terça-feira, 31 de maio de 2011

LUÍS SILVA NO REGRESSO DOS MUNDIAIS ISF: "SIMPLESMENTE FUI FAZER AQUELA PROVA POR AMOR À MODALIDADE"




Foi o nosso herói naquela manhã inspirada em Val Canali. Luís Silva está de regresso a Portugal, trazendo na algibeira essa medalha de prata – mais uma – conquistada de forma superior na prova de Distância Longa dos Mundiais de Orientação de Desporto Escolar ISF 2011. O Orientovar falou com ele e deixa aqui as impressões de alguém que revela, acima de tudo, uma enorme paixão pela modalidade.


Orientovar - Abriste a tua participação em Mundiais ISF com uma medalha de prata em Edimburgo, em 2008 e fechaste da mesma forma, agora em Primiero. Em que difere o Luís Silva de Edimburgo do Luís Silva actual?

Luís Silva - É verdade, três participações em Mundiais e duas medalhas que em nada são iguais. Em Edimburgo, confesso que fiquei surpreendido e um pouco sem saber como tinha ganho aquela medalha. Fui ao Mundial sem quaisquer expectativas, na altura praticamente nem treinava e as provas que fazia eram escassas. Um dia bom? Sorte? Talvez nunca venha a descobrir o que foi diferente naquele dia, mas de uma coisa estou certo: foi o que me deu motivação para começar a treinar e a tornar-me atleta. Neste Mundial já era tudo diferente, já tinha a experiência de dois Mundiais, sabia para o que ia e sabia o que tinha de fazer. Tinha treinado e trabalho arduamente e naquele momento só esperava os resultados.

Orientovar - Qual a chave do êxito para teres chegado à medalha de prata na prova de Distância Longa dos Mundiais ISF 2011?

Luís Silva - Não há qualquer segredo. Claro que o nível é elevado e precisei de treinar muito para chegar a este ponto físico e técnico, mas para mim o verdadeiro segredo - se é que é segredo -, reside no gosto que se tem pela modalidade. Eu adoro esta modalidade e a disposição com que encaramos a prova reflecte-se no resultado. Na Distância Longa senti, tal como já tinha sentido antes da Distância Longa do EYOC 2010, uma felicidade extrema por poder ir desfrutar de um mapa tão bom, esquecendo qualquer obrigação para com o resultado. Simplesmente fui fazer aquela prova por amor à modalidade e não preso pela obrigação de obter um bom resultado. Se há coisa que odeio - e já senti isso em competições anteriores (ISF 2009) - é ter de ir fazer uma prova para ganhar. Acima de tudo gosto de me descartar da pressão e fazer aquilo que sei fazer melhor, isto é, Orientação.


A medalha de prata soube-me a pouco

Orientovar - Esperavas repetir o resultado na prova de Distância Média ou mesmo melhorá-lo? Sentiste demasiado a medalha de prata e isso afectou o teu desempenho?

Luís Silva - Na Distância Média cometi um erro crasso, fruto da Distância Longa. Fiquei com alguma pressão pela expectativa que se colocou sobre mim e não me regi pelo meu código de competição, deixando-me de novo entregar a pensamentos puramente egoístas e esquecendo a modalidade. Apesar de ter tentado controlar a ansiedade, já era difícil e parti para entrar logo muito mal no mapa a perder muito tempo. Confesso que foi uma grande estalada, e soube ali mesmo que tinha perdido a prova, mas mesmo assim forcei-me a continuar e a dar tudo. Tive pena que não chegasse para mais, mas a vida é mesmo assim. O resultado foi mau, agora só tenho de o esquecer e focar-me no que vem aí.

Orientovar - No teu excelente currículo, contas já com um número muito interessante de títulos. Entre todos, este de Vice-Campeão do Mundo sabe-te a "ouro" ou é apenas mais um?

Luís Silva - Confesso que a medalha de prata soube-me a pouco e no meu íntimo sei que não foi o meu melhor. Eu ambicionava o ouro, mas pelas circunstâncias presentes tal não me foi possível, mas também não é por isso que não estou contente! Estou bastante feliz até! Todas as medalhas que obtive valem por si porque todas elas foram obtidas em circunstâncias diferentes e esta não é menos importante para mim que todas as outras. Aliás, até a coloco no altar das mais importantes por diversos aspectos, mas a atitude com que encarei este Mundial foi um pouco mais para me avaliar em relação aos potenciais adversários que irei ter que encarar no EYOC e as conclusões que tirei foram bastante animadoras. É tudo o que posso dizer para já...


É impressionante o profissionalismo com que este Mundial foi encarado

Orientovar - Como é que viveste e sentiste o espírito no seio da nossa comitiva ao longo desta semana em Itália?

Luís Silva - Já experimentei várias comitivas e em todas a experiência foi diferente. Nesta não foi pior ou melhor que as outras, a desunião é algo que é impossível de evitar visto que todos somos diferentes e temos preferências mas devo dizer que, dum modo geral, até fomos unidos e apoiámo-nos mutuamente. Pelo menos falo por mim, que consegui boas relações com todos e não vi nenhuma situação pior. Destaco alguns momentos como a Cerimónia de Abertura em que com as vuvuzelas deixámos as outras delegações sem reacção (risos) e no dia da dança em que fomos impecáveis a dançar o tacão em bico. Com os professores é que não foi tudo muito fácil, havendo alguns desentendimentos, pois como somos jovens gostamos de nos relacionar e por vezes esquecemos um pouco a competição. Principalmente quem não tem experiência de EYOC's não dá grande importância ao descanso pré-competição e é claro que isso suscitou algumas situações bem desagradáveis com os professores e eles não estavam muito contentes connosco. Mas de um modo geral tudo correu bem.

Orientovar - Tiveste o privilégio, praticamente raro, de estar presente em três Mundiais. Queres estabelecer uma comparação entre eles, sobretudo do ponto de vista organizativo?

Luís Silva - Pessoalmente já fiz essa comparação e constato que, de ano para ano, a qualidade dobra sem precedentes. É impressionante o profissionalismo com que este Mundial foi encarado, o que prova que a Orientação já não é algo que não se leva a sério. Na semana em que estive naquela vila muito bonita respirei Orientação por todos os lados, bandeiras de todos os países cobriam a avenida principal e as bandeiras de Orientação estavam em todo o lado! A hospitalidade dos autóctones foi de facto muito boa e a organização não falhou num único ponto.


Nunca é cedo de mais para se começar

Orientovar - Despedes-te do ISF mas há muita gente nova que ainda terá, concerteza, uma segunda oportunidade. O que lhes dirias?

Luís Silva - Pelo que vi neste Mundial e pelo que tenho observado, deixo aqui uma mensagem que se continuarem a trabalhar não tenho dúvidas que irão obter excelentes resultados e podem mesmo estar certos disso, pois andam aí "diamantes" que a seu tempo, espero, serão "lapidados" e brilharão. Esperemos que isso de facto aconteça e que aproveitem o Mundial de 2013 pois terão vantagem redobrada.

Orientovar - A dois anos de distância, pedia-te que deixasses um voto à organização portuguesa dos Mundiais ISF 2013.

Luís Silva - A organização de 2013, se quiser nivelar-se às organizações anteriores, terá uma árdua tarefa pela frente. Mas não tenho quaisquer dúvidas que se nos empenharmos todos, conseguiremos chegar ao nível. Espero poder participar nessa organização de forma activa, mas a seu tempo veremos. Para já ainda é cedo, mas atenção: nunca é cedo de mais para se começar!


[Foto gentilmente cedida por Paulo Fernandes]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

segunda-feira, 30 de maio de 2011

CAMPEONATO NACIONAL DE DISTÂNCIA LONGA E ESTAFETAS 2011: O BALANÇO DE RUI MORA, DIRECTOR DA PROVA




Decorreram no passado fim-de-semana os Campeonatos Nacionais, organizados pelo Ginásio Clube Figueirense, em parceria com a Federação Portuguesa de Orientação (FPO), e que contaram com a presença de cerca de 480 atletas, em representação de 40 clubes.

Na vertente meramente desportiva, em que Diogo Miguel do Ori-Estarreja e Maria Sá, do GD4C, conquistaram o título de Campeões Nacionais, classe Elite, a sua realização saldou-se por um inquestionável êxito, unanimemente reconhecido, desde a beleza do traçado dos percursos, de natureza bucólica e aprazível, à sua elevada exigência técnica.

Mas, muito mais há a registar desta dupla jornada, dado tratar-se de um prova do Campeonato Nacional em que, desde a sua recente existência, pela primeira vez a Secção de Orientação do Ginásio se propunha realizar de forma autónoma uma etapa de tal envergadura. Se, por um lado, foi exigido muito esforço e dedicação na sua concepção e montagem, o que dizer dos dois ou três dias da sua realização efectiva, absolutamente frenéticos e exigentes, em termos de entrega e dedicação.

Não fomos muitos, é um facto, mas os atletas do Ginásio presentes, a quem incumbia a organização da prova, tudo fizemos, talvez para além do exigível, para que, mais uma vez e sempre, o nosso Clube saísse prestigiado. Foi-nos gratificante constatar, por um lado, a simpatia e o reconhecimento dos nossos adversários, hoje ilustres visitantes, pela qualidade, rigor e profissionalismo que lhes proporcionámos nesta etapa desportiva e, por outro, dos representantes da FPO que puderam constatar o elevado grau de exigência e rigor nas tarefas que nos cumpre realizar.

Cabe aqui manifestar um fervoroso e sentido obrigado a todos os elementos da organização, atletas da Secção, que, embora em número reduzido, se multiplicaram, dos "juniores" aos "mais velhos", e que de forma solidária e abnegada tudo fizeram para prestigiar o Clube e a Figueira da Foz, reconhecida na forma como recebe quem nos visita.

Por fim, um agradecimento sentido ao nosso patrocinador, Casino Figueira, que sempre nos apoiou, à Federação Portuguesa de Orientação, à Junta de Freguesia da Marinha das Ondas, à Direcção Geral dos Recursos Florestais e à Cruz Vermelha, delegação dos Carvalhais.

Apesar de exaustos, comungamos hoje, todos, do sentimento do dever cumprido.

Na qualidade de Director da Prova, cumpre-me manifestar o meu sentido obrigado a todos os que tornaram possível a sua realização.

Ainda nessa qualidade e também como Vice-Coordenador da Secção de Orientação do Ginásio Clube Figueirense, e porque sempre pautei os meus actos por elevado sentido de responsabilidade e no maior respeito pelos outros, cabe-me aqui apresentar, não só em meu nome pessoal mas também de toda a organização da prova, as minhas sinceras desculpas às atletas do escalão D21B que, lamentavelmente, viram anulado o seu percurso por um erro técnico.

Sendo amadores, no que de mais puro a palavra encerra, a nossa acção em prol da modalidade da Orientação e não só, pauta-se pelo rigor e elevada exigência, inúmeras vezes com prejuízo da nossa vida familiar, quando não também a profissional.

Estamos receptivos à crítica, quando leal e construtiva, pois só assim poderemos evoluir, como desejamos. Recusamos de forma veemente a censura e juízos de valor à nossa conduta.

Não servindo de desculpa, posso afirmar que tanto eu próprio como o Supervisor da Prova ou mesmo o responsável pela impressão dos mapas verificámos toda a sinalética sem que fosse detectado o referido lapso, o que muito nos penaliza mas que de todo já não poderemos remediar, antes nos dá maior determinação para tal não venha a acontecer no futuro.

Lamento ainda que factos como este, absolutamente fortuitos e desagradáveis, possam de alguma forma levar alguns ao afastamento da modalidade que tanto amo e que sempre servi de forma graciosa e desinteressada. Só com a compreensão e ajuda de todos poderemos, no futuro, ter uma Orientação melhor e mais forte.

Como é sabido, a organização de uma prova deste tipo exige imenso trabalho, muitas noites perdidas e fins-de-semana exclusivamente a ela dedicados. Se tecnicamente o mapa é considerado bom ou não para “Distância Longa” só os “entendidos” o poderão opinar. A nós resta-nos o propósito de cada dia que passa irmos evoluindo tecnicamente, com humildade, obviamente receptivos à crítica honesta e frontal.

É nosso firme propósito que o futuro seja ainda melhor.

Rui Mora
Director da Prova

CAMPEONATO NACIONAL DE DISTÂNCIA LONGA E ESTAFETAS 2011: IMPRESSÕES




No rescaldo dos Campeonatos Nacionais de Distância Longa e de Estafetas 2011, que tiveram lugar este fim-de-semana nas matas da Leirosa e do Urso, ao sul da Figueira da Foz, aqui ficam as impressões de alguns dos principais protagonistas.


Relativamente à organização não tenho nada a apontar, pois parece-me que estiveram bem no que diz respeito à componente técnica. Felicito ainda o GCF por ter alterado a distância do Campeonato Nacional de Distância Longa de 12 km, como estava inicialmente publicado, para os 15 km que acabaram por fazer o percurso muito mais interessante e digno de uma Distância Longa.

Quanto à minha prestação pessoal, não foi aquilo que desejava. No sábado, apesar de ter ganho, não posso dizer que tenha feito uma boa prova, já que entrei logo a perder mais de 2’30’’ para o segundo ponto, e mesmo depois disso nunca consegui manter a minha orientação fluida. Na Estafeta comecei com uma tarefa muito complicada, pois para subir a minha equipa para o pódio tinha de ganhar 4 minutos ao Tiago Romão e ao Tiago Aires. Uma prova também ela abaixo das minhas possibilidades, com vário erros, e uma boa prova dos meus adversário não permitiram que eu conseguisse a recuperação e por isso acabámos por ficar com o 4º lugar.

Diogo Miguel (Ori-Estarreja), Campeão Nacional de Distância Longa 2011 em HE


Sem dúvida que regresso a casa com um sorriso nos lábios! Este Campeonato estava nos meus objectivos e conseguir sair vencedora é excelente, especialmente quando a competição estava mais acesa com a presença da Kristina Roberto. Apesar de estar a sair de um período mau em termos de saúde, consegui ultrapassar e agora vencer, estou muito feliz!!!

A prova de Estafeta tem um significado especial e no que toca a esta prova sinto-me triste por não conseguir trazer a vitória para as minhas amigas de equipa. Não consegui lidar bem com a pressão de ter saído a liderar, mas com a Kristina na perseguição. Fiz um erro fatal de três minutos e mais tarde voltei a falhar no final... Somos uma equipa jovem (talvez a mais jovem em competição) e tenho a certeza que temos muito para aprender juntas como equipa. Para o ano estaremos mais fortes e com sede de vencer :) A organização, apesar de jovem ainda, proporcionou um bom fim de semana de Orientação. Estão de parabéns!

Maria Sá (GD4C), Campeã Nacional de Distância Longa 2011 em DE e Vice-Campeã Nacional de Estafetas 2011 em Seniores Femininos


Que posso eu dizer sobre estes Nacionais?... Se alguém me dissesse que iria ganhar duas medalhas nestes Nacionais, eu diria: “talvez!” Mas agora, olhando aos resultados, tenho que agradecer ao Albano João pelo meu desempenho e se houve alguém que acreditou nestes meus resultados (mais que eu) foi sem dúvida ele. "Muito obrigado Banito, por tudo".

Quanto ao meu desempenho, no sábado fiz uma prova sempre com o máximo de segurança e sem tornar a opção fácil em opção difícil, por isso acabei por fazer uma prova com apenas um pequeno erro, ao contrario de ontem, que tornei um percurso fácil num percurso de quase me levar ao desespero com dois grandes erros, um deles logo para o primeiro ponto.

A organização para mim esteve muito bem com o mapa a ser muito bom e os percursos também, principalmente o da Distância Longa, pois o de Esatafetas, com o corte de árvores, levou-me a cometer o erro para o primeiro ponto. Destes meus resultados, penso que se podem tirar algumas ilações. O meu treinador, que assim sabe que, como treinador, ele é que está no caminho certo, mas também outras pessoas podem tomar outras ilações...

Joaquim Sousa, Vice-Campeão Nacional de Distância Longa 2011 em HE e Campeão Nacional de Estafetas 2011 em Seniores Masculinos


Este fim-de-semana soube a pouco!!! Foi um dos fins-de-semana daqueles que não apetece que acabe. A organização esteve muito bem e não detectei grandes falhas. O mapa e traçado também me agradaram.

Quanto a mim, fiquei muito contente com a minha prestação de sábado, pois reflectiu o treino de preparação que tive e desde já agradeço ao Banito e ao COC porque sem eles o meu 2º lugar na Longa não teria sido possível!! A Estafeta foi para mim uma desilusão. E o pior é que envolvi as minhas colegas de equipa (Andreia e Patrícia). Fiz uma prova completamente desconcentrada e o resultado falou por si.

Catarina Ruivo (COC), Vice-Campeã Nacional de Distância Longa 2011 em DE


Nestes Campeonatos Nacionais tinha como objectivo a vitória em ambas as etapas, Longa e Estafetas. Ambições um pouco altas, contudo são as mesmas que me dão motivação para treinar todos os dias. Quanto à minha prestação, acho que foi dentro das expectativas, apesar de não ter sido perfeita. Na Distância Longa, um ritmo elevado e leitura segura do mapa, permitiu-me ganhar confiança de modo a fazer um bom resultado no final. Relativamente às Estafetas, dei o meu melhor para ajudar a equipa e foi um esforço tremendo para progredir ao nível das elites. Tentei o máximo possível aproximar-me do grupo da frente, contudo, tinha de ter cuidado com as equipas que vinham de trás e igualmente estavam a disputar o título. No final fiquei agradado pelo facto do Tiago Aires ter recuperado toda a diferença para a liderança, o que nos voltou a dar esperança na conquista do titulo. Contudo, como equipa, tivemos menos sorte de termos tido as variantes mais longe no último percurso o que, de certa forma, nos afastou da vitória.

Quanto à organização acho que de um modo geral foi boa, no entanto as partidas da Distância Longa, na minha opinião, não se encontravam no melhor sitio, pois os atletas conseguiam visualizar o inicio de prova dos participantes que haviam partido anteriormente.

Pedro Silva (GafanhOri), Campeão Nacional de Distância Longa 2011 em H20 e Vice-Campeão Nacional de Estafetas 2011 em Seniores Masculinos


Antes de mais, gostaria de felicitar o Ginásio Clube da Figueira pela boa organização que proporcionaram para que estes Campeonatos Nacionais de Distância Longa e Estafetas corressem da melhor forma. As duas provas realizaram-se num mapa novo, de dunas, com bastantes pormenores de relevo e vegetação. Na prova de Distância Longa comecei bastante devagar, pois começávamos num grande amarelo com muita areia o que me impossibilitou de conseguir ir mais rápido. O resto da prova fui sempre a controlar principalmente o relevo, pois a vegetação não seria a base para conseguir fazer uma boa prova. Durante todo o percurso não fiz erros muito graves, apenas para um ponto que seria mais rápido contornar os verdes mas decidi ir lá pelo meio tendo perdido cerca de um minuto. Quanto ao percurso, estava bastante bom, apenas achei que 6,3 km seria pouca distância para uma Longa no escalão D20.

No segundo dia, o dia do Campeonato Nacional de Estafetas, em que fiz equipa em Seniores femininos juntamente com a Raquel Costa e com a Kristina Roberto. Esta sim foi uma prova que me fez sofrer desde o inicio ao fim, fui a primeira a partir, sentia-me pouco nervosa, estava bastante confiante que poderíamos ganhar, pois sabia que se eu perdesse tempo as minhas companheiras de equipa conseguiriam recuperar, mas felizmente fiz uma prova com poucos erros, sempre num ritmo aceitável, fiz a prova quase toda sozinha e por isso não sabia bem qual a minha posição, só tive a confirmação quando passei no ponto de espectadores. Consegui entregar o testemunho à Raquel com cinco minutos de avanço para a equipa do GD4C. A Raquel perdeu algum tempo mas nada que a Kristina não conseguisse recuperar e conseguimos assim, mesmo por pouco tempo, ganhar as Estafetas e sagrarmo-nos Campeãs Nacionais. Durante toda a prova o 'speaker' ia sempre acompanhando os acontecimentos, o que permitiu algum entusiasmo na Arena.

Rita Rodrigues (GafanhOri), Campeã Nacional de Distância Longa 2011 em D20 e Campeã Nacional de Estafetas 2011 em Seniores Femininos


Ter conseguido alcançar o título de Campeã Nacional deu-me imensa confiança em mim mesma e vontade de continuar a lutar para me tornar uma melhor orientista. Não pratico Orientação há muito tempo, mas é um desporto que desde o principio me despertou muito interesse, acabei por me filiar no ADFA que é o clube que represento e que me tem levado a todas as provas. Apesar de tudo acho que ainda tenho muito que aprender, e que a Orientação é um desporto em que nunca se para de aprender.

A prova em si, apesar de tudo, penso que me podia ter corrido um pouco melhor. Hesitei bastante porque havia zonas no mapa que pareciam não corresponder muito bem ao que estava no terreno, sobretudo por causa da vegetação. Mas o tempo estava óptimo para correr e tudo correu bem.
A organização do evento não estava má, apesar de ter havido algumas falhas. Agora, os meus objectivos para a próxima época passam por tentar fazer parte das selecções, representar Portugal nas competições internacionais e dedicar-me também às provas da Taça de Portugal.

Mariana Simões (ADFA), Campeã Nacional de Distância Longa em D17


No Campeonato Nacional de Distância Longa, o mapa com uma escala de 1:10 000 onde particularmente era terreno de duna, com zonas em que a vegetação predominava em bastantes partes do mapa. Em relação ao meu desempenho pessoal, conquistei o 1º lugar, com 35.49 tendo do 2º lugar (João Pedro Casal) uma diferença de aproximadamente três minutos. Confesso que fiquei um pouco surpreendido com o meu resultado, pois o clima quente e o terreno não o favoreciam muito . No caso do Campeonato Nacional de Estafetas, já não correu tão bem. A minha equipa constituída pelo Vasco Duarte e Bernardo Pereira, foi desqualificada na primeira manga com o 'mp' do 1º elemento (Vasco).

Num aspecto geral de todo o evento: A organização realizou bem a sua função, os pontos estavam bem colocados, não houve nenhuma queixa em relação a isso. Na distância Longa, como já cheguei atrasado, não tenho muito a dizer, e em relação a isso tenho que agradecer ao Ginásio Clube Figueirense pela disponibilidade de nos deixar partir (a mim e aos elementos do meu clube), 45 minutos depois de se terminar o período de Partidas. Nas Estafetas, existia um bom clima, os atletas apoiavam-se mutuamente, mesmo não sendo do mesmo grupo ou até do mesmo clube. Ouve uns erros técnicos no 'download' do SI dos últimos elementos, nada que não pudesse ser resolvido. Tivemos bastante sorte em relação às condições climatéricas. Ouve sempre bastante sol, por muito que ameaçasse chover.

Gonçalo Pirrolas (ADFA), Campeão Nacional de Distância Longa em H15


Achei a prova bem organizada. Tinha bom espaço de estacionamento, comida, wc, abastecimento durante a prova... Foi um bom local escolhido para realizar a prova. Não encontrei muitas falhas no mapa, o percurso foi bastante fácil em termos de técnica mas foi agradável realizá-lo. Foi pena ter sido perto de uma fábrica, mas retirando isso achei uma prova bem organizada e gostei muito de a fazer.
.
Desde o início que gosto muito de praticar a modalidade. É importante para mim ganhar o título nacional, pois não estava à espera. É também motivador vencer o título nacional pois oferece mais confiança. Eu vou de certeza continuar a praticar Orientação. Espero continuar a crescer na modalidade e classificar-me bem nas futuras provas e Campeonatos Nacionais.

Nina Roothans (CN Alvito), Campeã Nacional de Distância Longa em D15


Aos nossos terrenos de pinhal, é sempre com agrado que volto... Área onde, na sua maioria, tenho tido bons desempenhos e mais uma vez não não fugi à regra... Quanto à Organização, penso que deu o seu melhor, pelo menos foi o que transpareceu para o meu lado, tentando agradar sempre que possível. Relativamente aos percursos, e falando no meu D35, senti que o mesmo ficou aquém de uma Distância Longa... "fiquei com àgua na boca". O seu traçado foi desafiante, mas curto! Quanto às Estafetas, o mapa com um pouco de mais detritos vegetais no chão o que fazia diminuir a progressão e dificultava a visibilidade. Penso que o mapa poderia ter sido um pouco mais trabalhado, pois nalguns locais não consegui lê-lo de maneira tão efectiva relativamente ao terreno... Na globalidade, um bom fim-de-semana de Orientação Pedestre... "Já tinha saudades". Obrigado GCF.

Susana Pontes (CPOC), Campeã Nacional de Distância Longa em D35


Relativamente aos Nacionais que decorreram durante este fim de semana, o que posso dizer é que para que tivessem maior brilho, faltou uma maior participação dos atletas, mas isso infelizmente já é um problema recorrente e não tem muito a ver com os clubes que organizam estes Campeonatos, mas muito mais com a importância que se lhes está a dar em termos competitivos. No meu entender, os Campeonatos Nacionais deveriam ter uma majoração pontual relativamente às restantes provas da Taça de Portugal, como já aconteceu há alguns anos atrás. Enquanto não se for por essa via, corremos o risco de continuar a assistir ao seu definhamento e não à sua valorização como seria desejável.

O meu desempenho pessoal nestes Campeonatos não foi isento de erros, como é habitual neste tipo de terrenos, que como muita gente sabe não são o meu forte, sendo o resultado final bastante bastante melhor do que o desempenho. Em relação às questões técnicas e organizativas, por aquilo que consegui ver e sem ter um conhecimento muito detalhado da organização no seu todo, o Ginásio esteve à altura dos acontecimentos.

José Fernandes (.COM), Campeão Nacional de Distância Longa 2011 em H50
.
.
Gostei dos mapas, apesar de os avaliar como difíceis. visto o relevo ter pouco desnível e ter muitos verdes. Gostei dos percursos, gostei de toda a envolvência da prova apesar de achar a Arena do primeiro dia um pouco pobre. Além deste ponto menos bom houve outro mais negativo que foi a anulação de um percurso D21B. Quanto à minha prestação, foi de altos e baixos; ou seja , no sábado (Distância Longa) fiz a prova sem grandes erros, mas no domingo (Estafeta) foi uma desgraça. Valeu a prova exemplar das minhas companheiras de equipa para ganharmos o titulo.

Palmira João (COC), Campeã Nacional de Distância Longa 2011 em D50 e Campeã Nacional de Estafetas 2011 em Veteranos II Feminino


No Campeonato de Distância Longa adorei o mapa. Numa zona bem agradável e com um excelente traçado de percurso, foi uma excelente propaganda para modalidade. O meu desempenho pessoal também foi muito bom. Foi-me atribuído o titulo de campeão do meu escalão, embora fazendo só o segundo melhor tempo, com mais 20 segundos do que o meu amigo Norman Jones, não lhe sendo atribuído o titulo de Campeão Nacional por não ter ainda conseguido a nacionalidade Portuguesa. Fiz uma prova sempre certinha, sem grandes erros e foi essa regularidade que me deu o título de campeão. No Campeonato de Estafetas, não gostei tanto do mapa. Tinha imensos troncos recentemente cortados e espalhados pelo chão em quase toda a extensão dos percursos, mas no geral o GCF só tem de estar satisfeito, pois foi claramente uma excelente organização. Bons percursos, bom bar com sopa, bolos, bifanas e cerveja fresquinha (ai o calor!!) e acima de tudo a simpatia de todo o pessoal da organização.

Uma arreliadora avaria na viatura que nos transportava, levou a que só conseguissemos chegar à zona da prova por volta das 13H45, numa altura em que já as partidas tinham terminado, no entanto tínhamos à nossa espera todo o pessoal das partidas para que pudéssemos fazer a nossa prova sem problemas. Em meu nome pessoal e em nome da ADFA um grande bem haja para toda a equipa organizativa do GCF.

Jacinto Eleutério (ADFA), Campeão Nacional de Distância Longa 2011 em H55


Cada prova representa uma oportunidade para experimentar novos desafios e emoções, mas... Campeonato Nacional é sinónimo de motivação extra! O meu desempenho na Prova de Distância Longa não foi, de modo algum, perfeito, embora não tenha sentido grandes dificuldades a nível técnico. Comecei a prova segura, entrando bem no mapa, mas perdi algum tempo com pequenas hesitações, tendo cometido dois erros que implicaram alguns minutos. Quando cheguei ao fim, tendo consciência do tempo perdido, não pensei ser eu a vencedora do escalão! Fiquei, obviamente, muito satisfeita com o resultado.

A prova decorreu numa zona bonita, com pouco desnível, um percurso desafiante, pormenores interessantes de relevo, exigindo bastante concentração e contacto com o mapa, mesmo como eu gosto… A areia dos corta-fogos e o calor dificultaram um pouco a nossa “tarefa”, a nível físico, mas não retiraram brilho à prova. A organização soube tirar partido das amplas zonas para as partidas e chegadas, proporcionando agradável convívio entre os atletas. A arena foi palco animado de rostos ora espelhando ansiedade, ora alegria ou desilusão! O 'speaker' mantendo o 'suspense' ou desfazendo as esperanças… Acima de tudo a união traduzida nos sorrisos e palavras de congratulação. O Clube Ginásio Figueirense, secção de Orientação e toda a Família Orientação estão de parabéns.

Fernanda Ferreira (DA Recardães), Campeã Nacional de Distância Longa 2011 em D55


Em termos de desempenho pessoal considero que foi muito bom, pois fui pela primeira vez Campeão Nacional de Distância Longa. Tentei começar um pouco mais lento e não arriscar muito de início para tentar entrar bem no mapa e assim conseguir ganhar mais confiança e acelerar na parte final. O mapa era um pouco difícil e muito técnico, com muita areia e muitos pontos verdes, o que tornava os pontos bastante difíceis de encontrar.

Tipicamente eu gosto bastante deste género de mapas, pois são os mapas onde costumo treinar e dou-me melhor em mapas com areia, do que em mapas com pedras ou outro tipo de relevo. Também o facto de não ter vedações ajuda bastante a que a progressão seja mais fácil, pois como sabem, fruto do acidente que sofri numa prova do Gafanhori, fico sempre com algum receio quando as provas têm vedações. Relativamente aos percursos, gostei do traçado dos mesmos, apenas achei que para primeiro ponto tínhamos uma pernada bastante longa e isso também dificultava a entrada no mapa.

Em relação às Estafetas, e pela própria prova por si, é sempre um tipo de prova muito giro e penso que todos os elementos da minha equipa gostaram bastante. A única nota de destaque está relacionada com a dificuldade de progressão, uma vez que o mato cortado não nos deixava correr. Para a Organização deixo uma nota de parabéns, pois não tenho nada a apontar e proporcionou-nos mais um belo evento de Orientação.

José Raposo (COALA), Campeão Nacional de Distância Longa 2011 em H60
.

Como tenho constatado, pelo menos o S. Pedro continua a gostar de Orientação. Como é que eu sei disso?! Ora, só oiço falar em temporais pelo país fora e não é que esteve um tempo excelente no local das provas, tanto no primeiro, como no segundo dia! Quer dizer, até estava calor a mais para a prática de desporto mas, até nisso tivemos sorte, pois, no sábado, às tantas começou a chuviscar (um chuvisco muito ligeiro), que soube tão bem… No Domingo, esteve uma autêntica manhã de Verão!

Em relação aos terrenos, de pinhal, é daqueles que eu mais gosto, embora muito técnicos, costumo dar-me bem. O terreno do Campeonato de Estafetas tinha muitos troncos cortados, o que dificultava bastante a progressão. Vi muita gente zangada por esse facto, o que, a mim, também desagradou, mas ao ritmo a que eu faço as provas não teve grandes consequências. As Arenas estavam bem concebidas, sendo a de sábado num parque de merendas muito agradável. A arena do segundo dia, montada no mato, estava bastante interessante, pois permitia aos atletas verem os seus colegas de equipa passarem no ponto de espectadores (localizado numa colina) e simultaneamente verem do outro lado os atletas que chegavam ou faziam a transição. Os mapas e os percursos, na minha opinião, estavam bastante bons. As entregas de prémios foram feitas nos locais de prova e decorreram sem atrasos significativos, tendo havido sorteio de algumas lembranças. Também havia bar com tudo o que era necessário, não faltando o indispensável cafézinho.

Só uma nota preocupante, nestas provas, pois, mesmo tratando-se de Campeonatos Nacionais , a afluência de atletas fica muito aquém do desejado, aliás, um decréscimo do número de participantes que também se tem notado em todas as outras provas.

Ana Carreira (CPOC), Campeã Nacional de Distância Longa 2011 em D60


Neste fim de semana fomos bafejados por duas jornadas distintas: A primeira, tristonha, num ambiente de incomodativo mau cheiro, impróprio numa competição de Orientação. O Campeonato Nacional de Distância Longa foi disputado nos terrenos do POM 2010, num mapa de grande qualidade. Terreno geralmente limpo, permitia ritmo elevado, embora o solo de areia solta e muito seca fosse um natural obstáculo. Neste Campeonato tenho que destacar duas figuras, o Diogo Miguel, porventura o nosso melhor praticante, que venceu de forma destacada, e o veterano (?) H40, Joaquim Sousa, em 2ºlugar à frente de jovens consagrados. No aspecto negativo, esperava-se mais de Kristina Roberto, podendo queixar-se duma atribulada viagem.

A segunda jornada, o Campeonato Nacional de Estafeta, foi alegre, emotiva e competitiva, disputada alguns quilómetros a sul da Leirosa, num mapa igualmente de grande qualidade. A organização esteve feliz ao escolher uma zona amarela, ondulada e muito bonita para as chegadas e partidas. O ponto dos espectadores situava-se num local magnifico, permitindo que o público vibrasse à passagem dos atletas e acompanhasse os seus movimentos até larga distância. A estafeta é uma prova que, pela sua complexidade, gera, por vezes, erros, mas a organização tinha tudo muito bem ensaiado, esteve muito bem! Nesta competição será justo destacar a luta renhida até a meta, entre o COC e o Gafanhori, com o Joaquim Sousa a resistir ao Tiago Aires. Um reparo: o corte de árvores na área de Orientação afectou a progressão dos atletas e constituiu algum perigo.

Quanto à minha actuação, direi que foi razoável em especial no Campeonato Nacional de Distância Longa, 4600 metros em 57:12. Cometi alguns erros mas, infelizmente, a concorrência não aperta no meu escalão, o H70. No segundo dia fiquei feliz por fazer parte da primeira estafeta Veteranos IV Masculinos realizada em Portugal.

José Grada (Ori-Estarreja), Campeão Nacional de Distância Longa 2011 em H70 e Campeão Nacional de Estafetas 2011 em Veteranos IV Masculinos



Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

CAMPEONATO NACIONAL DE DISTÂNCIA LONGA 2011: DIOGO MIGUEL E MARIA SÁ NO LUGAR MAIS ALTO DO PÓDIO




Os Campeonatos Nacionais de Orientação Pedestre atraíram sobre si as atenções neste fim-de-semana, com Diogo Miguel e Maria Sá a sagrarem-se campeões nacionais de Distância Longa e o Clube de Orientação do centro a fazer a festa na Estafeta. Mas houve mais títulos... e para todos os gostos!


Com a designação inicial de “Distância Clássica”, os Campeonatos Nacionais de Distância Longa conheceram este fim-de-semana a sua 17ª edição. A palco escolhido foi a Mata Nacional de Leirosa, no concelho da Figueira da Foz, como que revisitando o primeiro dia do Portugal O' Meeting 2010 de boa memória. A assinatura organizativa pesou sobre a Secção de Orientação do Ginásio Clube Figueirense, contando com os apoios institucionais da Câmara Municipal da Figueira da Foz, Junta de Freguesia de Marinha das Ondas e Federação Portuguesa de Orientação.

O dia de sábado foi integralmente dedicado ao Campeonato Nacional de Distância Longa, no qual participaram 264 atletas distribuídos por 22 escalões. Ausências notadas, as dos nossos “elites” mais jovens, “fintados” pela companhia aérea espanhola no regresso dos Mundiais de Desporto Escolar ISF 2011 e obrigados a pernoitar em Barajas (Madrid). O dia esteve quente e o ar “pesado”, as provas desenrolaram-se no Mapa Leirosa Sul, em terrenos de floresta e dunas, com muitos pormenores de vegetação e micro-relevo e com a generalidade das opiniões recolhidas a darem conta duma enorme satisfação e a saudaram a organização ginasista pelo excelente trabalho.


A lei dos mais fortes

Passando à competição, Diogo Miguel (Ori-Estarreja) foi o grande vencedor da prova de Elite Masculina. A decisão de aumentar a distância da prova dos 12 km iniciais para uns “puxadinhos” 15,2 km terá ido em certa medida ao encontro das potencialidades de Diogo Miguel, que junta a uma superior qualidade técnica, uma capacidade física excelente, ele que vem de estabelecer a sua melhor marca pessoal na distância da Meia-Maratona, com o tempo de 1.09.23 (Cortegaça, 8 de Maio). O atleta chega assim ao título nacional nesta distância pela segunda vez, repetindo o êxito da serra da Cabreira, em 2008/2009. Joaquim Sousa continua a clamar que “velhos são os trapos” e a menos de três meses de completar 41 anos acrescenta mais um saboroso título à sua longa e profícua carreira, sagrando-se Vice-Campeão Nacional. No sector feminino, Maria Sá (GD4C) voltou a demonstrar a sua apetência pelas provas de Distância Longa, arrebatando o título após acesa luta com Catarina Ruivo (COC) e Kristina Roberto (GafanhOri), segunda e terceira classificadas, respectivamente. Este é o terceiro título consecutivo da atleta vilacondense na Distância Longa e o 11º título individual dos últimos seis anos no escalão de Elite.

Nos restantes escalões, a primeira nota vai para o recém-estabelecido escalão H/D15 que conheceu os primeiros Campeões Nacionais de Distância Longa, Gonçalo Pirrolas (ADFA) e Nina Roothans (CN Alvito). Pedro Silva e Rita Rodrigues, ambos do GafanhOri, saborearam no escalão Júnior um título anteriormente alcançado em Juvenis, Pedro Silva em 2007/2008 e Rita Rodrigues em 2008/2009. No escalão H35, Jorge Correia (ADFA) repetiu os títulos de 2007/2008 e 2009/2010, enquanto em D35, após um ano de “jejum”, Susana Pontes (CPOC) recuperou o título nacional de Distância Longa – o terceiro nos últimos quatro anos -, juntando-o ao título nacional de Sprint 2011... em Ori-BTT!


Um “estreante” de nome José Raposo

Após as vitórias de sábado no escalão H/D40, Santos Sousa (ADFA) e Anabela Vieito (COC) continuam a acumular títulos nacionais e somam, respectivamente, 20 e 19 títulos nos seus currículos. Em H45, Manuel Luís (CP Armada) regressou aos títulos de Distância Longa, depois das suas vitórias em 2005/2006 e 2006/2007, a que se seguiu uma ausência de três temporadas nos pódios da distância. Tal como em H45, tembém em D45 Luísa Mateus (COC) recuperou um título que lhe fugia há várias temporadas (a sua última vitória na distância data de 2005/2006), alcançando inclusivé uma “dobradinha” deveras interessante: ser Campeã Nacional de Distância Longa 2011 nas disciplinas Pedestre e de Orientação em BTT. Contrariando o favoritismo de Albano João (COC), José Fernandes (.COM) sagrou-se Campeão Nacional no escalão H50, recuperando um título que lhe fugiu nas três últimas temporadas (para Rui Antunes, Albano João e Jorge Gonçalves). Já em D50, Palmira João (COC) voltou a evidenciar uma enorme supremacia face às adversárias e mostrou o porquê de ser a atleta portuguesa com maior número de títulos na distância, nada mais nada menos que nove (!).

Jacinto Eleutério (ADFA) e Fernanda Ferreira (Da Recardães) conquistaram os seus primeiros títulos nacionais de Distância Longa, respectivamente em H/D55, o mesmo acontecendo com José Raposo (COALA), em H60. A propósito de José Raposo, refira-se que este é mesmo o primeiro título da sua longa carreira e um justo prémio à sua perseverança, determinação e amor à modalidade. Em D60, Ana Carreira (CPOC) alcançou o seu segundo título nacional na distância, após um jejum de treze anos. Em H65, Armandino Cramez (Ori-Estarreja) alcançou o 15º título nacional da sua carreira e o sexto na distância. Finalmente, em H70, José Grada soma e segue, repetindo o triunfo da temporada passada e contando agora nove títulos nacionais. Em termos colectivos, o GafanhOri venceu em Homens Elite, enquanto a vitória em Damas Elite coube ao COC. Com os restantes triunfos distribuidos por GD4C, .COM. GafanhOri, ADFA e Ori-Estarreja, a turma leiriense viria ainda a conseguir as vitórias no escalão H15 e D45/50, sendo a mais ganhadora.


Resultados
Elite Masculina
1º Diogo Miguel (Or-Estarreja) 1.26.42
2º Joaquim Sousa (COC) 1.31.59
3º Tiago Aires (GafanhOri) 1.33.01
4º Miguel Silva (CPOC) 1.35.27
5º Tiago Romão (ADFA) 1.39.08
6º Manuel Horta (GafanhOri) 1.41.07
7º Nélson Graça (CPOC) 1.46.56
8º Gildo Silva (COC) 1.48.24
9º Pedro Duarte (ADFA) 1.53.45
10º Tiago Gingão Leal (GafanhOri) 1.56.45

Elite Feminina
1º Maria Sá (GD4C) 1.15.53
2º Catarina Ruivo (COC) 1.17.50
3º Kristina Roberto (GafanhOri) 1.18.43
4º Patrícia Casalinho (COC) 1.25.23
5º Adelindina Lopes (COA) 1.35.42
6º Emília Silveira (ADFA) 1.39.09
7º Marta Fonseca (ADFA) 1.45.56
8º Rita Madaleno (ADFA) 1.48.31
9º Carla Saraiva (Ori-Estarreja) 1.52.17
10º Débora Silva (CMo Funchal) 1.55.50

Campeões Nacionais Outros Escalões
H/D15 – Gonçalo Pirrolas (ADFA) e Nina Roothans (CN Alvito)
H/D17 – Leandro Silva (COC) e Mariana Simões (ADFA)
H/D20 – Pedro Silva (GafanhOri) e Rita Rodrigues (GafanhOri)
H/D35 – Jorge Correia (ADFA) e Susana Pontes (CPOC)
H/D40 – Armando Santos Sousa (ADFA) e Anabela Vieito (COC)
H/D45 – Manuel Luís (CP Armada) e Luisa Mateus (COC)
H/D50 – Palmira João (COC) e José Fernandes (.COM)
H/D55 – Jacinto Eleutério (ADFA) e Fernanda Ferreira (DA Recardães)
H/D60 – José Raposo (COALA) e Ana Carreira (CPOC)
H65 – Armandino Cramez (Ori-Estarreja)
H70 – José Grada (Ori-Estarreja)




[NOTA - O Orientovar lamenta que, quase vinte e quatro horas volvidas sobre a realização dos Campeonatos Nacionais de Estafetas 2011, a organização não tenha ainda disponibilizado os resultados. É este o motivo que faz com que esta reportagem acabe por ficar amputada numa das suas componentes essenciais. Não voltarei a este assunto mas aqui deixo o reparo para uma situação que não deveria acontecer... mas acontece!]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

domingo, 29 de maio de 2011

VII CAMPEONATO IBÉRICO DE ORIENTAÇÃO EM BTT: PORTUGAL LEVA A MELHOR SOBRE A ESPANHA




Oliveira de Azeméis recebeu a sétima edição do Campeonato Ibérico de Orientação em BTT. Dois dias de enérgicas pedaladas com um mapa e uma bússola à frente e, no final, um domínio praticamente absoluto das nossas cores sobre as de “nuestros hermanos”.


Depois de ter recebido um Campeonato Ibérico de Orientação Pedestre nos idos de 1998, o mapa de Santiais, em Pinheiro da Bemposta (Oliveira de Azeméis), foi palco de nova jornada ibérica, desta feita na vertente de Orientação em BTT. É o regresso do Clube Ori-Estarreja às organizações de Orientação em BTT e a Oliveira de Azeméis, depois de aqui ter levado a cabo, no ano transacto, os Campeonatos Nacionais da modalidade.

Pontuável para a Taça de Portugal e para a Liga Espanhola, o VII Campeonato Ibérico contou com a participação de 220 atletas de ambos os países e distribui-se por dois dias de provas, abrindo com uma rápida Distância Média e encerrando com uma exigente Distância Longa. Em ambos os casos o mapa apresentou uma excelente rede de caminhos com um traçado de percursos permitindo um bom leque de opções e encerrando desafios particularmente intensos e interessantes para os amantes da Orientação em BTT.


Portugal bate a Espanha por uma diferença de 100 pontos

O desenrolar das provas veio demonstrar o bom trabalho que portugueses e espanhóis continuam a desenvolver nesta espectacular disciplina, com Davide Machado (.COM) a ter desta feita um desempenho condicente com as suas qualidades e capacidades e a confirmar o favoritismo no escalão Élite Masculina, levando de vencida a prova em ambos os dias. Seguiram-se no pódio Guilherme Marques (COC) e Ivan Trigales Delgado (Los Angeles). Em Elite Feminina, as atletas espanholas foram mais fortes e tomaram conta dos três lugares do pódio. Esmeralda Lasheras Gabasa (Peña Guara) arrecadou o título ibérico, seguida de Uxue Fraile Azpeitia (Imos) e de Susana Arroyo (Sotobosque).

Nos restantes escalões, Mac-Mahon Moreira chamou a si o título de campeão ibérico em H17, depois de levar de vencida as duas etapas, o mesmo acontecendo com Luísa Mateus (COC), em D50. Os restantes campeões ibéricos, todos eles portugueses, alcançaram a vitória numa das etapas e foram segundos classificados na outra. São eles Cristiano Silva, do Grupo Desportivo 4 Caminhos (H20), Eduardo Sebastião, da ADFA (H40), Isabel Maria Novo, do Clube da Natureza de Alvito (D40) e Armando Santos, do Clube EDP (H50). Na pontuação final do VII Campeonato Ibérico de Orientação em BTT, Portugal somou 244 pontos, contra 144 da Espanha.

Resultados completos AQUI


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

sábado, 28 de maio de 2011

O MEU MAPA: PATRÍCIA CASALINHO, QUIAIOS E O PORTUGAL O' MEETING 2010




Quando recebi o convite para escrever na crónica o meu mapa, fiquei algum tempo a pensar qual seria o mapa que deveria eleger. Primeiro pensei num mapa onde tivesse representado a Selecção, talvez uma competição internacional, mas depois pensei que deveria eleger o mapa não apenas e somente pelo facto de ser o mapa mais técnico onde corri mas também pela qualidade do percurso.

Desde que comecei a fazer Orientação como federada em 2004/2005 que sempre ouvi que o traçador de percursos pode transformar um mapa nada de mais, num excelente mapa e que o inverso também seria possível. Sendo assim, elegi como “meu” mapa o Mapa de Quiaios, WRE POM 2010, dando um louvor ao Rui Antunes pelo seu excelente trabalho.

Para mim, teria de eleger como o melhor mapa, aquele que teve o percurso que mais gozo me deu a fazer e onde senti que realmente o traçador de percursos foi à excelência, sentindo mesmo durante a prova que todos os pontos tinham sido pensados ao pormenor. Cada ponto que fiz senti o verdadeiro desafio que o traçador me estava a oferecer, sabendo que teria de estar em todo o percurso com a concentração a 100%.

Um mapa que irá continuar a ser um dos mapas onde todos os atletas irão gostar de voltar a correr, pois é um dos melhores mapas de Portugal nessa categoria, tendo mesmo sido já elogiado por um dos melhores atletas do mundo, Thierry Gueorgiou.



Patrícia Casalinho
COC – Clube de Orientação do Centro
Fed 3060

MISSÃO ITÁLIA ISF 2011: O MUNDIAL SEGUNDO O ESPÍRITO DA ISF




O italiano Andrea Delpin é o Presidente da International School Sports Federation desde 2010, mas desde os anos 90 que integra os seus quadros. Conhece bem as necessidades da Federação. Os esus comentários sobre a qualidade destes Mundiais são os de um profundo conhecedor.


ItaliaOr2011 – Começamos por uma pergunta fácil. O que pensa desta manifestação aqui em Primiero?

Andrea Delpin - Sabíamos de antemão que este seria um grande Mundial, da mesma forma que os Mundiais ISF de Esqui, no ano passado, constituiram igualmente um grande triunfo organizativo. Apesar de os dois Mundiais terem sido disputados em lugares diferentes, Folgaria e Primiero, tiveram à frente das tarefas organizativas as mesmas pessoas. Finalmente, ambas as organizações superaram as expectativas.


ItaliaOr2011 – Que factos mais o impressionaram?

Andrea Delpin – Por onde começar? É incrível como toda uma região viveu estes Mundiais. Pudemos ver bandeirinhas de Orientação em todas as lojas e restaurantes e sentimos que os habitantes locais acompanharam o evento com verdadeiro interesse. Por outro lado, estive sempre rodeado de jovens do “students' staff”, o que me pareceu muito importante e que acompanha o espírito do ISF. Por último, mas não menos importante, agradou-me ver a forma como os atletas cultivaram a amizade, no verdadeiro sentido do termo. Se nos reportarmos a outras categorias e escalões etários superiores, é difícil encontrar este tipo de ligação entre os competidores como acontece ao nível da ISF.


ItaliaOr2011 – Dum modo geral, qual é o nível das manifestações ISF?

Andrea Delpin – É geralmente um nível alto. Obviamente, é mais fácil organizar eventos de desportos individuais do que de equipas, porque nestes casos é necessário transportar toda uma equipa do alojamento para os locais de treino e de prova e depois fazê-la regressar à base. Gostaria de sublinhar que a ISF considera a participação dos jovens nestes eventos sobretudo dum ponto de vista educacional. Se uma equipa se recusa a defrontar outra por motivos políticos, é imediatamente enviada a casa. Se não participa nos eventos culturais, é desclassificada.


ItaliaOr2011 – Há um ano que é o Presidente da International School Sports Federation. Quais são os seus objectivos e as suas expectativas? O que está fazendo de momento?

Andrea Delpin – Devo dizer que a ISF provou ser, no passado, uma espécie de Federação Desportiva. Compreendemos que os nossos objectivos deveriam ser outros e, desde esse momento, estamos a trabalhar no sentido de modernizar a nossa organização. Em Novembro, pretendemos estabelecer alguns grupos de trabalho, por exemplo no sector da Comunicação e Marketing, que deverão estar já operacionais aquando da Assembleia-Geral da Guatemala, em 2012.


ItaliaOr2011 – Que mensagem pretenderia transmitir ao Mundo?

Andrea Delpin – Que queremos trabalhar, no seio da ISF, o mais profissionalmente possível. Que temos milhões e milhões de atletas registados em 75 países de todo o Mundo, um milhão só em França, e que devemos mostrar a nossa grande família através de todos os meios de comunicação. Que a ISF é uma realidade reconhecida pelo Comité Olímpico Internacional e que é nosso dever encontrar a melhor maneira de crescermos!



Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

sexta-feira, 27 de maio de 2011

MISSÃO ITÁLIA ISF 2011: AS IMPRESSÕES DE KARL KEUPPENS, PRESIDENTE DA COMISSÃO TÉCNICA DE ORIENTAÇÃO DA ISF




No rescaldo da “Estafeta da Amizade”, reproduzimos aqui as impressões de Karl Keuppens, Presidente da Comissão Técnica de Orientação da ISF – International School Sports Federation desde 2002. Chamada de atenção, desde já, para as referências a Portugal e à nossa organização dos Mundiais ISF 2013.


“O Friedship Team Event é a nossa competição mais importante.” Quem o afirma é Karl Keuppens, de nacionalidade belga, Presidente da Comissão Técnica de Orientação da ISF desde 2002. E explica porquê: “As equipas estão misturadas e os atletas não se conhecem à partida. Eles devem encontrar os outros elementos da equipa, comunicar com eles, combinarem entre si a estratégia para a prova. É uma competição maravilhosa.”

Isaac Sweetapple, Wouter Us e Masa Volcic venceram a Estafeta da Amizade dos Campeonatos do Mundo de Orientação de Desporto Escolar ISF 2011, e são oriundos da Nova Zelândia, Bélgica Flandres e Eslovénia. O segundo lugar foi para a Suécia, Portugal e França (Marcus Andersson, Miguel Ferreira, Sarah Husson) e a terceira posição coube à república Checa, Bélgica Flandres e Irlanda (Adam Wanek, Charlotte Theys e Duncan Lehane).

“É uma pena que países como a Suiça, a Noruega, a Dinamarca ou a Rússia não estejam aqui”, explica Keuppens. “Por outro lado, a Suécia faz-se representar com equipas muito fortes. Isto significa que já temos tido algumas discussões sobre o nível e as distâncias das provas antes dos Campeonatos se iniciarem, com o intuito precisamente de encontrarmos um compromisso ajustado a todos.”

Keuppens está à frente da Comissão Técnica desde 2002, na qualidade de Presidente, e já presenciou muitos Campeonatos do Mundo. “Em Primiero tudo funcionou na perfeição. O comité organizador e o cartógrafo Robert Pradel foram extraordinariamente flexíveis; era possível fazermos alterações de pormenor mesmo até ao último momento. O trabalho do 'students' staff' revelou-se extraordinário e foi ao encontro do espírito da ISF.”

Keuppens sorri quando recorda a surpresa que esperava os treinadores na Estafeta da Amizade. “Nos pontos de abastecimento havia água para os atletas, mas grappa para os treinadores...”. E olha com tranquilidade para os desafios no futuro. “Portugal tem toda a nossa confiança para organizar um grande evento em 2013. Mas por agora, 'muito bem', Primiero!”

Artigo retirado das páginas do evento em http://www.italiaor2011.com/.


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO