segunda-feira, 31 de outubro de 2011

JOSÉ CARLOS PIRES E O CNA 2011: "VOLTÁMOS A ORGANIZAR DUMA FORMA SIMPLES, COM QUALIDADE TÉCNICA"




Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Federação Portuguesa de Orientação, José Carlos Pires é, reconhecidamente, um dos nossos grandes Supervisores. Foi dele essa responsabilidade neste Campeonato Nacional Absoluto de Orientação Pedestre 2011 – devidamente coadjuvado por Joaquim Costa – e é para nos falar desta sua experiência que o Orientovar foi ao seu encontro.


Orientovar – Foi complicada a missão do Supervisor neste Campeonato Nacional Absoluto?

José Carlos Pires – As complicações advém da responsabilidade inerente à importância deste tipo de prova, uma prova da Taça de Portugal e Campeonato Nacional Absoluto. Mas o Clube Ori-Estarreja soube simplificar as tarefas do Supervisor. Além disso, contei com a ajuda dum Supervisor-Assistente [Joaquim Costa], aqui no seu processo de formação e penso que desenvolvemos em conjunto um bom trabalho. Facilitado, repito, pela acção do Clube organizador.

Orientovar – Que valor acrescido é que esta prova lhe trouxe?

José Carlos Pires – Um valor muito importante. Voltámos a organizar duma forma simples, com qualidade técnica. Creio que está dado o mote para o futuro. Tivemos aqui Arenas extremamente simples mas funcionais e o enfoque principal foi dado à parte técnica. Creio que será esse o caminho nos próximos anos, porque a isso a crise o irá obrigar.

Orientovar – E a crise está instalada...

José Carlos Pires – Dizem que sim (risos). Sim, de facto está. Não podemos esconder isso, é notório. E é preocupante. Há, desde logo, o problema financeiro que afecta um conjunto alargado de famílias. Há uma retracção natural por parte das pessoas e hoje nós vemos as famílias a terem mais cuidado com determinados gastos. O nosso problema é que as provas de Orientação decorrem, dum modo geral, ao longo dum fim de semana. Para além das grandes deslocações, isto acarreta gastos acrescidos com a estadia e com a alimentação. É natural que este problema se venha a reflectir no nosso seio. Mas temos a vantagem de sermos uma modalidade singular, de sermos uma grande família e que, para além da competição, gosta de desfrutar e de conhecer sítios interessantes, sítios como estes aqui revelados ao longo dos dois dias de competição.

Orientovar – Poderemos ter de reequacionar o modelo das provas no futuro?

José Carlos Pires – Sim, desde logo devido àquilo que referi. Vamos ter de cortar nalgumas “gorduras” e vamos ter de nos concentrar no essencial. Em termos das instituições que nos apoiam, os recursos vão ter de ser canalizados para aquilo que é realmente importante. E aquilo que é realmente importante é a parte técnica. Penso que, depois do que vimos aqui, o mote está dado!


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

TIAGO AIRES E O CNA 2011: "A ORIENTAÇÃO TEM DE VIR URGENTEMENTE PARA A ZONA DE VISEU"




Foi uma luta renhida de princípio a fim. Na chegada, contas feitas, Tiago Aires sagrava-se Campeão Nacional Absoluto 2011, sucedendo a... Tiago Aires. Um “bis” particularmente saboroso e que o confirma como o grande vencedor do ranking da Taça de Portugal da presente temporada.


Orientovar - O objectivo era, claramente, a vitória...!?

Tiago Aires - Sim, mas mais importante do que a vitória, muitas vezes, é alcançarmos boas prestações. E isso eu não consegui. Já no primeiro dia não o tinha conseguido, apesar de ter feito a prova a “meio gás”, mas mesmo assim penso que, se queremos evoluir na modalidade e ser regulares, temos de ser regulares sempre, não pode ser só às vezes. E muito menos em momentos importantes.

Orientovar - Este é o final da temporada para si ou é já o começo da nova temporada que se avizinha?

Tiago Aires - O meu caso é um caso muito particular. Estive parado muito tempo, com uma anemia muito grave e apenas na última semana de Agosto comecei a treinar. O problema ainda não está totalmente debelado, agora vou fazer análises e só depois de saber os resultados é que serei aconselhado se posso voltar a treinar no duro ou não. É óbvio que tenho treinado – não vim para aqui sem treinos –, mas não tanto como gostaria.

Orientovar - Como é que viu estes mapas e terrenos, esta organização?

Tiago Aires - Eu gostaria de poder influenciar as pessoas a verem estes terrenos como eu os vi. A Orientação tem de vir urgentemente para a zona de Viseu. Viseu tem de ser o centro de qualidade dos eventos de Orientação a nível nacional. Temos aqui um clube como o Clube de Orientação de Viseu – Natura, um clube com uma dinâmica surpreendente e no qual praticamente ninguém repara, um clube que fez parceria aqui com o Ori-Estarreja, vai manter essa parceria também no Portugal O' Meeting e é um clube que tem um potencial de terrenos incrível, muitos deles tão bons ou melhores do que estes.

Orientovar - Perspectiva-se, portanto, um Portugal O' Meeting de excelência...

Tiago Aires - Espero que sim, embora em relação ao Portugal O' Meeting eu não seja a pessoa indicada para falar, visto assinar alguns mapas. Mas aquilo que importa vincar é que, durante grande parte do ano, quer com estágios, quer com provas, a Orientação tem de se instalar aqui. E depois ter uma organização que permita o espectáculo, que permita uma Arena, um ponto de espectadores, porque só assim nós atletas podemos evoluir e termos jovens a mostrar todo o seu potencial como o fizeram aqui. Há sempre coisas a melhorar no aspecto logísitico, nomeadamente as sinalizações, mas naquilo que é importante, no que concerne à competição, aos mapas, aos percursos, aos locais escolhidos e ao espectáculo inerente à Arena, aí não há praticamente nada a apontar. Agora, se tivermos provas medianas – para não dizer más! - como tivemos ao longo da época, é difícil evoluir.


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

domingo, 30 de outubro de 2011

PATRICIA CASALINHO E O CNA 2011: "ACHO QUE REALMENTE DEVERIA HAVER MAIS PROVAS NESTE TIPO DE TERRENOS"




Depois duma época feita de altos e baixos, marcada por uma arreliadora lesão que a impediu de estar ao seu melhor, Patrícia Casalinho surpreendeu tudo e todos ao conquistar um brilhante segundo no Campeonato Nacional Absoluto 2011, cuja final teve lugar esta manhã em Vouzela. Mas ouçamos as suas impressões.


Orientovar - Como é que viu este seu título de vice-campeã nacional absoluta?

Patricia Casalinho - Não estava nada à espera. Estive lesionada durante muito tempo e só comecei realmente a treinar há cerca de duas semanas. Sabia que o terreno, se fosse muito exigente do ponto de vista física, me colocaria em desvantagem relativamente às minhas colegas, daí que o resultado me tenha surpreendido. Mas o mapa desta final era muito bom, o percurso estava muito bem traçado - acho que realmente deveria haver mais provas neste tipo de terrenos – e acabei por conseguir um bom resultado porque tecnicamente não falhei muito.

Orientovar - Subentende-se que não gostou tanto do mapa de ontem.

Patricia Casalinho - O mapa de ontem, realmente, não me agradou tanto. Mas também era um mapa de apuramento, o traçado de percursos não me agradou, o nosso percurso era seguir caminhos a fugir dos verdes, mas hoje, no final, estão realmente de parabéns.

Orientovar - Como vai ser a Patrícia Casalinho em 2012?

Patricia Casalinho - Espero que bem melhor que esta época. Esta época não me correu particularmente bem devido à minha lesão, estive muito tempo sem saber o que tinha. Se treinava uma semana, na semana seguinte já não dava. Mas parece estar tudo resolvido, estou a começar a preparar já a próxima época, espero conseguir melhores resultados e... veremos.


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

MANUEL HORTA E O CNA 2011: "FOI EMOCIONANTE, FOI UMA LUTA AO SEGUNDO"




Se Tiago Aires e Raquel Costa tingiram de grená o lugar mais alto dos pódios do Campeonato Nacional Absoluto 2011, Manuel Horta foi um brilhante Vice-Campeão, elevando a um expoente de grandeza superior o emblema do gafanhoto. É ele que nos fala do seu segundo lugar, um segundo lugar que até nem o surpreendeu.


Orientovar - Este segundo lugar estava nas suas expectativas?

Manuel Horta - Sim. Tinha como objectivo alcançar um bom resultado, tendo em conta que ando a correr bem para esta altura da época, uma vez que alguns dos meus adversários já fizeram a pausa e eu só agora vou descansar. Assim sendo, estando eu em forma e sendo este um terreno bastante técnico, tinha boas expectativas.

Orientovar - Confirmadas, portanto. E sobre a organização, quais as suas impressões?

Manuel Horta - A organização foi boa e o terreno foi bem escolhido. Acho que é a primeira vez em Portugal que faço uma prova numa zona de serra como esta com tanta floresta. Geralmente são áreas muito abertas, mas eles realmente conseguiram encontrar uma área que cobria praticamente a prova toda em floresta. A corrida era rápida mas tinha muitos elementos rochosos, o que tornava o mapa bastante técnico.

Orientovar - E com muita emoção à mistura...

Manuel Horta - Sim, sim, foi emocionante, foi uma luta ao segundo. Passar no ponto de espectadores e ouvir que estava tão perto dos meus adversários, até me fez errar um bocado, acho eu. Foi entusiasmo a mais.

Orientovar - Vai fazer agora a sua pausa. Que Manuel Horta teremos em 2012?

Manuel Horta - Um Manuel Horta forte, espero eu. Faço uma pausa de quinze dias mas depois, como não temos grandes eventos até ao POM, tenho mais que tempo para estar em forma.


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

MARIA JOÃO SÁ E O CNA 2011: "ACHO QUE TODAS AS PESSOAS DEVIAM PÔR OS OLHOS NISTO"




Campeã Nacional Absoluta em 2003/2004, na segunda edição da prova, Maria Sá é hoje, a par de Raquel Costa e Marco Póvoa, a atleta com maior número de títulos nesta competição. O objectivo na presente edição era a vitória, mas a atleta acabou por não ir além do terceiro lugar. São dela as palavras que seguem, recolhidas no calor duma acolhedora Arena, esta manhã, em Vouzela.


Orientovar - Imagino que o objectivo passava por revalidar o título nacional absoluto. Não foi possível porquê?

Maria Sá – Sim, esse era o objectivo. Honestamente, esta é uma altura da época em que estou muito, muito cansada. Estou exausta. Acho que posso dizer que estou num “burn out” da Orientação. Estou a competir desde Janeiro, foram os Nacionais, foi a preparação para o Mundial e foi manter até à última, até esta prova. Se calhar não fiz uma boa gestão da minha época, chego ao fim muito cansada da competição e estou muito feliz que tenha acabado, apesar do resultado não ser o melhor. Mas finalmente vou poder descansar e treinar sem pressões.

Orientovar - Como decorreu esta sua prova?

Maria Sá – Fiquei muito desiludida porque logo no início sabia que tinha uma adversária directa a sair atrás de mim e que me apanhou. Acabámos por fazer uma prova muito táctica, primeira as duas juntas e depois com a Mariana Moreira e isso acaba por enviesar um bocadinho a forma como a prova decorre. Em muitas situações teria agido duma forma diferente, mas em conjunto as coisas acabam por acontecer de outra forma, nem sempre a melhor, e não sei até que ponto isso não desvirtua até o próprio resultado. Mas a prova é mesmo assim e temos que saber lidar com isso. Eu não fui capaz e acabei por ficar no terceiro lugar.

Orientovar - Quanto aos mapas e terrenos e quanto à própria organização, que balanço faz?

Maria Sá – A organização está de parabéns. Teve uma logística fantástica, conseguiram num pequeno espaço montar uma Arena espectacular, com ponto de espectadores, speaker, música, apesar dum staff reduzido. Acho que todas as pessoas deviam pôr os olhos nisto, aprender e saber que é assim que deve ser feito. Sempre! Só assim é que vamos ter espectadores na Orientação. Quanto aos mapas, gostei muito. Pessoalmente, gostei mais do mapa do primeiro dia. Este mapa da final, apesar de ser mais interessante, tinha um percurso com demasiados pontos e sempre com as mesmas passagens para os pontos. Embora o terreno fosse mais bonito e de mais fácil progressão, o traçado de percursos era menos interessante. Ontem o traçado era mais exigente e tinha pernadas longas. Penso que a falha de hoje foi não ter uma pernada longa, o que não dá margem para dispersão quando os atletas se agregam. É impossível fugir a alguém quando as pernadas são tão curtas.

Orientovar - Que Maria Sá vamos ter na próxima temporada?

Maria Sá – Não sei... não sei...


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

LUÍS SILVA E O CNA 2011: "O QUARTO LUGAR É FANTÁSTICO"




Vencedor incontestado do ranking da Taça de Portugal 2009/2010 no escalão H17, Luís Silva deu o salto esta temporada para o escalão H20, onde tem mantido com Rafael Miguel uma acesa luta pela vitória. O seu título de Vice-Campeão do Mundo de Distância Longa ISF, alcançado em 23 de Maio em Val Canali (Itália), ficará seguramente como o momento alto da época. Mas o quarto lugar dos Nacionais Absolutos de S. Pedro do Sul e Vouzela não deixa de ser surpreendente e figurará, igualmente, em lugar de destaque na galeria de grandes resultados conquistados pelo jovem atleta na presente temporada.


Orientovar - Referiu recentemente no seu blog que este Campeonato Nacional Absoluto 2011 não marcava, em termos pessoais, o fim da temporada, antes era o início duma nova época. Quer explicar?

Luís Silva - Considero que dei por terminada a minha época há cerca de dois meses e meio. Embora o calendário de provas se tenha adaptado agora ao ano civil, eu decidi não alterar o meu plano, que vai de Setembro a Julho. Neste início de época, como o número de provas é relativamente baixo, tracei para esta prova um objectivo a curto prazo, como forma de me testar e tentar perceber a minha evolução e o momento actual.

Orientovar - Estava à espera dum quarto lugar nos Campeonatos?

Luís Silva - Preparei-me para esta prova ao longo dum mês e meio. Senti que estava bem e sabia que poderia fazer algo de bom aqui. Ontem, no apuramento, apesar duma prova não isenta de erros, consegui cumprir o primeiro objectivo que era alcançar um bom resultado para poder partir no fim. Mas hoje queria mesmo que tudo corresse realmente bem e essa ansiedade fez com que não entrasse bem no mapa. Comecei logo por perder algum tempo no início e depois também durante a prova; mas tal como eu perdi, também os meus adversários perderam. Por isso é justo. O quarto lugar é fantástico porque eu ainda sou Juvenil, ainda estou a acabar a minha época de Juvenil e este resultado constitui uma motivação muito importante para o futuro, para toda a época que irá começar, para os Campeonatos da Europa e do Mundo que vêm aí.

Orientovar - Qual a sua opinião sobre estes mapas, estes percursos, os terrenos, a organização...?

Luís Silva - Começando pela organização, não foi nada que já não estivesse à espera e vai ao encontro daquilo a que o Ori-Estarreja nos habituou. Estas organizações do Ori-Estarreja têm sempre muito profissionalismo e isso ficou uma vez mais demonstrado na qualidade das Arenas, com um speaker excelente – porque o Bruno Nazário é um grande speaker! – e tudo o mais muito bem organizado. Quanto à parte técnica, este tipo de mapas não se encontra com frequência em Portugal. Estamos habituados a mapas mais limpos, mais abertos e não tão desnivelados e, por tudo isso, estes mapas constituíram uma agradável surpresa, apesar do terreno ser algo sujo e duro. Já ouvi muitos comentários negativos mas, pessoalmente, estou muito reconhecido ao Ori-Estarreja por nos ter brindado com estes mapas. Lá fora não encontramos mapas como há no Alentejo e como há em Leiria. Isto é aquilo que precisamos.


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

CAMPEONATO NACIONAL ABSOLUTO DE ORIENTAÇÃO PEDESTRE 2011: SUBSÍDIOS FOTOGRÁFICOS PARA A HISTÓRIA DO EVENTO



Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

CAMPEONATO NACIONAL ABSOLUTO DE ORIENTAÇÃO PEDESTRE 2011: DO "BIS" DE TIAGO AIRES AO "TETRA" DE RAQUEL COSTA




Teríamos de recuar a 2004/2005 e à terceira edição do Campeonato Nacional Absoluto para vermos um mesmo emblema na posse dos títulos masculino e feminino. Seis anos depois, o Clube de Orientação da Gafanhoeira – Arraiolos repete a proeza, graças às excelentes prestações de Tiago Aires e Raquel Costa, brilhantes vencedores duma edição que teve seu epílogo em Vouzela, nesta amena manhã de domingo.


Conhecida dos amantes do Pedestrianismo puro e duro, a Penoita – um dos oito percursos de Pequena Rota do concelho de Vouzela – volta a estar na ribalta pelas mais nobres razões. Ali, Alexandre Reis e Valdemar Sendim desenharam, em Julho deste ano, um singelo mapa sobre uma área de 1,4 km2, ao longo duma mancha de floresta particularmente bela e bem preservada. Ali, Nuno Leite traçou os percursos desta que viria a ser a grande final da nona edição dos Campeonatos Nacionais Absolutos de Orientação Pedestre 2011. Ali, o Clube Ori-Estarreja, devidamente apoiado pelo Clube de Orientação de Visu – Natura, soube proporcionar um dos mais belos momentos de Orientação da temporada que está prestes a findar, oferecendo o calor e a simpatia dum grupo laborioso e abnegado que faz do bem receber o seu maior ponto de honra.

Foi num ambiente magnífico de média montanha, a dois passos do Caramulo e com os contrafortes da Estrela a desenharem-se no horizonte, que 60 atletas masculinos e 29 femininos se lançaram manhã cedo à conquista dos títulos nacionais absolutos de Orientação Pedestre 2011. O mapa revelou-se precioso e o terreno, ainda que desnivelado q.b., ofereceu-se por inteiro na sua deliciosa mescla de cores outonais, proporcionando um prazer redobrado a todos quantos tiveram o privilégio de o conhecer, percorrer e desfrutar.


Luís Silva, um grande resultado

Rijamente disputada, a prova masculina viria a decidir-se ao segundo, com Tiago Aires (GafanhOri) a ser o mais forte e a levar de vencida o título nacional pela segunda vez consecutiva. O atleta da turma arraiolense necessitou de 33:41 para cumprir os 4,5 km do seu percurso (19 pontos de controlo, 250 metros de desnível), deixando atrás de si, a 18 segundos de diferença, o seu companheiro de equipa Manuel Horta. Merece uma referência especial a 4ª posição alcançada por Luís Silva (ADFA), sobretudo por se tratar duma das mais jovens promessas da nossa Orientação Pedestre e ainda em idade de Juvenil.

Após dois anos de “jejum”, Raquel Costa (GafanhOri) reconquistou o título nacional absoluto de Orientação Pedestre no sector feminino. A atleta do GafanhOri foi, a par de Marco Póvoa, a primeira Campeã Nacional Absoluta, na já distante época de 2002/2003. Viria a repetir o feito em 2006/2007 e em 2007/2008, alcançando agora o título pela quarta vez e igualando a sua antecessora, Maria Sá, em número de títulos conquistados (Lídia Magalhães, na época de 2004/2005, é uma ilustre “intrusa” neste particular jogo a duas mãos). Raquel Costa cumpriu os 3,6 km do seu percurso (19 pontos, 195 metros de desnível) em 35:54, impondo-se a Patrícia Casalinho (COC) e a Maria Sá (GD4C) por confortáveis margens de 1:09 e 1:55, respectivamente.


Resultados

Final Masculina
1º Tiago Aires (GafanhOri) 33:41
2º Manuel Horta (GafanhOri) 33:59
3º Tiago Romão (ADFA) 34:08
4º Luís Silva (ADFA) 35:34
5º João Mega Figueiredo (CN Alvito) 36:47
6º André Ramos (COC) 37:37
7º Jorge Correia (ADFA) 37:38
8º Celso Moiteiro (COC) 38:04
9º David Sayanda (GafanhOri) 38:19
10º Armando Santos Sousa (ADFA) 39:49

Final Feminina
1º Raquel Costa (GafanhOri) 35:54
2º Patrícia Casalinho (COC) 37:03
3º Maria Sá (GD4C) 37:49
4º Joana Costa (GD4C) 38:12
5º Catarina Ruivo (COC) 38:53
6º Rita Rodrigues (GafanhOri) 38:58
7º Vera Alvarez (CPOC) 39:00
8º Susana Alves (GD4C) 39:28
9º Mariana Moreira (CPOC) 40:23
10º Andreia Silva (COC) 40:51



Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

sábado, 29 de outubro de 2011

CAMPEONATO NACIONAL ABSOLUTO DE ORIENTAÇÃO PEDESTRE 2011: PROVA DE APURAMENTO CUMPRIU-SE ESTA MANHÃ




Numa prova de Distância Média desafiante e muito desgastante, Joaquim Sousa e Raquel Costa estabeleceram os melhores tempos do apuramento do Campeonato Nacional Absoluto de Orientação Pedestre 2011, que teve lugar esta manhã no mapa de Pinho, em S. Pedro do Sul.


O Campeonato Nacional Absoluto de Orientação Pedestre 2011 conheceu esta manhã o seu arranque com a disputa do Apuramento. No rude e desnivelado mapa de Pinho, perto de três centenas de atletas dos escalões H/D17 em diante lutaram por um lugar na grande final A de amanhã, cujo bilhetinho ficou na posse de 60 atletas masculinos e 29 atletas femininos.

No sector masculino, Joaquim Sousa (COC) foi o mais rápido, concluindo a sua prova no tempo de 37:11. Manuel Horta (GafanhOri) e Tiago Romão (ADFA) alcançaram as posições imediatas, a 0:41 e 1:28 do vencedor, respectivamente. O tempo de Joaquim Sousa colocou a fasquia do apuramento em 1:01:58, tempo logrado por 69 atletas. Entre os 60 apurados, contam-se 16 atletas do escalão de Elite – de fora ficou Gildo Silva (COC), naquela que será, porventura, a maior surpresa da jornada. Diogo Barradas (CPOC), Sérgio Duarte (.COM) e Miguel Ferreira (ADFA) serão os lídimos representantes do escalão H17 na final de amanhã, enquanto no extremo oposto, José Fernandes (.COM) e Albano João (COC), ambos do escalão H50, serão os atletas, digamos, menos novos em prova. O prémio do azar vai direitinho para Rui Ferreira (AD Cabroelo), que falhou o apuramento por escassos 4 segundos, em favor do seu colega de equipa, Licício Ferreira, 60º classificado com o tempo de 58:26.

Quanto ao sector feminino, Raquel Costa (GafanhOri) foi mesmo a mais rápida com o tempo de 33:28, relegando para as posições imediatas Maria Sá (GD4C) e Mariana Moreira (CPOC), que gastaram mais 0:40 e 1:08 que a vencedora. Em função do registo alcançado por Raquel Costa, fixado que foi o tempo limite de 55:46 como condição necessária e suficiente para o Apuramento, verifica-se que o número de atletas que amanhã correrão a final não vai além das 29. Oito dos dez melhores tempos ficaram na posse de atletas do escalão de Elite, cabendo a Rita Rodrigues (GafanhOri) e Carolina Delgado (GD4C) - a primeira do escalão D20, a segunda do escalão D17 – o papel de “intrusas”. Susana Pontes (CPOC), Lídia Santana (CAOS), Maria Amador (ATV), todas do escalão D35, Anabela Vieito (COC), do escalão D40 e Luísa Mateus (COC), do escalão D45, carimbaram igualmente o passaporte para a final e serão as únicas veteranas em prova. Com o tempo de 56:48, Rita Madaleno (ADFA) foi a primeira atleta a ficar de fora do apuramento para a Final.

Apurados

Masculinos
1º [HE] Joaquim Sousa (COC) 37:11
2º [HE] Manuel Horta (GafanhOri) 37:52
3º [HE] Tiago Romão (ADFA) 38:39
4º [HE] Tiago Aires (GafanhOri) 38:48
5º [HE] Pedro Nogueira (ADFA) 3:01
6º [H20] Luís Silva (ADFA) 39:20
7º [H21A] Celso Moiteiro (COC) 40:03
8º [H35] Jorge Correia (ADFA) 40:17
9º [HE] André Ramos (COC) 40:23
10º [H20] João Mega Figueiredo (CN Alvito) 41:08
11º [H45] Daniel Pires (ADFA) 42:47
12º [H40] Armando Santos Sousa (ADFA) 42:56
13º [H20] Fábio Silva (ADFA) 43:21
14º [H20] Alfredo Gualdino (COAC) 43:42
15º [H20] David Sayanda (GafanhOri) 43:55
16º [H40] Jorge Oliveira (COC) 44:46
17º [H35] João Pedro Valente (CPOC) 44:48
18º [HE] Paulo Franco (COC) 44:52
19º [H21A] Jorge Marques (GD4C) 45:16
20º [H45] Manuel Luís (CP Armada) 45:27
21º [HE] Luís Leite (GD4C) 45:57
22º [H35] Ricardo Oliveira (COC) 46:21
23º [H40] Domingos Nunes (Amigos da Montanha) 46:42
24º [H20] Hélder Marcolino (GD4C) 46:53
25º [H20] Ricardo Reis (ADFA) 46:54
26º [H21A] Daniel Ferreira (AD Cabroelo) 47:05
27º [H45] Mário Duarte (ADFA) 47:31
28º [HE] Nélson Santos (COC) 48:39
29º [H21A] José Pereira (CP Armada) 48:54
30º [HE] Filipe Farinha (CPOC) 49:03
31º [H21A] Paulo Santos (ADFA) 49:19
32º [H45] Sérgio Santos (ADFA) 49:42
33º [H50] José Fernandes (.COM) 49:51
34º [HE] Marco Póvoa (ADFA) 50:12
35º [H35] Nuno Ferreira (CPOC) 50:25
36º [HE] Tiago Gingão Leal (GafanhOri) 51:31
37º [H40] Rui Ferreira (OriMarão) 52:01
38º [H40] José Bernardo (COC) 52:06
39º [H21A] Miguel Gualdino (COAC) 52:18
40º [H50] Albano João (COC) 52:41
41º [H21A] Arnaldo Mendes (Ginásio CF) 53:00
42º [HE] Davide Machado (.COM) 53:01
43º [H45] Carlos Garcia (AFAP) 53:20
44º [H35] Alberto Branco (CP Armada) 53:55
45º [H35] Cesário Ferreira (AD Cabroelo) 54:00
46º [H17] Diogo Barradas (CPOC) 54:41
47º [H21A] Luís Gonçalves (CPOC) 54:48
48º [H21A] Pedro Pereira (ADFA) 55:09
49º [H21A] Tiago Lopes (CAOS) 55:16
50º [H40] Rui Botão (CPOC) 55:19
51º [H45] Jerónimo Reto (GafanhOri) 56:07
52º [HE] Nuno Evangelista (20 Km Almeirim) 56:17
53º [H45] António Ferreira (AD Cabroelo) 56:22
54º [H17] Sérgio Duarte (.COM) 57:02
55º [H21A] Luís Barreiro (NADA) 57:06
56º [H21A] André Mora (Ginásio CF) 57:27
57º [HE] Filipe Dias (CPOC) 57:40
58º [H17] Miguel Ferreira (ADFA) 58:13
59º [HE] Grigas Piteira (GafanhOri) 58:17
60º [H40] Licínio Ferreira (AD Cabroelo) 58:26

Femininos
1º [DE] Raquel Costa (GafanhOri) 33:28
2º [DE] Maria Sá (GD4C) 34:08
3º [DE] Mariana Moreira (CPOC) 34:36
4º [DE] Lídia Magalhães (ADFA) 35:25
5º [DE] Joana Costa (GD4C) 36:09
6º [DE] Patrícia Casalinho (COC) 36:33
7º [DE] Catarina Ruivo (COC) 36:48
8º [D20] Rita Rodrigues (GafanhOri) 36:56
9º [DE] Adelindina Lopes (COA) 37:24
10º [D17] Carolina Delgado (GD4C) 37:38
11º [D20] Vera Alvarez (CPOC) 38:00
12º [DE] Andreia Silva (COC) 39:18
13º [D35] Susana Pontes (CPOC) 39:20
14º [DE] Lena Coradinho (GafanhOri) 40:48
15º [D20] Susana Alves (GD4C) 41:15
16º [D17] Beatriz Moreira (CPOC) 42:25
17º [DE] Isabel Sá (GD4C) 46:19
18º [D17] Inês Domingues (COC) 46:53
19º [DE] Céu Costa (GD4C) 47:49
20º [DE] Tânia Covas Costa (.COM) 47:49
21º [D35] Lídia Santana (CAOS) 48:01
22º [D21A] Liliana Oliveira (CPOC) 48:03
23º [D17] Ana Anjos (GafanhOri) 48:16
25º [D35] Maria Amador (ATV) 48:47
25º [D40] Anabela Vieito (COC) 51:09
26º [D21A] Marta Fonseca (ADFA) 51:20
27º [D45] Luísa Mateus (COC) 51:48
28º [D21A] Fátima Saraiva (DA Recardães) 53:20
29º [D21A] Isabel Bonifácio (GD4C) 54:56



Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

MARCO SILVA: "ACREDITO QUE A ORIENTAÇÃO ME CAIU QUE NEM UMA LUVA"




No passado dia 31 de Julho, Marco Silva apresentava no Auditório da Reitoria da Universidade Federal de Rio Grande do Sul, em Porto Alegre (Brasil), o seu trabalho de conclusão de curso com a temática voltada para a conceituação, histórico e proposta pedagógica da Orientação para o currículo escolar. É ao encontro deste e outros assuntos que o Orientovar chama hoje mais uma nóvel figura da Orientação no país irmão ao já habitual Espaço Brasil.


Marco Antonio Ferreira da Silva, nasceu em 23 de Maio de 1971, em Valença, a “Cidade da Leitura”, município brasileiro localizado na região Sudeste do Brasil e na região noroeste do estado do Rio de Janeiro. Militar do Exército Brasileiro, o Professor Marco Silva vive actualmente em Porto Alegre, tendo visitado Portugal no ano de 2008, quando aqui se deslocou, juntamente com a família, para participar nas competições do Campeonato Mundial de Orientação de Veteranos – WMOC 2008.

O primeiro contacto com a Orientação ocorreu no ano de 1990, quando prestava Serviço Militar obrigatório no Exército Brasileiro, e nunca mais parou. No ano de 1992 após ser aprovado na tradicional Escola de Sargento das Armas – ESA, passou a compor a equipe de Orientação do Curso de Cavalaria, neste ano não participou de muitas competições, pois o objetivo principal da escola não é a formação de atletas e sim de sargentos. O “boom” de participações em provas de Orientação deu-se na segunda metade da década de 90, quando as competições se intensificaram devido a criação de algumas Federações Estaduais e da Confederação Brasileira de Orientação, na qual se filiou com o número 310.


Incansável!

A partir do ano de 2006 iniciou uma jornada para uma maior habilitação na modalidade e realizou, entre outros, os cursos de Cartógrafo Nível 1, Técnico de Orientação, Introdução à Gestão de Clubes, Traçador de Pecursos, Supervisor de Orientação e Instrutor de Orientação de Precisão. Participou também nos Cursos IOF Foot-O Event Adviser e Clinic Pan-Americano de Orientação. Durante o ano de 2009 ministrou instrução e treino para o seguimento feminino militar da 3ª Região Militar do Exército Brasileiro.

Em 2010 organizou “Caminhadas Orientadas”, nas quais alunos de academias aprenderam noções básicas da Orientação e em 2010 e 2011 ministrou cursos de iniciação à Orientação, devidamente autorizados pela Confederação Brasileira de Orientação, inclusive para uma turma de 18 alunos portadores de surdez. Desde 2007 encontra-se à frente do Clube de Orientação Rumo Verde realizando eventos na cidade de Porto Alegre. Devido ao volume de trabalhos acadêmicos esteve afastado das competições. Atualmente Marco Silva compete na categoria H21A.


Educação, humildade, iniciativa, coragem, gratidão, serenidade

Em 2010 realizou estágio obrigatório para a graduação em Educação Física, onde utilizou a Orientação como ferramenta pedagógica para ensino. No passado dia 31 de Julho, Marco Silva apresentava no Auditório da Reitoria da Universidade Federal de Rio Grande do Sul, em Porto Alegre (Brasil), o seu trabalho de conclusão de curso com a temática voltada para a conceituação, histórico e proposta pedagógica da Orientação para o currículo escolar [ver Monografia AQUI]

Para além da Orientação, Marco Silva gosta de ler, de correr e é um amante do fisiculturismo. As qualidades humanas que mais admira e sempre se esforça para evoluir em si mesmo são: educação, humildade, iniciativa, coragem, gratidão, serenidade. Já aquelas que acredita serem as propagadoras dos problemas sociais são justamente a falta de educação, a soberba, a falta de iniciativa, a covardia, a ingratidão e a impaciência. É com ele que conversamos hoje.


Sempre gostei de desafios

Orientovar - No início da sua Monografia, é interessante vê-lo agradecer “a sorte de ter conhecido a Orientação há mais de vinte anos atrás”. Começaria precisamente por lhe perguntar se ainda se recorda de quando e como foi esse primeiro contacto com a Orientação? O que é que de tão vivo o prendeu desde logo - e prende, ainda! - a este desporto?

Marco Silva - Sim, recordo-me como se tivesse sido ontem. Foi em 1990, quando eu estava no meu ano de Serviço Militar obrigatório e realizei meu primeiro percurso obtendo o segundo lugar. Eu diria, com certeza, que a boa performance logo de início contribuiu bastante para me apaixonar pela modalidade já que tendemos a gostar daquilo que fazemos bem, mas se tivesse sido apenas isso, muito provavelmente não teria continuado com a Orientação por tantos anos.

Eu desde sempre gostei de corrida - até nisso temos um ponto a favor no nosso desporto -, eu também sempre gostei de desafios que envolvessem a utilização do raciocínio na resolução de problemas contra o tempo - mais um ponto para a Orientação - e por fim, este aspecto eu fui percebendo com o passar dos anos, apesar de gostar e praticar desportos colectivos como o Voleibol, sempre me adaptei melhor a desportos individuais. Então, acredito que a Orientação me caiu que nem uma luva: físico, mente, desafio e adaptação. Além disso, existem vários outros motivos que citei nos agradecimentos do meu trabalho e que são: as viagens, o conhecimento de novas culturas, o trato com novas pessoas, o trabalho com populações especiais, novas amizades e muitos outros.


Na Orientação eu encontrei o que procurava

Orientovar - De que forma é que, ao longo dos anos, foi evoluindo a sua relação com a modalidade?

Marco Silva - Antes de conhecer a Orientação, passei por muitos desportos: Futebol, Atletismo, Voleibol, BTT e outros e depois que conheci a modalidade, eu praticava e ainda hoje pratico outros desportos, mas um factor que sempre me seduziu foi o de realizar actividades diferentes daquelas que geralmente são muito massificadas pela mídia e que assim o são na maioria das vezes por interesses financeiros. E na Orientação eu encontrei o que procurava e ao longo dos anos, com a Orientação evoluindo no Brasil, eu passei a interessar-me cada vez mais pela modalidade.

A partir da segunda metade da década de 2000 comecei a ter maiores oportunidades de aprendizagem na modalidade e a minha relação com a Orientação foi aumentando cada vez mais. Isso acaba por se reflectir nos momentos em que passo um pouco dessa minha experiência para as pessoas, estas vêem a minha paixão e interessam-se mais pela modalidade.


Ainda que possamos ter os mesmos objectivos, praticamente todos tomamos decisões de formas bastante diversas

Orientovar - Achei curiosa a fórmula encontrada para definir a Orientação: “Um jogo de guerra em espaço real”. Este enunciado tem a ver sobretudo com o conceito de estratégia inerente à Orientação ou há outros aspectos que lhe são subjacentes?

Marco Silva - Sim, o conceito de estratégia da Orientação está associado à expressão em destaque encontrada, mas também como é visto no mesmo parágrafo do enunciado, existem outros aspectos sim e o que eu destacaria é o de que o praticante para atingir os seus objectivos e encontrar os pontos de controlo no menor tempo, não tem que seguir um trilho para chegar lá, ele constrói a sua rota, é dono das suas decisões e aprende que estas decisões tem consequências que ditarão o brilhantismo ou não de seu futuro.

Além disso, com o passar do tempo vai se aprendendo – por analogia com a busca dos pontos de controlo – um pouco sobre a complexidade das relações humanas onde, ainda que possamos ter os mesmos objectivos, praticamente todos tomamos decisões de formas bastante diversas. Isto fica claro para nós quando estamos naquelas nossas conversas após a competição de “como e por quais caminhos utilizamos para realizar o nosso percurso” ou visualmente através das opções tomadas que baixamos do GPS sobre o mapa utilizado em softwares especializados.


Associar a Orientação às suas possibilidades pedagógicas

Orientovar - Propor a inserção da Orientação no currículo escolar é, grosso modo, a essência do seu trabalho. Porquê basear a sua Monografia neste tema?

Marco Silva - Muitos foram os motivos que me levaram à escolha deste tema e aqui elenco dois deles: o primeiro foi que desde que tomei conhecimento de que teria de realizar um trabalho para a conclusão de curso de Educação Física, comecei a pensar em escrever algo sobre a Orientação, desporto que adoro desde que o conheci, mas até então achava que meu trabalho teria de ser uma pesquisa sob o foco da fisiologia ou da biomecânica por exemplo. Com o avançar do curso (longos anos) comecei a tomar maior contacto com a prática do ensino através das disciplinas, dos estágios e eventuais aulas da universidade em escolas do ensino fundamental ou na própria universidade. Este facto começou a “despertar-me” para as deficiências do sistema de ensino que eu absorvia apenas de forma teórica nas aulas, deficiências como a limitação do repertório desportivo e educacional ministrado aos alunos no currículo escolar ao que no meio académico costumamos apelidar de “quadribol”, ou seja, aulas de Educação Física apenas com Futebol, Voleibol, Andebol e Basquetebol. Quero deixar bem claro neste ponto, principalmente como profissional de Educação Física, que não tenho nada contra estas modalidades, pelo contrário, eu próprio as pratico e estou certo de que elas têm seus aspectos educacionais também, mas reduzir a Educação Física ao “quadribol” é muito simplista.

Outra deficiência observada por mim in loco e citada no meu trabalho, foi o de que mesmo com o movimento de cultura corporal surgido na década de 80 no Brasil que procura entender o homem como ser cultural e que tem no movimento uma forma de expressão e de aprender, não vingou efectivamente ainda devido ao sucesso do movimento anterior surgido na década de 40 voltado para desportivização da Educação Física que tinha objectivos profissionalizantes e não educacionais. Assim encontrei o segundo motivo para a realização do meu trabalho e comecei a trabalhar no sentido de associar a Orientação às suas possibilidades pedagógicas dentro da linha da educação para propor a sua inclusão como ferramenta no currículo escolar para a promoção da cultura corporal.


A Orientação simula ludicamente o nosso quotidiano

Orientovar - Dos ensinamentos significativos e relevantes para o quotidiano do aluno, percebe-se que dá um valor muito grande àquilo a que chama o “exercício da cidadania”. Neste particular aspecto, o que é que a Orientação tem de tão importante?

Marco Silva - Uma boa parte da resposta está inserida nas respostas das questões anteriores. A Orientação simula ludicamente o nosso quotidiano repleto de problemas a serem resolvidos, desafios a serem enfrentados, objectivos a serem conquistados, decisões a serem tomadas, erros, acertos e outros. Dessa forma, o praticante tem a possibilidade de treinar para a vida real em forma de jogo. O objectivo da minha proposta para a inserção da Orientação no currículo escolar tem os aspectos competitivos como secundários, sendo o aspecto pedagógico o principal.

Do meu ponto de vista o planeamento pedagógico do ensino da Orientação na escola deve observar o dialogismo onde os alunos devem passar por uma construção da aprendizagem sob o foco da cooperação e minimização do factor excludente quando visto “somente pelo foco da competição”. É lógico que o aspecto competitivo não deve ser eliminado do processo pedagógico, principalmente em sistemas capitalistas como o do Brasil, mas levar em conta “somente o aspecto competitivo” é sinónimo de preconceito e discriminação dos menos hábeis e acaba por comprometer o que eu conceituo de “desenvolvimento acertado da cidadania”.


O efeito que se tem a partir destas instituições ainda é um tanto modesto

Orientovar - Um dos aspectos que me prendeu mais a atenção no seu trabalho tem a ver com a relação que estabelece entre a Orientação e a Teoria das Inteligências Múltiplas, de Gardner. Dessas “inteligências”, qual ou quais aquelas que, no seu entender, a Orientação desenvolve particularmente?

Marco Silva - Reafirmo a colocação do parágrafo em que diz que a inteligência intrapessoal é uma das mais desenvolvidas tendo em vista que, ao realizar um percurso de Orientação, o praticante exercita vários aspectos da construção da cidadania conforme citei na resposta anterior como: decisão, coragem, medo, perseverança, erro, acerto e etc. A outra inteligência que acredito ter um grande desenvolvimento é a espacial, na qual o praticante obrigatoriamente tem que construir mentalmente todos os objectos desenhados de forma planificada no mapa, desenvolvendo a capacidade espacial e ampliando a sua imaginação.

Orientovar - Para que a Orientação possa vir a ser efectivada nas aulas de Educação Física são necessários Professores em cujos currículos universitários possa constar a Orientação. Julgo saber que esta capacitação já se faz nalgumas Universidades, nomeadamente em Cascavel, Santa Maria e Rio de Janeiro. Consegue perceber que efeito é que isto vem tendo na prática e que crescimento se assiste no ensino da Orientação às crianças em idade escolar?

Marco Silva - Eu diria que o efeito que se tem a partir destas instituições ainda é um tanto modesto, mas em escala de ascensão bastante acelerada. Na prática os académicos e professores recém-graduados em instituições possuidoras da disciplina Orientação já percebem a importância da grande ferramenta de que se apropriam para auxiliar na formação do cidadão e passam a utilizá-la. Deste modo, contribuem para a luta contra àquela visão desportivista e profissionalizante da Educação Física em favor da visão pedagógica.


Orientação nas Escolas

Orientovar - Entre os cerca de 11.000 atletas federados existentes no Brasil, tem alguma ideia de quantos deles são Professores de Educação Física e se desenvolvem a Orientação junto dos seus alunos?

Marco Silva - Antes de qualquer coisa, cabe aqui ressaltar o desenvolvimento da Orientação no Brasil que ao término de meus trabalhos monográficos – pouco mais de 6 meses – segundo dados da Confederação Brasileira de Orientação – CBO, o número de atletas filiados àquela instituição era de 11.000 atletas, actualmente já são mais de 12.000 segundo a mesma fonte. Após consultar a CBO, foi verificado o número aproximado de 85 professores de Educação Física filiados na Confederação e praticamente todos, de alguma forma, fazem uso da Orientação em suas escolas, pois entram na modalidade por curiosidade e pelo factor inclusivo da mesma e acabam logo percebendo o grande potencial pedagógico e passam a utilizá-la nas suas aulas.

Orientovar - Numa relação que se pretende “de continuidade” entre o Desporto Escolar e o Desporto Federado, de que forma os Clubes e a própria Confederação Brasileira de Orientação também têm uma palavra a dizer na promoção e desenvolvimento da Orientação nas Escolas? Não se justificaria já a existência de Campeonatos Estaduais e Nacionais de Desporto Escolar no Brasil?

Marco Silva - No Brasil, conforme citado no meu trabalho, existe o “Campeonato Brasileiro Estudantil e Universitário de Orientação – CBEUO”, realizado anualmente, existem também os Campeonatos de Orientação dos Colégios Militares que vêm sendo realizados regularmente. A Confederação Brasileira de Orientação – CBO, através da sua “Política Nacional para o Desenvolvimento do Desporto Orientação – PNDO”, busca pela aplicação de seu “Projecto Escola Natureza”, incentivar e apoiar a inserção da Orientação nos currículos escolares em todos os níveis aos moldes que já ocorreram e ocorrem em várias instituições descritas no trabalho. Por sua vez, uma grande parte dos Clubes possui uma percentagem superior a 50% dos seus associados de alunos das escolas regulares e quando, por exemplo, ocorre uma competição municipal, como foi a última etapa do Campeonato Municipal de Porto Alegre – CAMOPA, organizado pelo “Rumo Verde Clube de Orientação”, uma grande parte dos participantes, senão a maioria, são estudantes.


Ferramenta pedagógica para o desenvolvimento do ser humano

Orientovar - O que espera da sua proposta em termos de resultados práticos? Quais os grandes entraves que se colocam a um projecto desta natureza?

Marco Silva - A minha proposta, fruto do meu trabalho e objectivo, é uma pequena parcela na produção de resultados, mas indispensável quando conjugada com outros projectos – que é objectivo e desejo de todos nós, disseminadores e amantes da Educação e da Orientação – e podem trazer grandes resultados não só do ponto de vista da conquista da inclusão da modalidade nos currículos escolares, mas do objectivo maior que é justamente a utilização da Orientação como ferramenta pedagógica para o desenvolvimento do ser humano.

Como grandes entraves para a efectivação da Orientação nos currículos escolares temos, por um lado, aquele aspecto já citado anteriormente sobre o movimento surgido no Brasil na década de 40 que dava prioridade à desportivização da Educação Física com objectivos profissionalizantes e que ainda sobrevive até hoje, impedindo a destituição do ensino tradicional, monológico e favorecendo a aplicação somente de desportos que “tenham algum futuro por serem amplamente divulgados pela mídia e que por consequência produzem retorno financeiro” (objectivos profissionais e de mercado), dessa forma preterindo o aspecto pedagógico. Por outro lado, temos uma “fila” imensa de desportos com os seus projectos pedagógicos, propondo suas inclusões nos currículos escolares. Cabendo assim para nós, promotores da Orientação uma construção sólida de projectos que realmente demonstrem e efectivem o grande potencial pedagógico desta modalidade.


Trazendo ao gancho a nossa modalidade

Orientovar - De que forma pretende o Professor Marco Silva fomentar a modalidade na sua Escola?

Marco Silva - Trabalho na construção de projectos a médio e longo prazo para a efectivação da Orientação no currículo escolar. Actualmente sou militar e como quase a totalidade das escolas de ensino fundamental e médio são diurnos, a minha acção efectiva como professor fica inviabilizada. Desta maneira, como me faltam alguns poucos anos para permanecer no Exército, estou-me preparando para uma especialização e um mestrado na área da Educação, mas sempre trazendo ao gancho a nossa modalidade que sem sombra de dúvida é uma excelente ferramenta, dessa forma preparando-me cada vez mais para o fomento dessa inclusão.

Actualmente também, estando à frente do Rumo Verde Clube de Orientação, sempre que as oportunidades o permitem - e volta e meia um colega solicita ajuda para ministrar a modalidade nalguma instituição -, aproveito para mostrar o potencial pedagógico interdisciplinar e transversal da Orientação, factores objectivados pelos nossos “Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN” que são referências de qualidade para o ensino fundamental e médio do Brasil e elaboradas pelo Governo Federal.






[Fotos gentilmente cedidas por Marco Silva]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

DIOGO MIGUEL: "EM NENHUM OUTRO DESPORTO A EXPERIÊNCIA É TÃO IMPORTANTE COMO NA ORIENTAÇÃO"




A República Checa é o país escolhido por dezenas de estudantes portugueses que, não conseguindo entrar em Medicina em Portugal, escolhem aquele país para tirar o Curso. Brno é um dos grandes centros universitários do país e aí se encontram várias dezenas de portugueses, formando como que uma “comunidade” em que até a tradicional Praxe tem lugar! Foi a esta comunidade que se juntou recentemente Diogo Miguel, o nosso convidado de hoje aqui no Orientovar.


Orientovar - As obrigações académicas levaram-no, prematuramente, a ter de desistir da luta pela vitória no ranking da Taça de Portugal 2011. Assim, à distância, com que expectativas irá acompanhar a realização dos Absolutos do próximo fim-de-semana?

Diogo Miguel - A Taça de Portugal não está, por norma, entre as minhas prioridades em termos competitivos. Não pretendo com isto tirar importância à competição em si, mas o meu objectivo passa por estar no meu melhor em Julho/Agosto para as grandes competições internacionais, e por isso não posso estar no meu melhor em todas as provas a contar para o ranking.

Quanto aos absolutos, espero que seja um fim-de-semana cheio de muita e boa orientação, com mapas e percursos de qualidade, e que a organização esteja, como é habitual, ao nível da importância do evento. Quanto à competição em si, estou expectante para ver como os nossos mais jovens e promissores atletas se vão portar entre a Elite, pois creio que alguns deles poderão alcançar um muito bom resultado. É também por isto que acho o campeonato nacional absoluto uma das provas mais interessantes do nosso calendário.


Um erro que não podemos cometer é dar razões aos media para que não divulguem a modalidade

Orientovar - Sente tristeza por não estar lá?

Diogo Miguel - Na verdade, mesmo que estivesse presente não iria competir, mas organizar. Ainda assim, sinto-me cheio de vontade de experimentar os mapas e os terrenos mal chegue a Portugal! E as fotos relativas ao terreno que a organização colocou na internet ainda me abrem mais o apetite..

Orientovar - Pegando nesta questão de se estar de fora, quem procura informações actualizadas sobre as provas depara-se, com inusitada frequência, com situações inacreditáveis. Numa altura em que, mais do que nunca, as preocupações da IOF se focam na tentativa de dar mais visibilidade à modalidade, que percepção tem da realidade portuguesa? Continuamos a desperdiçar oportunidade atrás de oportunidades para promover e divulgar a nossa modalidade?

Diogo Miguel - Acho que de uma maneira geral não estamos assim tão mal. Claro que, por vezes, numa ou noutra situação, as organizações acabam por descurar esta parte e por publicar os resultados e os mapas (no mínimo os dos escalões mais importantes deviam ser sempre disponibilizados no site após a prova) demasiado tarde. E os mapas raramente são publicados... Contudo, numa altura em que tanto se fala do tópico da visibilidade da modalidade, um erro que não podemos cometer é dar razões aos media para que não divulguem a modalidade. E neste campo, disponibilizar toda a informação necessária é o mínimo exigível às organizações! Mas se olharmos para outros países, como por exemplo a Espanha, podemos concluir que de uma maneira geral estamos nesta matéria muito acima deles.


A planificação desta época foi feita tendo em vista os Campeonatos do Mundo

Orientovar - Fale-me de si, Diogo, de como correu esta época, uma época que terá tido o seu ponto alto em França, com o apuramento para a Final A de Sprint.

Diogo Miguel - A planificação desta época foi feita tendo em vista os Campeonatos do Mundo. Todo o meu treino foi pensado para que eu estivesse na minha melhor forma durante essa semana. O meu objectivo principal passava pela Distância Longa, mas foi no Sprint que acabei por ser mais feliz e acabou por ser esse apuramento o momento mais alto da época, embora tenha sido desclassificado na final.

Quanto ao resto da época, foi bastante importante ter tido a oportunidade de competir nas rondas finais da Taça do Mundo. Em nenhum outro desporto a experiência é tão importante como na Orientação, e por isso estas oportunidades devem ser aproveitadas ao máximo.


A quebra no número de participantes é de facto preocupante

Orientovar - Como avalia o actual estado da Orientação portuguesa? Preocupa-o a quebra de participantes nas provas? Não teme que a criação do Circuito Nacional Urbano, de Estafetas e, eventualmente, o Circuito Nocturno, vá acentuar ainda mais o problema e criar problemas acrescidos às organizações?

Diogo Miguel - A quebra no número de participantes é de facto preocupante. Não creio que a criação de todos estes circuitos vá acentuar o problema. Na verdade, um grande número de clubes já organizava antes provas locais de Sprint e Estafetas, pelo que não vejo que enquadrar esses eventos num circuito os vá prejudicar. Acho até que é salutar a preocupação que esta direcção está a ter com este problema e o esforço que está a fazer para tentar dar a volta. Ninguém pode dizer hoje e agora que estas são as melhores medidas e que vão melhorar o actual estado das coisas, mas também ninguém pode dizer que não serão proveitosas. Cá estaremos no futuro para ver se de facto estas iniciativas foram ou não profícuas!

Orientovar - Qual o caminho a seguir para ultrapassar a crise?

Diogo Miguel - Na verdade, não sei... Os eventos, de uma maneira geral, já são bastante bem organizados, pelo que penso que não podemos pegar muito por aí. Por outro lado, muitas vezes os terrenos e percursos apresentados deixam muito a desejar, e quanto a isso penso que a federação já está a fazer algum trabalho, com todos os cursos de reciclagem de traçadores de percursos que está a promover. Acho que a qualidade dos terrenos, mapas e percursos será o que mais temos para melhorar. Quanto aos outros factores (económicos) que acabam por estar na base de todas as crises, infelizmente não há muito que possamos fazer em relação a isso!


Posso dizer que não sei o que comi em 80% das vezes que comi fora...

Orientovar – Como é que vamos encontrar o Diogo tão longe de Portugal. Porquê a República Checa?

Diogo Miguel - Eu estou neste momento no 5º ano do curso. Estava nos meus planos fazer Erasmus já há algum tempo, pois é uma experiência que ficará para sempre marcada na minha vida. A República Checa é bastante popular entre os estudantes que querem fazer Erasmus e também era a minha primeira escolha. Acabaram por abrir duas novas vagas este ano para fazer Erasmus em Brno e acabou por ser essa a minha escolha. A Universidade, chamada Masarykova University, espantou-me pela positiva. São incríveis as condições de ensino que oferece, culminando num Campus Universitário extraordinário, mais ainda se comparado às instalações de grande parte das universidades portuguesas.

Orientovar - Fale-nos desses primeiros contactos com a realidade checa?

Diogo Miguel – Estão a correr bastante bem! De uma maneira geral, os checos (principalmente os mais velhos) não são muito simpáticos, mas os mais jovens tendem a ser bastante amigáveis. A cidade é espectacular: pequena (o que permite estar perto de tudo), com bastantes espaços verdes e grandes florestas em volta, rede de transportes públicos muito evoluída, e tudo o que é preciso para ter uma excelente qualidade de vida. A Universidade também é bastante boa, e o ensino tem bastante qualidade.

As maiores dificuldades prendem-se com a língua. O checo é uma língua dificílima, e penso que nem que tivesse aulas todos os dias durante os próximos 10 anos a conseguiria aprender! Isto não seria um problema se as pessoas falassem inglês, mas na verdade ninguém por aqui fala tal coisa... Por isso todas as nossas idas às compras, ou mesmo tentar escolher um prato na cantina ou num restaurante, acabam sempre por ser uma comédia! Posso dizer que não sei o que comi em 80% das vezes que comi fora... Mas também é isso que torna tudo tão interessante.


Tenho aqui melhores condições de treino que alguma vez tive na vida

Orientovar - E no tocante à Orientação? Continua a treinar e a competir, a pensar já na temporada 2012?

Diogo Miguel - No que toca à Orientação, não poderia ter feito melhor escolha. Tenho aqui melhores condições de treino que alguma vez tive na vida. Treino com mapa praticamente todos os dias e tive a sorte de encontrar um clube (SK Žabovřesky Brno) com alguns dos melhores atletas checos – Adam Chromy. Milos Nykodým, Daniel Hajek, Katerina Chromá, Adélka Indráková e Jakub Zimmermann, entre outros - e que me recebeu muito bem. Todo o treino que faço agora tem já em vista a época de 2012, nomeadamente o WOC, e tento aproveitar a ao máximo para melhorar o mais possível a minha técnica neste tipo de terrenos.


Vou estar em Portugal a tempo do POM 2012

Orientovar - A sua estadia na República Checa prolonga-se até Fevereiro. Vai estar em Portugal a tempo do POM 2012 organizado pelo seu clube? Que POM vamos ter?

Diogo Miguel - Vou estar em Portugal a tempo do POM 2012, em que vou fazer parte da organização. Espero que este POM esteja ao nível dos últimos anos. Quanto aos terrenos, penso que terão uma qualidade bastante digna do evento em questão. Por outro lado, falei com alguns atletas de topo durante as últimas competições acerca dos seus planos para o inverno, e penso que também neste aspecto este será um POM ao nível dos anteriores pois muitos desses atletas pretendem vir competir a Portugal.

Orientovar - Como que a completar um ciclo de questões regressamos aos Absolutos, pedindo-lhe para deixar uma mensagem ou um voto relativamente à prova.

Diogo Miguel - À organização deixo votos para que tudo corra pelo melhor, e estou convencido que vai correr. Aos atletas desejo que corra tudo de acordo com as expectativas e, acima de tudo, que desfrutem dos mapas e da floresta! E que ganhe o melhor.


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO