem a consciência de ter que ir estudar chega.

Os objectivos físicos para os quais vou trabalhar (poderão não ser já para este ano) são: nos 5 km pista, baixar dos 15’ (menos 17’’ que o meu melhor) e nos 10 km estrada, baixar dos 31’ (menos 40’’ que o meu melhor). Ambos são alcançáveis se o treino físico entrar bem e sem lesões e só daqui a vários meses. Montanha – representar a selecção nacional. Nesta época de estreia nesta modalidade fui o primeiro a ficar de fora para os Campeonatos do Mundo de Corrida de Montanha da FPA e quero mais. A corrida de montanha é um óptimo complemento à Orientação e dá-me um grande prazer.

Relativamente à Orientação, considero difícil delinear objectivos concretos, devido à complexidade da modalidade em si. Não tenho objectivos a nível nacional, para além de aproveitar os bons mapas que temos e o ambiente fantástico entre os nossos atletas (sinto agora imensas saudades de regressar a este ambiente). Posso apenas dizer com segurança que o meu maior objectivo é o de alcançar níveis de rendimento compatíveis com resultados de relevo internacional; dar o salto como o Gernot Kerschbaumer, que admiro, fez esta época. Se não for este ano, para o próximo ou para o outro. Na minha única participação num Campeonato do Mundo consegui um apuramento para a Final A, que me deu alento. O futuro a Deus pertence.

Orientovar - Neste final de ano, quer deixar um voto para a Orientação portuguesa?

Miguel Reis e Silva - Que saibamos aproveitar este país maravilhoso que temos (e nós, orientistas, sabemo-lo melhor que ninguém).


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

ORIENTAÇÃO DE PRECISÃO E ORIENTAÇÃO ADAPTADA: CIRCUITOS REGRESSAM NO INÍCIO DE JANEIRO



Sob a bandeira do Desporto Adaptado, a Orientação promete entrar em grande no novo ano. Matosinhos recebe mais uma etapa dos circuitos de Orientação de Precisão e de Actividade de Orientação Adaptada, aqui de mãos dadas com o Atletismo e com esse evento maior que é o XIX Grande Prémio dos Reis. Garantidas, pois, doses reforçadas de energia, muita alegria e uma montanha de sorrisos.


A ANDDI Portugal – Associação Nacional de Desporto para a Deficiência Intelectual, em colaboração com o Centro Dr. Leonardo Coimbra da Delegação da APPACDM de Matosinhos, leva a efeito, no próximo dia 07 de Janeiro de 2012, a 19ª edição do Grande Prémio dos Reis. Destinado a atletas com níveis diversos de deficiência intelectual, o evento será disputado nas vertentes de Corrida, Corrida Adaptada, Atividade Adaptada e Caminhada e estender-se-á ao longo das ruas circundantes à Câmara Municipal de Matosinhos, a partir das 15h00.

Paralelamente - numa parceria com o Grupo Desportivo dos Quatro Caminhos e com o apoio da Federação Portuguesa de Orientação -, a ANDDI Portugal promove a 3ª prova do Circuito de Actividade de Orientação Adaptada, destinada igualmente a pessoas portadoras de deficiência intelectual. E porque “não há duas sem três”, também a Orientação de Precisão marcará presença nesta grande festa do Desporto Adaptado com a realização da 3ª etapa do II Circuito de Orientação de Precisão “Todos Diferentes, Todos Iguais”, oferecendo um percurso adaptado, destinado a pessoas com mobilidade reduzida e ainda um percurso aberto a todos.

Motivos de sobra para anotar na sua agenda a tarde do primeiro sábado de 2012 e juntar-se à festa em Matosinhos. Traga alegria, boa disposição e venha participar nesta verdadeira “missão sorriso”. Mais informações em http://www.anddi.pt/images/stories/Comunicado_GP_Reis.pdf e em http://www.gd4caminhos.com/eventos/circuito/.


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

DUAS OU TRÊS COISAS QUE EU SEI DELA...




1. “O Mundial ISF’13 no Algarve está de facto em risco, conforme já foi transmitido à Federação Portuguesa de Orientação numa reunião tida na Direcção-Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular. Este risco advém, não do clima que se vive nem da disponibilidade da Federação para continuar a apoiar esta organização, mas do facto de, neste momento, o Gabinete Coordenador do Desporto Escolar da DGIDC afirmar não ter a garantia de disponibilidade dos necessários recursos humanos da parte do Ministério da Educação e Ciência, para assegurar o cumprimento deste compromisso internacional que o país assumiu com a ISF.” Foi com estas palavras que o Professor Ricardo Chumbinho, em Entrevista publicada neste espaço [AQUI], respondeu à questão levantada pelo Orientovar sobre o risco de virmos a perder a realização do Campeonato do Mundo de Desporto Escolar ISF 2013. Pois bem, após aturadas conversações, com muito engenho no diálogo à mistura, já é oficial: Portugal irá mesmo organizar os Mundiais. Eis uma excelente notícia para todos os amantes da Orientação e, nesta quadra natalícia, uma bela prenda no sapatinho!


2. A procura de um lugar na próxima edição do Campeonato do Mundo de Veteranos de Orientação Pedestre WMOC 2012, que terá lugar em Bad Harzburg / Harz (Alemanha) no Verão do próximo ano, está a exceder as expectativas e a apanhar de surpresa os organizadores. O Comité organizador do WMOC 2012 estima que possam ser atingidos números que superem os quatro milhares de participantes, um sonho que ganha contornos de realidade numa altura em que os inscritos são já superiores a 3100. Se usarmos os Mundiais de Veteranos de 2006, em Wiener Neustadt, e os seus 4089 participantes, como termos de comparação, verifica-se que os 2.500 inscritos no final de Dezembro de 2005 permitem estabelecer uma projecção que legitima o optimismo da organização alemã. As inscrições recebidas até ao momento são oriundas de 39 países, da Nova Zelândia ao Brasil e à Rússia, com o maior número de participantes a vir uma vez mais da Finlândia, já com meio milhar de atletas inscritos. Portugal será um dos países representados, contando até ao momento com um total de 29 atletas, entre os quais Joaquim Sousa, o Vice-Campeão do Mundo de Sprint em título no escalão M40. O escalão M65 é o mais participado, com o número de participantes a atingir já as três centenas e meia. O atleta mais idoso inscrito até ao momento completará 91 anos em 2012. Tudo motivos que apontam para que o WMOC 2012 se venha a tornar num evento extraordinariamente bem sucedido. Saiba tudo em http://www.wmoc2012.de/en/


3. A IOF - Federação Internacional de Orientação acaba de fazer o ponto da situação relativo ao “WOC no Futuro”, projecto daquele organismo que visa a reformulação do programa dos Campeonatos do Mundo de Orientação Pedestre. O projecto teve início em 2009, com um extenso inquérito que recebeu 466 respostas (55% das quais de atletas) de 42 nações. Com base nas réplicas ao inquérito, o Conselho da IOF apresentou as linhas gerais do novo programa na sua Assembleia-Geral em Agosto do ano passado, em Trondheim (Noruega). Os três princípios enunciados, que receberam o apoio das Federações nacionais, incidiam sobre a necessidade de diversificar o programa do WOC, não exceder os oito dias de competição e apontavam ainda para a introdução duma nova prova de Estafeta. Em Janeiro de 2011, o Grupo de Trabalho do Projecto “WOC no Futuro” apresentou a sua primeira proposta ao Conselho da IOF, a qual seguiu também para as Federações nacionais. Apenas 14 Federações deram o seu parecer à proposta a qual, após as correcções entendidas como válidas, foi apresentada na Conferência de Presidentes do passado mês de Agosto, em França. Foram de novo ouvidas as Federações, procedeu-se à revisão da proposta e ao seu envio, já este mês, com informações complementares e detalhes de implementação a todas as partes interessadas, desde atletas e responsáveis pelas selecções, a apoiantes e órgãos de comunicação social. O processo de aceitação de pareceres estende-se agora até 15 de Janeiro de 2012 e a proposta final será apresentada e votada na Assembleia-Geral da IOF, que terá lugar em Lausanne, Suiça, em Julho do próximo ano. A notícia pode ser lida no original em http://orienteering.org/woc-in-the-future-until-now/


4.A Profissão de Treinador de Desporto: Qualificação, Acreditação e Formação” é o tema dum Seminário promovido pelo Gabinete de Formação Contínua da Escola Superior de Desporto de Rio Maior e que terá lugar naquele estabelecimento de ensino no próximo dia 13 de Janeiro de 2012. Destinado a alunos do Mestrado em Desporto com especialização em Treino Desportivo, alunos da Licenciatura em Treino Desportivo, alunos de outros cursos de Doutoramento, Mestrado e Licenciatura, formandos de outras áreas profissionais e Treinadores de Desporto, o Seminário propõe-se informar sobre o enquadramento social da profissão de treinador de Desporto em Portugal e na Europa, apresentar os modelos de acreditação dos treinadores de Desporto, sensibilizar para a qualificação dos treinadores de Desporto como agentes educativos de intervenção e mnudança social e discutir os processos e os objectivos da formação e acreditação dos treinadores de Desporto em Portugal e em Espanha. Mais informações em www.esdrm.pt ou directamente com Ilda Marques, através do endereço imarques@esdrm.ipsantarem.pt


5. Tal como o Orientovar noticiou, teve lugar em Viseu, na passada segunda-feira, a Conferência de Imprensa de Apresentação do Portugal O’ Meeting 2012. Evento maior do Calendário internacional de Inverno, com uma etapa pontuável para o ranking mundial, o POM 2012 promete chamar a Viseu e Sátão, entre os dias 18 e 21 de Fevereiro, cerca de dois milhares de atletas dos quatro cantos do Mundo. Para ir “adoçando a boca”, a organização acaba de disponibilizar um vídeo promocional do evento, numa produção da Localvisão, e que pode ser visto em http://videos.sapo.pt/z9TZ0WAalAeLzRMwMcRN.


6. Carregando a bandeira da solidariedade, doze orientistas acabam de estabelecer um interessante record do Mundo. Foi em Lucerna (Suiça), entre os dias 17 e 18 de Dezembro passados, que os atletas de Elite Fabian Hertner, Christian Hohl, Raffael Huber, Gabriel Lombriser, Stefan Lombriser, Andreas Kyburz, Matthias Kyburz, Christian Mathys, Jonas Merz, Matthias Merz, Christoph Rathgeb e Anders Holmberg – este último da Suécia, os restantes suiços – cometeram a proeza de correr 455,930 km em Tapete Rolante, ao longo de 24 horas. Contas feitas, em média, cada atleta ficou a pouco mais de quatro quilómetros de correr uma Maratona, a um ritmo de 3:09 por quilómetro. O novo record do Mundo é o culminar da vasta campanha de solidariedade “Jeder Rappen Zählt” - http://www.jrz.ch/www/de/drs3/jeder-rappen-zaehlt.html -, destinada a ajudar as “Mães Que Precisam” em zonas do planeta flageladas pela guerra, e que permitiu angariar um total de 6.295.846 francos suiços. Por todas as razões e mais algumas, sinceros parabéns aos "orientistas-recordistas" e para eles vai, com admiração e reconhecimento, o Louvor da Semana!


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

ALICIA COBO CABALLERO: "ORIENTEERING IN SPAIN IS REACHING A HIGH INTERNATIONAL LEVEL"




Almost at the end of the year, Alicia Cobo Caballero is our today's interviewed at Orientovar. Spain is the starting point of a long talk that also reaches Portugal and Finland. A testimony that shows her great passion for Orienteering and where the big hit is called Vuokatti 2013.


Orientovar - Your season was made by injuries and the results didn’t happen as you expected. Personally, was this a season to remember or to forget?

Alicia Cobo Caballero - I think one part to remember and another one to forget. It's true that the injuries this past year haven't let me train as I wanted; several ankle injuries (I was running without protection) have slowed me down a lot this season. My results weren't good, especially in WOC 2011 France, where in the Sprint qualification and in the first control (long control, in the forest climbing) I made a mistake in the route choice, I tried to run faster to the other controls but I only obtained more mistakes; this terrible mistake in the first control was as an overweight in the whole race.

However I think that in Orienteering, part of the learning process is on these mistakes and you have to take them in this way, analyze them and learn from them, take out the positive aspects and move on. It would be great to run the final but I think finaly these mistakes will make myself to improve much more.


It's really important to promote Orienteering in a better way

Orientovar - When we talk about female Orienteering in Spain, we remember Annabel Fernandez, Anna Serralonga and Esther Gil at the Long Distance Final in WOC 2011, Ona Rafóls at the Sprint Final or the 13th place in the Relay, but also the podiums of Carmen Patiño Deniz or Sofia Berenguer at the ISF Scholar Championships. How do you see this results and what can be the future of Spanish Orienteering?

Alicia Cobo Caballero - Of course, Orienteering in Spain is reaching a high international level. The great results in long final that Annabel, Anna and Esther got, evince this. From here, sincere congratulations to them, besides being fantastic athletes, they are great mates. About young women, like Carmen or Marina García, it shows how much talent there is, but the work must keep going, because I think there's a problem in relation to Spanish young female orienteers, there are no girls who want to practice Orienteering. Perhaps if Orienteering was promoted in schools such as some clubs do, Navalcán-O (who is doing important work in schools) or Halcón-O, it would be easier for the girls to get started into this sport.

It's really important to promote Orienteering in a better way. For example, until three years ago I had no idea that there was a sport called Orienteering, even if I had run all my life and had gone to the forest since I was a child; this proves, if we can see it in this way, how little Orienteering is known in Spain. This doesn't detract the work done by FEDO, thanks to the people who work there as Marta Armisén and Jesús de Miguel, I have known this sport and got excited about it, but I think this promotion is urgently needed.

About men, we have the WOC 2011 example, where Antonio Martinez, who's really young, got to be qualified into the Sprint final. Roger Casal is another example in Spanish male Orienteering, he couldn't be in France this year, but I'm sure he would have done a great role, he was completely adapted to those terrains as he demonstrated in our pre-selection races, and the truth is that it was a pity he finally couldn't run; also, and talking about young people, we have the example of Andreu Blanes who got the silver medal in JWOC 2011's Sprint and who, along with Antonio Martínez and Marc Serrallonga, got a fantastic 4th place in Relay. From here my congratulations to all and also to the Portuguese Selection Team, who took part this year in France.


Fair play

Orientovar - In the past years we could see some changes made by IOF. Now, we are facing a new program for World Orienteering Championships. Do you agree with the proposals?

Alicia Cobo Caballero - Well, I've only been doing Orienteering from three years now, so I haven't seen many changes, and I think my opinion is not an experienced voice here. But in regard to the WOC issue and the changes that we face now, I have to say several things, from humility of course, the first is that changes are always good if the goal is to diversify and make the sport more attractive. In this purport, I think the proposal of the IOF about having a mixed Sprint Relay is great, I think the city is always a really important place to promote this sport and make it a spectacle, but the Long Distance's new format, based on the ranking of the three previous years, removes many possibilities to the countries in which Orienteering is a young sport, such as the case of Spain maybe, to have only a runner in WOC is something not clear for me yet.

Regardless of this, I would like to take the chance you've given me, to say that what IOF should do, is to ensure that the International Foot Orienteering Competition Rules are obeyed. This year, in France, we could live a regrettable episode in Sprint qualifying, where they weren't applied. Notwithstanding that many orienteers had broken the rules and judges had taken note of it, they weren't disqualified. I think all fault didn't come from WOC's organization but also from the countries which didn't claim that these rules were enforced, presumably because their possibilities in the final had been less. The changes and new proposals to improve this sport are always good, but first thing is that the rules should be reinforced and to make all orienteers run under the same conditions. I wish this will not happen again and the fair play's practice will prevail in Orienteering sport.


A nice way of bringing women and their families into this wonderful sport

Orientovar – What are the biggest challenges to Spanish Orienteering at the present moment?

Alicia Cobo Caballero - The Spanish Federation carries out many projects to bring Orienteering to places where it's not yet known or it's just beginning to get known. The case of Jose Samper, who recently received the Medal of the Royal Order of Sporting Merit, with his work in Mozambique, teaching Orienteering and making new maps, Pedro Pasión in Cabo Verde or José Angel Nieto Poblete in South America. Another project that is promoted from FEDO and with the active participation of Marta Armisen, Esther Gil, Roger Casal and Jesús de Miguel, is the Woman's Camp which have already three editions and tries to bring the sport to women, it's a nice way of bringing women and their families into this wonderful sport, but the Camp is not only intended to women who don't know it, but to those high level orienteers who want to improve their O-technique. Trainings in different levels and terrains, meetings with Elite orienteers… all this makes this Camp really attractive to everyone.

Orientovar – During WTOC 2011, you have an interested participation at the Temp-O race. Can you relate your experience and in which way Trail Orienteering can be a good opportunity for everyone?

Alicia Cobo Caballero - Yes, it was really interesting to try Temp-O, it was very exciting for me, and certainly it's not an easy discipline, as it might seem a priori; I did it as a training and the truth is I really enjoyed it. I think it's important to open the range of possibilities in terms of Orienteering, and also make available that people, who go in wheelchairs or can't run for some reason, could participate in Orienteering events. Of course, I predict a great future for this modality which is still in its infancy. I think Portugal has a Trail-O circuit; it's fantastic, I think it will gradually get more acceptance and popularity.


I can go to buy bread practically doing Orienteering

Orientovar – You are in Finland at the moment, last October and November you made some Foot-O races but now is Ski-O time. How is this experience going? Will we see you in Valle de Pineta, being the first winner of a Ski Orienteering trophy organized in Spain?

Alicia Cobo Caballero - Yes, I came here to train in these terrains thinking in WOC 2013 which is going to be in Vuokatti, really close where I'm living now. I'm training with the SK-Pohjantähti of Oulu. I'm really happy I came; undoubtedly this is one of the most wonderful experiences for me, both in Orienteering and in personal life. One of the O-techniques I have been training is the work with compass. Without a compass here you are almost lost, and it was certainly something I needed to improve. When I arrived here first time, it was really hard for me to run through the swamps and in this type of forest, the terrain is completely different to Spain, but little by little I have been adapting myself. I've been running in some competitions with the club, and I have to say that it's an experience from that I'm learning a lot. I have good team mates who I train with and who are teaching me a lot. Also, this year I participated with SK-Pohjantähti in 25-Manna (Sweden), where our club got a great position, and I also have been doing many Night-O races even some of them with ice and snow, fantastic.

To train here is wonderful, from my home I can go to buy bread practically doing Orienteering. There are maps everywhere, both urban and forest maps; if there's any orienteer who didn't come to Finland yet he or she should come, but not only because of the terrains, Finland is a wonderful and beautiful country to know. In this time the Foot-O season ends and begins Ski-O season. I'm not here specifically to train this, in fact I've never practiced it, here it will be the first time, but I can assure to you I will have the best teachers. So about to win in Valle de Pineta, I think it is still far away, my attention is still focused in Foot-O.


Orientovar this year reaches one million visitors

Orientovar – What do you expect for the next season? Are we going to see you again in Portugal, like we did in Gouveia Meeting or at the Portugal O’ Meeting this year?

Alicia Cobo Caballero - I hope to see you in Portugal this year, you know that I love running in your country, for me it's always fantastic to go there, not only for the terrains you have which I've been discovering, but for the hospitality, weather, food... all this always makes the trips to Portugal magical and I always have time for it. I hope to go to Portugal to run of course, Gouveia Meeting and POM 2011 were two fantastic races, great terrains, level and courses. This year I would like to go to POM 2012, also to the Portuguese Championships in Terras do Bouro and run in some street circuits such as in Porto or Évora, but this year I have a very complicated schedule, maybe you can recommend me some more. I don't know if I will spend the spring training here in Finland, so my planning depends on this. My short term goals are Spanish Championship, and WOC 2012, I would like to run Long Distance and Sprint in Switzerland, at least the Sprint. This year I have to travel to Spain to run in some National League events, but of course, my most important goal is WOC 2013 (Vuokatti), that’s why I came here.

Orientovar – Now, that the year is ending, would you like to make a wish for 2012?

Alicia Cobo Caballero - I hope everybody will be happy, practice a lot of Orienteering and Orientovar this year reaches one million visitors.


Greetings.

JOAQUIM MARGARIDO

ALICIA COBO CABALLERO: "A ORIENTAÇÃO EM ESPANHA ESTÁ ALCANÇANDO UM GRANDE NÍVEL INTERNACIONAL"




Praticamente a fechar o ano, Alicia Cobo Caballero é a nossa entrevistada de hoje no Orientovar. Uma conversa que tem em Espanha o seu ponto de partida e se estende a Portugal e à Finlândia. Um testemunho ao longo do qual se sente uma enorme paixão pela Orientação e onde a grande aposta se chama Vuokatti 2013.


Orientovar - As lesões marcaram a sua temporada e os resultados nunca apareceram como seria desejável. Em termos pessoais, esta é uma temporada para esquecer ou para lembrar?

Alicia Cobo Caballero – Creio que em parte para recordar e em parte para esquecer. É verdade que as lesões esta temporada não permitiram treinar como gostaria, várias lesões nos tornozelos (antes corria sem protecção) condicionaram-me bastante ao longo da época. Os resultados não foram bons, sobretudo no WOC 2011 França onde. no Sprint - e logo no primeiro ponto (controlo largo, em floresta e a subir) - cometi um erro de opção, nos pontos seguintes tentava ir mais rápido para recuperar o tempo perdido e só conseguia falhar mais ainda, bom… Esse erro no primeiro ponto marcou toda a prova.

Penso, contudo, que uma boa parte da aprendizagem na Orientação está precisamente nos erros que cometemos. Há que entender as coisas deste ponto de vista, analisá-las e recolher os ensinamentos, ficarmos com o que de positivo possa existir e seguir em frente. Teria sido fantástico chegar à final mas creio que, com o tempo, estas falhas farão com que possa melhorar mais e mais.


É importante que se promova mais a Orientação

Orientovar - Quando falamos da Orientação feminina em Espanha, vem-nos à memória as presenças da Annabel Fernandez, da Anna Serralonga e da Esther Gil na Final A de Distância Longa do WOC 2011, da Ona Rafóls na Final A de Sprint ou do 13º lugar da Estafeta, mas também dos pódios da Carmen Patiño Deniz ou da Sofia Berenguer nos Mundiais de Desporto Escolar. Como avalia estes resultados e que futuro antevê para a Orientação espanhola?

Alicia Cobo Caballero – Desde logo fica patente que a Orientação em Espanha está alcançando um grande nível internacional e os casos que menciona, da Annabel, da Anna e da Esther são prova disso mesmo, alcançando esse magnífico resultado na final de Distância Longa do WOC 2011. Aproveito para felicitá-las uma vez mais pois, além de grandes atletas, são grandes companheiras. Quanto às jovens, como a Carmen ou a Marina García, creio que é um indicativo de quanto talento existe, mas há que continuar a trabalhar pois creio haver um problema no tocante às orientistas jovens em Espanha e que é o da falta de atletas. Talvez se promovêssemos mais a Orientação nas escolas como fazem alguns clubes, por exemplo o Navalcán-O (que está realizando um importante trabalho na Orientação Escolar) ou o Halcón-O, fosse mais fácil vermos as meninas a começar a praticar a modalidade.

É importante que se promova mais a Orientação. Até há três anos atrás, desconhecia por completo a existência dum desporto chamado Orientação, mais a mais que toda a minha vida corri e fiz provas em floresta, o que dá conta, se assim o podemos entender, de quão pouco conhecida é a Orientação em Espanha. Isto não retira mérito ao trabalho que se faz na Federação Espanhola de Orientação. Foi graças a pessoas como Marta Armisén e Jesús de Miguel que conheci a Orientação e me iludi com ela, mas penso que necessitamos de promover a modalidade urgentemente.

Falei das meninas, mas falaria também dos rapazes e daria como exemplo, uma vez mais, o WOC 2011, no qual o Antonio Martínez, com a sua juventude, conseguiu intrometer-se na final de Sprint. Roger Casal é outro dos grandes exemplos da Orientação espanhola masculina e, ainda que não tivesse podido estar em França este ano, estou certo que teria feito bons resultados uma vez que o terreno era de feição, conforme ficou demonstrado nas nossas provas de selecção. Também – e falando dos jovens – temos o exemplo do Andreu Blanes que chegou à medalha de prata no JWOC 2011 e que, juntamente com Antonio Martínez e Marc Serralonga, conseguiram esse fantástico 4º lugar nas Estafetas. Aproveito para dar os parabéns a todos e também à selecção portuguesa que participou este ano em França.


Jogo limpo

Orientovar – Temos assistido a algumas alterações nos últimos anos e agora a IOF quer alterar em grande medida o figurino dos Campeonatos do Mundo de Orientação Pedestre. Concorda com as alterações propostas?

Alicia Cobo Caballero – Bom, eu tenho apenas três anos de prática da Orientação, não senti muitas alterações neste curto espaço de tempo e, portanto, a minha voz não é a voz da experiência. Todavia, no que diz respeito ao WOC e às alterações que se configuram, gostaria humildemente de dizer algo. Desde logo, as alterações serão bem-vindas se o objectivo for diversificar e tornar mais atractivo o nosso desporto. Neste sentido, creio que a ideia da IOF em fazer uma Estafeta de Sprint, ainda para mais com a particularidade de se tratar duma Estafeta Mista, é genial. As zonas urbanas são sempre locais muito importantes quando se trata de promover o desporto e de torná-lo num espectáculo. Mas o formato da Distância Longa, sem qualificatórias e baseando-se no ranking dos três anos anteriores, retira muitas possibilidades àqueles países onde a Orientação é um desporto jovem e em desenvolvimento, como será talvez o caso de Espanha. E o facto de poder apresentar um atleta apenas é algo que, para mim, não está ainda muito claro.

Independentemente disto, aproveito a oportunidade que me é dada para dizer que, aquilo que a IOF realmente deveria fazer, era velar para que as Normas Internacionais de Orientação fossem cumpridas. Este ano, em França, viveu-se um episódio lamentável nas qualificatórias de Sprint e nas quais estas normas não foram cumpridas. Ainda que numerosos atletas não cumprissem as normas, ainda que os juízes tomassem nota das inconformidades, ninguém acabou por ser desclassificado. Mas penso que a culpa não foi apenas da organização, mas também dos países que não reclamaram face ao incumprimento, provavelmente porque acabariam também por ser prejudicados no acesso dos seus atletas à final. As alterações e as novas propostas no sentido de melhorar o nosso desporto são boas, mas estas bases deveriam reforçar-se e concorrer para que todos pudessem competir em igualdades de circunstância. Acredito que situações como esta não se voltarão a repetir e que se pratique um jogo limpo, que é aquilo pelo qual a Orientação deve primar.


Aproximar as mulheres e as famílias deste desporto maravilhoso

Orientovar - Quais os grandes desafios que se colocam à Orientação espanhola neste momento?

Alicia Cobo Caballero – A Federação Espanhola leva a cabo inúmeros projectos no sentido de difundir a Orientação em países onde a modalidade é desconhecida ou o seu conhecimento é ainda incipiente. É o caso de José Samper, que recentemente recebeu a Medalha da Real Ordem de Mérito Desportivo, com os seus trabalhos em Moçambique, ensinando a Orientação e desenhando novos mapas, de Pedro Pasión em Cabo Verde ou de José Angel Nieto Poblete na América do Sul. Outro dos projectos que se promovem a partir da Federação Espanhola, e graças à participação activa de Marta Armisén, Esther Gil, Roger Casal e Jesús de Miguel, é o Campeonato da Mulher, que leva já três edições e tem como objectivo promover o desporto entre as mulheres. Esta é uma forma muito bonita de aproximar as mulheres e as famílias deste desporto maravilhoso, porém a competição não é destinada apenas às mulheres que se iniciam na Orientação, mas também àquelas que, correndo ao mais alto nível, procuram melhorar a sua técnica. Treinos a diferentes níveis, palestras, correcções… tudo isto concorre para que o projecto seja muito atractivo para todos.

Orientovar - Durante o WTOC 2011, foi uma participante atenta e interessada na prova de Temp-O. Quer relatar-me a sua experiência e de que forma devemos apostar na Orientação de Precisão?

Alicia Cobo Caballero – Sim, foi muito interessante experimentar esta nova modalidade. Participei apenas na prova cronometrada e foi muito emocionante, desde logo porque não é uma disciplina fácil, como poderia pensar-se à priori. Fi-lo numa perspectiva de treino e a verdade é que desfrutei imenso. Julgo ser importante abrir o leque de oportunidades no tocante à Orientação e que, inclusivamente, possa ser praticada por pessoas que se desloquem em cadeira de rodas, por exemplo, ou outras que, por qualquer motivo, não possam correr. Auguro, desde logo, um grande futuro para esta modalidade que está, todavia, a dar os primeiros passos. Creio que em Portugal existe um Circuito de Orientação de Precisão, isso é fantástico e creio que, pouco a pouco, irá tendo uma maior aceitação e popularidade.


Posso ir comprar pão e fazer Orientação ao mesmo tempo

Orientovar - Neste momento encontra-se na Finlândia, em Outubro e Novembro ainda fez Pedestre, mas agora está virada para a Orientação em Esqui. Como é que está a correr a experiência? Vamos vê-la em Valle de Pineta, a ser a primeira vencedora dum troféu de Orientação em Esqui em Espanha?

Alicia Cobo Caballero – Sim, vim aqui para treinar nestes terrenos com vista ao WOC 2013 que terá lugar em Vuokatti, muito perto do local onde vivo neste momento. Estou a treinar com o clube SK-Pohjantähti, de Oulu. Estou muito feliz por ter vindo, é sem dúvida uma das experiências mais gratificantes, tanto no que toca à Orientação como no campo pessoal. Uma das técnicas que mais treinei foi a tomada de azimute. Sem bússola, aqui, estás praticamente perdido e desde logo este era um aspecto onde precisava de melhorar. No início não foi fácil acostumar-me a correr neste tipo de floresta, o terreno é completamente diferente daquele que encontramos em Espanha, mas aos poucos fui-me adaptando. Estive a competir com o clube e devo afirmar que é uma experiência com a qual estou aprendendo imenso. Tenho aqui bons companheiros de equipa com os quais treino e de quem vou recolhendo muitos ensinamentos. Além do mais, pude participar este ano com o SK-Pohjantähti no 25-Manna da Suécia, na qual o nosso clube conseguiu alcançar uma posição fantástica. Também fiz numerosas provas nocturnas, incluindo algumas com neve e gelo. Treinar aqui é, acima de tudo, uma maravilha.

Saindo de casa posso ir comprar pão e fazer Orientação ao mesmo tempo. Há mapas por todo o lado, tanto urbanos como na floresta. Se algum orientista nunca veio à Finlândia deveria pensar em fazê-lo, não apenas devido aos terrenos mas pelo país no seu todo. A Finlândia é um país maravilhoso. Neste momento terminou já a temporada de Orientação Pedestre e começa a de Orientação em Esqui. Não estou aqui especificamente para treinar esta modalidade, na verdade nunca a tinha praticado e farei aqui a minha estreia, mas posso assegurar que conto com os melhores professores. No entanto, quanto a ganhar em Valle de Pineta, creio que de momento é algo que está longe dos meus propósitos. Por agora as minhas atenções centram-se por inteiro na Orientação Pedestre.


Que o Orientovar chegue este ano ao milhão de visitas

Orientovar - O que espera fazer na próxima temporada? Vamos voltar a vê-la em Portugal, como aconteceu este ano no Meeting de Gouveia e no Portugal O' Meeting?

Alicia Cobo Caballero - Espero estar de novo em Portugal no próximo ano. Encanta-me correr no vosso país, é sempre fantástico poder deslocar-me aí, não apenas pelos terrenos que existem e que vou descobrindo, mas também pela hospitalidade, pelo clima, pela gastronomia... Tudo isto faz com que as viagens a Portugal sejam sempre momentos mágicos e nos obriguem a descobrir o tempo necessário para isso. Espero marcar presença nalgumas provas, claro. O Meeting de Orientação de Gouveia e o POM 2011 foram duas grandes provas com magníficos terrenos, traçados e organização. Em 2012 gostaria muito de participar no Portugal O’ Meeting, nos Campeonatos Nacionais de Terras do Bouro e ainda nalgumas provas do Circuito Urbano, como as do Porto ou de Évora, embora as coisas em termos de calendário não sejam fáceis. Não sei se passarei a Primavera a treinar na Finlândia pelo que todo o meu planeamento da temporada depende disso. A curto prazo, os meus objectivos passam pelos Campeonatos de Espanha e pelo WOC 2012. Seria fantástico poder correr a prova de Distância Longa e o Sprint no WOC 2012, pelo menos a prova de Sprint. Terei de viajar até Espanha para disputar algumas provas da Liga espanhola mas, desde logo, o grande objectivo centra-se em 2013, no WOC que terá lugar em Vuokatti, e é por isso que aqui me encontro.

Orientovar - Agora que o ano está a chegar ao fim, quer formular um voto para 2012?

Alicia Cobo Caballero – Que todo o mundo seja feliz, que façam muita Orientação e que o Orientovar chegue este ano ao milhão de visitas.


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO