sexta-feira, 30 de setembro de 2011

PELO BURACO DA FECHADURA: II ORI-BTT DE IDANHA-A-NOVA




Quando os ponteiros assinalarem o meio-dia de amanhã, será dada a partida para a segunda edição do Ori-BTT de Idanha-a-Nova. Venha orientar-se neste importante evento promovido pela ADFA – Associação de Deficientes das Forças Armadas e pela Câmara Municipal de Idanha-a-Nova, aqui espreitado pelo buraco da fechadura.


“O óptimo relacionamento da ADFA com o Município de Idanha-a-Nova, o impacto que estes eventos têm vindo a causar nos locais, o excelente retorno dos atletas neste I Ori-BTT de Idanha-a-Nova, associados às magnificas condições existentes para a prática da modalidade, levam-nos já a equacionar o II Ori-BTT para a próxima época.” Era com estas palavras que Alexandre Reis fazia o rescaldo da primeira edição do Ori-BTT de Idanha-a-Nova, levado a cabo em 24 e 25 de Outubro de 2009 [ver Orientovar de 26.10.2009, AQUI]. Pois bem, das palavras aos actos houve todo um longo caminho a percorrer, mas a verdade é que a ADFA soube encontrar os meios necessários para colocar de pé esta que será a penúltima prova de Taça de Portugal de Orientação em BTT 2011, para o gáudio e prazer dos amantes da velocipedia orientada.

Distribuído por duas etapas – Distância Longa no primeiro dia e Distância Média no derradeiro -, o II Ori-BTT da Idanha-a-Nova terá em Crispim Júnior o Director da prova, devidamente coadjuvado por uma vasta e abnegada equipa onde se destaca uma vez mais o nome de Alexandre Reis, na qualidade de Director Técnico da Prova e de Traçador dos Percursos. A Supervisão da prova encontra-se a cargo de Fernando Feijão.


Praticantes precisam-se!

A Taça de Portugal de Orientação em BTT 2011 caminha rapidamente para o final – depois de disputada esta prova, ficará a faltar apenas o III Ori-BTT do Ginásio – e os rankings encontram-se praticamente definidos no que aos respectivos vencedores diz respeito. Este é um dos motivos pelos quais o número de inscritos volta a ser confrangedoramente baixo, já que o número de participantes nos 17 escalões de competição não irá além dos 142 (na primeira edição, o número de participantes ultrapassou francamente as duas centenas), aos quais se juntam 12 atletas nos escalões de Promoção. Outro dos motivos será a distância que separa Idanha-a-Nova dos grandes centros, mas só pelo arejo da vista e pelo ar que se respira já valerá a pena a deslocação. Mas voltando "à vaca fria", estes são realmente índices de participação efectivamente muito baixos, ainda que em linha com o que vem acontecendo ao longo da época, onde a quebra de participação em relação à temporada anterior ronda os 26%. A aposta na Orientação em BTT com a realização de OriJovens, o aparecimento de valores de nível mundial como é o caso de Davide Machado e esse grande investimento na promoção da modalidade que foi o Campeonato do Mundo de Montalegre, no Verão de 2010, são aspectos que, pelo menos aparentemente, não estão a surtir o efeito desejado. Instalada que está uma séria crise de praticantes, as organizações não encontram a necessária compensação para um esforço cada vez maior e a modalidade vai enfrentar grandes dificuldades se não se encontrarem as necessárias medidas para inverter o rumo dos acontecimentos. Vale a pena reflectir nisto!

Quanto aos rankings de Elite, Davide Machado (.COM) e Susana Pontes (CPOC) garantiram já a vitória, pelo que a sua presença em Idanha-a-Nova é um factor de valorização do espectáculo e a afirmação do seu amor à modalidade. Em H20, Mac-Mahon Moreira (BTT Loulé/EAFIT/BPI) é igualmente o virtual vencedor do escalão mas não marcará presença nesta prova, deixando a vitória aberta a Cristiano Silva (GD4C), outra das grandes revelações da temporada. Paul Roothans (CN Alvito) é já o vencedor do escalão H17, disputando com o seu colega de equipa Hugo Palhais a vitória em Idanha. Nuno Pedro (CAOS), Roberto Ribeiro (COA) e Luísa Mateus (COC) vão querer mostrar o porquê de liderarem os respectivos rankings de H21A, H35 e D45 e são naturais candidatos à vitória neste Troféu. Mário Duarte (ADFA), em funções organizativas, Rita Gomes (BTT Loulé / EAFIT / BPI) e Armando Santos (Clube EDP) são os virtuais vencedores dos rankings nos escalões D35, H45 e H55 e ausências notadas nesta prova. Quanto a Luís Sousa (Clube TAP), virtual vencedor do escalão H50, fará uma perninha em H35 para mostrar o muito que ainda vale. Finalmente, a indecisão quanto ao vencedor promete arrastar-se até ao derradeiro segundo no disputadíssimo H40. Mário Marinheiro (CP Abrunheira) e Rui Botão (CPOC) travam um duelo cerrado pelo triunfo, com o primeiro a apresentar uma vantagem de 15 pontos exactos sobre o segundo. A diferença parece difícil de transpor, mas tudo pode acontecer.

Saiba tudo sobre o II Ori-BTT de Idanha-a-Nova em http://www.adfa-evora.com/bttidanha/home.html


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

ORIENTAÇÃO DE PRECISÃO NO BRASIL: PASSO A PASSO SE FAZ O CAMINHO!




Disputou-se no passado dia 4 de Setembro a 3ª Etapa do XVIII COERJ – Campeonato de Orientação do Estado do Rio de Janeiro. Mas não é para falarmos da competição no seu todo que abrimos uma vez mais espaço à Orientação brasileira. Antes, debruçamo-nos sobre uma modalidade que nos é particularmente querida: a Orientação de Precisão.


“Orientação de Precisão, o verdadeiro desporto para todos!” Foi esta a fórmula encontrada pelo COMPass – Clube de Orientação de Miguel Pereira e Arredores Sobre a Serra para promover a mais recente prova de Orientação de Precisão levada a cabo no Brasil. Palco dos recentes 5º Jogos Mundiais Militares do CISM, o Centro de Instrução do Avelar, na cidade de Paty do Alferes, recebeu um conjunto de sete atletas com mobilidade reduzida e deslocando-se em cadeira de rodas, todos eles com vínculo à Confederação Brasileira de Orientação.

Privilegiando uma zona de enorme beleza, o percurso traçado por Sérgio Brito desenrolou-se ao longo de trilhos perfeitamente adequados à progressão, numa distância de 700 metros e com cinco pontos de decisão. Embora não seja de todo o mais importante – vencedor é todo aquele que participa! -, para a história fica o nome de Bruno Trajano da Silva, cujos 40 pontos finais lhe valeram a primeira posição. No segundo lugar, com menos três pontos, classificou-se Nilton Esmael da Silva, enquanto a terceira posição coube a Maria Emília Gonçalves Branco, com 35 pontos. Barbara Luiza da Alcantara Fonseca, Clementino de Souza, Walter Gonçalves e André Luis da Silva, com 33, 32, 31 e 30 pontos, respectivamente, classificaram-se nos lugares imediatos. E porque a inclusão é o resultado mais importante da Orientação de Precisão, esta foi uma jornada vitoriosa em prol da cidadania e uma demonstração plena de que a Orientação de Precisão é um desporto verdadeiramente para todos.


Subsídios para a história da Orientação de Precisão no Brasil

Foi na qualidade de Instrutor na Escola de Educação Física do Exército, no Rio de Janeiro, que Sérgio Brito tomou contacto com a Orientação de Precisão pela primeira vez durante os “5 Dias da Suécia”. Corria o Verão de 1989 e, no ano seguinte, realizava-se no Brasil o primeiro evento de Orientação de Precisão. Para além de Sérgio Brito, naturalmente, a iniciativa teve um forte impulso graças ao esforço do sueco Ulf Levin, figura marcante da história da nossa modalidade no país irmão, ficando registada na edição de Julho de 1990 da Revista da IOF – Federação Internacional de Orientação, num artigo intitulado “Orientação, uma nova modalidade desportiva para o deficiente” (assim mesmo, em português!).

A falta de receptividade, por um lado, mas também os compromissos de Sérgio Brito assumidos com o treino da equipe militar de Orientação Pedestre do Brasil e outras missões militares, fizeram com que a Orientação de Precisão ficasse esquecida por um longo período. Até que, em 2004, duas alunas de Educação Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro escolheram o tema para as suas monografias, solicitando o apoio de Sérgio Brito como orientador das pesquisas. Coincidentemente, o Comité Paralímpico Brasileiro pediu apoio à Unidade Militar chefiada por Sérgio Brito para realizar um Campeonato Seletivo para os Jogos Paralímpicos de Atenas. “Aproveitei para incluir a Orientação de Precisão como modalidade de apresentação e o estudo voltou a entusiasmar-me”, afirma Brito, a propósito daquele que foi, em grande medida, um ponto de viragem.


Estatutos do COMPass não esquecem a Orientação de Precisão

Ainda que de forma titubeante, a Orientação de Precisão não cessou mais de se fazer notar. Em 2005, Sérgio Brito apresenta uma palestra seguida de percurso durante a 3ª etapa do VII CamBOr (Campeonato Brasileiro de Orientação), realizado em Mendes, no Estado do Rio de Janeiro. E em 2006, ao fundar o seu actual clube, o COMPass, além de fazer referência à Orientação de Precisão no seu logotipo, Sérgio Brito fez constar dos Estatutos no ponto 7. do seu Art. 2º, o seguinte: “Promover a inclusão social de portadores de dificuldade de locomoção, através da modalidade de Orientação de Precisão.”

Em 2007, Sérgio Brito, José Maria e Paulo Gonzaga participaram a título de convidados no Campeonato Europeu de Orientação de Precisão,levados a cabo durante os 5 Dias da França. Nesse mesmo ano, Sérgio Brito ministrou uma palestra e percurso em Miguel Pereira, cidade onde está sediado o COMPass. Palestras com percursos foram igualmente levadas a cabo por Sérgio Brito, entre 2006 e 2010, na Universidade Federal do Rio de Janeiro e de Minas Gerais e em São João Del Rei.


Emoção pura!

Já este ano, atletas com mobilidade reduzida, deslocando-se em cadeira de rodas, filiaram-se na Confederação Brasileira de Orientação em representação do COMPass, receberam instrução e realizaram um percurso de Orientação de Precisão, no âmbito da 3ª etapa do XVIII COERJ, em Paty do Alferes, Rio de Janeiro, como foi já referido. “Lentamente, mas passo-a-passo, caminhamos com a Orientação de Precisão”, diz Sérgio Brito, concluindo com uma afirmação eloquente: “Como nos sentimos depois da prova? A felicidade das pessoas em cadeira de rodas é contagiante, é emoção pura!”

A terminar, uma palavra de reconhecimento e de apreço para todos aqueles que persistem nos seus ideais de igualdade e solidariedade e teimam em trazer para primeiro plano pessoas que são absolutamente merecedoras de enorme respeito e carinho. Em particular para o Coronel Sérgio Brito, vai um forte abraço de agradecimento por ter feito deste espaço o fiel depositário dum conjunto de documentos que fazem a história da Orientação de Precisão no país irmão e que aqui se divulgam com o devido destaque.

Orientação de Precisão nos 5 Dias da Suécia (1989)

Primeira prova de Orientação de Precisão no Brasil (1990)

Orientação de Precisão brasileira em destaque na Revista da IOF

Orientação de Precisão em Javary (2006)

Mapa e Cartão da prova de Orientação de Precisão da 3ª etapa do XVIII COERJ (2011)

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

DUAS OU TRÊS COISAS QUE EU SEI DELA...




1. Diogo Miguel foi o solitário representante português nas Etapas 7 e 8 da Taça do Mundo de Orientação Pedestre 2011, disputada no passado fim-de-semana em Liberec, na República Checa. Na prova de Distância Média do primeiro dia, o actual líder do ranking da Taça de Portugal de Orientação Pedestre 2011 foi o 79º classificado com o tempo de 50:21; já no derradeiro dia, o atleta português completou a prova de Distância Longa em 2:04:47, o que lhe valeu o 64º lugar na etapa e o 68º lugar na Geral, num conjunto de 91 participantes. Pasi Ikonen (Finlândia) e Dana Brozkova (República Checa) foram os grandes vencedores no primeiro dia, enquanto no segundo dia as vitórias sorriram ao suiço Marc Lauenstein e à dinamarquesa Signe Søes. A Taça do Mundo 2011 conhece as derradeiras etapas já no próximo fim-de-semana, na cidade suiça de La Chaux-de-Fonds (os nossos veteranos presentes no WMOC 2010 devem lembrar-se bem da espectacular qualificatória de Sprint aí realizada), com Daniel Hubmann (Suiça) e Annika Billstam (Suécia) a liderarem as respectivas tabelas, “a duas pernadas” do triunfo. Tudo para acompanhar em http://www.postfinancesprint.ch/e/index.php.


2. O Clube de Aventura e Orientação de Sintra levou a cabo no passado fim-de-semana o seu VIII Open CAOS de Orientação Pedestre, prova pontuável para o ranking da Taça de Portugal 2011. As Dunas de Janas e a intrincada malha urbana da Ericeira serviram de palco a três etapas rijamente disputadas e nas quais foi possível contabilizar o fantástico número de 507 participantes, duas centenas dos quais nos escalões de Promoção. Numa prova que ficou marcada por um problema técnico que obrigou ao cancelamento da 3ª etapa em 9 dos 30 escalões de competição, a vitória sorriu a Tiago Romão (ADFA) e Maria Sá (GD4C) nos escalões de Elite, devidamente secundados por Tiago Aires (GafanhOri) e Jorge Fortunato (Ori-Estarreja) no sector masculino e por Vera Alvarez (CPOC) e Raquel Costa (GafanhOri) no feminino. Daniel Catarino (CLAC) em H15, Susana Alves (GD4C), em D20, Paulo Fernandes (Lebres do Sado), em H21B, Susana Pontes (CPOC), em D35 e José Grada (Ori-Estarreja), em H70 foram os vencedores dos seus escalões, reforçando a liderança dos respectivos rankings da Taça de Portugal. Na classificação por Clubes, a vitória sorriu à ADFA, seguida do COC e do Ori-Estarreja. Saiba tudo em http://www.107caos.com/VIII-Open-CAOS/index1.html.


3. Chama-se “Lils no País das Maravilhas” - http://lilsnopaisdasmaravilhas.blogspot.com/ - e é um blogue que, com pouco mais de três semanas de vida, afirma-se desde já pela criatividade, imaginação e muita e boa disposição. Liliana Oliveira, a sua autora, promete centrar a essência deste espaço na sua pessoa, na sua vida, nos seus pensamentos, no que a rodeia, no que lhe interessa e, possivelmente, até no que não lhe interessa para nada: “Importa é ter tema para falar, que eu não gosto de estar calada!”, assume. Para já, dez das quinze mensagens recaem sobre uma deliciosa crónica de viagem, em estilo fotonovelesco, onde se dá conta das “Aventuras de Sete Maravilhosos Tugas em Savoie Grand Révard, França”, durante os últimos Mundiais de Orientação Pedestre. Ao elaborado retrato psicológico destes “sete magníficos”, juntam-se apontamentos notáveis, dos pensamentos de Thierry Gueorgiou - “[em francês] Ai! Mas estes tugas estão cá hoje? Será que encontraram a taça no arbusto, da outra vez...?” - ao recorrente “Acabar com isso” (“[Fernanding] Apoiading!”). Vale a pena ler e reler. Quem vier por bem, será bem recebido. Quem não vier... Como alguém diria, “Olha, azareco!” Para a Liliana Oliveira e para o seu “Lils no País das Maravilhas” vai, com uma gargalhada de satisfação e uma enorme admiração, o Louvor da Semana!


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

terça-feira, 27 de setembro de 2011

OS VERDES ANOS: OLEKSANDR ZAIKIN




Olá,

O meu nome é Oleksandr Zaikin, tenho 16 anos, vivo em Quinta do Anjo e frequento o Curso de Ciências e Tecnologia do 10º ano da Escola Secundária de Palmela. Passo os meus tempos a ler, estudar ou a andar de bicicleta com os meus amigos .

Foi o meu irmão que me incentivou a fazer a minha primeira prova de Orientação em 2005, enquanto frequentava o 4º ano . A minha primeira prova mais a sério foi em Sesimbra, no I Troféu do Clube de Praças da Armada, realizada no dia 19 de Fevereiro de 2005. Nessa prova cheguei com meia hora de atraso às partidas pois tive de esperar que o meu irmão acabasse a prova dele, para me acompanhar na minha prova, corrigindo-me sempre que cometia um erro grave.

No ano lectivo 2006/2007 comecei a fazer provas de Desporto Escolar pela Escola Básica dos 2º e 3ºCiclos Hermenegildo Capelo, de Palmela, e também estive federado durante um ano no Clube "Lebres do Sado", no meu ano lectivo 2007/2008. Foi no meu 7º Ano de Escolaridade que mudei de escola para a Escola Secundária de Palmela onde fazia provas de Desporto Escolar e uma ou outra federada pela escola. Foi também em 2009 que participei no Nacional de Desporto Escolar, sendo a minha primeira prova onde ficava três dias fora de casa, gostando imenso da experiência e tendo vontade em participar em mais provas destas.

No meu 9º Ano de Escolaridade (ano lectivo 2010/2011) recebi um convite da ADFA para ingressar no clube, o qual aceitei, começando a realizar provas com o emblema da ADFA. Depois de entrar na ADFA comecei a treinar de forma mais intensa, levando este desporto muito mais a sério.

Para além da Orientação, pratico Natação três vezes por semana. Algo que faço já desde os meus oito anos.

Os meus objectivos no desporto passam por, sem dúvida, dar sempre o meu melhor para alcançar a melhor classificação possível, nunca desistindo, mesmo nas piores situações. E ainda participar no maior número de provas (nacionais e internacionais) que me ajudam a evoluir nesta magnífica modalidade. Quanto aos meus objectivos profissionais, para já centram-se em acabar o 12º ano e depois continuar os meus estudos na Universidade.

Quero agradecer especialmente aos Professores Teresa Caldeira, José Paulo Pinho e Daniel Pó, e aos meus familiares,que me incentivaram a treinar e a praticar Orientação, como também ao meu clube ADFA, que me tem dado um grande apoio neste desporto.

Oleksandr Zaikin
ADFA - Associação dos Deficientes das Forças Armadas
Fed 3908

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

ORIENTAÇÃO ADAPTADA: UM DESPORTO PARA A DEFICIÊNCIA INTELECTUAL




A ideia surgiu numa altura em que fazia trabalho de pesquisa sobre Orientação de Precisão. A página da Federação Britânica - http://www.britishorienteering.org.uk/ - sugeria a hipótese de se encontrarem formas de adaptar a Orientação às pessoas com Deficiência Intelectual. Entre a concepção do projecto e a possibilidade de o pôr em prática, já no próximo dia 14 de Outubro, vai um longo caminho. Momento particularmente importante neste processo, tenho hoje o prazer de apresentar as linhas mestras daquilo que é, na minha concepção, a Orientação Adaptada: um Desporto para a Inclusão.


A Orientação, embora relativamente recente em Portugal, é um desporto organizado já com mais de 100 anos de existência.

Os registos indicam que terá sido em Bergen, na Noruega, no dia 31 de Outubro de 1897, que se organizou a primeira actividade desportiva de Orientação. Os países nórdicos são, ainda hoje, aqueles onde a modalidade tem maior implantação, mobilizando um número de praticantes que a coloca entre os cinco desportos mais praticados na Escandinávia.

Ao longo deste século de existência, a modalidade foi evoluindo, tornando-se num desporto altamente desenvolvido que permite a partilha, em simultâneo, do mesmo espaço e tempo, independentemente do nível físico ou técnico, da idade ou do género do praticante.

À Orientação Pedestre seguiu-se a Orientação em Esqui, a Cavalo, em Canoa e também a Orientação em Bicicleta e a Orientação de Precisão, esta última particularmente vocacionada para pessoas com mobilidade reduzida, deslocando-se em cadeira de rodas. Neste contexto, de fora ficam apenas as pessoas com deficiência intelectual, sobretudo pela dificuldade em estruturar-se um conjunto de normas orientadoras que leve em linha de conta a multiplicidade e complexidade destes grupos e possam ser entendidas como as “regras do jogo”.

Apesar das contingências, prevalece a consciência de que a vida é feita de constante aprendizagem. É da ousadia das atitudes de cada um que resulta o prazer de colher os frutos das suas acções e do seu esforço. É por isso que nos atrevemos a propor um conjunto de pressupostos que, no seu tudo, definem este projecto de trabalho para a Orientação Adaptada. A consciência do risco que envolve esta iniciativa é compensada pela humildade necessária à aceitação que este é o primeiro passo dum projecto dinâmico, disposto a integrar todos os contributos válidos e a aperfeiçoar-se dia após dia. Assim todos o queiram.


O QUE É A ORIENTAÇÃO ADAPTADA?

A Orientação Adaptada pretende ser entendida como uma disciplina da Orientação, particularmente vocacionada para grupos específicos e onde se incluem a deficiência intelectual e as crianças em idade pré-escolar.

Um mapa, um percurso, um espaço natural de liberdade e uma mão cheia de desafios. É esta a essência do “jogo” da Orientação Adaptada, que se desenrola ao longo dum percurso desenhado sobre um mapa e materializado no terreno por pontos de controlo que devem ser visitados de forma sequencial.

Tal como na Orientação de Precisão, a escolha do itinerário entre cada ponto de controlo não é uma opção do orientista. Da mesma forma, também não é declarado vencedor aquele que completa o seu percurso de forma adequada e no mais curto espaço de tempo. A importância do factor tempo é relegada para um plano secundário, pedindo-se a cada participante que faça apenas a correlação entre aquilo que se encontra assinalado no mapa e que está depois materializado no terreno, sob a forma de sequência de cores. As respostas são assinaladas por meio de picotador em cartão fornecido a cada participante antes de iniciar a sua prova. No final, vence aquele que obtiver o maior número de respostas correctas.


PONTO DE PARTIDA

Na partida, cada participante recebe um mapa e um cartão. No mapa, para além do terreno onde a prova se vai realizar, está impressa uma sinalética que indica os pontos que a compõem, o número de balizas por ponto identificadas com as letras A a E, a sequência de cores que corresponde à resposta correcta e a indicação do sentido de observação (figura 1).


As cores utilizadas são o verde, o azul e o vermelho, permitindo uma combinação de seis sequências diferentes. A cada uma destas combinações corresponde um pictograma (figura 2). Inspirados numa linguagem de afectos desenvolvida por Charles Bliss , o número total de pictogramas é de cinco (figura 3).


O cartão subdivide-se num conjunto de quadrículas, onde se faz a correspondência entre os vários pontos de controlo e cada um dos pictogramas. O participante deve assinalar, por meio de picotador, qual o pictograma que corresponde à sequência de cores correcta em cada um dos pontos de controlo (figura 4).


A existência duma sexta quadrícula no cartão, onde se encontra assinalado um “x”, tem a ver com a possibilidade de nenhuma das sequências presentes no terreno corresponder à sequência pretendida.


UM PERCURSO DE ORIENTAÇÃO ADAPTADA

Na Orientação Adaptada, o terreno assume uma importância primordial. O percurso deve ser traçado sobre trilhos em áreas com desníveis inexistentes ou pouco significativos, evitando-se acidentes de terreno ou barreiras arquitectónicas. Em condições ideais, este percurso deve ser do tipo “em linha”, balizado por meio de sinalização adequada (fitas, cordas), permitindo a progressão dos participantes de forma autónoma e sem correrem o risco de saírem do trilho e perderem-se.

À semelhança do que sucede na Orientação de Precisão, cada ponto de controlo está materializado no terreno por um ponto de observação e, em face a este, por um conjunto de duas a cinco balizas, nas quais estão montadas as sequências de cores (figura 5).


O participante deve ser estimulado a “invadir” o espaço de jogo, a observar atentamente cada uma das sequências e a compará-las com aquilo que surge indicado na sinalética do mapa que transporta consigo. Regressa então ao ponto de observação e, por meio de picotador, assinala a resposta correcta. A organização deve providenciar a presença de um elemento em cada ponto de observação, de forma a poder auxiliar na picotagem aqueles que se mostrem menos capazes de o fazer.


CONCLUSÃO

À semelhança do que acontece com a Orientação de Precisão, disciplina que me é especialmente querida e que tenho procurado ajudar a relançar, há uma ideia-chave a presidir a este projecto: Orientação Adaptada, um desporto para a inclusão!

A Orientação é um meio para se atingir um fim primeiro, o da partilha dum mesmo espaço e dum mesmo tempo, a interacção da pessoa com os outros e com o ambiente que a rodeia, o desenvolvimento de aptidões e aquisição de competências, por intermédio de regras simples que, no seu todo, fazem da Orientação Adaptada um jogo.

Mas como não podia deixar de ser, é toda uma série de conceitos que, no seu todo, configuram a Orientação enquanto modalidade desportiva, que aqui está em causa. Um mapa, um percurso, um espaço natural de liberdade e uma mão cheia de desafios são elementos que remetem, de forma inequívoca, para o desporto da floresta. Lá está o trilho em cujo final se adivinha o prazer da descoberta, lá está a salutar competição no respeito pelas regras e pelo outro, lá está a nossa consciência ambiental a lembrar-nos que são únicos os espaço que pisamos e cuja integridade temos o dever de preservar e defender.

E lá estão as balizas laranjas e brancas, ondulando suavemente ante a fresca brisa duma luminosa manhã, a chamar-nos por nós. Numa corrida veloz ou sobre esquis, galopando ou a pagaiar, em bicicleta ou de cadeira de rodas. Todos diferentes, todos iguais.

JOAQUIM MARGARIDO


[Este é um projecto em fase experimental, pelo que todos os contributos são, agora, particularmente válidos. Deixe o seu no espaço de comentário ou directamente através do endereço margarido61@gmail.com e seja parte da história deste desporto]

domingo, 25 de setembro de 2011

EOC MTBO 2011: IMPRESSÕES FINAIS




Ponto final nos Campeonatos da Europa de Orientação em BTT 2011. Num derradeiro apontamento, aqui fica o comentário de Daniel Marques, atleta e chefe da delegação portuguesa presente na Rússia, à prestação dos nossos atletas e à forma como a competição decorreu.


A Federação de Orientação Russa organizou o Campeonato de Europa de Orientação em BTT de forma muito pragmática, optimizando todos os meios para os aspectos mais essenciais.

Dum ponto de vista geral a nota é positiva, havendo no entanto algumas falhas a registar:
  • Não houve o cuidado com a logística relacionada com o transporte dos atletas e das bicicletas para as zonas de competição;
  • Durante toda a competição não houve apoio mecânico para as bicicletas nem acesso a lojas e material de BTT;
  • A prova de Sprint ficou manchada pela falha do sistema SFR e pelo facto de o trânsito não estar cortado (conforme prometido pela organização);
  • O mapa da prova de Distância Média não foi impermeável o que deu origem, devido à chuva, a problemas relacionados com a degradação do papel. Na prática, houve atletas que se viram obrigados a perseguir os adversários porque ficaram sem acesso ao seu percurso;
  • Nas reuniões de 'team leaders' notou-se alguma descoordenação entre o Supervisor e o Director de Prova.
  • Em relação à comunicação e media, foi evidente que este capítulo não mereceu muita atenção por parte da organização, não houve público nem visibilidade da competição para a comunidade local.
  • As arenas foram bem estruturadas, excepto na Distância Longa onde não houve nem condições logísticas (WC, abrigos apropriados para a chuva...), nem interesse em termos de espectáculo pois a zona envolvente era muito fechada.
As qualidades mais em evidência deste evento foram a alimentação e o alojamento (o Hotel Raivola forneceu as condições ideais neste capítulo). A Festa do Banquete Final foi maravilhosa, com uma grande animação (bebidas, palco e disco à descrição), permitindo uma socialização muito activa entre todos os países.

Os mapas/terrenos foram uma mais-valia devido à sua enorme dificuldade técnica.

A comitiva portuguesa tem que dar uma palavra de agradecimento ao Alexander Shirinian, pelo imenso apoio prestado na resolução de todos os nossos problemas burocráticos e ainda pela amabilidade de nos guiar numa visita cultural por São Petersburgo.

No que respeita aos resultados houve alguma desilusão, principalmente porque não se correspondeu às expectativas. Penso que foi uma experiência muito positiva e enriquecedora para o Davide Machado e para o Carlos Simões, mas principalmente para o Davide Machado que falhou na vertente técnica. Mas deve ter-se a devida consciência que estes terrenos e a respectiva cartografia são muito diferentes daquilo a que estamos habituados e, em contra-pé, os nossos adversários estavam devidamente adaptados a este tipo de floresta. Não estivemos bem na orientação mas, a partir da análise dos nossos erros, aprendemos muito sobre a forma como fazer Orientação nestas terras.

Por último, uma palavra de agradecimento ao Orientovar, à Federação Portuguesa de Orientação e a todos os amigos e família, pela forma e entusiasmo como nos apoiaram nesta aventura na Russia.

Daniel Marques


Toda a informação, resultados completos e fotos em http://www.o-worldcup.spb.ru/en/.

[Imagens extraídas da galeria do evento em http://fotki.yandex.ru/users/o-sport-ru/]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

sábado, 24 de setembro de 2011

O MEU MAPA: PAULO FERNANDES, ENTRE PALMELA E PEDROCHE




Ter de escolher "um mapa" não é tarefa fácil. Assim, escolhi dois... : )

O primeiro era inevitável. Foi no mapa da Vila de Palmela, em 3 de Setembro de 2005, data do I Troféu de Orientação das Vindimas, ainda sob a organização do meu clube "Associação de Atletismo Lebres do Sado", nomeadamente o núcleo de Palmela da Secção de Orientação, onde me iniciei nestas aventuras de bússola numa mão e de mapa na outra.

Foi após um passeio de BTT pelo concelho do Barreiro, organizado pelo CAB (Clube de Aventura do Barreiro), que ouvi o Prof. António Neves a falar de mapas e de Orientação. Tive assim conhecimento da realização da prova no sábado seguinte, onde o "Lebre" António foi o traçador dos percursos sobre o mapa cartografado pelo Luis Sérgio (com a escala de 1:3000 e equidistância de 5 m, o Mapa de Palmela representa um terreno urbano com algum desnível, integrando o Castelo, o Parque Venâncio Ribeiro da Costa e o centro histórico de Palmela).

Foi desta forma, um pouco por acaso - e após passar alguns anos pelo Técnico mas em que não tive conhecimento das actividades de Orientação e Aventura aí praticadas pela Secção de Desporto da Associação de Estudantes - que experimentei a modalidade num percurso Fácil Longo, desenhado num intrincado conjunto de ruelas, becos e escadinhas e onde ainda recentemente tive o prazer de descobrir alguns recantos e pormenores interessantes. Terminei em 4º lugar e fiquei bastante satisfeito com esta primeira experiência.

Mas só quatro meses depois regressei aos mapas... no III Troféu das Lebres do Sado, organização conjunta das Lebres do Sado e do CAB a contar para a Taça FPO Sul, no dia 21 de Janeiro de 2006 na minha terra - o Barreiro, onde participei no escalão Difícil Longo. A prova foi composta por duas etapas. A primeira etapa foi realizada no bonito Mapa da "Mata da Machada" (dos cartógrafos Francisco Pereira / José Batista, à escala 1:10 000, de Janeiro de 2005); e a 2ª etapa aconteceu no recentemente inaugurado "Parque da Cidade" (do cartógrafo Camilo Mendonça, à escala 1:2 500 de 2001 e actualizado em Maio de 2004) um verdadeiro Oásis Verde localizado no centro da minha cidade.

Neste dia especial realizei ainda a minha inscrição como associado do Clube e formalizei a minha entrada junto da FPO como atleta federado, sendo-me atribuído o Nº 3727.

Mas, regressando a Palmela, nestes sete anos participei em todos os Troféus - sempre integrados no programa das Festas das Vindimas. Logo a partir do III Troféu iniciei a minha presença regular no pódio com um 2º lugar no percurso de "Estafetas Adultos", na companhia do meu amigo Élder Guerreiro.

Nas últimas quatro edições os resultados também têm aparecido a nível individual, coroando o momento especial que é, ano após ano, o regresso ao "Meu Mapa". Após três terceiros lugares no escalão "Veteranos Masculinos", em 3 de Setembro de 2011 terminei na segunda posição, honrosamente acompanhado no pódio pelo DTN António Aires (1º lugar) e pelo "atleta Galês mais Português" Norman Jones (3º lugar). Mais uma vez este ano a presença da Rainha das Vindimas, da Miss Simpatia e das duas Damas de Honor, ajudaram a dar ainda um maior colorido à cerimónia final de entrega de prémios.


A minha escolha para o "meu" outro mapa é também incontornável, e recai sobre o Mapa de "El Bramadero", utilizado no "X Trofeo Internacional Diputación de Córdoba", organizado pelo Club Califas de Orientación. A prova foi disputada junto da localidade de Pedroche - Córdoba (Espanha), em 16 e 17 de Outubro de 2010 e encerrou a longa época da Taça de Portugal de Orientação Pedestre da época 2009/2010 (nota: o mapa apresentado corresponde à mesma cartografia base, mas sobre a distância longa do percurso HE).

Foi neste mapa que julgo ter realizado a prova "mais limpa" que fiz até hoje, no percurso de Distância Longa disputado no sábado. Nesta primeira etapa (distância 6,0 km, desnível 120 m e 18 pontos de controlo) realizei o melhor tempo do escalão H35B, equivalente ao escalão português Veteranos Masculino B, com 52m48s e 4m58s de vantagem (!!!) sobre o segundo classificado.

Já na segunda etapa, num percurso de Distância Média sobre o mesmo mapa (distância 3,5 km, desnível 100 m e 16 pontos de controlo), soube gerir da melhor forma a vantagem amealhada de véspera e concluí em 8º lugar com o tempo de 34m40s.

O resultado final não podia ser melhor, pois correspondeu à minha primeira vitória numa prova da Taça de Portugal (vencendo os 5 Portugueses presentes e ainda 23 Espanhóis!!!, terminando com uma boa vantagem de 1m58s). No entanto não tive a felicidade de subir ao pódio e saborear o momento, pois eu e os meus bons amigos de viagem (Nuno, Élder, Amorim e Cramez do Ori-Estarreja; Daniel e Nuno do Coala) tinhamos ainda uma longa viagem de regresso às nossas casas em Portugal e não pudemos assistir à cerimónia de entrega de prémios.

Foi também com esta prova de encerramento da época que confirmei e conquistei o 3º lugar do ranking do meu escalão Veteranos Masculinos B na Taça de Portugal de Orientação Pedestre. Não posso deixar de dar um abraço de amizade ao atleta Miguel Barradas do CPOC (vencedor da etapa de domingo) com quem discuti até à última etapa da última prova, ao último metro e ao último segundo o último lugar do pódio no ranking da época, o que ajudou sobremaneira a valorizar a minha conquista (a diferença traduziu-se em somente 2 décimas na média total de pontos, 91.6 pontos vs 91.4 pontos!!!), secundando os valentes atletas Carlos Lobo do Clube EDP (Campeão) e Sérgio Mónica do Cimo (Vice-Campeão).

Para a actual época, já no ainda mais competitivo escalão H21B, a fasquia não podia estar mais elevada. Encontro-me actualmente no 1º lugar do ranking da época (muito ajudado pela perda de 15 kg no meu peso corporal!!!, resultado directo do meu investimento em treinos - 2 a 3 vezes por semana; e em provas - nomeadamente 2 Ultramaratonas de 100 km, várias provas de Trail em montanha, várias Meias-Maratonas e a Maratona do Porto), passando o meu único objectivo pela conquista do escalão no final da época.

Para terminar deixo um agradecimento especial a todos os Orientistas - enquanto atletas mas sobretudo como pessoas, pela sua amizade e pela forma saudável de praticar desporto no seio da Natureza; à minha "família" das Lebres do Sado por todo o apoio e amizade que me tem proporcionado ao longo destes sete anos; e ao meu amigo Joaquim Margarido por mais esta oportunidade que me proporcionou de partilhar com toda a comunidade Orientista as minhas melhores recordações deste desporto fantástico.



Abraço,

Paulo Fernandes
(Barreiro, XXIV-IX-MMXI; FPO 3727, Lebres do Sado)

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

NÚMERO DE SETEMBRO DA REVISTA O PRATICANTE JÁ SAIU!





Acaba de sair para distribuição a edição 43 da revista O Praticante. Num número onde a bicicleta é rainha, não poderia deixar de figurar a excelente prestação dos nossos “sete magníficos” presentes em Itália, onde disputaram os Campeonatos do Mundo de Orientação em BTT, nos escalões Elite e Júnior.

À semelhança do que vem sendo habitual, esta edição de Setembro/Outubro de 2011 vale pelo seu todo. Soberanamente ilustrada, a publicação dirigida por Amália Mendes abre as suas páginas a modalidades tão variadas como o Yoga, a Vela, as Lutas Olímpicas ou o Nautimodelismo, dedicando igualmente um espaço significativo à Saúde e Nutrição.



Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

EOC MTBO 2011: SOB O SIGNO DA DESILUSÃO!




Desilusão! Desta forma se pode resumir o sentimento patente entre as hostes portuguesas, agora que os Campeonatos da Europa de Orientação em BTT 2011 chegam ao fim. Sem nunca sair da mediania, o conjunto de resultados alcançados pelos nossos atletas fica muito aquém do esperado, servindo de fraca consolação o 29º lugar de Davide Machado na final de Distância Longa desta manhã e que iguala a prestação de Daniel Marques nesta mesma prova, nos Europeus de 2009.


Foi com justificadas expectativas num par de resultados relevantes que Portugal partiu para a disputa dos 5º Campeonatos da Europa de Orientação Pedestre e cujo programa competitivo conheceu hoje o seu epílogo na região de Leninegrado (Rússia). E se, assumidamente, Carlos Simões e Daniel Marques poderiam aspirar a lugares no primeiro terço da tabela, já um lugar no top10 era quase uma “obrigação” de Davide Machado, depois dos brilhantes 5º lugar na final de Distância Longa e 6º lugar na final de Sprint dos recentes Campeonatos do Mundo que tiveram lugar em Itália, no mês passado. A verdade é que a sorte não esteve do nosso lado. Acidentes e avarias mecânicas rivalizaram com a lama e a areia dos terrenos, emperrando máquinas e atletas e atirando-os para lugares pouco consentâneos com as suas qualidades e capacidades.

O último dia de provas não permitiu inverter o rumo dos acontecimentos e a final de Distância Longa voltou a afastar em demasia os nossos atletas dos lugares cimeiros. A melhor posição foi alcançada por Davide Machado, que gastou 1:42:04 para cumprir um percurso de 30,2 km (26 pontos de controlo, 145 metros de desnível), a que correspondeu o 29º lugar final entre os 52 atletas que lograram completar a sua prova. Com este resultado, Davide Machado acaba por fazer história ao igualar a melhor prestação de sempre registada até ao momento por atletas portugueses em Campeonatos da Europa e que estava até ao momento na posse exclusiva de Daniel Marques (Hillerød, 2009). Daniel Marques que foi o nosso segundo elemento a completar a prova, cabendo-lhe o 41º lugar com um registo de 1:51:14. Finalmente, Carlos Simões concluiu na 47ª posição, com o tempo de 2:04:03.


Ouro vezes três

A vitória no sector masculino coube a Erik Skovgaard Knudsen (na foto), que assim faz história ao conquistar o pleno de medalhas de ouro individuais em disputa. O atleta dinamarquês cumpriu o seu percurso em 1:27:51, deixando atrás de si, a 55 e 56 segundos de diferença, respectivamente, dois atletas da República Checa, o jovem Frantisek Bogar e o consagrado Marek Pospisek. Para Erik Skovgaard Knudsen este é um fecho com chave de ouro duma época memorável, somando aos três títulos europeus a vitória na Taça do Mundo 2011. Uma nota para a República Checa que colocou no pódio ainda um terceiro elemento, Krystof Bogar, na sexta posição, demonstrando ser uma potência de grandeza superior no actual panorama da Orientação em BTT mundial. O contraponto nestes Campeonatos foi dado pela equipa da Rússia, cuja medalha de prata na prova de Estafeta não permite esquecer um conjunto de resultados no mínimo frustrantes.

No sector feminino, Marika Hara terminou a sua participação nos Campeonatos da mesma forma que tinha começado, ou seja, com o “V” de vitória. A atleta finlandesa somou às medalhas de ouro da prova de Sprint e de prata da prova de Distância Média, o ouro na Distância Longa, concluindo o seu percurso com um tempo de 1:26:51. Campeã Europeia de Distância Média, a sua colega de equipa Ingrid Stengard gastou mais 1:40 e chegou à medalha de prata, ficando o lugar mais baixo do pódio para a dinamarquesa Rikke Kornvig, ela que detinha a liderança do ranking mundial à partida para estes Campeonatos Europeus. Contas feitas, Marika Hara sagra-se vencedora da Taça do Mundo 2011, fechando igualmente com chave de ouro uma época plena de sucessos.


Resultados

M21
1º Erik Skovgaard Knudsen (Dinamarca) 1:27:51
2º Frantisek Bogar (República Checa) 1:28:46
3º Marek Pospisek (República Checa) 1:28:47
4º Jussi Laurila (Finlândia) 1:29:54
5º Souvray Clement (França) 1:30:44
6º Krystof Bogar (República Checa) 1:30:45
7º Anton Foliforov (Rússia) 1:31:10
8º Ruslan Gritsan (Rússia) 1:32:41
9º Stephane Toussaint (França) 1:33:15
10º Valeriy Glukhov (Rússia) 1:33:17
(…)
29º Davide Machado (Portugal) 1:42:04
41º Daniel Marques (Portugal) 1:51:14
47º Carlos Simões (Portugal) 2:04:03

W21
1º Marika Hara (Finlândia) 1:26:51
2º Ingrid Stengard (Finlândia) 1:28:31
3º Rikke Kornvig (Dinamarca) 1:30:07
4º Susanna laurila (Finlândia) 1:30:54
5º Michaela Gigon (Áustria) 1:31:21
6º Karolina Mickeviciute (Lituânia) 1:31:46
7º Christine Schaffner-Raeber (Suiça) 1:31:48
8º Renata Paulickova (República Checa) 1:31:50
9º Gaelle Barlet (França) 1:31:55
10º Olga Vinogradova (Rússia) 1:33:01

Mais informações, resultados completos e fotos em http://www.o-worldcup.spb.ru/en/.

[Imagem extraída da galeria do evento em http://fotki.yandex.ru/users/o-sport-ru/view/486706/?page=7]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

DUAS OU TRÊS COISAS QUE EU SEI DELA...




1. “Infiltrados!” A longa viagem até Alicante, no passado fim-de-semana, terá desmotivado muitos dos nossos orientistas, levando-os, ainda que apenas momentaneamente, a trocar o desporto da floresta por uma ou outra actividade de proximidade. Foi assim que o Orientovar encontrou uma bela mão-cheia de orientistas na 5ª Meia-Maratona SportZone, prova maior do calendário nacional de Estrada e que pôs a correr ou a caminhar, ao longo das margens do Douro, cerca de 11.000 atletas. Entre eles lá estavam o “berdadeiro” Luís Pereira, a Claúdia Figueiredo, o Luís Leite, o Octávio Andrade, o Sandro Castro e, seguramente, muitos outros amigos que não foi possível identificar. Lá estava também a Tânia Covas Costa (na foto), que com o seu fantástico sorriso ajudou a dar ainda mais cor e mais vida a esta enorme festa do Atletismo na Invicta.


2. Regressando a Alicante, a qualidade dos terrenos e dos traçados do recente I Trofeo Ciudad de Petrer terão valido seguramente o esforço de tão penosa deslocação – para Fernando Costa, na sua página do Facebook, a prova de Sprint terá sido mesmo “a melhor de todas as que já participei” (!) -, fazendo esquecer as agruras duma organização espartana e onde a falta de indicações “entre o Solo Duro e o Carrefour” terão motivado longas e desnecessárias deambulações pelas serranias circundantes. Quem estava do lado de cá a tentar acompanhar a prova, como foi o caso do Orientovar, deparou-se com esta realidade incrível: Às oito da manhã de segunda-feira ainda não estavam disponíveis os resultados e, ainda hoje, não há pontuações relativamente à Taça dos Países Latinos ou ao Campeonato Ibérico. Nesta evidente falta de respeito radica o motivo pelo qual o Orientovar não falou – nem irá falar! - desta prova. Fica aqui a explicação para todos, que não apenas para aqueles que me questionaram já sobre os motivos deste “apagão”.


3. No próximo fim-de-semana, o CAOS – Clube de Aventura e Orientação de Sintra leva a cabo mais um evento de Orientação Pedestre. Trata-se do VIII Open de Orientação Pedestre de Sintra, prova pontuável para a Taça de Portugal de Orientação Pedestre (nível 2). Nestes dois dias, os participantes terão oportunidade de revisitar dois mapas deveras interessantes, em três etapas de Orientação. No sábado, encontrarão um terreno (Dunas de Janas) que, embora de pequenas dimensões, consegue proporcionar excelentes desafios aos praticantes da modalidade. Estes terão hipótese de se “redimir” de eventuais erros na segunda etapa, de novo no mesmo local, mas com um novo desafio: a noite. No domingo, os praticantes terão oportunidade de revisitar a intrincada malha urbana da Ericeira (palco do primeiro Campeonato Nacional de Sprint) e aproveitar o resto do dia para uma ida à praia (se o tempo o permitir) ou, simplesmente, para um repasto num dos muitos restaurantes da região. Para além da vertente competitiva, estarão disponíveis também percursos de iniciação com graus de dificuldade adequados à idade e experiência de cada um. Existe também a possibilidade de participar na vertente lazer, individualmente, a pares ou em grupo, nos escalões “Promoção”. Tudo para conferir em http://www.107caos.com/VIII-Open-CAOS/index1.html.


4. O nosso bem conhecido Leandro Pereira Pasturiza, do Clube de Orientação San Martin, foi condecorado com a medalha Pedro Carneiro Pereira, distinção entregue pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul aos atletas que mais se destacaram no ano de 2010. A medalha foi entregue a Leandro Pasturiza e a outros sete atletas pelo Vice-Governador, Beto Grill, e pelo Secretário Estadual do Desporto e do Lazer, Kalil Sehbe. “Para a grande família orientista é uma honra ser distinguido pelo Conselho Regional do Desporto e Governo do Estado do Rio Grande do Sul”, pode ler-se no blogue Brazil O-Life [AQUI], de onde o Orientovar “recortou” esta notícia. Parabéns, Leandro Pasturiza. Parabéns, Brasil!


5. Víctor Garcia Berenguer, Presidente da FEDO – Federação Espanhola de Orientação, irá receber no próximo dia 5 de Outubro a Medalha de Prata da Real Ordem de Mérito Desportivo de Espanha. A distinção ser-lhe-á atribuída como forma de reconhecimento por toda uma trajectória que se tem traduzido de forma decisiva na projecção nacional e internacional do desporto espanhol. Nesta cerimónia, promovida pelo Conselho Superior dos Desportos de Espanha, será igualmente admitido na Real Ordem de Mérito Desportivo o Director Técnico da FEDO, José Samper, com a categoria de Medalha de Bronze. Um dos maiores galardões que se podem outorgar dentro do desporto espanhol, a Real Ordem de Mérito Desportivo premeia assim a dedicação destes dois homens e a sua capacidade de liderança, verdadeiros motores duma Federação que não se limita ao fomento e desenvolvimento da Orientação em Espanha, antes intervém activamente em regiões do globo tão distintas como a América Latina, a bacia mediterrânica e mesmo alguns países de língua oficial portuguesa, como são os casos de Cabo Verde e Moçambique. O Orientovar não pode deixar de juntar a sua voz à do Conselho Superior dos Desportos de Espanha, enaltecendo o trabalho de ambos e realçando a forma como, uma vez mais, contribuem para elevar a Orientação a um patamar superior de excelência. Por todos estes motivos, com profunda admiração e respeito, para Víctor Garcia Berenguer e José Samper se firma desta feita o Louvor da Semana!


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

EOC MTBO 2011: IMPRESSÕES (III)




Os 5º Campeonatos da Europa de Orientação em BTT caminham para o final e os nossos atletas mostram-se desiludidos com um conjunto de resultados absolutamente medianos. Hoje foi dia de Estafeta e aqui fica o balanço feito na primeira pessoa por Daniel Marques, Davide Machado e Carlos Simões.


As Estafetas foram hoje e estamos desiludidos com a nossa prestação. Sentimos que a sorte não está do nosso lado (poderíamos ter entrado no Top10 com alguma facilidade). Os mapas mais técnicos com pouca exigência física não são os mais favoráveis ao nossos atletas, nomeadamente ao Davide Machado que está a atravessar um momento de forma fantástico mas que ainda não conseguiu acertar com a Orientação em terrenos russos. Por outro lado, podemos afirmar que as nossas bicicletas não estão devidamente preparadas para este tipo de terrenos, a mistura de água com areia e lama é uma desgraça. Não há assistência mecânica nem lojas de bicicletas. Quanto ao meu percurso de hoje, cortei o pneu da frente em pedaços de vidro logo do ponto 3 para o ponto 4, tinha selante mas devido à natureza do corte fiquei sem pressão para andar correctamente de bicicleta. Fiz o que estava ao meu alcance para não perder muito tempo, tecnicamente fiz uma prova perto da perfeição, mas andei com uma velocidade muito reduzida e praticamente sem direcção na bicicleta. Infelizmente temos tido algum azar. Vamos esperar que a Distância Longa seja menos dramática.
Daniel Marques


Cometi alguns pequenos erros e hesitações, mas foi na parte mecânica da bicicleta que comprometi a prova. Tive problemas com o travão traseiro e com a corrente. No ponto de espectadores, a passar pela água, a mecânica da bicicleta encravou de tal forma que perdi quase dois minutos porque tive que tirar a roda traseira para resolver o problema. O público ficou animado a presenciar a minha avaria. Enfim, melhores dias virão.
Carlos Simões


Foi uma prova tipo Sprint (na zona mais técnica do mapa Distância Média), o mapa era 1:7500 e havia uma grande rede de caminhos. Depois do ponto de espectadores, perdi dois minutos porque falhei a entrada do single-track correcto. Estamos a ganhar experiência e não estamos habituados a estes terrenos. Espero que a Distância Longa esteja mais ao meu jeito.
Davide Machado



Apesar dos resultados abaixo das expectativas, Portugal desperta curiosidades e chama sempre a atenção nos grandes centros de decisão da Orientação mundial. Tanto assim é, que o “press release” publicado hoje pela organização dos Europeus 2011 dá um enorme destaque a Portugal, num artigo redigido pelo nosso querido Alexander Shirinian. O seu trabalho de cinco anos em Portugal foi fundamental para o lançamento das bases duma Orientação moderna e consentânea com os novos tempos e é ele que assume as despesas desta análise ao perfil da Orientação em BTT portuguesa. Curiosa é a questão que ele próprio coloca: “Porque é que não vemos os orientistas em BTT portugueses nos pódios europeus e mundiais?” A resposta não se faz esperar: Pouca experiência internacional, isolamento geográfico e, claro, a falta de condições financeiras. Está tudo em http://www.o-worldcup.spb.ru/files/2011-09-21-21-34-Press-release-3.pdf.


Mais informações, resultados completos e fotos em http://www.o-worldcup.spb.ru/en/.

[Foto e mapa gentilmente cedidos por Daniel Marques]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

EOC MTBO 2011: O DIA DA REPÚBLICA CHECA




A Selecção Nacional de Orientação em BTT presente nos Campeonatos da Europa que decorrem na Russia, concluiu hoje a prova de Estafeta na 13ª posição. A República Checa foi a grande dominadora deste terceiro dia de competição, levando de vencida as categorias de Elite masculina e feminina.


Ao terceiro dia do programa competitivo dos 5º Campeonatos da Europa de Orientação em BTT, que decorrem na região de Leninegrado (Rússia) até ao próximo domingo, Portugal continua sem sair da mediania. Daniel Marques, Carlos Simões e Davide Machado cumpriram a prova de Estafeta (percursos de 7,2 a 8,0 km, 14 pontos de controlo e 60 metros de desnível) em 1:23:39, a que correspondeu a 13ª posição. Responsável pelo primeiro percurso, Daniel Marques não conseguiu uma boa prestação, comprometendo desde logo a possibilidade de melhorar o 10º lugar trazido dos recentes Mundiais de Itália e de, no mínimo, igualar o melhor resultado duma Estafeta portuguesa nos Europeus (10º lugar em 2009, em Hillerød, Dinamarca). O atleta português cumpriu o seu percurso em 28:57, a que correspondeu o 19º tempo entre as 21 equipas que alinharam à partida. Pior mesmo só o britânico Iain Smith e ainda o dinamarquês Rasmus Søgaard, um jovem promissor (fez parte da Estafeta que alcançou a medalha de ouro nos Mundiais de Juniores deste ano) mas que esteve hoje em dia não, retirando à Dinamarca quaisquer veleidades de repetir pela terceira vez consecutiva a vitória na Estafeta masculina dos Campeonatos da Europa (2008 e 2009) e de provar o porquê de ser Campeã do Mundo em título.

O segundo percurso foi cumprido por Carlos Simões e recheado de percalços mecânicos, o que resultou num tempo final de 30:12,  atirando Portugal para a penúltima posição. Davide Machado esteve muito bem no terceiro percurso, recuperando tempo em relação aos mais directos adversários, mas não posições na tabela classificativa. O português – 5º classificado nos Mundiais de Distância Longa e 6ª na distância de Sprint – concluiu a sua prova com o tempo de 24:30, mantendo assim o 13º lugar da equipa portuguesa, entre as catorze que lograram completar a prova.


República Checa vezes dois

Com a Dinamarca fora de combate, os Vice-Campeões do Mundo não se fizeram rogados e arrecadaram o título europeu, depois de em 2007 terem andado lá perto (foram medalha de prata, numa edição disputada na Toscânia, Itália). Radek Laciga, Jiri Hradil e Marek Pospisek (por esta ordem, da esquerda para a direita, na foto) cumpriram a sua prova em 1:07:34, batendo a "turma da casa" por escassos dezanove segundos. O mau começo de Valeriy Glukhov hipotecou em boa parte as hipóteses da equipa russa de chegar à vitória e Anton Foliforov, no derradeiro percurso ante Jiri Hradil, apenas recuperou metade dos trinta e oito segundos que se lhe “exigiam”. A terceira posição coube à Áustria, com Tobias Breitschädel a bater-se num “duelo de gigantes” com o suiço Beat Schaffner, a recuperar a ligeira desvantagem de três segundos que trazia e a impôr-se no final por um escasso segundo. Finlândia e Estónia, respectivamente nas quinta e sexta posições, fecharam o pódio.

No sector feminino, as atletas da República Checa imitaram os seus companheiros e levaram de vencida o título europeu. Apresentando precisamente a mesma formação que nos Mundiais de Itália não fora além do 8º lugar, as checas alcançaram um resultado histórico após luta cerrada com as suas mais directas adversárias. O primeiro percurso foi dominado por Susanna Laurila, como que a querer dizer que a Finlândia estava ali para confirmar o favoritismo que lhe era atribuído e levar de vencida o seu quarto título europeu em cinco edições da competição (em 2007 fora “apenas” segunda). A vantagem para as três mais directas adversárias (Rússia, Suiça e República Checa), porém, não ia além dos dezasseis segundos, claramente insuficientes para um resto de prova tranquilo. No segundo percurso aconteceu o inesperado e Ingrid Stengard – que ainda ontem chegara ao título europeu de Distância Média – teve um percalço que a fez perder mais de dezoito minutos (!) em relação às suas adversárias. Com a luta resumida a três equipas, Renata Paulickova soube recuperar os vinte e oito segundos que a separavam da poderosíssima Ksenia Chernykh à partida para o decisivo percurso, chegando à vitória, após vigoroso Sprint, com uma vantagem de oito centésimos de segundo. Christine Schaffner-Raeber, foi impotente para acompanhar as suas adversários, deixando a Suiça a sete segundos do lugar mais alto do pódio. O melhor tempo neste derradeiro percurso coube a Rikke Kornvig, segurando o quarto lugar para a Dinamarca. Vice-Campeã do Mundo de Estafeta, a Lituânia não conseguiu melhor que o quinto lugar, enquanto a turma da Eslováquia, medalha de bronze nos Mundiais deste ano, fechou o pódio na sexta posição.


Resultados

M21
1º República Checa (Radek Laciga, Marek Pospisek, Jiri Hradil) 1:07:34
2º Russia (Valeriy Glukhov, Ruslan Gritsan, Anton Foliforov) 1:07:53
3º Áustria (Andreas Rief, Bernhard Schachinger, Tobias Breitschädel) 1:10:12
4º Suiça (Jonas Wicky, Simon Seger, Beat Schaffner) 1:10:03
5º Finlândia (Jussi Laurila, Juho Saarinen, Samuli Saarela) 1:10:11
6º Estónia (Lauri Malsroos, Margis Hallik, Tõnis Erm) 1:10:58
7º França (Stephane Toussaint, Matthieu Barthélémy, Clément Souvray) 1:13:44
8º Itália (Piero Turra, Luca Dallavalle, Giaime Origgi) 1:13:46
9º Lituânia (Henrikas Antanavicius, Tautivydas Zilinskas, Petras Andrausinas) 1:15:20
10º Dinamarca (Rasmus Soegaard, Bjarke Refslund, Erik Skovgaard Knudsen) 1:16:34
11º Eslováquia (Pavol Paprcka, Tomas Hanicák, Matus Trnovec) 1:20:44
12º Grã-Bretanha (Iain Stamp, Andrew Douglas, Mark Stodgell) 1:20:55
13º Portugal (Daniel Marques, Carlos Simões, Davide Machado) 1:23:39
14º Ucrânia (Oleksiy Zhdanovych, Vera Zhdanovych, Ruslan Kasyanov) 1:39:02

W21
1º República Checa (Barbora Chudikova, Martina Tichovska, Renata Paulickova) 1:02:24
2º Rússia (Svetlana Poverina, Olga Vinogradova, Ksenia Chernykh) 1:02:24
3º Suiça (Maja Rothweiler, Ursina Jaggi, Christine Schaffner-Raeber) 1:02:31
4º Dinamarca (Pernille Jacobsen, Nina Hoffmann, Rikke Kornvig) 1:05:07
5º Lituânia (Karolina Mickeviciute, Asta Simkoniene, Ramune Arlauskiene) 1:09:09
6º Eslováquia (Daniela Trnovcova, Stanislava Fajtova, Hana Bajtosova) 1:18:06
7º Finlândia (Susanna Laurila, Ingrid Stengard, Marika Hara) 1:21:07


Mais informações, resultados completos e fotos em http://www.o-worldcup.spb.ru/en/.

[Imagem extraída da galeria do evento em http://fotki.yandex.ru/users/o-sport-ru/]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO