quarta-feira, 30 de Novembro de 2011

DESPORTO ESCOLAR: ANO NOVO, VIDA NOVA?





Numa altura em que está prestes a começar, em Palmela, uma reunião de responsáveis pelos Grupos-Equipa de Orientação da Península de Setúbal, o Orientovar vai uma vez mais ao encontro do Professor Ricardo Chumbinho e daquilo que está, neste momento, em cima da mesa: o novo modelo de funcionamento do Desporto Escolar e a definição dos novos quadros competitivos locais e regionais.


Como é sabido, as reformas educativas diretamente relacionadas com o Desporto Escolar levaram à extinção das Equipas de Apoio às Escolas e a sua substituição pelas Coordenações Locais de Desporto Escolar. Numa altura em que se aguarda a publicação da nova Lei Orgânica do Ministério da Educação e Ciência, é certo que, mesmo depois de publicado, o documento apenas produzirá efeitos com a publicação de regulamentação subsequente. Daí que seja prematuro apontar os fundamentos desta e outras medidas de extinção e fusão que serão aprovadas com a futura Lei Orgânica, fundamentos que irão certamente desde os motivos economicistas aos funcionais.

Em termos práticos, porém, os efeitos destas alterações no tocante à Orientação nos quadros da Direção Regional de Educação de Lisboa e Vale do Tejo serão nulos. Atentando nas palavras do Professor Ricardo Chumbinho, em declarações exclusivas ao Orientovar, “nos aspectos ligados à organização, implementação e operacionalização das actividades a desenvolver, nomeadamente os quadros competitivos, continuam a existir localmente professores de apoio às modalidades (nalguns casos ex-coordenadores das ADE’s) que trabalham directamente em articulação com a CLDE (antigamente faziam-no com a EAE)”. E acrescenta: “Inclusivamente, no caso da Península de Setúbal, mantém-se inalterável o funcionamento da ADE. Aquilo que realmente se alterou prende-se com o facto de ter passado de quatro para três o número de tempos de redução da componente lectiva, uma alteração decorrente não das alterações estruturais mas de despacho de organização do ano lectivo, publicado em Maio”.


Novo modelo, mais oportunidades

O modelo este ano a aplicar na DRELVT foi deixado à consideração da Coordenadora Regional do Desporto Escolar, Professora Patrícia Canário, pelo próprio Professor Ricardo Chumbinho, numa fase em que não se sabia ainda se seria possível a sua continuidade enquanto coordenador da ADE. Trata-se dum modelo mais leve em termos organizacionais e que, na prática substitui os três quadros competitivos locais anteriormente existentes (Península de Setúbal, Oeste e Lezíria e Médio Tejo) e que apuravam para o Campeonato Regional (só nos escalões de Juvenis e Iniciados e mais recentemente apenas os Juvenis), por um circuito regional composto por seis etapas (três dias com competição de manhã e de tarde) no qual participam todas as escolas da DRELVT. Do ranking regional final apuram-se as equipas e individuais apurados para o Campeonato Nacional e extraem-se igualmente classificações por CLDE. Isto equivale a dizer que passará, pela primeira vez, a haver competição de nível regional para Infantis, Iniciados, Juvenis e Juniores.

Acerca do novo modelo, o nosso interlocutor é de opinião que, “em termos de organizações para as escolas e oportunidades de prática para os alunos, passamos de um cenário em que se organizariam cerca de quinze provas locais e um regional com dois dias, para seis provas regionais; os alunos tinham a oportunidade de participar em cerca de cinco provas locais às quais se somavam dois dias de regional (apenas para os apurados), passando agora todos os alunos a ter oportunidade de participar em seis provas, sem quotas de participação, independentemente de escalões e apuramentos. Acrescem a estas seis provas regionais, eventuais provas locais de abertura e/ou encerramento que as CLDE’s possam organizar. Digamos que, grosso modo, com menos organizações aumenta-se a oportunidade de prática, sendo ainda expectável que tenhamos provas com muitos mais participantes (apontaria para cerca de 500).” Ricardo Chumbinho faz questão de referir, “por elementar justiça, que se trata de um modelo inspirado na forma como a Direção Regional de Educação do Norte já vinha desenvolvendo os seus quadros competitivos de há alguns anos a esta parte, embora com a introdução de alguns ajustamentos às nossas realidade e convicções.”


Nacionais deverão voltar a abrir-se aos Iniciados

Quisemos saber junto daquele responsável se a estrutura das competições é uniformemente implementada em todas as Direcções Regionais ou se a DRELVT continuará a ter um quadro próprio. Da resposta de Ricardo Chumbinho, infere-se que “cada DRE assume, em função de realidades muito distintas, os modelos de quadro competitivo que julga melhor se adequarem à respectiva realidade. O que importa referir é o facto de, em princípio, voltarmos este ano a ter o escalão de Iniciados no Campeonato Nacional.” Para este facto terá pesado o facto da Direção Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular (DGIDC) ter sido sensível aos argumentos apresentados a propósito da possível organização dos Campeonatos do Mundo de Desporto Escolar ISF 2013, que terão lugar em Portugal, resolvendo abrir a competição nacional aos Iniciados.” Mas Ricardo Chumbinho deixa uma ressalva: “Segundo a DGIDC, os Iniciados só não estarão nos Nacionais se surgirem dificuldades logísticas inultrapassáveis.”

Apesar do “emagrecimento” das funções das Associações Desportivas Escolares (ADE), e no tocante à ADE Palmela, o Professor Ricardo Chumbinho continua a ser o seu Coordenador e, nesse papel, Professor de apoio à CLDE da Península de Setúbal. Para além disto e porque a DRELVT resolveu adoptar o modelo por ele proposto, Chumbinho acaba por assumir igualmente, embora de forma algo informal, a coordenação do novo circuito regional da DRELVT. Impõe-se, contudo, um esclarecimento no tocante à questão da continuidade/extinção das ADE’s e que Ricardo Chumbinho se apresta a dar: “Não tendo havido nenhum despacho a extingui-las, a verdade é que ao chamar a si a organização e coordenação dos Quadros Competitivos das modalidades, as CLDE’s esvaziaram funcionalmente as ADE’s. No entanto, nos casos em que se lhes reconheceu um funcionamento de tal modo ágil, eficaz e oleado, cuja alteração poderia ser mais prejudicial do que benéfica, foi decidido manter não apenas a ADE como atribuir-lhe a organização, gestão e controlo dos Quadros Competitivos como acontecia no antecedente; foi o que se verificou quanto à “nossa” ADE.


Em equipa que joga bem não se mexe

Apesar das várias alterações de designações, modelos e actores que ocorreram nos últimos onze anos – desde que no ano 2000, a responsabilidade operacional pelas actividades do Desporto Escolar a nível local foram deslocadas das estruturas do Ministério da Educação para estruturas centradas nas escolas -, o funcionamento no terreno nunca se alterou. Isto comprova aquilo que é referido anteriormente e que, para o Professor Ricardo Chumbinho, “é um sinal de que o modelo de organização e funcionamento é adequado e tem-se mostrado, inclusivamente, imune a outras alterações, sendo aqui justo deixar testemunho da atenção que a modalidade sempre tem merecido, local e regionalmente, da parte de quem tem tido a responsabilidade de tomar decisões que poderiam afectar a Orientação.”

Ainda no tocante à ADE Palmela, Ricardo Chumbinho lembra que “sempre tivemos um grupo de professores organizados sob uma determinada estrutura centrada na escola, a conceber e organizar quadros competitivos locais financiados pelo Desporto Escolar e em articulação com estruturas locais da DREL(VT), com o apoio (logístico e/ou cedência de mapas) de alguns clubes como o CIMO, Lebres do Sado, GDU Azoia, CPOC e Clube de Praças da Armada e participação das equipas escolares que, sublinhe-se, têm sido superiormente dirigidas por professores de Educação Física muito empenhados no desenvolvimento de uma modalidade cuja implementação conhece as dificuldades que todos (re)conhecemos, particularmente quando comparadas com outras disponíveis no mercado”. Em conclusão, “continuaremos a ter as mesmas provas, organizadas segundo os mesmos conceitos e com a mesma participação. Creio poder dizer também que, da mesma forma, continuaremos a ver surgir, especialmente em Palmela, Pinhal Novo e Sesimbra, todos os anos, novos valores para a modalidade”.


Mundiais ISF Algarve 2013 em risco

Fugindo um bocadinho ao âmbito do assunto aqui tratado, a verdade é que as nuvens negras que pairam sobre esta Europa unida e, em particular sobre os países da periferia, com reflexos evidentes na economia – e no “bolso” - dos portugueses, levaram-nos a formular uma última questão que já todos adivinharam, certamente: De que forma é que todo este clima pode afectar a organização dos Mundiais de Desporto Escolar ISF 2013, do Algarve? A realização do evento corre algum risco? Eis a resposta: “Pergunta sagaz e muito pertinente! O Mundial ISF’13 no Algarve está de facto em risco, conforme já foi transmitido à Federação Portuguesa de Orientação numa reunião tida na DGIDC. Este risco advém não do clima que se vive nem da disponibilidade da FPO para continuar a apoiar esta organização mas do facto de, neste momento, o Gabinete Coordenador do Desporto Escolar da DGIDC afirmar não ter a garantia de disponibilidade dos necessários recursos humanos da parte do Ministério da Educação e Ciência, para assegurar o cumprimento deste compromisso internacional que o país assumiu com a ISF.”

Em jeito de conclusão, se é verdade que “a necessidade aguça o engenho” e no tocante à dinâmica das novas Coordenações Locais de Desporto Escolar tudo parece estar bem, por outro lado há compromissos assumidos no tocante à organização dos Mundiais ISF 2013, há “timings” rigorosos a cumprir e há – para o bem ou para o mal - respostas a dar sobre esta questão num brevíssimo espaço de tempo. Vamos aguardar com expectativa os novos desenvolvimentos, na certeza porém de que quem de direito saberá que oportunidades destas não surgem todos os dias, estão em causa interesses que ultrapassam em muito os simples valores materiais e os esforços para encontrar as necessárias soluções acabarão por surtir efeito. Recusamo-nos a acreditar que, em 2013, no Algarve, Portugal se privará a si próprio da oportunidade de oferecer ao Mundo mais um notável exemplo de rigor e capacidade organizativa, num evento de altíssimo nível que, por si só, justifica todo o investimento!


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

terça-feira, 29 de Novembro de 2011

JOSÉ ANGEL NIETO POBLETE: LANÇAR A SEMENTE E COLHER OS FRUTOS




Vice-Presidente da Federação Espanhola de Orientação e Secretário-Geral da Taça dos Países Latinos, José Angel Nieto Poblete acaba de cumprir um longo périplo pelo Uruguai e Paraguai. E se no primeiro caso, o acompanhamento do bom trabalho que se está a desenvolver permite apreciar alguns suculentos frutos, já no tocante ao Paraguai este foi o “lançar da semente”. Com “um abraço para os leitores do Orientovar”, eis aqui o resultado duma sempre cativante conversa.


Orientovar - Foi o Supervisor IOF dum evento de carácter internacional levado a cabo pela primeira vez no Uruguai. Que balanço faz do 1st International Maldonado O'Meeting?

José Angel Nieto Poblete – Bom, aproveitei o Meeting Internacional para fazer uma avaliação de como se encontra o Uruguai do ponto de vista organizativo, tendo em conta os compromissos que abraçou. Deu para perceber que têm realmente capacidade organizativa e pessoas empenhadas, embora haja que melhorar em muitos aspetos e os meus esforços irão nessa direção. Estou satisfeito com o trabalho que realizaram mas, a partir de agora, todos vamos exigir mais de nós próprios. No tocante às atividades paralelas levadas a cabo, creio que não poderá haver melhor balanço do que aquele que é feito pelos participantes nas atividades desenvolvidas: O Curso Internacional de Supervisores – com alunos do Brasil, Argentina, Uruguai, Chile e Guatemala -, o Clinic de Cartografia e a introdução à Orientação de Precisão. A avaliação dos alunos foi muito boa e é isso que conta para nós.

Orientovar - O trabalho de Supervisão, neste caso concreto, teve o mesmo grau de exigência duma prova da Liga Espanhola, por exemplo, ou sentiu a necessidade de ser condescendente com eventuais limitações organizativas?

José Angel Nieto Poblete – Evidentemente que não. Deixei trabalhar, dediquei-me a ver atentamente aquilo que se ia passando, precisamente por ser esta uma estreia e consciente do muito que há por fazer. A partir de agora agirei de forma crítica e construtiva, esperando com isso que consigamos progredir depressa e bem.


Há que proceder a alguns retoques organizativos

Orientovar – Desse trabalho de acompanhamento, consegue perceber quais as grandes dificuldades com que a organização se deparou?

José Angel Nieto Poblete – A organização deve trabalhar no sentido de rentabilizar o tempo dedicado ao evento, sobretudo nos últimos dias. Por outro lado, deveremos procurar terrenos com mais qualidade e tirar daí o máximo proveito. Quanto ao resto, em traços gerais, há que proceder a alguns retoques organizativos.

Orientovar - Qual o actual momento da Orientação no Uruguai?

José Angel Nieto Poblete – Depois de ter percorrido cerca de 2/3 do País, num total aproximado de 3000 quilómetros, posso dizer que, nalguns aspetos, aquilo que sucede no Uruguai me faz recordar as situações que, há não muito tempo, vivíamos em Espanha e em Portugal. Após esta estadia, auguro um grande futuro para a Orientação no Uruguai, não apenas porque estão trabalhando ao nível duma Federação (destaco sempre o seu Vice-Presidente, Víctor Pérez), mas também do ponto de vista Institucional. Os delegados departamentais de desportos sabem em primeira mão todo o envolvimento e a evolução do projeto para a Orientação no Uruguai, depois de ter feito uma exposição no Congresso de Diretores Departamentais de Desportos, em Artigas. Fui a única pessoa estranha ao Congresso convidada para falar, o que denota um grande interesse e um grande futuro. Aliás, encarando de frente o futuro, estou certo que iremos conseguir encurtar rapidamente as distâncias no tempo, visto termos hoje à nossa disposição os mecanismos necessários para o fazer.


No Paraguai trata-se de introduzir a Orientação

Orientovar - Campeonato Sul-Americano de Orientação e Taça dos Países Latinos são os dois próximos grandes desafios organizativos do Uruguai. O que podemos esperar destes eventos?

José Angel Nieto Poblete – Até à realização dos eventos, temos muito trabalho pela frente. Mas vamos conseguir. Espero que quando se dispute a Taça dos Países Latinos, em 2013, todos se esqueçam de onde nos encontramos. Estou convencido – porque essa é a ilusão de todos – que teremos uma competição de alto nível em todos os aspetos.

Orientovar - Após um mês de estadia no Uruguai, que objectivos o levaram a rumar ao Paraguai?

José Angel Nieto Poblete – No Uruguai, estabelecemos um projeto de desenvolvimento do nosso desporto. Ao contrário, no Paraguai trata-se de introduzir a Orientação, visto não haver nada. O trabalho centrou-se na introdução em duas grandes cidades e em dois grandes grupos de pessoas que possam levar a cabo essa tarefa de desenvolver a Orientação. Uma em Asunción e outra em Ciudad del Este, por intermédio do Congresso Nacional dos Desportos.


Todos tinham uma ideia errada sobre a Orientação

Orientovar - Sei que teve um longo tempo de antena para falar de Orientação no Congresso Nacional do Desporto do Paraguai. Quer fazer-me um balanço da sua intervenção e se conseguiu perceber algum interesse no lançamento em bases sólidas do nosso desporto nesse País?

José Angel Nieto Poblete – Numa apresentação que se estendeu ao longo de seis horas, o interesse demonstrado pelos participantes no Congresso foi extraordinário. No início da minha intervenção, fiz questão de dizer à plateia que aquilo que lhes iria apresentar não tinha rigorosamente nada a ver com aquilo que eles pensavam que iam ouvir e aprender. E de facto assim foi. Todos tinham uma ideia errada sobre a Orientação. E, felizmente para todos, as ideias ministradas no decurso da Conferência superaram em muito as expectativas. Também providenciei um mapa das proximidades do local onde decorreu o Congresso, um campo com instalações desportivas. Tracei-lhes um percurso simples, mas perfeitamente fiel às normas de qualquer competição. Ficaram entusiasmados e com uma ideia clara do que é a Orientação. Estou convencido de que voltarei no próximo ano para dar mais um avanço neste projeto. De facto, antes de seguir de novo para o Uruguai – de onde estou a regressar a Espanha – reuni-me com as autoridades máximas do Paraguai em matéria desportiva (Secretaria de Estado dos Desportos), fiz-lhes ver todas as potencialidades da nossa modalidade e aquilo que tem para oferecer. Veremos o que o futuro nos reserva.




[Fotos gentilmente cedidas por José Angel Nieto Poblete]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

domingo, 27 de Novembro de 2011

O MEU MAPA: ANTÓNIO AMADOR, A SERRA DA CABREIRA E O NACIONAL DE DISTÂNCIA LONGA 2009




Após 18 anos de Orientação, com participação em grande parte das provas realizadas em território nacional e algumas experiências além-fronteiras, não é fácil nomear um mapa com sendo o que mais me possa ter marcado.

Desde a primeira prova em Maio de 1993, no antigo mapa da Gafanha - numa experiência em que não sabia no que me estava a meter -, até provas mais “marcantes”, como várias das realizadas em Portugal (seja como atleta seja como organizador) ou as idas à Austrália no WMOC 2010 ou ao SOW 2006, em Zermatt, que se revelou uma experiência única (a repetir em 2014 …), muito há por onde escolher.

Para nomear um dos mapas a opção passou por definir alguns critérios e enquadrar os vários mapas / eventos nesses critérios. Sendo assim, definidos os critérios, aplicando uma escala, a escolha recaiu no mapa da Cabreira, onde se realizou o Campeonato Nacional de Distância Longa em 2009.

Desde logo, o Gerês é uma das zonas em Portugal onde, na minha opinião, temos dos melhores terrenos para a prática da modalidade. Qualquer ida a uma prova nesta zona é garantia de um bom evento. Considero também que a Distância Longa é a prova rainha desta modalidade e este mapa em particular oferece vários desafios, quer pelas características do terreno, quer pelo traçado do percurso desse evento e finalmente porque consegui nesta prova ser Campeão Nacional num escalão onde a competição nos últimos anos tem sido muito forte – H35.

Com uma aposta feita em 2008 em dedicar algum do meu tempo a treinos físicos, com um acompanhamento do Albano João, passei a poder aspirar a conseguir algumas classificações mais para o topo da tabela, embora reconhecendo a grande dificuldade em chegar aos primeiros lugares mas confiante que tal seria possível.

Quanto à prova em si, desde logo tive a vantagem de ser dos primeiros a partir, o que para mim é uma vantagem porque encontro poucos atletas na zona de competição podendo assim manter uma maior concentração.

O relevo muito acentuado do mapa obrigava a ter este factor em atenção nas opções a tomar; por outro lado, a variação do tipo de terreno de zonas onde a progressão pode ser mais rápida para outras com maior detalhe técnico, obrigando a uma progressão muito mais cuidada, foi uma combinação com que nem todos se deram bem.

Antes de partir, em conversa com o traçador de percursos, José Fernandes, ele referiu que para vencer o meu escalão teria de fazer 1:07:00. Apesar do inicio duro fisicamente, como em termos de navegação não cometi grandes erros, fui realizando o percurso confiante, chegando ao final com 1:06:48. O José Fernandes veio logo dar-me os parabéns porque ninguém iria melhorar … o que mais de uma hora depois se viria a confirmar.



António Amador
Clube de Orientação de Estarreja
Fed 1457

sábado, 26 de Novembro de 2011

EM DIA DE ANIVERSÁRIO: ORIENTOVAR SOPRA QUATRO VELAS




Nasceu há quatro anos – feitinhos hoje – e decidi chamar-lhe Orientovar. Claro que não é nome de gente: É nome de blogue. Deste blogue!

Quatro anos!...

Mas quanto valerão quatro anos na vida dum blogue?


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

sexta-feira, 25 de Novembro de 2011

IONUT ZINCA: I PRACTICE AND I RUN SO THAT I CAN "BREATHE"




His way of being, his friendliness and his qualities of a great competitor don't let him pass by without being unnoticed. With his 5th place in the WOC 2011' s Sprint, Ionut Zinca definitely reached the top. In the end of a memorable season, Orientovar brings to you what he has to tell us.


OrientovarReaching the podium on a WOC is always something to remember in any athlete's career. What special emotion do you feel when you think of the 5th place of the WOC Sprint, last August, being there, everyone watching you, alongside with Daniel Hubmann, Anders Holmberg or Matthias Mueller?

Ionut Zinca – The truth is that, at the moment I crossed the finish line, I had the feeling that I had won. There was something telling me things would go really well, even before I started my race. I was at the quarentine with my girlfriend and I told her “Today is my day” and she told me to be focused. It looked like I really was the only one to believe in my chances of entering the Top 6. That day, all my anger, frustration and bad luck from all the qualifying races disappeared with only a 14 minutes one. It was important being there, with the world's best athletes, but I don't do Orienteering to compare myself with the others, I do it because it's my life, my “breath”. I practice and I run so that I can “breathe”.

Orientovar – Did the achieved fifth place correspond to a perfect race, or there aren't perfect races?

Ionut Zinca – When I crossed the finish line I knew I had done an almost perfect race and that, along with the last six months of hard-work, would be enough to reach the top 10. In the end, I couldn't hold my emotions. I had gone through tough days, with a Long Distance race to forget (due to the heat and also to problems with my stomach), a very strong blow to the Medium Distance race that almost left me out of the final round and, worst than that, my dad, on vacation in Romania, he had just had an accident and I didn't know almost at all how he was. So, from this point of view, it was really a perfect race but, analyzing it coldly, there are two aspects which deserve a serious repair. In the second half of the race, the rhythm fell too much and that made me lose the third place and a failure on the penultimate goal, due to a too broad approach that made me go through the tunnel, made me lose fifteen more seconds, and so, the fourth position.


In a very short period of time I'll leave Orienteering

Orientovar – They predict important changes on the figurine of the World Orienteering Championships. What is your position in relation to this case? Are you an epidemic conservative or a zealous supporter of the changes?

Ionut Zinca – In fact, all this situation is perfectly regardless for me. It passes me by, since I will never live to see any of the provided changes. In a very short period of time I'll leave Orienteering and I'll try to give my attention to my family. This way, when the changes are implemented, I'll be doing other things. About the changes setting in the horizon, it's like everything in life, the world jumps and moves forward. If other sports work well with this kind of figurines and we want Orienteering to be an Olympic sport in the future... Then let's all wake up to this new reality because the fact is that the actual formula isn't really working.

Orientovar – How do you evaluate the actual moment of Orienteering and, particularly, what's happening in Romania?

Ionut Zinca – This isn't an easy moment for this sport. Our dear Orienteering is conditioned by the crisis that's affecting all of us and, after all, Orienteering is a sport which's practice isn't cheap. From the organizations (maps, rental services, etc.) to the athletes (inscriptions taxes, traveling, lodging, food, etc.). The effects of the crisis are gradually taking place, the organizers make races in “bad” maps for economical reasons or subsidize the maps with interest for a determined place, the athletes choose more and more local races or they reorient their interests to mountain or road races, etc. About Orienteering in Romania... I don't want to enter more controversy but, unfortunately, little by little, Orienteering is dying in my country and the main responsible, the Federation, doesn't give a damn about it.


Portugal shows a really exceptional organizational quality

Orientovar – I know you keep on following very close what's going on in Portugal and Spain. What's your actual perception from Orienteering on the Iberian countries? Does Orienteering run in a different speed in each country?

Ionut Zinca – I run in Spain since 2003 and I guess the first time I competed in Portugal was in 2004, but it's quite noticeable that we're talking about the same sport that has distinct mentalities due to the way it is seen in each country. When I arrived in Spain, Spring races were of a high level and attracted a high number of the best foreign athletes that came to train and to compete. The truth is, bit by bit, the level of races and organizations stopped being that high and practically every foreign athletes left these competitions. On the other hand, Portugal shows a really exceptional organizational quality, so it attracts lots of foreign athletes and makes out of Portugal O'Meeting the most important European race of the Spring.

Orientovar – Mountain races have occupied even more your time and interests and you have already anticipated that Orienteering, for you, is reaching to an end. Is trail-runner-Ionut-Zinca about to take orienteer-Ionut-Zinca's place?

Ionut Zinca – I ran my first mountain race in 2003. It was 32 Km of racing and, when I finished it, I promised myself I would never commit such madness again. But life is one of the most beautiful and fascinating things that exists, it goes around... And two years later I was finishing a mountain race with some 67 kilometers. Well, summarizing, I love both sports, but most of all I love Orienteering. But if we attempt in what really matters in life (money and opportunities), in mountain races we can survive, making it from a professional point of view. Regarding the sponsors, in 2007, thanks to my good results on the mountain races, I had several sponsors guaranteed. The truth is that I ended up losing them in only one year and all that because I dedicated myself only to Orienteering.


It's time for IOF to wake up for a new reality

Orientovar – Mapping is an area that you're keen on and in which you're starting to develop some work. Do you want to tell us about the maps and how do you see the actual moment of cartography?

Ionut Zinca – In these last months of this year I'm trying to get some extra money from mapping. In the last two years I worked in France, in 2010 I made part of the maps for some races of the French League and this year I'm working on the maps to EYOC 2012. The terrain is really interesting, with several rocky details, with many relief variations and also many kinds of vegetation. I feel that what's going on with ISOM's rules is exactly the same that's happening with the kind of alignment of the World Championships, or in other words, it's time for IOF - Orienteering International Federation to wake up for a new reality, shake the dust off and put on new “clothes”. The truth is that, with the 60's/70's mentalities we are where we are. It's easy to understand that, you open OCAD, you draw a hole and then you draw a clean area of 250 m² (25 x 10 meters) and you see the result. You have to change a big number of symbols and, besides that, add some new ones. Currently I work with OCAD and I try to respect the most ISSOM's rules.

Orientovar - What are your goals for the next season? Is Portugal O'Meeting going to keep on being a required crossing point on it's preparation?

Ionut Zinca - My goals for a near future... Well, I'm hoping to solve some financial problems, but earning less than 300 euros per month it's not easy to establish goals. My intention is to take place between the Top 3 in the European Mountain Running Championship (Denizli, Turkey, a system up-/downhill race) and then try to do my best on the Long Distance race at WOC 2012 (Lausanne, Switzerland). About Portugal O'Meeting... Well, I don't know if I'll miss it for the first time. Now I live with my girlfriend, both of us are athletes and both of us do Orienteering. Until April, when mountain races will restart, money does not abound and the spendings are much. Besides that, we're planning to get married next year and, of course, spendings will increase! Hehehe! But well... I hope to show up!



Translated from the original [HERE] by Ana Macedo.


Orientistic Greetings.

JOAQUIM MARGARIDO

IONUT ZINCA NA GRANDE ENTREVISTA: TREINO E CORRO PARA PODER "RESPIRAR"




A sua forma de estar, a sua afabilidade e as suas qualidades de grande orientista não permitem que passe facilmente despercebido. Com o seu 5º lugar na final de Sprint dos Campeonatos do Mundo de Orientação Pedestre WOC 2011, Ionut Zinca saltou definitivamente para o estrelato. No final duma temporada inesquecível, o Orientovar foi ao seu encontro e aqui dá conta duma conversa vivida e sentida.


Orientovar – Subir ao pódio num Campeonato do Mundo é sempre um ponto alto na carreira de qualquer desportista. Que especial emoção sente, ainda hoje, quando se recorda do 5º lugar da Final de Sprint do WOC 2011, de estar ali, aos olhos de todos, lado a lado com nomes como os de Daniel Hubmann, Anders Holmberg ou Matthias Mueller?

Ionut Zinca – A verdade é que, no momento em que cruzei a linha de meta, a sensação era a de que tinha ganho. Havia algo que me dizia que as coisas iam correr muito bem, antes mesmo de começar a minha prova. Estava na quarentena com a minha namorada e disse-lhe “hoje é o meu dia” e ela disse-me que me mantivesse concentrado. Parecia que era realmente o único a acreditar nas minhas possibilidades de entrar no top 6. Foi um dia no qual toda a minha raiva, frustração e pouca sorte de todas as classificatórias desapareceu com uma prova única de 14 minutos. Foi importante estar ali, lado a lado com os melhores do mundo, mas não faço Orientação para me comparar aos outros, faço-a porque é a minha vida, a minha “respiração”. Treino e corro para poder “respirar”.

Orientovar - O quinto lugar alcançado correspondeu a uma prova perfeita ou não há provas perfeitas?

Ionut Zinca – Quando cruzei a linha de meta sabia que tinha feito uma prova quase perfeita e que, a juntar aos últimos seis meses de trabalho no duro, seria suficiente para entrar nos dez primeiros. No final, não pude conter as minhas emoções. Tinham sido dias muito duros, com uma prova de Distância Longa para esquecer (devido a problemas de estômago e também por causa do calor), um golpe muito forte na prova de Distância Média que quase me deixou fora da final e, pior do que isso, o meu pai, de férias na Roménia, acabara de ter um acidente e eu desconhecia quase por completo qual o seu estado. Posto isto, em termos pessoais foi realmente uma prova perfeita, mas analisando-a friamente há dois aspectos que merecem um sério reparo. Na segunda metade da prova o ritmo caiu demasiado e isso levou-me a perder o terceiro lugar e uma falha na penúltima baliza, devido a uma abordagem demasiado pelo largo e que me fez passar o túnel, fez com que perdesse mais quinze segundos e, consequentemente, a quarta posição.


Dentro de muito pouco tempo irei abandonar a Orientação

Orientovar - Prevêem-se importantes mexidas no figurino dos Mundiais de Orientação Pedestre. Qual a sua posição no tocante a este caso? É um conservador empedernido ou, pelo contrário, um fervoroso adepto da mudança?

Ionut Zinca – Na realidade, toda esta situação é perfeitamente indiferente para mim. Passa-me ao lado, uma vez que não chegarei a viver qualquer uma das alterações previstas. Dentro de muito pouco tempo irei abandonar a Orientação e procurarei concentrar-me na família. Deste modo, quando as alterações forem implementadas estarei fazendo outras coisas. Quanto às alterações que se configuram no horizonte, é como em tudo na vida, o mundo pula e avança. Se outros desportos funcionam bem com este tipo de figurinos e queremos que a Orientação seja uma modalidade olímpica no futuro... pois então que acordemos todos para esta nova realidade porque a fórmula actual não está a produzir grandes resultados.

Orientovar - Como avalia o actual momento da Orientação e, em particular, daquilo que vai acontecendo na Roménia?

Ionut Zinca – Este é um momento nada fácil para a modalidade. O nosso querido desporto está condicionado pela crise que nos afecta a todos e, afinal, a Orientação é uma modalidade cuja prática não fica barata. Tanto para as organizações (mapas, aluguer de serviços, etc.) como para os atletas (taxas de inscrição, deslocações, alojamento, alimentação, etc.). Aos poucos os efeitos da crise acabam por se ir instalando, os organizadores fazem provas em mapas “maus” por questões económicas ou subvencionam os mapas com interesse para uma determinada zona, os atletas optam cada vez mais pelas provas locais ou reorientam os seus interesses para as corridas de montanha ou para as provas de estrada, etc. Quanto à Orientação na Roménia... não quero entrar em mais polémica mas, desgraçadamente, pouco a pouco a Orientação está a morrer no meu país e os responsáveis máximos, a Federação, está-se nas tintas.


Portugal apresenta uma qualidade organizativa realmente excepcional

Orientovar - Sei que continua a acompanhar de muito perto aquilo que se vai passando em Portugal e em Espanha. Qual a percepção que tem da realidade da Orientação nos dois países ibéricos? É uma Orientação a dois tempos?

Ionut Zinca – Faço provas em Espanha desde 2003 e penso que a primeira vez que competi em Portugal foi em 2004, mas dá para perceber que estamos a falar dum mesmo desporto e que tem nos dois países mentalidades distintas na forma como é abordado. Quando cheguei a Espanha, as provas na Primavera eram de grande nível e atraíam um elevado número de corredores estrangeiros de topo que vinham treinar e competir. A verdade é que, aos poucos, o nível das provas e das organizações deixou de ser tão elevado e assim se foram perdendo praticamente todos os atletas estrangeiros. Em contrapartida, Portugal apresenta uma qualidade organizativa realmente excepcional, conseguindo atrair os atletas estrangeiros e fazer do Portugal O' Meeting a mais importante prova europeia da Primavera.

Orientovar - As corridas de montanha ocupam cada vez mais o seu tempo e os seus interesses e já deixou antever que a Orientação, para si, está a chegar ao fim. O "Ionut Zinca-orientista" está prestes a dar lugar ao "Ionut Zinca – corredor de Trail"?

Ionut Zinca – Corri a minha primeira prova de montanha em 2003. Foram 32 km de prova e, quando cheguei ao fim, garanti a mim mesmo que nunca mais repetiria semelhante loucura. Mas a vida é das coisas mais bonitas e fascinantes que existem, dá tantas voltas... Dois anos depois terminava uma prova de montanha com uns 67 km. Bom, abreviando, gosto muito das duas modalidades, mas sobretudo da Orientação. Mas se atentarmos naquilo que realmente importa nesta vida ( o dinheiro e as oportunidades), nas provas de montanha podemos ganhar a vida, fazendo-o dum ponto de vista da profissionalização. No tocante aos patrocínios, em 2007, quando abracei por inteiro a Orientação, graças aos meus bons resultados nas provas de montanha, tinha garantido vários patrocinadores. A verdade é que acabei por perdê-los todos num ano apenas e isso devido a ter-me dedicado em exclusivo à Orientação.


Está na altura da IOF despertar para uma nova realidade

Orientovar - A cartografia é uma área que o apaixona e na qual começa a desenvolver algum trabalho. Quer falar-me dos mapas e de como vê o actual momento da cartografia?

Ionut Zinca – Nestes últimos meses do ano procuro conseguir algum dinheiro extra fazendo mapas. Nos últimos dois anos trabalhei em França, em 2010 fiz parte dos mapas para umas etapas da Liga francesa e este ano estou a trabalhar nos mapas do EYOC 2012. O terreno é bastante interessante, com muitos detalhes rochosos, bastante desnível e muitas variações no tipo de vegetação. Sinto que se passa com as normas do ISOM precisamente o mesmo que com o tipo de alinhamento dos Campeonatos do Mundo, ou seja, está na altura da IOF - Federação Internacional de Orientação despertar para uma nova realidade, sacudir o pó e vestir “roupa” nova. A verdade é que, com a mentalidades dos anos 60 / 70 estamos onde estamos. É facil entender isto, abres o OCAD, desenhas um buraco e depois desenhas uma área limpa de 250 m2 (25 x 10 metros) e vês o resultado. Há que alterar um grande número de símbolos e, para além disso, acrescentar outros novos. Actualmente trabalho com o OCAD e procuro respeitar ao máximo as normas ISSOM.

Orientovar - Quais os grandes objectivos para a próxima temporada? O Portugal O’ Meeting vai continuar a ser um ponto de passagem obrigatório na preparação da sua época?

Ionut Zinca – Os meus objectivos num futuro próximo... Bom, espero poder resolver alguns problemas financeiros, mas ganhando menos de 300 euros por mês não é muito fácil estabelecer objectivos. A minha intenção passa por ficar entre os três primeiros no Europeu de Montanha (Denizli, Turquia, uma prova no sistema up-/downhill) e depois procurar dar o melhor na prova de Distância Longa dos Mundiais de Orientação WOC 2012 (Lausanne, Suiça). Quanto ao Portugal O' Meeting, bom, não sei se irei perdê-lo pela primeira vez. Agora vivo com a minha namorada, ambos somos desportistas e ambos fazemos Orientação. Até Abril, quando recomeçarão as provas de montanha, o dinheiro não abunda e os gastos são muitos. Além do mais, no próximo ano iremos casar e, claro, mais gastos, he! he! he!... Bom, espero poder ir.




Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

quinta-feira, 24 de Novembro de 2011

REVISTA O PRATICANTE: EDIÇÃO HISTÓRICA DEDICA DEZ PÁGINAS À ORIENTAÇÃO




Cada vez melhor! É isto que se oferece dizer da Revista O Praticante que, na sua 44ª edição acabadinha de sair, nos brinda com 116 páginas. Um número record, com a qualidade inexcedível a que Amália Mendes e a sua laboriosa equipa já nos habituaram e onde a Orientação, uma vez mais, ocupa um espaço privilegiado.


Começo por vos pedir desculpa, mas esta edição foi um corre, corre, de outro mundo.” É desta forma que David Silva, a alma – e “o corpo ao manifesto” - deste projecto, se dirige aos colaboradores, para adiantar que o resultado é mais uma vitória “e esta edição saiu com mais dezasseis páginas que todas as anteriores.” E se em termos de quantidade, este número tem um significado muito especial, porque histórico nas 116 páginas que o constituem, quanto à qualidade dirão os leitores de sua justiça. Que eu – tal como os demais colaboradores – sou suspeito.

Em termos de Orientação, as dez páginas são um luxo. Repito, um luxo! Onde é que a Orientação tem dez páginas inteirinhas e com tanta qualidade, da Pedestre à Orientação de Precisão, da Orientação Adaptada às Corridas de Aventura, numa publicação com uma tiragem de 20.000 exemplares? Obrigado, O Praticante, pelo carinho com que nos dispensam o vosso espaço e nos garantem uma visibilidade que, doutra forma, dificilmente conseguiríamos.

Para memória futura, aqui ficam as páginas on-line desta edição de O Praticante e o convite a que “folheiem” a Revista na íntegra em http://issuu.com/opraticantebloguedesportivo/docs/oprat_044lr__1_







Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

quarta-feira, 23 de Novembro de 2011

DUAS OU TRÊS COISAS QUE EU SEI DELA...





1. Depois de terem passado por Madrid e Barcelona, as LUNARUN chegaram a Lisboa e estão a transformar as ruas do Bairro Alto, todas as quintas-feiras, em autênticas pistas de running. Mais do que práticas de actividade física, estas “cool runs” pretendem ser, sobretudo, momentos divertidos de convívio, onde as palavras de ordem são “descontrair” e “libertar o stress”. A iniciativa é da responsabilidade da Nike e da L1sbonKrew e teve nos passados dias 30 de Setembro e 07 de Outubro as duas primeiras etapas dum total de cinco. “É quase uma prova de Orientação Urbana”, explica Paulo Fernandes, um dos participantes na segunda etapa, acrescentando que “o mapa é muito básico e não segue as normas da IOF, mas nem por isso deixa de ser espectacular por proporcionar a oportunidade de correr e treinar na baixa de Lisboa de mapa na mão...” Se na primeira etapa terão aparecido apenas, que se saiba, dois orientistas - Joana Moutela e Hugo Monteiro, ambos do Clube Ori-Estarreja -, já na passada 5ª feira foram oito (e talvez mais alguns incógnitos)! Poucos mas bons, dir-se-á com propriedade, já que os vencedores das duas etapas disputadas até ao momento foram, nem mais nem menos, Joana Moutela e João Mega Figueiredo. O Lunarun prossegue já amanhã à noite, com início previsto para as 20h30, no Largo do Chiado. Até lá, visite a página da Nike Running Portugal em http://www.facebook.com/NikeRunningPortugal e divirta-se com as fotos de Paulo Fernandes.


2. 28 Etapas, 2200 km e muita pedalada solidária a caminho da Terra do Fogo, no extremo austral da Argentina. Uma expedição extraordinária à qual Ricardo Mendes e Filomena Gomes quiseram dar um sentido maior, associando o desafio à Operação Nariz Vermelho. A meta foi angariar 1 € por cada quilómetro percorrido num total de 2200 €. A verdade é que o objectivo foi atingido, o projecto foi financiado a 101% e os dois atletas encontram-se agora à conquista da meta real, visto que a meta solidária, essa já foi alcançada! A Patagónia Luso Expedition já rola há mais de uma semana e o Ricardo Mendes e a Filomena Gomes estão agora na mítica RUTA 40, “um autêntico desafio nesta imensidão de caminho onde os relatos contam que os ventos castigam os ciclistas e os projectam para fora da estrada.” A distância a vencer obriga os dois aventureiros a ter que dividir esta etapa e o local para pernoita é sempre uma incógnita. “Há quem faça esta ligação com viatura de apoio. Nós temos as pernas e a vontade”, contam o Ricardo e a Filomena. Acompanhe esta singular aventura em http://patagonialusoexpedition.webs.com/ e deixe as suas mensagens de apoio na página do Facebook [AQUI].


3. A Comunidade Intermunicipal do Alentejo Central, em conjunto com os municípios associados e o apoio da Câmara Municipal de Arraiolos, realizou no passado dia 19 a 6ª Gala do Desporto do Alentejo Central, no Pavilhão Multiusos de Arraiolos. A festa homenageou 82 desportistas, que pelo seu mérito, empenho e dedicação, alcançaram feitos a nível nacional e internacional na época 2009/2010. Andebol, Orientação, Pesca, Danças Desportivas, Hipismo e Ciclismo, foram algumas das 15 modalidades onde os Campeões mais se destacaram. “Nesta Gala foram homenageados os desportistas que se classificaram num dos três primeiros lugares em Campeonatos Nacionais e que representam clubes do distrito ou, representando outros clubes, tenham nascido no distrito”, explica Jacinto Eleutério, o grande timoneiro da ADFA – Associação de Deficientes das Forças Armadas que viu vinte atletas seus serem distinguidos “com um bonito troféu e com os muitos aplausos com que a numerosa assistência nos brindou”. Aquele dirigente faz questão de salientar que “o nosso atleta Mário Duarte foi distinguido pela sexta vez, sendo talvez o único desportista a ser homenageado em todas as Galas já realizadas” e projecta já a 7ª Gala do Desporto do Alentejo Central, onde a ADFA “tem 33 atletas que reúnem condições de ser homenageados”. A lista completa de homenageados pode ser consultada AQUI, facilmente se constatando que a Orientação é, de longe, a modalidade com mais atletas homenageados, num total de 51. O GafanhOri – Clube de Orientação da Gafanhoeira – Arraiolos foi o emblema que mais atletas colocou em cima do palco, nada mais nada menos que 29. Parabéns a todos!


4. Está aí o vídeo oficial dos Campeonatos do Mundo de Orientação Pedestre WOC 2011. Para ver, rever e partilhar.



5. “Em Portugal há falta de documentação específica sobre os métodos de treino de Orientação, em particular para os escalões jovens – de uma maneira geral, as raras referências técnicas sobre os métodos de treino de Orientação são provenientes quase exclusivamente do escalão da elite orientista. Mas, como sabemos, treinar jovens em crescimento é completamente diferente de treinar elites… as componentes, os objectivos e os conteúdos de treino, bem como as metas a atingir, variam muito ao longo das diferentes idades…” É com esta preocupação implícita que Hélder Ferreira e Emanuel Alte Rodrigues acabam de lançar o “Querer é Poder...”, um blogue apostado na partilha de “instrumentos técnico-pedagógicos, experiências e documentação que possam contribuir para o conhecimento, a actualização e o estudo teórico-prático das principais componentes do treino de Orientação, em particular para jovens nas diferentes idades e fases da sua formação.” Para ter acesso ao blogue basta digitar http://betterorienteer.blogspot.com/ e lá encontrará, entre a matéria específica que compõe os cinco Cadernos Didácticos sobre “Iniciação à Orientação na escola em Mapas Simples”, aquela que os autores do blogue designam por “Pergunta da Semana” e que afinal são quatro, todas elas relacionadas com “O Aquecimento na Orientação”: É importante fazer-se aquecimento nos treinos e provas de Orientação? A sua estrutura será diferente nos treinos e nas provas? Que exercícios de aquecimento costumas fazer? Quanto tempo gastas em média no aquecimento? Participe, publique um comentário sumário ou envie-o por e-mail para better.orienteer@gmail.com e interaja com o blogue e os seus autores enviando também outras questões que gostaria de ver esclarecidas. O Hélder e o Emanuel agradecem toda a colaboração e estão inteiramente disponíveis para esclarecer as suas dúvidas.

[Foto gentilmente cedida por Paulo Fernandes]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

terça-feira, 22 de Novembro de 2011

OS VERDES ANOS: ANDRÉ ESTEVES




Olá!

Sou o André Esteves, frequento o 10º ano de Ciências e Tecnologias na Escola Secundária do Entroncamento (ESE), tenho 15 anos e gosto de praticar Orientação.

Orientação, uma modalidade que conheci por intermédio do meu pai que já a praticava há um ano. A minha primeira prova foi na Sertã em OPT1 (Promoção1) e ainda não federado, mas a primeira prova já federado pelo Clube de Orientação e Aventura foi em Alijó. Desde aí soube que havia um grupo de Orientação na minha Escola e decidi integrá-lo, tendo começado a aprender melhor as noções de sinalética, a ler o relevo, e outras coisas. Também foi onde eu evoluí mais e passei cada vez mais a gostar da modalidade.

Sempre que há uma prova tento ir, coisa que nem sempre dá. Para ir a mais provas tento tirar boas notas, aproveitando o tempo livre e estabelecendo algumas horas só para estudar. Vou às provas com a minha família mas as vezes vou só com os amigos. Também pratico Natação na Barquinha mas estou num grupo onde praticamos outras actividades (Polo Aquático, um pouco de Natação de Salvamento, etc).

No futuro gostava de tirar um curso de Informática, continuar a praticar Orientação e que este desporto fosse mais conhecido ou pelo menos tão conhecido como o Futebol.

André Esteves
COA – Clube de Orientação e Aventura
Fed 5055


[Foto gentilmente cedida por João Vítor Alves]


segunda-feira, 21 de Novembro de 2011

III MOri AFAP: O BALANÇO FINAL DE CARLOS GARCIA




Com uma véspera friorenta e muito chuvosa, a previsão era de que esta seria mais uma prova Local para 30 ou 40 valentes que se atreveriam a aparecer. Mas não... no dia da prova o nevoeiro visitou-nos logo de manhãzinha, o Sol acabou por aparecer a meio da manhã e o engano foi total e algo surpreendente para a organização. Das 146 inscrições registadas, o III MOri AFAP contou com mais de 130 atletas a percorrer o mapa do CFMTFA (Ota-Alenquer).

Com um traçado de percursos bastante difícil para os escalões Curto, Médio e Longo, um terreno enlameado e em certas zonas bastante “sujo”, foi notório o cansaço que todos exibiram no final da prova. Não poderão voltar a dizer que em Portugal não há provas técnicas difíceis.

Devido a problemas técnicos com o equipamento, as partidas foram atrasadas cerca de 10 minutos mas nem isso demoveu a vontade dos atletas em participar. Assim, mais de uma centena de pessoas calcorreou esta área do país efectuando um excelente treino de preparação para última prova da Taça de Portugal de 2011, a decorrer em Coruche, no próximo dia 03 de Dezembro.

Boas navegações e até à próxima deixando a promessa de que em Maio do próximo ano, no IV MOri AFAP, tentaremos fazer uma prova ainda melhor do que esta.

Carlos Garcia

Pratiquem desporto. Haja saúde.
Orientação – o desporto na floresta.



III MOri AFAP: IMPRESSÕES




Dado por concluído o III MOri AFAP, aqui ficam as opiniões de alguns dos ilustres participantes no evento. Pela sua disponibilidade e atenção a eles um agradecimento muito especial.


O III MOri AFAP foi uma boa forma de "não perder contacto com o mapa" durante um mês. Foi uma prova bastante dura, com um terreno difícil e áreas muito sujas, que acabou por ser um desafio, tanto a nível físico e técnico, como também psicológico. O meu objectivo era terminar a prova com o mínimo de erros técnicos possível e a sentir-me bem a nível físico. Não fiquei muito satisfeita com a minha prestação, já que cometi alguns erros, mas acabou por revelar-se um bom treino.
Quanto à organização, não tenho falhas a apontar. Creio que, para uma equipa organizativa tão pequena, estiveram muito bem e, acima de tudo, deram o seu melhor. Resta-me agradecer a manhã de Orientação que nos proporcionaram.
Liliana Oliveira (CPOC)


Não faltou simpatia e sol, mas eu dispensava a lotaria daquelas cruzes verdes no meio do verde. Alguns vão queixar-se de que o terreno era duro e sujo, mas isso estava dito na página da prova e correr em terrenos difíceis é uma competência que também se desenvolve. Talvez o percurso Longo das senhoras devesse ter sido um pouco mais ameno, para não se dar o caso de andarem ainda no mato quando foi feita a entrega de prémios. Daqui por seis meses, a AFAP vai estrear-se a organizar uma prova da Taça de Portugal. Não imagino se o terreno vai ser menos agressivo, mas espero que o percurso não tenha pontos de sorte.
Manuel Dias (Individual)


Numa semana de muita chuva, o S. Pedro mais uma vez mostrou a sua simpatia pela Orientação permitindo-nos uma manhã agradável e com sol. A organização está de parabéns, não só pela forma simpática com que nos recebeu mas também por nos ter proporcionado esta prova, ou treino no meu caso, de grau de dificuldade Difícil. Sim, não há dúvidas, as informações que estavam no site eram mesmo verdadeiras: "Nesta prova existirão três percursos (todos) com grau de dificuldade Difícil". Valeu o desafio e a oportunidade de treinar num terreno duro, não tanto pelo desnível mas pela vegetação. Para recordação ficam os arranhões e picos nas pernas e o bom ambiente vivido!
Alexandra Coelho (CPOC)


Em primeiro lugar vou falar da prova em si. Corri o percurso Difícil Longo e gostei do traçado, pois tornou-se bastante exigente em termos técnicos, devido à baixa visibilidade em zonas de eucaliptal jovem e também devido aos pontos que estavam um pouco escondidos. É um terreno em que para mim é muito difícil navegar de onde não consegui evidenciar a minha grande forma física que estou a atravessar, nem pôr em pratica a minha forma de orientar (azimute e curvas de nivel). As curvas de nível estavam no mapa, mas no terreno era muito difícil fazer a sua leitura devido à vegetação densa e alta. A prova acabou por correr-me mal, sem ritmo, completamente frustrado por não conseguir correr naquele piso de paus molhados, silvas e eucaliptal jovem. Também o mapa e o seu traçado se revelaram num verdadeiro quebra cabeças pois, devido à minha pouca experiência, não consigo navegar com fluidez neste tipo de terreno. Fiz um tempo bastante mau. No tocante à organização, avulta a simpatia e a humildade. Claro que em termos de organização não esteve à altura de provas da Taça de Portugal, mas também não se pode exigir mais para uma prova de cariz Local e quase informal. Apenas de realçar a “plastificação” dos mapas, já que foram utilizadas micas normais de folhas A4 e que, com a humidade e a água que estava na folhagem, alguns mapas acabaram por se desfazer, enquanro outros ficaram parcialmente danificados. Também de realçar um atraso de 10 minutos nas partidas. Mas devo realçar que a organização está de parabéns pela sua coragem e também pelo traçado do percurso que se tornou bastante exigente.
Samuel Leal (Ginásio CF)


A prova realizou-se junto à base aérea da Ota, em terrenos de eucaliptos. Uma razoável rede de caminhos ajudava a contrariar a lentidão no atravessamento dos campos e encostas de floresta, com bastante mato (por vezes alto), silvas e ramos cortados. Não raras vezes até o relevo do terreno era de difícil interpretação, dada a quantidade de vegetação presente. O percurso Longo Masculino, com 6.7 km / 260 m de desnível / 30 Pontos de controlo, foi concluído em 2h32m (2h23m no SI !!!). Na prática resultou em cerca de 12 km, mas por mais que me tenha esforçado, não consegui ficar em último! : ) Resumindo: uma boa prova de treino, apesar das contrariedades do terreno; boas condições de tempo e um bom grupo de amigos, ajudaram a passar um manhã agradável.
Paulo Fernandes (Lebres do Sado)


Penso que a organização esteve muito bem, aproveitando como apoio o espaço da Base Aérea, tendo tudo o que era necessário para uma boa prova. Em relação ao percurso, inscrevi-me na distância Longa nunca pensando que o percurso se tornasse tão difícil. A prova foi bastante exigente a nível físico, a nível técnico ainda tenho muito que aprender e atendendo à dificuldade tornou-se uma prova bem longa. Foi mais uma manhã bem passada a fazer Orientação.
Joana Moutela (Ori-Estarreja)


A AFAP proporcionou-nos uma bela jornada de Orientação nos terrenos anexos à Base Aérea.
O tempo muito mau no dia anterior, esteve bom para a prática da modalidade na manhã de sábado.
A prova desenrolou-se, essencialmente, em floresta de eucaliptos com muita lenha, vegetação rasteira de tojo, urze e por vezes silvas, o que dificultava a tarefa dos orientistas.
O mapa não foi do meu agrado, a qualidade da cópia não me parecia muito boa, por outro lado acho que ele devia ser mais bem isolado num plástico. Dado que a vegetação estava muito molhada, um colega de equipa chegou ao fim da prova com o seu mapa transformado num punhado de papel.
O traçado pareceu-me desafiante e quem ia para esta prova Local a pensar em facilidades, enganou-se. O Garcia bem avisou...
A Organização, no geral, foi boa, verificou-se um pequeno atraso de dez minutos nas partidas, mas sem consequências.
A minha prestação tinha por objectivo treinar com mapa, não pretendia obter qualquer performance, aliás no meu escalão o que faz sentido é a manutenção, objectivo que vou conseguindo passo a passo na minha idade já avançada.
José Grada (Ori-Estarreja)


A AFAP está de parabéns por nos terem proporcionado mais um agradável dia de Orientação. Tratando-se duma prova Local, penso que cumpriram no essencial sem erros de monta a apontar. Os pontos estavam todos no sítio, embora bem escondidos :-) (bem nos avisaram que era uma prova tecnicamente difícil para todos os escalões). As zonas de terreno bastante "sujo" que dificultavam a progressão foi o aspecto menos agradável. Em termos individuais, foi no geral um bom treino, tendo cometido dois erros graves, um por deficiente interpretação das curvas de nível (o fecho da curva coincidia com a bola do ponto) e outro por pura desconcentração ao enganar-me num caminho. Como ainda não publicaram os tempos parciais, aproveito para perguntar se foi esquecimento, ou se existe alguma dificuldade?
Vítor Rodrigues (CPOC)



Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO