quinta-feira, 30 de junho de 2011

LUÍS SANTOS NA GRANDE ENTREVISTA: “COM AS VACAS GORDAS TODOS SABEM VIVER, MAS É NOS MOMENTOS DE CRISE QUE SE VÊ A NOSSA FORÇA”




Outrora momentos altos de reunião, convívio e salutar discussão no seio da família orientista, as Reuniões de Clubes foram caindo em desuso. Regressaram em Peniche, no passado dia 18, para um lote de “poucos mas bons”. Em cima da mesa, o actual momento da modalidade e o futuro em torno dos Quadros Competitivos Nacionais, objectos de estudo e análise por parte de Luís Santos, coordenador dum Grupo de Trabalho que tem dedicado muito do seu tempo a tentar perceber as mudanças que se impões e qual a melhor forma de as implementar. Um assunto vasto, tratado na Grande Entrevista com a frontalidade e o realismo que os novos tempos implicam. E exigem!


Orientovar - Ao aceitar liderar o Grupo de Trabalho com vista à reformulação dos Quadros Competitivos Nacionais, qual foi desde logo a sua principal motivação?

Luís Santos - Mesmo quando sou crítico de algumas iniciativas, procuro sempre ser parte da solução e não do problema, trabalhando e dando sempre sugestões de melhoria quando critico. Não o faço só agora que regressou o Augusto Almeida, que me conhece bem, pois também ofereci ajuda inicialmente ao Presidente anterior e cheguei a elaborar um estudo sobre o Voluntariado na Orientação Portuguesa a pedido dele. Agora foi para o Grupo de Trabalho dos Quadros Competitivos Nacionais que me convidaram a trabalhar, uma vez que, no passado, estive vários anos ligado a esta área e acredito que posso trazer algum valor acrescentado para tentar fazer uma revisão mais global, tentando contribuir para uma maior estabilização dos Quadros Competitivos no futuro. Essa foi também uma das directrizes transmitida pela Direcção quando me foi lançado o desafio: coordenar com a minha equipa um estudo de grande detalhe para criar bases de estabilidade para o futuro e não apenas a pensar no Regulamento de Competições 2012.


Se não pegarmos no passado e no presente para preparar melhor o futuro vamos pegar em quê?

Orientovar - Percebe-se que a metodologia utilizada é alicerçada num grande trabalho de pesquisa, indo ao encontro daquilo que correu bem no passado e que deveria ser aproveitado. Mas as realidades são outras e bem mais penalizadoras para a modalidade. Hoje é possível perspectivar o futuro a partir de elementos do passado, mesmo que de reconhecido sucesso?

Luís Santos - Se não pegarmos no passado e no presente para preparar melhor o futuro vamos pegar em quê? Eu acredito que têm que existir bases sólidas quando se quer mudar. Se não existirem números que fundamentem as decisões que se vão tomar, as medidas serão facilmente criticadas principalmente se os resultados (mesmo que positivos) não forem visíveis. Acredito que a vida é feita de ciclos e sou um apreciador da história e da estatística. Acredito que, quanto melhor conhecermos a nossa história, melhor saberemos construir o nosso futuro. Temos tendência para valorizar mais os problemas do presente mas por vezes esquecemos que no passado também houve dificuldades. Poucos o lembram agora mas o FMI já cá esteve no passado mais que uma vez... Esse, a título de exemplo, não é um problema exclusivo do presente. Mas é natural que possamos também concluir que se o FMI cá está outra vez é porque não soubemos aprender as lições do passado... Temos que saber ver o que o passado nos diz para saber em que apostar no futuro. Mas na Orientação há muitas variáveis a considerar e é difícil isolar o que contribui para o sucesso e o que não contribui.


O que está a ser apresentado no fórum não são regras imutáveis

Orientovar - Ao longo dos últimos dois meses e meio, foram sendo definidas linhas orientadoras dentro do Grupo de Trabalho que lidera e lançadas à discussão no Oásis Fórum, o fórum oficial da Federação Portuguesa de Orientação. Esperava mais debate?

Luís Santos - Sim, esperava mais debate. O que me parece é que o debate acaba por ir ocorrendo, muitas vezes em conversas a dois, mas parece-me haver alguma retracção à participação em fóruns e meios de debate público. Tenho recebido alguns contributos individuais para além dos que surgem no fórum e tentamos sempre dar sinais de abertura, uma vez que o que está a ser apresentado no fórum não são regras imutáveis, mas sim propostas para debate de questões fundamentais para o futuro da modalidade. Quem esteve presente na reunião do passado sábado não me deixa mentir, pois posso indicar que houve pelo menos uma mão cheia de assuntos nos quais alterámos a ideia que estava a ser apresentada ou adicionámos novos contributos levantados na reunião. E se eles aparecerem no Fórum, serão considerados sempre que forem vistos como melhorias claras pelo grupo de trabalho. Dou como exemplo a sugestão do Mário Duarte de passar a ter jovens não federados a pontuar para ranking apenas nos escalões de formação.


Não me parece que o espírito da família orientista esteja em crise

Orientovar - A Reunião de Clubes de que fala, constituiu o retomar dum modelo de relacionamento particularmente saudável e proveitoso. A escassez de participações, contudo, não significa que muito, entretanto, se perdeu? Ou, por outras palavras, o espírito da família orientistas está, também ele, em profunda crise?

Luís Santos - Não creio. Houve circunstâncias especiais a condicionar a reunião. Não me lembro nos últimos anos de uma prova de Taça de Portugal a começar às 16:00 e de uma Cerimónia de Entrega de Prémios a terminar depois das 20:00 e isso condiciona a logística dos clubes, os banhos, as refeições que se têm de preparar para os jovens, etc. Claro que a decisão do programa do ATV não pode ser tomada em função de uma reunião que nem existia ainda quando o evento foi planeado e parece-me natural que tenha havido preocupação no sentido de evitar as horas de maior calor para a Distância Média de sábado. E isso condicionou as presenças na reunião de clubes. Não me parece que o espírito da família orientista esteja em crise. O país está em crise e julgo que a Orientação, apesar das dificuldades que enfrenta, dá bons sinais de vitalidade e não penso que seja por haver poucos participantes numa reunião que isso possa ser posto em causa.


Será que o produto que estamos a oferecer é sempre adequado a quem nos procura?

Orientovar - Passando aos temas lançados à discussão, percebe-se que a grande preocupação se centrou na quebra do número de participantes, sendo os custos das inscrições, nomeadamente no que diz respeito aos escalões abertos, apontados como uma das causas possíveis. A escassa presença de participantes nestes escalões tem a ver com os custos das inscrições ou há algo mais, nomeadamente a divulgação das provas a nível local, que continua a ser manifestamente deficiente?

Luís Santos - Uma das comparações que fiz foi a de verificar que em 2002 um adulto não federado pagava 6,00 € e hoje paga os mesmos 6,00 € + seguro + aluguer do SI. Ora, se em 9 anos a alteração está apenas no valor do seguro e no aluguer do SI, não me parece que haja aqui um agravamento de preços que afaste as pessoas de fazerem Orientação. Podemos até dar o exemplo que qualquer empresa que organiza caminhadas de passeio raramente cobra menos de 10,00 € por essas caminhadas. O que eu pergunto é: será que o produto que estamos a oferecer é sempre adequado a quem nos procura? Tentemos colocar-nos na "pele" de quem chega: 1º encontramos uma designação difícil - Promo 2 é curto e difícil ou longo e fácil? Até para nós que andamos nisto há anos é difícil perceber o que significam os diferentes Promos, pois mentalmente acabamos por ter que fazer a correspondência para o Fácil Longo/Difícil Curto. Depois chegam a uma prova pela primeira vez. Poucos são os clubes que têm monitores a dar 'briefings' explicando o que vão encontrar. Quem vem de novo percebe que tem de ir ao Secretariado? E se vir a Partida primeiro? E depois sabe que o seu clube tem de lhe entregar um peitoral? Já vi quem desistisse e não quisesse voltar por ter feito 2 kms para uma partida e depois não o deixaram partir por não ter peitoral... E alguém explicou que o triângulo não fica propriamente no local das partidas? E em Ferrel quem fosse fazer o percurso aberto dito "Fácil Longo" tinha um percurso realmente complicado. Mas imaginem que alguém vinha só domingo de Lisboa para vir estrear-se a fazer Orientação no Campeonato de Sprint e depois pagava os 7,75 € para um percurso urbano de 15 minutos. Acharia proveitoso vir fazer Orientação?

O modelo de provas que temos conduz um praticante estreante a todos estes problemas e temos que fazer mudanças se queremos voltar a aumentar o número dos que vêm experimentar... e querem voltar a repetir. Eu acho que temos de alterar os modelos. Foi defendido na reunião que todos deveriam ter formadores para 'briefings' de Orientação, já defendi o lançamento de distâncias maiores no sprint, preços especiais para o Promo 1, etc. E no campo da divulgação o investimento junto das Câmaras Municipais para colocar em funcionamento os respectivos Gabinetes de Comunicação em proveito mútuo e também o regresso à utilização dos folhetos promocionais (principalmente em eventos locais e em eventos do desporto escolar e militar) parecem-me ser passos importantes para voltar a cativar novos praticantes.


O Absoluto realiza-se quase há uma década e nunca houve problemas

Orientovar - Em relação aos Campeonatos Nacionais Absolutos, foram levantadas fortes dúvidas sobre a possível presença dos escalões mais jovens nas finais A, por ilegalidade ou risco de acidente com o seguro a poder não cobrir. Temos estado a incorrer nalgum tipo de ilegalidade? O que é que se passa com isto?

Luís Santos - O Absoluto realiza-se quase há uma década e nunca houve problemas tendo o modelo sido relativamente estável desde o início. O que pergunto é: se alguém organizar uma prova local de maior distância (como já houve este ano em mais de uma ocasião) alguém vai colocar em causa se o seguro cobre a prova por um juvenil ter 10 kms em vez de ter 5 ou 6?

Sinceramente não conheço o clausulado do acordo com a Seguradora mas vou tentar constatar um facto que deve ser evidente para todos. Não havendo certamente nenhum clausulado a excluir uma eventual Final A (recordo que ninguém lá vai fazer "Elite") alguém acredita que a seguradora impõe clausulados baseados na distância e no tempo de vencedor? É que só dessa forma poderia haver restrições ao Campeonato Nacional Absoluto, tal como poderia haver restrições a provas locais ultra-longas, raides, a multi-percursos num mesmo dia ou a outras inovações técnicas.


Vão avançar mudanças

Orientovar - A questão do escalonamento dos atletas mereceu uma atenção especial e foi um dos aspectos que suscitou maior debate. Afinal irá ficar tudo na mesma ou preconizam-se algumas mudanças?

Luís Santos - Sim, vão avançar mudanças. Os escalões jovens vão voltar a ser organizados de acordo com o modelo internacional (e eu tenho esperança que haja boa vontade nas ligações entre os nossos clubes e o Desporto Escolar para que os impactos negativos da diferenciação com o DE possam ser eliminados) com 20/18/16/14 a formar os escalões de competição e 12/10 os escalões de formação. Nos seniores as únicas alterações incidem no regresso das regras de promoção / despromoção, não aplicáveis no actual Regulamento de Competições. Nos veteranos, os argumentos levantados na Reunião de Clubes foram determinantes para se voltar atrás na intenção de adequar o modelo competitivo ao da IOF, optando assim por manter os escalões D35 e H35 da Orientação em BTT sem alterações.


Destacar os escalões Elites, valorizar os jovens e não esquecer os veteranos

Orientovar - No Fórum debateu-se muito a questão dos Veteranos e... os Veteranos (pelo menos alguns) parece não terem ficado muito agradados com as propostas apresentadas. Pedia-lhe que contextualizasse melhor esta problemática e explicasse porque é que defende que “sempre que beneficiarmos veteranos em contributos para rankings estamos a fazê-lo à custa dos jovens e dos seniores”. A ponderação não devia estar estabelecida de tal forma que não se pudesse falar de benefício de uns em detrimento de outros?

Luís Santos - Na Reunião de Clubes, o Mário Duarte lançou-me uma pergunta clara que me permitirá responder também a esta questão: "O que quer a FPO com o Ranking de Clubes?". Antes de responder como respondi, lembro que, noutros países, não há rankings de clubes. Este é um conceito português que vem desde os primórdios da FPO. Mas o que respondi ao Mário foi próximo disto: "A FPO quer um Ranking de Clubes que saiba destacar os seus escalões mais importantes (Elites), que saiba valorizar e levar os clubes a apostar nos jovens e que não esqueça os veteranos. Os pesos e contributos de cada um terão de ser sempre avaliados com bom senso." Porque não ter um Ranking com 10 seniores e 5 jovens? Noutras modalidades os veteranos não contam para nada. As contagens para o IDP só consideram os veteranos que participam nos escalões seniores. Porque não ir de encontro a quem defende que o ranking deve dar representatividade ao peso que os participantes têm e fazer um ranking de clubes com 4 jovens, 6 seniores e 10 veteranos? São fórmulas possíveis mas na minha opinião não servem porque não traduzem com bom senso o objectivo que a FPO tem para o Ranking de Clubes - destacar os escalões Elites, valorizar os jovens e não esquecer os veteranos.

Note-se que no centro do debate está a alteração de 7 veteranos agora com 75%, para apenas 6 com 90% da pontuação. E qual é o impacto disto no peso dos veteranos? Passariam dos 25% actuais para 25,5%. Claro que esta pequena percentagem é "retirada" aos jovens e aos seniores, por isso é que escrevo que não se pode mexer num sem ter impacto nos outros.


Será o modelo imposto pela IOF para os tempos de vencedor que nos condiciona e faz perder participantes?

Orientovar - Acha que investir na divulgação junto dos adeptos da BTT para os arrastar para as provas de Orientação em BTT pode ser um caminho?

Luís Santos - Este fim-de-semana o Pedro Dias deu-me uma imagem do problema da Orientação em BTT que eu nunca tinha assimilado. Diz o Pedro que as grandes Maratonas de BTT agora implantadas talvez tenham sido as responsáveis por nos "levar" quase 150 participantes por evento nas provas de Taça de Portugal de Orientação em BTT. Isto baseado no simples facto do praticante de BTT gostar de fazer muitos kms e andar horas na bicicleta, enquanto na Orientação em BTT tudo acaba ao fim de uma hora e pouco. Será o modelo imposto pela IOF para os tempos de vencedor que nos condiciona e faz perder participantes? Não deveríamos tentar criar um novo conceito de Orientação em BTT com um formato mais longo?

Continuo a achar que também na pedestre perdemos muito com uma decisão da IOF. Quando, até 2004, a IOF não reconhecia o formato urbano, todos organizavam provas de todos os tamanhos e feitios e em Portugal todos os eventos de Sprint eram, na realidade, Distâncias Médias urbanas. O Park'O levava os vencedores a correr mais de trinta minutos nas ruas e jardins das nossas cidades, dando-nos enorme visibilidade e motivando os participantes. A IOF criou o Sprint em reacção ao sucesso que o Park World Tour granjeava ano após ano e com isso "matou" os nossos eventos urbanos. Há 8 anos, entre provas nacionais e regionais, tínhamos mais de uma dezena de eventos urbanos. Hoje em dia, somando os eventos de nível 1 com os de nível 2 temos apenas uma prova que, para alguns, terminou em menos de 10 minutos... Temos que modificar este cenário e dar maior dimensão aos eventos urbanos (que continuam a proliferar nas provas locais).


Se os clubes não tiverem capacidade de resposta, não há nada a fazer

Orientovar - Uma das questões levantadas na Reunião de Clubes teve a ver com o protocolo estabelecido entre a Federação Portuguesa de Orientação e o Desporto Escolar, o qual parece não estar a ser aproveitado ao máximo. O que é que está a falhar na articulação entre o Escolar e o Federado?

Luís Santos - Penso que estamos todos muito "compartimentados" nos nossos mundos e são poucos os que fazem a ponte. Não falo dos jovens, que muitos deles gostariam de aproveitar todas as oportunidades que surgem de ambos os lados. Mas falo dos clubes que dificilmente arriscam em apostar fortemente em protocolos com escolas (é bem diferente dirigir um clube só com veteranos e seniores do que um clube com muitos jovens onde há que tratar de autorizações dos pais, de transportes, de algum controle sobre os jovens, etc, etc.). Da parte da FPO há empenho em aproximar as partes. Mas se os clubes não tiverem capacidade de resposta, não há nada a fazer. E as estruturas escolares não querem saber do desporto federado. E entre estes "compartimentos" surgem alguns professores que se enchem de brio e determinação contra as dificuldades que encontram em ambos os lados e persistem em tentar construir as pontes que deviam existir sem grande esforço como acontece noutros países (principalmente os nórdicos). Pode não ser sempre assim, mas parece-me ser este o ponto de situação actual.


Parece-me haver muita capacidade para pôr eventos de pé

Orientovar - No levantamento efectuado pelo Grupo de Trabalho, um dos aspectos mais interessantes, do meu ponto de vista, tem a ver com o Calendário de Eventos. Circuito de Orientação Urbana, Circuito Nacional de Estafetas e Circuito de Orientação Nocturna parecem ser iniciativas que poderiam contribuir para a revitalização da nossa Orientação. Apesar disto não ter sido abordado na Reunião de Clubes, atrevo-me a perguntar-lhe qual a sua opinião sobre uma eventual proliferação de provas numa altura em que pôr um simples evento de pé constitui já um bico de obra?

Luís Santos - Num dos meus tópicos sobre o Calendário, referi que poderíamos optar por um calendário cheio e permitir aos praticantes serem eles a escolher o que preferem, originando assim uma selecção natural dos eventos mais interessantes a médio prazo em vez de um Calendário leve (como era preconizado pela anterior Direcção apenas com 5 provas de nível 1 previstas para 2012) em que o próprio calendário faz a escolha (minimalista) pelos praticantes. Um dos quadros que mostrei ilustrava que nos últimos anos se organizam mais do dobro dos eventos que se organizavam há 6 ou 7 anos atrás. Parece-me haver muita capacidade para pôr eventos de pé. O problema muitas vezes é a sua dimensão, pois um evento de Taça causa um desgaste incomparável com a maioria dos eventos locais. Mas apontando factos: (a) A soma dos eventos de Taça de Portugal nível 1 e 2 é menor do que a soma dos antigos eventos regionais e nacionais (e mesmo menor do que a soma dos nacionais com as Taças FPO); (b) A Orientação em BTT mantém o número de eventos nacionais; (c) O Circuito Nacional Urbano é o único realmente novo, mas que visa dar destaque aos eventos urbanos de grande qualidade já existentes, dando-lhes visibilidade e atractividade, em vez de não passarem de uma prova local; (d) O Circuito Nacional de Estafetas visa apenas enquadrar os eventos de Estafetas que já se realizam; (e) O Circuito Nocturno não deverá ter enquadramento FPO, sendo apenas organizado esporadicamente por alguns clubes já com larga tradição nesses eventos, não são eventos que nasceram agora.


Só experimentando poderemos descobrir...

Orientovar - As problemáticas subjacentes às Corridas de Aventura e à Orientação de Precisão passaram praticamente à margem da Reunião de Clubes. Que leitura faz, contudo, desta realidade?

Luís Santos - Fiz Corridas de Aventura durante alguns anos mas parece-me ser actualmente uma realidade cada vez mais diferente dos formatos de Orientação Pedestre e de Orientação em BTT. Parece-me que as dificuldades que a Federação Portuguesa de Orientação encontrou em cativar clubes para organizarem eventos e o maior impacto da crise nestes eventos (como foi referido na reunião as dificuldades financeiras pesam mais nestes eventos do que nos formatos de Orientação Pedestre e Orientação em BTT) não antecipam um futuro risonho para esta disciplina no seio da FPO. Quanto à Orientação de Precisão, muito é já feito em eventos locais ou mesmo em eventos específicos só para Trail-O mas talvez falte agora a integração da disciplina nos grandes eventos pedestres. Terão os clubes abertura para integrar este formato nos seus eventos? Terão capacidade de os organizar com qualidade? Haverá interessados? Só experimentando poderemos descobrir...


Considero que estamos actualmente em contra-ciclo com a sociedade

Orientovar - Quais os próximos passos delineados pelo Grupo de Trabalho ao qual preside?

Luís Santos - Nos próximos meses vamos abordar os tópicos que faltam pois há ainda assuntos particularmente relevantes por apresentar (políticas de preços, sistemas de inscrições, rankings, campeonatos nacionais, só a título de exemplo) para depois se construir o Regulamento de Competições 2012 e o Estudo do Grupo de Trabalho solicitado pela Direcção da Federação Portughuesa de Orientação, nunca excedendo o horizonte temporal do final do ano. Espero que possamos acima de tudo dar um bom contributo e consigamos ter uma modalidade no caminho certo. Devo salientar que eu considero que estamos actualmente em contra-ciclo com a sociedade, pois apesar da crise, temos hoje selecções com uma qualidade como nunca tivemos, exportamos Orientação, acolhemos um dos mais famosos eventos regulares do Mundo, temos dos melhores cartógrafos do Mundo, estamos a mais de meio de uma época com eventos de qualidade nivelada bem por cima e continuamos a ter muita gente com vontade de evoluir, seja a trabalhar ou a correr. E também me parece importante que não nos deixemos esmagar como outros pelos efeitos da crise. A nível familiar, sendo eu e a minha mulher funcionários da Administração Pública, já levei vários rombos no orçamento familiar nos últimos meses. Há que procurar novos caminhos, ir à luta e não desistir. Com as vacas gordas todos sabem viver, mas é nos momentos difíceis que se vê a nossa força.

[O Orientovar deixa aqui um público agradecimento a Carlos Monteiro, por ter partilhado o seu resumo da Reunião de Clubes, verdadeiro ponto de partida para a preparação desta Entrevista]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

quarta-feira, 29 de junho de 2011

RAID ILHA AZUL / CAMPEONATO NACIONAL DE CORRIDAS DE AVENTURA 2011: IMPRESSÕES




No rescaldo do Raid Ilha Azul // Campeonato Nacional de Corridas de Aventura 2011, o Orientovar publica as declarações de Eduardo Oliveira, Jorge Rui Xará e Nuno Leite a propósito do evento. Fica ainda um sincero agradecimento ao Nuno Leite, nosso interlocutor nos contactos com os intervenientes no Raid Ilha Azul.


O Raid Ilha Azul foi uma experiência muito positiva de uma Corrida de Aventura num território fantástico, em que vários dos postos de controlo estavam colocados em vulcões, rodeados por uma paisagem deslumbrante da ilha do Faial no meio do Atlântico.

A prova estava muito bem organizada com uma logística adequada ao local, com uma variedade de actividades ao longo das etapas, e percursos bem dimensionados e com uma dificuldade inerente a um Campeonato Nacional, que juntou à importante componente física uma vertente de estratégia e orientação que foi também relevante em várias etapas.

O apoio das entidades nos Açores foi muito importante e visível ao longo da prova, o que também foi mais um trunfo a reforçar o sucesso desta prova.

O ponto menos positivo da prova foi a chuva e o nevoeiro de sábado que não permitiram apreciar na totalidade a beleza da zona da Caldeira, mas que a espaços ainda foi possível discernir. No resto a organização e a prova foram 5 estrelas, e os percursos na levada e ao longo dos vulcões foram dos pontos mais altos de sempre das Corridas de Aventura em Portugal.

O número de equipas não foi muito elevado, possivelmente devido à crise económica e às dificuldades logísticas e de deslocação para uma prova nos Açores, mas quem participou esteve de corpo e alma na prova e deu por bem entregue este fim de semana de Aventura.

O futuro das Corridas de Aventura continua ainda a ser uma incógnita, mas o potencial continua todo lá e provas como esta só reforçam o seu prestígio, agora só depende dos participantes continuarem a darem força às CA's com a sua participação nas provas, e aos organizadores continuarem a fazer provas de qualidade, com as limitações existentes, tal como o CAB Barreiro / GDU Azoia conseguiram nesta prova, e a próxima também promete no início de Setembro a ser organizada noutro local também tão emblemático como a Serra da Estrela.

Eduardo Oliveira

Equipa ATV Aventura
2º classificado no escalão Aventura



Se hoje em dia já é difícil organizar uma Corrida de Aventura à porta de casa, então ir daqui para os Açores é uma tarefa enorme

Esta época a nossa equipa de Corridas de Aventura cresceu em termos de atletas e patrocínios, e competiremos nas provas sempre com pelo menos duas equipas: a Globaz.pt em Elite, e a Destilaria Levira em Aventura. Foi assim no Somozas Extreme e também agora nos Açores.

Os objectivos de ambas as equipas são lutar pelos lugares cimeiros nos seus escalões. A Destilaria Levira tinha como objectivo vencer em Aventura, o que acabou por acontecer. Já a Globaz.pt normalmente não luta pela classificação X ou Y; vamos lá tentar dar o nosso melhor, e depois olhamos para a tabela classificativa. Sabemos que em Elite estamos a competir com algumas equipas mais fortes que nós fisicamente, com outras mais experientes em termos de orientação e estratégia, e com outras são melhores que nós em ambos os aspectos!

Nesta prova dos Açores as nossas duas equipas acabaram por andar a maior parte do tempo juntas.

Na Globaz.pt, de uma forma geral, a prova correu-nos bem no Sábado e chegámos ao final do dia com menos 2 CPs' que o Clube de Praças da Armada. Esta desvantagem foi fruto de duas excelentes etapas pedestres que os Praças fizeram em que efectivamente foram melhores que nós. No Domingo sabíamos que ia ser muito difícil ganhar-lhes 2 CPs e, por outro lado, os terceiros classificados CCA Sintra já estavam a alguma distância de nós. Neste dia a prova já não nos correu tão bem como no Sábado: um atraso na nossa partida e uma estratégia que não terá sido a óptima em termos de número de CP's controlados fez com no final ficássemos com os mesmos 2 CP's de distância para os Praças.

Já a Destilaria Levira acabou o dia de Sábado com uma vantagem confortável para os segundos classificados ATV Aventura e, no Domingo, graças a uma excelente última etapa pedestre urbana na Horta, ainda conseguiram ampliar mais a vantagem.

Quanto à prova em si, todos nós adorámos. Os Açores, em termos de Natureza, são um destino fantástico e lindíssimo, e por isso são um local quase perfeito para as Corridas de Aventura. As etapas pedestres foram lindíssimas. A sefunda foi lá em cima, na zona da Caldeira, à qual demos a volta, e as paisagens para dentro da Caldeira, para a ilha e para o oceano são fantásticas. Foi pena que o tempo nessa etapa estivesse chuvoso e enevoado, mas mesmo assim valeu bem a pena. A quarta etapa também foi bonita, acabou nos Capelinhos e até tivemos que controlar um CP fantástico e de acesso difícil dentro de uma pequena caldeira vulcânica.

As etapas de BTT foram menos técnicas em termos de Orientação (quase sempre em estradão e asfalto), mas fisicamente muito duras porque andámos constantemente num sobe-e-desce com declives grandes. Para além da canoagem na Horta, que soube muito bem porque no Domingo já fazia algum calor, destaque ainda para a qualidade das actividades de cordas.

Por último gostávamos de louvar a Organização pelo empenho em realizar esta excelente prova (com poucas falhas), num local já remoto e em que devem ter tido bastantes dificuldades em levar este projecto até ao fim. Se hoje em dia já é difícil organizar uma Corrida de Aventura à porta de casa, então ir daqui para os Açores é uma tarefa enorme. Com certeza que se depararam com muitas dificuldades logísticas, poucas equipas a poder participar, alguma desmotivação no panorama nacional das Corridas de Aventura, mas mesmo assim fizeram aos atletas presentes esquecer tudo isso e até pareceu que estavámos numa daquelas provas dos 'velhos tempos'.

Espero sinceramente que esta prova possa ter trazido algum ânimo às CA's em Portugal.

Jorge Rui Xará

Equipa Globaz.pt
2º classificado no escalão Elite
Equipa Destilaria Levira
1º classificado no escalão Aventura




Faz todo o sentido as Corridas de Aventura na FPO!

Eu cheguei a ser das pessoas que inicialmente não estava de acordo com a integração das Corridas de Aventura na FPO. Em 2004 fui convidado pelo Rui Morais a acompanhá-lo na Supervisão da prova do Fundão onde pela primeira vez tomei contacto com esta disciplina. Depois comecei a acompanhar devido à cronometragem, à preparação dos mapas com o Carlos Lisboa e sem dar por ela devo ser das pessoas que mais participou em provas aventura nos últimos anos sem nunca ter efectivamente corrido ou pedalado numa (enquanto atleta). É com orgulho que me sinto parte desta família e a pergunta "quando é que fazes uma prova?" vai-se repetindo. A seu tempo!

Entristece-me por tudo isto a situação actual das Corridas de Aventura, mas na Ilha Azul e sob um céu nem sempre da mesma cor, viu-se esperança! E viu-se também uma excelente prova, viu-se ânimo, viu-se competição, camaradagem, diversão! Este é certamente o início da viragem e será de certeza aproveitado pelas próximas organizações. Estas só têm de precaver uma coisa para evitar o pior: Informação atempada! Ponto fulcral!
Termino com o inverso do começo. Faz todo o sentido as Corridas de Aventura na FPO!
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Nuno Leite

Sector de Informática
Organização Raid Ilha Azul



Mais informações sobre o Raid Ilha Azul // Campeonato Nacional de Corridas de Aventura 2011 em http://www.raidilhaazul.com/.


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

RAID ILHA AZUL / CAMPEONATO NACIONAL DE CORRIDAS DE AVENTURA 2011: SABOROSA "DOBRADINHA" DO CLUBE DE PRAÇAS DA ARMADA




O Clube de Praças da Armada – Elite e Elite Mista – foi o grande vencedor da quarta edição dos Campeonatos Nacionais de Corridas de Aventura. Uma prova de excelência para atletas de excelência num local a condizer: Faial, a Ilha Azul.


A ilha do Faial, no Arquipélago dos Açores, foi neste fim-de-semana o epicentro duma prova maior do calendário competitivo das Corridas de Aventura em Portugal. Pontuável para a Taça de Portugal de Corridas de Aventura 2011 e, simultaneamente, Campeonato Nacional de Corridas de Aventura 2011, o Raid Ilha Azul foi promovido pela Associação dos Desportos da Ilha do Faial, teve Direcção Técnica do Clube Aventura do Barreiro e Grupo Desportivo União da Azoia e contou com os apoios do Município da Horta, Associação Regional de Turismo - Turismo do Grupo Central dos Açores e Direcção Regional do Ambiente dos Açores.

Distribuído por oito etapas e 74 CP's ao longo de dois dias de prova, o Raid Ilha Azul contou com a participação de oito equipas no escalão de Elite (três das quais no sub-escalão de Elite Mista), igualmente oito equipas no escalão de Aventura e quatro no escalão de Promoção. Progressão pedestre e em BTT, Canoagem, Natação, actividades verticais, patinagem e Tiro com Arco foram alguns dos ingredientes dum evento que, no seu conjunto, levou os atletas a percorrer a ilha de uma ponta a outra, numa distância total de 195 quilómetros (145 dos quais em BTT) e com uma subida acumulada de 5.390 metros. Extra evento houve ainda uma Acção de Formação de Corridas de Aventura, que decorreu no passado mês de Abril, bem como uma subida ao Pico, o ponto mais alto de Portugal, para "descomprimir" após dois intensos dias de prova. O bem receber das gentes faialenses e as belezas intrínsecas da ilha fizeram o resto, num todo memorável a inúmeros títulos.


Clube de Praças da Armada segura vantagem

Na jornada-rainha de sábado – 49 CP's para um total de cinco etapas – a turma do Clube de Praças da Armada, composta por António José Moura, Eduardo Sebastião e Sílvia Araújo, fez questão de marcar a sua posição desde logo, determinada em repetir a proeza de 2008, na primeira edição dos Nacionais de Corridas de Aventura, numa altura em que fez a “dobradinha”, sagrando-se Campeã Nacional no Escalão de Elite e Elite Mista. 48 CP's para os atletas do Clube de Praças da Armada contra 46 CP's da Globaz.pt, de Jorge Xará, António Carlos Figueiredo e Hugo Evaristo, não permitiam respirar de alívio à entrada para as três etapas finais e para os 25 decisivos CP's.

Terceira classificada no final do primeiro dia, a turma do Exército 1, com Ana Magina, Hugo Marques, Rui Moura e Rui Morgado Cupido, teve um furo na Etapa 6 e viu-se forçada a abandonar, deitando por terra as aspirações de chegar ao pódio de Elite, embora com tudo em aberto no que à Elite Mista diz respeito. Na luta pelo título nacional, a Globaz.pt ainda conseguiu na 6ª etapa encurtar para um escasso CP a distância que a separava do Clube de Praças da Armada, mas tudo voltou à “primeira forma” na Etapa seguinte. A última etapa viu ambas as equipas alcançarem o mesmo número de CP's pelo que, no final, o Clube de Praças da Armada acabou por chegar com inteiro mérito ao título nacional de Elite, um facto que acontece pela terceira vez em quatro edições dos Campeonatos. Globaz.pt e CCA Sintra (Pedro Simões, Miguel Fernandes e Vasco Rodrigues) concluiram nas posições imediatas. Mercê da constituição da própria equipa, o Clube de Praças da Armada acabaria por acumular o título de Elite com o de Elite Mista, deixando a turma do Exército 1 no segundo lugar deste sub-escalão, enquanto a terceira posição coube ao GDU Azoia (António Rusga, Márcia Rusga e Sofia Isabel Valente).


Destilaria Levira vence escalão Aventura

Embora sem contar para a atribuição dos títulos nacionais, o escalão Aventura teve na Destilaria Levira (Germano Veiga, Nuno Seabra e Adelino Silva) a grande vencedora, com um total de 66 CP's em 74 CP's possíveis. A turma da Anadia começou por se impôr logo na primeira etapa, sendo a única a pontuar em todos os CP's. Ao longo da jornada de sábado, a diferença para os principais competidores não era de modo algum significativa, à semelhança do que acontecia também no escalão de Elite. A Destilaria Levira comandava com 46 CP's, contra 44 CP's do ATV Aventura (Eduardo Oliveira, Paulo Santos e André Herdade) e 41 CP's dos Ultra-Leves do CPOC (André Ribeirete, José Manuel Silva e Vladimiro Sá). No último dia, a turma da Destilaria Levira viria a juntar mais 20 CP's ao seu pecúlio, contra 17 dos seus mais directos adversários, vencendo de forma destacada.

A finalizar, retiramos do Grupo Raid Ilha Azul, no Facebook, as impressões de António Neves, Director Técnico da Prova: “Para uns, a bela ilha do Faial foi obra de Deus, para outros obra da Natureza. Mas uma certeza tenho eu: no Raid Ilha Azul a obra nasceu, mas o sonho foi de mulher - o que, na verdade, até é a realidade mais comum.
 Esta conjunção favorável deu origem a uma “obra prima” nas Corridas de Aventura. Desculpem a imodéstia mas é a minha (suspeita) opinião.
 Na verdade, a determinação da Esmeralda Câmara impulsionou uma equipa excepcional de pessoas generosas e experientes que souberam elevar esta modalidade desportiva ao melhor nível.
 Venho aqui publicamente elogiar e agradecer aos faialenses a sua hospitalidade (descrever o modo como nos souberam receber merece mais tempo).”


Resultados

Elite
1º CP Armada – 66 CP's 21:49:55
2º Globaz.pt – 64 CP's 21:40:49
3º CCA Sintra – 57 CP's 21:51:13
4º Exército 1 – 52 CP's 24:31:44
5º Exército 2 – 50 CP's 22:10:19
6º Millennium BCP 1 – 49 CP's 22:12:32
7º GDU Azoia – 39 CP's 20:53:09
8º GDU Azoia A'ventura Raid Team – 15 CP's 24:120:03

Elite Mista
1º CP Armada – 66 CP's 21:49:55
2º Exército 1 – 52 CP's 24:31:44
3º GDU Azoia – 39 CP's 20:53:09

Aventura
1º Destilaria Levira – 66 CP's 21:47:22
2º ATV Aventura – 61 CP's 21:48:27
3º Ultra-Leves do CPOC 58 CP's 21:39:43


Corridas de Aventura regressam em Setembro

A Taça de Portugal de Corridas de Aventura regressa em Setembro, pelas mãos da ADFA, com o Extreme Challenger. As belas paragens da Serra da Estrela voltam a receber uma prova de Aventura ao mais alto nível, para dois dias da mais pura adrenalina.

Saiba mais sobre o Raid Ilha Azul // Campeonato Nacional de Corridas de Aventura 2011 em http://www.raidilhaazul.com/.


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

LUÍS SILVA E O EYOC JINDŘICHŮV HRADEC 2011: "TODOS NÓS SAÍMOS DAQUI COM UMA GRANDE DESILUSÃO E COM UMA GRANDE BOFETADA NA CARA"




No regresso a Portugal, Luís Silva, o nosso Vice-Campeão do Mundo de Distância Longa nos Mundiais ISF de Desporto Escolar, fez chegar, em jeito de desabafo, a sua visão daquilo que foi o Campeonato da Europa de Jovens de Orientação Pedestre EYOC 2011.


Mais um EYOC e mais uma vez os portugueses voltam ao mesmo, e porquê? Falta de qualidade? Falta de treino? Não! simplesmente nenhum de nós sabe o que são estes mapas! Não há uma preparação correcta e não há milagres! Qualquer um de nós poderia ter sido campeão da Europa quer de Sprint, quer de Longa se não fosse termos perdido 15 minutos!!! Não porque não sabemos fazer Orientação mas porque não temos preparação nenhuma para isto, prova de que a culpa não é nossa, vejam os parciais que ganhamos ao longo da corrida, e acreditem que não é fáci ou ainda investiguem partes das provas e vejam o nosso lugar e percebem do que falo! E querem mais? Resultados em Itália e do EYOC do ano passado, em nenhum desses locais estávamos em terrenos estranhos. O segredo foi uma preparação atempada em que conhecemos os terrenos antes! Estávamos preparados! Agora quem achar que não viemos cá fazer nada, pense duas vezes antes de abrir a boca, pois todos os que estão aqui são atletas tão bons como qualquer um que anda por ai na Europa. A única diferença são as condições.

Todos nós saímos daqui com uma grande desilusão e com uma grande bofetada na cara, com a noção do nosso valor mas, e principalmente, do trabalho e da preparação adequada que tem de ser feita para grandes resultados serem obtidos. Acreditem que aqueles que foram a este EYOC e aqueles que ainda não foi desta que tiveram a oportunidade, têm toda a capacidade e ambição de fazer grandes feitos. É preciso é, além de muita vontade e crer, muito trabalho individual e colectivo, com a ajuda de clubes e Federação.

Luís Filipe Xavier Silva

terça-feira, 28 de junho de 2011

OS VERDES ANOS: ANA ANJOS




Olá

Eu sou a Ana Anjos, vivo em São Pedro da Gafanhoeira e frequento o 10º Ano no Curso de Ciências e Tecnologias na Escola E.B 2,3 /S Cunha Rivara, de Arraiolos.

Comecei a praticar Orientação quando tinha 12 anos, por incentivo de familiares. A minha primeira prova foi feita com a minha mãe e com a minha irmã, e a recordação mais “viva” na minha cabeça daquele dia é uma simples pergunta: “Como é que alguém pode saber orientar-se no meio do mato com apenas um mapa?”. Esta pergunta não me saía da cabeça e foi aí que o meu interesse pela Orientação cresceu.

A partir daí comecei a ir aos treinos, a ficar cada vez mais interessada e “envolvida” no mundo da Orientação e ai cresceu a minha paixão por este desporto. Lembro-me da minha primeira prova sozinha, como se fosse ontem: foi em Canha e, infelizmente, não consegui chegar ao segundo ponto, ou seja, desisti. Nesse dia estava a chover imenso e o sentimento que ficou mais presente em mim foi o medo que eu tive de me perder, mas acho que o medo é uma coisa boa e que muitos dos atletas da Orientação, tal como eu, também o tiveram no inicio.

Depois desta prova, passei por um período difícil na Orientação, pois o medo de me poder perder fazia com que eu não conseguisse fazer boas provas, mas apesar dele estar presente eu continuava a treinar e nunca desisti. Pouco tempo depois, nesse Verão, já partia rumo a França, para a minha primeira prova fora de Portugal. As coisas não foram fáceis mas com o apoio dos meus amigos, do meu clube e da minha família, consegui superar algumas dificuldades que lá encontrei.

Apesar dos vários obstáculos que tive, como por exemplo, o medo, posso dizer que graças ao apoio que recebi consegui ultrapassá-los e tornar-me na atleta e pessoa que sou hoje.

Até hoje já ganhei alguns prémios, como ser Campeã Nacional de Desporto Escolar Individual e por Equipas em dois anos consecutivos, e já participei em algumas provas importantes fora do país, como o EYOC 2010 (Campeonato da Europa de Jovens) e o Campeonato do Mundo de Desporto Escolar.

No futuro, o meu maior objectivo, como atleta, é evoluir, conseguir ser apurada para o EYOC do próximo ano e obter bons resultados a nível nacional. Mas no meio de tantos objectivos encontro uma certeza: a Orientação nunca sairá da minha vida.

Ana Anjos
Clube de Orientação da Gafanhoeira – Arraiolos
Fed 4533

segunda-feira, 27 de junho de 2011

EYOC JINDŘICHŮV HRADEC 2011: IMPRESSÕES (III)




O Orientovar coloca um ponto final em mais uma maratona jornalística. Ao longo do dia foram chegando impressões dos mais variados quadrantes acerca desta edição do Campeonato da Europa de Jovens de Orientação Pedestre e às quais damos agora o devido destaque.


Estou bastante contente com as minhas performances, porque este era o meu último ano no EYOC e consegui um lugar entre as dez primeiras classificadas em todas as distâncias. Talvez pudesse ter conseguido um resultado melhor na prova de Sprint, mas um pequeno erro e algumas más opções acabaram por determinar o 6º lugar. Na prova de Distância Longa e nas Estafetas, cometi erros que me custaram cerca de três minutos, mas as coisas são como são. Penso que a Organização esteve muito bem. As provas foram interessantes, os alojamentos confortáveis e o banquete muito bom.
Vesta Ambrazaite (Lituânia)


Gostei das provas porque corro na República Checa e gosto particularmente dos nossos terrenos. A grande prova, para mim, foi a Distância Longa. A preparação foi feita em conjunto com os meus colegas de equipa, em terrenos semelhantes àqueles onde a prova decorreu. Esta preparação específica é uma das razões pelas quais eu cometi apenas alguns pequenos erros. Estou realmente muito surpreendido com os meus resultados e agora sinto-me bastante satisfeito.
Jan Pavlovec (República Checa)


Não fiquei inteiramente satisfeita com a minha prova de Distância Longa, apesar de não ter cometido grandes erros. Todavia, acabei por fazer duas opções realmente muito estranhas onde perdi algum tempo. Senti-me psicologicamente bem, tal como do ponto de vista técnico, estava bastante concentrado nos momentos que antecederam a partida e toda a minha prova foi feita com o pensamento na melhor performance. Gostei muito do terreno, embora a floresta não fosse exactamente aquilo que estava à espera (muitos verdes e uma enorme quantidade de ramos soltos espalhados pelo chão). Mas não posso deixar de estar contente com as minhas duas medalhas de bronze este ano.
Anja Arbter (Austria)


Para começar, devo dizer que estou bastante contente com o meu resultado na prova de Distância Longa, apesar de não ter alcançado o meu objectivo que era a medalha de ouro. Após o ponto de espectadores, cometi dois erros e isso fez com que apenas conseguisse o 4º lugar. Senti-me muito bem fisicamente, muito concentrado, este era um terreno que me era bem conhecido e por isso o meu resultado talvez pudesse ter sido um pouco melhor... A organização esteve muito bem, gostei tanto dos percursos como dos terrenos.
Dávid Franko (Eslováquia)


A prova de Sprint era realmente muito rápida mas não muito exigente tecnicamente, daí que o importante era mesmo correr o mais rápido que pudéssemos. Não estava preparada para isso, mas consegui puxar por mim até ao limite e, no final, nem queria acreditar que tinha conseguido a medalha de bronze – foi uma enorme surpresa! O mapa era interessante e tínhamos que manter a concentração o tempo todo (ainda fiz uma má opção), o que é o melhor que uma prova de Sprint pode oferecer. Gostei realmente imenso desta prova.
Sandra Grosberga (Letónia)


Gostei muito da minha prova. Entrei no mapa de forma algo descuidada, sobretudo quando me embrenhei nas zonas mais verdes e de menor visibilidade, mas de repente vi que não estava sozinha. Havia ali um montão de gente à minha volta. Isto foi assim como uma espécie dum abanão, levando-me a tomar outros opções porque queria ser a primeira a controlar! Quando passei no ponto de espectadores, senti-me com força suficiente para atacar os quilómetros que faltavam. A partir daqui, fiz uma prova praticamente perfeita, ombro a ombro com uma atleta alemã. Quando piquei o penúltimo ponto, forcei mais ainda e deixei a minha adversária para trás, guardando as últimas forças para o sprint final. Foi excelente, porque consegui uma vantagem de 9 segundos! Depois foram os abraços de parabéns pelo meu quarto lugar, que sinceramente não estava à espera. Foi espectacular! A Organização esteve muito bem. Tudo correu na perfeição e não tenho razões de queixa em relação ao que quer que seja. Parabéns a todas as pessoas que se envolveram na organização, planificação e supervisão das provas. Fizeram realmente um trabalho fantástico!
Florence Haines (Grã-Bretanha)


As minhas impressões acerca da prova de Distância Longa do EYOC são deveras positivas. Estou muito satisfeito com o resultado alcançado, uma vez que, antes da partida, pensava com os meus botões que um lugar no top-20 já me deixaria muito feliz. Entretanto, no ponto de espectadores, percebi que estava a fazer uma boa prova e tentei acompanhar Algirdas Bartkevičius, ele que tinha saído dois minutos antes de mim e entretanto apanhara-me. Depois ouvi que ele ía para o primeiro lugar (o Mikkel Aaen ainda não tinha chegado) e dei tudo quanto podia. Acabei por ficar no quinto lugar, o que me deixou radiante. Quanto à Organização do EYOC, foi muito boa. Clara que houve algumas falhas, mas que eu consideraria insignificantes.
Martin Šmelo Šmelík (Eslováquia)


Para começar, guardo excelentes recordações deste EYOC na República Checa, tanto pelas corridas como pelo ambiente no seio da nossa equipa e pelos resultados alcançados. Começaria pela prova de Sprint, onde terminei no 4º lugar, o que constituiu uma excelente surpresa para mim. O percurso estava muito bem traçado, adorei correr no Parque, era rápido, técnico, digno duma prova de Sprint duns Campeonatos da Europa. O local das partidas e chegadas era lindíssimo, adorei! Estava muito ansiosa na zona de quarentena mas soube gerir bem esse stress todo, o que me motivou durante a prova e soube manter os níveis de concentração até ao fim. Uma má opção talvez me tenha feito perder alguns segundos... De seguida, a prova de Distância Longa foi uma decepção porque perdi mais de três minutos logo no primeiro ponto, numa zona de vegetação densa, tendo passado várias vezes mesmo ao lado do ponto sem o ver. O resto da prova foi soberbo, uma floresta relativamente limpa, muitas zonas alagadiças... os franceses estavam lá para me encorajar à passagem pelo ponto de espectadores. Mas fiz então alguns erros de rota devidos, sobretudo, à fadiga acumulada. Apesar de tudo estou contente porque, apesar do 11º lugar final, consegui fazer dois melhores tempos intermédios o que constituiu uma motivação forte para a pova do último dia. A festa do EYOC teria sido realmente uma bela festa que se prolongaria pela noite dentro, não fora o facto de precisarmos de estar em forma para a derradeira prova. Falando da prova de domingo, devo confessar a minha decepção pelo facto de a organização não ter previsto uma tenda para os atletas de cada país (os atletas que se deslocaram de avião não iam trazer a sua própria tenda, como se pode imaginar...), o que poderia ter tido outro impacto e ter-se tornado mais convivial do que cada um vir para os carros trocar de roupa em vez de ficar por ali a encorajar os colegas... é que, para além do mais, estava a chover! Quanto à prova, adorei. Uma prova deveras longa (19 pontos de controlo), pontos técnicos a exigir uma enorme concentração. A minha colega que fez o primeiro percurso chegou no décimo lugar com um atraso de três minutos para a segunda posição (as primeiras já estavam demasiado adiantadas...). Eu fiz o percurso intermédio, consegui apanhar algumas adversárias antes ainda do primeiro ponto de controlo, seguimos juntas mais dois pontos mas eu cometi um erro e elas adiantaram-se novamente. Após este erro voltei a concentrar-me e fiz uma prova perfeita até ao 9º ponto, numa altura em que não fazia a mínima ideia de qual seria a minha posição. Quando passei no ponto de espectadores e o 'speaker' disse que eu era a segunda classificada, nem queria acreditar. Consegui segurar a posição nos pontos que faltavam e entreguei o testemunho para o último percurso com três minutos de atraso em relação às checas e quatro à frente da Suiça. Honestamente, não acreditei que a minha colega de equipa conseguisse segurar o 2º lugar, com a Suiça na perseguição e também a Rússia, dois países potencialmente superiores. Mas a verdade é que ela fez uma prova incrível, à passagem no ponto de espectadores mantinha a segunda posição e foi com grande alegria que, depois de vencer o último 'loop', a vimos chegar. Não foi fácil! Inesquecível, este EYOC 2011!
Delphine Poirot (França)


Agradeço a oportunidade que me dá de partilhar aqui as minhas impressões. Gostei muito do EYOC deste ano. Estas experiências têm para mim um valor inestimável. Foi uma pena não me poder apresentar a 100%, porque estive bastante doente antes da competição e ainda não me encontrava completamente restabelecida. Mas serviu de motivação para treinar mais ainda, com vista às competições do próximo ano. Dum ponto de vista global, considero que a organização esteve a nível bastante suficiente, mas confesso que a Cerimónia de Abertura não me agradou de todo e também não achei bem que, nas Estafetas, fossem dado um único Diploma para os três elementos que constituíam cada equipa. No final, fiquei bastante feliz com o nosso 4º lugar. Desejo boa sorte aos atletas e à Orientação portuguesa.
Nina Kuznetsova (Ucrânia)


Este foi o meu primeiro e, infelizmente, último JWOC. Portanto, dei o meu melhor. O meu melhor resultado foi um 9º lugar na prova de Sprint. Estava bastante cansada e senti que poderia correr melhor, mas pelo menos fui a melhor atleta da Estónia. Estou contente, mas ainda há algo a “arranhar” dentro de mim. O sexto lugar esteve tão perto... Na prova de Distância Longa cometi alguns erros estúpidos. Na Distância Longa aconteceu aquilo que eu esperava que não acontecesse: havia um ponto no meio dos verdes. Em todas as provas estive tão perto e tão longe do Top-6. Posso dizer que estou quase satisfeita comigo porque percebi que podia bater-me com os melhores orientistas europeus. A organização esteve bem. Tudo dentro dos horários e sem grandes erros os defeitos a apontar.
Evely Kaasiku (Estónia)


Foram dias bam passados na República Checa e aprendi imenso sobre como as coisas funcionam numa competição internacional. Antes dos Campeonatos, não tinha um grande conhecimento acerca dos outros participantes e, por isso, não especulei demasiado quanto aos meus resultados. Acima de tudo, o mais importante para mim era manter-me concentrada e fazer o meu melhor nas provas. Senti-me bastante ansiosa e cometi alguns erros durante a prova de Sprint mas estou muito satisfeita com a prova de Distância Longa. Os momentos mais desafiantes eram aqueles cujos pontos se encontravam nas zonas de floresta mais densa. Aí, fiz uma leitura muita atenta do mapa e, aos pontos mais fáceis, fiz uma abordagem com corrida o mais rápido que podia. Estou realmente muito contente pelo facto da minha boa prova me ter valido a medalha de ouro. Na minha opinião, o EYOC esteve muito bem organizado e tudo pareceu estar sob controle. Tudo o que teve a ver com o alojamento e a alimentação foi muito bom, as corridas foram desafiantes e justas e as Cerimónias muito boas também. Outra coisa que achei óptimo foi o facto de haver muitos habitantes locais a assistir à prova de Sprint o que permitiu fazer dela uma prova de alto nível.
Frida Sandberg (Suécia)

Saiba tudo sobre o EYOC Jindřichův Hradec 2011 em http://eyoc2011.cz/.


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

NORDIC ORIENTEERING TOUR 2011: DANIEL HUBMANN E ANNIKA BILLSTAM RIRAM NO FIM




A segunda edição do Nordic Orienteering Tour chegou ao fim e, com ela, três grandes jornadas de Orientação ao mais alto nível a marcarem o arranque da Taça do Mundo 2011. Depois de Matthias Kyburz e Linnea Gustafsson terem vencido em Porvoo e de Jerker Lysell e Galina Vinogradova se terem imposto em Gotemburgo, foi desta feita a vez de Annika Billstam e Daniel Hubmann terem levado a melhor em Oslo, juntando às respectivas vitórias na terceira e última etapa, saborosos triunfos no NORT 2011.


Uma vez mais, o Nordic Orienteering Tour terminou em verdadeira apoteose. A floresta de Bjørnemyr foi palco duma prova de Distância Média em sistema de “chasing start”, com a ordem e os tempos de partida a serem determinados pelos resultados alcançados nas duas etapas anteriores, levando em conta os tempos das respectivas qualificatórias, acrescidos de um bónus em segundos de acordo com as prestações dos atletas nas finais. Participaram na etapa norueguesa 48 atletas na prova feminina e 58 na prova masculina, com a finlandesa Merja Rantanen e o suiço Daniel Hubmann a serem os primeiros a partir.

Analisando a prova masculina. Daniel Hubmann foi, como dissemos, o primeiro a partir. Os seus compatriotas Matthias Kyburz, Matthias Merz e Matthias Muller viriam a partir com uma diferença de 30, 44 e 51 segundos respectivamente e só 1:05 mais tarde partiria Olav Lundanes, um atleta que “a jogar em casa” ainda tinha uma forte palavra a dizer. Matthias Merz teve um começo demolidor e, com cerca de 10 minutos de prova, tinha anulado a desvantagem para Daniel Hubmann e comandava com 3 segundos de diferença. Com pouco mais de metade da prova percorrida, Merz e Hubmann continuavam na frente separados por escassos dois segundos e, enquanto Kyburz e Müller se atrasavam irremediavelmente, Olav Lundanes mantinha a diferença inicial para os primeiros e seguia agora na companhia de outro suiço, Fabian Hertner.


Curtas vantagens religiosamente guardadas

Após a mudança de mapa, Daniel Hubmann retomou o comando da prova, angariando uma diferença de 17 segundos sobre Matthias Merz. Fabian Hertner e Olav Lundanes, a 46 e 47 segundos de diferença do homem da frente, continuavam na luta pelo triunfo. A verdade é que Hubmann cedeu apenas ligeiramente na parte final, mas não o suficiente para deixar fugir a vitória, concluindo com o tempo total de 1:35:36 e alcançando o seu 14º triunfo em provas pontuáveis para a Taça do Mundo. Matthias Merz foi o segundo classificado, a 12 segundos do vencedor, enquanto a terceira posição caberia a Fabian Hertner, com um registo de 1:36:21, ele que acabou por ser o mais rápido nesta terceira etapa, com um parcial de 51:52.

No sector feminino, a finlandesa Merja Rantanen partiu com uma vantagem de 41 segundos sobre a dinamarquesa Maja Alm e de 47 segundos sobre a sueca Annika Billstam. A verdade é que a meio da prova as diferenças tinham-se esbatido e as três seguiam praticamente coladas umas às outras, na companhia das suecas Lena Eliasson, Emma Claesson e Tove Alexandersson e ainda da suiça Rahel Friedrich. Sete atletas separadas por escassos 31 segundos e tudo em aberto para um final de prova impróprio para cardíacos. Na abordagem à ponta final da prova, Rahel Friedrich e Tove Alexandersson claudicaram, mas a luta na frente estava mais ao rubro do que nunca. Billstam comandava com 42:09, seguida de Lena Eliasson a 3 segundos, Merja Rantanen a 6 segundos, Emma Claesson a 11 segundos e Maja Alm a 13 segundos apenas. Cinco galos (ou, se preferirem, galinhas) para um poleiro, definido apenas nos derradeiros metros. Annika Billstam não se deixou surpreender e venceu com o tempo global de 1:30:33, apenas 6 segundos à frente de Merja Rantanen e 10 segundos à maior sobre Lena Eliasson. O melhor tempo nesta terceira etapa do NORT pertenceu à sueca Emma Claesson, com um parcial de 43:16 e que lhe valeu o quarto lugar final, a 12 escassos segundos da vencedora. Para Annika Billstam esta é uma vitória com um sabor muito especial, a primeira numa etapa pontuável para a Taça do Mundo.




Resultados

Masculinos
1º Daniel Hubmann (Suiça) 1:35:36
2º Matthias Merz (Suiça) 1:35:48
3º Fabian Hertner (Suiça) 1:36:21
4º Olav Lundanes (Noruega) 1:36:23
5º Matthias Müller (Suiça) 1:37:59\
6º Matthias Kyburz (Suiça) 1:38:15
7º Pasi Ikonen (Finlândia) 1:38:27
8º Andrey Khramov (Russia) 1:39:54
9º Martin Hubmann (Suiça) 1:39:55
10º Johan Runesson (Suécia) 1:40:01

Femininos
1º Annika Billstam (Suécia) 1:30:33
2º Merja Rantanen (Finlândia) 1:30:39
3º Lena Eliasson (Suécia) 1:30:43
4º Emma Claesson (Suécia) 1:30:45
5º Maja Alm (Dinamarca) 1:30:51
6º Mari Fasting (Noruega) 1:32:51
7º Linnea Gustafsson (Suécia) 1:32:55
8º Signe Søes (Dinamarca) 1:32:57
9º Rahel Friedrich (Suiça) 1:32:58
10º Tove Alexandersson (suécia) 1:33:21


Taça do Mundo regressa já em Agosto, nos Mundiais de França

Após as três primeiras etapas, a Suiça ocupa as cinco primeiras posições da Taça do Mundo 2011, no que ao sector masculino diz respeito. Comanda Daniel Hubmann, com 263 pontos, seguido de Matthias Merz com 220 pontos, Matthias Kyburz com 160 pontos, Fabian Hertner com 157 e Matthias Müller com 134 pontos. No sector feminino, Annika Billstam é a primeira classificada com 253 pontos, seguida da finlandesa Merja Rantanen com 195 pontos. Nos terceiro e quarto lugares encontramos outras duas atletas da Suécia, Lena Eliasson e Linnea Gustafsson, com 190 e 164 pontos, respectivamente. A quinta posição é ocupada pela dinamarquesa Maja Alm, com um total de 131 pontos. A Taça do Mundo regressará em França, aquando dos Campeonatos do Mundo de Orientação de Pedestre, que têm lugar na região de Savoie-Grand Revard, entre os dias 10 e 20 de Agosto.

Tudo para acompanhar em http://www.woc2011.fr/ ou aqui, no seu Orientovar.



Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

XIII GRANDE PRÉMIO DO RA4: IMPRESSÕES




No rescaldo de mais uma edição do Grande Prémio do RA4, o Orientovar deixa-lhe os depoimentos de alguns dos grandes protagonistas desta grande jornada de Orientação.


O Grande Prémio do RA4 conta todos os anos com um número de atletas bastante elevado para uma prova regional, provavelmente devido à qualidade do evento e ao ambiente que proporciona aos atletas. Este ano foi, concomitantemente, o evento que decidiu os Campeonatos Nacionais Universitários. Relativamente à minha prestação, por ter optado por não repousar para o evento, senti-me fisicamente limitado. Além disso cometi dois grandes erros (daqueles imperdoáveis) no último 'loop', daí que não esperasse ser o primeiro atleta classificado. Bom mapa, bons percursos, bom ambiente, boa almoçarada... que mais se pode querer?
Miguel Reis e Silva (CPOC / Universidade Lisboa)


O XIII Grande Prémio do RA4 foi a mais interessante prova que eu fiz em Portugal! O percurso foi ainda mais difícil por causa do tempo, que foi para mim total inferno. Tive uma grande motivação para ganhar, porque é um titulo único onde a nacionalidade não conta. Cometi erros de cerca de onze minutos no total, daí que ficasse bastante surpreendida com o resultado. Quanto à Organização: 5 Estrelas. Parabéns e obrigada.
Stepanka Betkova (Ginásio C. Figueirense / Universidade de Coimbra)


Participei no XIII Grande Prémio do RA4 com vista à participação no Campeonato Nacional Universitário. A prova não me correu como eu esperava em termos técnicos, perdendo muito (!) tempo em essencialmente dois pontos e com grandes hesitações em outros tantos. Quanto ao nível físico, senti-me bem apesar de não estar habituada a este tipo de distância. Apesar de tudo, penso que a classificação final foi boa, superando as expectativas. Quanto à Organização, esta esteve bastante bem com o culminar de um banquete bem agradável e de convívio entre todos os atletas.
Susana Alves (GD4C / Universidade do Porto)


Costumo participar todos os anos neste evento pela qualidade que apresenta e por ser do ponto de vista competitivo bastante atractivo. Relativamente à minha performance, e por estar um dia bastante quente penso que foi positiva, pese embora um erro grave no antepenultimo ponto que, para além de me ter feito perder bastante tempo permitiu ainda que tivesse sido novamente apanhado pelo atleta que seguia atrás de mim. Foi uma manha bem passada, que culminou com um belo almoço num salutar convivio entre todos os atletas.
Pedro Nogueira (ADFA / AA Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias)


Gosto bastante deste tipo de competição em que se simula estafetas, e penso que foi uma excelente organização com um excelente trabalho do 'speaker' Paulo Franco. Quanto à minha prova, no geral correu-me bem, no entanto fiz alguns erros. No ponto 20 fiz um erro, comecei a procurar o ponto muito cedo pois não passei o último esporão e comecei a procurar o ponto na depressão antes desse esporão. Já mais perto do fim do percurso, no ponto 36, confundi umas reentrâncias e fui procurar o ponto na reentrância ao lado. No geral uma prova boa e com excelente competição.
Tiago Gingão Leal (GafanhOri / AA Universidade Évora)


O XIII Grande Prémio do RA4 foi a prova escolhida para o Campeonato Nacional Universitário deste ano, no qual representei a Universidade de Évora através da sua Associação Académica. Quanto à minha performance, não foi de todo a melhor que poderia esperar, pois fisicamente senti-me bastante limitada. No primeiro 'loop' fiz dois pequenos erros técnicos e quando passei pela primeira vez no 200 ainda poderia vir a recuperar o tempo perdido, contudo voltei a errar mais e a piorar a situação. No geral, a organização esteve bem; penso que o único ponto a apontar é a falta de mais pontos de abastecimento, já que todos os escalões tinham distâncias bastante longas e estava muito calor. Foi muito bom ter representado a minha Universidade com os meus colegas e termos alcançado o lugar mais alto do pódio.
Inês Pinto (GafanhOri / AA Universidade Évora)


Foi uma prova muito dura devido ao calor que se fazia sentir. Cometi alguns erros grandes logo no inicio, o que me desmotivou um bocado. O meu resultado individualmente não foi o melhor , mas foi um bom treino a nível técnico. Colectivamente é impossível o resultado ter sido melhor visto que tanto o GafanhOri como a Associação Académica da Universidade de Évora levaram a melhor e ficaram em 1º lugar. No geral a organização esteve bem, tendo só algumas falhas a nível das inscrições dos atletas, mas que se conseguiram resolver até ao momento da partida em massa.
Ana Coradinho (GafanhOri / AA Universidade Évora)


Creio que, como vem sendo hábito desde que participo nestas provas, o COC nos proporcionou mais uma jornada de Orientação de qualidade. Gosto bastante destes terrenos de pinhal, embora os mesmos exijam bastante da condição física dos atletas devido à areia e, nesta altura do ano, devido ao calor que se faz sentir. Além disso, têm também uma riqueza de detalhes de relevo que nos fazem puxar bastante pela cabeça!
No que à minha prestação diz respeito, o meu objectivo, que era terminar a prova, foi cumprido. Senti que a prova era muito dura fisicamente (desde que saí do D20 que não fazia uma prova deste tamanho, já não sabia o que era uma longa com 9 km há muito tempo!), e o calor dificultou muito as coisas. Ainda assim gostei muito do percurso, principalmente das zonas mais técnicas, que me fizeram perder muito tempo mas que me proporcionaram muito divertimento!
Nunca tinha participado em nenhum Campeonato Nacional Universitário, embora esteja já no 3º ano da minha licenciatura. No entanto, gostei tanto da sensação de correr pela Associação de Estudantes da Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa que acredito que, no próximo ano, voltarei a repetir a experiência!
Liliana Oliveira (CPOC / AEESTeSL)


Fiz uma prova regular, em que só cometi um erro maior. Contudo, o pior estava para vir a três pontos do final, em que passei do 36 para o 38 sem passar no 37, um ponto que estava em linha e que por isso me passou lado! Cheguei em primeiro à meta e foi por isso um grande balde de água fria quando vi aparecer 'mp' na folha dos 'splits'. Quanto à organização, perfeita como sempre tem estado em todas as edições do Grande Prémio do RA4 em que estive presente.
Diogo Miguel (Ori-Estarreja / Universidade do Porto)



[Foto de Hélder Ferreira, extraída da Álbum da prova em https://picasaweb.google.com/hsfleiria2/XIII_RA4_2011?authkey=Gv1sRgCJnb8ue1gdG0XQ]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO