quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

THE ORIENTEERING ACHIEVEMENT OF 2011: THIERRY GUEORGIOU, POIS CLARO!




Três medalhas de ouro numa mesma edição dum Campeonato do Mundo não está ao alcance de qualquer um. Terá sido esta proeza que valeu a Thierry Gueorgiou a vitória na votação “The Orienteering Achievement 2011”, anunciada hoje no sítio www.worldofo.com. Pretexto para revisitarmos a Entrevista que o Orientovar, numa parceria com o Ultimate Orienteering, fez ao multi-campeão francês, no rescaldo da sua participação no I Meeting de Orientação de Gouveia.


Orientovar – É bom reencontrá-lo de novo em Portugal, com todo este sol magnifico e num local particularmente aprazível para a prática da Orientação. Quer falar-me disso?

Thierry Gueorgiou – Sim, efectivamente é a primeira vez que venho para esta zona de Portugal e fico, uma vez mais, verdadeiramente surpreendido com a qualidade dos terrenos. Tinha vindo ao Portugal O’ Meeting em 2007, em S. Pedro do Sul. Não é muito distante daqui. Ontem, e mesmo hoje, foi realmente muito bom. Estamos em altitude, portanto é realmente simpático. Depois, ontem mesmo, subimos até às Penhas Douradas, no topo de Portugal e fiquei extraordinariamente surpreendido por encontrar também terrenos de tão boa qualidade.

Orientovar – De que forma é importante para a sua preparação esta pré-temporada?

Thierry Gueorgiou – É no Inverno que se ganham as medalhas do Verão. Logo, é agora que é necessário fazer muitos quilómetros, fazer muitas provas. Estamos a estagiar aqui há uma semana, esta é a segunda vez este Inverno que venho a Portugal, penso que voltarei ainda uma vez mais com o meu clube finlandês para o Portugal O’Meeting. Portanto, Portugal é um sítio onde venho com muito frequência.


Desde que o mapa seja bom, não me incomoda nada se corro numa escala de 1: 10 000 ou de 1: 15 000

Orientovar – A corrida de ontem, a corrida de hoje. Que diferenças?

Thierry Gueorgiou – Foi completamente diferente, os terrenos de ontem e de hoje são totalmente diferentes. Eu diria que ontem foi 70% de técnica e 30% de corrida e hoje é um pouco o inverso, ou seja, muito duro fisicamente, portanto muito bom. E depois, hoje, foi realmente especial acabar com um Sprint. Gostei muito porque chegamos aqui, estamos desgastados com a corrida na floresta e isto torna o Sprint muito mais difícil. E também apreciei o facto de estar organizado desta forma, numa aldeia antiga. É sempre especial e gostei imenso.

Orientovar – Pedia-lhe que partilhasse connosco as suas impressões acerca dos mapas deste I Meeting de Orientação de Gouveia?

Thierry Gueorgiou – Relativamente à corrida de ontem, o terreno era muito detalhado, é realmente muito difícil fazer um bom mapa. Penso, todavia, que o mapa de ontem era muito bom. Talvez contivesse demasiados elementos, visto que até as pedras mais pequenas estavam marcadas. Mas isso não me incomoda desde que haja uma certa homogeneidade no mapa e que, enfim, quando encontro uma determinada pedra aqui e, cento e cinquenta metros mais à frente, vá encontrar mais ou menos a mesma pedra, ambas estejam marcadas de igual forma no mapa. É isto que é importante. Penso que o mapa era muito bom, a escala estava bem escolhida, depois… bem… outros terão uma filosofia diferente, não tenho opinião sobre isso. Desde que o mapa seja bom, não me incomoda nada se corro numa escala de 1: 10 000 ou de 1: 15 000.


Portugal tem uma enorme variedade de terrenos, todos eles muito diferentes e isso é uma sorte

Orientovar – Essa questão da filosofia de que fala, de se abordarem diferentes estilos de cartografia, isto é importante para se fazer um Campeão do Mundo ou não?

Thierry Gueorgiou – Sim, claro. Em todo o caso, é nisso que se baseia o nosso desporto. Nunca é igual, de cada vez que corremos os terrenos são diferentes, portanto a Orientação é particularmente versátil. Para alcançarmos boas performances, necessitamos de ser bastante flexíveis e de possuirmos muita experiência. Eu viajo muito. Nada melhor que o vosso País para exemplificar aquilo que digo. Portugal tem uma enorme variedade de terrenos, todos eles muito diferentes e isso é uma sorte.

Orientovar – Falemos um pouco do Campeonato do Mundo que este ano terá lugar no seu País. Tenho a certeza que a Estafeta francesa lhe está atravessada na garganta, depois do que aconteceu nos três anos anteriores. Será 2011, finalmente, o ano da consagração?

Thierry Gueorgiou – Sim, com efeito a Estafeta é um dos meus grandes objectivos para 2011. Aquilo que aconteceu nos anos anteriores, bom, não se pode alterar, já passou. Portanto, é com as ideias lavadas que encaro este objectivo e penso que, com os meus companheiros de equipa, temos o ânimo necessário para conseguir um bom resultado. Se esse resultado será a vitória, enfim, é assim o desporto. Nunca sabemos o que irá acontecer mas vamo-nos preparar da melhor forma.


O nível do Portugal O’ Meeting é cada vez mais elevado

Orientovar – Vamos vê-lo recuperar o título de Distância Média e acrescentar-lhe os títulos de Distância Longa e de Sprint?

Thierry Gueorgiou – Isso seria o ideal, mas todos sabemos que, entre o sonho e a realidade, nem sempre as coisas correm como gostaríamos. Não estou sozinho a competir na minha categoria, há muito bons concorrentes, vou necessitar de estar ao meu melhor nível e é para isso que me estou a preparar.

Orientovar – Uma última questão para si que é o número 1 do ‘ranking’ mundial. Venceu a prova WRE do último Portugal O’ Meeting, vai ter de ganhá-la de novo este ano…

Thierry Gueorgiou – Não vai ser fácil. O nível do Portugal O’ Meeting é cada vez mais elevado. Procurarei alcançar um bom resultado, como no ano passado. Já estagiei uma semana na região de Évora, penso que os terrenos do Portugal o’ Meeeting serão semelhantes, terrenos muito rápidos e depois zonas muito detalhadas. Mesmo estando em estágio há uma semana, estarei talvez um pouco fatigado, mas… procurarei na mesma dar o meu melhor.


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Interview by JOAQUIM MARGARIDO

Towards the end of the winter preparation, the 1st Meeting de Orientação de Gouveia (5-6 February) represented a first opportunity for Word’s elites to gather to Portugal and compare their shape. A first opportunity for us to collect the impressions of the most expected orienteer of the year 2011, Frenchman Thierry Gueorgiou.


Ultimate Orienteering – How nice to meet you again in Portugal, under this bright sun and in a great orienteering region. Can you tell us more about it?


Thierry Gueorgiou – Yes indeed, it is the first time that I come in this region of Portugal and I was again surprised by the quality of the terrains. I came in 2007 to the Portugal O’Meeting in S. Pedro do Sul, not that far away from here. Yesterday and even today were really great. The region is located in altitude, so that is nice. We went yesterday up to Penhas Douradas, Portugal’s summit, and I was surprised to find terrains of such good quality.

Ultimate Orienteering – It this pre-season very important for your preparation?


Thierry Gueorgiou – Yes, for it is in winter that you win the upcoming summer medals. So now is the right moment to drive large amounts of kilometers and to do a lot of orienteering. We have been in Portugal for one week now for a training camp. It is the second time I come here this winter and I will probably come again with my Finnish club for the Portugal O’Meeting, so I’m really traveling often to Portugal.


You have the chance to get many different types of terrains

Ultimate Orienteering – What were the differences between yesterday’s and today’s race?


Thierry Gueorgiou – The terrain was very detailed in yesterday’s race, which makes it particularly difficult to map. Nevertheless, I think that yesterday’s map was very good. There were maybe a bit too much details, as even small stones were mapped; but it doesn’t disturb me, as long as there is a relative homogeneity in the map, implying for example that a small stone mapped here will be of a similar size than a small stone mapped 150m away. This is indeed what counts. Additionnally, the scale was well chosen, albeit I know some have other opinions on the question. As long as the map is good, it doesn’t bother me to run on a 1:10 000 or 1:15 000 scale.

Ultimate Orienteering – You mentioned this “philosophy”… To be confronted to many kinds of cartography is important on the way to a World Champion title, isn’t it?


Thierry Gueorgiou – Yes, of course. Our sport is based on it, as the terrains are different each time. In order to reach good performances, one needs to be flexible and to have a lot of experience. I traveled a lot and already only in Portugal, you have the chance to get many different types of terrains.


The Relay is indeed one of my biggest goals for 2011

Ultimate Orienteering – Let’s talk a bit about the upcoming World Championships, which will be held in your country. Your misfortune at last year’s Relay was probably very hard to swallow. Will 2011 finally be the right year for the title?


Thierry Gueorgiou – The Relay is indeed one of my biggest goals for 2011. What happened during the past years belongs to the past, I cannot change anything to it. I look at this goal with a new and fresh glance and I think that we will be intent to do a nice performance. It remains sport, and you never know what can happen, but we will prepare the best we can.


The level is always very high

Ultimate Orienteering – Will you conquer once again the title on the middle distance, and add to it gold medals in sprint and long distance?


Thierry Gueorgiou – It would be ideal, but there is often a gap between ideal and reality… I’m not alone in my category, there are some very good concurrents and it will require from me to be extremely strong. That is what I try to prepare for, and we will see.

Ultimate Orienteering – A last question. You are the current leader of the World ranking, you won the Portugal O’Meeting last year. Now you will have to win it again…


Thierry Gueorgiou – It won’t be easy. The level is always very high. I will try to be as efficient as last year. I already did a week of training camp around Evora, I think that the terrains will be quite similar: quite fast with very detailed areas. I might be slightly tired after a week of training camp, but I’ll try to give my best anyways.


Interview translated from French by Lucie Babel




Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

1 comentário:

Dinis Costa disse...

A Escala não é causa maior só a qualidade (coerência interna) interessa.
Por outro lado, ainda que tenha uma ligeira vantagem física (na progressão) em relação aos mais baixos vê-se que é um verdadeiro campeão pois, não se nota nenhum empertigamento no discurso.
Parabéns! Nunca são demais.