sábado, 17 de dezembro de 2011

O MEU MAPA: COELHO DOS SANTOS, OS NACIONAIS DE SPRINT 2009 E O REVISITAR DA ADOLESCÊNCIA EM SANTARÉM




A última troca de mails entre mim e o Joaquim Margarido acerca de como solucionar um problema técnico que tinha relativo a fotografia, acabou com o seguinte convite da parte do Joaquim: “P.S. – Aproveito para o convidar a contar-nos uma história para a rubrica “O Meu Mapa” do Orientovar. Um mapa que lhe tenha ficado na memória – por boas ou más razões – e um punhado de peripécias a ele associadas. Há méritos no projeto? Posso contar consigo?”

Instintivamente respondi : “Pode sempre contar comigo, mas tem que me dar um pouquinho de tempo”. Mal sabia eu em que “empreitada” me estava a meter, pois queda para a escrita é algo em que os meus dotes não abundam.

Mas palavra dada …trabalho a cumprir. Deitei-me a pensar como iria estruturá-lo, fugindo às componentes técnicas onde não abundam as minhas competências. Após algum tempo de maturação, decidi tomar o caminho que me tinha levado a praticar a modalidade de Orientação. O prazer de me sentir LIVRE. O prazer de PARTILHAR. É na Natureza que encontro o local ideal para desfrutar esses prazeres.

Os sonhos soltam-se quais cavalos lusitanos percorrendo vales de Alter do Chão. Enfrentam-se desafios em situações agrestes (recordo Gerês, Gouveia….) que nos preparam para o quotidiano da nossa Vida. O convívio, o companheirismo, a amizade, o respeito pelo espaço do Outro, os afetos, entranham-se, percorrendo transversalmente todas as faixas etárias. Toda este mesclado é o que dá sentido à ORIENTAÇÃO. Iniciei-me no longínquo tempo do Challenger Trophy e estende-se até aos dias de hoje. Espero continuar até poder.

Companheiros que me marcaram já são muitos. Não citarei nenhum porque o esquecimento de algum tornar-se-ia em ingratidão.

Dentro deste conceito, o desafio lançado pelo Joaquim Margarido de escolher o meu MAPA, tornou-se fácil. A escolha recaiu no Campeonato Nacional de Sprint 2009, em Santarém. Porquê ? Por ser a minha terra natal. Não imaginam o turbilhão de emoções que vivi , antes, durante e depois das provas. Até nisso fui bafejado pela sorte. Foram duas mangas para mergulhar nos sonhos da minha adolescência ao voltar a correr naquelas ruas, ruelas, becos , revisitar monumentos onde predomina o estilo gótico, o que outrora havia percorrido em diabruras próprias da idade.

Ao toque do relógio para o início da minha prova, com os níveis de adrenalina superiores aos da hipertensão, comecei a correr olhando para o mapa que de imediato se transformou numa lenda onde os pontos que teria que efetuar viraram em sonhos /recordações outrora já vividos. Uma correção. Um deles estava em zona em que outrora , em todas as cidades existia, mas que era vedada a menores de 18 anos. Local destinado à iniciação sexual ou onde se buscava o conforto momentâneo para uma vida carregada de solidão, falta de amor ou desventuras.

Nesse dia VOEI !!! ( mesmo que tivesse só caminhado).


Recordei lugares de namoricos de estudante. Passei pela igreja onde os estudantes cábulas, em dia de prestação de prova, entravam, pedindo ao seu Santo que lhes desse a sapiência milagreira para recompensar a falta de estudo. Junto à casa onde nasci existia um ponto de controlo (que pena senti não ser um dos meus). Não me alongo mais, para não vos enfadar. Estas foram as boas razões que ficaram na memória . As más? Acabada a prova , o sonho acabou. Acordei. O Mapa voltou a ser Mapa. Os pontos deixaram de ser recordações. Já nada era o que era.

Mas os “Nossos Mapas”, não existiriam sem o trabalho e dedicação de todos os que se dedicam à sua elaboração. Para Eles o meu Bem – Haja.

João Coelho dos Santos
Clube de Orientação de Estarrefa
FPO 4440

1 comentário:

Dinis Costa disse...

Felizes recordações
Todos somos só infância, isto porque, na mesma, ainda não somo outra coisa, tudo está num nós, que tudo.
Só a finitude nos roubará suas/nossas recordações.