quinta-feira, 31 de março de 2011

GRAÇA CARRAPATOSO E O PORTUGAL O' MEETING 2011: "FOI DOS TRABALHOS EM EQUIPA MAIS INTERESSANTES QUE EU FIZ EM TODA A MINHA VIDA"




No âmbito da sua formação académica e actividade profissional, Graça Carrapatoso foi a responsável pelo sector médico do Portugal O' Meeting 2011. O Orientovar vai hoje ao seu encontro, colhendo um conjunto de impressões que dão nota do valor e interesse deste seu trabalho.


Orientovar – Na qualidade de médica, a sua primeira colaboração com a organização duma prova de Orientação teve lugar no Norte Alentejano O' Meeting 2010, no Crato. Como surgiu a oportunidade?

Graça Carrapatoso – Partiu tudo dum convite feito pelo Presidente do Grupo Desportivo dos Quatro Caminhos para integrar uma equipa da Cruz Vermelha, previamente contactada e preparada para avançar para o terreno. A equipa era composta por elementos com formação em Suporte Básico de Vida e muitos deles também em Suporte Avançado de Vida, perfeitamente preparados para assistir à maior parte de situações que se colocam neste tipo de provas. Aceitei o desafio, sobretudo por entender que, na minha área de especialidade, a Anestesiologia, a minha presença podia ser uma mais-valia.

Orientovar – Que recordações guarda dessa experiência?

Graça Carrapatoso – Foi uma experiência muito positiva, primeiro porque a nossa actividade profissional nos impede, muitas vezes, de fazer um trabalho voluntário e este foi o meu primeiro trabalho voluntário enquanto parte integrante duma equipa médica. Depois, porque me permitiu integrar uma equipa diferente das equipas hospitalares, com uma vocação benemérita por todos conhecida o que, já de si, torna o ambiente de trabalho e a postura em relação às situações que vão surgindo, muito agradável, muito cooperante. Foi dos trabalhos em equipa mais interessantes que eu fiz em toda a minha vida e por isso me interessa continuar a fazê-lo. Pelo facto de ser a primeira vez que o fiz, foi também uma nova experiência com um acréscimo de oportunidades diferentes daquelas que tenho no dia-a-dia e que levam ao nosso enriquecimento, nos ensinam coisas novas e nos fazem andar para a frente.


O apoio médico justifica-se em todas as circunstâncias

Orientovar – Entretanto tomou-lhe o gosto e, sempre que possível, tem colaborado com o Grupo Desportivo dos Quatro Caminhos, ainda que em provas de menor dimensão...

Graça Carrapatoso – Isso aconteceu no Porto e também em Manteigas. Nestas provas houve apenas a presença de dois bombeiros e duma ambulância que faria o apoio e a evacuação para uma unidade de saúde, se necessário. Em ambos os casos, não vi tanto a necessidade da minha presença, uma vez que aquilo que ocorreu foram sempre pequenas lesões. Mas é óbvio que um Enfarte do Miocárdio pode acontecer em qualquer sítio, tanto no meio do Alentejo como num parque duma cidade. Isto para dizer que, realmente, o apoio médico justifica-se em todas as circunstâncias, embora as exigências variem de acordo com o tipo de provas em causa.

Orientovar – Quando voltou a abraçar novo convite, foi para colaborar no Portugal O' Meeting, um evento com outra dimensão e uma logística maior. Sabia, em concreto, aquilo que a esperava?

Graça Carrapatoso – Sim, já em 2009 tinha estado presente num Portugal O' Meeting, em Mora, como espectadora e a convite do Luís Santos, e nessa altura apercebi-me do grande número de participantes, nomeadamente estrangeiros, que acorrem a esta prova. Daí as minhas expectativas serem altas em relação à necessidade de cuidados médicos, uma vez que se trata de pessoas que correm muito no terreno, se atiram para a frente, não estão com grandes pruridos para transpor uma vedação ou um fosso e é óbvio que este tipo de competição gera, naquele tipo de terrenos, lesões em maior número e gravidade.


A nível de trabalho e de organização, isto é o melhor que se pode esperar

Orientovar – Isso acabou por se confirmar nesta edição do Portugal O' Meeting 2011?

Graça Carrapatoso – Sim, surgiram imensas pessoas com edemas a nível do tornozelo e com sinais de roturas ligamentares, umas menores, outras duma dimensão mais preocupante, algumas inclusivamente, que nos fizeram suspeitar duma eventual existência de fractura a nível do maléolo. Sempre que houve esse tipo de suspeita, as pessoas foram evacuadas para o Hospital de Portalegre. Curiosamente, o número de visitas à tenda da Cruz Vermelha no último dia foi inferior ao do dia anterior, em que estava sol. Ou seja, as pessoas compreenderam a perigosidade acrescida dos terrenos com chuva. Mas o balanço é o melhor possível, esta foi uma experiência ainda mais interessante e mais gratificante que no ano anterior e apercebi-me que, ao nível da própria equipa, toda a gente da Cruz Vermelha participou no evento com bastante interesse, talvez até pela forma como ele tinha sido publicitado pelos colegas que haviam estado no Crato. Inclusivamente, ficaram todos muito expectantes em relação à prova de Marvão, no próximo ano.

Orientovar – Como avalia a articulação entre si, a Cruz Vermelha e a Direcção da Prova, sobretudo numa fase de preparação do evento e na salvaguarda duma série de situações que sempre podem ocorrer?

Graça Carrapatoso – A articulação foi a melhor possível e nunca houve qualquer tipo de dificuldade ao nível da comunicação e da compreensão daquilo que poderia estar em causa. Isto não é mérito meu, mas sim, sobretudo, da Cruz Vermelha, que tem já estes processos completamente fluidos. Quanto à organização do evento, não há mais elogios que possa dar a este clube, porque em termos organizativos são um verdadeiro modelo. Não deixam nada ao acaso, antecipam as situações críticas no terreno e diariamente as pessoas conversam sobre aquilo que poderia e deveria ter corrido melhor. A nível de trabalho e de organização, isto é o melhor que se pode esperar.


Não vinham pedir ajuda a alguém estranho

Orientovar – Mas houve alguma coisa que poderia ter corrido melhor e não correu?

Graça Carrapatoso – A única coisa que eu poderia dizer que não correu tão bem – e cuja culpa não é, finalmente, da organização – prende-se com a forma como as pessoas estacionaram as suas viaturas ao longo do estradão que levava ao local das provas dos 3º e 4º dias. Houve muitas pessoas que não respeitaram as regras de estacionamento, não respeitaram os locais de cruzamento de veículos. Estávamos preocupadíssimos com o último dia, sabendo que ia chover, sabendo que a probabilidade de acontecerem mais acidentes e de maior gravidade era real. Estou contente por não ter acontecido nenhuma situação crítica porque, se estivéssemos a falar duma paragem cardíaca, por exemplo, a coisa ia ser muito complicada e a responsabilidade, realmente, ia cair sobre a organização.

Orientovar – Que significado pode ter, no meio duma vasta Arena, uma tenda da Cruz Vermelha?

Graça Carrapatoso – Essa é uma pergunta interessante. Fui percebendo dia após dia, pela forma como as pessoas acorriam à tenda, que não vinham pedir ajuda a alguém estranho. Sobretudo os estrangeiros vinham pedir ajuda a uma equipa que, apesar das caras serem diferentes, tem as mesmas atribuições e cumpre as mesmas funções em qualquer parte do Mundo. Isso ajudou muito ao nível da comunicação, que foi sempre excelente, e até na própria dinâmica criada no seio da equipa. As pessoas eram ordeiras, ninguém tentava passar à frente de ninguém, havia um ambiente muito favorável e isso ajudou muito a que as coisas corressem sempre bem. É curioso que um dos primeiros visitantes que tivemos foi um médico que fazia este tipo de trabalho no seu País e que veio apenas para observar aquilo que eram as nossas condições. Para além dele ter gostado de ver que estávamos bem preparados, percebi que no seu País a Cruz Vermelha faz parte integrante da própria estrutura de saúde governamental, duma forma diferente da nossa, o que economicamente acaba até por ser mais vantajoso, nomeadamente no tocante à colaboração neste tipo de eventos.


Marvão é já para mim quase uma prioridade

Orientovar – Vamos continuar a vê-la a dar o seu contributo às organizações do Grupo Desportivo dos Quatro Caminhos?

Graça Carrapatoso – A minha vontade vai nesse sentido, embora o meu horário de trabalho semanal seja tão pesado que eu deva ponderar muito bem todas estas questões. No entanto, sempre que possível, vou estar presente. E, claro, quero estar presente no Norte Alentejano O' Meeting do próximo ano, em Marvão. Marvão é já para mim quase uma prioridade, um momento de voluntariado mas sobretudo um momento de convívio e de camaradagem muito especial e que eu não quero pensar em desistir dele.



Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

quarta-feira, 30 de março de 2011

DUAS OU TRÊS COISAS QUE EU SEI DELA...



1. Aproveitando as férias da Páscoa, o OriJovem está de regresso. A 15ª edição da popular iniciativa, da responsabilidade da Federação Portuguesa de Orientação, decorre entre os dias 18 e 21 de Abril, em Palmela, com actividades distribuídas pela Escola de Palmela, Ginásio de Palmela, Jardim de Palmela e Castelo e ainda pelos mapas do Bonfim, Rio Frio e Gâmbia. Os participantes ficarão instalados em Solo Duro no Pavilhão Gimnodesportivo da Escola Básica 2,3 Hermenegildo Capelo e o valor da inscrição – cuja data limite é o dia 11 de Abril – é de 45,00 € (inclui estadia de três noites, alimentação, transporte, t-shirt, seguro desportivo e tudo o mais que se encontra descrito no Programa). Informações em www.fpo.pt ou junto de António Aires, o Director Técnico Nacional, através do 960 236 011. Inscrições em orijovem@gmail.com.

2. As provas de “Promoção, Treino e Formação” estão de regresso já no próximo domingo a Arraiolos, com a realização da II Estafeta da Primavera 2011. Depois do enorme êxito que constituiu a edição inaugural, no ano transacto, a organização, a cargo do Clube de Orientação da Gafanhoeira - Arraiolos, prepara-se para aumentar a parada, oferecendo aos participantes uma parte do mapa da prova de Distância Longa pontuável para o ranking mundial do recente Meeting Internacional de Arraiolos. Mas há igualmente a promessa de terrenos e percursos preparados cuidadosamente para cada escalão, speaker e ponto de espectadores, uma sempre espectacular “partida em massa” e ainda a excelência do bem receber das inefáveis gentes de S. Pedro da Gafanhoeira. A manhã será dedicada à Estafeta (dois elementos a realizar dois percursos cada um, como se de uma equipa de quatro elementos se tratasse), enquanto da parte da tarde terá lugar a terceira etapa do V Troféu OriAlentejo 2011, uma prova de Distância Média, também no mapa da Gafanhoeira. Toda a informação em http://www.gafanhori.pt/estafetaprimavera2011/.

3. Na Mata Nacional do Camarido (Caminha), um dos mais belos e aprazíveis locais do litoral norte junto à foz do Rio Minho, disputa-se no próximo sábado a segunda etapa do Campeonato Regional Norte do Desporto Escolar. A prova, com a designação de “VI Open dos Amigos da Montanha – Desporto Escolar”, tem assinatura organizativa da laboriosa colectividade de Barcelinhos e destina-se à população escolar, mas não só. A actividade é constituida por uma prova de Distância Média e é dirigida também a pessoas de qualquer idade, participando individualmente ou em grupo nos chamados escalões abertos. Mais informações em http://www.amigosdamontanha.com/_prova_de_orientacao__desporto_escolar.

4. Também no sábado de manhã chega ao fim a terceira edição da Taça CLAC, uma iniciativa que, desde o passado mês de Outubro, tem vindo a mobilizar um significativo número de participantes. O Open de Torres Novas terá o seu início pelas 10h00 e apresenta, como habitualmente, três níveis de participação (masculino/feminino). Consulte a página do evento em http://www.clac.pt/.

5.Um desafio para o Corpo e para a Mente”. É sob este lema que a Associação de Deficientes das Forças Armadas leva a efeito, no próximo dia 13 de Abril (quarta-feira), um percurso de Orientação de Precisão. Dirigida essencialmente aos associados da ADFA, mas aberta igualmente à população em geral, a actividade decorrerá entre as 10h00 e as 12h00 no Parque das Nações, em Lisboa, e contará com o apoio da Federação Portuguesa de Orientação. Mais informações junto do Serviço de Acção Social da ADFA através do telefone 217 512 600 / 22.



6.Um vencedor sempre sabe para onde vai, mas um campeão nunca esquece de onde veio”. Baseado neste princípio, João Mega Figueiredo dá-nos a conhecer o seu blogue, ao qual quis dar o nome de “Mega a Orientar”. “Mega”, pois é o nome pelo qual é conhecido por todos; e “Orientar”, jogando com o trocadilho entre a Orientação e um dos significados do verbo “orientar”, nomeadamente “informar” ou “reconhecer o lugar em que se está”. Na rede desde finais de Janeiro, o blogue do Mega está alojado em http://megaorientar.blogspot.com/ e sabe bem ocupar o seu lugar. Ao longo das treze mensagens publicadas até ao momento, João Mega Figueiredo dá-se a ver e dá-nos a ver a sua paixão pela Orientação. Fazendo votos para que não se perca esta dinâmica, para o “Mega a Orientar” e para o seu autor vai, com o sentido da maior admiração e estima, o Louvor da Semana!


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

terça-feira, 29 de março de 2011

OS VERDES ANOS: MARIA FIRMINO




Olá!

Chamo-me Maria Firmino e tenho 14 anos. Ando no 9º ano na Escola EB 2,3 da Sarrazola, em Colares, a freguesia onde vivo.

Comecei a praticar Orientação no principio do meu 7º ano, pois antes andava no núcleo de Teatro da Escola e não ligava muito à Orientação, apesar de saber que a Escola já tinha alguns méritos nesta modalidade. Mas nesse ano, a professora Avelina Alvarez veio falar comigo e propôs-me para experimentar um treino. Fui com uma colega e gostei, começando, assim, a ir aos treinos. Depois a professora falou-me de um OriJovem que ia haver nas férias de Natal, em Ovar, e foi desde esse OriJovem que comecei a ir às provas. Ao princípio estava muito envergonhada para me integrar no grupo, mas como na Orientação é só “malta bacana” foi muito mais fácil.

Quando comecei a ir às provas do Desporto Escolar, a minha ambição era ainda maior, pois não é só por mim, mas também para um equipa e quando consegui a minha primeira medalha individual - 3º lugar nos Regionais - e a minha primeira medalha colectiva - 1º lugar nesses mesmos Regionais -, a minha força de vontade aumentou ainda mais. Este ano, a minha maior ambição é contribuir para que a nossa equipa de Iniciadas Femininas consiga ir aos Mundiais de Desporto Escolar, em Itália, para o qual toda a equipa se tem unido e treinado para o melhor resultado possível, apesar de não ser fácil.

Apesar do 9º ano ser um ano complicado, não é difícil conjugar os treinos e as provas com o estudo. Só é preciso um pouco de responsabilidade e “quem corre por gosto, não cansa”.

Nesta altura, a Orientação é o meu desporto de eleição e espero que todos experimentem. Não se trata apenas da competição saudável, mas é também o conhecer novos sítios, novas florestas e novos amigos, pois neste desporto o convívio é a melhor coisa!

Maria Firmino
CPOC – Clube Português de Orientação e Corrida

segunda-feira, 28 de março de 2011

VII TROFÉU ORI-BTT DE GRÂNDOLA: VITÓRIAS DE DAVIDE MACHADO E SUSANA PONTES




Grândola transformou-se, por um fim-de-semana, na capital nacional da Orientação em BTT. Mais do que confirmar o favoritismo de Davide Machado e Susana Pontes, a sétima edição do tradicional Troféu deu a conhecer Carlos Simões e Stepanka Betkova como dois dos grandes animadores da competição.


Disputou-se no passado fim-de-semana, em Grândola, a segunda prova da Taça de Portugal de Orientação em BTT 2011. Organizado pelo Clube da Natureza de Alvito, Câmara Municipal de Grândola e Federação Portuguesa de Orientação, o evento chamou à “vila morena” um total de 203 atletas, 175 dos quais distribuídos pelos 17 escalões de competição e os restantes pelos escalões de Promoção.

Confirmando o natural favoritismo, Davide Machado (.COM) levou de vencida as duas provas de Distância Longa que constituiram o Troféu e teve honras de subida ao lugar mais alto do pódio. Na luta pela segunda posição, assistiu-se a um interessante duelo entre Daniel Marques (COC) - vencedor de quatro das seis anteriores edições do Troféu (!) - e Carlos Simões (COALA), o grande vencedor do ranking da Taça de Portugal de Orientação em BTT 2009/2010, no que ao escalão H35 diz respeito. Começou melhor Daniel Marques, segundo classificado na primeira etapa a 2.10 do vencedor, mas foi Carlos Simões “quem riu no fim”, conseguindo anular a desvantagem de 1.18 para Daniel Marques e fixar-se na segunda posição final.


Grande estreia de Stepanka Betkova

Quanto ao sector feminino, foi intensa a luta pela vitória entre a “consagrada” Susana Pontes (CPOC) e a “estreante” Stepanka Betkova (Ginásio Figueirense), com Rita Madaleno (ADFA) de permeio. Quiçá mais familiarizada com o terreno, Susana Pontes alcançou um expressivo triunfo na etapa inaugural, impondo-se a Rita Madaleno e a Stepanka Betkova por 5.34 e 6.20, respectivamente. Na etapa decisiva, a atleta de nacionalidade checa quase anulava a desvantagem trazida da véspera, quedando-se a escassos 20 segundos da vitória no Troféu. Esta acabou por sorrir, naturalmente, a Susana Pontes, que assim repete a vitória do ano transacto. Acima de tudo fica a ideia de que a Taça de Portugal de Orientação em BTT 2011, no escalão de Elite Feminina, poderá estar lançada “a três mãos”, o que aumentaria sobremaneira a sua qualidade e competitividade.

Colectivamente, a vitória voltou a sorrir à turma algarvia do BTT Loulé/EAFIT/BPI, com um total de 1867.00 pontos, seguido da ADFA (1729.00 pontos), COC (1637.00 pontos), CPOC (1227.00 pontos) e CIMO (1193.00 pontos).


Resultados
Elite Masculina
1º Davide Machado (.COM) 2000.00 pontos
2º Carlos Simões (COALA) 1916.40 pontos
3º Daniel Marques (COC) 1882.10 pontos
4º Paulo Alípio (COC) 1732.20 pontos
5º Mário Guterres (ADFA) 1699.30 pontos
6º António Valentim (ADFA) 1662.70 pontos
7º Paulo Palhinha (CP Abrunheira) 1589.40 pontos
8º José Marques (ADFA) 1589.30 pontos
9º Joel Morgado (COC) 1559.10 pontos
10º Fernando Henrique (GDU Azóia) 1541.60 pontos

Elite Feminina
1º Susana Pontes (CPOC) 1930.50 pontos
2º Stepanka Betkova (Ginásio Figueirense) 1924.90 pontos
3º Rita Madaleno (ADFA) 1842.50 pontos
4º Maria Amador (ATV) 1500.90 pontos
5º Marta Fonseca (ADFA) 1456.70 pontos
6º Joana Frazão (CIMO) 1456.70 pontos
7º Patrícia Serafim (ADFA) 1439.70 pontos
8º Ana Filipa Silva (CPOC) 1340.20 pontos
9º Sílvia Araújo (ADA Desnível) 1285.30 pontos

Vencedores outros escalões
H/D15 – Nuno Santos (CIMO) e Ana Margarida Rocha (CIMO)
H17 – Samuel Leal (Ginásio Figueirense)
H/D20 – Mac-Mahon Moreira (BTT Loulé/EAFIT/BPI) e Margarida Colares (CAOS)
H/D21A – Frederico Costa (COC) e Albertina Sá (ADFA)
H21B – Márcio Rosa (COAC)
H/D35 – Miguel Tolda (CLAC) e Rita Gomes (BTT Loulé/EAFIT/BPI)
H40 – Alexandre Reis (ADFA)
H/D45 – Inácio Serralheiro (CN Alvito) e Luísa Mateus (COC)
H50 – Luís Sousa (Clube TAP)
H55 – Armando Santos (Clube EDP)
Promoção 1 – Filipe Costa (Individual)
Promoção 2 – Carlos Leal (CP Telecom)


As reacções de Paulo Alípio e Stepanka Betkova

O VII Ori-BTT de Grândola foi aquilo que se esperava: uma boa prova onde os aspectos técnicos - bom mapa, terreno e percursos - são, de facto, o cerne do evento. Tratou-se, assim, de mais uma boa jornada de orientação em BTT, com a chuva e a lama a constituírem uma dificuldade adicional. Apresentei-me nesta prova com poucos treinos, mas mesmo assim não deixou de ser, para mim, uma excelente competição, sobretudo pelo prazer em "navegar" neste tipo de terreno.
Paulo Alípio (COC)


Há praticamente um ano que não fazia uma prova de Orientação em BTT pelo que foi um enorme prazer competir em Grândola. No sábado andei demasiado rápido e não consegui ver alguns caminhos, acabando por cometer três erros que me fizeram perder cerca de quinze minutos. No domingo prestei mais atenção ao mapa. No ponto 5 ultrapassei a Susana Pontes e isso fez com que deixasse de me concentrar correctamente acabando por cometer dois erros. Seguiu-se uma “refrescadela”, já que caí e tomei um banho completo num riacho. Isso aconteceu antes da subida para o ponto 8 e animou-me. Ultrapassei a Susana novamente já a caminho do ponto 9 e até ao final apenas cometi mais dois pequenos erros. Em conclusão, ambas as provas foram agradáveis e o terreno era excelente para a prática da Orientação em BTT, com muita adrenalina nas descidas. Parabéns à organização da prova e obrigado pelo troféu. É o mais bonito troféu que tenho.
Stepanka Betkova (Ginásio Figueirense)



Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

VII TROFÉU ORI-BTT DE GRÂNDOLA: IMPRESSÕES




Pontuável para a Taça de Portugal de Orientação em BTT 2011, teve lugar este fim-de-semana a 7ª edição do Troféu Ori-BTT de Grândola. Aqui ficam as declarações de Susana Pontes, a vencedora na Elite Feminina e de Daniel Marques, 3º classificado na Elite Masculina.


Para mim, é sempre importante e "delicioso" ir àquela serra!!! Desta vez, escaparam os locais mais difíceis e bonitos, no meu escalão... Quanto à organização, faz o possível com os poucos recursos humanos que tem... Os mapas são já os conhecidos de há alguns anos, mas sempre bons para a prática desta modalidade... Os percursos e quanto à elite feminina, foram um pouco conduzidos, com poucas opções ou tomada de decisão tão importante para o desenvolver do percurso... Por motivos profissionais, este ano não me foi possível participar em mais nada (extra-competição), apesar do esforço incansável da Organização na preparação destes eventos...

Quanto à minha prestação pessoal, era importante para mim, e foi esse o objectivo, primeiro estar presente e depois não cometer erros de grande monta... e foi o que aconteceu. Ainda e durante a semana que precedeu a competição percebi que estava bem fisicamente o que era o ideal para esta competição. Ambas as etapas correram de forma semelhante, tendo conseguido cumprir os meus objectivos. A participação de mais atletas femininas foi um dos factores que me agradou bastante... é necessário para aumentar a competitividade neste escalão.
Susana Pontes (CPOC)


Uns passeios transpirados pela natureza

O palco da competição foi a mítica Serra de Grândola, zona de Sobral bastante acidentada com uma boa rede de caminhos, que pôs à prova o sentido de orientação e a potência física dos atletas. A prova de domingo tornou-se ainda mais desafiante porque veio a chuva que por sua vez formou lama no terreno aumentando a dificuldade de progressão. A organização esteve em bom nível, como é habitual nas competições lideradas pelo Sr. Joaquim Patrício. Em relação ao mapa detectei alguns erros nas classificações de caminhos, precisão das curvas de nível e também de alguma falta de cuidado de diferenciação nas zonas de grande aglomerado de caminhos junto às casas principalmente (desculpem o perfeccionismo).

No que respeita aos percursos HE devo dizer que no primeiro dia achei a prova bastante interessante com dificuldades na escolha da opção e na navegação, já no segundo dia achei a prova bastante física com pouca orientação; à excepção de 2 CPs, podia-se e devia-se ter complicado mais um bocado. Fiquei satisfeito com a minha prestação em ambos os dias, talvez tenha perdido 1 minuto no 1º dia e 1 minuto no segundo no que respeita a erros e hesitações. Estou muito debilitado fisicamente, não treino com regularidade desde o Campeonato do Mundo em Montalegre, no entanto procuro sempre orientar-me bem em cima da bicicleta embora tenha a consciência que não seja suficiente para ganhar. Para sermos competitivos temos também que andar com força (obvio, não é? Quem treina é recompensado por isso, não haja dúvidas). A minha ambição para esta época passa unicamente por passar um bom fim-de-semana com a familia e dar uns passeios transpirados pela natureza. Que outro desporto possibilitaria isto?
Daniel Marques (COC)


Só muito tardiamente os resultados chegaram à redacção do Orientovar, pelo que só mais ao final do dia será disponibilizada a habitual crónica. Para já, pode consultar todas as informações na página oficial do evento, em http://oriprovas3.no.sapo.pt/2011-03-26_CNA/Informacao_NET.htm

[Foto gentilmente cedida por Daniel Marques]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

domingo, 27 de março de 2011

MEDITERRANEAN OPEN CHAMPIONSHIP: VITÓRIAS DE AUDUN WELTZIEN E ANNIKA BILLSTAM




Em Itália, na região de Palermo (Sicília), correu-se este fim-de-semana mais uma edição do MOC – Mediterranean Open Championship Orienteering. Um evento que marca o regresso às lides da Orientação do número três do Mundo, o suiço Daniel Hubmann.


Disputado no mesmo fim-de-semana que a clássica Spring Cup, o MOC – Mediterranean Open Championship Orienteering mostrou que são ainda muitos e bons os orientistas que preferem manter-se pelo sul do Europa pelo menos mais umas semanas, aproveitando o muito de bom que ele tem para oferecer. É nesse espírito que se enquadra o MOC, um evento que soube ganhar o seu lugar entre as provas mais apetecidas do calendário orientístico internacional nesta altura do ano. Mérito do trabalho apurado de Gabriele Viale, garantindo as presenças dos noruegueses Oystein Kvaal Osterbo, Audun Weltzien e Elise Egsetyh, dos suecos Jerker Lysell, Annika Billstam e Lena Eliasson, do lituano Jonas Vytautas Gvildys ou dos suiços Daniel Hubmann, Ines Brodmann, Rahel Friedrich ou Angela Wild.

Três provas, dois Sprints, uma Média, tal foi o menu servido a duas centenas e meia de participantes, 63 dos quais nos escalões de Elite (41 no sector masculino e 22 no feminino). O casco urbano de Sciacca recebeu a primeira prova de Sprint e teve como vencedores o norueguês Oystein Kvaal Osterbo e a suiça Ines Brodmann. A segunda etapa – de novo uma prova de Sprint - teve lugar no “grande Cretto di Gibellina”, uma gigantesca obra em betão, a céu aberto, da autoria de Alberto Burri, erigida no local onde outrora repousou a localidade de Gibellina, completamente destruída por um violento terramoto na noite de 14 para 15 de Janeiro de 1968 (os mais curiosos podem ver a espantosa série de fotografias da autoria de Rino Palma, AQUI). Segundo classificado na etapa inicial, Audun Weltzien foi desta feita o vencedor, afirmando-se como o grande candidato à vitória final. No sector feminino, as suecas Lena Eliasson e Annika Billstam alcançaram as duas primeiras posições, partindo para a derradeira etapa separadas por escassos 11 segundos entre si.

Disputada na manhã de hoje em Selinunte, no belíssimo espaço do Parque Arqueológico, a derradeira etapa consagrou Audun Weltzien como o grande vencedor desta edição do MOC, depois da vitória folgada na derradeira etapa ante Jerker Lysell e Oystein Kvaal Osterbo. A ordem de classificação na etapa foi aquela que se verificou no tocante à Classificação Geral. No sector feminino, Lena Eliasson baqueou no dia de hoje e o terceiro lugar da sua compatriota Annika Billstam foi suficiente para garantir a vitória final. Segunda classificada na etapa, a britânica Sarah Rollins ocupou a segunda posição na Geral do evento, enquanto a vencedora de hoje, a suiça Angela Wild, foi a terceira classificada da Geral. Ainda a recuperar duma intervenção cirúrgica ao calcanhar, Daniel Hubmann ainda deu um ar da sua graça no primeiro dia, onde foi terceiro classificado. No Sprint de Cretto di Burri o suiço foi desclassificado e na prova de Distância Média de hoje não foi além do 11º lugar.

Toda a informação acerca do evento em http://www.orienteering.it/.


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

SPRING CUP 2011: OLAV LUNDANES E SIGNE SØES CONFIRMAM FAVORITISMO




Disputada este fim-de-semana, a 21ª edição da Spring Cup dominou parte das atenções do panorama internacional.


Em Roskilde (Dinamarca), 98 atletas masculinos e 38 femininos travaram intensa luta por uma vitória nos respectivos escalões de Elite, procurando entrar assim da melhor forma nesta “primavera da Orientação”. Num quadro competitivo menos numeroso e sobretudo menos “valioso” que em anos anteriores, avultaram as presenças do norueguês Olav Lundanes e da dinamarquesa Signe Søes, respectivamente nº 4 e nº 8 do Mundo, como cabeças de cartaz. E foram precisamente eles os grandes vencedores da prova clássica da Spring Cup, disputada na manhã de ontem. Olav Lundanes (Halden SK) necessitou de 1.12.17 para cumprir o seu percurso, terminando à frente do francês François Gonon (IFK Göteborg) e do sueco Johan Runesson (Göteborg-Majorna OK). No sector feminino, Signe Søes (IFK Lidingö) foi a mais rápida, concluindo o seu percurso em 56.50. Atrás de si classificaram-se Maja Alm (Ulricehamns OK) e Annika Rihma (Farum Tisvilde OK).

A Spring Cup teve início na noite de sexta-feira, com duas competições sempre aguardadas com natural expectativa. No Sprint Nocturno, o finlandês Pasi Ikonen (Vaajakosken Terä) e a letã Krista Mihailova (Auseklis IK) levaram de vencida a concorrência, enquanto na Estafeta Nocturna a vitória coube aos noruegueses do Halden SK (Øyvind Helgerud, Andrei Zhuravlev, Vincent Coupat e Olav Lundanes) e às polacas do UKS Orientus Lodz (Agata Stankiewicz, Natalia Ewiak e Ewa Gwozdz). Já hoje, na grande Estafeta que encerrou a competição, o triunfo sorriu aos finlandeses do Vaajakosken Terä (Juha Sorvisto, Anders Nordberg, Pasi Ikonen e Jonne Lakanen), beneficiando da desqualificação das turmas do IFK Göteborg e do Pan-Kristianstad, por os seus atletas terem atravessado áreas proibidas e depois duma enorme confusão que os dava, também a eles, como desqualificados. No sector feminino, triunfaram as norueguesas do Halden SK (Celine Dodin, Ida Marie Næss Bjørgul e Galina Vinogradova).


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

ELEIÇÕES NA FEDERAÇÃO PORTUGUESA DE ORIENTAÇÃO: REFLEXÕES PARA MEMÓRIA FUTURA




1. Com o sugestivo título “A montanha pariu um rato!”, Luís Sérgio partilhou, no seu blogue “alternativo” – http://maisumdesterro.blogspot.com/ -, dúvidas e reservas quanto ao futuro da Federação Portuguesa de Orientação. “Depois de conhecer a constituição da lista concorrente à Direcção da FPO, encabeçada pelo Augusto Almeida, não consigo deixar de sentir alguma desilusão”, dsse ele, para acrescentar um pouco mais à frente: “Se não gostei desta FPO paradigma, também não quero voltar a ter uma FPO paradinha!”

2. Mas afinal o que separa e distingue uma “FPO paradigma” duma “FPO paradinha”? Se pensarmos naquilo que foram os cinco meses de vigência da anterior Direcção e do seu Presidente, muito pouco mesmo. Nunca, como nestes últimos cinco meses, tanta dúvida e tanta desconfiança se gerou e instalou. Nunca, como nestes últimos cinco meses, tanto se adiou e tanto se cancelou. Tão pouco se fez, tanto futuro se condicionou.  Quanto ao “paradinha”, estamos entendidos. Para a história fica o “paradigma”, ele próprio. É ele que faz a diferença. Ou talvez não...

3. Não consigo deixar de sentir simpatia pelo anterior Presidente, pela coragem demonstrada em ter apresentado um modelo de ruptura. Um modelo que marca, indubitavelmente, um ciclo de ideias e de projectos e que configurou – para o bem e para o mal - um verdadeiro “sobressalto cívico”. Um modelo recheado de propostas deveras interessantes, contendo um punhado de apostas com tanto de ambicioso como de ousado. Destas destacaria o Alto Rendimento e a Profissionalização. E se o faço é porque, em conjunto, ambas são suficientes para explicar o falhanço do modelo.

4. Parece claro que a Profissionalização era o rumo preconizado por Alexandre Guedes da Silva para a Orientação. Mas não devemos – até por questões de princípio – misturar profissionalismo com profissionalização. São coisas diferentes, devem ser devidamente entendidas e debatidas, interiorizadas. Se o profissionalismo, como um princípio de boas práticas, é louvado e louvável, já a questão da profissionalização é algo de bem diferente. Exige clarificação, um separar das águas. Exige diplomacia. Exige tempo. Não é coisa que se faça dum dia para o outro. Exige paciência!

5. A saga “preparatória” que Alexandre Guedes da Silva encetou no Fórum FPO ao longo do passado mês de Agosto e que resumiu à tríade “dimensão”, “atitude” e “ambição”, merece ser realçada. Nas entrelinhas dos chamados “saltos quânticos da Orientação”, já então se percebia que não era no “conteúdo” que estava o “pecado”, mas sim na “forma”. Na forma de os apresentar e de os evidenciar, de os dizer e de os viver. Isso acentuou-se ao longo dos cinco meses da sua presidência. Ventos semeados, tempestades colhidas. Foi penoso ver tão valorosas ideias acabadas ao balcão duma mercearia rasca, com sabor a fel e cheiro a azedo, lado a lado com produtos cujo prazo de validade caducara a 5 de Março.

6. Afinal, a prova do muito que havia de bom no “novo paradigma”, acaba por chegar com o novo Plano de Actividades apresentado pela Lista de Augusto Almeida. Comparem-se os dois documentos e veja-se que, tanto na forma como no conteúdo, não existem, grosso modo, divergências. Desaparecem “A Orientação no Jamor” (embora se admita a reavaliação da viabilidade do projecto), o reforço da frota automóvel, a organização em Portugal de eventos internacionais de prestígio ou as sete regiões NUTS II. Os cursos e acções de formação passam de catorze para doze, os cursos de actualização e reclassificação de técnicos desportivos passam de oito para seis, as acções de apoio ao desenvolvimento da prática desportiva deixa de se estender ao Desporto Universitário e as Corridas de Aventura deixam de ver consideradas as participações internacionais. Finalmente, o irritante e omnipresente “stakeholder” desaparece da terminologia.

7. Já no tocante ao Orçamento, as coisas mudam radicalmente de figura. O actual documento prevê montantes globais moderados, que levam em conta o histórico da FPO mas também a realidade do País em que vivemos. Acima de tudo, este Orçamento está atento àquilo que são as prioridades desta nova Direcção. Daí que, obviamente, não houvessem quaisquer reservas da parte do Conselho Fiscal ao Plano de Actividades e Orçamento 2011. Em suma, conhecedor dos males de que enfermava o documento anterior, Augusto Almeida limitou-se a manter o muito que tem de bom, promovendo as devidas adequações de acordo com aquilo que são as “convicções pessoais baseadas na minha educação, experiência pessoal e profissional e na reflexão que tento realizar sistematicamente”, para usar as suas próprias palavras.

8. Teria sido difícil a Alexandre Guedes da Silva fazer o mesmo? Evidentemente que não. Ele seria, ainda hoje, o Presidente de todos os orientistas. Legitimamente. Faria o seu percurso de forma não tão rápida como teria imaginado ou desejado, mas faria o seu percurso. Consolidada e consistentemente, a pensar no futuro e, quem sabe, na dita Profissionalização (que não é, como ele muito bem diz, nenhum anátema). E porque não o fez? Apenas e só porque lhe faltou em Comunicação, Credibilidade e Confiança aquilo que sobrou em Confusão, Cegueira e Casmurrice!

9. Ontem, no Anfiteatro da Escola Secundária de Grândola, a Lista liderada por Augusto Almeida foi escrutinada e empossada e o respectivo Plano de Actividades e Orçamento 2011 votado e aprovado por unanimidade. No próximo ano e meio teremos, para o bem da nossa Orientação, uma “FPO paradigma”, que não uma “FPO paradinha”. É essa a minha convicção pessoal, ainda que consciente das dificuldades que todos enfrentamos. Olhamos à nossa volta e vemos aqueles que compreendem isto e se adequam às realidades, enquanto outros continuam a assobiar para o lado e a viver como se nada fosse. É este o princípio que distingue o “antes” do “agora”, no que ao órgão colegial de administração da FPO diz respeito. No demais, como diria um querido amigo, “a paixão à modalidade é um factor comum a todos nós e estou confiante que saberemos encontrar formas de nos mantermos unidos e de ultrapassarmos as contrariedades.”


[Foto gentilmente cedida por Paulo Fernandes]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

sábado, 26 de março de 2011

O MEU MAPA: MARIA AMADOR E UM ROL DE MEMÓRIAS




O meu mapa... ora bem... tenho alguma dificuldade em eleger apenas um mapa e confesso que a minha memória também não ajuda muito. Fazendo uma reflexão sobre este assunto, chego à conclusão que para mim o importante não é o mapa, mas sim os locais onde eles me levam, as sensações que proporcionam e que me fazem recordar com saudade. Sem dúvida que os mapas me levaram a locais que certamente sem eles não teria visitado.

Assim, irei partilhar algumas das minhas experiências com mapas, nas três disciplinas da Orientação: Pedestre, BTT e Corridas de Aventura.

Em 1994, quando participei no Campeonato do Mundo de Orientação Pedestre, em Vasteräs - Suécia, fiz equipa nas Estafetas com a Cristina Roberto e a Raquel Costa. Estava na iminência de sair na partida em massa (não recordo exactamente, mas apenas estavam mais uma ou duas equipas para partir), quando aparece a Raquel. Estava preparada para sair, quando vejo ao longe uma "molhada", um autêntico “comboio de homens” a alta velocidade, com um mapa na mão (estavam a terminar o primeiro percurso). Pego no meu mapa, e ao fim de uns segundos, ainda antes de entrar na floresta, passam por mim a todo vapor os segundos elementos. Parecia uma novata (apenas na experiência na Orientação, pois na idade já não podia dizer isso), assustada com todo aquele reboliço.

Após esta situação, continuo a minha prova sem grandes sobressaltos, quando chego ao ponto onde estavam a filmar, as imagens apareciam em directo na Arena, onde estava uma multidão de espectadores a acompanhar o desenrolar da Estafeta masculina. Quando dou por mim tenho outra vez o comboio ao pé de mim, com toda esta confusão desconcentrei-me e logo de seguida faço um erro muito grande. Quando estava a finalizar o meu percurso, antes de picar o último ponto, percebo que o público estava ansioso. A Estafeta Masculina estava prestes a terminar. Quando entro na recta da meta, “pé ante pé” e tentando passar despercebida, não foi exactamente isso que aconteceu: naquela altura eu era o centro das atenções de todos, com o meu “charme envergonhado” terminei a minha prova com os aplausos do público.

Em 1995, participei no meu primeiro Campeonato do Mundo de O-BTT, em Banska Bystrica – Eslováquia. A situação que vou contar também se passou na prova de Estafeta (fazia equipa com a Carla Freitas e a Susana Pontes). Para mim a prova de Estafeta é a prova mais espectacular e na O-BTT as equipas portuguesas estão mais próximas das equipas da frente e conseguimos ser mais competitivos.

Estava a aproximar-me do ponto de espectadores (perto já do final da prova), quando ultrapasso a húngara. Animada, continuo a minha prova, faltavam apenas dois pontos. “Já está, vou conseguir!”. Quando dou por mim estou num entroncamento, olho para o mapa a confirmar onde está o ponto, olho para trás lá e estava ele perto duma árvore fora do caminho a fazer-me carretas. Quando ia a virar-me, truz, catrapuz, lá está a Maria no chão - os sapatos de encaixe por vezes ajudam a estas situações. Levanto-me rapidamente, dirijo-me para o ponto. Agora só falta o último, quando começo a pedalar, vejo a húngara a passar rapidamente - o percurso era diferente do meu. Nesse momento, fiquei desanimada, já tinha ganho a minha posição e agora… Logo de seguida, o meu pensamento foi que tinha dar tudo por tudo para a ultrapassar.

Após controlar o último ponto, tínhamos que percorrer um caminho improvisado cheio de altos e baixos. Nessa altura para mim o piso era liso, só olhava para a roda da minha adversária, cada vez ganhava mais terreno, naquele momento parecia que era a super-mulher, com uma pedalada que me fazia sentir ir a voar. A meta estava a aproximar-se e eu cada vez mais perto dela. Foi por pouco, se a recta da meta tivesse mais 20/30 metros, teria conseguido ultrapassá-la. A adrenalina no final da prova circulava no meu corpo com uma rapidez… estava mesmo com muita pica! Foi mesmo muito emocionante.

Por último, relato alguns, dos muitos episódios/imagens que guardo das Corridas de Aventura. Os mapas usados nestas provas são geralmente Cartas Militares de escalas muito pequenas (1/25 000 a 1/100 000). Tive o privilégio de participar em várias provas de Distância Longa (6 a 12 dias). Nestas provas passamos por situações únicas, muito diferentes do nosso dia a dia. São provas que nos põem à prova física e psicologicamente, de uma forma que nos permite conhecermo-nos melhor e também aos outros elementos da equipa. Ensinaram-me muito, desde a tolerância (estar 24 horas por dia, 12 dias, com as mesmas pessoas em situação de cansaço é um bom exercício), que não precisamos de muita coisa para sermos felizes, que o nosso corpo é muito resistente, entre outras. Passei por situações boas (paisagens espectaculares, conhecer outras culturas e pessoas, a companhia dos meus colegas de equipa, etc.) e más (fome, frio, calor, dormir pouco e mal, dores e mais algumas situações). Tenho muito para contar dos milhares de quilómetros que já percorri, mas vou apenas relatar algumas “memórias fotográficas”, que ficaram gravadas no meu cérebro.

No segundo raid em que participei (Raid Gauloises 1998 – Equador ~ 600 km), na etapa onde o meio de transporte eram cavalos, uma manhã quando acordei ouvi os meus colegas dizer que um dos cavalos tinha desaparecido, uma “boa” notícia logo de manhã e ainda por cima a culpa era minha, pois fui eu que amarrei o cavalo. Vou calçar-me, quando me apercebo que os ténis estão congelados, mas não tinha alternativa, lá coloquei os meus pés sem grande “ânimo”. Saio da tenda cabisbaixa, e quando levanto a cabeça… ah!!!! O sol estava a nascer… e tinha perante mim um lindo vulcão coberto por um manto branco. No lado oposto vejo ainda outro vulcão - foi mesmo espectacular.

Noutro raid, este do outro lado no mundo (Elf Authentique Aventure 1999 – Filipinas ~ 700 km), além dos mapas mais comuns, usamos mapas subterrâneos, em grutas enormes. Confesso que não me sinto muito confortável nestes espaços, mas ao entrar dentro da gruta vejo uma galeria enorme (altura de 20/30 m), só me imaginava naqueles filmes que vemos em casa, com o rabiosque no sofá, uma imagem grandiosa, onde um raio de luz espreitava por um buraco tornando-a ainda mais deliciosa. Ainda nesse raid e após a saída de outra gruta onde passava um rio, surge uma imagem verdejante espectacular, um vale rodeado por árvores e lá em baixo passava um outro rio, para chegarmos até ele tínhamos que saltar três quedas de água com cerca de 10 metros. Além destas pérolas ainda fomos brindados com a saída dos morcegos da gruta. A natureza é tão simples e tão bela.

No segundo Elf Authentique Aventure (2000 – Brasil ~ 800km), mais um amanhecer inesquecível. Imaginem um rappel suspenso de 100 metros junto a uma queda de água, lindo. E agora, olhem para trás enquanto estão a descer, e vêem uma bola de fogo amarela a emergir em terras longínquas. Sim, é uma sensação única.

Para terminar, porque o texto já vai longo, vou partilhar um episódio que se passou também no Brasil (EMA – 2001 ~ 600km). Numa equipa constituída por três meninas e um menino (Maria Amador, Ana Vilar, Ana Gabriel e Luís Sérgio), a meio da noite, no meio do nada, uma várzea (área que na altura das chuvas está coberto de água) com quilómetros e quilóemtros de extensão, e olhem que não estou a exagerar. Tínhamos sido bem avisados pela organização, que para além de várias espécies de cobras, havia peixes perigosos (eléctricos) nos rios e lagoas. O nosso menino, ao verificar que estávamos a progredir muito lentamente e precisávamos de repousar, tomou a decisão de ir sozinho ver se encontrava o rio que procurávamos (iamos a azimute perpendicularmente a ele). Ficaram as três lindas donzelas sozinhas naquele imenso negro. Juntinhas debaixo de uma rede mosquiteira, esperámos ainda algum tempo à espera por boas notícias. Já pensávamos que o nosso príncipe nos tinha perdido, quando surgiu o nosso herói na escuridão. Tinha descoberto uma fazenda de “cowboys” brasileiros pelo que nos dirigimos até lá. Lá estavam uns quantos vaqueiros admirados por ver naquele local, quatro portugueses àquela hora e ainda por cima três eram fêmeas. Eles tinham electricidade fornecida por um gerador, e o mais engraçado foi ver que estavam a assistir a ver leilões de gado na televisão. Para acabar bem a noite ofereceram-nos leitinho acabado de ordenhar e indicaram um barracão onde podemos dormir.

Pois é!!! Os mapas levam-nos a locais verdadeiramente surpreendentes.



Maria Amador
ATV
Fed 1889

sexta-feira, 25 de março de 2011

VENHA CONHECER... JORGE SARAIVA




Chamo-me… JORGE Gomes da Costa SARAIVA
Nasci no dia… 27 de Janeiro de 1957, no Porto
Vivo em… Coimbra
A minha profissão é… Reformado
O meu clube… Ori-Estarreja – Clube de Orientação de Estarreja
Pratico Orientação desde… 1980

Na Orientação…

A Orientação é… uma actividade de lazer que me encanta!
Para praticá-la basta… gostar de se divertir e de estar na natureza!
A dificuldade maior… querer fazer cada vez melhor... tem que se treinar a sério!
A minha estreia foi… sei que foi numa prova militar mas já não me recordo!
A maior alegria… ver os meus atletas – alguns que eu treino – no pódio!
A tremenda desilusão… nunca tive desilusões!
Um grande receio… lesionar-me!
O meu clube… representa uma grande amizade!
Competir é… divertir-me!
A minha maior ambição… não tenho ambições, gosto de viver o agora, o já!

… como na Vida!

Dizem que sou… boa pessoa!
O meu grande defeito… talvez seja um bocadinho desorganizado!
A minha maior virtude… persistência!
Como vejo o mundo… como um caos!
O grande problema social… as pessoas não perceberem que somos todos iguais!
Um sonho… que o planeta não vá à destruição!
Um pesadelo… a destruição do planeta!
Um livro… não vou referir um em especial, mas os meus livros são todos espirituais!
Um filme… a minha vida!
Na ilha deserta não dispensava… não precisava de nada, só de mim próprio!

No próximo episódio venha conhecer Ana Tomé.


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

quinta-feira, 24 de março de 2011

GRANDE ENTREVISTA: LUZIR, UM OLHAR MUITO ESPECIAL!




Surgiu de mansinho, numa manhã de Inverno, fria e luminosa, a neve a vestir de alvo manto os montes em volta de Baião. Ao final desse dia, partilhava com todos nós alguns dos mais fantásticos momentos alguma vez vistos em torno duma prova de Orientação de Precisão. Da admiração e reconhecimento ao convite a que estivesse presente no Portugal O' Meeting vai a distância dum toque de telemóvel. Susana Caetano ajudou a espalhar pelo mundo inteiro a marca POM através de imagens notáveis e foi, inegavelmente, uma mais-valia absoluta para a organização e para o evento em si. Para mim, que de certa forma a iniciei nestas lides, é uma emoção e um orgulho poder partilhar aqui – neste nosso espaço – as impressões da fotógrafa e da pessoa. Ouçamo-la, pois: Luzir!


Orientovar - Quem é a Luzir?

Susana Caetano - Embora seja conhecida por Luzir, o meu nome é Susana Caetano. Actualmente resido em Baião e é lá onde passo a maior parte do meu tempo, uma vez que a minha actividade profissional aí se desenvolve. Embora a fotografia seja encarada por mim com o mesmo profissionalismo e seriedade, a minha actividade principal, que decorre da minha formação académica, não é “ser fotógrafa”, mas sim Técnica Superior de Desporto na Câmara Municipal de Baião.

Orientovar – Quando começou a fotografar?

Susana Caetano - Sinceramente, não me recordo de quando comecei a desenvolver a minha paixão pela arte de fotografar. Lembro-me, porém, que a minha primeira máquina era uma Kodak com 1Mp e o que mais gostava de captar eram imagens de locais “perdidos no tempo”. Fotografava sem qualquer método ou preocupação! Ligava a máquina, colocava no automático e divertia-me imenso quando via o resultado final no computador. Não estava preocupada com enquadramentos, velocidades, aberturas, etc. E porque sempre estive ligada ao Desporto, senti, a certa altura, curiosidade e interesse por este tipo de imagens. Decidi então fazer uma formação em fotografia e a partir daí fui evoluindo e definindo o meu estilo, que continua em constante transformação.

Hoje em dia possuo um site - www.freestyle-spirit.com -, onde tenho grande parte dos meus trabalhos e é através dele que as pessoas me contactam. A área da Dança, com especial incidência no Hip Hop, é sem dúvida a minha maior preferência, pelo facto de encontrar momentos e expressões incríveis! Exploro também desportos como Kitesurf, Bmx, Mountainboard, Surf, Skimboard, Desportos Motorizados, Desporto Adaptado, etc. Fora da fotografia desportiva, dedico-me a captar parte dos dias de pastores e pescadores. Sempre que posso, acompanho os pastores de Mafómedes nas suas longas e solitárias caminhadas pela Serrão do Marão, bem como a chegada dos pescadores de madrugada, na Doca Pesca de Matosinhos. Tenho uma paixão gigante por faróis!


Basta por exemplo, um punho cerrado, um grito de dor, um festejo, para que uma imagem possa marcar a diferença

Orientovar - Quando se fotografa, o que se procura exactamente?

Susana Caetano - Isso depende muito do objectivo e do tipo de trabalho que estou a fazer. O que eu procuro quando estou perante um pastor - e embora em alguns aspectos existam semelhanças -, é muito diferente do que procuro quando estou diante de um atleta. Depende também se se trata de um trabalho livre, em que posso colocar nessas imagens aquilo que sou, definir o objectivo, escolher os cenários e as pessoas, ou se simplesmente me contratam e definem todos esses parâmetros, em que apenas me é solicitado o uso da imaginação e das minhas capacidades como fotógrafa.

Quando acompanho pastores, tento descobrir pormenores que muitas vezes nos passam despercebidos e achamos insignificantes, porque de uma forma geral se pensa que não dão beleza a uma imagem. Captar mãos maltratadas pelo tempo e pelo trabalho, o simples cajado gasto e sem cor, é para mim mais importante do que ter como resultado final uma bela foto colorida do pastor de frente para mim, com a paisagem nas suas costas. Não quero com isto dizer que o contrário está mal! Procuro portanto, pormenores reais que podem enriquecer uma simples imagem e que retratam o dia a dia destas pessoas, de forma isolada, bem como enquadradas no seu ambiente.

Orientovar – Imagino que na fotografia de Desporto já não será tanto assim...

Susana Caetano – É verdade que não. No desporto, o timing é muito importante, mas não apenas no que diz respeito ao movimento ou ao gesto em si, porque muitas vezes é após a finalização que surgem as reacções mais interessantes. Basta por exemplo, um punho cerrado, um grito de dor, um festejo, para que uma imagem possa marcar a diferença. Na fotografia de Desporto, tento captar não só os elementos característicos e próprios das modalidades, mas também a reacção humana perante o esforço e a concentração.


As minhas imagens mostram quem sou, como sou e como penso

Orientovar – Isto exige muito trabalho de casa?

Susana Caetano - Tudo isto requer de mim uma constante pesquisa e visualização de imagens e vídeos, porque em muitos casos me ajudam não só a melhorar a minha criatividade e originalidade, mas também a antecipar ou prever o que o atleta vai fazer em certas situações. Todos sabemos que após um golo há um festejo! Desta forma, faço questão de conhecer e saber acerca do que vou fotografar, de forma a que o resultado final não necessite de “legendas”.

Tal como se interpreta e estuda a forma como desenhamos, escrevemos ou sonhamos, as minhas imagens mostram quem sou, como sou e como penso. O meu estado de espírito influencia muito a edição das imagens e por esta razão, muitas vezes, guardo-as para mais tarde, por achar que não é o momento certo para lhes dar o “tratamento” mais adequado.


O que não imaginei foi a tamanha beleza dos locais escolhidos e por onde andei

Orientovar - Como recebeu o convite para estar presente no Portugal O’ Meeting 2011?

Susana Caetano - O convite foi-me feito pelo Fernando Costa, responsável pelo GD4Caminhos, que tive o prazer de conhecer na 1ª Etapa do Circuito de Orientação de Precisão, organizado em Baião. Nesta etapa decidi fazer uma reportagem completa para uso na Câmara Municipal, mas também porque tenho uma especial simpatia e atenção nos meus trabalhos com cidadãos portadores de deficiência. Essas imagens foram postadas no meu Facebook e causaram impacto junto dos intervenientes. Esta é a principal origem deste convite.

Orientovar - Imaginou que as coisas teriam aquela dimensão quando se viu pela primeira vez no epicentro do evento?

Susana Caetano - Embora não tivesse conhecimento da realidade destas provas, quer ao nível da organização, quer ao nível da sua dinâmica, eu sabia que ao estarem lá os melhores atletas do Mundo, teria que ser um evento grandioso e sério. O que não imaginei foi a tamanha beleza dos locais escolhidos e por onde andei. Acho que nunca terei a oportunidade de voltar lá!


Ser Orientista não tem idade!

Orientovar - A sua actividade ao longo dos quatro dias do POM teve a ver essencialmente com o seu gosto pela fotografia mas também pela natureza. Nunca sentiu vontade de largar a máquina, pegar num mapa e partir à descoberta?

Susana Caetano - Gosto muito de explorar a natureza e por isso senti muita vontade de aprender a ler mapas e descobrir outros locais, mas fora da prova, isto é, poder passar a ter o hábito de correr por campos, serras, caminhos, etc! Por outro lado, fui tão bem acompanhada pelo Joaquim Margarido, que acabei por não me preocupar com isso, porque ninguém melhor que ele para ter como parceiro nesta aventura!

Orientovar - Fotografou centenas de atletas e deu-nos a ver, como resultado do seu trabalho, um pouco daquilo que é a essência da Orientação. Hoje, o que é para si “ser orientista”?

Susana Caetano - Para mim, um Orientista, terá de ter um grande espírito aventureiro, sem receio de se perder por locais que ele mesmo pode desconhecer, esteja sol, chuva, calor ou frio. Terá que ser alguém que de certa forma tenha a sensibilidade para gostar e valorizar a natureza, bem como ter a capacidade de leitura e interpretação dos mapas e dos terrenos. Ser Orientista não tem idade!


O trabalho amador também tem muita qualidade e muitas vezes é de graça!

Orientovar - Que balanço faz da experiência?

Susana Caetano - Foi muito positivo! Achei fantástica a entrega e a dedicação de toda a equipa do GD4Caminhos, bem como dos voluntários presentes. Fui extremamente bem recebida e acompanhada. O meu trabalho foi divulgado por todo o Mundo e recebi imensas palavras simpáticas e pedidos de fotos para colocação em jornais, sites e revistas. O mais recente pedido, veio de uma revista de orientação Suiça.

Devo elogiar a forma como o GD4Caminhos se preocupou em garantir os meios e a presença de pessoas que podiam dar uma grande ajuda na divulgação e promoção deste POM. Destaco o Joaquim Margarido, sempre incansável na fotografia e na elaboração de notas de imprensa para todo o Mundo. Este é um aspecto importantíssimo e muitas vezes não entendo porque não se convidam pessoas úteis para desempenhar estes trabalhos, quando elas existem e estão disponíveis para colaborar em troca de umas refeições. O trabalho amador também tem muita qualidade e muitas vezes é de graça!



Gostava que os meus pais, aos 70 anos, tivessem a mesma força e alegria

Orientovar - Se lhe pedisse para eleger uma foto das muitas que tirou, qual seria a sua eleita?

Susana Caetano - Tirei uma média de 300 fotografias por dia, rejeitei cerca de 50 e apaguei outras tantas. Estas rejeições são feitas com base no tipo de selecção que faço, uma vez que me preocupo com a imagem e qualidade dos trabalhos que publico. Em alguns casos é por achar que não estão bem tecnicamente, por outro lado, evito repetir planos e cenários. No entanto, tenho essas imagens guardadas e estão sempre disponíveis para o caso de me serem solicitadas.

A minha foto eleita não pertence à Super Elite, mas sim a uma senhora com os seus 70 anos. Não a escolho por questões técnicas, mas sim pelo que me fez sentir naquele momento e pelo que me transmite de cada vez que a observo: gostava que os meus pais, aos 70 anos, tivessem a mesma força e alegria.


O POM deu-me também imagens diferentes e especiais

Orientovar - Confessou-me que um dos seus desejos passaria por vir a publicar um álbum de fotografia. Algumas das fotos que tirou no Portugal O’ Meeting teriam cabimento nesse trabalho?

Susana Caetano - Sem dúvida! Não faço questão de excluir modalidades e neste caso o POM deu-me também imagens diferentes e especiais.

Orientovar - Vamos voltar a vê-la muitas vezes de máquina em punho, “numa floresta perto de nós”?

Susana Caetano - Certamente que sim! Não gostaria de terminar sem deixar uma palavra de reconhecimento e de agradecimento a todos os elementos do GD4Caminhos, duma simpatia extrema, ao Joaquim Margarido e à Graça Carrapatoso, por todo o apoio e acompanhamento e finalmente, ao Fernando Costa, responsável por me fazer sentir em casa. Obrigada!





Veja o trabalho de Susana Caetano em www.freestyle-spirit.com.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO