quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

DIA INTERNACIONAL DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA: ORIENTAÇÃO ADAPTADA BRILHOU NA MARINHA GRANDE




De forma a comemorar o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, o Agrupamento de Escolas Guilherme Stephens leva a cabo, ao longo da semana que ainda decorre, um conjunto de eventos que teve ontem um dos seus pontos altos. Tratou-se duma actividade de Orientação Adaptada - a segunda a ser levada a cabo em Portugal - e cujo retrato fiel nos é trazido aqui pelo Professor Hélder Ferreira. Pelo entusiasmo na escrita e pelo reconhecimento dos méritos duma modalidade que dá os primeiros passos, ao Professor Hélder Ferreira deixo publicamente um agradecimento sincero e sentido.


No âmbito das comemorações do Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, o Agrupamento de Escolas Guilherme Stephens, da Marinha Grande, realiza ao longo da semana um conjunto de actividades, em colaboração estreita com a Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental (APPACDM).

Encontrando-se já no seu segundo ano de comemorações, o Departamento de Expressões da Escola alargou as atividades a vários dias, tendo escolhido os dias 29, 30 de novembro e 2 de dezembro para levar a efeito um vasto e ambicioso programa. Para além das atividades de Boccia, Goal-Ball, Remo indoor, percurso sensorial, pintura com o pé (artistas das Caldas da Rainha), atelier de artes (dinamizado pela APPACDM), jogos sensoriais (gosto, tacto, cheiro, no âmbito das disciplinas de Educação Especial e Educação Moral), atividades de música (Professora Edna, promovendo a interação dos nossos alunos com os da APPACDM), mímica e música (“O Carnaval dos Animais”), teatro de marionetas, experiência de Patinagem para os jovens da APPACDM, exposição de trabalhos e jornal de parede para escrita de mensagens alusivas à problemática da deficiência, propus ao Departamento a inclusão da Orientação Adaptada no conjunto de atividades.

Sem saber e sem pensar na atividade, sabia que esta situação ia dar muito trabalho. Foram semanas a pensar cuidadosamente e em silêncio como ia preparar e realizar a dita atividade, de forma a criar sucesso e satisfação por parte de um universo de jovens que, por si só, é sensível e que merece todo o nosso apoio e atenção.

O mais engraçado – e, como costumo dizer, as coisas não acontecem por acaso! - é quando, numa Assembleia da Federação Portuguesa de Orientação, salta da cadeira o Fernando Costa, explicando a Orientação Adaptada, contagiando e aliviando-me com esta nova disciplina, na qual também o Joaquim Margarido se associa, desenvolvendo e divulgando muitos encontros pelo norte do país. Não sei se foi pela forma apaixonada com que o Fernando falava sobre esta disciplina, mas só sei que vim para a Marinha Grande picado pela Orientação Adaptada. Contactei os dois e rapidamente me facultaram todo os materiais e conselhos adequados a ter em conta na realização duma atividade desta natureza. Aproveito para agradecer ao Fernando Costa e ao Joaquim Margarido pelo seu apoio.

Para quem já organizou sabe que é muito trabalho, associado a uma ginástica mental, para que esta enorme complexidade de organização seja rentabilizada e que se torne o mais simples a estes jovens e mais gratificante para os mesmos.

Depois de um grande cansaço na organização e preparação de toda a atividade e estar tudo pronto para os receber, surge o momento alto. Tenho tido muitas alegrias nos meus 20 anos ligados à Orientação, mas este foi um deles… Dos oito jovens que compareceram do APPACDM, o José Luís, o Carlos Caetano e a Lília foram os três jovens que participaram na atividade, acompanhados pela professora Sofia Ferreira.



Foi notória a ansiedade nos jovens, mas rapidamente após passarem pelos dois primeiros pontos, todos eles começaram a descontrair e a interagir na atividade, expressando sorrisos de satisfação e felizes por conseguirem ter sucesso. Posso dizer que, receber especialmente do José Luís e Carlos Caetano, gestos com o polegar a dizer “É FIXE!”, fez com que todas as horas de sono e trabalho extra neste início da semana fossem esquecidos, deixando-me feliz e com vontade de voltar a fazer com estes jovens novas atividades. O professor Emanuel Rodrigues que me ajudou, acompanhou-os, esquecendo que a sua perna lhe doía ou impedia de se movimentar, expressando o seu agrado pela adequação desta nova disciplina a estes jovens e referindo as suas potencialidades como um instrumento de introdução da Orientação nas crianças de Jardins de Infância, em que as cores já dominam, permitindo a sua progressão com atividades cada vez mais complexas e crescentes.

Com o decorrer do percurso estes jovens foram ganhando confiança, mostrando um à-vontade connosco, libertando momentos de humor, tais como picar com o alicate nos seus próprios dedos, levando a gargalhadas e até indicando com a mão o correto símbolo: a própria mão. O Simão, aluno da nossa escola que também se encontra de cadeira de rodas, já nem nos "passava confiança", acelerava feliz de um lado para o outro, percebendo logo à primeira, tendo mesmo assim “pastado” nalguns pontos!!! Típico dos jovens destas idades!!!

No fim perguntei ao Simão se queria voltar a fazer e ele virou-me as costas e acelerou. De repente virou-se para trás e disse que sim, com aquele sorriso malandro!!! Eheh!!!

Durante esta manhã, após alguma curiosidade em ver 36 balizas espalhadas pelo recinto da escola, os alunos no intervalo puderam participar. O grupo de Educação Física arranjou duas cadeiras de rodas para que os alunos pudessem sentir as dificuldades de mobilidade.

A Orientação Adaptada é, sem dúvida, uma disciplina que deverá fazer parte do processo de desenvolvimento da Orientação de Precisão em Portugal, assim como instrumento vantajoso para levar a modalidade de Orientação aos mais novos.

Hélder Ferreira




[Foto gentilmente cedidas pelo Professor Hélder Ferreira, extraídas do excelente Álbum em https://picasaweb.google.com/116601247865404681143/Orientacao_adaptada_30_nov_2011?authkey=Gv1sRgCIzJkPTwzP2BGg]

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